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Esta é a nossa fé [34]


Reflexão semanal 
sobre o Credo Niceno-constantinopolitano

A primeira parte dedicada ao Espírito Santo, no «Credo niceno-constantinopolitano», termina com uma referência à ação do Espírito Santo através dos «Profetas»: «Ele que falou pelos Profetas». [Para ajudar a compreender melhor, ler: Hebreus 1, 1-2; Catecismo da Igreja Católica, números 702-716]

«Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais [...] por meio dos profetas» — começa por referir o autor da Carta aos Hebreus. A Igreja associa a ação de Deus através dos profetas à presença do Espírito Santo. Deus fala através dos profetas pela ação do Espírito Santo. Por isso, o Espírito Santo, na expressão de Simeão, Novo Teólogo (1022), é designado como «boca de Deus»: «A boca de Deus é o Espírito Santo» (Livro de Ética: III, citado por Comissão Teológico-Histórica do Grande Jubileu do Ano 2000, «Do Teu Espírito, Senhor, está cheia a terra», Paulinas, Lisboa 1997, 20).

Ele que falou pelos Profetas. A palavra «profeta» tem vários significados. «Talvez as duas conotações mais marcantes de profeta sejam a de ‘vidente’ e a de ‘porta-voz’ que transmite certa mensagem em nome de outro. O termo ‘profeta’, usado em português, deriva do grego e sublinha esta segunda ideia, isto é, alguém que fala como porta-voz de outro» (Bíblia Sagrada, Livros Proféticos, Difusora Bíblica, 1163). No nosso contexto, o «profeta» é aquele que fala em nome de Deus. Por essa razão, afirmamos no «Credo» que o Espírito Santo «falou pelos Profetas». Aliás, quer na Escritura quer na Tradição da Igreja, o dom profético está intimamente ligado ao Espírito Santo. Mas há uma questão que é necessário precisar: quem são os «Profetas» referidos no «Credo»? Na maior partes das vezes, a referência aos profetas está associada a um contexto histórico específico do povo de Israel, situado no Antigo Testamento. «É um facto que, quando falamos de profetas, omitimos quase sempre, uma vezes por simples rotina, outras vezes também por ignorância ou negligência, os profetas cristãos cuja existência é mencionada cerca de 20 vezes no Novo Testamento, e referimo-nos exclusivamente aos profetas do Antigo Testamento, a quem vemos normalmente como homens que atuaram pela ação do Espírito Santo» (António Couto, «O Espírito Santo ‘que falou pelos Profetas’», Bíblica. Série científica, Ano VI, número 6, dezembro de 1997, 47-48). Para evitar este equívoco em relação ao âmbito do termo «Profetas» empregue no «Credo», o Catecismo da Igreja Católica explica: «Por ‘profetas’, a fé da Igreja entende aqui todos aqueles que o Espírito Santo inspirou na redação dos livros santos, tanto do Antigo como do Novo Testamento» (número 702). Então, podemos dizer que a ação do Espírito Santo através dos «Profetas» inclui a totalidade dos livros da Bíblia. O «Espírito também fala, por assim dizer, com palavras humanas [...], é um Espírito falante, ou antes, é Palavra que, nos escritos do Antigo e do Novo Testamento, vem ao nosso encontro» (Bento XVI, «A alegria da fé», Paulinas Editora, Prior Velho 2011, 59). A esta dinâmica da ação do Espírito Santo chamamos «inspiração das Escrituras». Assim o afirmam os documentos da Igreja. A Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina - «Dei Verbum» refere: «A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo» (número 9); «As coisas reveladas por Deus, contidas e manifestadas na Sagrada Escritura, foram escritas por inspiração do Espírito Santo. [...] Tudo quanto afirmam os autores inspirados ou hagiógrafos deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo» (número 11). Bento XVI, na Exortação Apostólica sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja - «Verbum Domini» também afirma: «A Palavra de Deus exprime-se em palavras humanas graças à obra do Espírito Santo. [...] É este Espírito que inspira os autores das Sagradas Escrituras» ( número 15). Por fim, é importante referir que Espírito Santo que «falou pelos Profetas» continua a «falar» hoje. «O mesmo Espírito inspirador dos autores sagrados da Bíblia também inspira o leitor para a compreensão da sua Palavra, dentro da Igreja. Daí a bela tradição de pedir ao Espírito a sua ação para uma leitura fecunda e eficaz da Palavra» (Palavra do Senhor - «Verbum Domini». Exortação Apostólica pós-sinodal de Bento XVI. Textos e comentários. Difusora Bíblica, Fátima 2010, 35). Esta ação do Espírito concretiza-se na leitura orante da Palavra de Deus (conhecido pela expressão latina «lectio divina»).

«A Igreja, no silêncio, na escuta e acolhimento da Palavra de Deus, deixa-se ensinar, formar e desafiar pelo Espírito, que fala através das Escrituras» (Conferência Espiscopal Portuguesa, Carta Pastoral «O Espírito Santo, Senhor que dá a vida», 12).

