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Anunciar a alegria da fé! [9]


O terceiro «aspeto fundamental» na formação do discípulo missionário é o discipulado. Como lembramos (cf. tema 6), também neste tópico a Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG) alimenta-se das ideias expressas no Documento de Aparecida (DAp).

Discipulado

Eis as palavras usadas pelos bispos da América Latina e do Caribe para explicitar este aspeto essencial na formação do discípulo missionário: «A pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre, se aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina. Para esse passo são de fundamental importância a catequese permanente e a vida sacramental, que fortalecem a conversão inicial e permitem que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão no meio do mundo que os desafia» (DAp 278).

Amadurecimento

A base do discipulado assenta num processo de amadurecimento que acompanha toda a vida. Não é uma etapa da vida tendo em vista a passagem a uma outra etapa. Trata-se de um estado permanente marcado pelo «conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre», que «se aprofunda» na sua pessoa, no seu exemplo e doutrina. Por isso, aqueles e aquelas que aceitam ser discípulos de Jesus Cristo entram numa escola permanente: são sempre aprendizes. «O próprio Senhor, na sua vida mortal, deu a entender várias vezes aos seus discípulos que havia coisas que ainda não podiam compreender e era necessário esperar o Espírito Santo (cf. João 16, 12-13)» (EG 225). Uma aprendizagem que conta sempre com a presença e a cooperação do Mestre. O discípulo «sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele» (EG 266).

Catequese

Na formação do discípulo missionário, em que o amadurecimento é um processo ao longo da vida, a «catequese permanente» ocupa um lugar fundamental. Como nos temas anteriores, «também na catequese tem um papel fundamental o primeiro anúncio ou ‘querigma’, que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial» (EG 164). «Nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio» (EG 165). Que anúncio é esse? «‘Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar’. Ao designar-se como ‘primeiro’ este anúncio, não significa que o mesmo se situa no início e que, em seguida, se esquece ou substitui por outros conteúdos que o superam; é o primeiro em sentido qualitativo, porque é o anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese, em todas as suas etapas e momentos» (EG 164). Outro aspeto importante na «catequese permanente» tendo em vista a formação do discípulo missionário consiste na «iniciação mistagógica». Esta «significa essencialmente duas coisas: a necessária progressividade da experiência formativa na qual intervém toda a comunidade e uma renovada valorização dos sinais litúrgicos da iniciação cristã» (EG 166).

Vida Sacramental

O Documento de Aparecida faz ainda referência à «vida sacramental» em articulação com a «catequese permanente». A Eucaristia constitui «a plenitude da vida sacramental» (EG 47). Infelizmente, «são muitos os cristãos que não participam na Eucaristia dominical nem recebem com regularidade os sacramentos, nem se inserem ativamente na comunidade eclesial. [...] Este fenómeno nos desafia profundamente a imaginar e organizar novas formas de nos aproximar deles para ajudá-los a valorizar o sentido da vida sacramental, da participação comunitária e do compromisso cidadão» (DAp 286). Neste sentido, urge promover a dinâmica catecumenal subjacente à iniciação cristã. «A iniciação cristã, que inclui o ‘querigma’, é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado. Dá-nos, também, a oportunidade de fortalecer a unidade dos três sacramentos da iniciação, e aprofundar o rico sentido deles. A iniciação cristã, propriamente falando, refere-se à primeira iniciação nos mistérios da fé, seja na forma do catecumenato batismal para os não batizados, seja na forma do catecumenato pós-batismal para os batizados não suficientemente catequizados» (DAp 288).

Reconheço que ser discípulo é um processo de amadurecimento ao longo de toda a vida? Para mim, que importância tem a catequese permanente e a vida sacramental?

© Laboratório da fé, 2015 














Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.12.15 | Sem comentários

Mistério da fé! [10]


O Batismo associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Atos dos Apóstolos 2, 14-41; Catecismo da Igreja Católica, números 1229 a 1233 e 1246 a 1261]

«Peça cada um o batismo»

— responde Pedro à pergunta feita pelos que ouviram o seu discurso após a ressurreição de Jesus Cristo, de acordo com o livro dos Atos dos Apóstolos. Ninguém fica indiferente diante da revelação de Cristo ressuscitado. E os que escutam fazem a pergunta que será usada pelos catecúmenos durante o rito de admissão ao batismo: «Que devemos fazer?». Pedro apresenta-lhes um programa de conversão que encaminha para a celebração do batismo e a inserção na comunidade dos cristãos.

Quem pode ser batizado?

«Todo o ser humano ainda não batizado — e só ele — é capaz de receber o Batismo» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1246). Para concretizar esta afirmação, a Igreja prevê três possibilidades, de acordo com a idade: crianças (nos primeiros anos de vida); crianças e adolescentes em idade de catequese; jovens e adultos. «A única predisposição para o Batismo é a fé» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 196). Aos jovens e adultos é proposto um itinerário («catecumenado» – cf. tema 7) com etapas celebrativas ao longo do percurso, conforme o Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA). Este ritual também possui o capítulo próprio para as crianças em idade de catequese (Ritual da Iniciação Cristã das Crianças em idade de catequese): «Este rito destina-se às crianças que, não tendo sido batizadas na infância e tendo atingido a idade da discrição e da catequese, se apresentam para receber a iniciação cristã [...]. A iniciação deve prolongar-se, se for necessário, por vários anos» (RICA. Preliminares, 306-307). Para as crianças «que, por não terem chegado ainda à idade do uso da razão, não podem professar fé própria» existe um ritual próprio (Ritual do Batismo das Crianças. Preliminares, 1). A celebração do batismo das crianças «pressupõe que os pais cristãos introduzam o batizando na fé» (YOUCAT 197). Além disso, «o Batismo das crianças exige um catecumenado pós-batismal. [...] É o espaço próprio da catequese» (CIC 1231). Em todos os casos, é essa a missão dos padrinhos: «devem ser pessoas de fé sólida, capazes e preparados para ajudar o novo batizado, criança ou adulto, no seu caminho de vida cristã» (CIC 1255).

Quem pode batizar?

«Quem preside normalmente a uma celebração batismal é o bispo, um presbítero ou um diácono. Em caso de emergência, qualquer cristão, ou mesmo qualquer pessoa, pode batizar, derramando água sobre a cabeça do batizando e dizendo a fórmula batismal: ‘Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’. O Batismo é tão importante, que até uma pessoa que não é cristã pode ser o seu ministro. Ela apenas tem de ter a intenção de fazer o que a Igreja faz quando batiza» (YOUCAT 198).

Como é celebrado o batismo?

