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CELEBRAR O DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA


Em tempo de Natal, eis-nos convidados a contemplar a Sagrada Família que, diz a oração coleta, Deus nos dá como «modelo de vida». Somos desafiados a imitar a confiança de Maria e de José, a docilidade deles à Palavra, ao Espírito, aos «acontecimentos»: Maria«guardava todos estes acontecimentos em seu coração» (evangelho), como no dia do nascimento do Menino. Maria confia em Deus. Como Ana (primeira leitura), conta com o amor de Deus, um amor que gera vida. Elas ensinam-nos a acolher a graça e a cantar as maravilhas de Deus (salmo). Vivamos, portanto, como «filhos de Deus» (segunda leitura), testemunhas do seu amor.

«Seja consagrado ao Senhor»
Ana sentia-se desolada porque não tinha filhos. Pediu a Deus e o filho foi-lhe concedido, numa época em que o povo de Israel se encontrava absolutamente necessitado de um salvador e de um rei. Samuel, o filho que Deus concedeu a Ana, fará a ponte entre o passado (na época dos juízes, anterior à monarquia) e o futuro (centrado na pessoa e na descendência de David com as esperanças messiânicas que dele hão de derivar).
A primeira leitura proposta para a festa da Sagrada Família (Ano C), um texto retirado do Primeiro Livro de Samuel, centra-se na fidelidade de Ana, mãe de Samuel, e o cuidado amoroso que tem para com o seu filho, acolhido como dom de Deus. O importante do texto é o profundo sentido religioso dos protagonistas: a consciência de pertencerem a Deus e a confiança radical.
Assinale-se que, no fragmento do evangelho, a devoção a Deus por parte de Maria e de José manifesta-se numa peregrinação que fazem por altura da Páscoa. Contudo, o objetivo principal é proporcionar o contexto adequado para mostrar a verdadeira fidelidade de Jesus.
No caso de Ana, a fidelidade da mãe alimenta a fidelidade do filho. Samuel foi um dom dado por Deus a Ana; ela, em agradecimento, entrega de novo a Deus esse dom tão desejado: «eu o ofereço para que seja consagrado ao Senhor todos os dias da sua vida».
Num momento de necessidade na história do povo, Deus intervém. Neste caso, Samuel será a pessoa que terá de identificar e investir o salvador real escolhido por Deus: David.
A mãe, Ana, e o menino, Samuel, diante do mistério de Deus, que manifestou a sua generosidade no dom do filho, não podem fazer mais do que prostrar-se e adorar. Confiança e gratidão para com Deus são duas qualidades do crente de todos os tempos.

Instituída pelo papa Leão XIII (em 1893), inicialmente no terceiro domingo depois da Epifania, a festa da Sagrada Família acontece no domingo a seguir ao dia de Natal (ou no dia 30 de dezembro, quando o dia de Natal coincide com o domingo). A escolha da data ajuda a entender a festa no contexto do mistério da Incarnação. Também se pode associar a uma dupla perspetiva: a família formada por José, Maria e Jesus como «modelo de vida»; a família formada pela comunidade cristã como «modelo de fé». Numa e noutra, Jesus Cristo é nosso «irmão», acompanha-nos no amor ao Pai, ou melhor e primeiro, no deixarmo-nos amar pelo Pai.

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO SEGUNDO


Este é um domingo de «transição»: a primeira semana do Tempo Comum começa na segunda-feira depois do Batismo de Jesus; portanto, não existe o primeiro domingo do Tempo Comum. Daí que este seja o segundo domingo (Ano B), mas ainda sem a proclamação do evangelho de Marcos (evangelista do Ano B). Em qualquer dos anos, neste domingo, é sempre proposto um texto retirado do evangelho de João.
Hoje, destaca-se o apelo à missão: chamamento de Samuel (primeira leitura) e dos primeiros discípulos (evangelho). Paulo (segunda leitura) sublinha que toda a pessoa tem consigo a «marca» de Deus: o Espírito Santo. Então, compete-nos «fazer a vontade» (salmo) divina.

