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MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Da Exortação Apostólica do papa Francisco 
sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual («Evangelii Gaudium»), 288:

Virgem e Mãe Maria,

Vós que, movida pelo Espírito,

acolhestes o Verbo da vida

na profundidade da vossa fé humilde,

totalmente entregue ao Eterno,

ajudai-nos a dizer o nosso «sim»

perante a urgência,
mais imperiosa do que nunca,

de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus.

Vós, cheia da presença de Cristo,

levastes a alegria a João o Baptista,

fazendo-o exultar no seio de sua mãe.


Vós, estremecendo de alegria,

cantastes as maravilhas do Senhor.


Vós, que permanecestes firme 
diante da Cruz

com uma fé inabalável,

e recebestes a jubilosa consolação
da ressurreição,

reunistes os discípulos
à espera do Espírito

para que nascesse
a Igreja evangelizadora.

Alcançai-nos agora
um novo ardor de ressuscitados

para levar a todos o Evangelho da vida

que vence a morte.
 

Dai-nos a santa ousadia
de buscar novos caminhos

para que chegue a todos

o dom da beleza que não se apaga.

Vós, Virgem da escuta e da contemplação,

Mãe do amor,
esposa das núpcias eternas

intercedei pela Igreja,
da qual sois o ícone puríssimo,

para que ela nunca se feche
nem se detenha

na sua paixão por instaurar o Reino. 

Estrela da nova evangelização,

ajudai-nos a refulgir
com o testemunho da comunhão,

do serviço, da fé ardente e generosa,

da justiça e do amor aos pobres,

para que a alegria do Evangelho

chegue até aos confins da terra

e nenhuma periferia
fique privada da sua luz.

Mãe do Evangelho vivente,

manancial de alegria
para os pequeninos,

rogai por nós.
Amen. Aleluia!

© Adaptação de Laboratório da fé, 2015

  • TEMA GERAL PARA O MÊS DE MARIA 2015 > > >

Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.15 | Sem comentários

MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Mergulhados na «mística do instante», vivemos a Páscoa na redescoberta do sentido do tato: convidados a experienciar o toque do Ressuscitado. Antes de mais, remete para a possibilidade de nos deixarmos tocar, como no caso de Tomé: «foi o Ressuscitado quem tocou em Tomé, tocou-o com o dom da fé». Ora, Maria, como mãe, foi a primeira a ser tocada, ainda no ventre. Depois, desde Belém até ao Calvário, quantas vezes não terá tocado e sido tocada pelo seu Menino! Maria foi a pessoa que melhor viveu o sentido do tato na relação humana e espiritual com Jesus Cristo. Por isso, em maio, «mês de Maria», ela une-se ao convite pascal para nos deixarmos tocar por Jesus Cristo e pelo Evangelho.

Maio, Mês de Maria: a mãe da evangelização!

«Juntamente com o Espírito Santo, sempre está Maria no meio do povo. Ela reunia os discípulos para O invocarem (Atos 1, 14), e assim tornou possível a explosão missionária que se deu no Pentecostes. Ela é a Mãe da Igreja evangelizadora e, sem Ela, não podemos compreender cabalmente o espírito da nova evangelização» — é com estas afirmações que o papa Francisco inicia a reflexão sobre Maria na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. O Papa lembra que «ao pé da cruz, na hora suprema da nova criação, Cristo conduz-nos a Maria; conduz-nos a ela, porque não quer que caminhemos sem uma mãe [...]. Não é do agrado do Senhor que falte à sua Igreja o ícone feminino». Sãos os últimos quatro números (284 a 288) dedicados a «Maria, a mãe da evangelização»: «Ela é a mulher de fé, que vive e caminha na fé, e ‘a sua excecional peregrinação da fé representa um ponto de referência constante para a Igreja’. Ela deixou-Se conduzir pelo Espírito, através dum itinerário de fé, rumo a uma destinação feita de serviço e fecundidade. Hoje fixamos nela o olhar, para que nos ajude a anunciar a todos a mensagem de salvação e para que os novos discípulos se tornem operosos evangelizadores. [...] Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. Nela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes. Fixando-a, descobrimos que aquela que louvava a Deus porque ‘derrubou os poderosos de seus tronos’ e ‘aos ricos despediu de mãos vazias’ (Lucas 1, 52.53) é mesma que assegura o aconchego dum lar à nossa busca de justiça. E é a mesma também que conserva cuidadosamente ‘todas estas coisas ponderando-as no seu coração’ (Lucas 2, 19). Maria sabe reconhecer os vestígios do Espírito de Deus tanto nos grandes acontecimentos como naqueles que parecem impercetíveis. É contemplativa do mistério de Deus no mundo, na história e na vida diária de cada um e de todos. É a mulher orante e trabalhadora em Nazaré, mas é também nossa Senhora da prontidão, a que sai ‘à pressa’ (Lucas 1, 39) da sua povoação para ir ajudar os outros. Esta dinâmica de justiça e ternura, de contemplação e de caminho para os outros faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização. Pedimos-Lhe que nos ajude, com a sua oração materna, para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos, e torne possível o nascimento dum mundo novo. É o Ressuscitado que nos diz, com uma força que nos enche de imensa confiança e firmíssima esperança: ‘Eu renovo todas as coisas’ (Apocalipse 21, 5)».

Laboratório da Fé vivida

«Seguir os mistérios do Rosário deve, por esta razão, levar-nos a aprofundar as razões da nossa fé e a concretizar as obras que este dom exige. Obras que se apresentem como respostas credíveis a cenários de egoísmo e de indiferença. Se observarmos com atenção os contextos que nos rodeiam, não será difícil perceber que as Obras de Misericórdia se apresentam como indispensáveis. Não será oportuno pensarmos, neste mês de Maio, em modalidades objetivas e palpáveis para concretizar essas mesmas 14 Obras? Quantos momentos teremos para as viver!... Neste contexto, o mês de Maio será uma verdadeira escola, tendo Maria por Mestra da fé e da caridade. Aprenderemos a dar a vida e redescobriremos a nossa vocação de Filhos de Deus. Connosco teremos a responsabilidade pessoal de ir construindo um mundo diferente através de pequenos atos de amor que, diariamente, realizaremos para testemunhar uma vida verdadeiramente mariana. Com este testemunho também a Igreja terá um rosto mais materno, oferecendo vida a todos, sobretudo aos mais necessitados» (Dom Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga).

