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GERAR AMOR


O Natal inverte o conceito de Deus e de Humanidade. O Deus omnipotente, imutável, eterno, imortal, invisível, converte-se num menino envolvido em panos e deitado numa manjedoura. Também se inverte a imagem da Humanidade, pois com o nascimento de Jesus Cristo fica confirmado que os valores supremos já não são a riqueza e o poder, mas a simplicidade, a pequenez, a beleza, a bondade e a ternura das crianças. A criança torna-se, assim, a referência mais importante, o modelo do Reino de Deus. Jesus Cristo identifica-se com as crianças e é a elas, aos pequeninos, a quem o Pai revela os mistérios do Reino. No Natal de Jesus Cristo antecipa-se a mensagem das bem-aventuranças, a mensagem da misericórdia. O Menino não só nos revela o rosto misericordioso do Pai, como também nos revela o rosto misericordioso do ser humano, humaniza-nos: mostra-nos como ser realmente irmãos e irmãs, como ser pessoas humanas, como ser filhos e filhas de Deus, como, na nossa vida, gerar amor.

Natal: gerar amor

Natal é irrupção do amor, da novidade, do diferente, do alternativo: Deus faz-se criança e as crianças tornam-se o centro da história! E esta novidade é tão forte que irradia a sua luz em toda a parte, até na celebração pagã do solstício de inverno. A Igreja primitiva cristianizou a data pagã do dia 25 de dezembro que era a festa do solstício de inverno: transformou a celebração do sol, estrela, luz do mundo, na celebração do Sol, Jesus Cristo, Luz do mundo. A luz da promessa transforma-se em luz da presença: «um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado».
Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner). A espiritualidade de gestação, neste contexto, favorece a descoberta do «admirável amor» de Deus manifestado e oferecido em Jesus Cristo. De facto, a dinâmica da gestação desafia a suscitar amor, a proporcionar as condições necessárias para gerar amor em cada vida humana, em cada um de nós. Não há dúvida da importância fulcral do amor na vida humana. «Existimos porque temos um instinto amoroso, que é inexplicável. É este gesto amoroso que funda o humano» (Gonçalo M. Tavares). Gerar vida é também gerar amor. 
Nos passos de Jesus Cristo, o cristão, discípulo missionário, «está seguro do amor e da ternura de seu Pai e, para Ele, essa ternura é a única capaz de libertar os seres humanos, de fazê-los nascer para o amor. Ler o Evangelho com esses olhos permite descobrir como Jesus não autoriza a fuga do coração, da afetividade, das relações, da condição humana» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas). Feliz tempo de Natal que nos é dado como oportunidade para gerar amor. Nas famílias que acolhem um novo nascimento, contemplemos o amor gerado pela possibilidade de abraçar e acariciar o recém-nascido. Nas famílias que celebram momentos festivos, contemplemos o amor gerado pela alegria do encontro. Há tantas (outras) circunstâncias simples da vida que podem gerar amor!

Laboratório da Fé anunciada

Debrucemo-nos sobre o presépio que desde o tempo de Francisco de Assis surge nos templos e nas casas: um menino nasce no lugar onde se guardavam os animais; os seus pais envolvem-no em panos e deitam-no numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. O nascimento deste menino é anunciado aos pastores que pertenciam às «periferias» da sociedade. Mas este menino é proclamado Salvador e Senhor, é Deus connosco. Ele está no meio de nós, habita em nós. Ele vem ao nosso encontro: «quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada» (Francisco, Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual — «Evangelii Gaudium» [EG], 3). Em consequência, este encontro com os «braços abertos» do menino no presépio gera o amor que nos impele ao anúncio. Na verdade, «se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo» (EG 120). O encontro com Jesus Cristo faz gerar amor e fé anunciada!

© Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [9]


O terceiro «aspeto fundamental» na formação do discípulo missionário é o discipulado. Como lembramos (cf. tema 6), também neste tópico a Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG) alimenta-se das ideias expressas no Documento de Aparecida (DAp).