«O Senhor estava com ele»
O texto da primeira leitura descreve a vocação de Samuel, um personagem que se tornará central na vida e na política do povo de Israel. É passagem de um tempo antigo — representado pelo sacerdote Heli — para o tempo novo «provocado» por Deus. De facto, a narração mostra com clareza que Deus é um interveniente decisivo na história: aparece como uma voz imponente e incómoda, mas não inoportuna.
O jovem Samuel não reconhece a voz, confunde-a com a voz de Heli. Pensa que é o sacerdote quem o chama a partir dos seus aposentos. «À terceira é de vez»: o sacerdote percebe que se trata da voz de Deus e convida Samuel a responder com disponibilidade para escutar. Foi preciso a colaboração de alguém experiente para ajudar o jovem a discernir a proveniência do chamamento!
Este é um texto paradigmático para compreender a vocação em todos os tempos: Deus toma a iniciativa, aproxima-se, chama pelo nome, insiste segunda e terceira vez; Samuel deixa-se surpreender pelo chamamento, abre-se à novidade, deixa-se ajudar no discernimento, exprime disponibilidade: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta».
O verbo «escutar» é preponderante na Sagrada Escritura e em toda a experiência espiritual, como se expressa no coração da fé de Israel: «Escuta, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que te prescrevo ficarão gravadas no teu coração» (Deuteronómio 6, 4-6).
O jovem Samuel recebe um ensinamento decisivo: a vida de fé consiste em escutar a voz de Deus. Ao mostrar-se disponível para escutar, «o Senhor estava com ele». E Deus continua a estar com aqueles e aquelas que, hoje, reconhecem a sua voz, que aprendem a «saborear» a sua presença. Como aqueles homens do evangelho que «foram ver onde [Jesus] morava e ficaram com Ele nesse dia».

Os (cinco) domingos que antecedem o início da Quaresma são adequados para fazermos o exercício de saborear calmamente a presença de Deus. «A Bíblia é para comer» — escreve o padre José Tolentino Mendonça, numa das reflexões que compõem a segunda parte da obra «A mística do instante» (ed. Paulinas). Saborear Deus! Saborear a Bíblia, palavra de Deus! O desafio consiste em aprimorar o paladar, em fazer um «MasterChef» da saborosa presença de Deus na nossa vida.

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo segundo (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.1.15 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUARTO DA QUARESMA

30 DE MARÇO DE 2014


Primeiro Livro de Samuel 16, 1b.6-7.10-13a

Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: «Enche a âmbula de óleo e parte. Vou enviar-te a Jessé de Belém, pois escolhi um rei entre os seus filhos». Quando chegou, Samuel viu Eliab e pensou consigo: «Certamente é este o ungido do Senhor». Mas o Senhor disse a Samuel: «Não te impressiones com o seu belo aspecto, nem com a sua elevada estatura, pois não foi esse que Eu escolhi. Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração». Jessé fez passar os sete filhos diante de Samuel, mas Samuel declarou-lhe: «O Senhor não escolheu nenhum destes». E perguntou a Jessé: «Estão aqui todos os teus filhos?». Jessé respondeu-lhe: «Falta ainda o mais novo, que anda a guardar o rebanho». Samuel ordenou: «Manda-o chamar, porque não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar». Então Jessé mandou-o chamar: era ruivo, de belos olhos e agradável presença. O Senhor disse a Samuel: «Levanta-te e unge-o, porque é este mesmo». Samuel pegou na âmbula do óleo e ungiu-o no meio dos irmãos. Daquele dia em diante, o Espírito do Senhor apoderou-Se de David.



David é ungido rei de Israel


A comunidade de Israel encontra-se numa crise profunda que pede uma nova organização à volta da pessoa do rei. Saul, o primeiro rei, ungido por Samuel, tinha fracassado, de maneira que a crise não tinha solução. O futuro depende de encontrar um chefe adequado para o povo.
Deus é livre para recusar o rei que previamente tinha escolhido. Assim, envia Samuel a uma família para ungir um dos filhos como rei. Samuel não sabe quem é. A situação é muito delicada, porque o rei anterior ainda ocupa o trono e este facto é uma clara provocação.
Belém é uma povoação insignificante. Não parece ser o lugar indicado para encontrar um rei. Jessé faz desfilar cada um dos seus filhos diante de Samuel e nós assistimos a uma espécie de cochicho entre o Senhor e Samuel. A qualidade que o Senhor procura não é a aparência, mas o fundo do coração.
Na primeira ronda, Samuel não descobre qualquer candidato. Depois, aparece o oitavo filho, que parecia estar descartado por ser demasiado pequeno.
Ao entrar o jovem, o narrado — embora nos tenha dito que o aspeto não era importante — não consegue evitar de referir que «era ruivo, de belo olhos e agradável presença». O Senhor intervém com uma ordem: «É este mesmo». O Senhor, que enaltece os humildes, fez com que o último fosse o primeiro.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo quarto da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.3.14 | Sem comentários

