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Palavra para hoje: décimo sétimo domingo


Um regateio espetacular inaugura a Liturgia da Palavra. No entanto, sozinho, diante de Deus, Abraão não ousa ir até à eventualidade de existir um único Justo para salvar Sodoma. Mas há! «Deus fez que voltásseis à vida com Cristo e perdoou-nos todas as nossas faltas», escreve Paulo aos Colossenses. A oração deste Justo transmitirá confiança aos seus discípulos. É a oração do Filho, que nos ensina quem é Deus. Mas Jesus não é um mestre espiritual como os outros. Sim, é o Filho. Ele faz de nós um povo pascal, a quem o Pai dá o Espírito Santo. O sinal desta dádiva está na oração comunitária animada pelo dinamismo do Espírito, que Deus nunca recusa; e que, em cada invocação (epiclese), remete para o coração da Eucaristia.


Pergunta da semana: 

Que compromissos concretos o evangelho me convida a adotar?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.7.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo sétimo domingo

28 DE JULHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 11, 1-13

Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também os seus discípulos». Disse-lhes Jesus: «Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’». Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. Ele poderá responder lá de dentro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa. Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».



Pedi e dar-se-vos-á.

Continuamos o caminho para Jerusalém. O capítulo 11 de Lucas começa com três ensinamentos de Jesus sobre a oração, que constituem a página evangélica do décimo sétimo domingo: o Pai nosso (versículos 1-4), a parábola do amigo inoportuno (versículos 5-8) e um convite à oração (versículos 9-13). Trata-se de uma pequena catequese sobre a oração, uma das exigências fundamentais a nível individual e comunitário, dos seguidores de Jesus.
O texto começa com uma introdução narrativa, na qual Jesus é apresentado, segundo o modelo lucano, como o orante perfeito. Ao ver o Mestre a rezar, os discípulos sentem o desejo de fazer oração. Pedem-lhe uma oração distintiva e Jesus ensina-lhes uma oração ao Pai. Em vez da fórmula mais judaizante do «Pai nosso» segundo Mateus (6, 9-13), Lucas apresenta outra versão adaptada ao ambiente helenístico. A palavra essencial é «Pai», tradução do original aramaico utilizado por Jesus: «Abbá» (papá), que é a fórmula própria das crianças quando se dirigem ao próprio pai em casa. Ninguém antes dele tinha ousado dirigir-se assim a Deus.
A parábola que se segue à oração do «Pai» procura ilustrá-la indicando a atitude com que o orante se deve dirigir a Deus. Se a perseverança na oração é importante, ainda é o mais — é o que Lucas quer sublinhar — a certeza de ser escutados. Deus é um amigo autêntico a quem se pode «molestar» em horas intempestivas com a certeza de que sempre escutará a nossa súplica. Assim fez o amigo inoportuno e assim fez Abraão (na primeira leitura).
O último ensinamento de Jesus versa sobre a confiança na oração. Lucas insiste que a confiança, baseada na fé, é indispensável em toda a oração cristã. Deus não pode senão intervir em favor daqueles que se dirigem a ele com uma oração confiante, porque é Pai (versículo 13), porque é fiel às suas promessas, porque nos comunica o seu Espírito, o único dom que na realidade precisamos.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o décimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.7.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo sétimo domingo

28 DE JULHO DE 2013

Leonardo Boff, «O Pai-nosso. A oração da libertação integral», Vozes, 1991, 101-103