Discipulado

Eis as palavras usadas pelos bispos da América Latina e do Caribe para explicitar este aspeto essencial na formação do discípulo missionário: «A pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre, se aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina. Para esse passo são de fundamental importância a catequese permanente e a vida sacramental, que fortalecem a conversão inicial e permitem que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão no meio do mundo que os desafia» (DAp 278).

Amadurecimento

A base do discipulado assenta num processo de amadurecimento que acompanha toda a vida. Não é uma etapa da vida tendo em vista a passagem a uma outra etapa. Trata-se de um estado permanente marcado pelo «conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre», que «se aprofunda» na sua pessoa, no seu exemplo e doutrina. Por isso, aqueles e aquelas que aceitam ser discípulos de Jesus Cristo entram numa escola permanente: são sempre aprendizes. «O próprio Senhor, na sua vida mortal, deu a entender várias vezes aos seus discípulos que havia coisas que ainda não podiam compreender e era necessário esperar o Espírito Santo (cf. João 16, 12-13)» (EG 225). Uma aprendizagem que conta sempre com a presença e a cooperação do Mestre. O discípulo «sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele» (EG 266).

Catequese

Na formação do discípulo missionário, em que o amadurecimento é um processo ao longo da vida, a «catequese permanente» ocupa um lugar fundamental. Como nos temas anteriores, «também na catequese tem um papel fundamental o primeiro anúncio ou ‘querigma’, que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial» (EG 164). «Nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio» (EG 165). Que anúncio é esse? «‘Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar’. Ao designar-se como ‘primeiro’ este anúncio, não significa que o mesmo se situa no início e que, em seguida, se esquece ou substitui por outros conteúdos que o superam; é o primeiro em sentido qualitativo, porque é o anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese, em todas as suas etapas e momentos» (EG 164). Outro aspeto importante na «catequese permanente» tendo em vista a formação do discípulo missionário consiste na «iniciação mistagógica». Esta «significa essencialmente duas coisas: a necessária progressividade da experiência formativa na qual intervém toda a comunidade e uma renovada valorização dos sinais litúrgicos da iniciação cristã» (EG 166).

Vida Sacramental

O Documento de Aparecida faz ainda referência à «vida sacramental» em articulação com a «catequese permanente». A Eucaristia constitui «a plenitude da vida sacramental» (EG 47). Infelizmente, «são muitos os cristãos que não participam na Eucaristia dominical nem recebem com regularidade os sacramentos, nem se inserem ativamente na comunidade eclesial. [...] Este fenómeno nos desafia profundamente a imaginar e organizar novas formas de nos aproximar deles para ajudá-los a valorizar o sentido da vida sacramental, da participação comunitária e do compromisso cidadão» (DAp 286). Neste sentido, urge promover a dinâmica catecumenal subjacente à iniciação cristã. «A iniciação cristã, que inclui o ‘querigma’, é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado. Dá-nos, também, a oportunidade de fortalecer a unidade dos três sacramentos da iniciação, e aprofundar o rico sentido deles. A iniciação cristã, propriamente falando, refere-se à primeira iniciação nos mistérios da fé, seja na forma do catecumenato batismal para os não batizados, seja na forma do catecumenato pós-batismal para os batizados não suficientemente catequizados» (DAp 288).

Reconheço que ser discípulo é um processo de amadurecimento ao longo de toda a vida? Para mim, que importância tem a catequese permanente e a vida sacramental?

© Laboratório da fé, 2015 














Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.12.15 | Sem comentários

GERAR VIDA


O tempo de Advento, ano após ano, introduz o mistério que revoluciona a compreensão de Deus, mas também a compreensão do ser humano: o mistério da Incarnação, o mistério de Deus que se faz ser humano para viver connosco e dar corpo aquela mudança através da qual o ser humano se torna participante da vida de Deus. Advento é anúncio da vinda de Deus ao nosso mundo, à nossa vida. E como qualquer anúncio mexe connosco. Interrogamo-nos sobre a validade do anúncio, sobre as alterações que provocará a sua concretização, sobre a forma como nos vamos preparar, sobre o que podemos fazer para acolher/rejeitar a novidade anunciada. Tudo isto se concretiza num tempo no qual se potencia a dimensão da espera. É o tempo da gravidez, da gestação!

