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Sexta-feira da décima semana


Evangelho segundo Mateus 5, 27-32

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não cometerás adultério’. Mas Eu digo-vos: Todo aquele que tiver olhado para uma mulher com maus desejos já cometeu adultério com ela em seu coração. Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, porque é melhor perder-se um só dos teus membros, do que todo o teu corpo ser lançado na geena. E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor perder-se um só dos teus membros, do que todo o teu corpo ser lançado na geena. Também foi dito: ‘Quem repudiar a sua mulher dê-lhe um certificado de repúdio’. Mas Eu digo-vos: Todo aquele que repudiar a sua mulher, a não ser em caso de união ilegítima, expõe-na a cometer adultério. E aquele que se casar com uma repudiada comete adultério».

Já cometeu adultério com ela em seu coração

O tema desta passagem do evangelho está relacionado com o desejo. Trata-se da «proibição do desejo» expressa no último mandamento do decálogo. Na verdade, esse mandamento não apresenta uma ação proibida mas um desejo. «Não cobiçar as coisas alheias» — apresentam os manuais de catequese; o original do livro do Êxodo (20, 17) afirma: «Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo».
Então, a chave de interpretação do texto não é a sexualidade, mas a violência. Sim, porque todos concordamos que o desejo do alheio (a cobiça, a inveja) é o primeiro problema da comunidade humana, a primeira causa de violência: económica, política, social, sexual, profissional, familiar. Pensemos, por exemplo, na situação económica em que nos encontramos! Não é verdade que a raiz de tudo isto está na cobiça daqueles que, sem escrúpulos, usaram milhões para satisfazer os seus desejos?
A pureza de coração é muito importante para Jesus Cristo. Depois de agravar o sentido da proibição — «Já cometeu adultério com ela em seu coração» —, parece esboçar uma solução: antes de ser violento com os outros, experimenta ser violento contigo próprio. Por isso, fala da mutilação de olhos e mãos. Parece-te bem? Pois, pior é a violência em relação aos outros. E sobre essa temos muito caminho a percorrer!

© Laboratório da fé, 2013

O lema para uma nova evangelização, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.6.13 | Sem comentários

Quarta-feira da décima semana


Evangelho segundo Mateus 5, 17-19

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus».

Não vim revogar, mas completar

É comum constatar, apoiados nos relatos evangélicos, que Jesus Cristo é acusado constantemente de não cumprir as leis judaicas; a Lei era o critério supremo de comportamento para o judeu. Ora, o texto deste dia parece indicar o contrário: «Não penseis que vim revogar a Lei».
E Jesus Cristo acrescenta: «Não vim revogar, mas completar». Aqui está a chave de interpretação do texto: «completar». O critério determinante para o cristão não é a observância escrupulosa da lei, mas a compaixão (o amor ao outro). A compaixão é a plenitude da Lei, a atitude de vida que distingue o cristão, o discípulo de Jesus Cristo.
É verdade que a lei é necessária para regular os direitos e deveres dos cidadãos. Mas a lei não é a forma ideal para estabelecer relações humanas verdadeiras e saudáveis. Entre os cristãos, há um «regulamento» mais completo: amar, ter compaixão, servir, dar-se ao outro. 
Às vezes, com a lei, o mais importante parece ser o que se pode ou não se pode fazer, sem dar importância à situação concreta de cada um. Com o amor, o mais importante é sempre o que se faz em favor do outro. Entre os cristãos, o humano tem de ser sempre mais importante do que o jurídico. Isto é o que Jesus Cristo designa por «completar» a lei.

© Laboratório da fé, 2013

O papa Francisco desenvolveu a sua homilia, nesta quarta-feira da décima semana, a partir da afirmação de Jesus Cristo: «Não penseis que vim revogar a Lei [...], mas completar». Esta «nova lei» inaugurada por Jesus Cristo é «fruto da Aliança» que chega à plenitude por obra do Espírito Santo: «O caminhar por esta estrada comporta riscos, mas é a única estrada da maturidade, para sair dos tempos nos quais não estamos maduros. Neste caminho rumo à maturidade da lei, que vem com a pregação de Jesus, há sempre medo: medo da liberdade que o Espírito nos dá. A lei do Espírito torna-nos livres!». 
Neste itinerário é preciso estar atento a duas tentações: a de regredir, porque nos sentimos mais seguros no passado; e a do «progresso adolescente», que nos faz sair do caminho para tentar envolver outros valores e outras leis. «Como os adolescentes que, cheios de entusiasmo, querem ter tudo, mas acabam por escorregar... É quando a estrada está coberta de gelo e o carro derrapa e sai do caminho... Nós, neste momento da história da Igreja, não podemos regredir nem sair da estrada!». [fonte: news.va]

O lema para uma nova evangelização, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.6.13 | Sem comentários

S. Barbabé, 11 de junho — terça-feira da décima semana


Evangelho segundo Mateus 5, 13-16

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».