Dai-nos hoje: o trabalho e a Providência
A Escritura está cheia de passagens que expressam a convicção de que é Deus quem dá o pão ou dá de comer. Todo o alimento é dádiva divina. Ao ser humano cabe agradecer. A primeira das orações à mesa dos judeus piedosos começa assim: «Bendito sois Vós, Senhor nosso Deus, Rei do universo, que alimentais todo mundo por Vossa bondade. Por graça, amor e misericórdia dá Ele o pão a toda criatura, pois sua graça permanece para sempre». Somente um pagão ou um ateu não sabe a quem agradecer pelo alimento quotidiano. Neste contexto devemos entender a petição: dai-nos hoje o pão nosso de cada dia.
Mas o que significa concretamente pedir a Deus o pão necessário? Não é o trabalho humano que traz o pão à mesa? Jesus sabe da importância do trabalho. Paulo recorda-nos muito realisticamente: «Se alguém não quiser trabalhar, também não coma» (2Tessalonicenses 2, 10). Mas o trabalho humano não é tudo no pão. Dependemos de tantas condições prévias, face às quais— eada ser humano se sente impotente e se vê remetido à Providência divina. É Ele que nos dá as estações favoráveis de tempo e de chuva; é Ele que garante as forças com as quais podemos trabalhar; é Ele que misteriosamente faz crescer a semente; é Ele o Senhor da criação, criação que nós modificamos com nosso trabalho mas que não geramos. Em cada pedaço de pão há mais presença da mão de Deus do que da mão do humano. Por isso o fiel tem sua razão em pedir o pão ao Pai do céu.
Além disso, o pedido pelo pão possui em nossos dias um sentido concretíssimo. Há milhões que vasculham o lixo em busca do mínimo necessário. Milhares morrem de fome cada ano por falta do pão suficiente. O espectro da subnutrição e da fome ameaça mais e mais a humanidade inteira. Para estes milhões de esfomeados a súplica pelo pão possui um sentido direto e imediato. Eles recordam aos saciados a súplica do próprio Deus: «Reparte com os famintos o teu pão» (cf. Isaías 58, 7). Como contundentemente apostrofava S. Basílio Magno (379) : «Ao faminto pertence o pão que se estraga em tua casa. Ao descalço pertence o sapato que cria bolor debaixo de tua cama. Ao nu pertencem as vestes que ficam em teus baús. Ao miserável pertence o dinheiro que desvaloriza em teus cofres»!
Na versão de S. Mateus se pede-se o pão para hoje; na de S. Lucas para cada dia. Ambos os sentidos são verdadeiros. A primeira versão (hoje) atende ao sentido imediato da súplica: pede-se o pão necessário para agora, para hoje. A segunda, implica um propósito do discípulo: de pedir dia após dia e cada dia o pão necessário e assim confiar-se à Providência divina.

A santidade do pão
Está presente na memória dos povos o facto de que diante do pão estamos face a uma realidade santa. O pão é tratado com respeito e veneração. Não se joga fora o pão; somente sociedades dessacralizadas o fazem porque perderam a referência básica para com o Santo e o Sublime do homem e do mundo. O pão é santo porque está associado ao mistério da vida que é sacrossanta. Para o homem bíblico o pão é um dos sinais primordiais da graça e do amor com que Deus nos sustenta e nos cerca. Por ele Deus exorciza os demónios da fome e da morte. Para o homem de fé cristã o pão é ainda mais santo porque simboliza a reconciliação terminal de todos os justos no banquete com Deus no Reino futuro. Ele é também o símbolo real de Jesus, pão da vida, que salvou a vida para sempre. O pão quotidiano é santo por um título ainda: é a matéria que, transubstanciada, constitui o sacramento da Eucaristia, o pão dos peregrinos com o qual se alimenta a vida para que ela seja ressuscitada e feliz eternamente.