Há a fórmula breve, usada em caso de «emergência», perigo de morte. De facto, «o rito essencial do Batismo consiste em mergulhar na água o candidato ou em derramar água sobre a sua cabeça, invocando o nome da Santíssima Trindade» (CIC 1278). Mas há outros elementos simbólicos usados na celebração solene do Batismo. Vamos apresentá-los no próximo tema.

Quando se pode batizar?

Já sabemos que a Igreja prevê a possibilidade de celebrar o batismo em qualquer etapa da vida, atendendo à especificidade de cada pessoa. Agora, apresentamos dois pontos importantes retirados do Ritual da Celebração do Batismo das Crianças (Preliminares, 8-9): «deve fazer-se dentro das primeiras semanas após o nascimento da criança»; «recomenda-se que o sacramento seja celebrado na Vigília Pascal ou ao domingo».

Onde se pode batizar?

Sem excluir outras possibilidades, o lugar mais apropriado para a celebração do Sacramento do Batismo é a igreja paroquial (onde residem os pais): «para se ver mais claramente que o Batismo é o sacramento da fé da Igreja e da agregação ao povo de Deus, celebrar-se-á habitualmente na igreja paroquial» (Ritual da Celebração do Batismo das Crianças. Preliminares, 10).

«O Batismo insere na comunhão com Cristo e assim dá vida. [...] O Batismo é um dom; o dom da vida. Mas um dom deve ser acolhido, deve ser vivido. Um dom de amizade exige um ‘sim’. [...] É o nosso ‘sim’ a Cristo, o ‘sim’ à vida no tempo e na eternidade» (Bento XVI, Homilia a 8 de janeiro de 2006).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.12.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


Testemunhar, segundo o dicionário «Houaiss», é declarar ter visto, ouvido ou conhecido. Então, dar testemunho cristão é expressar ou afirmar ter tido um encontro, ter visto, ouvido ou conhecido Jesus Cristo.
Não é possível dar um testemunho sem que o encontro, de facto, não tenha ocorrido!
Os catequistas precisam de ter passado por este encontro pessoal com a pessoa de Jesus Cristo, e pelo Pentecostes que entusiasma e faz renovar todas as coisas, para poderem evangelizar de facto! «Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim» (João 15, 26).
O Catequista que não teve este encontro é morno, faz da sua catequese uma teoria distante e complexa para os dias de hoje, segue o material didático à risca, não possui uma linguagem atual e moderna, portanto, também não consegue cativar e nem levar o catequizando a ter este encontro tão importante com Jesus! E, infelizmente, ainda são muitos os que fazem dos encontros de catequese uma aula para falar de religião.
O guia serve para dar uma diretriz, um norte, abrir um caminho para o catequista percorrer. Mas, lembremos que a catequese é vida, é viva, e não está trancada dentro de uma cartilha, mas é livre e não contém amarras, é prática que se concretiza no dia a dia.
Quem são os catequizandos de hoje? Como eles vivem? Quais são seus interesses?
Jesus falava do Reino de Deus a partir da linguagem daquela época, para que todos O entendessem. Contava Parábolas para facilitar ainda mais a compreensão dos homens e mulheres simples ou nobres que O seguiam, e testemunhava a Sua própria vida, o próprio amor de Deus pelos homens. Ele mesmo disse: «As obras que faço em nome de meu Pai, estas dão testemunho de mim» (João 10, 25). Da mesma forma devem ser os nossos evangelizadores!
Quando o catequista tem o encontro com Jesus, ele dá o seu próprio testemunho, que brilha, que encanta, que fascina quem o ouve, assim como Cristo fez, olhando nos olhos, com palavras que tocam o coração que está endurecido ou fragilizado e que precisa de alento e consolo, ou está sedento para receber a água viva!
«Todo o planeamento e ação da Igreja nascem do próprio Cristo e voltam-se para Ele que é a razão de ser da catequese; a origem do agir; o Caminho, a Verdade e a Vida de todo cristão» (cf. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – 2011-2015, §4).
Por isso, catequista, pensa qual tem sido o teu testemunho? Quem ou o quê, tu, de facto, estás a anunciar?
Sê coerente com a tua condição de discípulo missionário! De quem és discípulo? Qual é a tua missão?

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013




www.pequeninosdosenhor.org


Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.10.13 | Sem comentários

A catequese no Laboratório da fé


A fé é saber que Deus nos ama. É acreditar que todos são amados, mesmo aqueles de quem não gostamos muito. Deus só nos pode amar e criou-nos para sermos participantes desta felicidade.
Acreditar também que Deus não quer nada em troca, não quer que o sirvamos nem o glorifiquemos. Ele não precisa de nós como servos nem como aduladores da sua infinitude.
Estes são os pressupostos maiores do nanoCredo. É urgente na catequese transmitir isto às crianças!
É urgente recuperar a imagem de Deus que salva todas as pessoas. É preciso outro catecismo, outra teologia, outra forma de se dirigir a Deus, outra forma de rezar.
É preciso dizer às crianças na catequese que na oração não devemos pedir nada, não devemos pedir perdão, não devemos pedir ajuda para os que precisam, não devemos até dizer “seja feita a tua vontade”. A nossa oração está profundamente deformada por uma imagem de um Deus poderoso e incompreensivo da realidade, que parece que ainda não está convencido do que somos e precisa que lhe peçam continuamente piedade e compaixão por nós.
A nanoOração é uma oração autêntica ao colocar a vida nas mãos de Deus que está ao lado e em cada um e que tem um grande respeito pela liberdade individual. É urgente fazer esta nanoOração com as crianças, na total confiança com o Pai. Acreditar que através da oração, Deus apoia-nos e encaminha-nos para o amor, mesmo na fraqueza e na imperfeição. Não podemos rezar com as crianças com outro pressuposto a não ser que a salvação é universal!
Não posso pedir mais para mim ou para aquele, não posso pedir a cura do meu próximo em prejuízo de todos os que precisam dela e por quem ninguém reza. A nanoOração é um agradecer contínuo, é deixar Deus ao nosso lado, falar-lhe sobre o que não entendo na realidade e confiar ilimitadamente.
Se a universalidade do amor de Deus é possível em mim, então ser igreja é aceitar a finitude, encontrar-se e participar na terra, com todos os que são diferentes de mim, na própria vida de Deus mediante a fé, a esperança e o amor.
O nanoCredo que persisto em narrar às crianças:
Creio na Igreja selvagem,
débil,
finita e misteriosa.
Professo o abandono
para amar os imperfeitos.
E espero no enigma do amor
e a vida será salva para todos
Amem.

