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Bem-aventuranças — temática para 2014, 2015, 2016


Foram escolhidos pelo Santo Padre Francisco os temas das três próximas edições da Jornada Mundial da Juventude. Estes marcarão as etapas do itinerário de preparação espiritual que durante três anos conduzirá à celebração internacional com o Sucessor de Pedro prevista para Cracóvia (Polónia) em julho de 2016:
  • XXIX Jornada Mundial da Juventude de 2014
    — «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mateus 5, 3)
  • XXX Jornada Mundial da Juventude de 2015
    — «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mateus 5, 8)
  • XXXI Jornada Mundial da Juventude de 2016 (Cracóvia, Polónia)
    — «Felizes os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia» (Mateus 5, 7)

Os três temas, extraídos das Bem-aventuranças do evangelho. No Rio de Janeiro, o Papa Francisco pediu aos jovens, «de todo coração», que lessem novamente as Bem-Aventuranças para delas fazer um concreto programa de vida: «Olha, lê as Bem-Aventuranças, que te farão bem!» (cf. Encontro com os jovens argentinos na Catedral de São Sebastião, 25 de julho de 2013).

Bem-aventuranças no itinerário das Jornadas Mundiais da Juventude (2014, 2015, 2016)

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.11.13 | Sem comentários
Ao ritmo da liturgia


Vigésima quarta semana


Há que sair, ir à procura; embora a «perdição» nos repugne

Há muitos «perdidos» (drogados, mendigos, violentos) que ficam para trás. Então, é melhor ficar em casa, com os mesmos de sempre, com os do costume, com os «cumpridores» que não nos causam problemas? Não. O pai misericordioso não pensa assim. Nem o pastor que perde a ovelha. Nem a mulher que perde a moeda de prata. Há que sair, ir há procura; embora a «perdição» nos repugne.
Mas a necessidade de sair não é, à partida, para fazer prosélitos; nem para sermos muitos. Saímos, porque acreditamos que o bom contagia por si mesmo; e porque a condição essencial para respirar em nossa casa um ambiente cristão é partilhar a vida com os outros. A nossa felicidade é contagiante.
De facto, para anunciar o Evangelho é preciso conviver com os «pecadores». Não basta fazer-lhes uma visita rápida ou ficar do lado de fora. Jesus Cristo comia com eles, sentava-se com eles à mesa. O gesto mais provocador e escandaloso de Jesus Cristo foi, sem dúvida, a sua forma de ir ao encontro, de acolher com simpatia especial os «pecadores». E, nós, o que temos para oferecer aos «perdidos» da nossa comunidade?
«Converter» não é tarefa fácil. E mais difícil ainda é conseguir que os «convertidos» perseverem, não abandonem a «casa». Mas o argumento é sempre o mesmo: preocupamo-nos com a felicidade dos outros e não podemos tolerar um ambiente de morte à nossa volta. Por isso, continuamos a sair e a ir à procura...
Não estamos obcecados com o pecado! Estamos, sim, obcecados com a felicidade de todos os seres humanos. A nossa tarefa é anunciar a redenção, é testemunhar um amor que salva e dá vida. Por isso, continuamos a sair e a ir à procura...
Bem, e nunca esqueçamos que nós, «pródigos», perdidos, também somos acolhidos e perdoados diariamente. Os «perdidos» não são sempre os outros! Reconhecer as nossas misérias faz de nós ainda mais misericordiosos.
Em lugar de um Deus justiceiro e castigador, Jesus Cristo apresenta um Deus que se alegra (DOMINGO: «Alegrai-vos comigo, porque encontrei...») mais pela conversão de um só pecador, do que por noventa e nove justos que não precisam de mudar nada na sua vida.
Deus é um Pai amoroso que acolhe todas as pessoas, a começar por aqueles que pensam que são «indignos» (SEGUNDA: «Não mereço que entres em minha casa»). Deus é um pai «louco de amor» (TERÇA: «Compadeceu-Se») por cada um de nós; mesmo que sejamos maus filhos, mesmo que nos custe aceitar o outro como irmão, porque é diferente, porque não é dos nossos, porque não é dos «bons»...
Deus é um Pai que nos devolve a dignidade de «filhos de Deus», por muito que a tenhamos desbaratado (QUARTA: «A quem hei-de comparar os homens desta geração?»); que está sempre à nossa espera com os braços abertos, que faz uma festa esplêndida quando voltamos, sem ter em conta o que fizemos (QUINTA: «Uma pecadora que vivia na cidade»), por mais grave que seja, por muito que se tenha sentido — com motivo — desprezado por mim e pela minha conduta. O que conta é o regresso (SEXTA: «Anunciar a boa nova»). A alegria imensa é voltar a encontrar o filho, a filha, que se tinham perdido (SÁBADO: «Não são os que têm saúde que precisam do médico, mas sim os doentes»).