Advento: gerar vida

«Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá: Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento». As palavras transmitidas pelo profeta Jeremias assumem uma nova dimensão quando as colocamos no contexto da Incarnação. O rebento prometido já germinou na nossa humanidade: Jesus Cristo. E quer germinar, hoje. Sim, o Advento é também presente. A história do povo bíblico foi um longo advento. O nosso presente é advento que projeta para o futuro. Hoje, o Advento conduz-nos ao Natal e projeta-nos para a vinda gloriosa no final dos tempos (Parusia). O que veio há dois mil anos, que virá no final da história, é o mesmo que vem, agora, em cada dia, à nossa vida pessoal e comunitária (eclesial e social). Que importa que Jesus tenha nascido em Belém — pergunta Orígenes — se não nasce hoje no teu coração? Esta atualização do Advento é tão importante que não nos podemos preparar para o Natal nem para a Parusia, se não deixamos nascer Jesus Cristo tanto nas rotinas quotidianas como na novidade imprevista dos acontecimentos da Igreja (a ação do papa Francisco, o Ano da Misericórdia) e da sociedade (o grito daqueles que acreditam que outro mundo é possível). Daqui brota um desafio: gerar Jesus Cristo na nossa vida, promover uma espiritualidade da gestação.
«A palavra ‘gestação’ remete-nos para a experiência humana mais poderosa e mais frágil, mais comovente, mais alegre e, por vezes, mais dolorosa que existe. Evoca, em primeiro lugar, as palavras e os gestos do homem e da mulher que se amam e que se unem para dar a vida. [...] Juntos, dão a vida a um novo ser [...]. A palavra ‘gestação’ é rica de múltiplas conotações, que abrem perspetivas de uma grande densidade existencial: o dom da vida, a complementaridade do masculino e do feminino, a reciprocidade das trocas, o nascimento para uma nova identidade; uma atitude de acolhimento e de dom, de prazer, de alegria e também de sofrimento, aceitando o luto, a travessia do desconhecido e a surpresa frente ao imprevisível da vida…» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas). O Advento é uma obra de gestação: deixar gerar em nós a novidade de Jesus Cristo, deixar-se gerar para essa vida nova, entre outros, através do encontro com a palavra de Deus (Bíblia), que ressoa nos relatos primordiais, através do encontro com a Palavra de Deus (Jesus Cristo), que ressoa nos acontecimentos quotidianos e nos outros seres humanos.

Laboratório da Fé anunciada

No início da vida cristã, na base da identidade do discípulo missionário, está o «encontro pessoal com Jesus Cristo». Anunciar a fé, anunciar a alegria do Evangelho, é, em primeiro lugar, gerar esse encontro na própria vida. Por isso, o Papa convida cada cristão «em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele» (Francisco, Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual — «Evangelii Gaudium» [EG], 3). E os bispos da América Latina e do Caribe declaram: «Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria» (Documento de Aparecida, 29). Trata-se de uma alegria que bebe «na fonte do amor maior, que é o de Deus, a nós manifestado em Jesus Cristo» (EG 7). Esta é a «fonte da ação evangelizadora. Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?» (EG 8).

© Laboratório da fé, 2015




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.11.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [8]


O segundo «aspeto fundamental» que, de acordo com o Documento de Aparecida (DAp), marca o caminho na formação do discípulo missionário é a conversão. Este é uma consequência direta do primeiro: o encontro pessoal com Jesus Cristo (cf. tema 7). «Em nossa Igreja devemos oferecer a todos os nossos fiéis um ‘encontro pessoal com Jesus Cristo’, uma experiência religiosa profunda e intensa, um anúncio ‘querigmático’ e o testemunho pessoal dos evangelizadores, que leve a uma conversão pessoal e a uma mudança de vida integral» (DAp 226).

