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Terça-feira da décima quinta semana


Evangelho segundo Mateus 11, 20-24

Naquele tempo, começou Jesus a censurar duramente as cidades em que se tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem arrependido: «Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidónia se tivessem realizado os milagres que em vós se realizaram, há muito teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza. Mas Eu vos digo que no dia do Juízo haverá mais tolerância para Tiro e Sidónia do que para vós. E tu, Cafarnaum, serás exaltada até ao céu? Até ao inferno é que descerás. Porque se em Sodoma se tivessem realizado os milagres que em ti se realizaram, ela teria permanecido até hoje. Mas Eu vos digo que no dia do Juízo haverá mais tolerância para a terra de Sodoma do que para ti».

Começou Jesus a censurar duramente

Porque é que o evangelista coloca na boca de Jesus estas palavras tão agressivas? Terá Jesus proferido estas afirmações? O mais provável é que não tenha sido Jesus a dizer tais afirmações contra as referidas cidades. Em primeiro lugar, pela dureza do estilo incomum em Jesus Cristo quando se dirigia ao povo simples. Em segundo lugar, porque não existem referências evangélicas sobre Corazim ou Betsaida. Em terceiro lugar, é estranho que Cafarnaum seja contada entre as cidades que recusaram Jesus Cristo!
Se tivermos em conta que o texto é redigido por volta do ano 80, numa comunidade que sofreu a perseguição pelos judeus intolerantes, seremos capazes de compreender melhor o sentido: condenar os judeus ou o judaísmo pela hostilidade contra os cristãos. 
Em qualquer caso, podemos destacar uma censura clara contra as crenças religiosas que provocam guerras e violências, divisões e perseguições. «Começou Jesus a censurar duramente». A religião tem de ser sempre um caminho para Deus. E, nesse caminho, nunca se pode ignorar ou desrespeitar a dignidade do ser humano. Não importa a raça, a cultura, a idade, a religião. Sempre que passo ao lado (ou pior: por cima) do outro (próximo), estou a afastar-me de Deus. A religião autêntica tem de conduzir sempre ao entendimento e ao respeito por todos os outros humanos.

© Laboratório da fé, 2013

Décima quinta semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.7.13 | Sem comentários

Domingo da décima quinta semana


Evangelho segundo Lucas 10, 25-37

Naquele tempo, levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?». Jesus disse-lhe: «Que está escrito na Lei? Como lês tu?». Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás». Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?». Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: Então vai e faz o mesmo».

Faz isso e viverás

O doutor da lei que interroga Jesus Cristo, na passagem do evangelho que acabamos de escutar, não pergunta para aprender, mas para examinar, para pôr Jesus Cristo à prova. Mas da pergunta feita pelo doutor da lei — «Mestre, que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?» — nasce um diálogo. Jesus Cristo sabe que o doutor da lei conhece a resposta, por isso convida-o a responder; o doutor da lei é competente para responder. E a resposta é exata, toca o essencial. A resposta é tomada da Escritura. «Ama», é a resposta! 
Jesus Cristo não acrescenta nada às palavras do doutor da lei, mas afirma claramente: aquilo que acabas de dizer não precisa de comentários, precisa ser vivido: «Faz isso e viverás». O amor transforma a vida, a maneira de viver. Podemos dizer que, apesar de saber a resposta, o doutor da lei precisa de aprender a viver o mandamento do amor de uma forma mais real e autêntica. Jesus Cristo olha no coração, lá onde Deus habita; e conta-lhe uma história. Através da parábola do bom samaritano, Jesus Cristo apresenta a atitude a promover para construir um mundo mais humano, para que a lei do amor se transforme em vida. A parábola define bem o sentido profundo da lei: amar a Deus e ao próximo são a mesma coisa. Não há relação com Deus sem relação com o próximo. A parábola é um convite de Jesus Cristo: «Faz isso e viverás» ou «Vai e faz o mesmo».


De quem é que eu sou próximo?

