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Nada do que é humano é alheio à Igreja


Um dos pontos em que mais insiste o papa Francisco desde que chegou ao ministério petrino é, sem dúvida, o convite a ir às periferias da existência para pregar o amor de Deus. Voltou a repeti-lo aos movimentos apostólicos no encontro que decorreu na Vigília de Pentecostes: «Uma Igreja fechada [...] é uma Igreja doente. A Igreja tem de sair de si mesma. Aonde? Até às periferias existenciais, quaisquer que sejam, mas sair».
São muitos os que perguntam quais sãos essas «periferias» a que se refere o Papa. Refere-se aos bairros de lata das cidades, aos sítios mais pobres? Sim, refere-se a isso, mas não de modo exclusivo. De facto, o Santo Padre costuma acompanhar a palavra «periferia» com um adjetivo interessante: existencial. De que é que está a falar, então?

Um espaço para evangelizar

Pessoalmente, penso que o papa Francisco está a convidar-nos a ir aos lugares que normalmente não são evangelizados; seja porque são difíceis, seja porque pareciam afastados da missão da Igreja. Hoje, que sítios requerem uma audácia particular da parte da Igreja para a evangelização? Muitos podem ser catalogados com esta etiqueta. Um deles é... Internet.
Sim, Internet. Porque a rede já não é só um meio para passar tempo, mas é, como lhe chamou Bento XVI, um «continente digital» habitado por todos. Vamos à internet para nos informarmos, mas também para comprar coisas, para procurar trabalho, um companheiro ou para o discernimento vocacional. A internet é hoje um eixo sobre o qual gira a nossa sociedade. E a Igreja, nós, somos indiferentes?
Em janeiro deste ano, Bento XVI disse uma frase que me parece certeira: «um aspeto importante da Encarnação é o extraordinário realismo do amor de Deus, que quer entrar na nossa história». Ao tornar-se homem, Deus partilha a nossa vida e quer estar presente em todos os aspetos da existência humana, onde a internet e e as redes sociais são uma parte importante. A Igreja não pode ficar indiferente perante isto e, por isso, procura chegar aí para transmitir também o amor de Deus. Certamente, é importante que do virtual alguém possa encaminhar as pessoas para os sacramentos e para o contacto direto com Deus, mas o primeiro passo do encontro com Ele, de formação na fé ou de reavivar a esperança pode-se dar na internet. 

Coerência, acolhimento, bondade

Descendo ao concreto, diria que a melhor evangelização na internet é a coerência. Pensemos, por exemplo, no twitter. Um tweet meu — ou de qualquer católico que transmite com entusiasmo e alegria a sua fé —, pode aproximar as pessoas de Deus. Se percebem que sou coerente, convicto da minha fé, simples e alegre nas minhas publicações, Deus encarrega-se de lhes fazer notar que «ali há algo mais». Normalmente começa-se pelo lado humano e depois Deus encarrega-se do resto.
Isto serve para os sacerdotes, religiosos e religiosas, mas, principalmente, para os jovens. Porque ser uma testemunha jovem nas redes sociais é, muitas vezes, muito mais eficaz e potente do que aquilo que aí possa fazer um sacerdote. E não é preciso pregar misticismo ou imagens religiosas a todo o momento. Com o que já tens, com o que vives, mas sob o prisma de Deus.
Permitam-me uma aplicação concreta que nos acontece todos os dias. A internet é como um grande recipiente, um vaso gigante onde cabem muitas pessoas, cada um com as suas características específicas: um é frio como o gelo, o outro é temperamental como um café e outro deseja ser simplesmente um pouco de água. Todos estão lá. É evidente que o frio chocará com o calor e que a água natural se sinta ferida pelo corante de uma bebida cola. 
Assim acontece connosco. Com alguns, entendemo-nos de modo natural, porque partilhamos os mesmos ideais e crenças. Mas há outros que são totalmente diferentes e até fervem com o nosso modo de ser. Como posso conviver com alguém assim no mesmo vaso do mundo que é a internet? A resposta é dada por um ponto do Decálogo para a Evangelização do projeto iMisión: a abertura. É importante acolher a todos, demonstrar-lhes que ser crente não é «fazer parte de um gueto», mas que, como o nome católico indica, somos universais.
Em conclusão, um bom católico, quando vive a sua fé com entusiasmo, atrai os outros e contagia esse amor por Deus e pelas suas coisas. Fá-lo de forma natural e serena. Neste sentido, a bondade e a alegria são a melhor linguagem que podemos usar na internet. Atenção: não «bondadezinha», mas bondade. A «bondadezinha» é uma atitude pouco cristã, pois não quer aceitar a cruz quando ela aparece e pensa que, como Deus é bom, o cristão não deve sofrer. Não. O cristão sabe que sofrerá, mas nem por isso deixa de viver com entusiasmo e alegria a sua vida. É uma bondade acompanhada pela verdade. Ou melhor: da Verdade com maiúscula: de Deus. 

