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PROPOSTA PARA O DÉCIMO OITAVO DOMINGO


Ao longo de várias semanas, seguindo a proposta de Miquel Raventós, na revista «Misa dominical», sugerimos um texto relacionado com o II Concílio do Vaticano para ser lido na eucaristia dominical: no final da homilia ou no silêncio da comunhão ou quando parecer mais oportuno...

Vale a pena recordar às palavras de Paulo VI, na sessão pública de encerramento do Concílio, no dia sete de dezembro de 1965. «Num tempo em que o esquecimento de Deus se torna habitual», o Papa faz esta profissão de fé: «Deus existe. Sim, Deus existe; realmente existe; vive; é pessoal; é providente, dotado de infinita bondade, não só bom em si mesmo mas imensamente bom para nós; é o nosso criador, a nossa verdade, a nossa felicidade».
E insiste de novo no olhar sobre o mundo de hoje: «Nunca talvez como no tempo deste Concílio a Igreja se sentiu na necessidade de conhecer, avizinhar, julgar rectamente, penetrar, servir e transmitir a mensagem evangélica».
E também no olhar sobre os homens e mulheres de hoje: «Na verdade, a Igreja, reunida em Concílio, entendeu sobretudo fazer a consideração sobre si mesma e sobre a relação que a une a Deus; e também sobre o ser humano, o humano tal qual ele se mostra realmente no nosso tempo».
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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Ano da fé (2012-2013), Papa Francisco
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.8.13 | Sem comentários

PROPOSTA PARA O DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO


Ao longo de várias semanas, seguindo a proposta de Miquel Raventós, na revista «Misa dominical», sugerimos um texto relacionado com o II Concílio do Vaticano para ser lido na eucaristia dominical: no final da homilia ou no silêncio da comunhão ou quando parecer mais oportuno...

O papa Paulo VI, no discurso de abertura do quarto período conciliar, no dia 10 de outubro de 1965, renova o seu olhar afetuoso para com o mundo de hoje: «O Concílio Ecuménico oferece à Igreja, a visão panorâmica do mundo. Esta contemplação será um dos factos principais desta sessão do nosso Concílio; depois, sobretudo depois, estará presente o amor; o amor pelos homens e mulheres de hoje, como são e onde estão, isto é, por todos. Na verdade, sentem e procedem doutro modo aqueles que estabelecem princípios bem diversos para promover a civilização humana, como são o poder, a riqueza, a ciência, a luta, os interesses particulares. A Igreja, porém, proclama a necessidade do amor. O Concílio é um ato público e solene de amor à humanidade. Cristo nos assista, para que assim seja a verdade».
Mais adiante, anuncia a instauração do Sínodo dos Bispos: «Alegramo-nos de vos comunicar, da instituição, desejada pelo Concílio, dum Sínodo dos Bispos, [...] que será convocado, segundo as necessidades da Igreja».
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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Ano da fé (2012-2013), Papa Francisco
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.7.13 | Sem comentários

PROPOSTA PARA O DÉCIMO SEXTO DOMINGO


Ao longo de várias semanas, seguindo a proposta de Miquel Raventós, na revista «Misa dominical», sugerimos um texto relacionado com o II Concílio do Vaticano para ser lido na eucaristia dominical: no final da homilia ou no silêncio da comunhão ou quando parecer mais oportuno...

Sublinhamos dois fragmentos do discurso de Paulo VI, na abertura do terceiro período conciliar, no dia 14 de setembro de 1964. O primeiro assinala o que representa o Concílio para os padres conciliares: «O Concílio representa para nós um momento de profunda docilidade interior, momento de adesão perfeita e filial à palavra do Senhor, momento de tensão fervorosa, de súplica e de amor, momento de embriaguez espiritual. Que bem se aplicam ao acontecimento singular, que estamos a realizar, as expressões poéticas de S. Ambrósio: 'Bebamos com alegria a embriaguez sóbria do espírito'».
Mais adiante encontramos esta referência, ainda hoje surpreendente, sobre a centralização romana: «A centralização será sempre moderada e encontrará compensação no cuidado atento de se fornecerem aos pastores locais as faculdades convenientes e os serviços úteis. A centralização nada tem de artifício para exaltar; é apenas serviço, irmãos, é interpretação do espírito unitário e hierárquico da Igreja; é o ornamento, a força e a beleza inerentes à promessa de Cristo, que Ele vai concedendo à sua Igreja, conforme os tempos o permitem». Cinquenta anos depois ainda nos surpreendemos com estas palavras!
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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Ano da fé (2012-2013), Papa Francisco
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.7.13 | Sem comentários

PROPOSTA PARA O DÉCIMO QUINTO DOMINGO


Ao longo de várias semanas, seguindo a proposta de Miquel Raventós, na revista «Misa dominical», sugerimos um texto relacionado com o II Concílio do Vaticano para ser lido na eucaristia dominical: no final da homilia ou no silêncio da comunhão ou quando parecer mais oportuno...