Uma leitura atenta desta parábola, permite-nos perceber que Jesus Cristo inverte radicalmente a lógica do doutor da lei, perante a segunda questão: «E quem é o meu próximo?». Jesus Cristo não lhe responde «quem» é o seu próximo, mas que ele é o próximo. A questão não é «quem é o meu próximo», mas «de quem é que eu sou próximo»? É a partir desta alteração feita por Jesus Cristo que temos de olhar a nossa maneira de proceder em relação aos outros. «O Ano da Fé, que estamos a viver, constitui uma ocasião propícia para se intensificar o serviço da caridade nas nossas comunidades eclesiais, de modo que cada um seja bom samaritano para o outro, para quem vive ao nosso lado» (Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Doente). Eis algumas sugestões para aprendermos a tornarmo-nos próximos dos outros (cf. orientações para o Dia Mundial do Doente): saber ver quem à nossa volta precisa de apoio, pelo problema que tem, pela idade avançada, pela falta da família, pela solidão; aproximar-se, tentando compreender aquele caso concreto de uma pessoa que precisa de ajuda em vários aspetos da sua vida; cuidar das feridas, respondendo aos apelos que são feitos pela pessoa que está em sofrimento e que não tem ninguém; regressar ao encontro daqueles a que se prestam cuidados para saber da eficácia de todo o apoio que foi dado. 
Hoje, em concreto, na minha vida, quem é o meu próximo? O próximo está sempre aí, à tua (minha) frente. Acolhê-lo depende só de ti (mim). Sempre que passas ao lado do sofrimento alheio, estás a afastar-te de Deus. Mas sempre que te aproximas do outro para o ajudar, cada vez que te fazes próximo de alguém, estás a aproximar-te de Deus. Quando superas o teu egoísmo e põe o outro no centro da tua vida, estás a construir um mundo mais humano e mais divino. «Faz isso e viverás».

© Laboratório da fé, 2013

Décima quinta semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.7.13 | Sem comentários
Ao ritmo da liturgia


Décima quinta semana


O mundo está cheio de bons samaritanos!

Poderíamos apresentar centenas de parábolas de «bons samaritanos» que acontecem diariamente à nossa volta. Afortunadamente, o mundo está cheio de bons samaritanos!
Jesus Cristo sabia escolher bem os protagonistas das suas histórias. Ele como bom judeu sabia tocar na ferida... Um samaritano! Para os judeus, os samaritanos (apesar de serem da mesma religião) eram considerados como estrangeiros e inimigos.
O mais escandaloso é que depois de tantos séculos a repetir esta parábola, continua a existir gente que se comporta como o sacerdote e como o levita: não só ignorando o ferido, como também desprezando o samaritano. Basta olhar para as nossas comunidades!
Através da parábola do bom samaritano, Jesus Cristo não responde ao doutor da lei dizendo «quem» é o seu próximo, mas que ele é o próximo. A questão não é «quem é o meu próximo», mas «de quem é que eu sou próximo»? É a partir desta alteração feita por Jesus Cristo que temos de olhar a nossa maneira de proceder em relação aos outros.
«O Ano da Fé, que estamos a viver, constitui uma ocasião propícia para se intensificar o serviço da caridade (DOMINGO: «Faz isso e viverás») nas nossas comunidades eclesiais, de modo que cada um seja bom samaritano para o outro (SEGUNDA: «Se alguém der de beber»), para quem vive ao nosso lado» (Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Doente).
Hoje, em concreto, na minha vida, quem é o meu próximo? O próximo está sempre aí, à minha frente. Acolhê-lo depende só de mim. Sempre que passo ao lado do sofrimento alheio, estou a afastar-me de Deus (TERÇA: «Começou Jesus a censurar duramente»). Mas sempre que me aproximo do outro para o ajudar, cada vez que me faço próximo de alguém, estou a aproximar-me de Deus (QUARTA: «Assim foi do teu agrado»). Quando supero o meu egoísmo (QUINTA: «Aprendei de Mim») e ponho o outro no centro da minha vida (SEXTA: «Eu quero misericórdia e não sacrifício»), estou a construir um mundo mais humano, isto é, mais divino (SÁBADO: «As nações colocarão a esperança no seu nome»).

«Faz isso e viverás». Esta semana, somos convidados a reconhecer que ainda temos muito a aprender com Jesus Cristo. A única dignidade que conta aos olhos de Deus, a única doutrina que lhe agrada é a misericórdia.

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial
© Laboratório da fé, 2013

Décima quinta semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.7.13 | Sem comentários
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