Sair para fora, sair!

Já não se pode ver a internet como «o lugar das coisas más» ou «onde só se perde tempo». Não podemos viver numa redoma ou fechados no nosso mundo, como os apóstolos depois da ressurreição, com medo do mal que nos possa acontecer.
Não podemos ser uma Igreja fechada, mas lançada à evangelização digital. Somos desafiados a isto pelo papa Francisco na Vigília de Pentecostes, na citação já mencionada: «Não vos fecheis, por favor. [...] Quando a Igreja se fecha, adoece [...]. Jesus diz-nos: 'Ide por todo o mundo. Ide. Pregai. Dai testemunho do Evangelho' (cf. Marcos 16, 15). Mas o que é que acontece quando alguém sai de si mesmo? Pode acontecer o mesmo que se pode passar com qualquer pessoa que saia de casa e vá pela rua: um acidente. Eu digo-vos: prefiro mil vezes uma Igreja acidentada, que tenha sofrido um acidente, do que uma Igreja doente por se fechar. Saí para fora, saí!».
Isto é o que somos chamados a pregar na internet, essa periferia existencial do século XXI.

© Juan A. Ruiz, membro do projeto imision.org
© Innovatie Media Inc. 
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Evangelizar na internet
Postado por Anónimo | 26.5.13 | Sem comentários

«Quem tem ouvidos para ouvir, oiça»


Santiago Casanova Miralles, membro da equipa do projeto «iMisión», reflete sobre a relação entre as redes sociais e a vida, discordando daqueles que dizem que as redes sociais não têm nada a ver com a vida do dia a dia. E recorda ainda a importância que Jesus Cristo dá ao anúncio do Evangelho. Há alguma relação entre as redes sociais e a Ressurreição? 

A mim, parece-me estranho que haja tantas pessoas que digam que as redes sociais são uma realidade virtual que não tem nada a ver com a vida. Por favor! Aqueles que as frequentamos com fluidez e assiduidade já percebemos — e continuamos a percebê-lo diariamente — que as redes sociais são como a própria vida! Cada um tem de se associar a esses lugares de encontro e perceber o que está a acontecer, quem se passeia por lá e que tipo de relações se estabelecem. Vou dar um exemplo de grande atualidade e muito pastoral.
Estamos em tempo de Páscoa. Todos os que seguimos Jesus celebramos com alegria que Jesus ressuscitou, que está vivo, que já não há motivo para a falta de esperança nem para a tristeza. A luz vence as trevas, a vida vence a morte. Jesus salvou-nos. Há alguma relação entre as redes sociais e a Ressurreição?