O discurso de Paulo VI, no encerramento do segundo período conciliar, no dia 4 de dezembro de 1963, coincide com a promulgação da Constituição sobre a Sagrada Liturgia.
No início do discurso, o Papa faz esta referência: «Vemos que se respeitou a escala dos valores e dos deveres: Deus, em primeiro lugar; a oração, a nossa primeira obrigação; a Liturgia, fonte primeira da vida divina que nos é comunicada, primeira escola da nossa vida espiritual, primeiro dom que podemos oferecer ao povo cristão, e primeiro convite dirigido ao mundo para que solte a sua língua muda em oração feliz e autêntica e sinta a inefável força regeneradora, ao cantar connosco os divinos louvores e as esperanças humanas, por Cristo Nosso Senhor e no Espírito Santo».
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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Ano da fé (2012-2013), Papa Francisco
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.7.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo quinto domingo

14 DE JULHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 10, 25-37

Naquele tempo, levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?». Jesus disse-lhe: «Que está escrito na Lei? Como lês tu?». Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás». Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?». Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio-morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: Então vai e faz o mesmo».



A ética da compaixão não nos afasta do evangelho segundo Lucas. Refiro-me a um livro atual (J. C. Mélich, «Ética de la compasión», Herder, Barcelona, 2010), que inclui, no quarto capítulo, um comentário interessante à parábola do bom samaritano de Lucas 10, 30-38. Evidentemente, não se trata de um comentário bíblico, mas de uma reflexão a partir da filosofia. Para o autor, a ética é «a resposta que dou, aqui e agora, ao sofrimento do outro». Quando o doutor da lei pergunta «quem é o meu próximo?», procura uma resposta «substancial». Jesus inverte radicalmente a pergunta e não lhe responde «quem» é o seu próximo, mas que ele é o próximo, porque o que é relevante numa perspetiva ética não é «quem é o meu próximo», mas «de quem é que eu sou próximo».

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 10, 25-37

E quem é o meu próximo?


Concluída a missão preparatória dos «setenta e dois» discípulos, Jesus continua o caminho para Jerusalém, ensinando aqueles que o querem seguir. O evangelho do décimo quinto domingo oferece-nos uma lição magistral. Consta de duas partes: um princípio fundamental (a lei que conduz à Vida) e uma aplicação prática (a parábola do bom samaritano). As duas partes desenvolvem-se em forma de diálogo com quatro momentos: a) alguém faz uma pergunta ao Mestre; b) o Mestre devolve-lhe a pergunta, formulando-a de forma que ela própria indique a resposta; c) o que perguntou responde acertadamente; d) o Mestre aprova a resposta e transforma-a num imperativo: faz o que dizes e alcançarás a Vida que tanto desejas.
A primeira pergunta («Que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?») é feita por um doutor da lei que já sabe a resposta. Por isso, Jesus convida-o a dar a resposta («Que está escrito na Lei? Como lês tu?»); e, deste modo, declara implicitamente que aceita a lei. O letrado cita o texto fundamental da fé de Israel, isto é, Deuteronómio 6, 5 («Amarás o Senhor...»); e, em seguida, Levítico 19, 18 («Amarás o teu próximo...»). Jesus elogia-o amavelmente, mas indica que a única coisa que lhe falta é pôr em prática.
A segunda pergunta («E quem é o meu próximo?») deixa entender que há pessoas que podem ser consideradas como «próximo» e outras não. Mas para Jesus não existe esta diferença. É o que procura explicar com a parábola do bom samaritano. Em pleno deserto de Judá está um ferido. Ninguém o conhece. Nada se sabe sobre ele. Mas antes de tudo é um ser humano. Essa é a sua dignidade. É visto por um sacerdote e por um levita, oficiantes do templo em Jerusalém, que passam ao lado. Um samaritano (para os judeus, os samaritanos eram estrangeiros, impuros e inimigos), ao contrário, aproxima-se do ferido e pratica uma obra de misericórdia. À pergunta de Jesus («Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»), o doutor da lei responde sem titubear: «O que teve compaixão dele». Só lhe faltava praticar a lei que sabia de cor. O próximo de cada pessoa humana é toda a pessoa humana.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Décimo quinto domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.7.13 | Sem comentários