Conversão

A conversão é entrar num caminho «que não pode deixar as coisas como estão» (EG 25). Esta mudança não se propõe como uma vergonha, algo a esconder, mas como um desafio a reconhecer o desajuste entre a graça divina e as nossas opções humanas. Tal como o encontro com Jesus Cristo, que o Papa convida a renovar diariamente (cf. EG 3), a conversão é um processo contínuo que há de ser proposto a todos. Neste «todos» estão, por exemplo, aqueles e aquelas que «‘não vivem as exigências do Batismo’, não sentem uma pertença cordial à Igreja e já não experimentam a consolação da fé. Mãe sempre solícita, a Igreja esforça-se para que elas vivam uma conversão que lhes restitua a alegria da fé e o desejo de se comprometerem com o Evangelho. (EG 14). Os bispos da América Latina e do Caribe explicitam assim este aspeto essencial na formação do discípulo missionário: «É a resposta inicial de quem escutou o Senhor com admiração, crê nEle pela ação do Espírito, decide ser seu amigo e ir após Ele, mudando sua forma de pensar e de viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida. No Batismo e no sacramento da Reconciliação se atualiza para nós a redenção de Cristo» (DAp 278).

Escuta

Em primeiro lugar, diz-se que a conversão «é a resposta inicial de quem escutou o Senhor». Por isso, torna-se «necessário propor aos fiéis a Palavra de Deus como dom do Pai para o encontro com Jesus Cristo vivo, caminho de ‘autêntica conversão e de renovada comunhão e solidariedade’» (DAp 248). É a escuta do Senhor Jesus Cristo, a Palavra de Deus Pai descida ao coração do crente, que conduz à fé, que proporciona o acreditar. «Uma vez escutada, a palavra de Cristo, pelo seu próprio dinamismo, transforma-se em resposta no cristão, tornando-se ela mesma palavra pronunciada, confissão de fé. [...] São Paulo usará uma fórmula que se tornou clássica: ‘fides ex auditu’ — ‘a fé vem da escuta’ ( Romanos 10, 17)» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei» [LF], 22.29). Mas o encontro não acontece apenas pela escuta da Palavra; também há (ou tem de haver) outros «encontros». Então, «levanta-se a mesma pergunta cheia de expectativa: “Mestre, onde vives?” (João 1,38), onde te encontramos de maneira adequada para ‘abrir um autêntico processo de conversão, comunhão e solidariedade?’. Quais são os lugares, as pessoas, os dons que nos falam de ti, que nos colocam em comunhão contigo e nos permitem ser discípulos e missionários teus?» (DAp 245).

Iniciação Cristã

«Sentimos a urgência de desenvolver em nossas comunidades um processo de iniciação na vida cristã que comece pelo ‘querigma’ e que, guiado pela Palavra de Deus, conduza a um encontro pessoal, cada vez maior, com Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito homem, experimentado como plenitude da humanidade e que leve à conversão, ao seguimento em uma comunidade eclesial e a um amadurecimento de fé na prática dos sacramentos, do serviço e da missão» (DAp 289).

Reconciliação

No processo de conversão refere-se também a importância do Sacramento da Reconciliação. Este potencia «a conversão que todos necessitamos para combater o pecado que nos faz incoerentes com os compromissos batismais» (DAp 175).

Sociedade

«A conversão pessoal desperta a capacidade de submeter tudo ao serviço da instauração do Reino da vida» (DAp 366). De facto, «já não se pode afirmar que a religião deve limitar-se ao âmbito privado e serve apenas para preparar as almas para o céu. Sabemos que Deus deseja a felicidade dos seus filhos também nesta terra, embora estejam chamados à plenitude eterna, porque Ele criou todas as coisas ‘para nosso usufruto’ (1Timóteo 6, 17), para que ‘todos’ possam usufruir delas. Por isso, a conversão cristã exige rever ‘especialmente tudo o que diz respeito à ordem social e consecução do bem comum’» (EG 182).

