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«Um livro que explora o essencial daquilo que faz a vida de família»


A vida conjugal


Christine Ponsard, mãe de família e jornalista, escreveu uma obra intitulada «A fé em família» (ed. Paulinas, Prior Velho 2007) onde apresenta referências e conselhos sobre um grande número de questões que preocupam as famílias cristãs.

No segundo capítulo, aborda o tema da vida conjugal, tendo como base o casamento, «fundamento da família». A autora refere-se ao casamento como um acontecimento para toda a vida, «como um tesouro imenso, em que os esposos podem vir beber». E acrescenta: «Tomemos o hábito de falar do matrimónio e de dar testemunho do nosso casamento como de uma força para todos os dias, como de um Amor que alimenta o nosso amor» (34).
Na mesma linha, aborda as palavras pronunciadas no dia do casamento, para esclarecer que «os esposos são um presente um para o outro, um pelo outro. [...] Todas as manhãs, Deus oferece-me o meu cônjuge como um dom de amor, todas as manhãs, Ele convida-me a recebê-lo como esposo» (35).
O terceiro ponto do capítulo é dedicado ao «CPR» do casamento: Conversar, Perdoar, Rezar.
«Poder-se-á dizer tudo entre os esposos?» — pergunta Christine Ponsard a finalizar este segundo capítulo. O tema da comunicação entre o casal, como fator de comunhão, domina a reflexão: «É sensato marcar encontros, mesmo quando os dois cônjuges se veem todos os dias! Esses encontros podem ser simplesmente uma noite por semana, na qual, custe o que custar, se recusa qualquer reunião e qualquer convite; um fim de semana por trimestre, em que se pede a alguém que fique com os filhos, para se poder estar a sós; alguns dias de férias, como uma pequena viagem de núpcias, renovada cada ano» (40).

© Laboratório da fé, 2013


  • Outros capítulos analisados no Laboratório da fé > > >

Postado por Anónimo | 16.5.13 | Sem comentários

Peregrinação ao túmulo de Pedro

As famílias de todo o mundo estão convocadas a peregrinar a Roma, ao túmulo de Pedro, pela ocasião do Ano da Fé. Este acontecimento, que decorrerá a 26 e 27 de outubro, insere-se no conjunto das iniciativas propostas para o Ano da Fé, proclamado pelo papa Bento XVI.
«O próprio título do evento — «Família, vive a alegria da fé! Peregrinação das famílias ao túmulo de Pedro no Ano da Fé» — ajuda a compreender que esta peregrinação será uma ocasião alegre para a partilha entre as famílias do mundo inteiro. Acompanhadas também pelos filhos e pelos avós, as famílias são convidadas a dar testemunho da sua fé com alegria e confiança, precisamente no túmulo de Pedro, primeiro confessor de Cristo. De facto, a importância da família como lugar privilegiado de transmissão da fé leva-nos a rezar e a refletir sobre o valor da família e a ser testemunhas da nossa fé em todo o mundo», pode ler-se no portal na internet do Pontifício Conselho para a Família.

VIII Encontro Mundial das Famílias

O Conselho Pontifício para a Família e a arquidiocese de Filadélfia (Estados Unidos da América) anunciaram a realização do VIII Encontro Mundial das Famílias, entre os dias 22 a 27 de setembro de 2015, naquela diocese norte-americana. O tema ainda não foi apresentado, mas já existe uma página na internet e nas redes sociais onde se pode acompanhar as primeiras informações: www.worldmeeting2015.org — www.facebook.com/WorldMeeting2015 — twitter.com/WMF2015
O Encontro Mundial das Famílias foi criado pelo Beato João Paulo II, em 1994, para fortalecer os laços sagrados da família em todo o mundo. Cada Encontro Mundial realiza-se numa diocese e tem um tema, que pretende proclamar a boa notícia da família e destacar o seu valor fundamental para o bem da sociedade.

  • I Encontro Mundial das Famílias
      • 1994 — Roma, Itália 
  • II Encontro Mundial das Famílias
    • A família: dom e compromisso, esperança da humanidade > > >
      • 1997 — Rio de Janeiro, Brasil 
  • III Encontro Mundial das Famílias
    • Os filhos: primavera da família e da sociedade > > >
      • 2000 — Roma, Itália
  • IV Encontro Mundial das Famílias
    • A família cristã, boa nova para o terceiro milénio > > >
      • 2003 — Manila, Filipinas
  • V Encontro Mundial das Famílias 
    • A transmissão da fé na família > > >
      • 2006 — Valência, Espanha
  • VI Encontro Mundial das Famílias
    • A família, formadora nos valores humanos e cristãos > > >
      • 2009 — México, México
  • VII Encontro Mundial das Famílias
    • Família: o trabalho e a festa > > >
      • 2012 — Milão, Itália
  • VIII Encontro Mundial das Famílias
      • 2015 — Filadélfia, Estados Unidos da América
Filadélfia, 2015 — Encontro Mundial das Famílias
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.13 | Sem comentários