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Preparar o décimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.7.13 | Sem comentários
Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Um conhecido mestre de oração do nosso tempo, Anthony de Mello, refere-se à oração de petição com estas palavras: «A oração de petição é a única forma de oração que Jesus ensinou aos seus discípulos; de facto, é praticamente a única forma de oração que se ensina, explicitamente, ao longo de toda a Bíblia. Sei que isto parece um pouco estranho àqueles que fomos formados na ideia de que a oração pode ser de muitos tipos diferentes e que a forma de oração mais elevada é a oração de adoração, enquanto a oração de petição, por ser uma forma 'egoísta' de oração, ocuparia o último lugar. De certa maneira, todos sentimos que mais tarde ou mais cedo temos de 'superar' esta forma inferior de oração para ascender à contemplação, ao amor e à adoração, não é? Contudo, se refletirmos, veremos que não qualquer forma de oração, incluindo a de adoração e amor, que não esteja contida na oração de petição corretamente praticada. A petição faz-nos perceber a nossa absoluta dependência de Deus, ensina-nos a confiar n'Ele absolutamente» (De Mello, Contacto com Deus).
O Senhor disse-nos que não devemos insistir nos nossos pedidos, porque o Pai sabe o que precisamos antes de lho pedirmos (cf. Mateus 6, 8). Contudo, não deixa de insistir que devemos pedir, como se pode comprovar no texto apresentado na Liturgia da Palavra do décimo sétimo domingo. O mais típico da oração de Jesus, pelo que registam os evangelistas, parece ser a oração de petição. Jesus não só pede na sua oração, como nos ensina a pedir. O que chamamos de Oração do Senhor ou Pai nosso é uma cadeia de sete petições que se vão desprendendo do «Pai nosso». A petição faz-nos tomar consciência da nossa radical dependência de Deus; recorda-nos o nosso limite e a generosa misericórdia de Deus revelada em Jesus. Isto aparece ainda mais claro quando a petição mais repetida por Jesus, nos textos evangélicos, é «não se faça a minha vontade, mas a tua» ou «faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu».
Por isso, a pergunta que temos de fazer não é se podemos pedir, mas o que é que pedimos na nossa oração, pois é aqui que está o problema. Muitas vezes, não pedimos que se faça a sua vontade, ou que nos conceda o que mais nos convém numa determinada situação, mas pedimos aquilo que pensamos que mais necessitamos. Quando o Senhor diz que para pedirmos com insistência, recorda-nos que o que temos de pedir é o Espírito Santo: «Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».
Então, recordemos sempre o que nos diz o Senhor: «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á». A oração de petição põe-nos em contacto com os nossos limites e faz que nos relacionemos com o Senhor a partir da nossa pequenez. Não deixemos de pedir, nem pensemos que a oração de petição é de inferior qualidade em relação a outras formas de encontro com Deus. Mas não esqueçamos de pedir o Espírito Santo, para que nos ajude a entender os planos de Deus a pô-los em prática.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o décimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.7.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo sétimo domingo

28 DE JULHO DE 2013

Leonardo Boff, «O Pai-nosso. A oração da libertação integral», Vozes, 1991, 91-95


Com esta petição produz-se uma viragem na oração do Senhor. Na primeira parte o olhar dirigia-se ao céu: à rea­lidade divina de Deus como Pai, transcendente (nos céus) e ao mesmo tempo próximo (nosso) que deve ser sempre santificado, ao Reino que deve vir e se historizar entre os homens, realizando assim a vontade última de Deus; o tom era solene e as frases cadenciadas. Agora na segunda parte o olhar volta-se para a terra e para o homem nas suas necessidades: o pão necessário à vida, o perdão às quebras da fraternidade, a força contra a tentação e a libertação do mal; as frases são longas e o tom traduz a aflição em que se encontra a vida humana. Na primeira parte trata-se da causa de Deus; na segunda da causa do homem. Ambas são objeto de oração. Nesta segunda parte não notamos nenhuma mistificação ou espiritualização: é a vida humana na sua concretização histórica, infra-estrutural, biológica, social e sem­pre ameaçada. Ela não preocupa somente o homem; interessa também a Deus. Por isso é feita material de oração e de súplica. Não há, portanto, concorrência nenhuma entre o ver­tical de Deus e b horizontal do homem. Ambos se encontram sob o arco-íris da oração. A união inconfundível do material com o espiritual, do humano com o divino constitui a força do mistério da Encarnação. No Reino de Deus se encontram abraçados matéria e espírito, homem e cosmos, criação e Criador. Não nos admira, pois, se na oração do Senhor uma e outra coisa venham unidas; ao lado do mais sublime de­paramos com o mais banal. O que é quotidiano, evidente e banal como o pão tem o seu direito tanto diante de Deus quanto diante do homem. 0 pai-nosso reafirma vigorosa­mente esta verdade contra todos os espiritualismos.