VIVER O DOMINGO SEGUNDO


SEMANA 19 A 25 DE JANEIRO DE 2014 — AO RITMO DA LITURGIA



Domingo, 19 — Isaías 49, 3.5-6: VOU FAZER DE TI A LUZ DAS NAÇÕES

A Escritura (Isaías) continua a traçar o retrato do Servo. Ele veio para ser «a luz das nações» (DOMINGO: «Vou fazer de ti a luz das nações»). A sua missão é universal: «vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».
As religiões, em geral, pecam pela defesa de um grupo de eleitos, que são os únicos destinados à salvação (SEGUNDA: «Rejeitaste a palavra do Senhor»). Alguns, poucos, são os chamados; alguns, poucos, são os que alcançam a salvação. Ao contrário, a missão do Servo de Yahveh tem uma dimensão universal. Deus é para todos, ou não é Deus. De facto, o plano de Deus parece inacreditável: até os não crentes (TERÇA: «O Senhor vê o coração») serão resgatados pelo seu Servo. Uma vez mais, a Bíblia diz-nos que Deus tem um projeto de salvação, de felicidade, que tem como meta chegar «até aos confins da terra», destina-se a cada pessoa (QUARTA: «O Senhor esteja contigo»), destina-se à humanidade inteira.
Em Jesus Cristo, nós reconhecemos a missão do Servo: «Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra». Jesus Cristo é, para nós, a verdadeira luz! Jesus Cristo está connosco quando celebramos a Eucaristia, onde se realiza a obra da nossa salvação. Domingo após domingo, luz após luz, somos convocados para formar comunidade, na escuta a Palavra e na partilhar o Pão. Por isso, o domingo e a eucaristia são o centro da vida crista. Esta é a nossa fé! Esta é a nossa alegria (QUINTA: «A cantar e a dançar alegremente»)!
Hoje, Deus escolhe-nos (SEXTA: «O ungido do Senhor») para que a luz da salvação chegue a todos. De apelo em apelo, de Jesus ao Batista, do Batista a Paulo, de Paulo a nós, cristãos, transmite-se a luz. Deus conta com o nosso compromisso e o nosso testemunho (SÁBADO: «Tu serás sua testemunha»). A missão do cristão une-se à missão de Jesus Cristo: ser luz. Como posso ser luz, na família, com os amigos, na comunidade, no mundo?



Segunda, 20 – 1Samuel 15, 16-23: A PALAVRA DO SENHOR

A vitória sobre o inimigo, no Antigo Testamento, exigia a destruição de todos os despojos. Esta prática tinha como finalidade demonstrar que tudo pertencia a Deus; por isso, nada do que pertencesse ao vencido poderia ficar na mão dos vencedores. Entre a fidelidade a Deus e a satisfação do povo, Saul concedeu aos seus que se apropriassem dos despojos do inimigo. Samuel denuncia a desobediência: «rejeitaste a Palavra do Senhor». No contexto do Antigo Testamento, percebe-se a consequência: rejeitaste Deus; serás rejeitado... Jesus Cristo ultrapassou esta lógica. A novidade do Evangelho (a nova palavra do Senhor) supõe uma compreensão renovada da vida. Mas ainda há muitos («cristãos») a viver na «gramática» do Antigo Testamento!



Terça, 21 – 1Samuel 16, 1-13: CORAÇÃO

Deus confia a Samuel a tarefa de encontrar um novo rei para Israel, embora Saul continue a ocupar o lugar. Nessa aventura, pede a Samuel algo estranho, à primeira vista: escolher o pequeno David, em detrimento dos mais velhos, dos mais robustos. O fundamento da escolha não são as aparências. Deus «vê o coração». David, que andava a guardar o rebanho, há de tornar-se o pastor do povo de Israel. Esta forma de ser e de agir de Deus, este «segredo», será retomado nas palavras da raposa ao principezinho: «Vou confiar-te o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos». E, depois acrescentou: «Os homens esqueceram-se desta verdade». Ao longo do dia, repete para depois te lembrares: «Só se vê bem com o coração».



