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Sexta-feira da segunda semana de advento


Isaías 48, 17-19

Eis o que diz o Senhor, o teu redentor, o Santo de Israel: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te ensino o que é para teu bem e te conduzo pelo caminho que deves seguir. Se tivesses atendido às minhas ordens, a tua paz seria como um rio e a tua justiça como as ondas do mar. A tua descendência seria como a areia e como os seus grãos a tua posteridade. Nunca o teu nome seria tirado nem riscado da minha presença».

Te conduzo pelo caminho que deves seguir

O povo quis seguir outro caminho. Disse «não» à proposta, ao projeto de Deus. Se essa resposta negativa não tivesse acontecido, Israel teria sido cumulada com o cumprimento das promessas: viver em paz e justiça; ter um descendência numerosa. Além disso, Deus acrescenta ainda outro motivo de júbilo: o nome dessa descendência nunca teria sido «tirado nem riscado».
Perante esta avaliação da história passada, pode parecer que não há alternativa ao fracasso motivado pela infidelidade do povo. No entanto, as primeiras expressões do texto podem contribuir para uma mudança de atitude. Isto é, a tomada de consciência da situação negativa e a conversão podem mudar o curso dos acontecimentos
Deus continua a apresentar-se como «redentor» («fiador»). Ainda é possível voltar a caminhar à luz do Senhor, a deixar-se conduzir pelo caminho proposto por Deus: «te conduzo pelo caminho que deves seguir». 
«O pior cego é aquele que não quer ver» — diz o ditado popular. Podemos acrescentar: o pior surdo é aquele que não quer ouvir. Perante a surdez voluntária, não se pode fazer mais nada senão esperar uma improvável abertura do coração
O tempo de Advento é uma oportunidade para nos deixarmos iluminar pela «luz do Senhor», «a luz da fé». É um tempo para acolher alegremente o Senhor que vem iluminar as nossas vidas. Deus mostra-nos o caminho que devemos seguir. Para acolher Deus na nossa vida, é preciso abertura do coração e disponibilidade para se deixar conduzir pelos seus ensinamentos.

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 11, 16-19) > > >



Sexta-feira da segunda semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.13 | Sem comentários

Quinta-feira da segunda semana de advento


Isaías 41, 13-20

«Sou Eu, o Senhor, teu Deus, que te seguro pela mão direita e te digo: ‘Não temas, Eu venho em teu auxílio’. Não temas, pobre verme de Jacob, bichinho de Israel. Eu venho socorrer-te – oráculo do Senhor –, o teu redentor é o Santo de Israel. Eu te converterei em trilho aguçado, novo e bem cortante; calcarás e triturarás os montes e transformarás em palha as colinas. Hás de joeirá-los e o vento os levará, o vendaval os dispersará. Mas tu exultarás no Senhor e te gloriarás no Santo de Israel. Os infelizes e os pobres buscam água e não a encontram e a sua língua está ressequida pela sede. Eu, o Senhor, os atenderei, Eu, o Deus de Israel, não os abandonarei. Farei brotar rios nos montes escalvados e fontes por entre os vales. Transformarei o deserto em lago e a terra seca em nascentes de água. No deserto farei crescer o cedro, a acácia, a murta e a oliveira; na estepe plantarei o cipreste, o olmo e o pinheiro, para que todos vejam e saibam, considerem e compreendam que a mão do Senhor fez estas coisas, que o Santo de Israel as realizou».