PROPOSTA PARA O DÉCIMO QUARTO DOMINGO


Ao longo de várias semanas, seguindo a proposta de Miquel Raventós, na revista «Misa dominical», sugerimos um texto relacionado com o II Concílio do Vaticano para ser lido na eucaristia dominical: no final da homilia ou no silêncio da comunhão ou quando parecer mais oportuno...

No dia 29 de setembro de 1963, «sob a égide do arcanjo São Miguel, celestial protector do Povo de Deus», teve lugar o discurso de Paulo VI, na abertura do segundo período conciliar. Um longo discurso, digno de ser lido pausadamente.
Sublinhamos dois aspetos, sem pretensão de resumir o documento: a continuidade da obra começada por João XXIII; a centralidade da figura de Cristo.
Retomando as palavras de João XXIII, Paulo VI recorda um dos objetivos do Concílio: «para que o sagrado depósito da doutrina cristã seja conservado e proposto com maior eficácia»; investigar e expor a doutrina eclesiástica como «pedem os nossos tempos». «Nenhuma outra luz se veja sobre esta reunião que não seja Cristo, luz do mundo; nenhuma outra verdade interesse as nossas almas, que não sejam as palavras do Senhor, nosso único mestre; nenhuma outra aspiração nos guie, que não seja o desejo de Lhe sermos absolutamente fiéis».
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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Ano da fé (2012-2013), Papa Francisco
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.7.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo quarto domingo

7 DE JULHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 10, 1-12.17-20

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».



O evangelho segundo Lucas também é chamado evangelho do Espírito Santo. Este é, justamente, um dos aspetos mais característicos, não só do evangelho, mas de toda a obra de Lucas: evangelho e Atos dos Apóstolos. O Espírito Santo é citado cerca de sessenta vezes; e podemos afirmar, com razão, que está presente desde o início até ao fim da obra. No primeiro capítulo do evangelho, encontramos quatro referências. Cito as duas primeiras. No anúncio do nascimento do Batista diz: «será cheio do Espírito Santo desde o ventre materno» (cf. Lucas 1, 15). No anúncio do nascimento de Jesus, o anjo diz a Maria: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra» (cf. Lucas 1, 35).
O mesmo acontece no primeiro capítulo do Atos dos Apóstolos: também é citado por quatro vezes (cf. Atos 1, 2.5.8.16). No prólogo (cf. Atos 1, 8), Jesus, o Vivente, diz: «Quando o Espírito Santo descer sobre vós, recebereis a força para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria, e até aos confins do mundo». É o mesmo Espírito que conduz a Igreja, hoje se sempre.

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 10, 1-12.17-20

A vossa paz repousará sobre eles


Situada no início do «caminho para Jerusalém» (Lucas 9, 51 — 19, 28), a página do evangelho referente ao décimo quarto domingo (Lucas 10, 1-20) oferece-nos uma síntese sobre a missão cristã. Nela, distinguem-se três partes: versículos 1-12 (várias instruções aos discípulos); versículos 13-16 — omitidos no texto litúrgico (ameaças contra os insubmissos); versículos 17-20 (o regresso dos discípulos).
Lucas apresenta Jesus a organizar uma missão para as povoações que vai visitar. Desta vez, envia 72 discípulos, para indicar que a missão não é exclusiva dos Doze, mas de toda a comunidade eclesial. O número escolhido é emblemático e indica tanto a fonte da missão (os 70 anciãos de Israel, antecipação da Igreja), como os destinatários, isto é, o número das nações pagãs enumeradas no «mapa das nações», no livro dos Génesis (capítulo 10), que indica a totalidade dos povos da terra. Assim, o horizonte da missão da Igreja é universal. Além disso, no primeiro versículo, encontramos uma bela definição de discípulo e missionário: vai «à frente» de Jesus, precede-o como precursor. Jesus envia-os «dois a dois», para que o seu testemunho tenha valor jurídico como exigia a lei (Deuteronómio 17, 6; 19, 15).
Os compromissos principais do missionário são três. Primeiro, a oração, «pedi», pois a fecundidade missionária nasce do contacto vivo e pessoal com Deus. Segundo, anunciar o Evangelho com paz, serenidade e valentia, mesmo perante a ameaça de perseguição («como cordeiros para o meio de lobos»). Propor, nunca impor ou forçar. Terceiro, ter uma vida sóbria e austera. Definitivamente, viver segundo o estilo de Jesus (cf. 9, 58).
Terminado o trabalho, os discípulos voltam para junto do Senhor. O mal afasta-se («obedeciam») perante a força avassaladora do Evangelho. O entusiasmo é inevitável, mas Jesus trava-o, para entenderem que a verdadeira alegria não está no poder ou no êxito, mas em ter os nomes «escritos nos Céus» (versículo 20).