© Laboratório da fé, 2015

  • ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS > > >


Maria, a mãe da evangelização!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.15 | Sem comentários

Vale a pena estar agradecidos


A palavra «pontífice» vem do latim e foi adoptada pela Igreja quando esta se converteu em Estado, como parte na herança do Império Romano. Pontífice é «o que constrói pontes entre Deus e os seres humanos». Mas, este Papa, além de estabelecer pontes, navega nos rios, para se aproximar de uns e de outros, molhando-se e molhando-nos. Leva, na sua mochila interior, o manual e o estilo para o caminho: o Evangelho de Jesus como mensagem de alegria para o mundo.
Ao seguir a sua trajetória de 365 dias, desde o primeiro instante ao aparecer na varanda do Vaticano para se apresentar ao mundo, vemos que iniciou um tratamento de choque, começando pelos detalhes mais externos: as suas vestes papais exibiam uma simplicidade a que estávamos poucos habituados. Depois, veio um olhar de estremecimento diante da multidão que estava na Praça e diante dos meios de comunicação d todo o mundo; em seguida, uma simples petição: rezar todos juntos.
Voltei a ler os meus desejos escritos no ano passado enquanto se celebrava o conclave; o que pedia ao novo futuro Papa. Contudo, tenho de me beliscar para não pensar que estou a sonhar... há coisas que estão a fazer caminho na Igreja: está a cair muita folha seca, estão a abrir-se janelas para deixar entrar o ar fresco do Espírito e portas para acolher quem quer que se aproxime. Estão a fazer-se coisas inimagináveis há treze, quatorze, quinze meses... e muitos anos atrás.
Para a frente, ainda há muito para fazer, muita paciência, mas os sinais de esperança animam a espera e dá a alegria capaz de eliminar a cor cinzenta das relações.

Vale a pena estar agradecidos. Por isso, quero dar graças a Deus, doze vezes, uma por mês, desde a eleição do papa Francisco:
1. Obrigado, porque sabe comover-se sem vergonha;
2. Obrigado, porque pede que rezemos por ele, mostrando a sua própria debilidade;
3. Obrigado, porque sabe abeirar-se e beijar;
4. Obrigado, porque continua a usar uns sapatos que indicam que há ainda muito caminho a percorrer juntos;
5. Obrigado, porque não gosta de viver sozinho: come, reza e celebra a Eucaristia de forma próxima;
6. Obrigado, porque deixa que as crianças se aproximem dele;
7. Obrigado, porque se coloca contra os poderes do mundo e denuncia-os como em Lampedusa;
8. Obrigado, porque dialoga e responde às perguntas;
9. Obrigado, porque pegou na vassoura para varrer a sujidade do interior da Igreja;
10. Obrigado, porque aos pobres dá prioridade, aos leigos maioridade, às mulheres mais amplo espaço vital na Igreja (embora de sacerdócio, de momento, «nada de nada»);
11. Obrigado, porque fala uma linguagem que pode ser entendida pelo estudioso e pelo que não pôde estudar, pelo teólogo e pelo recém convertido, pelo que trabalha no campo e pelo que terminou a sua tese de doutoramento, por todos. Ah!... e não esquece o II Concílio do Vaticano e a Teologia da Libertação;
12. Obrigado, porque nos deu a Exortação «A alegria do Evangelho» («Evangelii Gaudium»).

Aqui vai o meu agradecimento em doze pontos, que poderiam ser mais. Continuemos a rezar pelo papa Francisco, como ele nos pede.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

O Evangelho da alegria e a alegria do Evangelho

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.3.14 | Sem comentários

O seu método: descongelar o Concílio e torná-lo carne e vida do «povo de Deus»


Há um ano começava a «primavera» na Igreja pela mão do Papa «vindo do fim do mundo». Uma primavera similar é que tinha sido posta em marcha cinquenta anos antes por João XXIII, o Papa Bom, com o II Concílio do Vaticano. A de Francisco consiste, precisamente, em descongelar o Concílio, aplicá-lo em todas as suas potencialidades, torná-lo carne e vida do «povo de Deus». O Concílio e, sobretudo, o Evangelho.
Uma primavera que segue a bom ritmo. Primeiro, foram os gestos e as primeiras páginas dos meios de comunicação de meio mundo. Sinal da curiosidade suscitada fora dos muros da Igreja, pela revolução do Papa Bergoglio, sintoma da ausência de outros líderes credíveis no panorama mundial e confirmação de que a fé é uma notícia «urbi et orbi» na aldeia global. Depois, vieram as decisões e, sobretudo, a mudança de tendência. Quais são as chaves da primavera de Francisco?

1. Mudança de paradigma do papado

Bergoglio não quer um super-homem, nem sequer um Santo Padre. Chama-se a si mesmo bispo de Roma e, num ano, conseguiu mudar o modo de exercer o papado. Primeiro, na espaço. Abandonando o Palácio Apostólico e vivendo na residência de Santa Marta dessacraliza o espaço papal. Depois, no tempo que dedica massivamente aos não VIP's, mas aos pobres, aos humildes, aos doentes, ao seu povo, à gente que o aclama cada quarta-feira e cada domingo e se converte, assim, no seu escudo protetor. E, por último, no exercício do seu papel: o Papa governa, mas assessorado por um Conselho de Cardeais. Em colegialidade, em sinodalidade, em corresponsabilidade. Um Papa normal que, como ele próprio diz, «ri, chora, tem amigos» e «até comete pecados».

2. Mudança de estilo e de linguagem

Para normalizar o papado, Francisco muda de estilo. Deixa de ser o Papa-rei, para passar a ser o bispo de Roma e o pároco do mundo. Com esse estilo, bastaram cinco minutos, depois de ser eleito e aparecer na varanda do Vaticano, para seduzir o coração do mundo. E, desde então, já nos acostumou à novidade dos seus gestos. É um Papa imprevisível, porque não realiza o seu papel como o executor de um plano preconcebido, mas reage aos apelos das pessoas e aos impulsos do coração. Por isso, para sintonizar utiliza uma linguagem direta, simples, que não precisa de intermediários e que provoca uma reviravolta nos sentimentos das pessoas. É a linguagem do coração. Não se trata só do que diz e como o diz, mas de onde o diz. Desde a humildade de um pai, que não esconde as suas fragilidades, que convida ao amor e ao perdão, virtudes que o próprio procura viver. Um Papa dá testemunho, que diz o que vive, que prega e dá fruto. 

3. Da doutrina ao Evangelho da alegria

Francisco imprime à Igreja uma mudança de perspetiva. Quer que deixa de estar obcecada com a doutrina, especialmente com a moral sexual, e se centre no Evangelho. Primeiro, Evangelho, depois, doutrina. Mas não um Evangelho qualquer, mas o Evangelho de Jesus de Nazaré, que é Boa Notícia. Ou seja, o Evangelho da alegria e a alegria do Evangelho, como título da sua primeira grande Exortação Apostólica, uma «summa» da evangelização. Porque, como costuma dizer Bergoglio, um cristão não pode ser «um pepino em vinagre».

