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Terça-feira da décima terceira semana


Evangelho segundo Mateus 8, 23-27

Naquele tempo, Jesus subiu para o barco e os discípulos acompanharam-n’O. Entretanto, levantou-se no mar tão grande tormenta que as ondas cobriam o barco. Jesus dormia. Aproximaram-se os discípulos e acordaram-n’O, dizendo: «Salva-nos, Senhor, que estamos perdidos». Disse-lhes Jesus: «Porque temeis, homens de pouca fé?». Então levantou-Se, falou imperiosamente ao vento e ao mar e fez-se grande bonança. Os homens ficaram admirados e disseram: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».

Porque temeis, homens de pouca fé?

A leitura deste relato pode ser feita com à luz do tema do seguimento (conforme a proposta para esta décima terceira semana: seguir Jesus Cristo). O texto começa por dizer que «Jesus subiu para o barco e os discípulos acompanharam-n'O», isto é, seguiram com ele. Depois, surgem as consequências do seguimento de Jesus Cristo.
A consequência mais evidente neste relato é a «tempestade». Mais do que a situação meteorológica que coloca em perigo a vida dos discípulos, percebe-se nas palavras de Jesus Cristo o medo dos discípulos associado à falta de confiança: «Porque temeis, homens de pouca fé?». 
Na verdade, o grande obstáculo que impede de seguir Jesus Cristo é o comodismo. Por isso, a «tempestade» não é sinal de uma situação negativa, mas de uma provocação à novidade, a enfrentar novos desafios, a abandonar o comodismo, a assumir um novo estilo de vida, a reproduzir o Evangelho no dia a dia. Temos medo! «A novidade causa sempre um pouco de medo, porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle» (Francisco, na homilia de Pentecostes). 
A situação de «tempestade» abalou a confiança dos discípulos, aumentou o medo, sentiram-se «perdidos». O discípulo precisa de aprender a ter confiança e a acreditar que a última palavra é sempre de Jesus Cristo. Apesar das «tempestades», a fé em Jesus Cristo proporciona sempre uma «grande bonança».

© Laboratório da fé, 2013

Décima terceira semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.7.13 | Sem comentários

Domingo da décima terceira semana


Evangelho segundo Lucas 9, 51-62

Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém e mandou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de Lhe prepararem hospedagem. Mas aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém. Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram a Jesus: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?». Mas Jesus voltou-Se e repreendeu-os. E seguiram para outra povoação. Pelo caminho, alguém disse a Jesus: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça». Depois disse a outro: «Segue-Me». Ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». Disse-lhe Jesus: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus». Disse-Lhe ainda outro: «Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família». Jesus respondeu-lhe: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus».

Segue-me... vai anunciar o reino de Deus

A totalidade da obra escrita por Lucas tem como ponto de referência a cidade de Jerusalém. Primeiro, no evangelho, tudo se encaminha e conflui para Jerusalém. Depois, nos Atos dos Apóstolos, a partir de Jerusalém, a Boa Nova espalha-se até aos limites do mundo. O texto do evangelho deste domingo é o ponto de viragem que abre a parte central: o caminho para Jerusalém. «Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém». É um longo caminho, não só geográfico e espacial, mas também espiritual e teológico, em direção ao último destino do Messias. No texto deste domingo, podemos distinguir dois temas: a atitude a tomar com aqueles que não aceitam Jesus (versículos 52 a 56) e a disposição daqueles que o seguem (versículos 57 a 62). Hoje, fixamo-nos neste segundo tema.
No evangelho, Jesus Cristo está sempre a caminho. Por isso, para estar com ele, é preciso segui-lo, caminhar com ele, seguir o mesmo ritmo, pisar as suas pegadas. Por outras palavras, para seguir Jesus Cristo é preciso adotar o seu estilo de vida. 
«Segue-me... vai anunciar o reino de Deus». As condições para o seguir são dadas pelo próprio Jesus Cristo: estar desprendido em relação às coisas e aos apoios humanos e materiais; não adiar a decisão de evangelizar, mesmo que se possa apresentar (supostas) boas desculpas; não ceder perante a nostalgia do passado, mas trabalhar afincadamente na missão. 
Aceito as condições de Jesus Cristo para ser seu discípulo? Não nos enganemos! O grande obstáculo que impede de seguir Jesus Cristo é o nosso comodismo. Dá-nos medo levar a sério as condições apresentadas por Jesus Cristo. Porque sabemos que nos exige viver de forma mais livre e generosa. Mas nós somos escravos de uma determinada maneira de viver. Temos medo da novidade, de assumir um novo estilo de vida. Em maio (homilia no dia de Pentecostes), o papa Francisco disse: «A novidade causa sempre um pouco de medo, porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós a construir, programar, projetar a nossa vida de acordo com os nossos esquemas, as nossas seguranças, os nossos gostos. E isto verifica-se também quando se trata de Deus. Muitas vezes seguimo-lo e acolhemo-lo, mas até um certo ponto; sentimos dificuldade em abandonar-nos a Ele com plena confiança; temos medo que Deus nos faça seguir novas estradas, faça sair do nosso horizonte frequentemente limitado, fechado, egoísta, para nos abrir aos seus horizontes».
«Segue-me... vai anunciar o reino de Deus» — é o convite que Jesus Cristo nos dirige neste domingo. Quase sempre se apresenta o seguimento de Jesus Cristo como uma renúncia. E soa-nos mal pensar que temos de renunciar. Mas, efetivamente, não se trata de renunciar; trata-se de escolher seguir Jesus Cristo. Quem deseja seguir Jesus Cristo, coloca-se nos seus passos, é convidado a entrar pouco a pouco numa liberdade renovada pelo reino de Deus. Hoje, e ao longo desta semana estejamos sempre mais livres, mais abertos à novidade do reino de Deus! E aceitemos o convite de Jesus Cristo: «Segue-me... vai anunciar o reino de Deus».