© Luísa Alvim, catequista de coisas invisíveis na terra visível
© Laboratório da fé, 2013



NanoCredo


Creio
em ti,
pai maternal
amor poderoso,
criador do inútil e do imperfeito,
de todas as coisas nano e mínimas.

Creio no sorriso de Jesus nas crianças
Filho do mistério do amor
Pré-Natal desde sempre:
Deus em mim, Luz da Luz
Deus do imprestável de Deus dos cansaços;
Sem-abrigo, não acabado
Confiante ao Pai.
Por Ele tudo está inacabado.
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.

Também por nós foi desnudado sob o nosso desprezo
destruído
E foi lixo.
Ressuscitou como um jardineiro,
conforme a nanoPalavra;
E desceu aos infernos,
onde está sentado à direita do nada
de novo há-vir tocar-nos,
para amar os impotentes;
E a fome do pai não terá fim.


Creio no frágil,
Senhor que dá a diversidade,
nascido do vacilar e da certeza;
E com o silêncio é interrogado e duvidado:
ele que falou pelo vazio.


Creio na Igreja selvagem,
débil,

finita e misteriosa.
Professo o abandono
para amar os imperfeitos.
E espero no enigma do amor
e a vida será salva para todos.
Amem.




  • O nanoCredo publicado no Laboratório da fé [1] [2] [3] [4] [5]

Crianças na igreja, em oração, na catequese



catequista de coisas invisíveis na terra visível


Luísa Alvim, mãe de 3 filhos, sonhadora do impossível, é catequista de coisas invisíveis na terra visível, na paróquia de S. Victor, em Braga. Técnica superior na área de Biblioteca e Documentação na Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, desde 1995. Atualmente trabalha na Casa de Camilo - Museu e Centro e Estudos. Licenciada em Filosofia, pós-graduada em Ciências Documentais, Mestre em Ciência da Informação, e Doutoranda em Ciência da Informação e membro integrado do Centro e Investigação CIDEHUS na Universidade de Évora.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.7.13 | Sem comentários

A catequese no Laboratório da fé


Muitas das nossas crianças não têm a dimensão do espiritual porque nós não suscitámos na catequese e em casa esta busca. Deixámos que o materialismo do tagarelar das orações e das frases feitas se instalem definitivamente na sua vida cristã.
A nanoLinguagem dos pequeninos, dos poetas e dos místicos é que nos pode conduzir ao espiritual. A linguagem da metáfora que permite a deslocação dos conteúdos doutrinários e crispados da liturgia que os catecismos institucionalizaram.
A criança possui em si a qualidade de se tornar espiritual, está em gérmen e em nano. Cabe aos educadores da fé, aos pais e aos catequistas tornar possível o acesso ao espiritual. E isso é exequível com o proporcionar de um espaço calmo, de silêncio, da palavra certa, da metáfora, de espera e de uma certa contemplação. E o mais importante – a escuta das crianças, a escuta de Deus a passar no seu coração.
Encontro muitos catequistas preocupados com o cumprimento da programação de conteúdos, com o fazer atividades, com as faltas das crianças às sessões de catequese, etc.
Mas tornar acessível o espiritual não é querer atingir objetivos sem fim, treinar as crianças em atividades e dar-lhe distrações que ocupem o tempo e encobrem o espaço interior. É responder-lhes sempre às suas questões de forma verdadeira, conforme o que cada um de nós sabe. É fazer um caminho com a criança e juntos descobrir Deus. É criar momentos de oração, sem orações enlatadas e pré-feitas. É aprender a calarmo-nos e não esgotar a ocasião com cânticos e gestos.
Parar na nanoPalavra, no nanoSilêncio. Deixar Deus entrar nas crianças e em nós. Apurar o nanoEspiritual e confiar.
Um menino que fez a primeira comunhão este ano escrevia esta carta a Jesus:
Querido Jesus,
Queria que entrasses mais fundo do meu coração, fizesses alegria dentro dele e me ajudasses a ser outro Jesus na terra!
Dá-me exemplo de ser como tu, alargar o meu coração para todos os que me rodeiam.
Daqui em diante estarás mais presente no meu coração!
Escrever uma carta a Jesus sem racionalismos e sem perguntar «para quê?». A postura espiritual na vida de todos nós passa pela confiança e pela dependência, pela consciência do relacional, do ligar a nossa vida aos outros e ao divino.
A catequese deveria explorar um nanoCredo que deixasse brotar o inesperado (vazio) e o espiritual:
Creio no frágil,
Senhor que dá a diversidade,
nascido do vacilar e da certeza;
E com o silêncio é interrogado e duvidado:
ele que falou pelo vazio.

© Luísa Alvim, catequista de coisas invisíveis na terra visível
© Laboratório da fé, 2013



NanoCredo


Creio
em ti,
pai maternal
amor poderoso,
criador do inútil e do imperfeito,
de todas as coisas nano e mínimas.

Creio no sorriso de Jesus nas crianças
Filho do mistério do amor
Pré-Natal desde sempre:
Deus em mim, Luz da Luz
Deus do imprestável de Deus dos cansaços;
Sem-abrigo, não acabado
Confiante ao Pai.
Por Ele tudo está inacabado.
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.

Também por nós foi desnudado sob o nosso desprezo
destruído
E foi lixo.
Ressuscitou como um jardineiro,
conforme a nanoPalavra;
E desceu aos infernos,
onde está sentado à direita do nada
de novo há-vir tocar-nos,
para amar os impotentes;
E a fome do pai não terá fim.


Creio no frágil,
Senhor que dá a diversidade,
nascido do vacilar e da certeza;
E com o silêncio é interrogado e duvidado:
ele que falou pelo vazio.



  • O nanoCredo publicado no Laboratório da fé [1] [2] [3] [4] 

Descobrir o espiritual



catequista de coisas invisíveis na terra visível


Luísa Alvim, mãe de 3 filhos, sonhadora do impossível, é catequista de coisas invisíveis na terra visível, na paróquia de S. Victor, em Braga. Técnica superior na área de Biblioteca e Documentação na Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, desde 1995. Atualmente trabalha na Casa de Camilo - Museu e Centro e Estudos. Licenciada em Filosofia, pós-graduada em Ciências Documentais, Mestre em Ciência da Informação, e Doutoranda em Ciência da Informação e membro integrado do Centro e Investigação CIDEHUS na Universidade de Évora.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.6.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


