Mostrar mensagens com a etiqueta Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Mostrar todas as mensagens

CELEBRAR O DOMINGO DO CORPO E SANGUE DE JESUS CRISTO


A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo («Corpo de Deus») celebra a «Nova e Eterna Aliança» em Jesus Cristo. Os textos da Escritura propostos na Liturgia da Palavra (Ano B) relatam, progressivamente, o amor de Deus pela Humanidade revelado em termos de «Aliança». No tempo de Moisés, Deus estabelece uma Aliança com o povo (primeira leitura). Mais tarde, anuncia-se uma nova Aliança selada com o sangue de Jesus Cristo (segunda leitura), da qual, a Igreja, novo povo de Deus, faz memória em cada eucaristia (evangelho). Esta é o «sacrifício de louvor» (salmo) que cada um de nós oferece ao Pai em reconhecimento de tão grande amor.

«Faremos tudo o que o Senhor ordenou»
Há dois meses tivemos uma celebração centrada na Eucaristia: a Quinta-feira Santa. A Eucaristia tem suficiente importância e riqueza para lhe serem dedicadas duas celebrações especiais ao longo do ano!
O livro do Êxodo, depois da grande intervenção libertadora de Deus em favor dum povo escravo no Egito, situa a ação junto do monte Sinai. Este monte, o centro literário e teológico da caminhada do povo pelo deserto, tornar-se-à uma referência central para o judaísmo posterior.
Deus pronunciara as «dez palavras» ou «dez mandamentos». O povo compromete-se a obedecer: «Faremos tudo o que o Senhor ordenou». Moisés coloca-o por escrito. A Escritura será capital na experiência religiosa do povo de Israel. É a perpetuação da memória!
O texto da primeira leitura descreve com detalhes o rito da Aliança entre Deus e Israel: Moisés construiu um altar, mandou oferecer novilhos em holocausto (recordemos que a religião de Israel se expressava cultualmente com sacrifícios de animais), derramou metade do sangue dos novilhos sobre o altar e aspergiu o povo com a outra metade. Este sangue tem um papel fundamental: é sinal (selo) da fidelidade à Aliança.
O sangue, na mentalidade do povo bíblico, era portador da vida. Partilhar o sangue é partilhar a vida. Aspergir o sangue sobre as pessoas era implicar a vida do povo no cumprimento da Aliança. Por isso, o autor da Epístola aos Hebreus (segunda leitura) recorreu à imagem do sangue derramado por Jesus Cristo na cruz para expressar a «Nova e Eterna Aliança» entre Deus e a Humanidade.
A Eucaristia é o sacramento central da vida cristã. Escutamos muitas vezes esta afirmação com palavras semelhantes e de muitas e variadas formas. E também escutamos, outras tantas vezes, que a Eucaristia é aborrecida… Como conjugar estas duas experiências que são tão reais e contraditórias? Habitualmente, propõe-se dois caminhos: procura-se aprofundar o sabor teológico da Eucaristia (a sua transcendência e espiritualidade); procura-se que a celebração se torne mais participativa e expressiva. Ambos os caminhos são necessários e devem continuar a ser explorados. Mas é também importante propor a conjugação dos dois: a Eucaristia como uma Aliança vital, uma Aliança onde se dá a conhecer o seu aroma transcendente e onde se exprime a sua fragrância presente na vida quotidiana de cada pessoa.

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo do Corpo e Sangue de Jesus Cristo (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.6.15 | Sem comentários

Palavra para hoje: domingo do corpo e sangue de cristo


No deserto, Deus fica a «conhecer o íntimo do coração» do seu povo. Ao dar-lhe o maná, Deus dá-se ao seu povo. Ao recolher o maná, o povo acolhe o amor de Deus. O mistério continua em Jesus Cristo: «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?». Porque Jesus Cristo é habitado pelo desejo de nos dar a vida, de nos dar a sua vida. Por isso, hoje, a Igreja reza com insistência: «Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção». Assim, o cristão tenha sempre o desejo de acolher e viver a eucaristia como um dom de Deus!