Não temas, Eu venho em teu auxílio

O texto repete várias vezes e de várias formas o que Deus é para o seu povo, para Israel. «Não temas, Eu venho em teu auxílio». Esta garantia dada por Deus é suficiente para transformar o «pobre verme» em «trilho aguçado, novo e bem cortante». Deus é protetor, segura pela mão, vem em socorro, é redentor...
O «redentor» é o familiar (ou alguém que está vinculado a outro por um acordo) que tem a responsabilidade de resgatar o outro, quando este é feito escravo ou fica hipotecado. Digamos que se tratava de uma espécie de «fiador» dos tempos atuais. Deus assume esse compromisso em relação ao seu povo.
Perante tudo isto, o resultado previsível será a alegria: «exultarás... e te gloriarás». Na verdade, quem confia em Deus, quem acredita que Deus não o abandona, antes vem em seu auxílio, só pode sentir-se alegre, feliz. A alegria nasce dessa confiança em Deus
A promessa de Deus é inequívoca: «Eu, o Senhor, os atenderei, Eu, o Deus de Israel, não os abandonarei». E tudo ganha novo vigor, nova vida
Deus é o nosso «redentor», «fiador». Para Deus, todos os seus filhos são dignos de crédito, merecedores de crédito. Quando nos sentimos «sedentos» de amor, de sentido para a vida, quando não encontramos soluções para os problemas da vida... o profeta recorda-nos que Deus não nos abandona: «Não temas, Eu venho em teu auxílio». 
A liturgia de Advento abre para nós este caminho de esperança e de confiança em Deus. Talvez precisemos de aprender a descobrir na liturgia, na celebração da fé, o vigor que fortalece as nossas esperanças enfraquecidas. Temos consciência de que a liturgia é uma ação onde damos glória a Deus e recebemos a sua salvação?

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 11, 11-15) > > >



Quinta-feira da segunda semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.12.13 | Sem comentários

Quarta-feira da segunda semana de advento


Isaías 40, 25-31

«A quem Me comparareis que seja semelhante a Mim? – diz o Deus Santo – Erguei os olhos para o alto e olhai. Quem criou estas estrelas? Aquele que as conta e as faz marchar como um exército e as chama a todas pelos seus nomes. Tal é a sua força e tão grande é o seu poder, que nenhuma falta à chamada. Jacob, porque dizes; Israel, porque afirmas: ‘O meu destino está oculto ao Senhor e a minha causa passa despercebida ao meu Deus’? Não o sabes, não o ouvistes dizer? O Senhor é um Deus eterno, criador da terra até aos seus confins. Ele não Se cansa nem Se fatiga e a sua inteligência é insondável. Dá força ao que anda exausto e vigor ao que anda enfraquecido. Os jovens cansam-se e fatigam-se e os adultos tropeçam e vacilam. Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, formam asas como as águias. Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem».


Dá força ao que anda exausto

Em todas as realidades da vida, reconhecemos os vencedores pela sua persistência e capacidade de ir até ao máximo dos seus limites. Até se costuma dizer: há neles uma força suplementar, fazem um duplo esforço. É assim que se identifica o estofo dos campeões ou dos génios. Parece que são movidos por uma força especial, que nasce da paixão, do empenho com que se dedicam, do desejo em atingir determinado objetivo. Há quem fique admirado por tais capacidades, mas os próprios sentem verdadeiramente essa experiência de se superarem positivamente. Diz-se: «quem corre por gosto não (se) cansa».
O profeta Isaías anuncia que Deus é a fonte dessa motivação suplementar: «dá força ao que anda exausto». Até os jovens e os mais valentes se cansam ou podem ser vencidos. Mas quem conta com o auxílio de Deus, quem põe em Deus a sua esperança, experimenta esse alento suplementar: forma asas como as águias, corre sem se fatigar, caminha sem se cansar.
Todos nós conhecemos pessoas que nos deixam boquiabertos, admirados com a sua disponibilidade e dedicação. De onde lhes vem essa capacidade?! Deus faz nascer em nós essa força para enfrentar (positivamente) os desafios da vidaA esperança em Deus é um trampolim, não só para uma vida nova, mas também para uma vida renovada, transformada pela dinâmica do amor e da alegria. 

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 11, 28-30) > > >



Quarta-feira da segunda semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.12.13 | Sem comentários

Terça-feira da segunda semana de advento


Isaías 40, 1-11


Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa, porque recebeu da mão do Senhor duplo castigo por todos os seus pecados. Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas. Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência, porque a boca do Senhor falou». Uma voz dizia: «Clama». E eu respondi: «Que hei-de clamar?» – «Todo o ser humano é como a erva, toda a sua glória é como a flor do campo. A erva seca e as flores murcham, quando o vento do Senhor sopra sobre elas. A erva seca e as flores murcham, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente» –. Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião; grita com voz forte, arauto de Jerusalém; levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso».