O pão: a dimensão divina da matéria
A petição começa com a palavra pão. Precisamos ouvir a palavra nua e crua antes de ouvirmos as qualificações que a acompanham (nosso, de cada dia). A palavra pão possui um conteúdo de significação dos mais profundos; aí se re­sume parte importante da antropologia, vale dizer, da dou­trina sobre a realidade humana. Pão exprime mais do que o conglomerado físico-químico. Ele é símbolo do alimento huma­no, «do alimento necessário e suficiente», como se diz nas Escrituras (Provérbios 30, 8) ou do alimento simplesmente (Salmo 146, 7; Levítico 26, 5; Eclesiástico 9, 7; Eclesiastes  31, 27; Provérbios 6, 8). O pão é «pão da vida» (João 6, 35). A vida humana está indissociavelmente li­gada a uma infra-estrutura material. Por mais altos que forem os voos do espírito, por mais profundos os mergulhos da mística, por mais metafísicos os pensamentos abstratos, o ser humano depende sempre de um pouco de pão, de um copo de água, enfim de uma pequena porção de matéria. A infra-estrutura material é tão importante que ela se encon­tra, em última instância, na raiz e na base de tudo o que se pensar, projetar ou fizer. É como o fundamento de um edifício: a ele estão referidos, em última instância, tanto os andares todos, quanto cada objeto que se encontrar nas salas, as pessoas que moram nele. Ele é a condição de possi­bilidade de que tudo exista e persista. Assim é com o ali­mento humano simbolizado no pão: a vida depende dele, de sua materialidade opaca, de sua substância material. A vida é mais do que o pão, mas em nenhum momento pode dis­pensar o pão. Em termos teológicos a infra-estrutura humana é tão importante que Deus associou a salvação e a perdição ao atendimento justo e fraterno que fizermos dela ou não. Assim seremos julgados definitivamente pelo Juiz Supremo pelos critérios da infra-estrutura: se tivermos ou não aten­dido o faminto, o nu, o sedento e o encarcerado. No pão, na água, nas vestes, na solidariedade joga-se, finalmente, o destino eterno do ser humano (cf. Mateus 25, 31-46).
O estômago possui, portanto, o seu direito assegurado face à importância do coração e da cabeça. Nenhuma oração, nenhum ato espiritual dispensa o pão e o trabalho, muitas vezes oneroso, de ganhá-lo e de trazê-lo para a mesa dos famintos. Também nenhuma pia palavra matou a fome de um esfomeado. Deus quis que ganhássemos o pão com o trabalho que implica tempo, suor, lágrimas e um certo distanciamento de Deus, porque nos ocupamos com a terra e não com o céu. Deus quis que não houvesse apenas a Sua causa, o Seu Reino, a Sua vontade, o Seu nome, mas também a causa do homem, suas necessidades, sua fome, suas urgências de proteção e de salvação. O homem não está aí somente para Deus. Está também para si mesmo. É Deus que o quis assim. Ao rezar ele deve incluir tudo e apresentá-lo ao Pai, a causa de Deus e a causa do homem.
Se observarmos atentamente percebemos que na oração do Senhor verifica-se uma troca. Nas três primeiras petições (santificação do nome, vinda do Reino, realização da vontade divina) é o homem que se ocupa e preocupa com a causa de Deus. Nas quatro outras petições (pão, perdão das ofensas, tentação e libertação do mal) é Deus que se ocupa e preocupa da causa do homem. Estas duas dimensões não devem jamais ser dissociadas, porque o Senhor as uniu em sua oração. Não precisamos nos envergonhar de nossas necessidades; a fome preocupa a Deus; Ele quer atender a súplica do homem e saciar a boca faminta. Destarte a vida, o dom mais precioso que recebemos de Deus, é assegurada. A matéria, pois, é portadora de uma realidade divina; ela é sacramental; isto é tanto mais evidente quanto é certo que para as Escrituras o pão constitui o símbolo histórico do Reino de Deus representado como uma grande ceia; é o sinal temporal do alimento eterno que garantirá a eternidade da vida; o pão carrega a promessa da plenitude da vida; mais ainda, ele é a presencialização já agora, no meio do caminhar dos famintos e dos peregrinos, daquele pão que sacia completamente a fome salvífica do homem, vale dizer, de Jesus e de seu Reino. Tudo isto está presente na pequenina palavra, quotidiana, natural e simples: pão.