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Décimo quarto domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.7.13 | Sem comentários

PROPOSTA PARA O DÉCIMO TERCEIRO DOMINGO


Ao longo de várias semanas, seguindo a proposta de Miquel Raventós, na revista «Misa dominical», sugerimos um texto relacionado com o II Concílio do Vaticano para ser lido na eucaristia dominical: no final da homilia ou no silêncio da comunhão ou quando parecer mais oportuno...

No discurso na conclusão da primeira sessão do II Concílio do Vaticano, no dia 8 de dezembro de 1962, o papa João XXIII não escondeu as divergências: «Num quadro tão vasto, é bem natural que tenham sido necessários alguns dias para se chegar a um entendimento sobre o que, dentro da caridade, era motivo de compreensíveis e ansiosas divergências: também isto tem a sua finalidade providencial para o realce da verdade, e mostrou perante o mundo a santa liberdade dos filhos de Deus, tal como ela se encontra na Igreja».
No final desse discurso, o papa pressente a quantidade de trabalhos que o esperam. Nós, hoje, dizemos que se trata da «receção» do Concílio por parte dos cristãos. Naquele dia, afirmou: «Tratar-se-á então de estender a todos os campos da vida da Igreja e às suas repercussões sociais tudo quanto for indicado pela assembleia conciliar [...]. Nessa fase importantíssima ver-se-ão os Pastores unidos num gigantesco esforço de pregação da verdadeira doutrina».
Cinquenta anos depois, esta fase da «receção» do Concílio ainda não está terminada!
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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Ano da fé (2012-2013), Papa Francisco
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo terceiro domingo

30 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 9, 51-62

Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém e mandou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de Lhe prepararem hospedagem. Mas aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém. Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram a Jesus: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?». Mas Jesus voltou-Se e repreendeu-os. E seguiram para outra povoação. Pelo caminho, alguém disse a Jesus: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça». Depois disse a outro: «Segue-Me». Ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». Disse-lhe Jesus: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus». Disse-Lhe ainda outro: «Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família». Jesus respondeu-lhe: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus».



Se olharmos para a totalidade da obra de Lucas damo-nos conta de que tudo se encaminha e conflui para Jerusalém (evangelho); e, a partir de Jerusalém, o centro nevrálgico da obra de Lucas, a Boa Nova espalha-se até aos limites do mundo (Atos dos Apóstolos).
Depois de dois capítulos sobre a infância de Jesus e do ministério de João Batista, inicia-se a parte do ministério de Jesus, que se realiza na Galileia (4, 14 — 9, 50). O texto do evangelho deste domingo é o ponto de viragem que abre a secção central: o caminho para Jerusalém (9, 51 — 19, 44), um longo caminho e cheio de ensinamentos e também de tensões com o centro religioso do judaísmo.

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 9, 51-62

Tomou a decisão de se dirigir a Jerusalém. 

Seguir-te-ei para onde quer que fores.