Barnabé

Hoje, a liturgia celebra Barnabé, sobrenome de um judeu cipriota chamado José, que se tornou cristão e companheiro de Paulo. Barnabé significa «filho da consolação». A ele se refere Bento XVI, numa das audiências gerais sobre os apóstolos (31 de janeiro de 2007): «Tendo-se estabelecido em Jerusalém, ele foi um dos primeiros a abraçar o cristianismo, depois da ressurreição do Senhor. Com grande generosidade vendeu um campo de sua propriedade entregando a quantia aos Apóstolos para as necessidades da Igreja (cf. Atos 4, 37). Foi ele quem se fez garante da conversão de Saulo junto da comunidade cristã de Jerusalém, a qual ainda desconfiava do antigo perseguidor (cf. Atos 9, 27). Tendo sido enviado a Antioquia da Síria, foi buscar Paulo a Tarso, onde se tinha retirado, e transcorreu com ele um ano inteiro, dedicando-se à evangelização daquela importante cidade, em cuja Igreja Barnabé era conhecido como profeta e doutor (cf. Atos 13, 1). Assim Barnabé, no momento das primeiras conversões dos pagãos, compreendeu que tinha chegado a hora de Saulo, o qual se retirara para Tarso, sua cidade. Foi ali procurá-lo. Assim, naquele momento importante, quase restituiu Paulo à Igreja; deu-lhe, neste sentido, novamente o Apóstolo das Nações. Da Igreja antioquena Barnabé foi enviado em missão juntamente com Paulo, realizando o que classifica como primeira viagem missionária do Apóstolo. Na realidade, tratou-se de uma viagem missionária de Barnabé, sendo ele o verdadeiro responsável, ao qual Paulo se juntou como colaborador, chegando às regiões de Chipre e da Anatólia centro-meridional, na actual Turquia, com as cidades de Attalia, Perge, Antioquia de Psídia, Listra e Derbe (cf. Atos 13-14). Juntamente com Paulo foi depois ao chamado Concílio de Jerusalém onde, depois de um aprofundado exame da questão, os Apóstolos com os Anciãos decidiram separar a prática da cincuncisão da identidade cristã (cf. Atos 15, 1-35). Só assim, no final, tornaram oficialmente possível a Igreja dos pagãos, uma Igreja sem circuncisão: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo».


As vossas boas obras

Jesus Cristo usa três metáforas — sal, luz, cidade no alto do monte — para explicar a maneira de viver dos discípulos. 
«Vós sois o sal da terra». Curiosamente, Jesus relaciona o sal com os alimentos, mas com a terra. E também é estranho que o sal perca a sua força! O mais provável é que Jesus Cristo se refira ao facto de o sal ter como finalidade os «outros», não serve para si mesmo, mas para enriquecer os alimentos com as suas qualidades. Neste sentido, o discípulo é «sal» quando vive para os outros, quando usa as suas qualidades em favor dos outros. 
As outras duas metáforas — «Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte» — destacam a visibilidade. Então, o discípulo tem de ser transparente, não pode ter nada a esconder. Uma vez mais também aqui Jesus Cristo destaca a utilidade em favor dos outros. 
O mais importante de tudo são as obras: «as vossas boas obras». O objetivo de Jesus Cristo é que os seus discípulos se destacam pela prática de «boas obras». A vida cristã tem de ser pautada por «boas obras», isto é, ações que sejam sal e luz na vida dos outros. Uma maneira de viver, em todas as situações, que motive os outros a acreditar, a dar glória a Deus.

© Laboratório da fé, 2013

O lema para uma nova evangelização, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.6.13 | Sem comentários
Ao ritmo da liturgia


Décima semana

Deixar-se «evangelizar» pelo sofrimento humano


Os evangelhos estão cheios de compaixão; e, naturalmente, de vida. Pode-se pôr em causa os milagres de Jesus Cristo, mas ninguém pode negar a sua compaixão perante a dor humana. Ao encontrar-se com a desgraça, com o sofrimento, com as frustrações do ser humano (sobretudo dos mais abandonados), Jesus Cristo deixou-se «evangelizar».
A compaixão constitui, juntamente com a gratuidade, a coluna vertebral da vida de Jesus Cristo. A compaixão não é um sentimento superficial ou paternalista. A compaixão é a capacidade de sentir com o outro, pondo-se no lugar do outro, procurando ver as coisas com os olhos do outro. Por isso, a compaixão significa também a capacidade de colocar amor onde há dor.
Jesus Cristo passou toda a sua vida a dizer: «não chores, não quero que ninguém chore». Às viúvas, aos incapacitados, aos leprosos, aos doentes, aos pobres, às prostitutas, aos marginalizados...: «Não choreis».
Tudo o que Jesus Cristo diz e faz tem como objetivo fomentar a vida: que as pessoas tenham menos sofrimentos (DOMINGO: «Não chores»), que vivam alegres (SEGUNDA: «Anuncio uma grande alegria»), que pratiquem boas obras (TERÇA: «As vossas boas obras»), que sejam mais livres (QUARTA: «Não vim revogar, mas completar»), que não sejam insossas (QUINTA: «Vós sois o sal da terra»), que sejam puras de coração (SEXTA: «Já cometeu adultério com ela em seu coração»), que sejam verdadeiras (SÁBADO: «Não jureis em caso algum»), que se sintam amadas...
Diz-se muitas vezes que a mensagem cristã se resume no amor. Mais certo ainda é usar a palavra compaixão para resumir a mensagem cristã. Não é preciso ter a capacidade de ressuscitar um morto para ser testemunha da vida e levar vida a todas as pessoas. Como cristãos, todos temos a responsabilidade de levar alegria e esperança aos outros. Hoje, é através de nós que Deus continua a «visitar» o seu povo.

«Não chores» poderia ser, ao longo desta semana, o lema para a nossa «nova» evangelização.

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial
© Laboratório da fé, 2013

O lema para uma nova evangelização, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.6.13 | Sem comentários
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