Gosto - Partilhar ou Favorito - Retweetar 

Há pessoas na vida, como nas redes sociais, que não gostam de se comprometer em demasia. Mas também não querem estar afastadas; por isso, relacionam-se à sua maneira, mas não geram muita vida à sua volta. São os assíduos ao «gosto» do Facebook ou aos favoritos do Twitter. Pessoas que acumulam experiências, que lêem tudo, que estão em todas, que se inscrevem aqui e ali, colecionadoras de sentimentos, emoções, momentos, fotografias, recordações. Estão lá, presentes à sua maneira. Lêem tudo e guardam para si, acumulando talentos, enterrando tesouros e guardando pérolas. Certamente que têm razões para isso e que o Senhor as conhece. Talvez exista algo que as impeça de gritar, de se mostrarem, de se atirarem de cabeça... Se és uma dessas pessoas, gostaria de te escutar em silêncio, aberto à tua verdade.
Há outros que não aguentam, que entendem que a vida não é só sua e que quando alguém encontra um tesouro, vende tudo o que tem para o conseguir. São pessoas multiplicadoras, geradoras de correntes, de movimento... São testemunhas do bem, Madalenas que correm a anunciar que se encontraram com o Mestre, coxos e cegos que contam o seu milagre porque será semente de fé para outros... São pessoas que entendem a vida em comunidade, coerentes com a sua aposta em fazer parte de algo maior do que elas próprias.
Vale a pena dizer que as ferramentas dos meios de comunicação social que calculam o nível de influência de qualquer pessoa na rede valorizam as respostas, os retwetes, os comentários... participação ativa. Jesus, que também sabia um pouco de comunicação social, pede a Madalena e às mulheres, e depois aos apóstolos: Ide e anunciai. Não basta que vós saibais a Boa Notícia! Porque será boa e será notícia se for transmitida, propagada, anunciada... A Boa Notícia só é boa quando não fica só para um. 

Amigos? Seguidores?

Há os que são amigos de todos, que nem sequer conhecem os amigos. Há os das amizades raras, profundas e cultivadas e aqueles que se rodeiam de conhecidos a quem nem sequer perguntariam as horas. Existem os que seguem muitos só porque são seguidos por eles, os que só seguem os que têm a mesma opinião, os que só seguem os que são populares e os que nem a família conhecem, quase. As redes sociais não se parecem com a vida? Então! Mas o melhor é que também existem os que conhecem bem as pessoas desconhecidas porque se oferecem para acolher e se dão a conhecer. Existem os que conectam, os que se apoiam, os que se unem, os que constroem algo que vale a pena... Isto é mais real do que muitos «avatares» com pernas e braços com quem me cruzo no dia a dia.
E há pessoas que rezam umas pelas outras, que vivem juntas a sua fé, que se apoiam, que se amam, que se escrevem, que se animam, que se apoiam à distância... E a mim isso cheira-me a um Jesus real, vivo e ressuscitado.
Quem tem ouvidos para ouvir, oiça. Se quiser, claro...

© Santiago Casanova Miralles — www.imision.org —
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013 – Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.5.13 | Sem comentários
enredados

Vivemos enREDados, interconectados uns com os outros. Quando permanecemos unidos a Cristo e à sua Igreja convertemo-nos em sinal e instrumento da presença de Deus no mundo. Webs, blogs e redes sociais são a matéria da qual é feita esta realidade que, como tal, também é assumida por Cristo na sua Encarnação e missão redentora. Nada do que é humano está fora de Deus que chama toda a Criação à plenitude da vida em Cristo. Uma missão antiga, mas não antiquada, foi-nos confiada: «Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura» (Marcos 16, 15). EnREDate!

© www.imision.org
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.5.13 | Sem comentários

Redes sociais e nova evangelização


Susana Hortigosa García, co-fundadora do projeto «iMisión», propõe duas premissas imprescindíveis na «bagagem» do missionário na rede: a internet não é um mero instrumento, a internet é um lugar, um novo continente que faz parte da vida real; ser e estar na internet em nome da missão e não para proveito próprio.  