No seu terceiro Tweet, postado logo após a sua primeira missa, no dia 19 de março de 2013, o Papa Francisco declarou: «O verdadeiro poder é o serviço. O Papa deve servir a todos, especialmente aos mais pobres, aos mais fracos, aos mais pequeninos».
Que nobre, sensata e genuína lição cristã! Aí se encontra a catequese de São Francisco de Assis, de São Francisco Xavier, do papa Francisco: a humildade no serviço a Deus e ao próximo.
As nossas crianças, que vivem na contemporaneidade de um mundo fugaz onde tudo se alcança com muita rapidez e imediatismo, crescem sem conhecer o que é servir ou fazer algo para alguém. Tudo já vem muito pronto e reclama pouco esforço. Porém, ao mesmo tempo em que a praticidade da vida facilita o acesso aos bens materiais, também afasta o contacto com o outro, a percepção do homem como ser humano capaz de amar e se doar.
Francisco, com as suas atitudes, está a voltar o seu olhar para um novo horizonte, dando passos para um caminho que vai ao encontro ao próximo. E, por ser um líder, e principalmente um líder cristão, ele está a seguir os passos do Mestre.
Como anda a brincadeira de 'Siga o mestre' que as crianças gostam tanto? A quem é que elas estão a seguir ou a verem-se ao espelho no modo de viver?
A escola está para a formação cultural, para o que pode ser provado cientificamente, tocado na sua materialidade. A sociedade está para se relacionar com o outro, aquele que é mais um no universo de interesses comuns, parceiros ou concorrentes entre si.
Porém, a família está para educar, para formar o ser humano na sua totalidade e exclusividade, inserir valores na vida para serem vividos, praticados e espalhados no mundo. E a família cristã tem o compromisso com Deus de educar na fé os seus filhos e viver em harmonia e coerência com os ensinamentos de Cristo que ensina o amor através do serviço e da humildade junto do próximo.
Jesus foi o Homem mais poderoso na face da Terra, pois sendo Deus tudo podia, mas preferiu ser o menor, o mais humilde dos homens para dar exemplo e ensinar a catequese através da prática do amor a Deus e aos irmãos, dedicando-se, principalmente, aos mais fracos, perseguidos e marginalizados que vivem fora da sociedade.
O ser humano precisa de exemplos para seguir, de setas que apontem a direção, de trilhas para caminhar, por isso, o nosso Francisco de hoje é tão importante e vem-nos trazer novos ânimos e muita esperança para o futuro das nossas crianças. Que a catequese que está a florescer com os seus gestos e atitudes, seja um modelo a ser seguido por toda a Igreja, despertando vocações e tornando-se exemplo para todos, principalmente para os pequeninos que estão a crescer também na fé. «Ensina à criança o caminho que ela deve seguir; mesmo quando envelhecer, dele não se há de afastar» (Provérbios 22, 6).

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

www.pequeninosdosenhor.org


www.pequeninosdosenhor.org


Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

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Postado por Anónimo | 18.6.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


O Evangelho das Bodas de Caná (João 2, 1-11) traz, nitidamente, o exemplo da relação de amor e respeito entre filho e mãe, e vice e versa, porque a Mãe intercede em favor de seus filhos junto do Seu Filho que lhe é solícito. Maria, ao falar para Jesus sobre a falta de vinho na festa de casamento, mostra, na verdade, a sua atenção voltada para as carências dos humanos. Ela foi a primeira discípula e a mais perfeita, abrindo o Caminho para todos aqueles que desejam seguir Jesus; a primeira Mestra dos discípulos... aquela que intercede pela necessidade dos homens (cf. João Paulo II, Carta Apostólica sobre o Rosário — «Rosarium Virginis Mariae»), ensinando a esperança, a caridade e a confiança em Deus; e, movida pela compaixão, leva Jesus a revelar-se e dar início aos seus milagres (cf. Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 58), a fim de que todos conheçam o Messias, o Filho amado de Deus, e glorifiquem o Pai. Ela é o maior exemplo de dedicação e seguimento de Jesus!
Tudo aconteceu porque faltou o vinho naquele dia, naquela festa, assim como está a faltar amor na vida e nos relacionamentos, nos lares, nos berços, nas gestações, entre os casais e irmãos. O vinho nas bodas é o sinal do amor na vida do casal e, esse sentimento que hoje é tão banalizado, é a essência do ser humano que foi gerado por Aquele que é Amor.
Todos precisam de receber amor, porém, as crianças precisam declaradamente deste afeto incondicional, desta dedicação ímpar, deste sentimento que acolhe, para que cresçam e sejam exemplos e sinais de humanidade, de solidariedade e de esperança no mundo.
Faltou o vinho na festa, assim como está a faltar a presença dos pais na vida dos filhos e o respeito dos filhos para com os pais. É preciso reavaliar a paternidade e a maternidade responsáveis, que são compromissos sociais e cristãos dos pais com a sociedade e, principalmente, com Deus!
Faltou o vinho na festa, assim como falta a paciência na educação e a perseverança na prática das virtudes. Os filhos são o reflexo do comportamento dos pais: tornam-se agressivos ou pacíficos, bondosos ou indiferentes, conforme aquilo que vivenciam no dia a dia.
Faltou o vinho na festa, assim como falta a orientação dos pais para que seus filhos caminhem juntamente com eles de mãos dadas com Jesus, dando exemplo de fé e sendo espelho que reflete os passos a serem seguidos. Na família, como numa igreja doméstica, os pais devem, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da fé e favorecer a vocação própria de cada um, especialmente a vocação consagrada (cf. Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 11).
Faltou o vinho na festa, assim como falta a fé em Jesus Cristo no mundo, porém «em Caná, Maria aparece como aquela que acredita em Jesus: a sua fé provoca n'Ele o primeiro 'milagre', contribuindo para suscitar a fé dos discípulos» (João Paulo II, Carta Encíclica sobre a Bem-aventurada Virgem Maria na vida da Igreja que está a caminho — «Redemptoris Mater», 21). Maria é a discípula que nos leva até Jesus e nos ensina a obedecer-lhe, despertando a fé nos corações.
Está a faltar o vinho na sua casa? É preciso ser como Maria, ter Jesus ao seu lado e a confiança que só Ele pode transformar a água (sinal da humanidade) em vinho (sinal de uma vida envolvida na divindade).
Os pais e catequistas precisam de ser exemplos e ensinar as crianças a fazerem também a sua parte, enchendo de água a vasilha da vida, exercitando as virtudes e praticando atitudes cristãs, acreditando que Deus as aceita e as transforma em vinho novo, ou seja, em amor, sentimento que torna o mundo mais humano, mais justo e mais fraterno.