Endireitem-se os caminhos tortuosos

O texto propõe-nos uma sinfonia de vozes. Há sons por todo o lado. Promessas de vida nova, vozes de júbilo, gritos de contentamento, anúncios de libertação, garantias de vitória. 
O tempo novo prometido — e prestes a concretizar-se — precisa de uma alteração, que se pode resumir nesta expressão: «endireitem-se os caminhos tortuosos». Mais tarde, voltará a ouvir-se esta mesma proclamação.
Neste processo, o profeta recebe uma missão: proclamar a fragilidade do ser humano («todo o ser humano é como a erva»); afirmar a vitalidade da «palavra do nosso Deus»
O profeta tem de proclamar uma boa notícia: «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem». O profeta torna-se um «evangelista» (portador de boas notícias), antes dos evangelistas (autores dos evangelhos). 
Todos experimentamos a dureza da vida. Às vezes, parece que não nos dá descanso. Quando vencemos uma dificuldade, quando uma provação fica para trás, aparece uma outra... 
Isaías escreve ao povo em provação. Anuncia que a libertação está próxima. Deus vem consolar os corações atribulados, os corpos fatigados
Umas vezes estas palavras são para nós, outras vezes são para os que estão à nossa volta. No primeiro caso, trata-se de acolher a Palavra de Deus como um bálsamo que nos cura e nos reconforta. No segundo caso, é preciso tornar-se profeta, «subir ao alto dum monte», anunciar a Boa Nova com voz forte. 
Deus quer ser o nosso pastor: reunir e conduzir o seu povo. Deus quer acolher no seu regaço as ovelhas mais frágeis. Proclamar um Deus de misericórdia e de compaixão não é uma espécie de «prémio de consolação» para os menos afortunados da vida. É um imperativo para todos.
Entretanto, há uma tarefa prioritária: «endireitem-se os caminhos tortuosos». Quais são os meus «caminhos tortuosos»? É «tortuoso» tudo o que não nos transmite alegria em viver. É preciso que, nos desertos mais áridos da nossa vida, sejamos capazes de desbravar os caminhos tortuosos e as veredas escarpadas. E acreditemos que Deus vem em nossa ajuda para aplanar as estradas e tornar direitos os caminhos. Ele prometeu-o. Confiemos nele. 

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Mateus 18, 12-14) > > >



Terça-feira da segunda semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.12.13 | Sem comentários

Segunda-feira da segunda semana de advento


Isaías 35, 1-10 


Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, que vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». Abrir-se-ão os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; a terra seca transformar-se-á em lago e a terra sequiosa em nascentes de água. No covil dos chacais crescerão canas e juncos. Aí haverá uma estrada, que se chamará «caminho sagrado»; nenhum homem impuro passará por ele e nele os insensatos não se perderão. Nesse caminho não haverá leões, nem andarão por ali animais ferozes. Por ele caminharão os resgatados e voltarão os que tiver libertado o Senhor. Hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.

Reinarão o prazer e o contentamento

Uma maravilha oferecida à nossa contemplação neste dia! Um autêntico hino de louvor proposto pelo profeta Isaías! O que está em causa é a transformação positiva de tudo, graças à ação de Deus. Numa frase: tudo o que está em situação de carência ou de desfavorecimento aparentemente irremediável terá uma reviravolta para uma situação positiva, no melhor dos mundos possíveis
A conclusão final é o resumo da profecia: «Reinarão o prazer e o contentamento». Estas duas palavras — prazer e contentamento — estão frequentemente afastadas do âmbito litúrgico e cristão. Falar de prazer era conotado com uma situação egoísta, desagradável a Deus. O contentamento era visto da mesma forma, numa espiritualidade que privilegiava o sofrimento e a tristeza. 
Nos últimos tempos, a Igreja tem sido sacudida pelas expressões de alegria protagonizadas pelo papa Francisco. Recuperar a alegria é fundamental para encontrar a esperança e o sentido cristão da vida. A alegria é sinal de plenitude de vida, um sinal de que existe esperança: nasce da serenidade e da confiança em Deus.
Há um prazer evidente na preparação dos momentos de festa. Apesar do cansaço, queremos proporcionar um bom ambiente à nossa volta, um ambiente festivo, alegre. Colocamos a melhor decoração em toda a casa. Procuramos o presente ideal e preparamos a sobremesa a que ninguém será capaz de resistir. Entretanto, vivemos uma espera jubilosa. 
É este o convite que nos dirige o profeta Isaías! Deus anuncia a sua vinda. Ele vem habitar no meio de nós. Ele vem à nossa vida. «Reinarão o prazer e o contentamento». 