Encontro Mundial das Famílias: Jubileu das Famílias

Em Roma, Itália: outubro de 2000


No Ano 2000, para celebrar o Jubileu da Encarnação, o papa João Paulo II, promoveu vários encontros setoriais a que deu também o nome de «Jubileu». Assim decorreu o III Encontro Mundial das Famílias (outubro de 2000, em Roma, Itália) como «Jubileu das Famílias». No discurso de acolhimento, o Papa recordou o tema do encontro — «Os filhos: primavera da família e da sociedade» — explicitando que «os filhos são 'primavera' [...], representam o florescimento do amor conjugal». As dificuldades vividas pelas crianças motivadas pelas mais diversas causas foram também abordadas: «às vezes os filhos são sentidos mais como uma ameaça do que como uma dádiva». Também em relação às famílias em crise, «desfeitas», João Paulo II recordou que «a Igreja não se sente chamada a expressar um juízo severo e desinteressado, mas antes a fazer penetrar a luz da palavra de Deus em tantos dramas humanos, acompanhada do testemunho da sua misericórdia». Por fim, convidou os pais e as mães a proclamarem sempre o «valor da família e o respeito da vida humana».

1. É com grande alegria que vos dou as boas-vindas, caríssimas famílias aqui reunidas das mais diversificadas regiões do mundo! Saúdo também as famílias que, debaixo de todos os céus, se encontram agora unidas a nós mediante a rádio e a televisão, associando-se a este Jubileu das Famílias. [...]
Recentemente, tive a alegria de ir como peregrino a Nazaré, o lugar onde o Verbo se fez carne. Nessa visita levei todos vós no meu coração, rezando com ardor por vós à Sagrada Família, sublime modelo de todas as famílias.
E é precisamente o clima espiritual da Casa de Nazaré que desejamos reviver nesta noite. O grande espaço que nos congrega, entre a Basílica e a colunata de Bernini, serve-nos de casa, uma grande casa ao ar livre. Aqui reunidos como uma verdadeira família, «um só coração e uma só alma» (cf. Atos 4, 32), podemos intuir e fazer nosso o sabor doce e íntimo daquela casa humilde, onde Maria e José viviam entre oração e trabalho, e Jesus «lhes era submisso» (Lucas 2, 51), tomando gradualmente parte na vida comum.
2. Olhando para a Sagrada Família, casais cristãos, sois estimulados a interrogar-vos acerca das tarefas que Cristo vos confia, na vossa maravilhosa e comprometedora vocação.
Por isso, o tema do vosso Jubileu — «Os filhos: primavera da família e da sociedade» — pode oferecer-vos sugestões significativas. Não são precisamente as crianças que fazem uma espécie de «exame» contínuo aos pais? Não o fazem apenas com os seus frequentes «por quê?», mas com o seu próprio rosto, ora risonho, ora velado pela tristeza. Como que inscrito em todo o seu modo de ser há um interrogativo, que se exprime das maneiras mais diversas, por vezes mesmo através dos caprichos, e que poderíamos traduzir em perguntas como estas: mãe, pai, amais-me? Sou verdadeiramente um dom para vós? Aceitais-me como sou? Esforçais-vos por fazer sempre o meu bem genuíno?
Talvez estas perguntas se façam mais com os olhos que com as palavras, mas elas obrigam os pais à sua grande responsabilidade e, de certa forma, são-lhes o eco da voz de Deus.
3. Os filhos são «primavera»: qual é o significado desta metáfora escolhida para o vosso Jubileu? Ela leva-nos para aquele horizonte de vida, de cores, de luz e de cântico que é próprio da estação primaveril. Os filhos são tudo isto por natureza. Eles são a esperança que continua a florescer, um projecto que recomeça permanentemente, o porvir que se abre de forma incessante.
Representam o florescimento do amor conjugal, que neles se encontra e se consolida. Ao nascerem, trazem uma mensagem de vida que, em última análise, remete para o próprio Autor da vida. Necessitados de tudo como eles são, de maneira especial nas primeiras fases da existência, constituem naturalmente um apelo à solidariedade.
Não foi por acaso que Jesus convidou os discípulos a terem um coração de crianças (cf. Marcos 10, 13-16). Dilectas famílias, hoje quereis dar graças pelo dom dos filhos e, ao mesmo tempo, receber a mensagem que Deus vos transmite através da sua existência.
4. Infelizmente, como bem sabemos, a situação das crianças no mundo nem sempre é aquela que deveria ser. Em muitas regiões, e paradoxalmente nos países de maior bem-estar, ter filhos tornou-se uma opção decidida com grande perplexidade, muito além da prudência que é justamente necessária para uma procriação responsável. Dir-se-ia que às vezes os filhos são sentidos mais como ameaça que como dádiva.
Depois, o que dizer do outro triste cenário da infância ultrajada e explorada, para o qual chamei a atenção inclusivamente na Carta às Crianças?