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.5.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


Não existe uma regra ou um manual que ensine como evangelizar! Cada lugar, região e país têm a sua cultura, as suas riquezas e valores, as suas deficiências e necessidades que precisam de ser considerados. O que é importante para um, pode ser insignificante para o outro!
Por isso, cada catequista, esteja onde estiver, precisa de fortalecer a sua fé e conhecer a razão do seu chamamento e da sua missão evangelizadora a partir do chão que pisa; procurar uma formação fundada nos ensinamentos de Jesus e da Igreja; e deixar-se conduzir pelo Espírito Santo de Deus que é um só e, portanto, conhece a realidade onde a fé será transmitida e acolhida.
Segundo a Encíclica sobre a validade permanente do mandato missionário — «A missão de Cristo Redentor» («Redemptoris Missio»), número 73 —, o ministério do catequista é necessário e tem características peculiares, pois são agentes especializados, testemunhas diretas, evangelizadores insubstituíveis, que representam a força de base das comunidades cristãs, e «além de serem educadores da fé, são discípulos e missionários de Jesus Cristo» (Texto de abertura do Estudo 95 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Sabendo onde está e tendo consciência do seu apostolado e ministério, o catequista precisa de cativar a criança e levá-la até Jesus, apresentando-lhe um amigo que está sempre por perto. Mas como é que isso se faz? Em primeiro lugar, é preciso conhecer, acolher de modo especial para saber quem é a criança que chega e que está do outro lado, e o que ela espera da catequese.
Quando Jesus esteve fisicamente entre os humanos, Ele sabia o terreno que pisava e quem eram os seus discípulos, a realidade do povo e as suas necessidades. Ele conhecia cada um de modo particular! Assim também deve ser o catequista! Ele precisa de conhecer aquele que está a ser evangelizado: a realidade, as necessidades, as carências, os desejos e as expectativas do outro, para que o Evangelho anunciado vá de encontro aos interesses comuns, e encontre espaço para ser acolhido, entendido e vivido com coerência.
A meditação do evangelho de Lucas 24, 13-35, que narra os discípulos a caminho de Emaús, mostra Jesus a aproximar-se e a colocar-se como ouvinte para entender o que se passa no pensamento e no coração dos dois discípulos. Ao ficar com eles, Jesus dá-lhes atenção, caminha com eles e aquece-lhes o coração. Só depois, os orienta e evangeliza, e Se revela durante a ceia, ou seja, num momento de intimidade entre amigos que confiam um no outro.
No desejo ansioso de evangelizar, muitos catequistas, querendo mostrar os seus conhecimentos, esquecem-se do processo do acolhimento, do encontro, do envolver-se com o outro. No chão que pisam, devem caminhar lado a lado com o catequizando até que este os chame de amigo, e, então, nesse momento, estão a revelar-se como um reflexo da luz de Jesus e, consequentemente, estão a evangelizar!
Catequistas, não salteis etapas! Olhai para o horizonte sem deixar de ter consciência onde tendes pousados os pés!

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.5.13 | 2 comentários

Pequeninos do Senhor


Sabe-se que, um dos principais objetivos de se contar histórias para as crianças é o da recriação, pois incentiva o instinto lúdico e criativo, enriquece as experiências, e diversas formas de linguagem são desenvolvidas para a melhor compreensão, amadurecimento e desenvolvimento pessoal e cognitivo. A arte de contar histórias propicia a partilha da alegria, o sentimento de euforia e amor que são guardados na lembrança desde muito cedo, como momentos divertidos, amorosos e inesquecíveis. Além do mais, contribui para ampliar o vocabulário, ajuda na formação do caráter, desenvolve a consciência entre o bem e o mal, e proporciona que a criança possa vivenciar aquilo que ela imagina enquanto está a ouvir, e muito mais.
Dentro da proposta de evangelização, as histórias de Jesus formam as crianças para a ética e a moral, valores adequados aos princípios de vida cristã. E os ensinamentos cristãos devem ser passados numa linguagem apropriada e de forma lúdica, através do teatro, da música e dos desenhos. Eles transmitem valores importantes para o crescimento espiritual e despertam o raciocínio e o interesse para agirem de acordo com os princípios cristãos.
As crianças gostam de ouvir histórias e, com as histórias de Jesus Cristo elas aprendem desde cedo a conhecer e a praticar as virtudes cristãs, ensinadas nos evangelhos. E uma característica das crianças é querer ouvir muitas vezes a mesma história, e isso acontece porque ainda não conseguem captar toda a mensagem de uma só vez, portanto, quantas vezes elas pedirem para repetir a mesma história, tantas vezes deve ser lida, contada ou dramatizada.
É importante ressaltar que toda história, quando contada por um adulto, serve como base para a formação e a construção da identidade da criança, a partir dos princípios que se quer passar. Se a história é cristã, ela passa valores cristãos e fraternos; se são contos ou lendas passam valores sociais e solidários, e assim por diante.
«O primeiro contato da criança com um texto é feito oralmente, através da voz da mãe, do pai, ou dos avós, contando contos, trechos da Bíblia, histórias inventadas (tendo a criança ou os pais como personagem), contados a qualquer momento do dia ou num momento de aconchego, à noite, antes de dormir, em que a criança está se preparando para um sono gostoso e reparador, e para um sonho rico, embalado por uma voz amada» (Abramovich, Fanny - Literatura Infantil: gostosuras e bobices. Ed. Scipione: São Paulo, 2009, 14). Ouvir histórias é sonhar acordado, e contar histórias para as crianças é conectar-se com o mundo infantil.
A criança, quando ouve uma história, percebe que a voz do adulto se dirige a ela como uma palavra de amor, pois, compartilhar um ensinamento é compartilhar um sentimento também, por isso, contar histórias é considerado, de facto, um ato de amor que envolve entrega, diálogo e afeto entre o que conta e o que ouve a história. Contar histórias de Jesus Cristo para as crianças estimula o sentimento de amor e é um modo de ensinar como vivê-lo desde pequeninas, formando adultos mais seguros, pacíficos e preparados para enfrentar situações difíceis, com amor!

