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Palavra para hoje: trigésimo domingo


«O Senhor é um juiz que não faz aceção de pessoas». Não prejudica o pobre, «atende a prece do oprimido», «a súplica do órfão» e os «gemidos da viúva». Estes não são apenas os representantes das categorias sociais desfavorecidas (daquele tempo e dos dias de hoje). A sua pobreza corresponde a uma disposição interior que lhes está inscrita no coração: «O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz». É também uma pobreza espiritual como a que é testemunhada por Paulo: «Eu já estou oferecido em libação». E acrescenta: «Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé». Neste domingo, na eucaristia, ecoa o grito do publicano, dado a conhecer por Jesus Cristo: «Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador».

Pergunta da semana: 

Com que atitude faço oração?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.10.13 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO TRIGÉSIMO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

No início de um (novo) ano pastoral dedicado à temática da fé celebrada, iniciamos a publicação desta rubrica «CELEBRAR O DOMINGO». Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Deus vê os corações

A mensagem da Palavra é que Deus vê o fundo dos corações; não se deixa levar pelas aparências, mas percebe a sinceridade do coração. No Antigo Testamento, revela-se imparcial: não faz aceção de pessoas, mas escuta todas as orações sinceras, escuta o clamor do pobre. São Paulo diz que Deus é um «justo juiz» em quem podemos confiar. A parábola evangélica do fariseu e do publicano é-nos proposta como uma advertência: não pensemos precipitadamente que somos «justos», mas, com humildade, invoquemos a misericórdia divina.



Arte de celebrar

Algumas celebrações são acolhedoras e calorosas, mas os ritos são, muitas vezes, maltratados; outras são estritamente conformes com as indicações do Missal Romano, mas com um rigor que conduz à frieza. Há um meio de conciliar ritualidade e cordialidade. A fidelidade ao rito não exclui que seja posto em prática com um cuidado de comunicar bem. O rito é tanto mais significativo, quanto mais seja «habitado»: realizado com significado e não como uma prescrição vazia de sentido. Esta maneira de «habitar» o rito conjugar-se-á com a cordialidade própria de certos momentos (acolhimento, monições, introduções, avisos).



Fé celebrada com a comunidade

  • Na nossa oração pessoal, como nas celebrações dominicais comunitárias, Jesus Cristo convida-nos a rezar com humildade. Neste domingo, façamos nossa a prece do publicano do evangelho, reconhecendo a nossa pobreza: «Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador». É também uma possibilidade para o momento penitencial. 
  • Na homilia, podem-se apresentar exemplos concretos da atitude diária que temos de assumir diante de Deus, para corresponder ao amor com o qual somos amados: a oração (não balbucionar fórmulas, mas dispor-se a acolher a graça divina); a atenção aos outros (não com preconceitos, mas acolher, escutar, respeitar, ajudar com sinceridade), a partilha, etc.



Fé celebrada com a catequese

As personagens evangélicas (fariseu e publicano) ensinam-nos que, para ser cristão, é preciso reconhecer-se pecador, sentir-se necessitado do amor do Pai. Trata-se de uma bela oportunidade para ajudar as crianças a compreender o gesto de bater no peito (preparação penitencial) e o sentido da expressão antes da comunhão («Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo»). Depois, aprenderão a rezar, com sinceridade, ao longo da semana: «Jesus, tu conheces o meu coração; dá-me o teu amor».

© Laboratório da fé, 2013



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Celebrar o domingo trigésimo (Ano C), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO


Conta-se que um homem, que ia crescendo na sua vida espiritual, chegou a um momento em que se deu conta de que era santo… Neste mesmo instante, retrocedeu todo o caminho que tinha percorrido e teve que voltar a começar desde o princípio. Quando uma pessoa trabalha intensamente no seu processo de crescimento espiritual, tem que se precaver contra duas ameaças: a primeira é perder a esperança e pensar que nunca vai alcançar a meta. A segunda, não menos perigosa, é pensar que já chegou. As duas situações são igualmente nocivas. Ambas produzem uma paragem no caminho espiritual.
A parábola que Jesus nos conta, no texto proposto para o trigésimo domingo (Ano C), foi dita «para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros». Diz Jesus que «dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano [um cobrador de impostos ao serviço de Roma]. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’». Duas atitudes que representam formas distintas de se apresentar diante de Deus. A primeira, daquele que se sente justificado e seguro; acredita que o seu comportamento corresponde ao plano de Deus; esta pessoa pensa que não precisa de crescer mais; tal como está, merece o prémio para o qual trabalhou intensamente. A segunda, daquele que se sente a caminho, com muitas coisas para melhorar; sente-se necessitado de Deus e da sua graça; sabe-se incompleto, em construção.
A conclusão de Jesus é «este [o cobrador de impostos] desceu justificado para sua casa e o outro [o fariseu] não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Esta é a lógica do reino de Deus. Uma lógica que contradiz a nossa maneira de pensar. Há que reconhecer que é bom ter consciência dos nossos avanços e recuos; certamente, é saudável saber que nos comportamos bem e que a nossa maneira de agir está de acordo com o plano de Deus. Tudo isto coincide com uma sã auto-estima, tão valorizada recentemente por algumas correntes psicológicas. Mas não podemos esquecer que esta atitude pode-nos levar a perder de vista o que nos falta para avançar no próprio caminho espiritual; por outro lado, pode produzir uma atitude de desprezo por aqueles que, pelo menos aparentemente, estão um pouco mais atrás.
Além disso, se vivemos com verdade, reconhecendo os nossos próprios limites, sabendo que não estamos completos, teremos sempre a alternativa do crescimento; poderemos avançar sempre mais. Quando acolhemos a nossa frágil humanidade, com toda a sua complexidade de luzes e sombras, e temos consciência dos nossos defeitos, começa nesse preciso momento a gerar-se o processo de cura interior. Não há cura que não passe pelo próprio reconhecimento dos limites. Isto supõe manter sempre ativa a esperança para continuar a caminhar, embora sintamos que nos falta muito para chegar ao final do nosso crescimento espiritual. Tão perigoso para a nossa vida é deixar de caminhar, como pensar, antes do tempo, que já chegamos.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ
© Encuentros com la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o domingo trigésimo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO


O evangelho continua com o tema da oração, já iniciado no domingo anterior. No texto proposto para o trigésimo domingo (Ano C), Jesus fixa-se em duas atitudes perante a oração; para isso, socorre-se de duas personagens típicas: um fariseu e um publicano. Estes falam-nos de duas formas de dialogar com Deus, de duas maneiras de estabelecer relação com Ele, que necessariamente se traduzem também em duas posturas diante do próximo.
O fariseu personifica a personagem religiosa, cumpridor escrupuloso de cada um dos mandamentos, inclusive entregava dez por cento do que ganhava para obras piedosas. Mas faltava-lhe amar naquilo que fazia, estava demasiado seguro de si mesmo e desprezava os outros. Sentia-se superior aos outros, porque era dos «bons»: «Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens».
Ao contrário, o publicano não é demasiado religioso, pouco cumpridor, dos que «metem a pata na poça» com frequência, inclusive o seu trabalho não é excessivamente honrado. Mas sente-se pecador, necessitado de misericórdia; sabe que a sua vida tem que mudar. A sua oração nasce do coração. Humilha-se, porque se sente indigno diante de Deus.
O narrador comenta que o segundo «desceu justificado para sua casa» e o primeiro não. Que paradoxo!; rompe os nossos esquemas. É que Jesus refere que o publicano pode mudar; o fariseu não; o pecador pode amar, o soberbo não.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o domingo trigésimo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO


Evangelho segundo Lucas 18, 9-14

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».



Este [o publicano] desceu justificado para sua casa
e o outro [fariseu] não.

A célebre parábola do fariseu e do publicano, exclusiva de Lucas, serve de complemento à do juiz e da viúva narrada no domingo anterior (vigésimo nono). Ambas oferecem uma reflexão sobre o tema da oração, especialmente sobre a atitude que tem de fazer parte da oração. Se a parábola do domingo passado elogiava o orante que reza com insistência, a deste trigésimo domingo destaca a atitude humilde e sincera na oração.
Lucas (18, 9-14) expõe em forma de parábola uma ideia recorrente em Paulo: ninguém é justo por si mesmo (entenda-se, pela suas obras); todos precisamos de ser justificados pela misericórdia de Deus. Mais ainda, a parábola ensina como o ser humano deixa de ser justo por causa do orgulho e é justificado por Deus na humildade. O texto é composto por uma breve introdução (versículo 9), a oração do fariseu (versículos 10-12), a oração do publicano (versículo 13) e a lição conclusiva (versículo 14).
Na introdução, Lucas descreve os fariseus, sem os nomear explicitamente, com três características: consideram-se justos pelas suas próprias obras; sentem-se seguros de si mesmos diante de Deus; desprezam os outros. Na parábola, a oração do fariseu confirma-o. Diz o texto que, de pé, «orava assim». O texto em grego afirma «orava para si», isto é, extasiado perante a sua própria santidade, porque se considerava justo por mérito próprio. Gaba-se das suas virtudes como se fossem objeto da sua propriedade e desde cima menospreza os outros, que considera miseráveis pecadores, em particular, o publicano. Por seu lado, o publicano não esconde a sua condição. Reconhece-se pecador. Com audácia e pouca arte, balbucia uma oração, enquanto bate no peito, cabisbaixo. A parábola termina com uma frase repetida por Jesus com frequência: «Aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado»; esta referência remete para o «Magnificat».

