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Gaudium et Spes — Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual [10]


A Igreja, no quinto capítulo da GS intitulado «a promoção da paz e a Comunidade Internacional», declara que «chegou a hora decisiva» no «processo de maturação» da família humana, reconhecendo que «as dores e angústias derivadas da guerra ou da sua ameaça ainda oprimem tão duramente os seres humanos». E desafia a que «todos se orientem com espírito renovado à verdadeira paz. [...] Por isso, o Concílio, explicando a verdadeira e nobilíssima natureza da paz, e uma vez condenada a desumanidade da guerra, quer apelar ardentemente para que os cristãos, com a ajuda de Cristo, autor da paz, colaborem com todos os seres humanos no estabelecimento da paz na justiça e no amor» (77). O desenvolvimento deste capítulo concretiza-se em duas secções: «evitar a guerra»; «construção da Comunidade Internacional». Neste tema damos conta dos conteúdos essenciais da primeira secção.

Natureza da paz

«A paz não é ausência de guerra; nem se reduz ao estabelecimento do equilíbrio entre as forças adversas, nem resulta duma dominação despótica. [...] É um fruto da ordem que o divino Criador estabeleceu para a sociedade humana [...]. A paz nunca se alcança duma vez para sempre, antes deve estar constantemente a ser edificada. [...] Absolutamente necessárias para a edificação da paz são ainda a vontade firme de respeitar a dignidade dos outros e a prática assídua da fraternidade. A paz é assim também fruto do amor, o qual vai além do que a justiça consegue alcançar. A paz terrena, nascida do amor do próximo, é imagem e efeito da paz de Cristo, vinda do Pai. Pois o próprio Filho encarnado, príncipe da paz, reconciliou com Deus, pela cruz, todos os seres humanos; restabelecendo a unidade [...], extinguiu o ódio e, exaltado na ressurreição, derramou nos corações o Espírito de amor» (78).

Evitar a guerra

«Apesar de as últimas guerras terem trazido tão grandes danos materiais e morais, ainda todos os dias a guerra leva por diante as suas devastações em alguma parte da terra. Mais ainda, o emprego de armas científicas de todo o género para fazer a guerra, ameaça, dada a selvajaria daquelas, levar os combatentes a uma barbárie muito pior que a de outros tempos. Além disso, a complexidade da atual situação e o intrincado dos relações entre países tornam possível o prolongar-se de guerras mais ou menos larvadas, pelo recurso a novos métodos insidiosos e subversivos. Em muitos casos, o recurso aos métodos do terrorismo é considerado como uma nova forma de guerra. Tendo diante dos olhos este estado de prostração da humanidade, o Concílio quer, antes de mais, recordar o valor permanente do direito natural internacional e dos seus princípios universais» (79). Daí a necessidade de fazer valer os acordos e as convenções internacionais que exigem o respeito pela dignidade humana. «Saibam os homens e mulheres de hoje que darão grave conta das suas atividades bélicas. Pois das suas decisões atuais dependerá em grande parte o curso dos tempos futuros». Reafirmando a tradição de condenar sempre a guerra, declara que qualquer ação bélica genocida «é um crime contra Deus e o próprio ser humano, que se deve condenar com firmeza e sem hesitação» (80). Lembra, também, que «a corrida aos armamentos, a que se entregam muitas nações, não é caminho seguro para uma firme manutenção da paz; e de que o pretenso equilíbrio daí resultante não é uma paz segura nem verdadeira. [...] É preciso escolher outros caminhos, partindo da reforma das mentalidades, para eliminar este escândalo e poder-se restituir ao mundo, liberto da angústia que o oprime, uma paz verdadeira» (81). Neste contexto, é função das autoridades nacionais e internacionais buscar os meios mais aptos para assegurar a vida, garantir o direito e a justiça. É função de todos promover uma cultura que seja capaz de suplantar aquilo que divide a humanidade. Pouco adiantarão os esforços daqueles que buscam edificar a paz, «enquanto os sentimentos de hostilidade, desprezo e desconfiança, os ódios raciais e os preconceitos ideológicos dividirem os seres humanos e os opuserem uns aos outros. Daqui a enorme necessidade duma renovação na educação das mentalidades e na orientação da opinião pública. [...] Todos nós temos de reformar o nosso coração, com os olhos postos naquelas tarefas que podemos realizar juntos para o progresso da humanidade. [...] A Igreja de Cristo, no meio das angústias do tempo atual, não deixa de esperar firmemente. À nossa época quer ela propor, uma e outra vez, oportuna e importunamente, a mensagem do Apóstolo: ‘eis agora o tempo favorável’ para a conversão dos corações, ‘eis agora os dias da salvação’» (82).

Este texto foi elaborado a partir das «fichas» apresentadas pelo «Ambiente Virtual de Formação» da Arquidiocese de Campinas, Brasil — www.ambientevirtual.org.br —

© Laboratório da fé, 2015

II Concílio do Vaticano, no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.11.15 | Sem comentários

Viver a fé! [39]


Este tema aborda o conteúdo do terceiro ponto do décimo primeiro capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja («a promoção da paz»): «A falência da paz: a guerra» (números 497 a 515). A Igreja «condena ‘a crueldade da guerra’ e pede que ela seja considerada numa abordagem completamente nova [...]. ‘Nada se perde com a paz; mas, com a guerra, tudo pode perder-se’» (497). Aliás, «o outro nome da paz é desenvolvimento. Como existe a responsabilidade coletiva de evitar a guerra, do mesmo modo há a responsabilidade coletiva de promover o desenvolvimento» (498). Daí «a necessidade e a importância das organizações internacionais e regionais» (499).Este tópico subdivide-se nas seguintes alíneas: «a legítima defesa»; «defender a paz»; «o dever de proteger os inocentes»; «medidas contra quem ameaça a paz»; «o desarmamento»; «a condenação do terrorismo».

A legítima defesa

«Uma guerra de agressão é intrinsecamente imoral. No trágico caso em que esta se desencadeie, os responsáveis por um Estado agredido têm o direito e o dever de organizar a defesa, inclusive recorrendo à força das armas» (500). «A Carta das Nações Unidas [...] baseia-se na interdição generalizada do recurso à força para resolver as controvérsias entre os Estados, exceto em dois casos: a legítima defesa e as medidas tomadas pelo Conselho de Segurança no âmbito das suas responsabilidades para manter a paz» (501).

Defender a paz

«As exigências da legítima defesa justificam a existência, nos Estados, das forças armadas, cuja ação deve ser posta ao serviço da paz» (502). Por isso, «o membro das forças armadas está moralmente obrigado a opor-se às ordens que incitam a cumprir crimes contra o direito das nações e os seus princípios universais» (503).