O texto evangélico deste domingo contém as primeiras linhas da secção central do evangelho segundo Lucas conhecida como «caminho para Jerusalém», ao qual são dedicados dez capítulos (9, 51 — 19, 28). É um longo caminho, não só geográfico e espacial, mas também espiritual e teológico em direção ao último destino do Messias. A célebre frase de Lucas 9, 51 é crucial por dois motivos: indica o início deste longo percurso; menciona a gloriosa ascensão aos céus, com a qual se concluirá o itinerário terreno de Jesus. Deste modo, a vocação de Jesus não tem como destino definitivo a morte, mas a Páscoa e a glória.
No texto deste domingo, podemos distinguir dois temas: a atitude a tomar com aqueles que não aceitam Jesus (versículos 52 a 56) e a disposição daqueles que o seguem (versículos 57 a 62), precedidos por um anúncio do tema (versículo 51). Os samaritanos eram vizinhos odiados. Considerados pior que estrangeiros, eram inimigos de raça e de religião. Contudo, Jesus atreve-se a pedir-lhes hospedagem. A recusa incendiou a ira de Tiago e de João, «os filhos do trovão», que queriam responder imitando o estilo profético de Elias (2Reis 1, 9-12). Firme na sua decisão, Jesus não destrói o inimigo, nem desiste: simplesmente, continua o seu caminho.
No evangelho, Jesus aparece sempre a caminho. Para estar com ele, é preciso segui-lo, caminhar a seu lado, com o mesmo ritmo, nas suas pegadas. Por outras palavras, é preciso adotar o seu estilo de vida. Ditadas pelo próprio Jesus em linguagem proverbial, as condições para o seguir são as seguintes: estar desapegado das coisas e dos apoios humanos e materiais, não retardar a decisão de evangelizar apresentando boas desculpas, e, por fim, não ceder perante a nostalgia do passado, mas trabalhar afincadamente na missão. A expressão «lançar as mãos ao arado» faz alusão à vocação de Eliseu (primeira leitura), mas Jesus mostra-se mais exigente que o antigo profeta.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Décimo terceiro domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.6.13 | Sem comentários

PROPOSTA PARA O DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO


Ao longo de várias semanas, seguindo a proposta de Miquel Raventós, na revista «Misa dominical», sugerimos um texto relacionado com o II Concílio do Vaticano para ser lido na eucaristia dominical: no final da homilia ou no silêncio da comunhão ou quando parecer mais oportuno...

Na Mensagem ao Mundo dos Padres Conciliares, com data de 20 de outubro de 1962, encontramos umas palavras que, mais tarde, irão ressoar na Constituição Dogmática sobre a Igreja no mundo atual — «Gaudium et Spes»: «Reunidos de todas as nações que há debaixo do sol, trazemos nos nossos corações as tribulações de todos os povos que nos estão confiados, as angústias, as dores, os desejos, a esperança. Colocamos a máxima atenção a todas as angústias que hoje afligem todas as pessoas. Por isso, a nossa solicitude volta-se para os mais humildes, os mais pobres e os mais débeis; seguindo Cristo temos de nos compadecer das multidões que passam fome, miséria e ignorância, pondo constantemente diante dos nossos olhos aqueles que, por falta de ajuda adequada, ainda não alcançaram uma condição de vida digna».
Mais adiante, ao falar da paz, fazem esta afirmação: «Confessamos que todos os seres humanos, de qualquer raça ou nação, são todos irmãos». Em cada assembleia dominical ratificamos sempre esta proclamação.
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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Ano da fé (2012-2013), Papa Francisco
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo segundo domingo

23 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 9, 18-24

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, dizem que és João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». Depois, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á».



Os evangelhos (por certo que já ouvimos dizer isto muitas vezes) não são livros de história; são, sobretudo, o eco da primitiva comunidade cristã. No centro desta fé está Jesus, o Cristo, morto e ressuscitado para nossa salvação.
Cada evangelista tem uma prioridade, mas todos convidam a professar a fé em Jesus, que é da nossa família humana e da família de Deus.
Por isso, a pergunta de Jesus aos discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» aparece nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas). E, em João, encontramos o «Eu sou» que se vai dando a conhecer ao longo de todo o evangelho.
Não nos parece estranho que Lucas comece por dizer que Jesus estava em oração. Este é um dos pontos característicos de Lucas. No contexto de oração, onde Deus é o centro, formula aos seus discípulos as perguntas sobre a sua identidade. Estas perguntas ressoam no coração do ser humano de hoje. Teremos a decisão de Pedro? Ou teremos, também como ele, os nossos altos e baixos?

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 9, 18-24

És o Messias de Deus.

O Filho do homem tem de sofrer muito...