© Laboratório da fé, 2013



  • Reflexão proposta em 2012 a partir do evangelho (Lucas 5, 17-26) > > >





Segunda-feira da segunda semana de Advento, Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.13 | Sem comentários

VIVER O DOMINGO: ao ritmo da liturgia


Segunda semana de Advento


É possível um mundo de justiça e de paz!

O Advento é tempo de esperança. Os profetas, em particular Isaías, recordam a fonte dessa esperança: Deus não abandona as suas promessas. Assim se vai delineando, entre o povo bíblico, a expectativa pela vinda do «Messias», o «Emanuel», o «Deus-connosco»; virá para concretizar, em plenitude, as promessas de Deus.
Inspirado pelo Espírito, o Messias recebe o dom mais elevado: a construção no mundo de um reino de justiça e de paz. A justiça será a sua maneira de viver (DOMINGO: «A justiça será a faixa dos seus rins»), o seu estilo de vida. Os principais beneficiários serão os infelizes e os humildes.
O Messias converterá a infelicidade em alegria (SEGUNDA: «Reinarão o prazer e o contentamento»). Não há dúvida, para nós, que esta esperança se concretiza em Jesus Cristo. Ele é a presença de Deus no meio de nós. «A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. [...] Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (Francisco, «O anúncio do Evangelho no mundo atual — «Evangelii Gaudium», 1). Mas, às vezes, parece que os cristãos não são pessoas alegres. Parece que nós, cristãos, preferimos outros caminhos: tortuosos (TERÇA: «Endireitem-se os caminhos tortuosos»), tristes, ressentidos, queixosos, sem vida. É «tortuoso» tudo o que não nos transmite alegria em viver.
A alegria é sinal de plenitude de vida, um sinal de que existe esperança: nasce da serenidade e da confiança em Deus. Na verdade, quem confia em Deus não se deixa vencer pelo cansaço (QUARTA: «Dá força ao que anda exausto»). Sabe que Deus nunca o abandona (QUINTA: «Não temas, Eu venho em teu auxílio»), mas está sempre presente para indicar o caminho (SEXTA: «Te conduzo pelo caminho que deves seguir») da alegria, da reconciliação (SÁBADO: «Reconciliares o coração»), da paz, da salvação.
«Temos consciência de que a liturgia é uma ação onde damos glória a Deus e recebemos a sua salvação? [...] Precisamos talvez de deixar que a fé nos transforme, de cultivar um estilo de vida paciente e de participar na liturgia com um outro sabor. Só assim é que a fé celebrada será uma autêntica luz que fará do Advento um tempo de esperança que conduz à alegria» (Mensagem do Arcebispo) de uma grande luz.

A segunda semana de Advento é dedicada à análise da nossa esperança. Caminhar à luz do Senhor é ser portador de esperança! Mas estamos num tempo onde tudo parece desacreditado. A esperança parece uma palavra vazia, sem sentido. Quais são as minhas esperanças enfraquecidas?

© Laboratório da fé, 2013

Segunda semana de Advento, no Laboratório da fé, 2013

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.12.13 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira da segunda semana de advento —

— Evangelho segundo Mateus 11, 16-19

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «A quem poderei comparar esta geração? É como os meninos sentados nas praças, que se interpelam uns aos outros, dizendo: ‘Tocámos flauta e não dançastes; entoámos lamentações e não chorastes’. Veio João Baptista, que não comia nem bebia, e dizem que tinha o demónio com ele. Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: ‘É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores’. Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras». 

— É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores

Dois estilos de vida. Duas pessoas. João Batista e Jesus Cristo. João viveu, no deserto, como um asceta, privado de quase tudo. Jesus viveu, no meio do povo, igual a todos os outros, a ponto de ser chamado de «glutão» e «ébrio». Mas, pelos vistos, nem um nem outro agradou à maioria do povo. 
Jesus Cristo é a «sabedoria» de Deus, «justificada pelas suas obras». A proposta de vida cristã não se fundamenta numa simples teoria, mas na prática, na vivência diária. As obras de Jesus, «amigo de publicanos e pecadores», dão a conhecer um estilo de vida. Eis a importância de assumir um estilo de vida igual ao de Jesus Cristo.
A relação com os outros marca a atitude de vida cristã. Jesus Cristo preocupa-se em aliviar o sofrimento, em curar, em contagiar os outros com alegria, em dar razões para a esperança, em ser amigo de todos (incluindo publicanos e pecadores, que eram os mais «marginalizados» pela sociedade judaica do seu tempo). E é assim, assumindo este estilo de vida, que se pode manifestar também hoje, em nós, a «sabedoria» de Deus.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.12.12 | Sem comentários
— palavra para quinta-feira da segunda semana de advento —