Porém, nesta noite encontrais-vos aqui para dar testemunho da vossa convicção, fundamentada na confiança em Deus, de que é possível inverter esta tendência. Estais aqui reunidos para uma «festa da esperança», fazendo vosso o «realismo» concreto desta virtude cristã fundamental.
5. Com efeito, a situação das crianças constitui um desafio para a sociedade inteira, um desafio que interpela diretamente as famílias. Ninguém mais que vós, estimados pais, pode constatar quanto é essencial para os filhos poderem contar convosco, com ambas as vossas figuras paterna e materna na complementaridade dos vossos dons. Não, não é um passo em frente na civilização secundar tendências que obscurecem esta verdade elementar e pretendem afirmar-se também a nível legal.
Não são porventura as crianças já demasiado penalizadas pelo flagelo do divórcio? Como é triste para uma criança ter de se resignar a dividir o seu amor entre pais em conflito! Muitos filhos ficarão psicologicamente marcados para sempre devido à provação a que a divisão dos pais os submeteram.
6. Diante de inúmeras famílias desfeitas, a Igreja não se sente chamada a expressar um juízo severo e desinteressado, mas antes a fazer penetrar a luz da palavra de Deus em tantos dramas humanos, acompanhada do testemunho da sua misericórdia. Este é o espírito com que a pastoral familiar procura enfrentar também as situações dos fiéis que divorciaram e voltaram a casar-se. Eles não são excluídos da comunidade; pelo contrário, são convidados a participar na sua vida, percorrendo um caminho de crescimento no espírito das exigências evangélicas. Sem deixar de lhes revelar a verdade acerca da desordem moral objectiva em que se encontram e das consequências que daí derivam para a prática sacramental, a Igreja pretende demonstrar-lhes toda a sua proximidade maternal.
Cônjuges cristãos, estai certos disto: o Sacramento do matrimónio garante-vos a graça necessária para perseverardes no amor recíproco, do qual os vossos filhos têm tanta necessidade quanto do pão.
Hoje sois chamados a interrogar-vos sobre esta profunda comunhão entre vós, enquanto pedis a abundância da misericórdia divina.
7. Ao mesmo tempo, não podeis evitar o interrogativo essencial sobre a vossa missão de educadores. Tendo dado a vida aos vossos filhos, estais comprometidos também em acompanhá-los nas orientações e opções de vida, da maneira apropriada à sua idade, garantindo-lhes todos os seus direitos.
No nosso tempo, o reconhecimento dos direitos da criança conheceu um progresso indubitável, mas ainda é motivo de aflição a negação prática destes direitos, como se manifesta em numerosos e terríveis atentados contra a sua dignidade. É preciso vigiar, a fim de que o bem da criança seja colocado sempre em primeiro lugar. Desde o momento em que se deseja ter um filho. A tendência a recorrer a práticas moralmente inaceitáveis na geração trai a absurda mentalidade de um «direito ao filho», que tomou o lugar do justo reconhecimento de um «direito do filho» a nascer e depois a crescer de maneira plenamente humana. Como é diversa e meritória, ao contrário, a prática da adopção! Um verdadeiro exercício de caridade, que visa o bem dos filhos antes das exigências dos pais.
8. Caríssimos, comprometamo-nos com todas as nossas forças, em defender o valor da família e o respeito da vida humana, desde o momento da conceção. Trata-se de valores que pertencem à «gramática» fundamental do diálogo e da convivência humana entre os povos. Formulo votos veementes por que tanto os governos e os parlamentos nacionais como as Organizações internacionais e, de modo particular, a Organização das Nações Unidas, não deixem que esta verdade se extravie. A todos os homens de boa vontade, que acreditam nestes valores, peço que unam eficazmente os próprios esforços, para que eles prevaleçam na prática da vida, nas orientações culturais e nos mass media, nas opções políticas e nas legislações dos povos.
9. A vós, queridas mães, que tendes dentro de vós um instinto incoercível pela defesa da vida, dirijo um sentido apelo: sede sempre fonte de vida, nunca de morte!
A vós, pais e mães, digo: fostes chamados para a excelsa missão de colaborar com o Criador na transmissão da vida (cf. Carta às Famílias, 8); não tenhais medo da vida! Proclamai juntos o valor da família e da vida, pois sem estes valores, não há um futuro digno do homem!
O maravilhoso espectáculo das vossas tochas acesas nesta Praça vos acompanhe por muito tempo, como um sinal d'Aquele que é a Luz e vos chama a iluminar com o vosso testemunho o caminho da humanidade pelas vias do novo milénio!

