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— palavra para terça-feira da terceira semana de advento — 18 de dezembro —

— Evangelho segundo Mateus 1, 18-25

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa. 

— Pôr-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados

Os «evangelhos da infância» (nome dado aos primeiros capítulos de Mateus e de Lucas) são construções narrativas interessadas em destacar mais os aspetos divinos de Jesus do que a sua humanidade. Há entre os exegetas a discussão sobre o carácter «histórico» destes textos. Recentemente, o Papa Bento XVI publicou o terceiro volume sobre Jesus onde defende a consistência histórica destes acontecimentos...
O tempo de Advento (e Natal) coloca-nos perante uma realidade fundamental da fé cristã: em Jesus Cristo, Deus humanizou-se, Deus assume a nossa condição humana. O mistério da Encarnação revela-nos que o Filho de Deus é verdadeiramente homem (sem anular a sua condição divina). No entanto, continua a ser difícil para muitos cristãos assumir esta realidade. Parece mais fácil aceitar a divindade de Jesus Cristo, remetendo-o para a esfera do transcendente, do que afirmar a sua natureza humana, mostrando que é no humano que podemos encontrar Deus.
Deus revela-se em Jesus Cristo, que é a plenitude do ser humano. O ensinamento religioso que o texto transmite é que Jesus não foi um homem qualquer; foi um ser humano singular, único, que veio ao mundo por ação direta de Deus: «Maria [...] encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo».
O texto também dá a conhecer a identidade e missão de Jesus: ser sinal da salvação oferecida por Deus a toda a Criação. Como é costume na tradição bíblica, o nome remete para a identidade e missão do personagem: «Pôr-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Falar de «pecado» é falar de tudo o que é causado pela «maldadeo. A missão de Jesus é libertar-nos da mal, da dor, da ofensa, da desgraça, que diariamente causamos uns aos outros. Mas, para que isso aconteça, é preciso que eu o acolha como «Emanuel», como «Deus connosco». Esta é a verdadeira fonte da nossa alegria!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.12.12 | Sem comentários
Há uma infinidade de caminhos pelos quais podemos seguir. Qual será o caminho que nos leva à salvação? Para nós cristãos não pode haver dúvida de que o único caminho a seguir é uma Pessoa: Jesus Cristo e a sua maneira de viver. Por isso, o Papa coloca diante de nós este desafio para o Ano da Fé: «O Ano da Fé é um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor [Jesus Cristo], único Salvador do mundo» («A Porta da Fé», 6).
Em Jesus Cristo, Deus dá a salvação a todos e em cada instante. Os Profetas experimentam essa salvação segundo as condições históricas em que viveram, e comunicaram-na ao outros como promessa ou como realidade. A mesma e única salvação de Deus, chega a Abraão, a Moisés, a Isaías, a João e a Jesus, mas cada um vive-a e expressa-a segundo a espiritualidade do seu tempo.
Não encontraremos o caminho da salvação, se nos limitamos a repetir o que os outros fizeram. Só a partir da experiência pessoal poderemos descobrir a salvação. Talvez seja este o mal da nossa religião, que se fica na pura teoria!
Se os Profetas esperaram a salvação que necessitavam naquele momento determinado, nós temos que encontrar a salvação que necessitamos hoje. Não esperando que nos venha de fora, mas descobrindo que está dentro de nós. E teremos capacidade para trazê-la à superfície.
Deus salva sempre. Jesus Cristo está a vir. Deus vem a nós sempre como nova salvação. Nenhuma das salvações anunciadas pelos profetas pode esgotar a oferta de Deus. Responde a esta pergunta (decisiva): Que vais fazer para preparar o caminho do Senhor?


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.12 | Sem comentários
— palavra para segundo domingo de advento —


— Evangelho segundo Lucas 3, 1-6

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

— Pregava um batismo de penitência

O acontecimento é verídico! Está situado num contexto histórico concreto. São nomeados os «chefes» civil e religiosos. Será com estes que Jesus Cristo vai enfrentar as maiores dificuldades. E também os primeiros cristãos. Antes disso, o mesmo acontece com João, filho de Zacarias (e Isabel).
O acontecimento atesta a veracidade com a referência ao lugar. Estranho! Depois do contexto temporal não sucede uma referência geográfica «normal». Não é em Roma. Não é em Jerusalém. O evangelista situa o acontecimento «no deserto». É fora do «lugar» da religião (Templo) e fora da relação com os «chefes» que tudo acontece!
Estamos no terceiro capítulo do evangelho segundo Lucas. Mas, curiosamente, fica esquecido tudo o que está para trás. Como se dissesse: agora começa de verdade o Evangelho. Um aspeto importante (uma característica de Lucas) é o anúncio de que a salvação é dirigida a todos (e não só ao povo judeu): «e toda a criatura verá a salvação de Deus». 
Como bom profeta, João percebe que, para falar de um tempo novo de salvação, nada melhor que recordar o anúncio do grande profeta Isaías. Este anunciou uma autêntica libertação para o seu povo, precisamente quando estava mais oprimido no desterro e sem esperança de futuro. João quer preparar o povo para uma nova libertação, pregando uma mudança de atitude na relação com Deus e com os outros. «Pregava um batismo de penitência para o perdão dos pecados». 
João tem uma missão: preparar a vinda do Messias, do Salvador. Por isso, hoje, não podemos ficar na mensagem de João. Ela serve para nós como uma referência de passagem, mas a meta é Jesus Cristo, e o seu estilo de vida. João prega um batismo de conversão, de penitência. Fala do juízo iminente de Deus, e da maneira de escapar desse juízo: o batismo. Jesus Cristo anuncia uma «Boa Notícia»: Deus é Abba, isto é, Pai-Mãe, que não castiga nem condena, mas faz uma oferta de salvação total. Nada de negativo. Tudo o que nos vem de Deus é positivo. Não é o temor, mas o amor que nos pode levar até Deus. Porque é que, passados vinte séculos, estamos mais próximos da pregação de João do que da mensagem de Jesus Cristo?
 
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.12 | Sem comentários
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