Quarta, 22 – 1Samuel 17, 32-33.37.40-51: DAVID

David dispõe-se a enfrentar o temível filisteu de nome Golias. «O Senhor esteja contigo» — é o desejo e a prece de Saul perante a atitude de David. O jovem pastor avança contra Golias com um equipamento simples, para não dizer minimalista: cajado, cinco pedras, funda. A postura de David acentua o desequilíbrio em relação ao adversário: espada, lança, azagaia. Este contraste literário tem um objetivo: assinalar que Deus acompanha David. A prece de Saul — «O Senhor esteja contigo» — é reforçada pela confiança de David: «eu vou contra ti em nome do Senhor do Universo». A vitória de David não é consequência do seu armamento nem de uma estratégia militar, mas da confiança em Deus. E nós, que atitude assumimos perante os «combates» de cada dia? Aceitamos a companhia de Deus, deixamos que Deus esteja connosco?



Quinta, 23 – 1Samuel 18, 6-9; 19, 1-7: CANTAR E DANÇAR

O texto põe a nu o mecanismo da inveja e das suas consequências. Infelizmente, pouco ou nada se alterou em relação à época de Saul, David e Jónatas. Saul dominado pela inveja endurece o seu coração contra David. A força do mal cava abismos profundos no coração, desenvolve esquemas para destruir e eliminar. Mas o texto também enaltece o valor e a força da amizade, através da intervenção e mediação de Jónatas (filho de Saul). Afinal, a vitória de David sobre Golias, graças à confiança em Deus, merece ser festejada e exaltada. Por isso, não é de estranhar a atitude descrita: «a cantar e a dançar alegremente». Hoje, aproveita para «cantar e dançar alegremente» com as pessoas que fizerem parte do teu dia.



Sexta, 24 – 1Samuel 24, 3-21: UNGIDO

Saul quer matar David, mas a situação inverte-se: por um acaso, Saul cai nas mãos de David. O desfecho é inesperado: David recusa matar Saul; e prova a sua fidelidade, quer ao rei quer a Deus, pois Saul é «o ungido do Senhor». Que diferença! Saul deixou-se cegar pela inveja e pelo ódio. David manifesta uma profunda justiça e fidelidade. Por fim, a atitude de David sai vencedora. Às vezes, parece que já não ficamos surpreendidos pela falta de fidelidade e de justiça: rompe-se uma promessa, atraiçoa-se a amizade... E até parece que o extraordinário é a fidelidade, as relações que permanecem fiéis... David ajuda-nos a descobrir o valor da fidelidade, quer a outra pessoa quer a Deus, pois o outro é «o ungido do Senhor».



Sábado, 25 – Atos 22, 3-16: PAULO

Hoje, a Igreja festeja a «Conversão de São Paulo». Trata-se de uma celebração «especial», pois a solenidade litúrgica em honra de Paulo acontece a 29 de junho, juntamente com Pedro. O destaque deste acontecimento (conversão) certamente que está relacionado com a preponderância de Paulo no anúncio e difusão do Evangelho de Jesus Cristo. Paulo cumpriu com dedicação a missão que lhe confiada: «Tu serás sua testemunha». Pode-se dizer o mesmo de mim?



© Laboratório da fé, 2014

Viver o domingo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.1.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