O dever de proteger os inocentes

«O direito ao uso da força com o objetivo de legítima defesa é associado ao dever de proteger e ajudar as vítimas inocentes que não podem defender-se das agressões» (504). «O princípio da humanidade, inscrito na consciência de cada pessoa e cada povo, comporta a obrigação de manter as populações civis ao abrigo dos efeitos da guerra [...]. Uma categoria particular de vítimas da guerra é a dos refugiados [...]. A Igreja está do lado deles» (505). «As tentativas de eliminação de grupos nacionais inteiros, étnicos, religiosos ou linguísticos, são delitos contra Deus e contra a própria humanidade e os responsáveis de tais crimes devem ser chamados a responder diante da justiça. [...] A comunidade internacional, no seu conjunto, tem a obrigação moral de intervir em favor destes grupos cuja própria sobrevivência é ameaçada, ou daqueles cujos direitos fundamentais são maciçamente violados» (506).

Medidas contra quem ameaça a paz

«As sanções, nas formas previstas do ordenamento internacional contemporâneo, visam corrigir o comportamento do Governo de um país que viola as regras da convivência internacional pacífica e ordenada ou que põe em prática formas graves de opressão [...]. O verdadeiro objetivo de tais medidas é abrir caminho para as negociações e para o diálogo. As sanções não devem jamais constituir um instrumento de punição direta contra toda a população» (507).

O desarmamento

«A doutrina social propõe a meta de um ‘desarmamento geral, equilibrado e controlado’» (508). «As armas de destruição maciça – biológicas, químicas e nucleares – representam uma ameaça particularmente grave; aqueles que as possuem têm uma responsabilidade enorme diante de Deus e de toda a humanidade» (509). «O desarmamento deve estender-se à interdição das armas que infligem efeitos traumáticos excessivos ou cujo efeito é indiscriminado, assim como as minas anti-homem» (510). Por conseguinte, são necessárias medidas «para o controlo da produção, da venda, da importação e da exportação de armas leves e individuais» (511). E «a utilização de crianças e adolescentes como soldados em conflitos armados – até porque a sua jovem idade não deve permitir o seu recrutamento – tem de ser denunciada» (512).

A condenação do terrorismo

«O terrorismo é uma das formas mais brutais de violência que atualmente atribula a comunidade internacional: semeia ódio, morte, desejo de vingança e de represália» (513). «O terrorismo deve ser condenado do modo mais absoluto. Ele manifesta um desprezo total pela vida humana e nenhuma motivação pode justificá-lo» (514). Por isso, a Igreja afirma que «é profanação e blasfémia proclamar-se terrorista em nome de Deus. [...] Nenhuma religião pode tolerar o terrorismo e, menos ainda, pregá-lo» (515).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.7.15 | Sem comentários

Viver a fé! [38]


«A promoção da paz» é o título atribuído ao décimo primeiro capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Nesta proposta de formação dividimos o capítulo em duas partes. Este tema resume os pontos um, dois e quatro desse capítulo: «aspetos bíblicos» (números 488 a 493); «a paz: fruto da justiça e da caridade» (494 a 496); «o contributo da Igreja para a paz» (516 a 520). O próximo tema será dedicado ao ponto três: «a falência da paz: a guerra» (números 497 a 515).

Aspetos bíblicos

«Antes de ser um dom de Deus ao ser humano e um projeto humano conforme o desígnio divino, a paz é, antes de tudo, um atributo especial essencial de Deus» (488). Por isso, «na Revelação bíblica, a paz é muito mais do que a simples ausência de guerra: ela representa a plenitude da vida [...]. A paz é o efeito da bênção de Deus sobre o seu povo» (489). «A paz é a meta da convivência social, tal como aparece de modo extraordinário na visão messiânica da paz: quando todos os povos forem para a casa do Senhor e Ele lhes indicar os seus caminhos, eles caminharão em veredas de paz» (490). Esta «promessa de paz, que percorre todo o Antigo Testamento, encontra o seu cumprimento na Pessoa de Jesus. A paz, de facto, é o bem messiânico por excelência, no qual estão compreendidos todos os outros bens salvíficos. A palavra hebraica ‘shalom’, no sentido etimológico de ‘plenitude’, exprime o conceito de ‘paz’ na totalidade do seu significado» (491). «A paz de Cristo é antes de tudo a reconciliação com o Pai, que se atua mediante a missão apostólica confiada por Jesus aos seus discípulos; esta tem início com um anúncio de paz» (492). «A ação pela paz nunca é dissociada do anúncio do Evangelho, que é precisamente ‘a Boa Nova da paz’ (Atos 10, 36; cf. Efésios 6, 15), dirigida a todos» (493).

A paz: fruto da justiça e da caridade

«A paz é um valor e um dever universal e encontra o seu fundamento na ordem racional e moral da sociedade que tem as suas raízes no próprio Deus [...]. A paz não é simplesmente ausência de guerra nem tão-pouco um equilíbrio estável entre forças adversárias, mas funda-se sobre uma correta conceção da pessoa humana e exige a edificação de uma ordem segundo a justiça e a caridade» (494). «A paz constrói-se dia a dia na busca da ordem querida por Deus e pode florescer somente quando todos reconhecem as próprias responsabilidades na sua promoção. [...] É absolutamente necessário que a paz comece a ser vivida como valor profundo no íntimo de cada pessoa [...]. Só num clima difuso de concórdia e de respeito pela justiça pode amadurecer uma autêntica cultura de paz» (495). Não existe qualquer dúvida, como recorda o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, que «a violência nunca constitui uma resposta justa. A Igreja proclama, com a convicção da sua fé em Cristo e com a consciência da sua missão, ‘que a violência é um mal, que a violência é inaceitável como solução dos problemas, que a violência não é digna do ser humano. A violência é mentira, pois que se opõe à verdade da nossa fé, à verdade da nossa humanidade. [...] Também o mundo contemporâneo necessita do testemunho dos profetas desarmados, infelizmente objecto de escárnio em toda a época» (496).

