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PREPARAR O NATAL

25 DE DEZEMBRO DE 2013


Celebrar o Natal parece muito fácil: há um bom ambiente, a religiosidade popular liga bem com a liturgia... Mas esta facilidade pode-se converter também num empecilho: porque pensamos que tudo acontecerá por si só e não dedicamos o tempo necessário a prepará-lo; ou, ao contrário, com medo que a celebração seja sempre igual todos os anos, empenhamo-nos em introduzir-lhe muitas coisas novas que acabam por ser um impedimento a viver com paz esta celebração, em cada ano repetida, mas também em cada ano esperada. Então, nem uma coisa nem outra: tem de se preparar bem, mas respeitando o que nos é oferecido pela própria liturgia.
O que não temos de deixar de fazer, isso sim, é aproveitar os momentos adequados para fazer com que o mistério do Deus feito homem seja realidade na vida concreta deste momento. Sem dúvida, que o estilo do papa Francisco, a sua maneira de estar próximo daquilo que ocorre no nosso mundo, as prioridades que tem apresentado, são uma marca neste sentido. O mais importante é que cada um, em cada lugar, descubra a melhor forma de viver e de transmitir a imensa alegria de contemplar o Deus feito humano, pobre, e o desafio a saber encontrá-lo em todos os lugares onde se manifesta: desde o pão e o vinho da Eucaristia até ao rosto dos abandonados deste mundo; desde qualquer pequeno gesto de ternura ou qualquer bom esforço que se tenha concretizado até às lutas pela justiça e pela dignidade em qualquer lugar do mundo.
Algumas coisas a ter em conta para ajudar a viver este tempo podem ser as seguintes:

As leituras

As leituras do dia de Natal e de todas as outras festas têm muita força. Escutadas ano após ano produzem um sentimento de alegria reencontrada. Por isso, será muito importante cuidar que em todas as celebrações se proclamem bem as leituras e se lhes dê toda a sua importância. Seguramente que nos dirão muito mais do que todos os comentários que lhes possamos fazer.

Os cânticos

É outro elemento da alegria reencontrada nestas festas. Tendo em conta dois níveis: os cânticos da celebração litúrgica e os cânticos populares. Na celebração litúrgica, procuraremos que sejam cânticos que transmitam o sentido daquilo que celebramos e que sejam conhecidos, cânticos a que todos se possam associar sem demasiada dificuldade (o que não impede de introduzir, de vez em quando, algum cântico novo). Quanto aos cânticos populares, serão usados na veneração da imagem do menino Jesus e nalgum encontro festivo que possamos organizar; ficaria bem fazer uma folha com a letra desses cânticos e distribuí-la com o incentivo de que sejam cantados, por exemplo, diante do presépio, em família.

O dia de Natal

A missa do galo continua a ser, em muitos lugares, o momento culminante das festas natalícias, se bem que há locais em que as mudanças dos costumes a relegaram para segundo plano. Em qualquer caso, é preciso assegurar que se possa viver este dia com a máxima intensidade festiva. Preparando com mais dedicação a missa principal, mas assegurando também que os que participam nas outras missas possam experimentar a mesma alegria da Boa Nova do Deis feito humano. Como já dissemos, dando todo o relevo às leituras e aos cânticos, proclamando o pregão de Natal, apresentando uma homilia que transmita a ternura de Deus para com todos os homens e mulheres, juntando, se parecer oportuno, algum ponto especial, desde que não tire protagonismo aquilo que é central... Tenhamos em conta que as leituras das três missas são intercambiáveis. E se há missa no dia 24 pela tarde ou ao anoitecer, em geral será melhor não fazer as leituras da missa da vigília, mas de uma das três missas próprias de Natal.

O dia da Epifania

A Epifania é a segunda grande festa de Natal. Celebramos a manifestação de Deus a todos os povos da terra, representados naqueles personagens vindos do Oriente. Já o dissemos e repetimo-lo: há que transmitir hoje, com todos os meios ao nosso alcance, a alegria da universalidade da salvação de Deus.

Além das celebrações

O tempo de Natal é um tempo de muita atividade social. Por isso, para não esquecermos o sentido cristão daquilo que celebramos, haverá que convidar a viver as celebrações, mas também a procurar conjuntamente outras ajudas. Ter um presépio em casa será uma delas. E também o será, embora possa ser mais complicado, ter algum tempo para ler, por exemplo, os relatos do nascimento de Jesus (capítulos 1 e 2 de Mateus e de Lucas) ou também ler poesia natalícia ou, melhor ainda, rezar a Liturgia das Horas...