© Copyright 2000 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

Papa João Paulo II
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.13 | Sem comentários

Encontro Mundial das Famílias

Em Valência, Espanha: julho de 2006


No V Encontro Mundial das Famílias (2006, em Valência, Espanha), o Papa Bento XVI começou a homilia da eucaristia de encerramento por destacar a família como «comunidade de gerações e garante de um património de gerações». Depois, apresentou o nascimento como fruto de uma projeto amoroso de Deus e não uma «casualidade». Nesse contexto, introduziu o tema da transmissão da fé no contexto familiar: «A família cristã transmite a fé quando os pais ensinam os seus filhos a rezar e rezam com eles; quando os aproximam dos sacramentos e os vão introduzindo na vida da Igreja; quando todos se reúnem para ler a Bíblia, iluminando a vida familiar à luz da fé e louvam a Deus como Pai». Por fim, assinalou o matrimónio entre um homem e uma mulher como a «origem da família».

Queridos irmãos e irmãs!
Nesta Santa Missa que tenho a imensa alegria de presidir, concelebrando com numerosos Irmãos no Episcopado e com um grande número de sacerdotes, dou graças ao Senhor por todas as amadas famílias que se reuniram aqui formando uma multidão jubilosa, e também por muitas outras que, de terras longínquas, seguem esta celebração através da rádio e da televisão. Desejo saudar-vos a todos e expressar-vos o meu grande afecto com um abraço de paz.
Os testemunhos de Ester e Paulo, que ouvimos antes nas leituras, mostram como a família está chamada a colaborar na transmissão da fé. Ester confessa: "No seio da família, ouvi desde criança, Senhor, escolheste Israel entre todos os povos" (4, 16). Paulo segue a tradição dos seus antepassados judeus prestando culto a Deus com consciência pura. Louva a fé sincera de Timóteo e recorda-lhe: "a tua fé, que se encontrava já na tua avó, Loide, e na tua mãe Eunice e que, estou seguro, se encontre também em ti" (2 Tm 1, 5). Nestes testemunhos bíblicos a família compreende não só pais e filhos, mas também avós e antepassados. Assim, a família apresenta-se-nos como uma comunidade de gerações e garante de um património de tradições.
Nenhum homem se deu o ser a si mesmo nem adquiriu sozinho os conhecimentos elementares da vida. Todos recebemos de outros a vida e as verdades básicas para ela, e estamos chamados a alcançar a perfeição em relação e comunhão amorosa com os demais. A família, fundada no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher, expressa esta dimensão relacional, filial e comunitária, e é o âmbito no qual o homem pode nascer com dignidade, crescer e desenvolver-se de maneira integral.
Quando uma criança nasce, através do relacionamento dos seus pais começa a fazer parte de uma tradição familiar, que tem raízes muito mais antigas. Com o dom da vida recebe todo um património de experiência. A este respeito, os pais têm o direito e o dever inalienável de o transmitir aos filhos: educá-los no descobrimento da sua identidade, introduzi-los na vida social, na prática responsável da sua liberdade moral e da sua capacidade de amar através da experiência de serem amados e, sobretudo, no encontro com Deus. Os filhos crescem e maturam humanamente na medida em que acolhem com confiança esse património e essa educação que vão assumindo progressivamente.
Deste modo são capazes de elaborar uma síntese pessoal entre o que receberam e o que é novo, e que cada indivíduo e geração estão chamados a realizar.
Na origem de todos os homens e, por conseguinte, em qualquer paternidade e maternidade humana está presente Deus Criador. Por isso os esposos devem acolher a criança que nasce como filho que não é unicamente seu, mas também de Deus, que o ama por si mesmo e o chama à filiação divina. Contudo, qualquer geração, qualquer paternidade e maternidade, e qualquer família tem o seu princípio em Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo.
A Ester, seu pai tinha transmitido, com a memória de seus antepassados e do seu povo, a de um Deus do qual todos procedem e ao qual todos estão chamados a responder. A memória de Deus Pai que elegeu o seu povo e que actua na história para a nossa salvação. A memória deste Pai ilumina a identidade mais profunda dos homens: de onde vimos, quem somos e quanto é grande a nossa dignidade. Certamente, provimos de nossos pais e somos seus filhos, mas também vimos de Deus, que nos criou à sua imagem e nos chamou para sermos seus filhos. Por isso, na origem de todo o ser humano não existe a sorte ou a casualidade, mas um projecto de amor de Deus. Foi o que nos revelou Jesus Cristo, verdadeiro Filho de Deus e homem perfeito. Ele sabia de quem provinha e de quem provimos todos: do amor de seu Pai e nosso Pai.
Portanto, a fé não é uma mera herança cultural, mas uma acção contínua da graça de Deus que chama e da liberdade humana que pode ou não aderir a essa chamada. Mesmo se ninguém responde por outro, sem dúvida os pais cristãos estão chamados a dar um testemunho crível da sua fé e esperança cristã. Devem preocupar-se por que a chamada de Deus e a Boa Nova de Cristo cheguem aos seus filhos com a maior clareza e autenticidade.