Nesta semana, há uma pergunta que não posso ignorar: Em que momentos da minha vida sinto que o encontro com Deus é motivo de alegria? Deus vem ao meu encontro, para vencer a minha tristeza e me abrir a um horizonte de alegria e de amor. Sem esquecer que a eucaristia dominical é a grande festa dos cristãos!

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial e nos textos publicados neste «Laboratório da fé» a propósito do vigésimo quarto domingo

© Laboratório da fé, 2013

Vigésima quarta semana, no Laboratório da fé, 2013

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.9.13 | Sem comentários

François Jacob, Prémio Nobel da Medicina


«Somos feitos de uma estranha mistura de ácidos nucleicos e de memórias, de sonhos e de proteínas, de células e de palavras» — disse um dia François Jacob. «O francês François Jacob, prémio Nobel pelo seu trabalho pioneiro em genética, morreu na sexta-feira [19 de abril de 2013] aos 92 anos», noticia o jornal «Público» desta terça-feira [23 de abril de 2013], dizendo: «Queria ser cirurgião, mas foi combater os nazis. No pós-guerra, escolheu a biologia. Podia ser poético a falar da sua ciência e da sua vida».
E acrescentamos: era um entusiasta daquilo que dá sentido às causas últimas (mas não perdidas) da vida. François Jacob foi um profeta da esperança. «É a esperança que dá sentido à vida. E a esperança baseia-se na perspetiva de poder um dia transformar o mundo atual num mundo possível, julgado melhor. Quando Tristan Bernard foi preso pela Gestapo com a mulher, disse-lhe: ‘O tempo do medo acabou. Agora começa o tempo da esperança’» (François JACOB, «O Jogo dos Possíveis. Ensaio sobre a Diversidade do Mundo Vivo», Gradiva, 1989, 2.ª ed., 137-138).
As mudanças acontecidas ao longo da sua vida, nomeadamente na sua carreira, fizeram dele um homem aberto à novidade, disponível para o sonho de ser sempre outro. Porque ao acordar do sonho, a pessoa «reconstrói-se, religa-se a personagem que se tinha desligado no sono» (François JACOB, «A Estátua Interior. Autobiografia», Dom Quixote, Lisboa 1988, 17). 

Prémio Nobel da Medicina

«François Jacob nasceu em Nancy, no Leste de França, em Junho de 1920. Em 1940, estava a estudar Medicina queria ser cirurgião, quando a França capitulou perante os nazis. Decidiu então alistar-se nas Forças Francesas Livres, o braço armado do movimento de resistência criado em Londres pelo general Charles de Gaulle. Combateu em África e em França e ficou gravemente ferido em Utah Beach, em Agosto de 1944, durante o desembarque aliado na Normandia.
Jacob teve de permanecer hospitalizado durante vários meses e, quando teve alta, como as sequelas dos seus ferimentos lhe vedavam para sempre a prática da cirurgia, virou-se para a biologia um pouco por acaso. Mas rapidamente ficou entusiasmado com a nova ciência que estava a emergir. E os resultados dessa mudança algo tardia de carreira foram, como se provou, excepcionais» (Ana GERSCHENFELD, François JACOB [1920/2013] Geneticista, combatente antinazi e um pouco poeta, Público, 23 de abril de 2013, 26). Em dezembro de 1965 recebeu, em Estocolmo, o Prémio Nobel da Medecina, juntamente com os seus colegas de laboratório André Lwoff e Jacques Monod.