Pergunta da semana: 

A eucaristia é, para mim, um presente de Deus ou uma rotina?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DO CORPO E SANGUE DE CRISTO


As leituras da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo (Ano A) falam-nos de alimento, de pão, de bebida, de verdadeira comida... Mas todas elas têm presente um realidade mais profunda do que o simples significado material destas palavras. As do Antigo Testamento (primeira leitura e salmo responsorial) relacionam o pão com a Palavra de Deus e de como esta é o único alimento que sacia de verdade a «fome e a sede» de sentido que habita no coração humano. A Primeira Carta aos Coríntios (segunda leitura) e o evangelho sugerem-nos o tema da Eucaristia, a presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho eucarísticos.
Paulo recorda que este pão e este vinho possibilitam-nos entrar em «comunhão» com o corpo e com o sangue de Cristo; mas também com a comunidade eclesial convocada para todos «participarmos do mesmo pão». E o evangelho acrescenta que esta comunhão é oferta de eternidade, de vida sem fim.
Desta forma, através das leituras bíblicas, o convite da liturgia da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo é tríplice: exorta a encher-nos da Palavra de Deus, fonte de sentido para a vida; exorta a participar na Eucaristia com a consciência de que é manancial inesgotável de eternidade; a terceira é uma consequência prática, exorta a construir a unidade, sob o fundamento das duas realidades anteriores.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


Preparar o domingo do Corpo e Sangue de Cristo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014



La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Anónimo | 21.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DO CORPO E SANGUE DE CRISTO

22 DE JUNHO DE 2014


Deuteronómio 8, 2-3.14b-16a

Moisés falou ao povo, dizendo: «Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa de escravidão, e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».



Deu-te a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido


O Deuteronómio — o último livro do Pentateuco — é uma reflexão ou um discurso de Moisés ao povo mesmo antes de entrar na Terra Prometida, aonde ele já não chegará. Contém uma síntese da história da salvação e das leis que hão de reger a comunidade do povo de Israel.
No fragmento proposto para primeira leitura da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo (Ano A) é fundamental o verbo «recordar». Não se trata de uma simples evocação de uns factos ocorridos num passado mais ou menos longínquo, mas de tornar presente esse passado como oportunidade de salvação, de encontro com Deus, que ao longo da história nunca deixou de realizar prodígios em favor do seu povo: a saída do Egito, terra de escravidão; a passagem pelo deserto; o dom da água da vida do alimento do maná.
Os mandamentos que o povo de Israel tinha de observar não são como o peso de uma pedra que cai sobre a pessoa crente, mas são a prova e o testemunho da palavra viva de Deus, sempre presente na vida de cada pessoa. Quem observa o mandamento vive em diálogo permanente com Deus, que fala à vida de cada homem e de cada mulher.
É fundamental a referência ao pão, que alimenta o corpo; mas é imprescindível não esquecer que a vida só é possível a partir do diálogo constante com «toda a palavra que sai da boca» de Deus.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo do Corpo e Sangue de Cristo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.6.14 | Sem comentários

Domingo do Corpo e Sangue de Jesus Cristo


Evangelho segundo Lucas 9, 11b-17

Naquele tempo, estava Jesus a falar à multidão sobre o reino de Deus e a curar aqueles que necessitavam. O dia começava a declinar. Então os Doze aproximaram-se e disseram-Lhe: «Manda embora a multidão para ir procurar pousada e alimento às aldeias e casais mais próximos, pois aqui estamos num local deserto». Disse-lhes Jesus: «Dai-lhes vós de comer». Mas eles responderam: «Não temos senão cinco pães e dois peixes... Só se formos nós mesmos comprar comida para todo este povo». Eram de facto uns cinco mil homens. Disse Jesus aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta». Assim fizeram e todos se sentaram. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou sobre eles a bênção. Depois partiu-os e deu-os aos discípulos, para eles os distribuírem pela multidão. Todos comeram e ficaram saciados; e ainda recolheram doze cestos dos pedaços que sobraram.

Dai-lhes vós de comer

A festa que celebramos neste domingo foi transferida da passada quinta-feira; trata-se da primeira vez que o fazemos em Portugal, em virtude da última alteração dos feriados. 
A celebração do Corpo e Sangue de Jesus Cristo remete-nos para a Eucaristia, um dos sacramentos que constitui o centro da nossa vida cristã. 
É significativa a escolha deste episódio da multiplicação dos pães e dos peixes. O acontecimento situa-se no final do dia, num espaço aberto, onde cabem mais de cinco mil pessoas! Todos estão tão encantados pelos ensinamentos de Jesus Cristo que se «recusam» a abandonar o local. Mas de repente há um alerta: como dar de comer a toda aquela gente? «Não temos senão cinco pães e dois peixes». Tudo está preparado para uma implicação que afeta a todos: a Jesus Cristo, a Deus, aos discípulos, aos que têm alguma coisa ainda que seja pouco, e a todos aqueles que têm fome. Os cinco pães e dois peixes vão tornar-se no sinal de uma vida partilhada de mão e mão!