O contributo da Igreja para a paz

«A promoção da paz no mundo é parte integrante da missão com que a Igreja continua a obra redentora de Cristo na Terra. A Igreja é de facto, ‘em Cristo, “sacramento”, ou seja, sinal e instrumento de paz no mundo e para o mundo’» (516). «A Igreja ensina que uma verdadeira paz só é possível através do perdão e da reconciliação» (517). «O perdão recíproco não deve anular as exigências da justiça nem, tão-pouco, bloquear o caminho que leva à verdade: justiça e verdade representam, pelo contrário, os requisitos concretos da reconciliação» (518). Além disso, «a Igreja luta pela paz com a oração. A oração abre o coração não só a uma profunda relação com Deus, mas também ao encontro com o próximo sob o signo do respeito, da confiança, da compreensão, da estima e do amor. A oração infunde coragem e dá apoio a todos ‘os verdadeiros amigos da Paz’» (519). «Os dias mundiais da paz são celebrações de particular intensidade para a oração de invocação da paz e para o compromisso de construir um mundo de paz. O Papa Paulo VI instituiu-os com o objetivo de ‘que se dedique aos pensamentos e aos propósitos da Paz uma celebração especial, no primeiro dia do ano civil’. As mensagens pontifícias [...] constituem uma rica fonte de atualização e de desenvolvimento da doutrina social e mostram o constante esforço da ação pastoral da Igreja em favor da paz» (520).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.7.15 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 10
«Há necessidade que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada, anunciada e testemunhada; mas só o amor dado por Deus é que nos permite acolher e viver plenamente a fraternidade». A falta de abertura a Deus empobrece a atividade humana e reduz a pessoa a «objeto passível de exploração». Por isso, a dimensão transcendente do ser humano nunca pode ser ignorada ou aniquilada, também no setor da política e da economia. Só assim «poderão ser instrumento eficaz de desenvolvimento humano integral e de paz». «Cristo veio ao mundo para nos trazer a graça divina, isto é, a possibilidade de participar na sua vida. Isto implica tecer um relacionamento fraterno, caracterizado pela reciprocidade, o perdão, o dom total de si mesmo, segundo a grandeza e a profundidade do amor de Deus». O mandamento do amor insere-se na boa nova trazida por Cristo, «que requer, de cada um, um passo mais, um exercício perene de empatia, de escuta do sofrimento e da esperança do outro, mesmo do que está mais distante de mim, encaminhando-se pela estrada exigente daquele amor que sabe doar-se e gastar-se gratuitamente» pelo bem dos outros. Esta atitude de serviço dirigida a todas as pessoas não é opcional. «O serviço é a alma da fraternidade que edifica a paz». «Que Maria, a Mãe de Jesus, nos ajude a compreender e a viver todos os dias a fraternidade que jorra do coração do seu Filho, para levar a paz a todo o homem que vive nesta nossa amada terra».

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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 8
As esperanças legítimas em relação ao futuro, «ao crescimento em plenitude», «não devem ser frustradas nem lesadas». Contudo, «mesmo nas disputas, que constituem um aspeto inevitável da vida, é preciso recordar-se sempre de que somos irmãos». A fraternidade «vence o egoísmo individual» e gera paz social, «cria um equilíbrio entre liberdade e justiça, entre responsabilidade pessoal e solidariedade, entre bem dos indivíduos e bem comum». Ao contrário, o egoísmo provoca «a corrupção e o crime organizado», que se «difunde de maneira capilar, quer na formação de organizações criminosas […] que, minando profundamente a legalidade e a justiça, ferem no coração a dignidade da pessoa. Estas organizações ofendem gravemente a Deus, prejudicam os irmãos e lesam a criação». Como exemplo, o Papa apresenta o «drama dilacerante da droga», os «tráficos ilícitos de dinheiro», a «especulação financeira», a «prostituição», o «tráfico de seres humanos», «os crimes e abusos contra menores», «a escravidão», «a tragédia frequentemente ignorada dos emigrantes sobre quem se especula indignamente na ilegalidade», «as condições desumanas de muitos estabelecimentos prisionais». «Mas o homem pode converter-se, e não se deve jamais desesperar da possibilidade de mudar de vida. Gostaria que isto fosse uma mensagem de confiança para todos, mesmo para aqueles que cometeram crimes hediondos, porque Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 7
A guerra é «uma grave e profunda ferida infligida à fraternidade». «Há muitos conflitos que se consumam na indiferença geral». Ora, a missão da Igreja é «levar o amor de Cristo também às vítimas indefesas das guerras esquecidas, através da oração pela paz, do serviço aos feridos, aos famintos, aos refugiados, aos deslocados e a quantos vivem no terror». O papa Francisco, em nome da Igreja, «levanta a sua voz» para se dirigir a «quantos semeiam violência e morte, com as armas: naquele que hoje considerais apenas um inimigo a abater, redescobri o vosso irmão e detende a vossa mão! Renunciai à via das armas e ide ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a reconciliação para reconstruir a justiça, a confiança e esperança ao vosso redor!». Há uma clara certeza: «a fraternidade extingue a guerra». Mas, hoje, a grande quantidade de armamento disponível torna-se uma séria e real ameaça à paz. Urge continuar a defender o desarmamento e a não-proliferação das armas. Entretanto, constata-se que não bastam os acordos entre os estados. «É precisa uma conversão do coração que permita a cada um reconhecer no outro um irmão do qual cuidar e com o qual trabalhar para, juntos, construírem uma vida em plenitude para todos». É desejo do Papa que «se possa chegar também à efetiva aplicação, no direito internacional, do direito à paz como direito humano fundamental, pressuposto necessário para o exercício de todos os outros direitos».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 4
Sugerindo a leitura das Encíclicas de Paulo VI (sobre o desenvolvimento dos povos) e João Paulo II (sobre a solicitude social da Igreja), o papa Francisco reitera que «a fraternidade é fundamento e caminho para a paz». No pensamento de Paulo VI, os «mais favorecidos» são os primeiros a sentir o dever de «trabalhar juntos para construir o futuro comum da humanidade», em três dimensões: «o dever de solidariedade, que exige que as nações ricas ajudem as menos avançadas; o dever de justiça social, que requer a reformulação em termos mais corretos das relações defeituosas entre povos fortes e povos fracos; o dever de caridade universal, que implica a promoção de um mundo mais humano para todos, um mundo onde todos tenham qualquer coisa a dar e a receber, sem que o progresso de uns seja obstáculo ao desenvolvimento dos outros». No pensamento de João Paulo II, a paz apresenta-se como «um bem indivisível: ou é bem de todos, ou não o é de ninguém». Neste sentido, há alguns critérios de ação que são fundamentais: vencer a «avidez do lucro» e a «sede de poder» com a disponibilidade para «estar pronto a ‘perder-se’ em benefício do próximo». Este não pode ser visto como «instrumento», mas como «semelhante». Sem esquecer que o próximo é um «irmão», uma «imagem viva de Deus Pai, resgatada pelo sangue de Jesus Cristo e tornada objeto da ação permanente do Espírito Santo». Esta consciência «conferirá ao nosso olhar sobre o mundo como que um novo critério» para o interpretar e transformar.

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.1.14 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 1
A temática da fraternidade — «fundamento e caminho para a paz» — preenche a (primeira) Mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial da Paz. A fraternidade, «dimensão essencial» de qualquer ser humano, habita o coração de quem percebe na comunhão o único caminho possível para a «construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura». A educação para a fraternidade, que tem de começar na família («fonte de toda a fraternidade»), ensina a ver no outro um irmão que «devemos acolher e abraçar», nunca um inimigo ou corrente. No contexto atual, embora pareça haver uma maior «proximidade» entre todos, o que se constata é uma «’globalização da indiferença’ que lentamente nos faz ‘habituar’ ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos». Recordando palavras de Bento XVI, confirma-se que a globalização «torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos». Por isso, continuam a verificar-se constantes atropelos aos direitos humanos fundamentais (vida, religião). «Às guerras feitas de confrontos armados juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos económico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas». Estamos num tempo em que parece predominar um conceito «pragmático e egoísta» de convivência humana, uma «mentalidade do ‘descartável’». Então, para alcançar uma verdadeira fraternidade entre todos é preciso aceitar a existência de uma «paternidade transcendente».