© Laboratório da fé, 2013

Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé    Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.6.13 | Sem comentários
— palavra para quinta-feira da primeira semana da quaresma —



— Evangelho segundo Mateus 7, 7-12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Pedi e dar-se-vos-á, procurai e encontrareis, batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque todo aquele que pede recebe, quem procura encontra e a quem bate à porta abrir-se-á. Qual de vós dará uma pedra a um filho que lhe pede pão, ou uma serpente se lhe pedir peixe? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está nos Céus as dará àqueles que Lhas pedem! Portanto, o que quiserdes que os homens vos façam fazei-lho vós também: esta é a Lei e os Profetas».

— «Esta é a Lei e os Profetas»

Os ensinamentos de Jesus contidos nesta passagem evangélica abordam dois temas: a oração e a relação com os outros. Sobre a oração, Jesus destaca a atitude de persistência concretizada na oração de petição. Trata-se de cuidar sempre da qualidade da nossa relação com Deus. Confiante. Sem desanimar.
O segundo tema refere a qualidade da nossa relação humana, uns com os outros: «o que quiserdes que os homens vos façam fazei-lho vós também». Um «regra de ouro» para melhorar a qualidade das relações entre as pessoas. Simples de entender! Porventura, mais difícil a prática. Jesus diz que esta «regra de ouro» resume toda a Escritura, toda a palavra de Deus: «esta é a Lei e os Profetas».
A relação com Deus, pela oração, tem de se concretizar na relação com os outros. Deus é misericordioso para contigo. Trata os outros com misericórdia. E serão misericordiosos contigo. Deus perdoa-te. Perdoa aos teus irmãos. E serás perdoado por eles. Deus escuta a tua oração. Escuta o que os outros têm para te dizer. E serás escutado por eles. Que te parece?
Quando todos os seres humanos perceberem esta dinâmica proposta por Jesus, encontraremos a verdadeira paz: paz em mim, paz com Deus, paz com os outros, paz mundial. Assim afirmou o Papa Paulo VI: «A paz é um efeito do amor; a paz verdadeira, a paz humana. [...] A verdadeira paz deve ser fundamentada sobre a justiça, sobre o sentido da intangível dignidade humana, sobre o reconhecimento de uma inalienável e feliz igualdade entre os homens, sobre o dogma fundamental da fraternidade humana, isto é, do respeito, do amor devido a cada homem, porque é homem. Emerge com ímpeto a palavra vitoriosa: porque é irmão. Meu irmão, nosso irmão. [...] A paz é a grande ideia que celebra o amor entre os homens, que se descobrem irmãos e se decidem a viver como tais. [...] É válido, irmãos de fé em Cristo, especialmente para nós. [...] A nossa certeza, na palavra divina de Cristo Mestre, que a eternizou no seu Evangelho: «vós sois todos irmãos» (Mt 23, 8); «o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque esta é a Lei e os Profetas» (Mt 7, 12). Os Filósofos e os Santos, quanto meditaram sobre esta máxima, que insere a universalidade da norma de fraternidade na acção particular e concreta da moralidade social!» (Mensagem para o IV Dia Mundial da Paz).

© Laboratório da fé, 2013

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.2.13 | Sem comentários
Há uma infinidade de caminhos pelos quais podemos seguir. Qual será o caminho que nos leva à salvação? Para nós cristãos não pode haver dúvida de que o único caminho a seguir é uma Pessoa: Jesus Cristo e a sua maneira de viver. Por isso, o Papa coloca diante de nós este desafio para o Ano da Fé: «O Ano da Fé é um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor [Jesus Cristo], único Salvador do mundo» («A Porta da Fé», 6).
Em Jesus Cristo, Deus dá a salvação a todos e em cada instante. Os Profetas experimentam essa salvação segundo as condições históricas em que viveram, e comunicaram-na ao outros como promessa ou como realidade. A mesma e única salvação de Deus, chega a Abraão, a Moisés, a Isaías, a João e a Jesus, mas cada um vive-a e expressa-a segundo a espiritualidade do seu tempo.
Não encontraremos o caminho da salvação, se nos limitamos a repetir o que os outros fizeram. Só a partir da experiência pessoal poderemos descobrir a salvação. Talvez seja este o mal da nossa religião, que se fica na pura teoria!
Se os Profetas esperaram a salvação que necessitavam naquele momento determinado, nós temos que encontrar a salvação que necessitamos hoje. Não esperando que nos venha de fora, mas descobrindo que está dentro de nós. E teremos capacidade para trazê-la à superfície.
Deus salva sempre. Jesus Cristo está a vir. Deus vem a nós sempre como nova salvação. Nenhuma das salvações anunciadas pelos profetas pode esgotar a oferta de Deus. Responde a esta pergunta (decisiva): Que vais fazer para preparar o caminho do Senhor?


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.12 | Sem comentários
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