© Laboratório da fé, 2013

Décima terceira semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.7.13 | Sem comentários
Ao ritmo da liturgia


Décima terceira semana


Reproduzir na vida o Evangelho

Num determinado momento, decidimos seguir Jesus Cristo. O que significa seguir Jesus Cristo, hoje? Não é necessário ir para o seminário ou entrar para um convento. Nem sequer cumprir apenas e escrupulosamente todos os preceitos da Igreja. Seguir Jesus Cristo, hoje, significa reproduzir na nossa vida o Evangelho de Jesus Cristo.
Como não somos maus, quando fazemos a experiência da presença de Jesus Cristo no caminho da nossa vida, compreendemos que nada melhor nos podia acontecer; e queremos segui-lo. Apesar das nossas hesitações e incongruências, queremos estar com Jesus Cristo. Isso faz-nos bem. Faz com que a nossa vida esteja mais cheia, mais plena.
Nesta semana, cada um tome a sua vida e avalie o que lhe trouxe o facto de «ser cristão». E o que teria sucedido se não optasse por seguir Jesus Cristo.
Depois, examine também as desvantagens trazidas pelo facto de ter decidido seguir Jesus Cristo. Se não há nenhuma desvantagem, é motivo para desconfiar... porque seguir Jesus Cristo deveria, em princípio, confrontar-nos com aquelas situações em que nos parece mais agradável não estar comprometido com a fé cristã; por exemplo, poder entregar-se à preguiça, ao «carpe diem» (gozar a vida).
Como saberei se estou a seguir Jesus Cristo? Se vivo a bondade universal. Se estou sempre e em todos os sentidos com os mais débeis da sociedade. Se trabalho pelo reino de Deus e não por outros «reinos» (DOMINGO: «Segue-me... vai anunciar o reino de Deus»). Se sigo Jesus Cristo (SEGUNDA: «Seguir-Te-ei para onde fores») encontrarei a plenitude da vida, para mim e para os outros!
O grande obstáculo que impede de seguir Jesus Cristo é o nosso comodismo. Temos medo da novidade, de assumir um novo estilo de vida. Em maio (homilia no dia de Pentecostes), o papa Francisco disse: «A novidade causa sempre um pouco de medo, porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle (TERÇA: «Porque temeis, homens de pouca fé?»), se somos nós a construir, programar, projetar a nossa vida de acordo com os nossos esquemas, as nossas seguranças (QUARTA: ««Se não vir... se não meter... não acreditarei»), os nossos gostos. E isto verifica-se também quando se trata de Deus. Muitas vezes seguimo-lo e acolhemo-lo, mas até um certo ponto; sentimos dificuldade em abandonar-nos a Ele com plena confiança (QUINTA: «Filho, tem confiança»); temos medo que Deus nos faça seguir novas estradas (SEXTA: «Segue-Me»), faça sair do nosso horizonte frequentemente limitado, fechado, egoísta, para nos abrir aos seus horizontes [...]. A novidade que Deus traz à nossa vida é verdadeiramente o que nos realiza (SÁBADO: «Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho»), o que nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira serenidade, porque Deus nos ama e quer apenas o nosso bem».

Esta semana, perguntemo-nos: Aceito as condições de Jesus Cristo para ser seu discípulo? Viver como Jesus Cristo vai-te trazer muitas complicações. Mas também uma enorme satisfação interior e profunda. Além disso, se não segues Jesus Cristo, quem é que vais seguir?

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial
© Laboratório da fé, 2013

Décima terceira semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.7.13 | 2 comentários
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