© Laboratório da fé, 2014



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Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.14 | Sem comentários

Vigília de oração pela paz 

na Síria, no Médio Oriente e em todo o mundo


No dia 7 de setembro de 2013, conforme anunciado pelo Papa, reuniram-se cerca de 100 mil pessoas, na Praça de São Pedro, para jejuar e rezar pela paz na Síria, no Médio Oriente e em todo o mundo. Nessa vigília, que durou desde as 19h até às 23h, o papa Francisco proferiu uma homilia em que destaca a bondade original da Criação e da Humanidade: «o nosso mundo, no coração e na mente de Deus, é 'casa de harmonia e de paz' e espaço onde todos podem encontrar o seu lugar».
Para o Papa, o contrário da «harmonia» não é a «desarmonia», mas o «caos», que gera violência, desavença, confronto, medo. Ora, «a violência e a guerra têm a linguagem da morte!». Ao contrário, a linguagem da paz é o perdão, o diálogo, a reconciliação.
Depois, desafiou os cristãos — e todos os homens e mulheres de boa vontade — a «olhar para a Cruz». Porque «na cruz, podemos ver a resposta de Deus [...]. No silêncio da Cruz, cala-se o fragor das armas e fala a linguagem da reconciliação, do perdão, do diálogo, da paz». 

«Deus viu que isso era bom» (Génesis 1, 12.18.21.25). A narração bíblica da origem do mundo e da humanidade fala-nos de Deus que olha a criação, quase contemplando-a, e repete uma e outra vez: isso é bom. Isso, queridos irmãos e irmãs, permite-nos entrar no coração de Deus e recebermos a sua mensagem que procede precisamente do seu íntimo.
Podemo-nos perguntar: qual é o significado desta mensagem? O que diz esta mensagem para mim, para ti, para todos nós?

Um mundo de harmonia e paz

1. Simplesmente, diz-nos que o nosso mundo, no coração e na mente de Deus, é «casa de harmonia e de paz» e espaço onde todos podem encontrar o seu lugar e sentir-se «em casa», porque «isso é bom». Toda a criação constitui um conjunto harmonioso, bom, mas os seres humanos em particular, criados à imagem e semelhança de Deus, formam uma única família, em que as relações estão marcadas por uma fraternidade real e não simplesmente de palavra: o outro e a outra são o irmão e a irmã que devemos amar, e a relação com Deus, que é amor, fidelidade, bondade, se reflete em todas as relações humanas e dá harmonia para toda a criação. O mundo de Deus é um mundo onde cada um se sente responsável pelo outro, pelo bem do outro. Esta noite, na reflexão, no jejum, na oração, cada um de nós, todos nós pensamos no profundo de nós mesmos: não é este o mundo que eu desejo? Não é este o mundo que todos levamos no coração? O mundo que queremos não é um mundo de harmonia e de paz, em nós mesmos, nas relações com os outros, nas famílias, nas cidades, nas e entre as nações? E a verdadeira liberdade para escolher entre os caminhos a serem percorridos neste mundo, não é precisamente aquela que está orientada pelo bem de todos e guiada pelo amor?

O contrário da «harmonia» não é a «desarmonia», mas o caos

2. Mas perguntemo-nos agora: é este o mundo em que vivemos? A criação conserva a sua beleza que nos enche de admiração; ela continua a ser uma obra boa. Mas há também «violência, divisão, confronto, guerra». Isto acontece quando o ser humano, vértice da criação, perde de vista o horizonte da bondade e da beleza, e se fecha no seu próprio egoísmo.
Quando o ser humano pensa só em si mesmo, nos seus próprios interesses e se coloca no centro, quando se deixa fascinar pelos ídolos do domínio e do poder, quando se coloca no lugar de Deus, então deteriora todas as relações, arruina tudo; e abre a porta à violência, à indiferença, ao conflito. É justamente isso o que nos quer explicar o trecho do Génesis em que se narra o pecado do ser humano: o homem entra em conflito consigo mesmo, percebe que está nu e esconde-se porque sente medo (Génesis 3, 10); sente medo do olhar de Deus; acusa a mulher, aquela que é carne da sua carne (versículo 12); quebra a harmonia com a criação, chega a levantar a mão contra o seu irmão para matá-lo. Podemos dizer que da harmonia se passa à desarmonia? Mas, podemos dizer isso: que da harmonia se passa à desarmonia? Não. Não existe a «desarmonia»: ou existe harmonia ou se cai no caos, onde há violência, desavença, confronto, medo...
É justamente nesse caos que Deus pergunta à consciência do homem: «Onde está o teu irmão Abel?». E Caim responde «Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?» (Génesis 4, 9). Esta pergunta também se dirige a nós, assim que também a nós fará bem perguntar:
— Acaso sou o guarda do meu irmão? Sim, tu és o guarda do teu irmão! Ser pessoa significa sermos guardas uns dos outros! Contudo, quando se quebra a harmonia, produz-se uma metamorfose: o irmão que devíamos guardar e amar transforma-se em adversário a combater, a suprimir. Quanta violência surge a partir deste momento, quantos conflitos, quantas guerras marcaram a nossa história! Basta ver o sofrimento de tantos irmãos e irmãs. Não se trata de algo conjuntural, mas a verdade é esta: em toda a violência e em toda a guerra fazemos Caim renascer. Todos nós! E ainda hoje prolongamos esta história de confronto entre os irmãos, ainda hoje levantamos a mão contra quem é nosso irmão. Ainda hoje deixamo-nos guiar pelos ídolos, pelo egoísmo, pelos nossos interesses; e esta atitude faz-se mais aguda: aperfeiçoamos as nossas armas, a nossa consciência adormeceu, tornamos mais subtis as nossas razões para nos justificar. Como se fosse uma coisa normal, continuamos a semear destruição, dor, morte! A violência e a guerra trazem somente morte, falam de morte! A violência e a guerra têm a linguagem da morte!
Depois do Dilúvio, cessou a chuva, surge o arco-íris e a pomba traz um ramo de oliveira. Penso também hoje naquela oliveira que os representantes das diversas religiões plantamos em Buenos Aires, na Praça de Maio, no ano 2000, pedindo que não haja mais caos, pedindo que não haja mais guerra, pedindo paz.