A vida de Jesus Cristo

O pão partido e preparado para ser comido é sinal do que Jesus Cristo foi ao longo de toda a sua vida. Agora, o importante não está no pão enquanto tal, mas no facto de ser partido e repartido, isto é, está pronto para ser entregue (a todos) e ser comido. Jesus Cristo esteve sempre preparado para se entregar aos outros. Jesus Cristo vem para dar a sua vida como alimento do mundo inteiro. O seu corpo e sangue são um verdadeiro alimento para aqueles que escutam a sua palavra e nele colocam toda a confiança. Todos os nossos sentidos são saciados pela presença de Cristo ressuscitado, que continua a convidar todo o universo para a sua mesa. É esta realidade que celebramos na eucaristia! 

A nossa vida: praticantes da eucaristia

Mas esta realidade diz respeito a todos, não apenas a Jesus Cristo. Embora pudesse saciar sozinho a multidão, Jesus Cristo implica os discípulos no acontecimento. Como se pudessem, sozinhos, fazer milagres! «Dai-lhes vós de comer». É a tarefa que faz de nós «praticantes». Ao contrário do que se diz, não é «praticante» aquele que (apenas) «vai à missa todos os domingos», mas quem celebra a eucaristia e se compromete a entregar-se aos irmãos, tal como Jesus Cristo ensina e faz na sua própria vida. «Dai-lhes vós de comer» — envia-nos a proclamar o Evangelho envolvendo-nos numa lógica de partilha quotidiana com os outros.
Hoje, este episódio do evangelho recorda-nos que Jesus Cristo se dá a nós em alimento através do seu Corpo e do seu Sangue, para que possamos dar, em contrapartida, o «tão pouco» de nós mesmos ao mundo. Quando celebramos a eucaristia somos convidados a tomar consciência de que somos uma família unida à volta de Jesus Cristo. Ele oferece-nos a sua Palavra para ser acolhida; e coloca-nos à volta da mesa, dando-nos o seu Corpo e Sangue para fazer nascer em nós aquele amor que é entrega sem limites. Daqui nasce uma comunidade que saboreia o amor de Deus e se compromete a entregar-se aos outros sem limites. Celebrar a eucaristia é tomar consciência de que somos uma família, que se alimenta do mesmo pão e do mesmo vinho, e se caracteriza pela prática do amor na entrega aos outros. O que significa para ti participar na eucaristia e comungar Jesus Cristo?

© Laboratório da fé, 2013

Corpo e Sangue de Jesus Cristo e nona semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.6.13 | Sem comentários
Ao ritmo da liturgia


Corpo e Sangue de Jesus Cristo e nona semana

Comungar Jesus Cristo e a sua causa


Todas as religiões se caracterizam por um perigoso desvio: os seres humanos iludem-se perante a possibilidade de poder transcender as suas vidas e entrar em contacto direto com a divindade mediante a prática de uma determinado ritual.
No entanto, Jesus Cristo ensina-nos a estar bem atentos à realidade terrena, pois é nela e através dela que Deus comunica connosco e se torna presente.
Os primeiros cristãos, antes de assumir a eucaristia como um ritual, faziam dela uma refeição familiar, uma verdadeira partilha não só com os que nela tomavam parte, mas também com (todos) os outros.
O «corpo de Cristo» significa muito mais do que a carne e o sangue, os ossos e os músculos: é o corpo de um homem que se comprometeu totalmente, que defendeu a causa em que acreditava e, por ela, deu a vida.
O pão partido e preparado para ser comido é sinal do que Jesus Cristo foi ao longo de toda a sua vida. Quando nos contentamos em comer o «corpo de Cristo» e não «comemos» também a sua causa, estamos apenas a participar num entretimento litúrgico!
Agora, o importante não está no pão enquanto tal, mas no facto de ser partido e repartido, isto é, está pronto para ser entregue (a todos) e ser comido. Jesus Cristo esteve sempre preparado para se entregar aos outros. Mas esta realidade diz respeito a todos, não apenas a Jesus Cristo. Embora pudesse saciar sozinho a multidão, Jesus Cristo implica os discípulos no acontecimento (DOMINGO: «Dai-lhes vós de comer»), envolvendo-nos numa lógica de partilha quotidiana com os outros.
Quando não percebemos esta lógica, a tentação da ganância pode ser mais forte (SEGUNDA: «Vamos matá-lo e a herança será nossa»), e até podemos inventar desculpas para justificar os nossos desejos (TERÇA: «Jesus, conhecendo a sua hipocrisia»).
Então, precisamos que Jesus Cristo denuncie o nosso comportamento (QUARTA: «Vós andais muito enganados»), nos recorde o essencial (QUINTA: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo») e nos ajude a descobrir a alegria da conversão (SEXTA: «Um só pecador que se arrependa»), guardando os seus ensinamentos (SÁBADO: «Guardava todas estes acontecimentos em seu coração»).