Um dos cenários mais recorrentes quando se fala de Nova Evangelização são as redes sociais na internet. Mas qual é a linguagem e quais são as regras neste território, para muitos de nós inexplorado? Oferecemo-vos duas premissas imprescindíveis na «bagagem» do missionário na rede.
Há pouco tempo, num curso sobre evangelização nas redes sociais, um dos formadores começou a sua intervenção com um vídeo. Era um fragmento da película «A Missão»: um jesuíta entra na selva, oboé em riste, procurando estabelecer com os nativos algo parecido com um diálogo; mas é recebido com uma não demasiada cordialidade. Terminada a cena, o conferencista questionou-nos sobre os paralelismos que encontrávamos entre a situação que tínhamos visto e a de quem pretende evangelizar na internet.
Vieram à baila os instrumentos, as linguagens, os idiomas, os códigos. Insuspeitas semelhanças entre o oboé e o computador, entre o oboé e o Facebook, entre o oboé e... O conferencista olhava atónito para nós. Não entendia como estavamos a passar por cima do mais evidente: o religioso estava num lugar desconhecido, mas tinha lá ido para evangelizar.
Ora, isto acontece porque, queiramos ou não, continuamos a pensar na internet como um instrumento e não como um lugar. A internet, longe de ser um simples meio de comunicação ou um passatempo para informáticos e adolescentes com problemas de sociabilização, converteu-se num autêntico novo continente; um continente habitado e a fervilhar de atividade, onde a maioria da população passa boa parte da sua vida.
Segundo a última sondagem da AIMC (Associação para a Investigação de Meios de Comunicação), em Espanha, no ano de 1996, apenas 392 pessoas tinham usado a internet no último mês referente ao momento da sondagem. Segundo o mesmo organismo, em 2012, 24 204 pessoas estiveram na internet no último mês e 10 029 delas tinham-na visitado no dia anterior. Isto significa que 85, 5% dos espanhóis visita a internet mais do que uma vez ao dia. 

Ser e estar

Nós, os internautas, conhecemos outras pessoas na rede, compramos, divertimo-nos, lemos, partilhamos as coisas de que gostamos, jogamos, assistimos a aulas, vemos filmes, escutamos música, informamo-nos, falamos com os nossos amigos ou com desconhecidos. A linha entre a internet e a «vida real» é cada vez mais difusa, pela simples razão de que o que se faz na internet é uma parte da vida real.
Existe neste novo continente uma lei não escrita, mas escrupulosamente respeitada. Trata-se da meritocracia. Na internet, não importa como te chamas ou o cargo que ocupas noutros locais: tens que ganhar o respeito dos outros pelas tuas próprias forças. Isto, que à partida parece uma boa perspetiva, é um dos maiores inimigos do missionário na internet. A coluna vertebral da missão é o despojar-se de si mesmo para se entregar a Cristo e ao próximo. Contudo, na internet tudo é visível e multitudinário. 
Uma pequena habilidade no momento certo pode ser recompensada de um modo desproporcionado. Um exemplo: eu sigo no «Spotify» (uma plataforma de música onlline) um rapaz que tem 68 288 seguidores, simplesmente porque uma manhã levantou-se e decidiu fazer uma lista de músicas que se tornou popular. Com este sistema de recompensa, corre-se o risco de que a missão acabe por ser a «minha» missão: o meu projeto, a minha página web, os meus seguidores; e o esforço evangelizador vá degradando num esforço para conseguir mais um «gosto» ou mais um comentário elogioso. 
Por isso, neste continente mais do que em nenhum outro, é necessário manter vivos os versos do salmista: «Não a nós, Senhor, não a nós, mas para glória do teu nome». Assim, manter esta presença necessária de um testemunho fiel a Cristo, estando «sempre prontos para apresentar a todos os que vos pedirem a razão da vossa esperança; sempre, antes de mais, com doçura, respeito e reta consciência».