A linguagem da reconciliação, do perdão, do diálogo, da paz

3. E neste ponto, pergunto-me: É possível percorrer o caminho da paz? Podemos sair desta espiral de dor e de morte? Podemos aprender de novo a caminhar e percorrer o caminho da paz? Invocando a ajuda de Deus, sob o olhar materno da «Salus Populi romani», Rainha da paz, quero responder: Sim, é possível para todos! Esta noite queria que de todos os cantos da terra gritássemos: Sim, é possível para todos! E mais ainda, queria que cada um de nós, desde o menor até o maior, inclusive aqueles que são chamados a governar as nações, respondesse: — Sim queremos! A minha fé cristã leva-me a olhar para a Cruz. Como eu queria que, por um momento, todos os homens e mulheres de boa vontade olhassem para a Cruz! Na cruz, podemos ver a resposta de Deus: ali à violência não se respondeu com violência, à morte não se respondeu com a linguagem da morte. No silêncio da Cruz, cala-se o fragor das armas e fala a linguagem da reconciliação, do perdão, do diálogo, da paz. Queria pedir ao Senhor, nesta noite, que nós cristãos e os irmãos de outras religiões, todos os homens e mulheres de boa vontade gritassem com força: a violência e a guerra nunca são o caminho da paz! Que cada um olhe dentro da própria consciência e escute a palavra que diz: sai dos teus interesses que atrofiam o teu coração, supera a indiferença para com o outro que torna o teu coração insensível, vence as tuas razões de morte e abre-te ao diálogo, à reconciliação: olha a dor do teu irmão – penso nas crianças: somente nelas... olha a dor do teu irmão, e não acrescentes mais dor, segura a tua mão, reconstrói a harmonia perdida; e isso não com o confronto, mas com o encontro! Que acabe o barulho das armas! A guerra significa sempre o fracasso da paz, é sempre uma derrota para a humanidade. Ressoem mais uma vez as palavras de Paulo VI: «Nunca mais uns contra os outros, não mais, nunca mais... Nunca mais a guerra, nunca mais a guerra! (Discurso às Nações Unidas, 4 de outubro de 1965: ASS 57 [1965], 881). «A paz afirma-se somente com a paz; e a paz não separada dos deveres da justiça, mas alimentada pelo próprio sacrifício, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade» (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, de 1976: ASS 67 [1975], 671).

Irmãos e irmãs, perdão, diálogo, reconciliação são as palavras da paz: na amada nação síria, no Médio Oriente, em todo o mundo! Rezemos, nesta noite, pela reconciliação e pela paz, e tornemo-nos todos, em todos os ambientes, em homens e mulheres de reconciliação e de paz. Assim seja.

Vaticano, 8 de setembro de 2013
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A guerra significa sempre o fracasso da paz, é sempre uma derrota para a humanidade
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.9.13 | Sem comentários

Vigília de oração pela paz 

na Síria, no Médio Oriente e em todo o mundo


As orações que apresentamos fazem parte do guião da vigília de oração que decorreu na Praça de S. Pedro, no Vaticano, entre as 19h e as 23h, em favor da paz na Síria, no Médio Oriente e em todo o mundo. Este momento de oração foi convocado pelo papa Francisco, no dia 1 de setembro, antes da oração do «Angelus». 




Oração pela paz — João XXIII


Príncipe da paz, Jesus ressuscitado,
olha com benevolência para toda a humanidade.
É apenas de Ti que ela espera auxílio e conforto para as suas feridas.
Como nos tempos da tua vida terrena,
continuas a preferir os pequenos, os humildes, os que sofrem;
vais sempre à procura dos pecadores.
Faz com que todos Te invoquem e Te encontrem,
para terem em Ti o caminho, a verdade e a vida.
Concede-nos a tua paz,
Cordeiro imolado para nossa salvação:
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo,
dai-nos a paz!

Afasta do coração dos homens
tudo aquilo que pode comprometer a paz,
e confirma-os na verdade, na justiça e no amor fraterno.
Ilumina os dirigentes dos povos, para que
juntamente com as justas solicitações pelo bem-estar dos seus irmãos,
garantam e defendam o grande tesouro da paz;
estimula a vontade de todos a superar as barreiras que dividem,
a reforçarem os laços da mútua caridade,
a estar prontos a compreender,
a partilhar, a perdoar,
a fim de que no teu nome todos se unam,
e triunfe nos corações, nas famílias, no mundo inteiro a paz,
a tua paz.



Oração pela paz — Paulo VI


Senhor, Deus de paz, que criaste os homens,
objeto da Tua benevolência,
para serem os familiares da tua glória,
nós te bendizemos e te damos graças;
porque nos enviaste Jesus, teu Filho amantíssimo,
e fizeste d'Ele, no mistério da Sua Páscoa,
o artífice de toda a salvação,
a nascente de toda a paz, o laço de toda a fraternidade.

Nós te damos graças pelos desejos,
pelos esforços, as realizações
que o teu espírito de paz tem suscitado no nosso tempo,
para substituir o ódio pelo amor,
a desconfiança pela compreensão,
a indiferença pela solidariedade.

Abre ainda mais os nossos espíritos e os nossos corações,
às exigências concretas do amor
de todos os nossos irmãos
para que possamos ser sempre mais construtores de paz.

Recorda-te, Pai de misericórdia,
de todos aqueles que padecem,
sofrem e morrem no parto dum mundo mais fraterno.
Que para os homens de toda a raça e de toda a língua
venha o teu reino de justiça, de paz e de amor.
E que a terra seja repleta da Tua glória!



Oração pela paz — Beato João Paulo II


Deus dos nossos pais,
grande e misericordioso,
Senhor da paz e da vida,
Pai de todos,
Tu tens projetos de paz e não de aflição,
condenas as guerras
e abates o orgulho dos violentos.

Enviaste o teu Filho Jesus
para anunciar a paz aos que estavam perto e longe,
para reunir os homens de toda a raça e estirpe
numa única família.

Escuta o grito unânime dos teus filhos,
a súplica cheia de tristeza de toda a humanidade;
jamais a guerra, espiral de luto e de violência;
ameaça para as tuas criaturas
no céu, na terra e no mar.

Em comunhão com Maria, a Mãe de Jesus,
suplicamos ainda:
fala ao coração dos responsáveis dos destinos dos povos,
cessa a lógica das represálias e da vingança,
sugere com o teu Espírito novas soluções,
gestos generosos e respeitosos,
espaços de diálogo e de paciência.
Dá ao nosso tempo dias de paz.
Jamais a guerra. 



Oração pela paz — Bento XVI


Deus de todos os tempos,
na minha visita a Jerusalém,
a «Cidade da Paz»,
pátria espiritual de judeus, cristãos e muçulmanos,
apresento-vos as alegrias, as esperanças e as aspirações,
as provações, os sofrimentos e a dor
de todo o teu povo no mundo inteiro.

Deus de Abraão, Isaac e Jacob,
ouve o clamor dos aflitos, de quem tem medo,
de quem está privado de esperança;
envia a tua paz sobre esta Terra Santa,
sobre o Médio Oriente,
sobre toda a família humana;
estimulai os corações de quantos invocam o teu nome,
para que percorram humildemente
o caminho da justiça e da compaixão.
«O Senhor é bom para aqueles que nele esperam,
para quem o procura!» (Lamentações 3, 25)

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.9.13 | Sem comentários

Oração do «Angelus»


No dia 1 de setembro de 2013, o papa Francisco, durante a meditação proferida antes da oração do «Angelus» (em português, «Anjo» — designa a oração mariana que começa com as palavras: «O anjo do Senhor anunciou a Maria»), convocou a Igreja e todas as pessoas de boa vontade para um dia de oração e de jejum, a 7 de setembro, em favor da paz na Síria, no Médio Oriente e em todo o mundo: «Hoje, queria fazer-me intérprete do grito que se eleva, com crescente angústia, em todos os cantos da terra, em todos os povos, em cada coração, na única grande família que é a humanidade: o grito da paz!». 