Nas primeiras quatro semanas do Tempo Comum («anos pares»), a liturgia propõe a escuta dos dois Livros de Samuel (primeira leitura). A narração refere-se a cerca de oitenta anos da história hebraica, de 1050 a 970 antes de Cristo, aproximadamente. Nela são referidas três grandes figuras: Samuel, Saul e David.
No Primeiro Livro de Samuel, a narração é inteiramente do­minada pela figura de Samuel, chamado ainda jovem por Deus a ser juiz de Israel em tempos de crise (1, 1 — 3, 21). Segue-se uma longa narração acerca da Arca da Aliança (4, 1 — 7, 1): a Arca é cap­turada pelos filisteus, transportada para o campo adversário e, finalmente, regressa para junto dos filhos de Israel. Durante a luta contra os filisteus, o povo pede a Samuel um rei. O profeta opõe-se, mas no fim deve ceder e dar um soberano ao povo. É este o segundo grande momento do livro (7, 2 — 8, 22). Saul é escolhido e ungido como rei (9, 11 — 11, 15) e, no entanto, entre o rei e o profeta não há boas relações: o contraste é tal que Samuel anuncia a sua demissão (12, 1-25) e continua a exprimir ao rei a sua insatisfa­ção (13, 1 — 15, 35). É nessa altura que começa a emergir a figura de David, primeiro na corte de Saul (16, 1 — 18, 5), depois como seu adversário e inimigo (18, 6 — 26, 25). Por fim, Saul morre no campo de batalha (27, 1 — 31, 13) e David torna-se rei (2Samuel 1, 1-5 — 5, 16).
Todo o Segundo Livro de Samuel é dominado pelas peripécias de David. Esta história coloca ao leitor uma pergunta: quem é o verdadeiro rei de Israel? A resposta não deixa dúvidas: o único e verdadeiro soberano é o Senhor; o monarca é simplesmente um plenipotenciário de Deus, um ministro Seu. Surge também a crí­tica à monarquia, quando esta, em vez de se submeter à Palavra de Deus, se distancia dela. Finalmente aparece o tema do mes­sianismo ligado a David e à promessa que lhe é feita, tema esse que voltará e será sem dúvida interpretado no Novo Testamento, enquanto referido a Jesus.

© Matteo Crimella | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor



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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.14 | Sem comentários

VIVER O DOMINGO DO BATISMO DE JESUS


SEMANA 12 A 18 DE JANEIRO DE 2014 — AO RITMO DA LITURGIA



Domingo, 12 — Isaías 42, 1-4.6-7: LUZ DAS NAÇÕES

O Servo veio para ser «a luz das nações» (DOMINGO). A sua missão é universal. A novidade da ação deste Servo reflete-se em não levar a cabo a sua tarefa usando a força ou as armas, mas usando de mansidão com o débil e o vacilante, ao mesmo tempo que será firme e determinado em cumprir o mandato. 
O Servo é o eleito de Deus: o próprio Deus tomou-o pela mão. A salvação oferecida por Deus, uma vez mais, não segue os caminhos apontados pelos humanos (SEGUNDA: «Ana chorava e não comia»), mas tem o seu próprio caminho, que passa pelo inesperado (TERÇA: «O Senhor lembrou-se dela») e pelo surpreendente. 
O batismo de Jesus Cristo aparece como ponto de partida desta vida de serviço aos outros, que acabará no batismo de sangue, na cruz. Daí brotará vida para todos, vida em abundância. Este percurso de Jesus Cristo é o modelo mais perfeito para a nossa maneira de viver (QUARTA: «Aqui estou! Falai, Senhor, que o vosso servo escuta»). Para nós, o Batismo também é o início de um caminho e de uma missão: ser discípulos de Jesus Cristo. 
O grande problema surge quando nos recusamos a ser luz, a iluminar a nossa família, os nossos companheiros de trabalho, os amigos, os momentos de diversão. O problema surge quando queremos esconder a luz que nos habita ou quando apenas deixamos que ilumine de uma forma ténue, tímida. E saímos derrotados (QUINTA: «Foram vencidos»), vencidos pela «escuridão» (SEXTA: «Um rei»)!
Durante esta semana, procura a vela do teu Batismo e dos teus familiares, coloca-as num lugar visível da casa; em cada dia, reuni-vos em família; acendei as velas do Batismo; rezai junto o Pai nosso; recordai o Batismo; procurai saber o dia da celebração do vosso Batismo; festejai-o. 
Pelo Batismo, recebemos a «luz da fé», como um grande dom oferecido pelo Pai, trazido por Jesus Cristo, atualizado pelo Espírito Santo (SÁBADO: «Foi o Senhor que te ungiu»). Ao longo deste ano litúrgico estamos a insistir na temática da luz, tendo por base textos do profeta Isaías. No Advento colocamos diante de nós um desafio: «Caminhemos à luz do Senhor». No Natal tivemos oportunidade de acolher «uma grande luz». Agora, continuaremos a seguir a luz, como «o grande dom trazido por Jesus», a «luz da fé» como a designa o papa Francisco, na sua primeira Encíclica. Será através dela que vamos refletir nos próximos domingos. 
O Batismo dá-te força e luz. Sentes-te iluminado, com a luz que vem de Jesus Cristo?