4. Reforma e/ou revolução

A Igreja foge da palavra revolução. Sente-se mais cómoda com a reforma, sempre que seja em continuidade. «Ecclesia semper reformanda» — diz um slogan protestante. «Ecclesia semper purificanda» — afirma o II Concílio do Vaticano, na Constituição Dogmáticas sobre a Igreja – «Lumen Gentium», no número oito. Porque, na Igreja Católica, reforma e purificação têm que estar sempre de mão dada. Caso contrário, a primeira é só uma reorganização burocrática e a segunda uma espiritualização dos problemas. A reforma de Francisco começou por cima (pelo próprio papado) e tem que moldar-se a partir de baixo. Começou pela Cúria, que tem que deixar de ser um aparato de poder e converter-se num órgão de serviço, e pela economia, com a criação do super-ministério económico, que vai fazer uma limpeza no banco vaticano e instaurar a máxima transparência nas contas da Igreja. Depois, terá que se seguir a reforma doutrinal, ao mesmo no sentido de admitir, no seu magistério, uma certa ideia de evolução da pessoa humana. E, por certo, terminar com o clericalismo.
Mas a reforma só triunfará se penetrar nas bases. Se provocar uma mudança nas mentalidades e nos costumes dos católicos. Por isso, Francisco, como João XXIII, reinterpreta a tradição, ao colocar a vida cristã como bússola da reforma e, portanto, ao ignorar qualquer tentativa de ideologização. 

5. Misericórdia e ternura

«Deus não se cansa de perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir a sua misericórdia». É uma das frases recorrentes de Francisco, que coloca, com frequência, no frontispício do seu pontificado. A Igreja deixa de ser fortaleza assediada, para se converter em «hospital de campanha» das numerosas feridas do mundo. Francisco quer converter a misericórdia e o perdão e instrumentos da política e da diplomacia. Passar da lógica da lapidação à do perdão. Um perdão que, no seu entender, não depende do que o outro faça. É um dom assimétrico, desinteressado, absoluto, que não exige contrapartidas e vai muito para além da lógica do «do ut des».
Misericórdia e perdão que se plasmam a nível pessoal na ternura. Ternura que, como bom psicólogo, prega aos outros e, ao mesmo tempo, pratica. Porque Bergolgio elimina as distâncias, toca os sentimentos. Não tem medo de beijar, abraçar e acariciar. Não tem medo do seu corpo. Ao contrário, utiliza-o como instrumento para demonstrar amor e ternura.

6. Justiça e dignidade para as periferias

«Num coração possuído pela riqueza não há espaço para a fé», costuma dizer o Papa. E, numa ocasião, recordando a sua avó, Rosa, acrescentou que o «sudário não tem bolsos». Por isso, é capaz de denunciar o atual sistema económico, como «uma economia da exclusão e da iniquidade». Ou o que, noutras ocasiões, chama de «cultura do descarte», que deixa, nas valetas da vida, as crianças, os idosos, os desempregados.
«Trabalho, trabalho, trabalho» — gritava, na Sardenha, em 22 de setembro de 2013, rodeado de trabalhadores desempregados ou precários. Porque a caridade nunca se pode separar da justiça. E, para o Papa, sem trabalho não há dignidade. Só a partir da «cultura do encontro» se pode edificar um mundo mais justo.
Para o construir, o Papa quer que a Igreja saia das suas estufas para ir para a rua. Ir às periferias geográficas e existenciais para ir ao encontro das pessoas que aí vivem. Sair das sacristias e dos templos, porque isso fará bem aos sacerdotes e aos fiéis, não só espiritualmente, mas também psicologicamente. Trata-se de sair do ambiente eclesiástico, para mudar de ares e deixar que um sopro de vento fresco entre de novo na Igreja. Como nos tempos do «aggiornamento» de João XXIII.

7. Um tsunami de sonho e de esperança

Em menos de um ano, Francisco conseguiu revitalizar uma Igreja triste e apagada, que se sentia atacada por inimigos de fora e intrigas de dentro. Os católicos já levantam a cabeça e sentem-se orgulhosos de se proclamarem como tais. Já não se escondem. Deixaram de ser católicos envergonhados. Uma onda de esperança percorre, de novo, o mundo católico. E desperta a atenção dos indiferentes, que se tinham ido embora sem bater com a porta, porque não encontravam na Igreja resposta para as suas perguntas de sentido, dos ateus e dos crentes de outras religiões. Francisco é o Papa da esperança. A Igreja é a única instituição global que conseguiu regenerar-se em menos de um ano. E toda a gente olha para Bergoglio e pergunta: Não poderia acontecer o mesmo no sistema financeiro ou no sistema político mundial?

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

O Evangelho da alegria e a alegria do Evangelho

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.3.14 | Sem comentários
Nihil Obstat — blogue de Martín Gelabert Ballester

O tema da mensagem quaresmal do Papa é retirado das palavras de São Paulo: Cristo  fez-se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza. Estas palavras não são uma descrição do modo como funciona o perverso sistema capitalista, onde uns poucos enriquecem à custa da pobreza de muitos. Aqui, não se diz que Cristo foi despojado duns bens que tinha ganho, para que outros se aproveitassem do seu trabalho e do seu suor. Tampouco se diz que Cristo era uma pessoa generosa que entregou parte do que tinha e se tornou um pouco mais pobre, para que outros pudessem tornar-se um pouco mais ricos. Aqui, não se trata de tirar a um para que outros tenham. Assim funciona o mundo. Mas a lógica de Deus, refletida em Cristo, é totalmente diferente e, por isso, surpreende.
O que São Paulo diz é que Cristo, sendo rico, voluntariamente fez-se pobre por nós, para que nós enriquecêssemos com a sua pobreza. De que riqueza e de que pobreza se trata? A riqueza de Cristo é o seu «ser de condição divina». Mas, em Cristo, revela-se que o divino é o amor: Deus é Amor. Por isso, também diz São Paulo que Cristo era rico em misericórdia. Assim se explica que, sendo Amor cheio de misericórdia, se despoja da sua condição para se tornar igual ao ser humano. Porque Deus ama a criatura humana, a sua melhor obra, como não se pode amar mais. O autêntico amante quer ser como o amado. Daí que, o Deus amante, em Cristo, despoja-se de tudo o que o separa do seu amado humano para estar ao lado do amado. Este é o sentido do seu tornar-se pobre. E, ao fazer-se pobre por amor, enriqueceu-nos com o seu amor, encheu-nos do seu amor. O amor é a maior riqueza, o que sempre permanece, o que enche a quem o tem.
Se não se tivesse feito pobre, não tinha podido chegar até nós. A sua pobreza é a nossa riqueza. O seu despojar-se da categoria de Deus é a possibilidade que se abre para nós nos podermos tornar divinos. Ser como Deus deixou de ser uma missão impossível, uma vez que, em Cristo, Deus quis ser como o ser humano. Na Cruz, aparece o maior despojamento, mas também o amor maior. Na maior pobreza aparece a maior riqueza, no total despojamento dá-se o máximo ganho. Nesta Quaresma, somos convidados a contemplar este mistério de amor. A contemplá-lo e a deixarmo-nos interpelar por ele, a mudar, como consequência da contemplação. Um modo de comprovar se a mudança é efetiva é solidarizar-nos com os pobres deste mundo, com aqueles com os quais Cristo se identifica. O único modo de ser solidário com todos é fazer-se pobre. A pergunta é: quero identificar-me com Cristo?