Não basta contentarmo-nos em «ir à missa todos os domingos». É preciso guardar o Evangelho no coração. Isto é que faz de nós verdadeiros «praticantes».

A primeira parte deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial
© Laboratório da fé, 2013

Corpo e Sangue de Jesus Cristo e nona semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.6.13 | Sem comentários

Palavra para hoje: Corpo e Sangue de Jesus Cristo


Uma bênção recíproca, uns dons partilhados: assim se inaugura uma aliança entre Abraão, o pai do crentes, e Melquisedec, o primeiro de uma longa linhagem de sacerdotes. Deus oferece-nos o inédito, pela transmissão da sua vida, no mistério do Corpo e Sangue de Cristo: dá-se a nós e também nós nos damos em Cristo. Hoje, cumpre-se em plenitude o sinal do pão e do vinho partilhado «em memória do Senhor». Um sinal que a Igreja acolhe e transmite. Recebe-o da Igreja do passado para a Igreja do futuro. Nesta transmissão, todos são necessários. No evangelho, eis a multidão, onde cada um dá e recebe: cada um, em cada assembleia, é o sentinela que anuncia «a morte do Senhor, até que Ele venha».

Pergunta da semana: 

O que significa para mim participar na eucaristia e comungar Jesus Cristo?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: Corpo e Sangue de Jesus Cristo

2 DE JUNHO DE 2013

Fachadas de moradias individuais ou de prédios: que vida se esconde atrás delas? Risos e choros, famílias e celibatários, espaços habitados e espaços vazios... Ao contemplar as fachadas, volta-te para aquele que vê no segredo e pede-lhe que manifeste a sua presença naquela morada.

Em casa
O relato da multiplicação dos pães é uma bela ocasião para redescobrir o sentido da bênção do pão à mesa. No início da refeição, antes de partir ou cortar o pão pela primeira vez, faz um sinal da cruz com a mão ou com a faca. Se há uma oração de bênção, o gesto pode ser feito em silêncio. Se não há, então pode ser acompanhado por uma oração. Este gesto simples recorda a presença de Cristo que se deu a conhecer aos discípulos à mesa, na aldeia de Emaús (Lucas 24, 13-35). Coloca-nos também em comunhão com todos os nossos irmãos judeus que partilham connosco este gesto simples de bênção.



Dai-lhes vós de comer

Que bem, Jesus! Embora pudesse saciar sozinho a multidão que o escuta e segue durante todo o dia, coloca os discípulos em destaque na cena. Como se pudessem, sozinhos, fazer milagres!
Que bem, Jesus! Ele não entra em pânico quando percebe que os discípulos não têm mais do que cinco pães e dois peixes para alimentar a multidão inteira. Não desespera. Tem até a coragem de agradecer a Deus o «tão pouco» que dá. Ergue os olhos ao céu sem soltar um lamento ou um protesto!
Que bem, Jesus! Quando multiplica, multiplica! Não tem medo que haja sobras, e em quantidade. Como se tivesse a certeza de que um dia o mundo inteiro pudesse ser alimentado pela sua presença.
Que bem, Igreja! Com esta passagem evangélica, ela recorda-nos que Jesus se dá a nós em alimento através do seu Corpo e do seu Sangue, para que possamos dar, em contrapartida, o «tão pouco» de nós mesmos ao mundo.
Vertiginoso? Não.
Miraculoso? Também não.
Evangélico? Certamente.

Thierry Lamboley, jesuíta



  • Reflexão diária a partir do evangelho > > >
© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Corpo e Sangue de Jesus Cristo: pães e peixes

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.5.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: Corpo e Sangue de Jesus Cristo

2 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 9, 11b-17

Naquele tempo, estava Jesus a falar à multidão sobre o reino de Deus e a curar aqueles que necessitavam. O dia começava a declinar. Então os Doze aproximaram-se e disseram-Lhe: «Manda embora a multidão para ir procurar pousada e alimento às aldeias e casais mais próximos, pois aqui estamos num local deserto». Disse-lhes Jesus: «Dai-lhes vós de comer». Mas eles responderam: «Não temos senão cinco pães e dois peixes... Só se formos nós mesmos comprar comida para todo este povo». Eram de facto uns cinco mil homens. Disse Jesus aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta». Assim fizeram e todos se sentaram. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou sobre eles a bênção. Depois partiu-os e deu-os aos discípulos, para eles os distribuírem pela multidão. Todos comeram e ficaram saciados; e ainda recolheram doze cestos dos pedaços que sobraram.