— Evangelho segundo Mateus 11, 11-15

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista. Mas o mais pequeno no reino dos Céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos Céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele. Porque todos os profetas e a Lei profetizaram até João. É ele, se quiserdes compreender, o Elias que estava para vir. Quem tem ouvidos oiça». 

— Quem tem ouvidos, oiça!

João Batista é o «maior» e o «mais pequeno»! Ele é uma das figuras deste tempo de Advento. A sua missão foi ajudar as pessoas a perceberem a dinâmica do Reino de Deus. João veio para despertar no coração do povo a necessidade da conversão; e a importância de estar preparado para acolher o Salvador. É este «acontecimento» que celebramos no tempo de Advento.
A partir da referência a João Batista, Jesus apresenta a lógica do Reino de Deus. Como profeta que prepara o caminho do Reino de Deus, João é o «maior». Mas Jesus diz que mais importante é fazer parte do Reino, isto é, viver em comunhão com Deus. João foi só um momento da História da Salvação. Depois dele, começa uma nova etapa, a definitiva, inaugurada por Jesus Cristo. Quem aceita fazer parte desta dinâmica é «maior» do que João Batista.
Sobre isto não existe qualquer dúvida. Assim o expressa Jesus ao dizer: «Quem tem ouvidos oiça». Bem podemos dizer que esta é a primeira atitude para integrar o projeto do Reino de Deus. Escutar. «Escuta Jesus que te fala no Evangelho», foi uma das respostas dadas pelo Papa, no dia de ontem (12 de dezembro), através do twitter, para responder à pergunta: «Como podemos viver melhor o Ano da Fé no nosso dia a dia?». Para ser o «maior» no Reino de Deus, faz-te «pequeno», escuta o que Jesus tem para te dizer!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.12 | Sem comentários
— palavra para quarta-feira da segunda semana de advento —



— Evangelho segundo Mateus 11, 28-30

Naquele tempo, Jesus exclamou: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

— O meu jugo é suave e a minha carga é leve

Um pequeno texto. Um grande ensinamento. Jesus dirige-se a todos. Ninguém é excluído. Bons e maus, todos podem encontrar em Jesus Cristo alívio e descanso. A preocupação de Jesus não se situa no comportamento, mas no sofrimento que cada um experimenta e vive. A todos propõe: «vinde a Mim [...] e Eu vos aliviarei».
O texto revela-nos a profunda humanidade de Jesus Cristo. Na verdade, não há nada mais humano do que ocupar-se do sofrimento dos outros, estabelecer relação com a dor dos que mais sofrem. Jesus Cristo apresenta-se como capaz de «aliviar» o sofrimento e oferecer «descanso». Todavia, há quem prefira uma religião normativa, que exclui, oprime, afasta, obriga a carregar (para sempre) o peso das circunstâncias da vida. E não ajudam a «aliviar» nem a encontrar «descanso». Até parece que ficam satisfeitos em «sobrecarregar» e «cansar» os outros!
O jugo é uma peça de madeira que se coloca sobre a cabeça dos animais para os sujeitar a uma determinada tarefa; também serve para controlar os animais. Pois bem, uma igreja que oprime não pode ser a igreja de Jesus Cristo! E esta é uma das razões que mais afasta as pessoas da alegria da fé. Jesus diz-me para aprender com ele, a fazer o mesmo: oferecer aos outros um jugo suave e uma carga leve!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.12.12 | Sem comentários
— palavra para terça-feira da segunda semana de advento —


— Evangelho segundo Mateus 18, 12-14

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam. Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos».

— Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar

Eu quero um Deus assim! Não é um desejo. É uma constatação. Existe um Deus assim. É o Deus de Jesus Cristo. É como um pastor que, com carinho, cuida de todas as ovelhas, a começar pelas que andam «perdidas». Jesus não fala de ofensa, nem de culpa. Fala de perda. Para Jesus, o pecado não é uma questão de maldade ou de castigo; é uma questão de perda, de abandono.
Deus ama tanto os seus filhos. Deus ama-me tanto. Ele não pode, não quer, passar sem mim. Ele sabe o perigo que corro quando estou perdido. Por isso, quando me «perco», não descansa enquanto não me encontra. E quando me encontra faz uma festa, partilha com todos a sua alegria. E, porque Deus não falha (não pode falhar), que mais eu preciso para viver em paz, descanso, tranquilidade, alegria?
Há por aí tantas falsas «imagens» de Deus! Inventadas por nós. Talvez porque nos tenhamos esquecido de procurar Deus em Jesus Cristo e na mensagem. Talvez porque seja mais «útil» um Deus severo e castigador, para «obrigar» a ter um determinado comportamento. 
Então, se Deus não castiga, posso fazer o que me apetece?! Podes... mas o ser humano foi criado à imagem e semelhança de(ste) Deus para ser bom. Não para receber um prémio ou um castigo. Mas para que toda a Criação (e todas as pessoas) seja respeitada e cumpra a sua missão: viver em paz, ser feliz!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.12.12 | Sem comentários
— palavra para segunda-feira da segunda semana de advento —


— Evangelho segundo Lucas 5, 17-26

Certo dia, enquanto Jesus ensinava, estavam entre a assistência fariseus e doutores da Lei, que tinham vindo de todas as povoações da Galileia, da Judeia e de Jerusalém; e Ele tinha o poder do Senhor para operar curas. Apareceram então uns homens, trazendo num catre um paralítico; tentavam levá-lo para dentro e colocá-lo diante de Jesus. Como não encontraram modo de o introduzir, por causa da multidão, subiram ao terraço e, através das telhas, desceram-no com o catre, deixando-o no meio da assistência, diante de Jesus. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse: «Homem, os teus pecados estão perdoados». Os escribas e fariseus começaram a pensar: «Quem é este que profere blasfémias? Não é só Deus que pode perdoar os pecados?» Mas Jesus, que lia nos seus pensamentos, tomou a palavra e disse-lhes: «Que estais a pensar nos vossos corações? Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou ‘Levanta-te e anda’? Pois bem, para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados... Eu te ordeno — disse Ele ao paralítico — levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa». Logo ele se levantou à vista de todos, tomou a enxerga em que estivera deitado e foi para casa, dando glória a Deus. Ficaram todos muito admirados e davam glória a Deus; e, cheios de temor, diziam: «Hoje vimos maravilhas». 

— Levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa

Os relatos de curas são frequentes nos evangelhos sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas). Aliás, no tempo de Jesus as curas estavam mais ligadas à religião do que à medicina. A capacidade de curar era uma dos aspetos importantes para dar crédito a uma personagem. Por isso, Jesus tinha de ser um grande curador!
Nesses relatos, está presente a dimensão da fé. O curado é apresentado como crente, confiante no poder curador de Jesus Cristo. Neste caso, não se trata da crença do paralítico, mas dos seus amigos. A fé destes seá a causa da cura: «ao ver a fé daquela gente»... A fé é força que dá vida, que cura. 
O perdão dos pecados é, para Jesus, a garantia do alívio do sofrimento físico. Neste sentido, a mensagem de Jesus Cristo é especial. Por exemplo, para João Batista, o perdão dos pecados era uma forma de «escapar» da ira divina, da condenação. Jesus apresenta o perdão dos pecados como expressão amorosa de Deus que dá saúde e bem-estar ao ser humano.
«Levanta-te... vai para casa». Este é o primeiro projeto de Deus para toda a humanidade. Que todos possam ser curados das suas «enfermidades». A atitude que dignifica o ser humano é estar de pé, «levantado». É a posição de quem se dispõe a caminhar, a fazer o caminho da «redescoberta» da fé, como nos desafia este «Ano da Fé». O objetivo deste caminho é levar-me (de novo) a «casa», isto é, ao coração de Deus, à vida de comunhão com Deus.
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.12.12 | Sem comentários
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