© Martín Gelabert Ballester, OP

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Mensagem para a Quaresma, 2014



Nihil obstat - www.laboratoriodafe.net
Martín Gelabert Ballester, frade dominicano, nasceu em Manacor (Ilhas Baleares) e reside em Valencia (Espanha). É autor do blogue «Nihil Obstat» (em espanhol), que trata de questões religiosas, teológicas e eclesiais. Pretende ser um espaço de reflexão e diálogo. O autor dedica o seu tempo à pregação e ao ensino da teologia, especialmente antropologia teológica e teologia fundamental. 
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.3.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 10
«Há necessidade que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada, anunciada e testemunhada; mas só o amor dado por Deus é que nos permite acolher e viver plenamente a fraternidade». A falta de abertura a Deus empobrece a atividade humana e reduz a pessoa a «objeto passível de exploração». Por isso, a dimensão transcendente do ser humano nunca pode ser ignorada ou aniquilada, também no setor da política e da economia. Só assim «poderão ser instrumento eficaz de desenvolvimento humano integral e de paz». «Cristo veio ao mundo para nos trazer a graça divina, isto é, a possibilidade de participar na sua vida. Isto implica tecer um relacionamento fraterno, caracterizado pela reciprocidade, o perdão, o dom total de si mesmo, segundo a grandeza e a profundidade do amor de Deus». O mandamento do amor insere-se na boa nova trazida por Cristo, «que requer, de cada um, um passo mais, um exercício perene de empatia, de escuta do sofrimento e da esperança do outro, mesmo do que está mais distante de mim, encaminhando-se pela estrada exigente daquele amor que sabe doar-se e gastar-se gratuitamente» pelo bem dos outros. Esta atitude de serviço dirigida a todas as pessoas não é opcional. «O serviço é a alma da fraternidade que edifica a paz». «Que Maria, a Mãe de Jesus, nos ajude a compreender e a viver todos os dias a fraternidade que jorra do coração do seu Filho, para levar a paz a todo o homem que vive nesta nossa amada terra».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 9
A natureza é um «dom comum» que recebemos do Criador. Os benefícios retirados da natureza exigem um agir responsável, o reconhecimento da «'gramática' que está inscrita nela», a utilização «com sabedoria» dos «recursos para proveito de todos, respeitando a beleza, a finalidade e a utilidade dos diferentes seres vivos e a sua função no ecossistema». «Em vez disso, muitas vezes deixamo-nos guiar pela ganância, pela soberba de dominar, possuir, manipular, desfrutar; não guardamos a natureza, não a respeitamos, nem a consideramos como um dom gratuito de que devemos cuidar e colocar ao serviço dos irmãos». Entretanto, é urgente refletir sobre a forma como se utilizam os recursos da natureza. «A persistente vergonha da fome no mundo leva-me a partilhar convosco esta pergunta: De que modo usamos os recursos da terra?». O «escândalo» da fome contraria o «destino universal dos bens, que é um dos princípios fulcrais da doutrina social da Igreja». «É um dever impelente que se utilizem de tal modo os recursos da terra, que todos se vejam livres da fome. As iniciativas e as soluções possíveis são muitas, e não se limitam ao aumento da produção. […] É necessário encontrar o modo para que todos possam beneficiar dos frutos da terra, não só para evitar que se alargue o fosso entre aqueles que têm mais e os que devem contentar-se com as migalhas, mas também e sobretudo por uma exigência de justiça e equidade e de respeito por cada ser humano».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 8
As esperanças legítimas em relação ao futuro, «ao crescimento em plenitude», «não devem ser frustradas nem lesadas». Contudo, «mesmo nas disputas, que constituem um aspeto inevitável da vida, é preciso recordar-se sempre de que somos irmãos». A fraternidade «vence o egoísmo individual» e gera paz social, «cria um equilíbrio entre liberdade e justiça, entre responsabilidade pessoal e solidariedade, entre bem dos indivíduos e bem comum». Ao contrário, o egoísmo provoca «a corrupção e o crime organizado», que se «difunde de maneira capilar, quer na formação de organizações criminosas […] que, minando profundamente a legalidade e a justiça, ferem no coração a dignidade da pessoa. Estas organizações ofendem gravemente a Deus, prejudicam os irmãos e lesam a criação». Como exemplo, o Papa apresenta o «drama dilacerante da droga», os «tráficos ilícitos de dinheiro», a «especulação financeira», a «prostituição», o «tráfico de seres humanos», «os crimes e abusos contra menores», «a escravidão», «a tragédia frequentemente ignorada dos emigrantes sobre quem se especula indignamente na ilegalidade», «as condições desumanas de muitos estabelecimentos prisionais». «Mas o homem pode converter-se, e não se deve jamais desesperar da possibilidade de mudar de vida. Gostaria que isto fosse uma mensagem de confiança para todos, mesmo para aqueles que cometeram crimes hediondos, porque Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 7
A guerra é «uma grave e profunda ferida infligida à fraternidade». «Há muitos conflitos que se consumam na indiferença geral». Ora, a missão da Igreja é «levar o amor de Cristo também às vítimas indefesas das guerras esquecidas, através da oração pela paz, do serviço aos feridos, aos famintos, aos refugiados, aos deslocados e a quantos vivem no terror». O papa Francisco, em nome da Igreja, «levanta a sua voz» para se dirigir a «quantos semeiam violência e morte, com as armas: naquele que hoje considerais apenas um inimigo a abater, redescobri o vosso irmão e detende a vossa mão! Renunciai à via das armas e ide ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a reconciliação para reconstruir a justiça, a confiança e esperança ao vosso redor!». Há uma clara certeza: «a fraternidade extingue a guerra». Mas, hoje, a grande quantidade de armamento disponível torna-se uma séria e real ameaça à paz. Urge continuar a defender o desarmamento e a não-proliferação das armas. Entretanto, constata-se que não bastam os acordos entre os estados. «É precisa uma conversão do coração que permita a cada um reconhecer no outro um irmão do qual cuidar e com o qual trabalhar para, juntos, construírem uma vida em plenitude para todos». É desejo do Papa que «se possa chegar também à efetiva aplicação, no direito internacional, do direito à paz como direito humano fundamental, pressuposto necessário para o exercício de todos os outros direitos».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 6
Um ponto importante brota da reflexão sobre as origens da crise económica que domina o mundo atual. Apesar dos alertas lançados ao longo dos tempos — disso são testemunha as palavras de João Paulo II (em 1979): o «perigo de que, enquanto progride enormemente o domínio do ser humano sobre o mundo das coisas, ele perca os fios essenciais deste seu domínio e, de diversas maneiras, submeta a elas a sua humanidade, e ele próprio se torne objeto de multiforme manipulação, se bem que muitas vezes não diretamente percetível» —, a verdade é que muitas pessoas procuraram e continuam a procurar «o bem-estar, a felicidade e a segurança no consumo e no lucro fora de toda a lógica duma economia saudável». Por isso, é preciso despertar para «a redescoberta da fraternidade na economia». Até porque a origem das crises está profundamente relacionada com o «progressivo afastamento do ser humano de Deus e do próximo, com a ambição desmedida de bens materiais, por um lado, e o empobrecimento das relações interpessoais e comunitárias, por outro». O caminho para uma solução eficaz passa pelo repensar dos «modelos de desenvolvimento económico», pela mudança dos «estilos de vida», pela recuperação das «virtudes da prudência, temperança, justiça e fortaleza». Estas podem ajudar a «redescobrir os laços fraternos» para além da «maximização do próprio lucro individual», ajudando assim a «construir e manter uma sociedade à medida da dignidade humana».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 5
Bento XVI afirmou que a ausência de fraternidade é causa da pobreza. Então, a fraternidade é «premissa para vencer a pobreza». Esta constatação serve de referência para apresentar dois tipos de pobreza: «pobreza relacional, devido à carência de sólidas relações familiares e comunitárias»; «pobreza relativa», «desigualdades entre pessoas e grupos» da mesma sociedade. A pobreza relacional pode ser ultrapassada com a «redescoberta e valorização de relações fraternas no seio das famílias e das comunidades, através da partilha das alegrias e tristezas, das dificuldades e sucessos». A pobreza relativa desaparece com o recurso a «políticas eficazes que promovam o princípio da fraternidade, garantindo às pessoas – iguais na sua dignidade e nos seus direitos fundamentais – acesso aos ‘capitais’, aos serviços, aos recursos educativos, sanitários e tecnológicos, para que cada uma delas tenha oportunidade de exprimir e realizar o seu projeto de vida». Na mesma linha, não se pode «esquecer o ensinamento da Igreja sobre a chamada hipoteca social»: as «coisas exteriores» que cada um possui legitimamente não se podem considerar «só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si mas também aos outros». Tudo isto ganha ainda mais sentido a partir da vivência do «desapego»: assumir «estilos de vida sóbrios e essenciais»; partilhar os bens como expressão de «comunhão fraterna». «Isto é fundamental, para seguir Jesus Cristo e ser verdadeiramente cristão».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 4
Sugerindo a leitura das Encíclicas de Paulo VI (sobre o desenvolvimento dos povos) e João Paulo II (sobre a solicitude social da Igreja), o papa Francisco reitera que «a fraternidade é fundamento e caminho para a paz». No pensamento de Paulo VI, os «mais favorecidos» são os primeiros a sentir o dever de «trabalhar juntos para construir o futuro comum da humanidade», em três dimensões: «o dever de solidariedade, que exige que as nações ricas ajudem as menos avançadas; o dever de justiça social, que requer a reformulação em termos mais corretos das relações defeituosas entre povos fortes e povos fracos; o dever de caridade universal, que implica a promoção de um mundo mais humano para todos, um mundo onde todos tenham qualquer coisa a dar e a receber, sem que o progresso de uns seja obstáculo ao desenvolvimento dos outros». No pensamento de João Paulo II, a paz apresenta-se como «um bem indivisível: ou é bem de todos, ou não o é de ninguém». Neste sentido, há alguns critérios de ação que são fundamentais: vencer a «avidez do lucro» e a «sede de poder» com a disponibilidade para «estar pronto a ‘perder-se’ em benefício do próximo». Este não pode ser visto como «instrumento», mas como «semelhante». Sem esquecer que o próximo é um «irmão», uma «imagem viva de Deus Pai, resgatada pelo sangue de Jesus Cristo e tornada objeto da ação permanente do Espírito Santo». Esta consciência «conferirá ao nosso olhar sobre o mundo como que um novo critério» para o interpretar e transformar.