© Susana Hortigosa García — www.imision.org —
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013 – Laboratório da fé
Postado por Anónimo | 8.5.13 | Sem comentários
— Um dos fenómenos mediáticos de 2013 —

Um dos fenómenos mediáticos de 2013 foi, sem dúvida, o Conclave. A renúncia de Bento XVI virou trending topic mundial no Twitter. E, desde então, extrapolando os ambientes confessionais, abundaram as infografias, os vídeos e outros diversos materiais, que tentavam explicar de modo interativo o que é um conclave, quem são os cardeais eleitores, como é a eleição de um novo papa. 
O Facebook e o YouTube ainda estavam em desenvolvimento quando Bento XVI foi eleito papa, em 2005. O Twitter nem existia, assim como também não existiam o Google+, o LinkedIn, o Tumblr, o Instagram e o Pinterest. Hoje não é difícil conhecer um por um os rostos dos cardeais em fotos no Facebook ou ver as notícias em tempo real através das contas dos próprios jornalistas que cobrem o conclave de Roma. É a primeira vez que a eleição de um papa pode ser «experienciada» on line, com os interessados a envolverem-se nas informações. 
A meio da semana das Congregações Gerais dos cardeais, o chamado pré-conclave, uma jornalista de língua alemã perguntou ao porta-voz da Santa Sé se haveria alguma providência para evitar que os cardeais comunicassem o nome do novo papa antes do anúncio oficial do Habemus Papam. Segundo ela, a imprensa alemã teria sabido da eleição de Joseph Ratzinger, em 2005, com dez minutos de antecedência em relação ao resto do mundo, graças a uma SMS de um cardeal indiscreto. A pergunta lembra-nos que, agora, é mais fácil do que nunca adiantar-se ao fumo branco da chaminé da capela católica mais famosa do mundo. 
Indiscrições à parte, estamos diante de um novo trending topic: o nome do novo papa. A hashtag #conclave teve destaque mundial no Twitter nesta terça-feira, 12. Na véspera, pela primeira vez na história, os momentos prévios ao início do conclave foram transmitidos ao vivo pelo YouTube.
Há, no fundo, algo maior: as redes sociais estão a possibilitar um novo modo de viver e de experimentar a Igreja. Um desafio, mas também uma grande possibilidade para apresentá-la como ela é: em tempo real e sem maquilhagem, com as limitações próprias de uma organização composta por seres humanos, mas dotada também de uma beleza natural e bimilenar que vem da fé. 
O modo como a Santa Sé está a responder à questão da transparência, com os grandes espaços dedicados aos mais de 5000 jornalistas creditados junto do Vaticano, já diz bastante. Mas diz mais ainda a abertura da Igreja aos milhões de usuários de redes sociais que estão a entrar em contacto com ela graças a retweets e posts compartilhados.

Jorge Henrique Mújica — www.zenit.org —



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.3.13 | Sem comentários

Entrevista a Dom Claudio Maria Celli


A agência de notícias «Zenit» realizou, através de Jose Antonio Varela Vidal, uma entrevista a Dom Claudio Maria Celli, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Socais, tendo por base a Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2013 — «Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização». Aqui, publicamos algumas das perguntas e respostas (a totalidade da entrevista pode ser lida no sítio da agência noticiosa www.zenit.org).

As redes sociais são muito mais do que meros meios de comunicação?
Não são instrumentos, são ambientes de vida, são realidades onde eu «moro». Portanto, eu não utilizo as redes sociais só para anunciar o Evangelho, mas morando na rede social, com o meu testemunho, com o meu anúncio, eu comunico Jesus Cristo, a sua palavra, a sua proposta. Numa mensagem há alguns anos, até mesmo o Santo Padre falava de uma «diaconia da cultura digital», convidando os bispos a formar no seu próprio ambiente um pequeno grupo de padres que pudessem trabalhar na rede e exercitar uma verdadeira e genuína pastoral.