A leitura do evangelho segundo Lucas atinge aqui um ponto crucial, que recapitula a primeira parte (manifestação da personalidade de Jesus) e, ao mesmo tempo, prepara a segunda (o longo caminho para Jerusalém). Lucas 9, 18-24 procura responder às muitas interrogações que rodeavam a pessoa de Jesus e se podem resumir na pergunta: «Quem é Jesus?»; eis a questão decisiva para a fé cristã. Lucas recorda a ocasião em que o próprio Jesus apresenta esta questão decisiva aos seus discípulos.
Podemos dividir o texto em três partes: a definição verdadeira de Jesus (versículos 18 a 21); o primeiro anúncio da Paixão (versículo 22); as condições para o discipulado (versículos 23 e 24). A cena não é introduzida por uma indicação geográfica ou temporal, mas pela referência à oração de Jesus. Recordemos que, no evangelho segundo Lucas, a oração está presente em todos os momentos importantes da vida do Mestre. Acontece que Jesus quer fazer um balanço da opinião geral, quer saber o que o povo pensa dele. O resultado não manifesta um fracasso, mas uma insuficiência: pensam que é um profeta. Não estão totalmente errados, mas não é exato. Jesus é muito mais do que um profeta. A seguir, questiona os próprios discípulos e Pedro responde decidido: «És o Messias de Deus», isto é, o Ungido pelo Espírito Santo (cf. 4, 18), o Filho de Deus.
Jesus impõe silêncio, porque quer explicar esta definição com uma catequese apropriada. Não quer que os discípulos associem o título de «Messias» apenas ao conceito de glória e de vitória. Por isso, anuncia-lhes a Paixão, para que entendam que Jesus é um Salvador que salva mediante a entrega pessoal pelo bem da humanidade, um Messias que liberta mediante o sangue na cruz e a recusa dos poderosos: os anciãos, os príncipes dos sacerdotes e os escribas (versículo 22).
O evangelho une este primeiro anúncio da Paixão com umas indicações destinadas ao «seguidor» de Jesus (o discípulo, o cristão): negar-se a si mesmo, ou seja, renunciar ao egoísmo; tomar a sua cruz todos os dias; estar dispostos a perder/sacrificar a vida (temporal) para ganhar a Vida (eterna), ou seja, para se salvar. Seguir Jesus significa percorrer o mesmo caminho, aceitando os sofrimentos, sacrifícios e dificuldades de uma vida por amor.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Décimo segundo domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.6.13 | Sem comentários

PROPOSTA PARA O DÉCIMO PRIMEIRO DOMINGO


Ao longo de várias semanas, seguindo a proposta de Miquel Raventós, na revista «Misa dominical», sugerimos um texto relacionado com o II Concílio do Vaticano para ser lido na eucaristia dominical: no final da homilia ou no silêncio da comunhão ou quando parecer mais oportuno...

No discurso de abertura do II Concílio do Vaticano (11 de outubro de 1962), encontramos estas palavras do papa João XXIII: «Parece-nos que devemos discordar desses profetas da desgraça, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo».
Depois, ao falar da principal tarefa do Concílio, afirma que «o que mais importa ao Concílio Ecuménico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz».
Por isso, insiste o Papa: «É nosso dever não só conservar este tesouro precioso, mas também [...] é necessário que esta doutrina [...] seja aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo. Uma coisa é a substância do «depósito da fé», [...] e outra é a formulação com que são enunciadas as verdades da fé [...]. Será preciso atribuir muita importância a esta forma e, se necessário, insistir com paciência, na sua elaboração; e dever-se-á usar a maneira de apresentar as coisas que mais corresponda ao caráter prevalentemente pastoral».
Vale a pena pensar nisto... até porque já foi dito há cinquenta anos!
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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    [1] [2]

Ano da fé (2012-2013), Papa Francisco
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo primeiro domingo

16 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 7, 36 — 8, 3

Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para comer com ele. Jesus entrou em casa do fariseu e tomou lugar à mesa. Então, uma mulher – uma pecadora que vivia na cidade – ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com perfume; pôs-se atrás de Jesus e, chorando muito, banhava-Lhe os pés com as lágrimas e enxugava-Lhos com os cabelos, beijava-os e ungia-os com o perfume. Ao ver isto, o fariseu que tinha convidado Jesus pensou consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia que a mulher que O toca é uma pecadora». Jesus tomou a palavra e disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te». Ele respondeu: «Fala, Mestre». Jesus continuou: «Certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Como não tinham com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles ficará mais seu amigo?». Respondeu Simão: «Aquele – suponho eu – a quem mais perdoou». Disse-lhe Jesus: «Julgaste bem». E voltando-Se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Não Me deste o ósculo; mas ela, desde que entrei, não cessou de beijar-Me os pés. Não Me derramaste óleo na cabeça; mas ela ungiu-Me os pés com perfume. Por isso te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama». Depois disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados». Então os convivas começaram a dizer entre si: «Quem é este homem, que até perdoa os pecados?». Mas Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz». Depois disso, Jesus ia caminhando por cidades e aldeias, a pregar e a anunciar a Boa Nova do reino de Deus. Acompanhavam-n’O os Doze, bem como algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades. Eram Maria, chamada Madalena, de quem tinham saído sete demónios, Joana, mulher de Cusa, administrador de Herodes, Susana e muitas outras, que serviam Jesus com os seus bens.