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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 3
Duas perguntas — «Poderão um dia os homens e as mulheres deste mundo corresponder plenamente ao anseio de fraternidade, gravado neles por Deus Pai? Conseguirão, meramente com as suas forças, vencer a indiferença, o egoísmo e o ódio, aceitar as legítimas diferenças que caracterizam os irmãos e as irmãs?» — dão o mote à reflexão do Papa sobre a «raiz da fraternidade»: a «paternidade de Deus», cuja origem é o «amor pessoal, solícito e extraordinariamente concreto de Deus por cada um». Este amor de Deus «quando é acolhido, torna-se no mais admirável agente de transformação da vida e das relações com o outro, abrindo os seres humanos à solidariedade e à partilha ativa». Face a esta constatação, podemos parafrasear Jesus Cristo: «Vós sois todos irmãos» (Mateus 23, 8). Entretanto, «a fraternidade humana foi regenerada em e por Jesus Cristo, com a sua morte e ressurreição. A cruz é o ‘lugar’ definitivo de fundação da fraternidade». Assim, retomando o «projeto inicial», Jesus Cristo surge como «princípio novo e definitivo» da fraternidade universal. Pela sua morte e ressurreição, foram superadas as barreiras entre os povos, «constituindo-nos como humanidade nova». Por conseguinte, na família de Deus («filhos dum mesmo Pai» e «filhos no Filho»), todos possuem a mesma dignidade, «todos são amados por Deus, todos foram resgatados pelo sangue de Cristo […]. Esta é a razão pela qual não se pode ficar indiferente perante a sorte dos irmãos».

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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 2
«Onde está o teu irmão?» (Génesis 4, 9). A partir desta pergunta feita por Deus a Caim, o Papa propõe uma reflexão sobre «o difícil dever, a que todos os seres humanos são chamados, de viver juntos, cuidando uns dos outros», apesar das diferenças. A morte do irmão por inveja «atesta, tragicamente, a rejeição radical da vocação a ser irmãos». Caim «recusa reconhecer-se irmão, relacionar-se positivamente com ele, viver diante de Deus, assumindo as suas responsabilidades de cuidar e proteger o outro». Esta atitude manifesta desprezo pelo projeto de Deus, «frustra a sua vocação original para ser filho de Deus e viver a fraternidade». Quais foram os motivos profundos que levaram Caim «a ignorar o vínculo de fraternidade e, simultaneamente, o vínculo de reciprocidade e comunhão que o ligavam ao seu irmão Abel»? A presença deste episódio no relato bíblico das origens (Génesis 4, 1-16), onde se pretende sugerir a mesma proveniência (sem pretensão histórica, mas teológica) — Adão e Eva são criados por Deus à sua imagem e semelhança — «ensina que a humanidade traz inscrita em si mesma uma vocação à fraternidade, mas também a possibilidade dramática da sua traição. Disso mesmo dá testemunho o egoísmo diário, que está na base de muitas guerras e injustiças: na realidade, muitos homens e mulheres morrem pela mão de irmãos e irmãs que não sabem reconhecer-se como tais, isto é, como seres feitos para a reciprocidade, a comunhão e a doação».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 1
A temática da fraternidade — «fundamento e caminho para a paz» — preenche a (primeira) Mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial da Paz. A fraternidade, «dimensão essencial» de qualquer ser humano, habita o coração de quem percebe na comunhão o único caminho possível para a «construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura». A educação para a fraternidade, que tem de começar na família («fonte de toda a fraternidade»), ensina a ver no outro um irmão que «devemos acolher e abraçar», nunca um inimigo ou corrente. No contexto atual, embora pareça haver uma maior «proximidade» entre todos, o que se constata é uma «’globalização da indiferença’ que lentamente nos faz ‘habituar’ ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos». Recordando palavras de Bento XVI, confirma-se que a globalização «torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos». Por isso, continuam a verificar-se constantes atropelos aos direitos humanos fundamentais (vida, religião). «Às guerras feitas de confrontos armados juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos económico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas». Estamos num tempo em que parece predominar um conceito «pragmático e egoísta» de convivência humana, uma «mentalidade do ‘descartável’». Então, para alcançar uma verdadeira fraternidade entre todos é preciso aceitar a existência de uma «paternidade transcendente».