Nosso: o pão que traz a felicidade
A necessidade do pão é individual; a sua satisfação, no entanto, não pode ser individual, mas comunitária. Por isso não se reza: o pão meu, mas o pão nosso. Nisso vai um profundo significado presente na pregação de Jesus. É verdade que o Antigo Testamento conhece a satisfação individual: «Come com alegria o teu pão» (Eclesiastes 9, 7); «reparte o teu pão com o faminto» (Isaías 58, 7). Mas com Jesus alcançou-se a plena consciência da fraternidade humana. Temos um Pai que é de todos os homens, por isso é nosso Pai; somos todos filhos e por isso todos irmãos. A mera satisfação pessoal da fome sem tomar em consideração os demais irmãos seria quebra da fraternidade. O homem não quer apenas matar a fome e sobreviver de qualquer maneira. Comer nunca significa um mero nutrir-se; é sempre um ato comunitário e um rito de comunhão. Não come feliz, não se alimenta humanamente quem mata a fome vendo a miséria dos outros e os lázaros sentados ao pé da mesa esperando os restos de nossa abundância. O pão quotidiano produz a parca e necessária felicidade da vida. Toda a felicidade para ser felicidade precisa de se comunicar e ser compartida. Assim é com o pão: é pão humano enquanto é pão repartido e feito laço de comunhão. Então traz felicidade e sacia a fome humana.
O pão que consumimos diariamente esconde toda uma rede de relações anónimas que sempre devem ser recordadas. Antes de chegar à nossa mesa, passou pelo trabalho de muitos braços. Foi semente jogada na terra; houve quem tomou o cuidado de seu crescimento. Muitas mãos colheram os grãos ou muitos dedos manejaram potentes máquinas. Outras tantas mãos amassaram o trigo e confeccionaram o pão. Milhares de postos de distribuição. Em tudo isto vai grandeza e miséria humana. Pode ter havido relações de exploração; há lágrimas escondidas em cada pão que se come tranquilamente; mas há também sentido de fraternidade e de partilha. O pão quotidiano encerra todo o universo humano em sua luz e em sua sombra.
O pão que é produzido junto deve ser repartido junto e consumido junto. Só então podemos, verdadeiramente, pedir o pão nosso de cada dia. Deus não escuta a oração que apenas pede o pão para mim. A relação verdadeira para com Deus depende da relação que mantivermos para com os outros. Deus quer que ao apresentar-Lhe as nossas necessidades incluamos também aquelas de nossos irmãos. Caso contrário estaríamos desligados da fraternidade e viveríamos no egoísmo. A mesma necessidade básica nos iguala a todos; a satisfação coletiva nos confraterniza.
O pão que comermos, fruto da exploração do irmão, não é pão abençoado por Deus. É pão que apenas nutre mas não alimenta a vida humana que é somente humana enquanto vive na reta ordem da justiça e da fraternidade. O pão injusto não é nosso, mas é roubo; pertence ao outro. Bem dizia o grande místico medieval Mestre Eckhart: «Quem não dá ao outro o que é do outro não come o seu próprio pão, mas come o seu e também aquele do outro». Os milhares de famintos de nossas cidades e os milhões de esfomeados de nosso mundo acusam a qualidade do nosso pão: é pão amargo porque contém dentro de si demasiadas lágrimas de crianças; é pão duro porque encerra em sua substância o tormento de tantos estômagos vazios. Ele não pode ter a dignidade de ser considerado o nosso pão. O pão para ser nosso exige que transformemos o mundo e libertemos a sociedade de seus mecanismos de riqueza feita à custa do pão tirado da boca do outro. O pão convoca-nos para a conversão coletiva. É a condição necessária para que nossa oração não seja vazia e farisaica. O evangelho interdita-me de pedir apenas para mim, com descaso das necessidades dos irmãos que estão à minha volta. Unicamente o pão nosso é pão de Deus.