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.13 | Sem comentários

A catequese no Laboratório da fé


Que orientações fecundas poderão oferecer os catequistas às crianças para que mais tarde possam representar Deus e as suas realidades espirituais?
Jesus gostava de parábolas, das histórias simples e da nanoPalavra.
Acredito que é preferível utilizar na catequese uma linguagem sensível, por exemplo, a das metáforas das parábolas, para evitar que orientações doutrinais e muito sábias desabem e sejam mais tarde, na idade adulta, esquecidas ou postas em questão. Muitas crianças não têm o sentido espiritual porque não o suscitamos nelas, deixamos que a dimensão teológica e eclesial se sobreponha à grandeza espiritual.
Se há uma idade privilegiada é a da infância, que se abre ao mundo, e aos outros, pelos 5 sentidos, um deles é o espiritual!
Se pedirmos a uma criança uma representação de Deus, imediatamente nos revela um Deus fisicamente muito próximo. A existência humana de Jesus fica marcada nas crianças, a representação do bebé do presépio e do menino ao colo de sua mãe, são imagens muito fortes de como a criança vai perceber Deus. O conhecimento de Deus é o conhecimento de si mesmo. É um aprender a relacionar-se com ele.
Por isso, na catequese aprendo sempre muito com as crianças a conhecer Deus, implicando-me na sua imagem. É imprescindível a abertura à confiança plena em Deus. A nanoConfiança que me permitirá, tal como cada criança, ser capaz de Deus.
Ser capaz de Deus é maravilhar-se pelo nano no «laboratório da fé». O Amor é maior que a nossa capacidade de o verbalizarmos. Fiquemos então, na catequese, com a nanoPalavra.

Para continuar o nanoCredo:
Também por nós foi desnudado sob o nosso desprezo
destruído
E foi lixo.
Ressuscitou como um jardineiro,
conforme a nanoPalavra;
E desceu aos infernos,
onde está sentado à direita do nada
de novo há-vir tocar-nos,
para amar os impotentes;
E a fome do pai não terá fim.

© Luísa Alvim, catequista de coisas invisíveis na terra visível
© Laboratório da fé, 2013



NanoCredo


Creio
em ti,
pai maternal
amor poderoso,
criador do inútil e do imperfeito,
de todas as coisas nano e mínimas.

Creio no sorriso de Jesus nas crianças
Filho do mistério do amor
Pré-Natal desde sempre:
Deus em mim, Luz da Luz
Deus do imprestável de Deus dos cansaços;
Sem-abrigo, não acabado
Confiante ao Pai.
Por Ele tudo está inacabado.
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.

Também por nós foi desnudado sob o nosso desprezo
destruído
E foi lixo.
Ressuscitou como um jardineiro,
conforme a nanoPalavra;
E desceu aos infernos,
onde está sentado à direita do nada
de novo há-vir tocar-nos,
para amar os impotentes;
E a fome do pai não terá fim.



  • O nanoCredo publicado no Laboratório da fé [1] [2] [3] 

A Palavra de Deus é como uma semente




catequista de coisas invisíveis na terra visível


Luísa Alvim, mãe de 3 filhos, sonhadora do impossível, é catequista de coisas invisíveis na terra visível, na paróquia de S. Victor, em Braga. Técnica superior na área de Biblioteca e Documentação na Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, desde 1995. Atualmente trabalha na Casa de Camilo - Museu e Centro e Estudos. Licenciada em Filosofia, pós-graduada em Ciências Documentais, Mestre em Ciência da Informação, e Doutoranda em Ciência da Informação e membro integrado do Centro e Investigação CIDEHUS na Universidade de Évora.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.5.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


São Paulo escreve na Carta aos Romanos: «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Romanos 10, 10). Mas como fazer desabrochar a fé desde a infância?
Na Carta Apostólica «A Porta da Fé» — «Porta Fidei» (PF) —, escrita pelo Papa Bento XVI para o «Ano da Fé» (2012-2013), podemos ler que, a «fé, que atua pelo amor» (Gálatas 5, 6), muda toda a vida do ser humano (PF 6). Ela cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido (PF 7). E o coração indica que o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo de si mesma (PF 10).
Frequentemente, ouvimos pessoas que dizem: eu não sei o que é fé; a minha fé é muito pequena... E, então, podemos perguntar: será que a fé lhe foi transmitida?; como é que a fé foi alimentada ao longo da vida?
Se uma pessoa é batizada e celebra a Festa Eucaristia (Primeira Comunhão) aos dez anos, e só volta à Igreja vinte anos depois para se casar, quão grande será a sua fé? Se a primeira e, porventura, a última vez que teve uma orientação cristã foi na catequese da infância, talvez seja esse o tamanho da sua fé: o tamanho da roupa da Primeira Comunhão. Será que na hora de se casar, a roupa ou a fé estará a condizer com o seu tamanho físico e emocional?
A Declaração sobre Educação Cristã — «Gravissimum Educationis» (GE) —, promulgada no II Concílio do Vaticano, afirma que «os pais devem ser para os seus filhos os primeiros mestres da fé» (GE 2). E o Documento 26 — Catequese Renovada – da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (1983) concorda que «a família cristã, pela graça sacramental do matrimónio tornada como que 'igreja doméstica', é lugar, por excelência, de Catequese, especialmente na primeira infância» (121).
[Em Portugal, os bispos portugueses escreveram no documento «Para que acreditem e tenham vida» (2005): «O despertar para a vida e para a fé, num mesmo movimento, começa desde a infância. Os pais são chamados a comunicar o seu gosto de viver, a sua maravilha perante a vida e a transmitir uma arte de viver em referência ao Evangelho. O seu contributo é insubstituível, porque a fé é uma vida que se comunica, uma osmose que se realiza e não uma doutrina a inculcar»; e ainda: «A família que dá origem à vida tem também a responsabilidade de dar sentido e contribuir para o pleno desenvolvimento dessa existência, enriquecendo-a com o património moral e espiritual que vem do cristianismo».]
Portanto, os pais são os primeiros responsáveis pela transmissão da fé aos seus filhos. Compete-lhes dar os primeiros passos na caminhada cristã, em casa; e depois no encaminhamento para a catequese que é uma educação da fé. E, à Igreja, cabe a responsabilidade de os acolher na iniciação cristã desde bem pequeninos, desde a mais tenra idade, até mesmo antes dos sete anos, tempo em que estão a ser formados o caráter, a personalidade, a afetividade e os valores que serão a base das suas condutas durante a vida; e também inseri-los numa catequese lúdica, orientando-os para a fé, o quanto antes, a partir do encontro com a pessoa de Jesus, Aquele que será o melhor amigo durante toda a vida, introduzindo-os na vida da comunidade e formando-os para uma vida cristã prática e atuante.
Segundo o Documento de Aparecida (2007), assumir essa iniciação cristã exige não só uma renovação de modalidade catequética da paróquia, mas também desenvolver uma catequese que seja permanente, que continue o processo de amadurecimento da fé (cf. número 294), além de organizar novas formas que ajude o catequizando a valorizar o sentido da vida juntamente com os sacramentos, a participação na comunidade e o compromisso como cidadão, para que ele tenha a consciência de ser sal e fermento no mundo, com uma identidade cristã forte e segura (cf. número 286).