Segunda, 27: VER

Temos uma semana para mergulhar com os nossos sentidos neste episódio de Lucas que relata uma multiplicação de pães e de peixes. Uma boa maneira de entrar corporalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Jesus Cristo («Corpo de Deus»). Antes de mais, ver. Ver Jesus e a multidão, os dois são inseparáveis. Ver os Doze, um grupo unido, mas também heterogéneo! Ver cinco pães, dois peixes e toda a multidão. Que desproporção! Ver doze cestos cheios de pedaços que sobraram! Que abundância! Ver também o céu, erguendo os olhos como fez Jesus. Hoje, estarei atento à minha maneira de ver as pessoas e as coisas. O Senhor manifesta a sua presença ativa.



Terça, 28: ESCUTAR

Jesus fala. De quê? Do reino de Deus. A quem? À multidão. Escuta-o. Depois escuta a intervenção dos discípulos, ao fim da tarde. O que dizem a Jesus? Que bom senso e sabedoria os anima? Escuta. Em seguida, Jesus responde com uma questão que suscita de imediato uma boa resposta. Escuta. Enfim, escuta o convite de Jesus e a sua bênção. Escuta. Hoje, estarei atento às minhas orelhas, para que escutem melhor o que me é dito ou me é dado a escutar. O Senhor manifesta a sua presença que fala.



Quarta, 29: TOCAR

Aos corpos curados pelo toque de Jesus, eu também os toco na minha oração, imaginando-me presente na cena. À terra sobre a qual a multidão se senta em grupos de cinquenta, eu também a toco, sentando-me no chão. Aos pães e aos peixes partidos pelas mãos de Jesus e dados pelas mãos dos discípulos, eu também os toco, imaginando-me presente na cena. Hoje, estarei atento às minhas mãos, para que toquem com prudência e respeito o que me for dado ou o que eu darei. O Senhor manifesta-se assim numa presença que toca.



Quinta, 30: SENTIR

Sentir a frescura da noite, quando o dia está a declinar juntamente com o calor do sol. Sentir o bom odor do pão partido e do peixe seco. Sentir a fome que se instala no estômago. Sentir a felicidade de ter o ventre bem cheio e de estar finalmente saciado, satisfeito. Sentir o bom odor dos restos recolhidos nos doze cestos. Hoje, estarei atento às minhas narinas, para que sintam os bons odores da vida, da natureza e dos alimentos. O Senhor assim também faz sentir a sua presença.



Sexta, 31: CAMINHAR

Uma pausa na nossa contemplação, neste dia em que celebramos a Visitação da Virgem Maria. O anjo parte, Maria parte também. Ela apressa-se, para fazer uma visita à sua prima, estéril, que também está grávida, mas é muito mais velha do que Maria. Hoje, estarei atento ao meu caminhar. Onde me conduzirão os meus passos? O Senhor manifesta-se aos discípulos caminhando.



Sábado, 1: SABOREAR

Beber as palavras de Jesus como fez a multidão. Palavras mais saborosas do que o mel. Saborear o gosto do pão partido: fruto da terra, o trigo, e do trabalho dos homens, a farinha amassada e depois cozida no forno... Saborear o gosto de um pedaço de peixe: o seu paladar delicado, a sua carne nutritiva, o seu cheiro delicioso... Saborear esta sanduíche fora do comum para um piquenique fora do normal ao sol poente. Saborear este momento único com uma multidão de pessoas. Hoje, estarei atento ao meu paladar. A presença do Senhor está cheia de sabores.



Domingo, 2: DOZE CESTOS PARA SACIAR O MUNDO

Jesus vem para dar a sua vida como alimento do mundo inteiro. O seu corpo e sangue são um verdadeiro alimento para aqueles que escutam a sua palavra e nele colocam toda a confiança. Todos os nossos sentidos são saciados pela presença de Cristo ressuscitado, que continua a convidar todo o universo para a sua mesa. Nas nossas igrejas, a reserva eucarística — as hóstias consagradas preciosamente guardadas no sacrário — lembram-nos que os seres humanos ainda não estão todos saciados com o pão da vida, e nem com o pão de cada dia. E se gostamos de adorar o Corpo de Cristo, é para experimentarmos esta fome do mundo que não espera como nós. Mas não somos nós também o corpo de Cristo? Então, felizes os convidados!



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Corpo e Sangue de Jesus Cristo: pães e peixes

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.5.13 | Sem comentários
  • Recentes
  • Arquivo