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Preparar o décimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.7.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo sétimo domingo

28 DE JULHO DE 2013

José Tolentino Mendonça, «Pai-nosso que estais na Terra», Paulinas, 2011, 99-102


É impressionante constatar, num mundo hipertecnológico e sofisticado como o nosso, a força simbólica que continuam a ter as coisas simples. Pensemos no pão. O seu apelo e significado atravessam culturas e gerações. O pão tornou-se um símbolo extraordinário e univer­sal... foi assim para os nossos avós, é assim para nós... Lembro-me quando era miúdo, se um pão caía da mesa, apanhávamo-lo e dávamos um beijo, mesmo se já não o pudéssemos comer. Para lá da carga simbólica, o pão revestia-se de um sentido sagrado. Penso que é assim, porque o pão é uma expressão concreta da nossa própria humanidade. O pão não é só farinha, fermento, água e sal. É muito mais do que isso. O pão é sinal do que é essencial à vida, de tudo aquilo de que a nossa sobrevi­vência depende, e sem o qual não conseguiríamos existir. Representa os fios que nos atam à vida e que nos mantêm à flor da terra. Por isso, descobrimos que o seu significado se alarga continuamente.
O pão também traduz a condivisão, a comunhão, a fraternidade... Haver um único pão e poder-se dividi-lo em frações; tomar dum mesmo pão para alimentar os diferentes comensais que rodeiam uma mesa... O pão não é só pão. Ele é também o testemunho visível da arte da fraternidade. Na raiz de palavras que nos são tão caras, como «companhia», «companheiro», «acompanha­mento» está o pão, o «com-panis», o comer o mesmo pão. Dizer a alguém, «Tu és o companheiro ou companheira da minha vida», significa que há uma partilha do que é alimento, do que dá vida. E do trabalho, que nos torna cocriadores com Deus, e coartífices da criação, dizemos: é o meu ganha-pão. O pão é alguma coisa de vital.
Por vezes, ocupamo-nos a pedir a Deus coisas secun­dárias, uma espécie de berloques ou de espuma. E a nossa oração aprisiona-se à vidinha que vai correndo... E esquecemo-nos muitas vezes de colocar Deus no meio das lutas, no meio das procuras por aquilo que nos é mais essencial. Nós podemos perguntar: «Mas vou pedir a Deus o pão? O pão, se eu não trabalhar, não é Deus que mo vai dar. Tenho de pedir a Deus é o que não consigo pelas minhas forças!» Porém, o que Jesus nos ensina é que temos de pedir a Deus aquilo que conseguimos, ou dito de outra maneira, pedir que Ele dê um sentido outro àquilo que nós vamos conseguindo e o torne genuinamente essencial.
Jesus ensina-nos a pedir a Deus, a pedir ao Pai, que o pão não seja apenas pão, pura materialidade, mas que o nosso pão fale, seja uma espécie de sacramento, seja expressão de tudo aquilo que, no fundo, procuramos e que o Senhor nos vai dando, também em termos espirituais. Temos de pedir a Deus que o nosso pão reúna e não separe. Que o nosso pão seja verdadeiramente «Pão»: lugar onde as pessoas se sentam à volta e não o que acontece tantas vezes, quando o pão se torna aquilo que distingue e afasta. Pedir a Deus que o nosso pão celebre, evidencie a gratidão por Deus e o nosso Amor pelos outros.
Pedir a Deus que o «pão de cada dia» não faça bem só ao estômago, mas também à alma e ao coração. Isto é, que o pão se possa revestir de um sentido tão humano que seja divino. Que o que em cada dia vamos construindo tenha um sentido transcendente e não seja apenas uma coisa muda, que nada diz. Que o trabalho não seja apenas uma atividade mecânica e obrigatória, mas que se pressinta nele algo mais: o Amor de Deus, o coração de Deus, a vida de Deus.
Nós rezamos: «o pão nosso» porque, quando só eu tenho pão, é uma coisa muito triste. É um pão que não nos desce pela garganta. O pão da solidão não tem metade do sabor, ou um centésimo da alegria. Nós pedimos a Deus o nosso pão, o pão de todos, o pão para todos.
Uma das mais antigas imagens da Igreja, guardadas na «Didaqué», desenha-a assim: «Tal como as várias espigas de trigo nascem em campos muito diferentes e depois são moídas para fazer um único pão, vindo de searas diferentes, assim, Senhor, é a tua Igreja, que, vinda de lugares muito diferentes, se reúne num único pão, o pão do Senhor.» Pedir o «pão nosso» é pedir por esta fraternidade. É rogar não apenas pela minha seara, mas por todas as searas. E é comprometer-se em amassar um único pão, capaz de saciar os outros.