Segunda, 13 – 1Samuel 1, 1-8: ANA

Ana é esposa de Elcana que tem uma segunda mulher, Fenena. Esta tem dois filhos; Ana é estéril. Fenena serve-se desta situação para ofender Ana com as suas palavras. É o início do Primeiro Livro de Samuel que dá o «pontapé de saída» para o desenvolvimento da História da Salvação. Estamos a cerca de dez séculos de Jesus Cristo. Prepara-se uma viragem na história do povo bíblico. O período dos «juízes» está a terminar para dar lugar ao tempo dos Reis e dos profetas! O texto começa com a referência à situação delicada em que se encontra Ana. Numa situação desfavorável, «Ana chorava e não comia». Será que vai desistir?



Terça, 14 – 1Samuel 1, 9-20: SAMUEL

Ana entra no santuário para expor diante de Deus toda a sua dor e tristeza. Até o sacerdote Heli a vai tomar por uma vadia e embriagada. Mas a fé desta mulher é forte. Ela ousa esperar tudo de Deus, mesmo que possa ser desprezada e rejeitada. E diz: «o excesso da minha dor e da minha aflição é que me fez falar até agora». A atitude de Ana é surpreendente. Apesar do sarcasmo de Fenena e das recriminações de Heli, espera tudo de Deus. O excesso da sua dor não a desencoraja, mas projeta-a para o coração de Deus. «O Senhor lembrou-se dela. Ana concebeu e, decorrido o tempo, deu à luz um filho, a quem deu o nome de Samuel».



Quarta, 15 – 1Samuel 3, 1-10.19-20: AQUI ESTOU!

É impressionante a disponibilidade de Samuel. Mal se sente chamado, levanta-se. Nunca hesita. Repete-o três vezes com a mesma diligência. O texto revela-nos que Samuel ainda não conhecia o Senhor. E nós conhecêmo-lo? Com a ajuda do seu mestre (Heli), Samuel coloca-se à escuta de Deus. Fixemo-nos nas qualidades de Samuel: prontidão, dedicação, disponibilidade, confiança, acolhimento, disponibilidade e escuta. Trata-se de um apelo que brota do interior. Não se sabe muito bem de onde vem, mas também não é o mais importante. O principal está na resposta. «Aqui estou! Falai, Senhor, que o vosso servo escuta»!



Quinta, 16 – 1Samuel 4, 1-11: VENCIDOS

Os filisteus eram inimigos de Israel devido a questões territoriais. Habitavam nas cidades de Gaza, Áscalon, Asdod, Gat e Ecron, na costa sudoeste. Na tradição daquela época e cultura, a guerra entre os povos eram ao mesmo tempo uma guerra entre «deuses». Neste caso, a guerra entre filisteus e israelitas era a guerra, na ótica bíblica, uma guerra entre Deus e os ídolos. «Os israelitas foram vencidos». Terá sido também vencido o Deus de Israel? A vontade de manipular Deus em seu favor transformou-se em derrota do povo de Israel.



Sexta, 17 – 1Samuel 8, 4-7.10-22a: UM REI

O povo quer um rei. Samuel fica irritado e enumera todas as consequências negativas relacionadas com a realeza. Não há nada a fazer: as outras nações têm um rei; Israel também quer um rei. Deus não se opõe: «Faz o que eles querem e dá-lhes um rei». Não é isso que acontece, hoje, connosco? Deus não se opõe às nossas decisões. Deixa-nos livres, mesmo quando as consequências das nossas escolhas podem ser nefastas. Queremos ser como os outros. Queremos «um rei» (ídolos). E caímos na tentação de colocar de lado o verdadeiro «Rei» (Deus).



Sábado, 18 – 1Samuel 9, 4-17.19; 10, 1a: SAUL

Saul é «jovem e belo». No entanto, era da tribo de Benjamim, a mais pequena das doze tribos de Israel. Os acontecimentos que conduzem à consagração de Saul como rei de Israel parecem casuais; mas, na realidade, são guiados por Deus. «Foi o Senhor que te ungiu». Saul senta-se no lugar de honra em casa de Samuel. Os acontecimentos da nossa vida podem parecem casuais; mas, na realidade, são guiados por Deus. «Foi o Senhor que te ungiu». No Batismo, somos consagrados como «filhos de Deus».



© Laboratório da fé, 2014

Viver o domingo do Batismo de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.1.14 | Sem comentários
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