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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.14 | Sem comentários

Bem-aventuranças — temática para 2014, 2015, 2016


Foram escolhidos pelo Santo Padre Francisco os temas das três próximas edições da Jornada Mundial da Juventude. Estes marcarão as etapas do itinerário de preparação espiritual que durante três anos conduzirá à celebração internacional com o Sucessor de Pedro prevista para Cracóvia (Polónia) em julho de 2016:
  • XXIX Jornada Mundial da Juventude de 2014
    — «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mateus 5, 3)
  • XXX Jornada Mundial da Juventude de 2015
    — «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mateus 5, 8)
  • XXXI Jornada Mundial da Juventude de 2016 (Cracóvia, Polónia)
    — «Felizes os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia» (Mateus 5, 7)

Os três temas, extraídos das Bem-aventuranças do evangelho. No Rio de Janeiro, o Papa Francisco pediu aos jovens, «de todo coração», que lessem novamente as Bem-Aventuranças para delas fazer um concreto programa de vida: «Olha, lê as Bem-Aventuranças, que te farão bem!» (cf. Encontro com os jovens argentinos na Catedral de São Sebastião, 25 de julho de 2013).

Bem-aventuranças no itinerário das Jornadas Mundiais da Juventude (2014, 2015, 2016)

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.11.13 | Sem comentários

Outubro Missionário 2013


As obras missionárias pontifícias da Comissão Episcopal das Missões publicaram, como já é habitual, um guião para ajudar os cristãos, individualmente e em grupo, a crescer no compromisso missionário. «Que este Guião ajude a viver melhor o mês de Outubro, dedicado ao Rosário e à Missão» — pode ler-se no texto de apresentação. 

Neste contexto, a propósito do Dia Mundial das Missões, a celebrar no dia 20 de outubro, o papa Francisco escreveu uma mensagem alicerçada na temática da fé. 
Na Mensagem, o Papa começa por propor a fé como «um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar». Este dom não é só para alguns, mas «oferecido a todos com generosidade»; também não é para ficar com cada um, mas para ser partilhado: «se o quisermos conversar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos». E concluiu este ponto, dizendo: «Toda a comunidade é 'adulta', quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às 'periferias', sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo».
A partir do contexto do aniversário dos cinquenta anos do Concílio, o Papa recorda que o dever missionário é próprio de cada um e de todos os batizados: «todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho». E também não se trata de uma questão geográfica, porque o lugar da missionariedade é o «coração de cada homem e mulher».
Os obstáculos colocados à evangelização — diz o Papa — não estão apenas no exterior, mas também dentro da própria Igreja. Destes obstáculos destaca o (nosso) relaxe no fervor, na alegria, na coração, na esperança de anunciar e na ajuda ao ser humano contemporâneo para encontrar Jesus Cristo. «Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo». Sem esquecer que «evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial».
O tempo presente — marcado pela deslocação constante de pessoas e famílias inteiras, marcado pelo aumento do número «daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças», marcado pela crise que «atinge vários setores da existência» — reclama uma «nova evangelização», precisa de «uma luz segura». Neste contexto, «torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem».



Oração missionária

Espírito Santo,
que desceste sobre os Apóstolos 
e os fizeste anunciadores do Evangelho:
derrama os teus dons sobre cada um de nós
e torna-nos sensíveis aos apelos e às necessidades dos nossos irmãos;
desperta em muitos corações (crianças, jovens e adultos...) o ideal missionário;
dá força e coragem a todos quantos se entregam totalmente ao serviço da missão.
Amen.



Intenção missionária do Apostolado da Oração

Para que a Jornada Missionária Mundial 
nos anime a ser destinatários 
e anunciadores da Palavra de Deus.

Como todos os anos, celebramos no penúltimo domingo de Outubro, que este ano ocorre no dia 20, o Dia Mundial Missionário. A finalidade desta celebração é a de nos recordar aquilo que nunca deveríamos esquecer: todos, pelo batismo, somos evangelizadores, missionários. Este dia não deve ser, portanto, um momento esporádico na nossa vida cristã, mas só mais uma ocasião para refletirmos na nossa vocação missionária.
E somos todos missionários porque a Igreja é missionária na sua mesma essência, como têm declarado os Papas, em variadas ocasiões, e esta dimensão missionária da Igreja tem que estar sempre presente na mente de todos os cristãos. A Igreja existe para evangelizar. Afirmou, por exemplo, o Papa Paulo VI, na Exortação apostólica «Evangelii nuntiandi»: «[A proclamação do Evangelho] é para a Igreja um dever que lhe incumbe, por mandato do Senhor Jesus, a fim de que os homens possam acreditar e ser salvos». Este mandato missionário que Cristo confiou aos seus discípulos tem que concretizar-se no empenho de todo o povo de Deus; deve envolver todas as atividades das Igrejas particulares, todos os seus setores, todo o seu ser e agir.
Todos aqueles que se encontraram com Cristo ressuscitado sentiram a necessidade de anunciá-Lo aos outros, como aconteceu com os discípulos de Emaús, com Maria Madalena e tantos outros. O mesmo deve acontecer connosco. Se vivemos a ressurreição, se a fé que ela desperta é uma verdadeira realidade na nossa vida, havemos de sentir a necessidade imperiosa de a partilhar. Com efeito, a fé não é um dom (o maior da nossa vida), para guardar para si, mas para comunicar aos outros, para que também eles a possam experimentar.
Como diz a Intenção Missionária deste mês, somos, ao mesmo tempo, destinatários e anunciadores da Palavra que desperta a fé. Mas só quando esta Palavra Se faz carne dentro de cada um é que pode ser anunciada com verdade. Doutro modo, o anúncio soará a oco.
Sobretudo ao longo deste mês, deixemo-nos possuir pela Palavra de Deus, porque só assim é que seremos levados a uma comunicação mais ativa, persuadidos de que a fé se fortalece quando é comunicada.