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.5.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


Uma das exigências da formação cristã é a prática das virtudes (Exortação Apostólica sobre a Catequese –«Catechesi Tradendae», do Papa João Paulo II, publicada em 1979); e uma delas é a oração. Podemos ler isso na Carta de São Paulo aos Romanos (12, 12), na qual convida para que sejamos alegres na esperança e perseverantes na oração. Assim também devem ser as crianças, desde bem pequeninas!
As crianças precisam de crescer num ambiente onde a oração faz parte dos hábitos da família; e aprender a ter um compromisso com Deus, todos os domingos, na Eucaristia.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC), a educação da consciência é uma tarefa para toda a vida; e as crianças, desde os primeiros anos, precisam de ser alertadas para uma educação prudente que ensina as virtudes... (cf. CIC 1784).
Quando os pais participam com os seus filhos na Eucaristia dominical, estão a cumprir a sua responsabilidade de cristãos; e as crianças vão formando, no inconsciente, os conceitos de perseverança na oração, de louvor a Deus, e de respeito aos Mandamentos, em especial ao terceiro: guardar os domingos e os dias de festas para dar graças a Deus.
A Igreja é o lugar onde se realiza a educação da fé das crianças pela catequese. Portanto, precisa de estar preparada para as receber e acolher, também nas Eucaristias, desde muito pequeninas, para que sejam inseridas na vida cristã a partir dos hábitos cristãos, inicialmente acompanhando os pais, onde aprendem a rezar, em comunidade, e a ouvir os ensinamentos de Jesus.
Conforme a Exortação Apostólica do Papa Paulo VI sobre a Evangelização – «Evangelii Nuntiandi» (número 44), a catequese deve ser adaptada à idade, à cultura e à capacidade do catequizando, procurando fazer sempre com que o próprio grave na memória, na inteligência e no coração, as verdades essenciais que vão permanecer durante toda a sua vida. E os catequistas devem estar bem preparados e demonstrar-se cuidadosos, procurando conhecer cada vez mais esta arte superior, indispensável e exigente da catequese.
Esta proposta de uma catequese litúrgica para os mais pequenos, que se acontece no momento da Eucaristia, requer também uma linguagem e um espaço adequados para que possam acontecer: a vivência de uma comum união com os amiguinhos, «onde a Palavra de Deus seja meditada na oração pessoal, atualizada na oração litúrgica e interiorizada em todo o tempo» (cf. CIC 2688); a partilha do que aprendem e do que descobrem durante a semana; o crescimento na fé ouvindo as histórias da vida de Jesus; e o conhecimento do Amor sentindo-se filhos e filhas de Deus que também é Pai. E tudo isto de modo lúdico, apropriado e com a sua linguagem, ou seja, brincando, caminhando passo a passo com Jesus, pelos evangelhos dominicais, enquanto são acolhidas nas eucaristias.
A formação cristã das crianças está, primeiramente, nas mãos dos pais que devem perseverar com elas na oração, nos hábitos e nas virtudes cristãs; mas também sob os cuidados da Igreja que precisa de apontar o Caminho que elas podem seguir, acolhendo-as como Jesus acolheu os mais pequeninos, que eram os seus preferidos.

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé




Postado por Anónimo | 1.5.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


É muito importante caminhar lado a lado com Jesus para o crescimento da fé, desde pequenino. É no dia a dia que as crianças aprendem os valores cristãos e desenvolvem a sua fé na pessoa de Jesus Cristo, através dos exemplos que observam dos seus pais e orientadores. 
Os sete primeiros anos de vida tratam de uma fase fundamental da existência humana e é considerado o momento mais importante da formação do caráter, da personalidade , da afetividade e dos valores; momento em que a formação psicológica da criança é desenvolvida e todas as suas experiências vividas até então serão assimiladas e servirão de base para suas condutas durante o resto da vida. 
Mas, como fazer essa caminhada cristã enquanto a criança está no ventre materno? 
Tudo começa desde a conceção! O bebé está a ser gerado nas entranhas da mãe, ou seja, no mais íntimo do seu ser, onde reside o Sopro Divino do amor, que está a gerar esta nova vida. Neste tempo de gestação, a mãe é responsável pelo desenvolvimento não só físico do seu bebé, alimentando-se adequadamente para que ele seja nutrido; mas, é responsável, também, pela nutrição emocional e espiritual que se inicia neste tempo. A fé é algo que transcende o entendimento, mas que pode ser sentida e vivenciada desde a conceção do ser humano, pois a criatura é fruto do Criador e, portanto, fala e compreende a mesma linguagem. Por isso, rezar todos os dias para que o bebé ouça a voz da sua mãe e o seu louvor a Deus, faz com que ele também louve o Senhor por seu intermédio. 
A mamá deve conversar com o seu bebé, contar-lhe tudo o que vê, com os olhos e com o coração, sobre as maravilhas feitas pelo Criador! Tentar explicar as cores do céu, como é a natureza, o arco-íris; falar sobre os passarinhos que voam, a variedade de peixinhos nos mares e a beleza dos animais. Falar também, da sensação de frio e de calor; da chuva que cai do céu e das nuvens que lá se formam... e principalmente, falar do amor que sente pelo seu bebé e o quanto ele é esperado. O bebé vai conhecer o mundo, em primeiro lugar, por tudo o que a mãe conta, principalmente através da emoção que ela passa ao descrevê-lo. Esta perceção vai existir sempre e isso fará com que ele, durante a sua vida, acredite naquilo que não pode ver, mas que de facto existe, porque aprendeu a ter fé, a esperar para ver o que ainda não é visível aos olhos, mas que já pode ser sentido no coração. Esse exercício deve acontecer também após o nascimento. Desta forma o vínculo entre mãe, filho e Deus com certeza que será fortalecido.