Hoje, queridos irmãos e irmãs,
queria fazer-me intérprete do grito que se eleva, com crescente angústia, em todos os cantos da terra, em todos os povos, em cada coração, na única grande família que é a humanidade: o grito da paz! É um grito que diz com força: queremos um mundo de paz, queremos ser homens e mulheres de paz, queremos que nesta nossa sociedade, dilacerada por divisões e conflitos, possa irromper a paz! Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra! A paz é um dom demasiado precioso, que tem de ser promovido e conservado.

A dor do Papa pela guerra na Síria

Vivo com particular sofrimento e com preocupação as várias situações de conflito que existem na nossa terra; mas, nestes dias, o meu coração ficou profundamente ferido por aquilo que está acontecendo na Síria, e fica angustiado pelos desenvolvimentos dramáticos que se preanunciam.
Dirijo um forte Apelo pela paz, um Apelo que nasce do íntimo de mim mesmo! Quanto sofrimento, quanta destruição, quanta dor causou e está causando o uso das armas naquele país atormentado, especialmente entre a população civil e indefesa! Pensemos em quantas crianças não poderão ver a luz do futuro! Condeno com uma firmeza particular o uso das armas químicas! Ainda tenho gravadas na mente e no coração as imagens terríveis dos dias passados! Existe um juízo de Deus e também um juízo da história sobre as nossas ações aos quais não se pode escapar! O uso da violência nunca conduz à paz. Guerra chama mais guerra, violência chama mais violência.
Com todas as minhas forças, peço às partes envolvidas no conflito que escutem a voz da sua consciência, que não se fechem nos próprios interesses, mas que olhem para o outro como um irmão e que assumam com coragem e decisão o caminho do encontro e da negociação, superando o confronto cego. Com a mesma força, exorto também a Comunidade Internacional a fazer todo o esforço para promover, sem mais demora, iniciativas claras a favor da paz naquela nação, baseadas no diálogo e na negociação, para o bem de toda a população síria.
Que não se poupe nenhum esforço para garantir a ajuda humanitária às vítimas deste terrível conflito, particularmente os deslocados no país e os numerosos refugiados nos países vizinhos. Que os agentes humanitários, dedicados a aliviar os sofrimentos da população, tenham garantida a possibilidade de prestar a ajuda necessária.

O que podemos fazer pela paz no mundo?

O que podemos fazer pela paz no mundo? Como dizia o Papa João XXIII, a todos corresponde a tarefa de estabelecer um novo sistema de relações de convivência baseados na justiça e no amor (cf. Pacem in terris, [11 de abril de 1963]: AAS55 [1963], 301-302).
Possa uma corrente de compromisso pela paz unir todos os homens e mulheres de boa vontade! Trata-se de um forte e premente convite que dirijo a toda a Igreja Católica, mas que estendo a todos os cristãos de outras confissões, aos homens e mulheres de todas as religiões e também àqueles irmãos e irmãs que não creem: a paz é um bem que supera qualquer barreira, porque é um bem de toda a humanidade.
Repito em alta voz: não é a cultura do confronto, a cultura do conflito, aquela que constrói a convivência nos povos e entre os povos; mas sim esta: a cultura do encontro, a cultura do diálogo; este é o único caminho para a paz.
Que o grito da paz se erga alto para que chegue até o coração de cada um, e que todos abandonem as armas e se deixem guiar pelo desejo de paz.

Dia de jejum e oração a 7 de setembro

Por isso, irmãos e irmãs, decidi convocar para toda a Igreja, no próximo dia 7 de setembro, véspera da Natividade de Maria, Rainha da Paz, um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Médio Oriente, e no mundo inteiro, e convido também a unir-se a esta iniciativa, no modo que considerem mais oportuno, os irmãos cristãos não católicos, aqueles que pertencem a outras religiões e os homens e mulheres de boa vontade.
No dia 7 de setembro, na Praça de São Pedro, aqui, das 19h até as 24h, estaremos reunidos em oração e em espírito de penitência para invocar de Deus este grande dom para a amada nação síria e para todas as situações de conflito e de violência no mundo. A humanidade precisa de ver gestos de paz e escutar palavras de esperança e de paz! Peço a todas as Igrejas particulares que, além de viver este dia de jejum, organizem algum ato litúrgico por esta intenção.
Peçamos a Maria que nos ajude a responder à violência, ao conflito e à guerra com a força do diálogo, da reconciliação e do amor. Ela é mãe: que Ela nos ajude a encontrar a paz; todos nós somos seus filhos! Ajudai-nos, Maria, a superar este momento difícil e a comprometermo-nos a construir, todos os dias e em todo lugar, uma autêntica cultura do encontro e da paz. Maria, Rainha da paz, rogai por nós!

Vaticano, 1 de setembro de 2013
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O grito da paz é um grito que diz com força: queremos um mundo de paz, queremos ser homens e mulheres de paz
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.9.13 | Sem comentários

Quinta-feira da sétima semana


Evangelho segundo Marcos 9, 41-50

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa. Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que crêem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar. Se a tua mão é para ti ocasião de pecado, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga. E se o teu pé é para ti ocasião de pecado, corta-o; porque é melhor entrar coxo na vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena. E se um dos teus olhos é para ti ocasião de pecado, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, onde o verme não morre e o fogo não se apaga». Na verdade, todos serão salgados com fogo. O sal é coisa boa; mas se ele perder o sabor, com que haveis de temperá-lo? Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros».

Vivei em paz uns com os outros

Jesus Cristo começa e acaba a enaltecer as atitudes positivas: dar de beber; «vivei em paz uns com os outros». Mas, pelo meio, apresenta uma linguagem forte, onde domina a expressão «ser lançado na Geena». O que é que Jesus Cristo quer dizer com esta expressão? No próprio texto, parece que Jesus Cristo se refere à «Geena» como sendo um lugar onde o «fogo não se apaga». Muitos usam-na para defender a existência do inferno, isto é, a condenação eterna. 

O inferno existe? Em rigor, não existe uma definição dogmática sobre o inferno. No entanto, os Papas João Paulo II* e Bento XVI** referiram-se à possibilidade real da existência do inferno. No entanto, está bem claro que a Igreja nunca disse — nem poderá fazê-lo — que haja alguém em situação de condenação eterna. Quanto à imagem do «fogo», usada nos textos bíblicos, pode ajudar-nos a perceber o encontro purificador no encontro definitivo com Jesus Cristo. «Alguns teólogos recentes são de parecer que o fogo que simultaneamente queima e salva é o próprio Cristo, o Juiz e Salvador» (Bento XVI).
No final do texto evangélico, Jesus Cristo deixa um apelo: «Vivei em paz uns com os outros». Viver em paz é uma característica de quem assume uma vida cristã saudável, ressuscitada. A paz é um dom de Jesus Cristo ressuscitado aos seus discípulos, um dom que evocamos e invocamos em cada celebração da Eucaristia. Na verdade, uma vida diária «com Espírito» procura ter sempre presente estas palavras: «vivei em paz uns com os outros».