Mensagem do Papa 
para o Dia Mundial das Missões

Queridos irmãos e irmãs,
Este ano, a celebração do Dia Mundial das Missões tem lugar próximo da conclusão do Ano da Fé, ocasião importante para revigorarmos a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia, com coragem, o Evangelho. Nesta perspectiva, gostaria de propor algumas reflexões.
1. A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar. Ele quer entrar em relação connosco, para nos fazer participantes da sua própria vida e encher plenamente a nossa vida de significado, tornando-a melhor e mais bela. Deus ama-nos! Mas a fé pede para ser acolhida, ou seja, pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a Deus e vivermos o seu amor, agradecidos pela sua infinita misericórdia. Trata-se de um dom que não está reservado a poucos, mas é oferecido a todos com generosidade: todos deveriam poder experimentar a alegria de se sentirem amados por Deus, a alegria da salvação. E é um dom que não se pode conservar exclusivamente para si mesmo, mas deve ser partilhado; se o quisermos conservar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos. O anúncio do Evangelho é um dever que brota do próprio ser discípulo de Cristo e um compromisso constante que anima toda a vida da Igreja. «O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial» (Bento XVI, Exort. ap. Verbum Domini, 95). Toda a comunidade é «adulta», quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às «periferias», sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a testemunharmos a quantos nos encontram e partilham connosco o caminho da vida.
2. Celebrado cinquenta anos depois do início do II Concílio do Vaticano, este Ano da Fé serve de estímulo para a Igreja inteira adquirir uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e as nações. A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O II Concílio do Vaticano pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada batizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé: «Como o Povo de Deus vive em comunidades, sobretudo diocesanas e paroquiais, e é nelas que, de certo modo, se torna visível, pertence a estas dar também testemunho de Cristo perante as nações» (Decr. Ad gentes, 37). Por isso, cada comunidade é interpelada e convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas «testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (Act 1, 8); e isso, não como um aspeto secundário da vida cristã, mas um aspeto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de «dar também testemunho perante as nações», perante todos os povos. Mas a missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspetos da vida cristã.
3. Com frequência, os obstáculos à obra de evangelização encontram-se, não no exterior, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes, estão relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a Mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Por vezes há ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à liberdade. A propósito, são iluminantes estas palavras de Paulo VI: «Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará (...), é uma homenagem a essa liberdade» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo. Com frequência, vemos que a violência, a mentira, o erro é que são colocados em evidência e propostos. É urgente fazer resplandecer, no nosso tempo, a vida boa do Evangelho pelo anúncio e o testemunho, e isso dentro da Igreja. Porque, nesta perspetiva, é importante não esquecer jamais um princípio fundamental para todo o evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que, «quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade, ou administra um sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um acto de Igreja». Ele não age «por uma missão pessoal que se atribuísse a si próprio, ou por uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome da mesma» (ibid., 60). E isto dá força à missão e faz sentir a cada missionário e evangelizador que nunca está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.
4. Na nossa época, a difusa mobilidade e a facilidade de comunicação através dos novos meios de comunicação social misturaram entre si os povos, os conhecimentos e as experiências. Por motivos de trabalho, há famílias inteiras que se deslocam de um continente para outro; os intercâmbios profissionais e culturais, assim como o turismo e fenómenos análogos impelem a um amplo movimento de pessoas. Às vezes, resulta difícil até mesmo para as comunidades paroquiais conhecer, de modo seguro e profundo, quem está de passagem ou quem vive estavelmente no território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raro, alguns batizados fazem opções de vida que os afastam da fé, tornando-os assim carecidos de uma «nova evangelização». A tudo isso se junta o facto de que larga parte da humanidade ainda não foi atingida pela Boa Nova de Jesus Cristo. Ademais vivemos num momento de crise que atinge vários setores da existência, e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. A própria convivência humana está marcada por tensões e conflitos, que provocam insegurança e dificultam o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem atravessados por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem. O homem do nosso tempo necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar. Com o nosso testemunho de amor, levemos a este mundo a esperança que nos dá a fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela ação do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.
5. Gostaria de encorajar a todos para que se façam portadores da Boa Nova de Cristo e agradeço, de modo especial, aos missionários e às missionárias, aos presbíteros «fidei donum», aos religiosos e às religiosas, aos fiéis leigos – cada vez mais numerosos – que, acolhendo a chamada do Senhor, deixaram a própria pátria para servir o Evangelho em terras e culturas diferentes. Mas queria também sublinhar como as próprias Igrejas jovens se estão empenhando generosamente no envio de missionários às Igrejas que se encontram em dificuldade – não raro Igrejas de antiga cristandade – levando assim o vigor e o entusiasmo com que elas mesmas vivem a fé que renova a vida e dá esperança. Viver com este fôlego universal, respondendo ao mandato de Jesus «ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19), é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade; e dar missionários nunca é uma perda, mas um ganho. Faço apelo, a todos aqueles que sentem esta chamada, para que correspondam generosamente à voz do Espírito, segundo o próprio estado de vida, e não tenham medo de ser generosos com o Senhor. Convido também os bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as agregações cristãs a apoiarem, com perspicácia e cuidadoso discernimento, a vocação missionária «ad gentes» e a ajudarem as Igrejas que precisam de sacerdotes, de religiosos e religiosas e de leigos para revigorar a comunidade cristã. E a mesma atenção deveria estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem, com generosidade, aquelas que padecem a sua escassez.
Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os presbíteros «fidei donum» e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas aonde foram enviados e a levarem a sua alegria e esperança às Igrejas donde provêm, recordando como Paulo e Barnabé, no final da sua primeira viagem missionária, «contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos pagãos a porta da fé» (Act 14, 27). Eles podem assim tornar-se caminho para uma espécie de «restituição» da fé, levando o vigor das Igrejas jovens às Igrejas de antiga cristandade a fim de que estas reencontrem o entusiasmo e a alegria de partilhar a fé, numa permuta que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.
A solicitude por todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os irmãos Bispos, encontra uma importante aplicação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias, cuja finalidade é animar e aprofundar a consciência missionária de cada batizado e de cada comunidade, seja apelando à necessidade de uma formação missionária mais profunda de todo o Povo de Deus, seja alimentando a sensibilidade das comunidades cristãs para darem a sua ajuda a favor da difusão do Evangelho no mundo.
Por fim, o meu pensamento vai para os cristãos que, em várias partes do mundo, encontram dificuldade em professar abertamente a própria fé e ver reconhecido o direito a vivê-la dignamente. São nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosas do que os mártires nos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Não poucos arriscam a própria vida para permanecer fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou unido, pela oração, às pessoas, às famílias e às comunidades que sofrem violência e intolerância, e repito-lhes as palavras consoladoras de Jesus: «Tende confiança, Eu já venci o mundo» (Jo 16, 33).
Bento XVI exortava: «Que “a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro» (Carta ap. Porta fidei, 15). Tais são os meus votos para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo de todo o coração os missionários e as missionárias e todos aqueles que acompanham e apoiam este compromisso fundamental da Igreja para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra e nós, ministros do Evangelho e missionários, possamos experimentar «a suave e reconfortante alegria de evangelizar» (Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80).