© Josep Lligadas, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o Natal (Ano A), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.13 | Sem comentários
 — Frei Bento Domingues — «Público», 6 de janeiro de 2013 —

1. A imagem "presépio aberto" começa por ser enigmática, vai-se tornando sugestiva e acaba por ser mais pertinente e fecunda do que outra muito publicitada, "pátio dos gentios". Tem especiais virtualidades para sugerir o espírito e o alcance deste domingo da Epifania.
Foi colhida por Agustina Bessa-Luís numa carta do grande romancista judeu Franz Kafka (1883-1924), dirigida à sua irmã, a propósito das dificuldades que ela sentia com um filho de 10 anos.
Agustina recriou essa imagem numa conferência, no Goethe Institut do Porto, saltando fora das habituais preferências temáticas sobre a obra do grande escritor de Praga, "apresentando-o como um investigador prodigioso dos problemas da educação".
Agustina destaca algo que poderia passar por uma banalidade sociológica: Kafka faz notar à sua irmã a diferença entre o equilíbrio familiar de pobres e de abastados. O mundo e a vida de trabalho estão presentes na casa do pobre e a atmosfera tóxica da pressão familiar não se produz. A criança do pobre é uma parte do mundo e como tal reconhecida. Não digo reconhecida como privilegiada, mas como igual na partilha dos sofrimentos e dos prazeres. Kafka dá como exemplo o nascimento de Cristo num presépio aberto onde o mundo é imediatamente presente na figura dos Reis Magos e dos pastores, enquanto o quadro familiar fechado do Homem afortunado tende para o desequilíbrio do próprio amor.
Pode-se estranhar que seja um judeu a recomendar esta imagem. De facto, o próprio Kafka e a sua obra são um presépio aberto, um facto messiânico de nascimento em que o mundo está presente: todos nós o podemos abordar, visitar, amar.
A banalização ou a ocultação dos presépios escondem as teologias das construções literárias do presépio dos evangelhos de S. Mateus e de S. Lucas. Reflectem, ambos, um debate interno ao próprio judaísmo. As primeiras gerações dos discípulos de Jesus eram formadas por mulheres e homens judeus que desejavam abrir por dentro o próprio judaísmo. O presépio reflecte o que se passou na vida adulta de Jesus e na construção das comunidades com a presença do mundo pagão.
Jesus não nasce na cidade de Jerusalém, centro do poder político e religioso. Os pastores representam, precisamente, os que não frequentavam o culto oficial e são os primeiros a chegar ao presépio. Os Magos passam por Jerusalém, mas não ficam lá. A estrela desloca-os para a periferia, significando que se trata não de um fenómeno astronómico, mas teológico. Se os judeus da religião ortodoxa não reconhecem Jesus, os Magos, pagãos, procuram-no. Jesus, com Maria e José, depois da viagem pelo Egipto, não vão morar no templo. Vão trabalhar para Nazaré, no meio de toda a gente. O presépio realiza, em miniatura, o que foi a revelação de Jesus na sua vida adulta: Deus anda à solta e faz a sua morada, o seu templo, onde menos se espera e faz família com quem não é da família.

2. Quando todas as indicações levavam a crer que em 2012 continuariam os artifícios de esquecimento do Vaticano II, realizado há 50 anos, pequenas iniciativas foram capazes de desencadear um movimento não apenas de recuperação da memória, mas esboçar um confronto com as questões actuais das Igrejas, das religiões, do ateísmo, do mundo e tornar urgente a reconfiguração do futuro, num universo cada vez mais globalizado.
Não se esqueça que L"Osservatore Romano, no dia seguinte ao anúncio do Concílio, feito por João XXIII, ocultou essa notícia, a mais importante no campo religioso do século XX e quando já ocupava a primeira página da imprensa mundial. Foi um boicote falhado, mas indicava que o presépio do mundo em mudança, com as suas alegrias e tristezas, não fazia parte da Cúria Vaticana.
Foi a paciência e a constância do santo João XXIII que conseguiu alterar esse clima para que a palavra aggiornamento fosse compreendida como a palavra de ordem da missão da Igreja nas sociedades contemporâneas, trabalhando na destruição dos muros que obrigavam sempre a pensar nos outros como inimigos, como incapazes de mudar.
Dir-se-á que não resolveu tudo, que apesar do trabalho dos padres conciliares ficou muita coisa adiada e que outros tentaram esquecer, desvirtuar e desfazer. A história humana da fé é de pequenos passos, não é uma viagem de TGV.