* João Paulo II, a 28 de julho de 1999, disse: «Deus é Pai infinitamente bom e misericordioso. Mas o ser humano, chamado a responder-Lhe na liberdade, pode infelizmente optar por rejeitar de maneira definitiva o Seu amor e o Seu perdão, subtraindo-se assim, para sempre, à alegre comunhão com Ele. Precisamente esta trágica situação é apontada pela doutrina cristã, quando fala de perdição ou inferno. [...] As imagens com que a Sagrada Escritura nos apresenta o inferno devem ser interpretadas de maneira correta. Elas indicam a completa frustração e vazio de uma vida sem Deus. O inferno está a indicar, mais do que um lugar, a situação em que se vai encontrar quem de maneira livre e definitiva se afasta de Deus, fonte de vida e de alegria. Assim resume os dados da fé sobre este tema o Catecismo da Igreja Católica: 'Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é a mesma coisa que morrer separado d'Ele para sempre, por livre escolha própria. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra "Inferno" (número 1033)'. A 'perdição' não deve, por isso, ser atribuída à iniciativa de Deus, pois no Seu amor misericordioso Ele não pode querer senão a salvação dos seres por Ele criados».

** Bento XVI, na Carta Encíclica sobre a esperança cristã  – «Spe Salvi», afirma: «Com a morte, a opção de vida feita pelo homem torna-se definitiva; esta sua vida está diante do Juiz. A sua opção, que tomou forma ao longo de toda a vida, pode ter caracteres diversos. Pode haver pessoas que destruíram totalmente em si próprias o desejo da verdade e a disponibilidade para o amor; pessoas nas quais tudo se tornou mentira; pessoas que viveram para o ódio e espezinharam o amor em si mesmas. Trata-se de uma perspetiva terrível, mas algumas figuras da nossa mesma história deixam entrever, de forma assustadora, perfis deste género. Em tais indivíduos, não haveria nada de remediável e a destruição do bem seria irrevogável: é já isto que se indica com a palavra inferno».

© Laboratório da fé, 2013

Pentecostes e Sétima semana, no Laboratório da fé, 2013

Postado por Anónimo | 23.5.13 | Sem comentários

Domingo da sexta semana de Páscoa


Evangelho segundo João 14, 23-29

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

Dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo

A paz era uma forma de saudação própria dos povos semitas: quando se encontravam e quando se despediam. Esta paz — que os judeus dizem «shalom» — é um conceito muito mais rico do que o nosso atual conceito de paz. Por isso, precisamos de compreender melhor o sentido para descobrirmos o verdadeiro alcance das palavras de Jesus Cristo. «Não se trata de uma saudação, nem sequer de simples bons votos: é uma dádiva, aliás, o dom precioso que Cristo oferece aos seus discípulos. [...] A paz verdadeira, a paz profunda, deriva da experiência da misericórdia de Deus» — disse recentemente o Papa Francisco. Esta paz tem a sua origem no interior de cada um. É a harmonia total, não só no interior da pessoa, mas na relação com os outros e com toda a criação. A paz é a consequência do amor de Deus em nós. A paz é fruto do amor. A experiência profunda do amor — desse mandamento novo dado por Jesus Cristo — acontece quando somos capazes de sentir a paz dentro de Deus, quando estamos em paz. Jesus Cristo acrescenta: «Não se perturbe nem se intimide o vosso coração». Um coração perturbado ou intimidado provoca um sofrimento dramático. É um coração sem paz. 

Não vo-la dou como a dá o mundo

O mundo oferece uma paz imposta por exércitos ou por decretos. O mundo oferece uma paz vigiada pelas fronteiras e pela ausência de guerra. A paz verdadeira não se estabelece em pactos entre os países, não se garante com a presença de soldados, não se define através de um papel oficial. A paz verdadeira não é uma conquista da Organização das Nações Unidas nem sequer do Prémio Nobel da Paz. 
A paz que Jesus Cristo oferece aos seus amigos é muito mais do que uma mera ausência de conflito. Na cultura, bíblica, a paz recorda o início da era messiânica: uma paz que é harmonia pessoal e comunitária, bem estar e saúde, felicidade, reconciliação pessoal e universal. 

O momento da paz na eucaristia

Na celebração da eucaristia, ouvimos ressoar as palavras de Jesus Cristo: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz». O gesto da saudação da paz é muito mais do que uma expressão de fraternidade. Não estendemos a mão, abraçamos ou beijamos o vizinho porque nos damos bem. Esse gesto exprime a nossa vontade em alcançar a paz de Cristo. Não é um gesto sentimental. É uma oração e um compromisso. Pedimos a paz e dizemo-nos dispostos a viver em paz. 

As palavras de Jesus Cristo ajudam-me a viver com esperança e alegria? Quem está em paz, quem descobre a paz dentro de si, vive com esperança e com alegria. Esta é a paz que Jesus Cristo dá aos seus discípulos. Uma paz que será continuamente atualizada pela presença do Espírito Santo. Por isso, aprendemos na catequese que a paz é um dos (doze) frutos do Espírito Santo. E também por isso, no final da eucaristia, somos enviados para vivermos em paz. Abramos o nosso coração e a nossa vida a este dom da paz! E vivamos com esperança e com alegria!

© Laboratório da fé, 2013

João 20, 20 - www.laboratoriodafe.net
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.5.13 | Sem comentários
Quinta-feira da primeira semana de Páscoa

Evangelho segundo Lucas 24, 35-48
Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?» Deram-Lhe uma posta de peixe assado, que Ele tomou e começou a comer diante deles. Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».

Comentário do Papa Francisco ao evangelho deste dia: Lucas 24, 35-48
Os discípulos estão um pouco fora de si, mas não devido a uma doença mental: estão cheios de admiração. É algo que nos leva a estar um pouco fora de nós mesmos, cheios de alegria: é algo grande, muito grande. Não é um mero entusiasmo: os adeptos no estádio ficam entusiasmados quando vence o seu clube, não é? Não, não é um entusiasmo, é algo mais profundo: é a admiração que sentimos quando nos encontramos com Jesus. É a condição habitual do cristão. A última etapa da consolação é a paz: começa-se com o êxtase, e o tom menor deste êxtase, desta consolação, é a paz. Nunca perder a paz. A paz não é nossa: não se vende nem se compra. É um dom de Deus. É a última etapa da consolação espiritual, que se inicia com o êxtase da alegria, que começa com o êxtase da alegria do encontro com Jesus Cristo.