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Preparar o décimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.7.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo sétimo domingo

28 DE JULHO DE 2013

Bento XVI, «Jesus de Nazaré», A Esfera dos Livros, 2007, 177-179


O «Pai Nosso» no evangelho segundo Lucas aparece no contexto do caminho de Jesus para Jerusalém. Lucas introduz a oração do Senhor com a seguinte anotação: «Sucedeu que, estando Ele algures a orar, disse-Lhe, quando acabou, um dos Seus discípulos: 'Senhor, ensina-nos a orar'» (11, 1). Assim, o contexto é o encontro com a ato de orar de Jesus, que desperta nos discípulos o desejo de aprenderem com Ele a rezar. Trata-se de um elemento característico de Lucas, que reserva à oração de Jesus um lugar particularmente relevante no seu evangelho. O conjunto da atividade de Jesus brota da sua oração, é sustentado por ela. Assim, factos essenciais do seu caminho, nos quais progressivamente se revela o seu mistério, aparecem como acontecimentos de oração. A confissão que Pedro faz de Jesus como o Santo de Deus está ligada a um encontro com Jesus orante (Lucas 9, 19s); a transfiguração de Jesus é um acontecimento de oração (Lucas 9, 28s). Por isso, é significativo que Lucas coloque o «Pai Nosso» em relação com a oração pessoal de Jesus. Desta maneira, Ele torna-nos participantes do seu rezar, introduz-nos no diálogo interior do Amor trinitário, eleva por assim dizer as nossas necessidades humanas até ao coração de Deus. Mas isto significa também que as palavras do «Pai Nosso» indicam o caminho para a oração interior, representam orientações fundamentais para a nossa existência, querem conformar-nos à imagem do Filho. O significado do Pai Nosso ultrapassa a mera comunicação de palavras de oração; quer formar o nosso ser, quer exercitar-nos nos sentimentos de Jesus (Filipenses 2, 5). Para a interpretação do «Pai Nosso», isto encerra um duplo significado. Em primeiro lugar, é muito importante escutar com a maior fidelidade possível a palavra de Jesus, tal como a Escritura no-la transmite. Devemos procurar reconhecer, verdadeiramente e o melhor que pudermos, os pensamentos de Jesus que Ele nos queria transmitir com estas palavras. Em segundo lugar, devemos ter presente também que o «Pai Nosso» provém da sua oração pessoal, do diálogo do Filho com o Pai. Isso quer dizer que o mesmo alcança uma profundidade tal que está para além das palavras. Abrange toda a extensão da existência humana de todos os tempos e, portanto, não se pode sondar com uma interpretação meramente histórica, por mais importante que seja. Os grandes orantes de todos os séculos, através da sua íntima união com o Senhor, puderam mergulhar nas profundezas que estão para além da palavra, conseguindo assim desvendar ainda mais a riqueza escondida da oração. E cada um de nós, com a sua relação absolutamente pessoal com Deus, pode encontrar-se acolhido e guardado nesta oração. Incessantemente deve com a sua «mens» — com o próprio espírito — ir ao encontro da «vox», da palavra que nos vem do Filho, deve abrir-se a ela e deixar-se conduzir por ela. Assim abrir-se-nos-á também o coração do Senhor, dando a conhecer a vontade que Ele tem de rezar precisamente com cada um.