Quero ser discípulo missionário da alegria do Evangelho? Que estilo de vida quero assumir? Estou disposto a viver em estado de conversão?

© Laboratório da fé, 2015 












Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.11.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [7]


O papa Francisco na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual («A Alegria do Evangelho» — «Evangelii Gaudium» [EG]), em sintonia com o Documento de Aparecida (DAp), confronta todos os cristãos com uma identidade essencial: ser discípulos missionários (cf. tema 6). Neste e nos próximos temas, vamos apresentar, segundo o Documento de Aparecida, cinco aspetos fundamentais que constituem a base na formação de discípulos missionários: «cinco aspetos fundamentais que aparecem de maneira diversa em cada etapa do caminho, mas que se complementam intimamente e se alimentam entre si» (DAp 278). São eles: o encontro pessoal com Jesus Cristo; a conversão; o discipulado; a comunhão; a missão. Antes de mais, «o discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como o mestre que o conduz e acompanha» (DAp 277).

Encontro com Jesus Cristo

No início da vida cristã está o «encontro pessoal com Jesus Cristo». Por isso, o Papa convida cada cristão «em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que ‘da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído’. Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada» (EG 3). E os bispos da América Latina e do Caribe declaram: «Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria» (DAp 29). Trata-se de uma alegria (cf. tema 3) que bebe «na fonte do amor maior, que é o de Deus, a nós manifestado em Jesus Cristo. Não me cansarei de repetir estas palavras de Bento XVI que nos levam ao centro do Evangelho: ‘Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo’» (EG 7). Graças a este encontro «com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e de autorreferencialidade» (EG 8). O Documento de Aparecida explicita assim este aspeto essencial na formação do discípulo missionário: «Aqueles que serão seus discípulos já o buscam (cf. João 1, 38), mas é o Senhor quem os chama: “Segue-me” (Marcos 1, 14; Mateus 9, 9). É necessário descobrir o sentido mais profundo da busca, assim como é necessário propiciar o encontro com Cristo que dá origem à iniciação cristã. Esse encontro deve renovar-se constantemente pelo testemunho pessoal, pelo anúncio do ‘querigma’ e pela ação missionária da comunidade. O ‘querigma’ não é somente uma etapa, mas o fio condutor de um processo que culmina na maturidade do discípulo de Jesus Cristo. Sem o ‘querigma’, os demais aspetos desse processo estão condenados à esterilidade, sem corações verdadeiramente convertidos ao Senhor. Só a partir do ‘querigma’ acontece a possibilidade de uma iniciação cristã verdadeira. Por isso, a Igreja precisa tê-lo presente em todas as suas ações» (DAp 278). Ora, o encontro «com o amor de Deus em Cristo Jesus» (EG 120) acontece na cruz e é um encontro capaz de transformar o cristão em discípulo missionário. Assim, «a primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais» (EG 264).

Encontro com o outro

Com Jesus Cristo aprendemos um método (simples) para o encontro com o outro: «Se falava com alguém, fitava os seus olhos com uma profunda solicitude cheia de amor: ‘Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele’ (Marcos 10, 21). Vemo-Lo disponível ao encontro, quando manda aproximar-se o cego do caminho (cf. Marcos 10, 46-52) e quando come e bebe com os pecadores (cf. Marcos 2, 16), sem Se importar que O chamem de glutão e beberrão (cf. Mateus 11, 19). Vemo-Lo disponível, quando deixa uma prostituta ungir-Lhe os pés (cf. Lucas 7, 36-50) ou quando recebe, de noite, Nicodemos (cf. João 3, 1-15). A entrega de Jesus na cruz é apenas o culminar deste estilo que marcou toda a sua vida» (EG 269).

Aceito o convite do Papa para renovar o encontro com Jesus Cristo ou, pelo menos, a deixar-me encontrar por Jesus Cristo? Onde está a minha fonte de amor e de alegria?