Com o passar dos anos, este dom de Deus que os pais contribuíram para apresentar aos olhos dos pequeninos, também precisará de ser cultivado com sabedoria e doçura, fazendo crescer neles a capacidade de discernimento. Deste modo, com o testemunho constante do amor conjugal dos pais, vivido e impregnado de fé, e com o acompanhamento comprometido da comunidade cristã, será favorecido que os filhos façam seu o dom da fé, descubram com ela o sentido profundo da própria existência e se sintam alegres e gratos por isso.
A família cristã transmite a fé quando os pais ensinam os seus filhos a rezar e rezam com eles (cf. A família cristã no mundo de hoje, 60); quando os aproximam dos sacramentos e os vão introduzindo na vida da Igreja; quando todos se reúnem para ler a Bíblia, iluminando a vida familiar à luz da fé e louvam a Deus como Pai.
Na atual cultura exalta-se com muita frequência a liberdade do indivíduo concebido como pessoa autónoma, como se ele se tivesse feito sozinho e se bastasse a si mesmo, à margem da sua relação com os demais e sem o sentido da responsabilidade para com o próximo. Procura-se organizar a vida social só a partir de desejos subjectivos e transitórios, sem qualquer referência a uma verdade objetiva prévia como a dignidade de cada ser humano e os seus deveres e direitos inalienáveis, a cujo serviço deve estar todo o grupo social.
A Igreja não cessa de recordar que a verdadeira liberdade do ser humano deriva do facto de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso, a educação cristã é educação da liberdade e para a liberdade. «Nós realizamos o bem não como escravos, que não são livres de agir de outra forma, mas fazemo-lo porque temos pessoalmente a responsabilidade pelo mundo; porque amamos a verdade e o bem, porque amamos o próprio Deus e portanto também as suas criaturas. Esta é a liberdade verdadeira, para a qual o Espírito Santo nos quer conduzir» (Homilia na Vigília de Pentecostes).
Jesus Cristo é o homem perfeito, exemplo de liberdade filial, que nos ensina a comunicar aos demais o seu próprio amor: «Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor» (João 15, 9). A este propósito o II Concílio do Vaticano ensina que «os cônjuges e pais cristãos, seguindo o seu próprio caminho, se ajudem mutuamente a conservar a graça no decorrer de toda a sua vida, numa grande fidelidade de amor, e que eduquem na doutrina cristã e nas virtudes evangélicas a prole que receberem amorosamente de Deus. Oferecem, assim, a todos o exemplo de um amor incansável e generoso, constróem a fraternidade da caridade e apresentam-se como testemunhas e cooperadores da fecundidade da Mãe Igreja, como símbolo e participação do amor com que Cristo amou a sua Esposa e por Ela se entregou» (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 41).
A alegria amorosa com que os nossos pais nos acolheram e acompanharam nos primeiros passos neste mundo é como um sinal e prolongamento sacramental do amor benevolente de Deus, do qual procedemos. A experiência de sermos acolhidos e amados por Deus e pelos nossos pais é a base sólida que favorece sempre o crescimento e desenvolvimento autênticos do homem, que tanto nos ajuda a amadurecer no caminho para a verdade e para o amor, e a sairmos de nós mesmos para entrarmos na comunhão com o próximo e com Deus.
Para progredir nesse caminho de maturidade humana, a Igreja ensina-nos a respeitar e a promover a maravilhosa realidade do matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher, que é, além disso, a origem da família. Portanto, reconhecer e ajudar esta instituição é um dos maiores serviços que se possam prestar hoje ao bem comum e ao verdadeiro desenvolvimento dos homens e das sociedades, assim como a melhor garantia para assegurar a dignidade, a igualdade e a verdadeira liberdade da pessoa humana.
Neste sentido, desejo realçar a importância e o papel positivo que realizam as diversas associações familiares eclesiais em favor do matrimónio e da família. Por isso, «desejo convidar todos os cristãos a colaborar, carinhosa e corajosamente, com todos os homens de boa vontade, que vivem a responsabilidade própria no serviço à família» (A família cristã no mundo de hoje, 86), para que unindo as suas forças e com uma pluralidade legítima de iniciativas, contribuam para a promoção do verdadeiro bem da família na sociedade atual.
Voltemos por um momento à primeira leitura desta Missa, tirada do livro de Ester. A Igreja orante viu nesta humilde rainha, que intercede com todo o seu ser pelo seu povo que sofre, uma prefiguração de Maria, que seu Filho nos deu a todos como Mãe; uma prefiguração da Mãe, que protege com o seu amor a família de Deus que peregrina neste mundo. Maria é a imagem exemplar de todas as mães, da sua grande missão como guardiãs da vida, da sua missão de ensinar a arte de viver, a arte de amar.
A família cristã pai, mãe, filhos está portanto chamada a cumprir os objectivos assinalados não como algo imposto de fora, mas como um dom da graça do sacramento do matrimónio infundida nos esposos. Se eles permanecerem abertos ao Espírito e pedirem a sua ajuda, ele não deixará de lhes comunicar o amor de Deus Pai manifestado e encarnado em Cristo. A presença do Espírito ajudará os esposos a não perder de vista a fonte e medida do seu amor e entrega, e a colaborar com ele para o reflectir e encarnar em todas as dimensões da sua vida. Desta forma, o Espírito suscitará neles o anseio do encontro definitivo com Cristo na casa de seu Pai e nosso Pai. É esta a mensagem de esperança que, de Valência, quero fazer chegar a todas as famílias do mundo. Amém!