Depois da proclamação das bem-aventuranças e do amor aos inimigos, Lucas põe na boa de Jesus o que podemos chamar de paradigma da sua vida, da sua maneira de agir e de pensar: «Sede misericordiosos [compassivos] como o vosso Pai é misericordioso [compassivo]» (Lucas 6, 36). Se caminharmos ao lado de Jesus, daremos conta de como a misericórdia de Deus é o norte da vida de Jesus. E tem de o ser também da vida dos seus discípulos.
Esta misericórdia torna-se visível não só quando cura os doentes, mas sobretudo quando perdoa os pecados: «Disse à mulher: 'Os teus pecados estão perdoados'». Na linguagem de hoje (já que nem todos entendemos o mesmo quando falamos de pecado), dizemos que Jesus traz a paz ao coração. Jesus não só quer uma vida digna para os marginalizados, mas sobretudo uma vida reconciliada (com Deus, consigo e com os outros). Este é o objetivo do Reino de Deus.
No texto do evangelho, percebemos a diferença que é ver a realidade a partir de Jesus ou a partir do fariseu que «convidou Jesus para comer com ele». Jesus nunca perde de vista aquele «sede misericordiosos»; o fariseu, ao contrário, contempla tudo a partir da lei. Para Jesus, aquela mulher é alguém que deve ser acolhida e acompanhada, porque... E precisa, como o pão de cada dia, que alguém a olhe com bondade. E este não é o olhar do fariseu.

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 7, 36 — 8, 3

São-lhe perdoados os seus muitos pecados, 

porque muito amou


O texto do evangelho é uma das páginas mais comoventes de Lucas (Lucas 7, 36-50), à qual se acrescentam três versículos sobre as pessoas que acompanham Jesus (homens e mulheres), na sua missão (8, 1-3). A nossa protagonista é a única mulher que recebe o perdão de Jesus; é a única mulher que, sem pedir, fica livre de uma enfermidade, não do corpo mas do espírito. A mulher do perfume tinha vivido uma vida de pecado. E Jesus aplica um remédio de eficácia instantânea. Perdoa todos os seus pecados de um só vez. Não os recorda, não os conta, não os classifica. O remédio de Jesus regenera no coração morto da mulher os sentimentos mais delicados do ser humano: amor e gratidão. E como ela não sabe falar, o seu coração impulsa-a para um gesto audaz. 
Os personagens da cena são Jesus, a mulher pecadora, Simão, o fariseu, e os outros comensais. Todos estão implicados na mesma trama, onde a lógica da lei se confronta com a lógica do amor. Simão, o fariseu, e o seu grupo representam a lei. Jesus encarna o amor. E, no meio, está a mulher pecadora: Simão acusa-a, Jesus perdoa-a. A ação insólita da mulher provoca o julgamento de Simão; o julgamento de Simão provoca a intervenção de Jesus; Jesus desencadeia a reação dos convidados. 
A partir da perspetiva de Jesus, os atos de amor da mulher contrastam vigorosamente com as negligências do anfitrião. Simão, em relação a Jesus, descuidou os gestos mais elementares de hospitalidade, como lavar os pés, dar-lhe o beijo da paz e ungir-lhe a cabeça com óleo. Por conseguinte, também Simão é um transgressor da lei, um anfitrião que não cumpriu o seu dever. A ação da mulher, ao contrário, superou em muito todas as normas de cortesia reservadas aos hóspedes. A mulher esforçou-se por tratar o seu convidado sem descuidar nenhum detalhe. Para Jesus, a verdadeira anfitriã foi aquela mulher. E o que ela fez por amor coloca em evidência o que Simão omitiu seguramente por temor.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Quem é este homem, que até perdoa os pecados
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.6.13 | Sem comentários

PROPOSTA PARA O DÉCIMO DOMINGO


Ao longo de várias semanas, seguindo a proposta de Miquel Raventós, na revista «Misa dominical», propomos um texto relacionado com o II Concílio do Vaticano para ser lido na eucaristia dominical: no final da homilia ou no silêncio da comunhão ou quando parecer mais oportuno...