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o domingo trigésimo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.10.13 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO TRIGÉSIMO

27 DE OUTUBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 18, 9-14

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».



Segunda, 21: SEM PRECONCEITOS

Não há suspense! O evangelista diz-nos, no início, o que está em causa neste relato; mas diz-nos também que é uma parábola, uma história para fazer refletir e analisar a nossa situação. Dêmos uma oportunidade à história que Jesus propõe, sem julgar demasiado rápido as personagens. Os dois homens vão ao templo e falam a Deus. É um lugar de verdade e eles apresentam-se diante o Senhor. Também eu tenho coragem de me dirigir a Deus? Os dois homens estão preocupados com a própria salvação. Também eu tenho o desejo de ser salvo por Deus?



Terça, 22: UM BOM FARISEU...

Num primeiro momento, posso olhar para o fariseu e escutar o que ele diz, com um sentido positivo. Ele pode ter uma maneira justa de se regojizar com a cabeça erguida, de respeitar os mandamentos e a moral. É um homem generoso que está ali diante do seu Senhor. Ele não poupa os seus esforços. Também eu tenho a coragem de praticar o que digo?



Quarta, 23: QUE SE COMPARA...

O fariseu é generoso, mas compara-se: «Dou-Vos graças por não ser como os outros homens». A comparação raramente é boa conselheira, conduz ao exagero. «Quando me vejo, fico desolado; quando vejo os outros, fico consolado»; «A erva está sempre mais verde na casa do vizinho»... Quando nos comparamos, queremo-nos avaliar, procuramos uma objetividade inacessível. Queremos sair de nós mesmos, quando Deus nos convida justamente a entrar em nós mesmos. E eu, ouso responder a este convite à interioridade?!



Quinta, 24: E SE ISOLA.

O fariseu é generoso, mas fecha-se em si mesmo... Diante de Deus, dá graças não pelo que Deus faz, mas por aquilo que ele fez a Deus. Enche-se de orgulho; mas a ação de graças não é isso. Toda a sua atitude, todos os seus esforços poderiam conduzir a um único fim revelado pela sua oração: nem quer depender dos outros nem de Deus para ser salvo. Procura uma certeza para si mesmo, graças a uma grande ascese. Eu também me posso esquecer que a autonomia não é um fim em si mesmo. Estou pronto a pagar bem cara a minha independência. Não é fácil dizer: «Tenho necessidade dos outros para viver e ser feliz». A quem é que me agarro para não depender dos outros nem de Deus? O que é que tenho de colocar no devido lugar?



Sexta, 25: UM PUBLICANO COMO EXEMPLO

No tempo de Jesus, os publicanos eram desprezados: eram os cobradores de impostos para o ocupante romano que determinavam o preço das taxas a pagar... Posso interrogar-me sobre quem são os meus «publicanos», os homens desprezados devido às suas traficâncias. Serão os que fogem aos impostos? Um patrão que explora os empregados? Os políticos mentirosos?... Para atualizar a cena, posso imaginar um desses homens a rezar: «Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador»! E Deus acolhe-o! Então sim, também a mim, quem quer que eu seja, apesar das minhas falhas e pecados, Deus acolhe-me quando lhe imploro!



Sábado, 26: TENDE COMPAIXÃO DE MIM

A tradição ortodoxa propõe a repetição, de acordo com o ritmo da respiração, deste pedido: «Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, tende compaixão de mim, pecador». Com o publicano — e porque não com todos os que ontem evoquei —, posso, hoje, dizer esta oração, pedindo a Deus a graça de me abrir a ele e aos outros, quanto me sinto convencido de ser justo ou quando desprezo os outros.



Domingo, 27: A ALEGRIA DE DEUS: CHAMAR OS PECADORES

Não é fácil manter a fasquia que se coloca diante de nós: estar sempre voltado para Deus para lhe implorar, estar sempre pronto a acolher os irmãos sem os desprezar. Mas Jesus é nosso irmão e nosso Deus. Contemplá-lo remete-nos para o único movimento do serviço dos irmãos e da misericórdia de Deus. Como convida Santo Inácio, posso imaginar Cristo meu Senhor diante de mim, preso à cruz, reconhecendo que morreu pelos meus pecados. Posso interrogar-me sobre o que ele me pede e, por amor a ele, o que fazer ao serviço dos outros. Então, teremos a consciência de que vivemos do seu perdão e poderemos acolher aqueles com quem celebramos hoje como irmãos.



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© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Rezar o domingo trigésimo (Ano C), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.10.13 | comentários
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