Vaticano, 19 de maio de 2013 — Solenidade de Pentecostes

Outubro Missionário 2013 — Dia Mundial das Missões
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.10.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [45]


Na celebração dos sacramentos, a Igreja transmite a sua memória, particularmente com a profissão de fé. Nesta, não se trata tanto de prestar assentimento a um conjunto de verdades abstratas, como sobretudo fazer a vida toda entrar na comunhão plena com o Deus Vivo. Podemos dizer que, no Credo, o fiel é convidado a entrar no mistério que professa e a deixar-se transformar por aquilo que confessa. Para compreender o sentido desta afirmação, pensemos em primeiro lugar no conteúdo do Credo. Este tem uma estrutura trinitária: o Pai e o Filho unem-Se no Espírito de amor. Deste modo o crente afirma que o centro do ser, o segredo mais profundo de todas as coisas é a comunhão divina. Além disso, o Credo contém uma confissão cristológica: repassam-se os mistérios da vida de Jesus até à sua morte, ressurreição e ascensão ao Céu, na esperança da sua vinda final na glória. E, consequentemente, afirma-se que este Deus-comunhão, permuta de amor entre o Pai e o Filho no Espírito, é capaz de abraçar a história do ser humano, de introduzi-lo no seu dinamismo de comunhão, que tem, no Pai, a sua origem e meta final. Aquele que confessa a fé sente-se implicado na verdade que confessa; não pode pronunciar, com verdade, as palavras do Credo, sem ser por isso mesmo transformado, sem mergulhar na história de amor que o abraça, que dilata o seu ser tornando-o parte de uma grande comunhão, do sujeito último que pronuncia o Credo: a Igreja. Todas as verdades, em que cremos, afirmam o mistério da vida nova da fé como caminho de comunhão com o Deus Vivo.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

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Refletir... saborear

  • Nos sacramentos, pela profissão de fé, a Igreja transmite a sua memória
  • A profissão de fé não é uma adesão a verdades abstratas
  • A profissão de fé faz entrar na comunhão plena com Deus
  • No Credo, o fiel entra no mistério que professa
  • No Credo, o fiel é convidado a deixar-se transformar por aquilo que confessa
  • O Credo tem uma estrutura trinitária: Pai, Filho, Espírito Santo
  • O Credo contém uma confissão cristológica: vida de Jesus Cristo
  • Aquele que confessa a fé sente-se implicado na verdade que confessa
  • O Credo transforma a vida do crente
  • O Credo faz o crente mergulhar numa história de amor
  • O Credo torna o crente membro de uma grande comunhão que é a Igreja
  • O que é a profissão de fé (Credo)?
  • Qual é a estrutura do Credo?
  • O Credo é ativo ou passivo: interfere ou não na vida do crente?
  • Que relação existe entre o Credo e a Igreja?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.9.13 | comentários

Carta encíclica sobre a fé [44]


A natureza sacramental da fé encontra a sua máxima expressão na Eucaristia. Esta é alimento precioso da fé, encontro com Cristo presente de maneira real no seu ato supremo de amor: o dom de Si mesmo que gera vida. Na Eucaristia, temos o cruzamento dos dois eixos sobre os quais a fé percorre o seu caminho. Por um lado, o eixo da história: a Eucaristia é ato de memória, atualização do mistério, em que o passado, como um evento de morte e ressurreição, mostra a sua capacidade de se abrir ao futuro, de antecipar a plenitude final; no-lo recorda a liturgia com o seu «hodie», o «hoje» dos mistérios da salvação. Por outro lado, encontra-se aqui também o eixo que conduz do mundo visível ao invisível: na Eucaristia, aprendemos a ver a profundidade do real. O pão e o vinho transformam-se no Corpo e Sangue de Cristo, que Se faz presente no seu caminho pascal para o Pai: este movimento introduz-nos, corpo e alma, no movimento de toda a criação para a sua plenitude em Deus.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • A fé tem a máxima expressão na Eucaristia
  • Na Eucaristia, dá-se o dom de Jesus Cristo que gera vida
  • Na Eucaristia, há o cruzamento dos dois eixos da fé:
    — eixo da história: atualização do mistério
    — eixo do visível ao invisível: profundidade do real
  • A Eucaristia introduz-nos no movimento da Criação para a plenitude em Deus
  • Porque é que a Eucaristia é a máxima expressão da natureza sacramental da fé?
  • Quais são os dois eixos da fé presentes na Eucaristia?
© Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [43]


A estrutura do Batismo, a sua configuração como renascimento no qual recebemos um nome novo e uma vida nova, ajuda-nos a compreender o sentido e a importância do Batismo das crianças. Uma criança não é capaz de um ato livre que acolha a fé: ainda não a pode confessar sozinha e, por isso mesmo, é confessada pelos seus pais e pelos padrinhos em nome dela. A fé é vivida no âmbito da comunidade da Igreja, insere-se num «nós» comum. Assim, a criança pode ser sustentada por outros, pelos seus pais e padrinhos, e pode ser acolhida na fé deles que é a fé da Igreja, simbolizada pela luz que o pai toma do círio na liturgia batismal. Esta estrutura do Batismo põe em evidência a importância da sinergia entre a Igreja e a família na transmissão da fé. Os pais são chamados — como diz Santo Agostinho — não só a gerar os filhos para a vida, mas a levá-los a Deus, para que sejam, através do Batismo, regenerados como filhos de Deus, recebam o dom da fé [38]. Assim, juntamente com a vida, é-lhes dada a orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro; orientação esta, que será ulteriormente corroborada no sacramento da Confirmação com o selo indelével do Espírito Santo.

[38] Cf. De nuptiis et concupiscentia, I, 4, 5: PL 44, 413 (« Habent quippe intentionem generandi regenerandos, ut qui ex eis saeculi filii nascuntur in Dei filios renascantur »)

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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  • O batismo das crianças tem sentido (e importância)
  • A criança não pode sozinha confessar a fé
  • Os pais e padrinhos confessam a fé em nome da criança
  • A fé é vivida na comunidade (Igreja)
  • A fé insere-se num «nós» comum
  • A luz que o pai toma do Círio Pascal simboliza a fé da Igreja
  • Há uma sinergia entre a Igreja e a família na transmissão da fé
  • Tem sentido batizar uma criança?
  • Que relação existe entre a fé dos pais e a fé da Igreja?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.9.13 | Sem comentários
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