© Copyright 2006 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

Papa Bento XVI, V Encontro Mundial das Famílias - Valência, Espanha - 2009
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.13 | Sem comentários

Encontro Mundial das Famílias

No México: janeiro de 2009


No VI Encontro Mundial das Famílias (2009, no México), o Papa Bento XVI proferiu um discurso por video-conferência, tendo começado por destacar a importância da santidade na família, alicerçada na confiança em Deus e no vigor da fé, que se alimenta da Palavra. Referiu-se também à família como «fundamento indispensável para a sociedade», destacando-a como «escola de humanidade e de valores». E acrescentou: «É no lar que se aprende a viver verdadeiramente, a valorizar a vida e a saúde, a liberdade e a paz, a justiça e a verdade, o trabalho, a concórdia e o respeito». A terminar, dedicou uma palavra às famílias numerosas e a todas as que vivem dificuldades, inclusive por causa da fé.

[...] Hoje, através dos meios de comunicação, peregrinei espiritualmente até esse Santuário mariano, coração do México e de toda a América, para confiar a Nossa Senhora de Guadalupe todas as famílias do mundo.
2. Este Encontro Mundial das Famílias quis animar os lares cristãos, a fim de que os seus membros sejam pessoas livres e ricas de valores humanos e evangélicos, a caminho da santidade, que é o melhor serviço que nós cristãos podemos oferecer à sociedade actual. A resposta cristã diante dos desafios, que a família e a vida humana em geral devem enfrentar, consiste em refortalecer a confiança no Senhor e o vigor que brota da própria fé, que se alimenta da escuta atenta da Palavra de Deus. Como é bonito reunir-se em família, para permitir que Deus fale ao coração dos seus membros através da sua Palavra viva e eficaz! Na oração, de forma especial mediante a recitação do Rosário como se fez ontem, a família contempla os mistérios da vida de Jesus, interioriza os valores que medita e sente-se chamada a encarná-los na sua vida.
3. A família é um fundamento indispensável para a sociedade e os povos, assim como um bem insubstituível para os filhos, dignos de vir à vida como fruto do amor, da entrega total e generosa dos pais. Como pôs em evidência Jesus, honrando a Virgem Maria e São José, a família ocupa um lugar primário na educação da pessoa. É uma verdadeira escola de humanidade e de valores perenes. Ninguém se deu a vida a si mesmo. Recebemos de outros a vida, que se desenvolve e amadurece com as verdades e os valores que aprendemos no relacionamento e na comunhão com os demais. Neste sentido, a família fundada no matrimónio indissolúvel entre um homem a uma mulher expressa esta dimensão de relacionamento, filial e comunitária, e é o âmbito onde o homem pode nascer com dignidade, crescer e desenvolver-se de maneira integral (cf. Homilia na Santa Missa por ocasião do V Encontro Mundial das Famílias, Valença, 9 de Julho de 2006).
No entanto, esta obra educativa é dificultada por um conceito errado de liberdade, em que o capricho e os impulsos subjectivos do indivíduo são exaltados a ponto de deixar cada um encerrado na prisão do próprio ego. A verdadeira liberdade do ser humano provém do facto de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus, e por isso deve ser exercida com responsabilidade, optando sempre pelo bem verdadeiro, a fim de que se transforme em amor, em dom de si mesmo. Para isto, mais do que teorias são precisos a proximidade e o amor característicos da comunidade familiar. É no lar que se aprende a viver verdadeiramente, a valorizar a vida e a saúde, a liberdade e a paz, a justiça e a verdade, o trabalho, a concórdia e o respeito.
4. Hoje mais do que nunca são necessários o testemunho e o compromisso público de todos os baptizados, para reafirmar a dignidade e o valor único e insubstituível da família fundada no matrimónio de um homem com uma mulher e aberto à vida, assim como da vida humana em todas as suas etapas. Devem-se promover também medidas legislativas e administrativas que ajudem as famílias nos seus direitos inalienáveis, necessários para dar continuidade à sua missão extraordinária. Os testemunhos apresentados na celebração de ontem mostram que também hoje a família pode manter-se firme no amor de Deus e renovar a humanidade no novo milénio.
5. Desejo manifestar a minha proximidade e assegurar a minha oração por todas as famílias que dão testemunho de fidelidade em circunstâncias particularmente árduas. Encorajo as famílias numerosas que, vivendo às vezes no meio de contrariedades e incompreensões, dão um exemplo de generosidade e confiança em Deus, desejando que não lhes faltem as ajudas necessárias. Penso inclusive nas famílias que sofrem por causa da pobreza, da enfermidade, da marginalização ou da emigração. E de maneira muito especial nas famílias cristãs que são perseguidas por causa da sua fé. O Papa está muito próximo de todos vós e acompanha-vos no vosso esforço de cada dia. [...]

7. Confio todas as famílias do mundo à protecção da Santíssima Virgem, tão venerada na nobre terra mexicana, sob a denominação de Guadalupe. A Ela, que nos recorda sempre que a nossa felicidade consiste em cumprir a vontade de Cristo (cf. João 2, 5), digo-lhe agora:

Santíssima Mãe de Guadalupe,
que manifestaste o teu amor e a tua ternura
aos povos do continente americano,
enche de alegria e de esperança todos os povos
e todas as famílias do mundo.

A ti, que precedes e orientas o nosso caminho de fé
para a pátria eterna,
confiamos as alegrias, os projectos,
as preocupações e os anseios de todas as famílias.

Ó Maria,
a ti recorremos, confiando na tua ternura de Mãe.
Não desatendas as súplicas que te dirigimos
por todas as famílias do mundo,
neste período crucial da história,
aliás, acolhe todos nós no teu Coração de Mãe
e acompanha-nos no nosso caminho para a pátria celestial.
Amém!

© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

Papa Bento XVI, 2013



Postado por Anónimo | 15.5.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


Quando a criança recebe, desde a sua primeira infância, orientações voltadas para os valores cristãos, isso faz com que ela cresça praticando as virtudes e os ensinamentos de Jesus, de modo natural. E, esta orientação deve ser feita inicialmente pelos pais, no dia a dia, constantemente, sem desânimo e acreditando que não só as palavras, mas principalmente as atitudes são mais perceptíveis aos olhos dela. E, depois, estas orientações e exemplos devem continuar na catequese, lembrando o que pediu o Senhor: Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino dos céus! (Marcos 10,14).
O Evangelho, que é a Palavra do próprio Deus para os humanos, não é uma teoria distante, mas uma orientação de como viver a prática do amor e, por isso, precisa de ser vivido e praticado. É como uma cartilha que aponta o caminho a seguir para encontrar a felicidade.
A partir do momento em que a criança é inserida, pelo batismo, numa comunidade cristã, precisa de aprender a viver em coerência com os princípios que orientam a comunidade, pois a violência e a falta de caráter, por exemplo, são frutos de uma formação indiferente aos valores cristãos. Segundo São Tomás de Aquino: O pai é princípio da geração, da educação e da disciplina, de tudo o que se refere ao aperfeiçoamento da vida humana.
E segundo a Declaração sobre a Educação Cristã — «Gravissimum Educationis» —, promulgada no II Concílio do Vaticano, «as crianças têm direito de serem estimuladas a estimar retamente os valores morais e a abraçá-los pessoalmente, bem como a conhecer e a amar Deus mais perfeitamente».
Os valores cristãos devem ser conhecidos pelas crianças para que, através da prática, se tornem cristãs de verdade. Contrariando o provérbio que diz que «o hábito não faz o monge», é importante acreditar que os hábitos cristãos tornam as pessoas cristãs sim, pois, as suas atitudes revelam o seu caráter e a sua integridade, a sua crença e a sua fé, ou seja, aquilo que ela é de facto.
No Discurso à Comunidade do Caminho Neocatecumenal, em 20 de janeiro de 2012, o Papa Bento XVI disse: «Amadas famílias, a Igreja agradece-vos; ela tem necessidade de vós para a nova evangelização. A família é uma célula importante para a comunidade eclesial, onde as pessoas se formam para a vida humana e cristã... É com grande alegria que vejo os vossos filhos, tantas crianças que olham para vós, para o vosso exemplo... Convido-vos a não ter medo: quem leva o Evangelho nunca está sozinho». Isto vem reforçar a importância da prática dos ensinamentos e valores cristãos na vida dos pequeninos que olham para os seus pais como um caminho a seguir, a fim de que cresçam fortes na fé e solidários aos apelos do mundo e dos menos favorecidos, seguindo os exemplos de Jesus Cristo.

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.5.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


São Paulo escreve na Carta aos Romanos: «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Romanos 10, 10). Mas como fazer desabrochar a fé desde a infância?
Na Carta Apostólica «A Porta da Fé» — «Porta Fidei» (PF) —, escrita pelo Papa Bento XVI para o «Ano da Fé» (2012-2013), podemos ler que, a «fé, que atua pelo amor» (Gálatas 5, 6), muda toda a vida do ser humano (PF 6). Ela cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido (PF 7). E o coração indica que o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo de si mesma (PF 10).
Frequentemente, ouvimos pessoas que dizem: eu não sei o que é fé; a minha fé é muito pequena... E, então, podemos perguntar: será que a fé lhe foi transmitida?; como é que a fé foi alimentada ao longo da vida?
Se uma pessoa é batizada e celebra a Festa Eucaristia (Primeira Comunhão) aos dez anos, e só volta à Igreja vinte anos depois para se casar, quão grande será a sua fé? Se a primeira e, porventura, a última vez que teve uma orientação cristã foi na catequese da infância, talvez seja esse o tamanho da sua fé: o tamanho da roupa da Primeira Comunhão. Será que na hora de se casar, a roupa ou a fé estará a condizer com o seu tamanho físico e emocional?
A Declaração sobre Educação Cristã — «Gravissimum Educationis» (GE) —, promulgada no II Concílio do Vaticano, afirma que «os pais devem ser para os seus filhos os primeiros mestres da fé» (GE 2). E o Documento 26 — Catequese Renovada – da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (1983) concorda que «a família cristã, pela graça sacramental do matrimónio tornada como que 'igreja doméstica', é lugar, por excelência, de Catequese, especialmente na primeira infância» (121).
[Em Portugal, os bispos portugueses escreveram no documento «Para que acreditem e tenham vida» (2005): «O despertar para a vida e para a fé, num mesmo movimento, começa desde a infância. Os pais são chamados a comunicar o seu gosto de viver, a sua maravilha perante a vida e a transmitir uma arte de viver em referência ao Evangelho. O seu contributo é insubstituível, porque a fé é uma vida que se comunica, uma osmose que se realiza e não uma doutrina a inculcar»; e ainda: «A família que dá origem à vida tem também a responsabilidade de dar sentido e contribuir para o pleno desenvolvimento dessa existência, enriquecendo-a com o património moral e espiritual que vem do cristianismo».]
Portanto, os pais são os primeiros responsáveis pela transmissão da fé aos seus filhos. Compete-lhes dar os primeiros passos na caminhada cristã, em casa; e depois no encaminhamento para a catequese que é uma educação da fé. E, à Igreja, cabe a responsabilidade de os acolher na iniciação cristã desde bem pequeninos, desde a mais tenra idade, até mesmo antes dos sete anos, tempo em que estão a ser formados o caráter, a personalidade, a afetividade e os valores que serão a base das suas condutas durante a vida; e também inseri-los numa catequese lúdica, orientando-os para a fé, o quanto antes, a partir do encontro com a pessoa de Jesus, Aquele que será o melhor amigo durante toda a vida, introduzindo-os na vida da comunidade e formando-os para uma vida cristã prática e atuante.
Segundo o Documento de Aparecida (2007), assumir essa iniciação cristã exige não só uma renovação de modalidade catequética da paróquia, mas também desenvolver uma catequese que seja permanente, que continue o processo de amadurecimento da fé (cf. número 294), além de organizar novas formas que ajude o catequizando a valorizar o sentido da vida juntamente com os sacramentos, a participação na comunidade e o compromisso como cidadão, para que ele tenha a consciência de ser sal e fermento no mundo, com uma identidade cristã forte e segura (cf. número 286).