fonte: News.va

A Páscoa é a festa da alegria

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.4.13 | Sem comentários

— Bem-aventurados os construtores da paz —  


Há necessidade de propor e promover uma pedagogia da paz. Esta requer uma vida interior rica, referências morais claras e válidas, atitudes e estilos de vida adequados. Com efeito, as obras de paz concorrem para realizar o bem co­mum e criam o interesse pela paz, educando para ela. Pensamentos, palavras e gestos de paz criam uma mentalidade e uma cultura da paz, uma atmos­fera de respeito, honestidade e cordialidade. Por isso, é necessário ensinar os seres humanos a amarem-se e educarem-se para a paz, a viverem mais de benevolência que de mera tolerância. Incentivo fundamental será «dizer não à vingança, reconhecer os próprios erros, aceitar as desculpas sem as buscar e, finalmente, perdoar», de modo que os erros e as ofensas possam ser verdadeiramente reconhecidos a fim de caminhar juntos para a reconciliação. Isto requer a difusão duma pedagogia do perdão. Na realidade, o mal vence-se com o bem, e a justiça deve ser procurada imitando a Deus Pai que ama todos os seus filhos (cf. Mt 5, 21-48). É um trabalho lento, porque supõe uma evolução espiritual, uma educação para os valores mais altos, uma visão nova da história humana. É preciso renunciar à paz falsa, que prometem os ídolos deste mundo, e aos perigos que a acompanham; refiro-me à paz que torna as consciências cada vez mais insensíveis, que leva a fechar-se em si mesmo, a uma existência atrofiada vivida na indiferença. Ao contrário, a pedagogia da paz implica serviço, compaixão, solidariedade, coragem e perseverança.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários

— Bem-aventurados os construtores da paz — 


De vários lados se reconhece que, hoje, é necessário um novo modelo de desenvolvimento e também uma nova visão da economia. [...] Para sair da crise financeira e económica actual, que provoca um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico. O modelo que prevaleceu nas últimas décadas apostava na busca da maximização do lucro e do consumo, numa óptica individualista e egoísta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela sua capacidade de dar resposta às exigências da competitividade. Olhando de outra perspetiva, porém, o sucesso verdadeiro e duradouro pode ser obtido com a dádiva de si mesmo, dos seus dotes intelectuais, da própria capacidade de iniciativa, já que o desenvolvimento económico suportável, isto é, autenticamente humano tem necessidade do princípio da gratuidade como expressão de fraternidade e da lógica do dom. Concretamente na actividade económica, o construtor da paz aparece como aquele que cria relações de lealdade e reciprocidade com os colaboradores e os colegas, com os clientes e os usuários. Ele exerce a atividade económica para o bem comum, vive o seu compromisso como algo que ultrapassa o interesse próprio, beneficiando as gerações presentes e futuras. Deste modo sente-se a trabalhar não só para si mesmo, mas também para dar aos outros um futuro e um trabalho dignos.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários

— Bem-aventurados os construtores da paz — 


A paz não é um sonho, nem uma utopia; a paz é possível. Os nossos olhos devem ver em profundidade, sob a superfície das aparências e dos fenómenos, para vislumbrar uma realidade positiva que existe nos corações, pois cada ser humano é criado à imagem de Deus e chamado a crescer contribuindo para a edificação dum mundo novo. Na realidade, através da encarnação do Filho e da redenção por Ele operada, o próprio Deus entrou na história e fez surgir uma nova criação e uma nova aliança entre Deus e o homem, oferecendo-nos a possibilidade de ter «um coração novo e um espírito novo» (cf. Ez 36, 26). Por isso mesmo, a Igreja está convencida de que urge um novo anúncio de Jesus Cristo, primeiro e principal factor do desenvolvimento integral dos povos e também da paz. Na realidade, Jesus é a nossa paz, a nossa justiça, a nossa reconciliação. O construtor da paz, segundo a bem-aventurança de Jesus, é aquele que procura o bem do outro, o bem pleno da alma e do corpo, no tempo presente e na eternidade.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários

— Bem-aventurados os construtores da paz — 


A paz envolve o ser humano na sua integridade e supõe o empenhamento da pessoa inteira: é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação. Como escreveu o Beato João XXIII na Encíclica Pacem in terris – cujo cinquentenário terá lugar dentro de poucos meses –, a paz implica principalmente a construção duma convivência humana baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justiça. A negação daquilo que constitui a verdadeira natureza do ser humano, nas suas dimensões essenciais, na sua capacidade intrínseca de conhecer a verdade e o bem e, em última análise, o próprio Deus, põe em perigo a construção da paz. Sem a verdade sobre o ser humano, inscrita pelo Criador no seu coração, a liberdade e o amor depreciam-se, a justiça perde a base para o seu exercício.



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários

— Bem-aventurados os construtores da paz — 


A bem-aventurança de Jesus diz que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana. Na verdade, a paz pressupõe um humanismo aberto à transcendência; é fruto do dom recíproco, de um mútuo enriquecimento, graças ao dom que provém de Deus e nos permite viver com os outros e para os outros. A ética da paz é uma ética de comunhão e partilha. Por isso, é indispensável que as várias culturas de hoje superem antropologias e éticas fundadas sobre motivos teorico-práticos meramente subjectivistas e pragmáticos, em virtude dos quais as relações da convivência se inspiram em critérios de poder ou de lucro, os meios tornam-se fins, e vice-versa, a cultura e a educação concentram-se apenas nos instrumentos, na técnica e na eficiência. Condição preliminar para a paz é o desmantelamento da ditadura do relativismo e da apologia duma moral totalmente autónoma, que impede o reconhecimento de quão imprescindível seja a lei moral natural inscrita por Deus na consciência de cada homem. A paz é construção em termos racionais e morais da convivência, fundando-a sobre um alicerce cuja medida não é criada pelo homem, mas por Deus. Como lembra o Salmo 29, «o Senhor dá força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com a paz».

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários

— Bem-aventurados os construtores da paz — 


As bem-aventuranças proclamadas por Jesus são promessas. Com efeito, na tradição bíblica, a bem-aventurança é um género literário que traz sempre consigo uma boa nova, ou seja um Evangelho, que culmina numa promessa. Assim, as bem-aventuranças não são meras recomendações morais, cuja observância prevê no tempo devido – um tempo localizado geralmente na outra vida – uma recompensa, ou seja, uma situação de felicidade futura; mas consistem sobretudo no cumprimento duma promessa feita a quantos se deixam guiar pelas exigências da verdade, da justiça e do amor. Frequentemente, aos olhos do mundo, aqueles que confiam em Deus e nas suas promessas aparecem como ingénuos ou fora da realidade; ao passo que Jesus lhes declara que já nesta vida – e não só na outra – se darão conta de serem filhos de Deus e que, desde o início e para sempre, Deus está totalmente solidário com eles. Compreenderão que não se encontram sozinhos, porque Deus está do lado daqueles que se comprometem com a verdade, a justiça e o amor. Jesus, revelação do amor do Pai, não hesita em oferecer-Se a Si mesmo em sacrifício. Quando se acolhe Jesus Cristo, Homem-Deus, vive-se a jubilosa experiência de um dom imenso: a participação na própria vida de Deus, isto é, a vida da graça, penhor duma vida plenamente feliz. De modo particular, Jesus Cristo dá-nos a paz verdadeira, que nasce do encontro confiante do homem com Deus.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários
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