Quais são os desafios que emergem deste novo mundo?
Uma questão muito delicada no campo das novas tecnologias é o da linguagem. No sentido de que é preciso ter a capacidade para utilizar uma linguagem compreensível por todos os homens e mulheres de hoje. De facto, o Papa fala na Mensagem que não espera só uma citação formal da palavra do Evangelho. Não se trata de repetir somente as passagens das Escrituras, mas quem mora na rede tem que dar testemunho com a própria vida de uma relação existencial entre vida e Evangelho. O Santo Padre mesmo nos deu este exemplo entrando no Twitter. O seu desejo era justamente o de estar do lado dos homens e mulheres de hoje, e permanecer do lado deles com a sua palavra. E sim, o Twitter é limitado só a 140 caracteres, porém estas poucas palavras podem ter um conteúdo profundo que pode ajudar o homem a redescobrir o sentido profundo da sua vida.

Como é que a comunicação social católica vai colaborar para promover a nova Evangelização?
Eu acho que o convite para evangelizar é para todos. Todo o discípulo de Jesus Cristo deve assumir esta responsabilidade, que está ligada ao seu batismo, ou seja, de ser anúncio, instrumento, presença, proposta. Este é um ponto de referência fundamental. Este esforço evangelizador ajudará as pessoas a usarem bem tudo o que a tecnologia oferece.

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Internet 2.0: novo continente
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.1.13 | Sem comentários

Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais: 12 de maio de 2013


Amados irmãos e irmãs,
Encontrando-se próximo o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2013, desejo oferecer-vos algumas reflexões sobre uma realidade cada vez mais importante que diz respeito à maneira como as pessoas comunicam actualmente entre si; concretamente quero deter-me a considerar o desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a aparição duma nova ágora, duma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade.
Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana. A troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contactos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma.
O desenvolvimento das redes sociais requer dedicação: as pessoas envolvem-se nelas para construir relações e encontrar amizade, buscar respostas para as suas questões, divertir-se, mas também para ser estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos. Assim as redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade enquanto unem as pessoas na base destas necessidades fundamentais. Por isso, as redes sociais são alimentadas por aspirações radicadas no coração do homem.
A cultura das redes sociais e as mudanças nas formas e estilos da comunicação colocam sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Muitas vezes, como acontece também com outros meios de comunicação social, o significado e a eficácia das diferentes formas de expressão parecem determinados mais pela sua popularidade do que pela sua importância intrínseca e validade. E frequentemente a popularidade está mais ligada com a celebridade ou com estratégias de persuasão do que com a lógica da argumentação. Às vezes, a voz discreta da razão pode ser abafada pelo rumor de excessivas informações, e não consegue atrair a atenção que, ao contrário, é dada a quantos se expressam de forma mais persuasiva. Por conseguinte os meios de comunicação social precisam do compromisso de todos aqueles que estão cientes do valor do diálogo, do debate fundamentado, da argumentação lógica; precisam de pessoas que procurem cultivar formas de discurso e expressão que façam apelo às aspirações mais nobres de quem está envolvido no processo de comunicação. Tal diálogo e debate podem florescer e crescer mesmo quando se conversa e toma a sério aqueles que têm ideias diferentes das nossas. «Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza» (Discurso no Encontro com o mundo da cultura, Belém, Lisboa, 12 de Maio de 2010).
O desafio, que as redes sociais têm de enfrentar, é o de serem verdadeiramente abrangentes: então beneficiarão da plena participação dos fiéis que desejam partilhar a Mensagem de Jesus e os valores da dignidade humana que a sua doutrina promove. Na realidade, os fiéis dão-se conta cada vez mais de que, se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interacção humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito para uma presença significativa dentro do mesmo.
A capacidade de utilizar as novas linguagens requer-se não tanto para estar em sintonia com os tempos, como sobretudo para permitir que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão que sejam capazes de alcançar a mente e o coração de todos. No ambiente digital, a palavra escrita aparece muitas vezes acompanhada por imagens e sons. Uma comunicação eficaz, como as parábolas de Jesus, necessita do envolvimento da imaginação e da sensibilidade afectiva daqueles que queremos convidar para um encontro com o mistério do amor de Deus. Aliás sabemos que a tradição cristã sempre foi rica de sinais e símbolos: penso, por exemplo, na cruz, nos ícones, nas imagens da Virgem Maria, no presépio, nos vitrais e nos quadros das igrejas. Uma parte consistente do património artístico da humanidade foi realizado por artistas e músicos que procuraram exprimir as verdades da fé.
A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria: a fé em Deus, rico de misericórdia e amor, revelado em Jesus Cristo. Tal partilha consiste não apenas na expressão de fé explícita, mas também no testemunho, isto é, no modo como se comunicam «escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011). Um modo particularmente significativo de dar testemunho é a vontade de se doar a si mesmo aos outros através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana. A aparição nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância e a relevância da religião no debate público e social.
Para aqueles que acolheram de coração aberto o dom da fé, a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. É natural que a pessoa que possui a fé deseje, com respeito e tacto, partilhá-la com aqueles que encontra no ambiente digital. Entretanto, se a nossa partilha do Evangelho é capaz de dar bons frutos, fá-lo em última análise pela força que a própria Palavra de Deus tem de tocar os corações, e não tanto por qualquer esforço nosso. A confiança no poder da acção de Deus deve ser sempre superior a toda e qualquer segurança que possamos colocar na utilização dos recursos humanos. Mesmo no ambiente digital, onde é fácil que se ergam vozes de tons demasiado acesos e conflituosos e onde, por vezes, há o risco de que o sensacionalismo prevaleça, somos chamados a um cuidadoso discernimento. A propósito, recordemo-nos de que Elias reconheceu a voz de Deus não no vento impetuoso e forte, nem no tremor de terra ou no fogo, mas no «murmúrio de uma brisa suave» (1 Rs 19, 11-12). Devemos confiar no facto de que os anseios fundamentais que a pessoa humana tem de amar e ser amada, de encontrar um significado e verdade que o próprio Deus colocou no coração do ser humano, permanecem também nos homens e mulheres do nosso tempo abertos, sempre e em todo o caso, para aquilo que o Beato Cardeal Newman chamava a «luz gentil» da fé.
As redes sociais, para além de instrumento de evangelização, podem ser um factor de desenvolvimento humano. Por exemplo, em alguns contextos geográficos e culturais onde os cristãos se sentem isolados, as redes sociais podem reforçar o sentido da sua unidade efectiva com a comunidade universal dos fiéis. As redes facilitam a partilha dos recursos espirituais e litúrgicos, tornando as pessoas capazes de rezar com um revigorado sentido de proximidade àqueles que professam a sua fé. O envolvimento autêntico e interactivo com as questões e as dúvidas daqueles que estão longe da fé, deve-nos fazer sentir a necessidade de alimentar, através da oração e da reflexão, a nossa fé na presença de Deus e também a nossa caridade operante: «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine» (1 Cor 13, 1).
No ambiente digital, existem redes sociais que oferecem ao homem actual oportunidades de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Mas estas redes podem também abrir as portas a outras dimensões da fé. Na realidade, muitas pessoas estão a descobrir – graças precisamente a um contacto inicial feito on line – a importância do encontro directo, de experiências de comunidade ou mesmo de peregrinação, que são elementos sempre importantes no caminho da fé. Procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da terra.
Enquanto de coração vos abençoo a todos, peço ao Espírito de Deus que sempre vos acompanhe e ilumine para poderdes ser verdadeiramente arautos e testemunhas do Evangelho. «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15).

Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – do ano 2013.
BENEDICTUS PP. XVI
www.vatican.va

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Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013 – Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.13 | Sem comentários
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