3. A imagem de presépio aberto não se deve confundir com um presépio fixo, com aberturas de entrada e saída, para receber visitas. O presépio, apontado pelas figuras tradicionais, é feito por todos os que procuram a paz, baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justiça, como lembrou João XXIII, há 50 anos, na Pacem in Terris.
Bento XVI diz o que é preciso recusar: a mentalidade subjacente ao capitalismo financeiro desregrado; as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia; a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Falta-nos construir o presépio de Cristo no qual todos os seres humanos, na diversidade de todos os povos, culturas e religiões possam dizer: somos um só mundo.

© www.publico.pt

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.1.13 | Sem comentários

A catequese no Laboratório da fé


Na catequese, no tempo antes do Natal, o discurso e a ação evangélica tratam do Advento. Este ano os feriados ao sábado tiraram espaço para exortar o discurso habitual!
Esta situação levou a que com alguma imaginação se programasse numa única sessão de catequese uma concentração de vários objetivos: conhecer o tempo litúrgico do Advento, descobrir o verdadeiro Natal, e para cumprir calendário dos conteúdos catequéticos, conhecer a sequência e as etapas da liturgia da Palavra. Tudo numa sessão de catequese de uma hora!
Ainda bem que Deus menino não ficou indiferente a esta condensação de descomedidos propósitos. De modo que nos preparou uma surpresa, em forma de dúvida de fé, colocada sabiamente por uma das nossas crianças quando os catequistas começaram a desfiar o usual sermão desta quadra e nos ocupou o tempo todo!
Deus está à espreita, está mesmo à espera para nos revelar o seu grande amor por nós, homens e mulheres, e que perante as perguntas inesperadas saibamos comunicar, na nanolinguagem dos pequenos, a verdadeira mensagem e fazer das nossas crenças vacilantes as nanodúvidas, para deixar o menino Jesus habitar a história da salvação das nossas vidas.
Evangelizar é antes de mais educar. Não se trata de dar informação ou doutrinar, mas educar é a arte de fazer crescer pessoas, fazer adquirir a importância das boas relações uns com os outros e aprender a viver em forma de natal permanente: deixar Jesus encarnar no principal órgão e centro do nosso sistema nervoso que é o cérebro, no cerne da carne humana, no córtex cerebral. É aí que Jesus se torna íntimo e nos ensina o que é o infinito amor. Ensinar às crianças uma nova forma de existência sagrada em dependência corporal e sensorial com Jesus menino, num discurso eco-lógico que trate da totalidade e qua crie interação amável e cordial com o nosso próximo. Este é um desafio que gosto de colocar aos neurônios!
Mas o mais importante é educar as nossas crianças para o reconhecimento da nossa frágil humanidade, para que a incompetência, a distração, a auto-suficiência, o desânimo, a tristeza, a desatenção do essencial, o apego à materialidade ou a falta de disciplina sejam etapas declaradas, reconhecidas e agradecidas da nossa vida, pois elas são também a autobiografia de Deus: Jesus menino de coração e cérebro humano a desafiar a nossa humanidade através do nascimento no seio de uma mulher e a viver com riscos e a aprender a conquistar a liberdade da dependência de um Amor.

O presépio é uma narração de consolo para ultrapassar com bondade a nossa finitude. A pergunta que foi o motivo condutor da catequese é uma dúvida de fé que o Lucas tomou para si e que nós podemos colocar no nosso presépio ao Deus menino:
— Luísa, tens a certeza que Jesus nasce para os bandidos e para os bêbados?
— Sim Lucas, tenho a certeza…

O nanoCredo para o Natal:
 …
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.

© Luísa Alvim, catequista de coisas invisíveis na terra visível
© Laboratório da fé, 2012



NanoCredo


Creio
em ti,
pai maternalamor poderoso,
criador do inútil e do imperfeito,
de todas as coisas nano e mínimas.

Creio no sorriso de Jesus nas crianças
Filho do mistério do amor
Pré-Natal desde sempre:
Deus em mim, Luz da Luz
Deus do imprestável de Deus dos cansaços;
Sem-abrigo, não acabado
Confiante ao Pai.
Por Ele tudo está inacabado.
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.




  • O nanoCredo publicado no Laboratório da fé [1] [2] [3] [4] 


Jesus e Maria na catequese




catequista de coisas invisíveis na terra visível


Luísa Alvim, mãe de 3 filhos, sonhadora do impossível, é catequista de coisas invisíveis na terra visível, na paróquia de S. Victor, em Braga. Técnica superior na área de Biblioteca e Documentação na Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, desde 1995. Atualmente trabalha na Casa de Camilo - Museu e Centro e Estudos. Licenciada em Filosofia, pós-graduada em Ciências Documentais, Mestre em Ciência da Informação, e Doutoranda em Ciência da Informação e membro integrado do Centro e Investigação CIDEHUS na Universidade de Évora.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.12.12 | Sem comentários
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