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.5.13 | Sem comentários
— Rachel Lemos Abdalla —

A humanidade inteira é chamada a viver como os primeiros cristãos, conforme está escrito no livro dos Atos dos Apóstolos (2, 42-47): «Perseverando na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações... unidos e tendo tudo em comum... dividindo segundo a necessidade de cada um... louvando a Deus...».
E é, primeiramente, no seio da família que aprendemos e compreendemos como viver em comunidade. A família é a fonte primeira do Amor de Deus, onde o homem e a mulher cumprem o seu papel de colaboradores na obra da criação, e nela está, também, a semente da fé.
Assim como a semente da vida está inserida no corpo e cresce até estar pronta para gerar nova vida, a semente da fé é inserida pelo Espírito Santo em terra fértil no coração dos homens, no momento do Batismo, e precisa de ser cultivada para crescer e se fortalecer.
Mas o que é a fé? De uma forma simples e clara, podemos dizer que a fé é acreditar na presença e ação de Deus no mundo junto dos homens, na pessoa de Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre.
«O motivo de crer não é o fato de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural. Cremos por causa da autoridade de Deus que revela e que não pode nem enganar-se e nem enganar-nos. Só é possível crer pela graça e auxílio do Espírito Santo, é um dom de Deus, embora seja um ato autenticamente humano» (Catecismo da Igreja Católica, 153-156). «É um dom, porque é Deus que toma a iniciativa e vem até nós; e assim a fé é uma resposta com a qual nós O acolhemos como fundamento estável da nossa vida. É um dom que transforma a existência, porque nos faz entrar na mesma visão de Jesus, o qual age em nós e nos abre ao amor a Deus e aos outros» (O Ano da Fé. A fé da Igreja – Papa Bento XVI – Audiência Geral».
Entendemos que viver a fé é viver coerentemente com os ensinamentos de Jesus, e isso faz parte da orientação cristã que deve ser passada de pai para filho, no quotidiano da vida, na perseverança daquilo em que se acredita, sem se deixar seduzir pelos falsos valores do mundo; e, também, na catequese. Assim, as crianças vão sendo introduzidas dentro da barca de Pedro, ou seja, na Igreja, inseridas na comunidade cristã a partir da experiência na própria família.
Fazemos parte do povo de Deus a caminho, e a Igreja é a nossa casa, onde nos encontramos com os irmãos que partilham a mesma fé, numa mesma comunhão, cuja «dimensão vertical nos remete a Deus e a dimensão horizontal, nos situa entre os homens. E é, ali, na Comunidade eclesial que a fé pessoal cresce e amadurece» (Congregação para a Doutrina da Fé – Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão, 3)
«Num mundo onde o individualismo parece regular as relações entre as pessoas, tornando-as cada vez mais frágeis, a fé chama-nos a ser Povo de Deus, a ser Igreja, portadores do amor e da comunhão de Deus por todo o género humano» (Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo, «Gaudium et spes», 1)
Que as crianças sejam introduzidas na Igreja não apenas para cumprimento de preceito, mas como participantes da vida eclesial, como membros atuantes do povo de Deus, de uma comunidade ativa de discípulos missionários de Cristo, exemplo de amor, de fraternidade, de respeito e de dignidade cristã no mundo.

© Rachel Lemos Abdalla 
Fundadora e Presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor 
— www.pequeninosdosenhor.org — 

© adaptação de Laboratório da fé, 2013



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.2.13 | Sem comentários

«Um livro que explora o essencial daquilo que faz a vida de família»


O que é uma família cristã?


Christine Ponsard, mãe de família e jornalista, escreveu uma obra intitulada «A fé em família» (ed. Paulinas, Prior Velho 2007) onde apresenta referências e conselhos sobre um grande número de questões que preocupam as famílias cristãs.
No primeiro capítulo, a autora coloca a questão: «O que é uma família cristã?». Ao longo do capítulo apresenta as características da família cristã: uma família cristã é uma família de batizados; uma família cristã é uma família de pecadores; uma família cristã sabe que foi salva por Jesus; uma família cristã caminha para Deus (19-20).
«As famílias cristãs são chamadas a pôr toda a sua confiança em Deus: isso não quer dizer ficar à espera, de braços cruzados, que Deus faça o trabalho todo em vez delas! Viver como cristão é rezar, mas também é agir no centro do mundo. [...] A fé não nos dispensa, de modo algum, de adquirir competências para agir de forma eficaz, de arregaçarmos as mangas para trabalhar nesta nossa terra e de nos envolvermos na vida política, na ação sindical, na investigação científica, etc» (21-22).
A terminar o primeiro capítulo, Christine Ponsard desafia as famílias a viver a santidade, «a deixar-se santificar por Deus, para serem o lugar onde cada um poderá tornar-se santo. [...] É, hoje, e não amanhã, que Deus chama os pais a fazer crescer a fé dos seus filhos. [...] O exemplo dado pelos pais é um dos meios mais poderosos de ajudar os filhos a crescer no amor de Deus; o exemplo, nao de esposos perfeitos, mas de esposos que se perdoam e de pais que começam por tentar viver aquilo que ensinam aos seus filhos» (28-29).

© Laboratório da fé, 2012


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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.12.12 | Sem comentários
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