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  • É de vida partilhada que as nossas vidas se alimentam > > >
  • O Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem > > >
  • O pão nosso de cada dia nos dai hoje [1] > > >
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  • Lucas 11, 1-13 — notas exegéticas > > >



Preparar o décimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.7.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo sétimo domingo

28 DE JULHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 11, 1-13

Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também os seus discípulos». Disse-lhes Jesus: «Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’». Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. Ele poderá responder lá de dentro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa. Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».



Segunda, 22: ESTAR EM ORAÇÃO

Esta semana, no coração do verão, o evangelho conduz-nos ao coração da oração cristã com o Pai nosso. Tudo começa pela oração de Jesus que são Lucas relata como um facto habitual, ordinário, mas não banal: «Estava Jesus em oração em certo lugar». Hoje, escolho o meu «certo lugar» para «estar em oração», para recitar tranquilamente um «Pai nosso».



Terça, 23: FALAR AO PAI

Dos ensinamentos de Jesus, retemos que a oração é uma conversação com alguém, aquele que é seu Pai e nosso Pai. Não Deus, mas Pai. Não Senhor, mas Pai. Hoje, entro em oração dirigindo-me a alguém que ouso chamar Pai. E repito o seu nome várias vezes, voltando-me para ele. E por que não fazê-lo a pensar, um de cada vez, nos países da Europa onde Brígida, cuja festa hoje celebramos, é padroeira?



Quarta, 24: CINCO PEDIDOS

A oração que Jesus nos ensina para dirigir ao Pai contém cinco pedidos, unidos entre eles como os cinco dedos da mão. Hoje, lentamente, falo com o Pai para lhe mencionar as cinco coisas que pedi de acordo com o ensinamento de Jesus. E não hesito em usar os dedos da minha mão!



Quinta, 25: TUDO POR UM AMIGO

Jesus completa o seu ensinamento com a pequena história de um amigo incómodo. Aí, também a oração se faz relação, e de que maneira! São Tiago, hoje festejado, viveu esta amizade incómoda com Jesus. Então, com ele, falo ao Pai da relação pessoal que desejo aprofundar com ele.



Sexta, 26: QUEM PROCURA ENCONTRA

O ensinamento seguinte de Jesus está cheio de verbos no imperativo e no futuro, ou então no presente, nas formulações mais proverbiais. Escolho um tempo para saborear todos os verbos. Para acreditar melhor na promessa que transmitem, recorro aos parentes de Maria, Ana e Joaquim, cuja festa celebramos, hoje.



Sábado, 27: ESPÍRITO SANTO

Se não soubermos o que pedir na oração dirigida ao Pai, Jesus conta uma outra pequena história entre um filho e um pai com propostas engraçadas. Jesus recorda repetidamente uma evidência: um pai não sabe dar senão coisas boas ao seu filho. Repara no que aplica à oração. E se eu pedir o melhor para mim?



Domingo, 28: OUSAMOS DIZER

Sim, que ousadia nesta oração do Pai nosso! Realizemos verdadeiramente o que Jesus nos diz para fazer, quando nos convida a entrar em oração desta maneira, isto é, como ele. Aprender a rezar — é o pedido inicial dos discípulos — conduz-nos a recordar as nossas maneiras de conversar com os familiares, particularmente com aquele e aquele que nos deu a vida, com aquele ou aquela que a recebeu através de nós. A oração cristã é uma questão de geração (gestação). Faz-nos nascer na condição de filho, filha de Deus, de irmão, irmã de Jesus, de irmão, irmã dos discípulos de todos os tempos e lugares. Que a oração nos transforme dessa forma, uma vez que temos a ousadia de dirigir ao Pai de todos.



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© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Preparar o décimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.7.13 | Sem comentários
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