© Laboratório da fé, 2015 










Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.11.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [6]


«A evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus: ‘Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado’ (Mateus 28, 19-20)» (EG 19). Esta é a missão da Igreja (cf. tema 1). Por isso, «este mesmo mandato continua a ser confiado aos discípulos de hoje (e de sempre), a quem compete, em primeiro lugar, ‘viver a alegria do Evangelho’» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). Com este tema iniciamos a segunda parte desta proposta (cf. tema 1). Nesta parte dedicada à reflexão sobre os «discípulos missionários», sem deixar de ter como ponto de referência a Exortação Apostólica do papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG), não podemos ignorar o contributo essencial dado pelo Documento de Aparecida (DAp) para iluminar esta temática.

Discípulos

A EG afirma que a Igreja é constituída por comunidades de discípulos e discípulas, que têm de ser «sal da terra e luz do mundo»: «Precisamente nesta época, inclusive onde são um ‘pequenino rebanho’ (Lucas 12, 32), os discípulos do Senhor são chamados a viver como comunidade que seja sal da terra e luz do mundo (cf. Mateus 5, 13-16). São chamados a testemunhar, de forma sempre nova, uma pertença evangelizadora» (EG 92). O conteúdo da EG sobre o discipulado sintetiza o que se encontra no Documento de Aparecida sobre os «discípulos missionários de Jesus Cristo». Eles são enviados como comunidade e pela comunidade eclesial para «dar testemunho do amor» (DAp 386), anunciar a chegada do Reino, a dinâmica «transformadora do Reino de Deus que se faz presente em Jesus» (DAp 382) e assumir «as tarefas prioritárias» para o bem comum e a dignificação do ser humano (DAp 384).

Discípulos missionários

Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário» (EG 120). E por conseguinte todos os cristãos são sujeitos de evangelização, porque «em todos os batizados, desde o primeiro ao último, atua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar» (EG 119). Evangelizar não é uma tarefa de alguns; «seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas recetor das suas ações» (EG 120). Não se trata de uma opção, mas de uma característica essencial que brota do batismo. «O batismo não é um título que recebemos, mas um chamamento para o serviço ativo na vida da Igreja, dentro e fora de portas. O (cristão) batizado não pode não ser ‘discípulo missionário’. Na reflexão do Papa percebe-se claramente que não se trata duma opção, duma escolha entre ser ou não ser» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). Por isso, a missão dos «discípulos missionários» é universal: todos são enviados e todos são convidados. A missão é também universal quanto aos destinatários: é para todos, a começar pelos mais frágeis. «Todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (EG 20). Uma Igreja «em saída» é uma comunidade que caminha ao encontro dos mais necessitados para estar ao serviço: «Faz falta ajudar a reconhecer que o único caminho é aprender a encontrar os demais com a atitude adequada, que é valorizá-los e aceitá-los como companheiros de estrada, sem resistências interiores. Melhor ainda, trata-se de aprender a descobrir Jesus no rosto dos outros, na sua voz, nas suas reivindicações; e aprender também a sofrer, num abraço com Jesus crucificado» (EG 91). A comunidade dos discípulos é «uma fraternidade mística, contemplativa, que sabe ver a grandeza sagrada do próximo, que sabe descobrir Deus em cada ser humano» (EG 92). Ser discípulo missionário significa existir para estar ao serviço dos outros. «Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo» (EG 24). Não há outro caminho. «Trata-se de ‘cumprir’ aquilo que o Senhor nos indicou como resposta ao seu amor, sobressaindo, junto com todas as virtudes, aquele mandamento novo que é o primeiro, o maior, o que melhor nos identifica como discípulos: ‘É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei’ (João 15, 12)» (EG 161).

Vive-se o mandato de Jesus Cristo, quando os «paroquianos» se conformam em ficar sentados nos bancos da igreja e não se dispõem a ir, a servir a comunidade?

© Laboratório da fé, 2015 









Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.11.15 | Sem comentários
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