Um caminho que conduz diretamente ao coração do Concílio — e que é preciso considerar como uma chave hermenêutica de primeiro grau — é dar a palavra aos papas do Concílio. E assim o faremos durante várias semanas.
Recuperemos, brevemente, as palavras de João XXIII, com as quais fez o anúncio do Concílio, no dia 25 de janeiro de 1959, na basílica de São Paulo Extramuros, quando se cumpriam três meses do início do seu pontificado: «Veneráveis irmãos e queridos filhos! Pronunciamos diante de vós, embora tremendo de emoção, juntamente com uma humilde e firme determinação, o nome e a proposta de uma dupla celebração: um Sínodo diocesano para a Cidade e um Concílio ecuménico para a Igreja universal». Estas palavras de João XXIII são o ponto de partida para um trabalho duro e de uma forte esperança para a Igreja e para o mundo, na segunda metade do século XX.
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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    [1]

Ano da fé (2012-2013), Papa Francisco
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo domingo

9 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 7, 11-17

Naquele tempo, dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores». Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te». O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe. Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo». E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.



Neste ano litúrgico, acompanha-nos o evangelho segundo Lucas. Qualquer domingo em que é proclamado é um bom momento para sublinhar os seus rasgos mais característicos. Um biblista contemporâneo diz-nos que é o mais acessível para captar a mensagem de Jesus como Boa Nova de um Deus compassivo, defensor dos pobres, curador dos doentes e amigo dos pecadores.
Se, por um lado, a filosofia moderna sublinha que o ser humano é «homo patiens», «ser que sofre», por outro, a partir do evangelho segundo Lucas, falamos, sobretudo, de um Deus que é com-passivo, isto é, que sofre connosco. Lucas destaca com firmeza um Jesus que está próximo e que está ao lado dos que sofrem.

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 7, 11-17

Jovem, Eu te ordeno: levanta-te


Retomamos a leitura semi-contínua do evangelho segundo Lucas, que foi interrompida no tempo da Quaresma. Este domingo, lemos uma das páginas mais emotivas: a ressurreição do filho de uma viúva, em Naim.
Depois de curar o servo de um centurião romano, em Cafarnaúm, Jesus foi para Naim, uma povoação não muito distante de Chuném, a localidade onde o profeta Eliseu ressuscitou o filho de uma chunamita (2Reis 4, 18-37). Ao ver uma viúva acompanhando o féretro do seu único filho, o Senhor (é a primeira vez no evangelho que Jesus é designado com o título «Kyrios»: «Senhor») compadeceu-se, isto é, comoveu-se no coração, nas suas entranhas. O verbo grego é sumamente expressivo: indica uma compaixão «entranhada», igual à sentida pelo pai do filho pródigo (15, 20) ou pelo bom samaritano (10, 33). Recordemos que a misericórdia é característica de Deus, «rico em misericórdia».
Jesus procura tranquilizar a mãe desconsolada: «Não chores» (versículo 13); e ao filho morto diz: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te!» (versículo 14). A chave de interpretação do episódio encontra-se na aclamação, em coro, da assembleia: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo» (versículo 16). Jesus não ocupa o centro desta história de dor apenas porque é o homem da compaixão e do amor, que vai ao encontro do sofrimento e da angústia das pessoas. Ainda que este seja um tema importante e característico de Lucas, nesta ocasião não constitui o elemento decisivo. Jesus não ocupa o centro da história por ser um «profeta», como exclama a multidão. Sim, ele é o depositário da Palavra da Deus, é o mensageiro da salvação, mas essa não é a razão principal do seu protagonismo. Jesus ocupa o centro da história porque é a «visita» salvífica de Deus no meio do povo. Este é o significado bíblico do verbo «visitar» («paqad», em hebraico; «episkiazein», em grego). A presença, as palavras e os gestos de Jesus são sinais da vontade salvífica de Deus.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o décimo domingo, ano c, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.13 | Sem comentários
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