Essência das coisas

François Jacob dá um belo contributo a uma profunda preocupação em encontrar o sentido da vida, em descobrir a «essência das coisas», em dar sentido à existência humana, em «organizar o mundo à sua volta».
«E como pessoa? ‘François Jacob não é apenas um investigador. A fé que sempre teve no progresso da ciência é a fé de um espírito lutador, apaixonado e profundamente humanista’, lê-se na biografia do cientista no site do Nobel. ‘Jacob era companhia das melhores para uma conversa, pela sua enorme cultura e experiência de vida’, responde por seu lado António Coutinho» (Ana GERSCHENFELD, 27).

Progredir através do diálogo

Nas suas conversas, na sua maneira de encarar a vida, descobrimos a falácia do fanatismo e a vitalidade do diálogo, do trabalho em equipa.
Não há nada mais perigoso do que as «certezas de ter razão». Com ironia mostra-se adepto das «ideias fixas» quando se assume como única a «condição de mudar de ideias» (François JACOB, «A Estátua Interior. Autobiografia», 19).
«Muito depressa verifiquei as vantagens de trabalhar, não sozinho num canto, mas em estreita ligação com outros habitantes do sótão. Pela eficácia e pela crítica recíproca; mas também pelo prazer, já que o diálogo leva a melhor sobre o monólogo. Muitas vezes, vários membros do grupo combinavam esforços para experiências de objetivos limitados. [...] Para pensar, para progredir, tenho necessidade de discutir. De ensaiar ideias, de as ver saltitar» (François JACOB, «A Estátua Interior. Autobiografia», 263.289).

Felicidade no pormenor

«Um dos mais brilhantes especialistas americanos do bacteriófago, Al Hershey, dizia que, para um biólogo, a felicidade consiste em ultimar uma experiência muito complexa e refazê-la todos os dias modificando somente um pormenor» (François JACOB, «A Estátua Interior. Autobiografia», 243). Quando se pensa ou se pretende fazer crer que só as grandes revoluções podem mudar o mundo, talvez seja importante recordar que a nossa felicidade se pode alcançar «modificando somente um pormenor».
E, mesmo quando surge a depressão, «aqueles dias em que nada andava», mesmo quando é «difícil a pessoa não se considerar estúpida, incapaz», há algo que Jacob recorda como fundamental: «Com efeito, muito depressa aprendi que, para evitar cair no fundo do abismo por cada experiência falhada, o que importava era ter vários ferros na bigorna. Ter conjuntamente vários temas, de modo a que um falhanço aqui pudesse ser compensado por um êxito ali» (François JACOB, «A Estátua Interior. Autobiografia», 243).

Estátua interior

Cada ser humano é uma sucessão de «estranhos» mais do que uma continuidade. São as «transformações e as suas relações» ao longo da existência que permitem reconstruir a nossa identidade. É neste conjunto de sucessões de «estranhos» e de transformações quase diárias que se toma consciência da unidade. Este exercício da busca da identidade é «trajeto que ninguém pode fazer por nós»: «Esta comunicação entre o meu coração e a minha memória, todas estas emoções que ressurgem sob o aguilhão da lembrança, tecem uma rede entre o que sou e o que fui. Obrigam-me à unidade. Como me obriga também o sentimento de uma velha cumplicidade com todas as personagens do meu passado nos eternos debates que formam o diálogo interior. A certeza de que, cada uma a seu tempo, me deram a réplica» (François JACOB, «A Estátua Interior. Autobiografia», 22).
Assim nasce a «estátua» que cada um traz esculpida dentro de si: «Trago assim em mim, esculpida desde a infância, uma espécie de estátua interior que dá continuidade à minha vida e que é a parte mais íntima, o núcleo mais duro do meu carácter. Essa estátua, toda a vida a modelei. Nunca parei de lhe dar retoques. Aperfeiçoei-a. Poli-a. A goiva e o cinzel são, aqui, encontros e combinações. Ritmos que se entrechocam. Folhas soltas de um capítulo que deslizam para outro no calendário das emoções. Terrores evocados pelo que é só suavidade. Uma necessidade de infinito surgida nos estilhaços de uma música. Um prazer que subitamente irrompe sob a severidade de um olhar. Uma exaltação nascida de uma associação de palavras. Todas as perturbações e todos os constrangimentos, as marcas deixadas por uns e por outros, pela vida e pelo sonho» (François JACOB, «A Estátua Interior. Autobiografia», 23).

© Laboratório da fé, 2013

Prémio Nobel da Medicina
Postado por Anónimo | 23.4.13 | Sem comentários
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