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Anónimo | 29.4.13 | Sem comentários

A catequese no Laboratório da fé


Luz da Luz
[Luz da Luz. Monte Fuji, Japão]

Ter uma espiritualidade de criança! É uma expressão para falar da simplicidade da fé. Mas crianças possuem a verdade não revelada aos sábios e aos inteligentes! Será que nós catequistas acreditamos que as crianças podem ter alguma coisa a dizer que nós não sabíamos já? Será que a sua espiritualidade nos pode enriquecer? 
Que luz da luz e que Deus de Deus elas nos passam? 
O segredo revelado aos pequenos é o conhecimento intuitivo do lugar de onde viemos. De um tempo pré-natal, do Deus verdadeiro do Deus verdadeiro. O segredo está patenteado em Mt 18, 10: retornar, à nanoescala, ao laço que une o ser humano a Deus! 
A Margarida é a menina mais pequena da nossa sala da catequese. Pequena em tamanho, excessivamente baixa. Pequena na espiritualidade, excessivamente confiante. Perguntei-lhe o que é acreditar em Jesus? 
Contou-me uma história, para eu perceber melhor. “A amiga perdeu o gatinho. Ela consolou-a dizendo-lhe que o gatinho irá aparecer porque ela o vai procurar.” Revisitar a confiança na palavra e no gesto de Jesus que nos procura e na fé do amigo. 
A maioria dos teólogos esqueceu as palavras de Jesus sobre as crianças. Pensam que a espiritualidade autêntica exige a capacidade de consciência e a compreensão de um sistema perfeito de crença entre todos os Credos dos concílios. 
A experiência de interioridade da relação é visível nestes pequenos seres quando chega o momento de oração. Eles suscitam em nós a relação de confiança. Eles levam-se a crer que Deus os habita. Como o Rodrigo que rezava pela transformação dos corações dos dois ladrões que cercavam a cruz de Cristo. 
As crianças são profetas, geradas e não criadas, como o Pai. 
Desejava que os catequistas, os educadores da fé fossem abertos à vida divina como um presente imprevisível. Deixar as respostas individualistas e autossuficientes da sua fé. O reino implica “ir procurar o gato do amigo” e acreditar que é possível milagrar a relação com os outros aprendendo a nanoesperar o Amor. 

… 

Creio no sorriso de Jesus nas crianças 
Filho do mistério do amor 
Pré-Natal desde sempre: 
Deus em mim, Luz da Luz 
Deus do imprestável de Deus dos cansaços; 
Sem-abrigo, não acabado 
Confiante ao Pai. 
Por Ele tudo está inacabado. 

© Luísa Alvim, catequista de coisas invisíveis na terra visível
© Laboratório da fé, 2013



NanoCredo


Creio
em ti,
pai maternalamor poderoso,
criador do inútil e do imperfeito,
de todas as coisas nano e mínimas.

Creio no sorriso de Jesus nas crianças
Filho do mistério do amor
Pré-Natal desde sempre:
Deus em mim, Luz da Luz
Deus do imprestável de Deus dos cansaços;
Sem-abrigo, não acabado
Confiante ao Pai.
Por Ele tudo está inacabado.
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.




  • O nanoCredo publicado no Laboratório da fé [1] [2] [3] [4] 





catequista de coisas invisíveis na terra visível


Luísa Alvim, mãe de 3 filhos, sonhadora do impossível, é catequista de coisas invisíveis na terra visível, na paróquia de S. Victor, em Braga. Técnica superior na área de Biblioteca e Documentação na Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, desde 1995. Atualmente trabalha na Casa de Camilo - Museu e Centro e Estudos. Licenciada em Filosofia, pós-graduada em Ciências Documentais, Mestre em Ciência da Informação, e Doutoranda em Ciência da Informação e membro integrado do Centro e Investigação CIDEHUS na Universidade de Évora.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.3.13 | Sem comentários

Colaboração de Luísa Alvim


O nanoCredo

  1. O nanoCredo é o credo dos pequenos, um credo em gestação, um credo que não incorpora o definitivo e que se constrói no amadurecimento da relação com Deus e com o viver do evangelho. Um credo cuja grandeza do seu dizer está na evidência da minha pequenez, que tal como as crianças se colocam na condição de aprendiz, eu me estabeleço em igualdade de principiante de Deus. > > >

  2. Deus está à espreita, está mesmo à espera para nos revelar o seu grande amor por nós, homens e mulheres, e que perante as perguntas inesperadas saibamos comunicar, na nanolinguagem dos pequenos, a verdadeira mensagem e fazer das nossas crenças vacilantes as nanodúvidas, para deixar o menino Jesus habitar a história da salvação das nossas vidas. > > >

  3. A maioria dos teólogos esqueceu as palavras de Jesus sobre as crianças. Pensam que a espiritualidade autêntica exige a capacidade de consciência e a compreensão de um sistema perfeito de crença entre todos os Credos dos concílios. [...] Desejava que os catequistas, os educadores da fé fossem abertos à vida divina como um presente imprevisível. > > >

  4. Acredito que é preferível utilizar na catequese uma linguagem sensível, por exemplo, a das metáforas das parábolas, para evitar que orientações doutrinais e muito sábias desabem e sejam mais tarde, na idade adulta, esquecidas ou postas em questão. Muitas crianças não têm o sentido espiritual porque não o suscitamos nelas, deixamos que a dimensão teológica e eclesial se sobreponha à grandeza espiritual. > > >

  5. A nanoLinguagem dos pequeninos, dos poetas e dos místicos é que nos pode conduzir ao espiritual. A linguagem da metáfora que permite a deslocação dos conteúdos doutrinários e crispados da liturgia que os catecismos institucionalizaram. A criança possui em si a qualidade de se tornar espiritual, está em gérmen e em nano. Cabe aos educadores da fé, aos pais e aos catequistas tornar possível o acesso ao espiritual. > > >

© Luísa Alvim, catequista de coisas invisíveis na terra visível
© Laboratório da fé, 2013



NanoCredo


Creio
em ti,
pai maternal
amor poderoso,
criador do inútil e do imperfeito,
de todas as coisas nano e mínimas.

Creio no sorriso de Jesus nas crianças
Filho do mistério do amor
Pré-Natal desde sempre:
Deus em mim, Luz da Luz
Deus do imprestável de Deus dos cansaços;
Sem-abrigo, não acabado
Confiante ao Pai.
Por Ele tudo está inacabado.
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.

Também por nós foi desnudado sob o nosso desprezo
destruído
E foi lixo.
Ressuscitou como um jardineiro,
conforme a nanoPalavra;
E desceu aos infernos,
onde está sentado à direita do nada
de novo há-vir tocar-nos,
para amar os impotentes;
E a fome do pai não terá fim.


Creio no frágil,
Senhor que dá a diversidade,
nascido do vacilar e da certeza;
E com o silêncio é interrogado e duvidado:
ele que falou pelo vazio.





catequista de coisas invisíveis na terra visível


Luísa Alvim, mãe de 3 filhos, sonhadora do impossível, é catequista de coisas invisíveis na terra visível, na paróquia de S. Victor, em Braga. Técnica superior na área de Biblioteca e Documentação na Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, desde 1995. Atualmente trabalha na Casa de Camilo - Museu e Centro e Estudos. Licenciada em Filosofia, pós-graduada em Ciências Documentais, Mestre em Ciência da Informação, e Doutoranda em Ciência da Informação e membro integrado do Centro e Investigação CIDEHUS na Universidade de Évora.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.12.12 | Sem comentários
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