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ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

3 DE JANEIRO DE 2015


Evangelho segundo Mateus 2, 1-12

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.



Segunda, 28: QUEM SÃO OS MAGOS?

Curiosos personagens são estes «magos» (não necessariamente «reis»!), de quem sabemos apenas que vêm «do Oriente». Com eles, vou caminhar esta semana, e entrar num novo ano! A caminhada deles interpela-me: pagãos, são guiados até Cristo, de quem estamos a celebrar o nascimento. Hoje, quem são esses «outros crentes», vindos de outras tradições diferentes das cristãs, e que, pela sua procura, nos mostram que Jesus Cristo continua a atrair de todos os lados?



Terça, 29: NASCER, UM ACONTECIMENTO

Não é apenas o rei Herodes que fica «perturbado» ao ter conhecimento do nascimento do «rei dos judeus», mas «com ele, toda a cidade de Jerusalém». Dois reis, é demais! Como o simples nascimento dum ser humano pode mudar a face da terra... Senhor, faz com que também eu fique também perturbado pelo inacreditável acontecimento que, diariamente, se vive centenas de milhares de vezes no nosso mundo: o nascimento de novos seres humanos.



Quarta, 30: SABER, MAS PARA QUÊ?

Os príncipes dos sacerdotes e os escribas reunidos por Herodes esclarecem-no em pormenor. Contemplo essa pequena assembleia de gente sábia e diplomada: o seu conhecimento das Escrituras é perfeito. Mas continuam parados. O nascimento do rei dos judeus deixa-os indiferentes, a acreditar que preferem o conforto da sua procura científica que lhes oferece novidades da salvação. Senhor, de que me serve aprender?



Quinta, 31: TENHO A ESCOLHA...

Herodes «mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas». Já se prepara o ambiente de uma meticulosa conspiração. Também eu, sabendo que nasceu o pastor do meu povo, posso escolher alegrar-me com esta novidade ou deixar endurecer o meu coração. É uma escolha diária.



Sexta, 1: QUE ALEGRIA HÁ DE VIR?

Um novo ano se inicia: confiemo-lo à Virgem Maria, mãe do nosso Senhor. Como os Magos ao verem a estrela que os guia, não receemos sentir «uma grande alegria». O que é que, neste novo ano, me poderá fazer viver um sentimento com tal energia?



Sábado, 2: ADORAR?!

Por três vezes é mencionado o verbo adorar, sinal do respeito por... um bebé nascido numa manjedoura! Contemplo a cena e deixo-a pôr em questão as «adorações contemporâneas» das quais sou testemunha ou ator principal: as que são feitas às pessoas que admiramos porque ganham muito dinheiro ou feitas diante de objetos por elas apresentados para terem mais vendas. Também há as que se realizam pelos membros duma comunidade de serviço aos marginalizados da sociedade... Quais são as «adorações» que prefiro?



Domingo, 3: A SALVAÇÃO NÃO É UM MONOPÓLIO

Como diz Paulo aos Efésios (segunda leitura), «os gentios recebem a mesma herança». A Igreja, formada pelo povo dos batizados, da qual somos uma porção ao celebrar a eucaristia de domingo, não se pode compreender a si mesma se esquecer os que não fazem parte. Quaisquer que sejam as crenças dos Magos, são eles que nos indicam a atitude correta quanto à «herança»: prostram-se para adorar, gesto que Herodes é incapaz de fazer, apesar das suas palavras. Quer nos consideremos cristãos habituais, quer recentemente convertidos, não esqueçamos de nos deixar iluminar pelos que não estavam a priori «abrangidos» (porque ignorantes da história de Israel), pois são eles que nos revelam a eterna novidade de Jesus Cristo.



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© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.12.15 | 2 comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

27 DE DEZEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 2, 41-52

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.



Segunda, 21: UMA FAMÍLIA NORMAL

«Como era costume», José levou a sua família a Jerusalém, para festejar os 12 anos de Jesus. No início do relato do evangelho, a «sagrada família», cuja festa celebramos no próximo domingo, parece totalmente normal, ela que segue as leis e os costumes do seu povo. É esta mesma família normal que toma o caminho de Belém para se recensear, na altura em que Maria está grávida de nove meses. Hoje, posso contemplar Jesus a subir a Jerusalém com a sua família, misturado anonimamente entre a multidão de peregrinos.



Terça, 22: NEGLIGÊNCIA PARENTAL

Subitamente, estala o quadro perfeito da família modelo: Maria e José fazem prova de uma terrível negligência: esqueceram-se de Jesus em Jerusalém! Não será esta negligência um sinal da confiança dos filhos de Deus? É essa mesma confiança na provação que anima Maria e José, quando tomam o caminho de Belém. Conforme a minha disposição, posso meditar sobre a negligência destes pais que tanto veneramos... ou sobre a confiança que os habita!



Quarta, 23: PÁNICO A BORDO

Quando se apercebem que Jesus não ia na caravana, os seus pais dirigem-se para Jerusalém à procura dele. Imaginamos a tensão que vivem aquando da censura de Maria ao seu filho. Essa tensão, Maria e José já a tinham sentido na estrada de Belém, entregues às circunstâncias do caminho. Posso fazer memória de acontecimentos similares que já vivi como pai/mãe... ou como crente.



Quinta, 24: ADMIRÁVEL CONVERSAÇÃO!

Jesus está sentado no meio dos doutores da lei, nem mais! Eles «estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas». Eis Jesus, já autónomo, preparado para levantar voo! Que caminho percorrido, após o seu nascimento em Belém, que celebramos esta noite! Hoje, posso preparar-me para acolher Jesus que dá a Vida, ou fazer memória do meu próprio percurso.



Sexta, 25: ILUSTRE DESCONHECIDO

«Seus pais ficaram admirados». Felizes pais, que não deixam de ficar admirados com os seus filhos! Jesus permanece um desconhecido para cada um de nós. Mas está tão próximo! O nascimento de Jesus foi também o de um desconhecido, salvo pelos Céus que cantaram a sua glória e pelos pastores que sabem escutar! Hoje, posso-me deixar levar pela alegria celeste ou contemplar a minha família e os que estão próximos, que conheço tão pouco.



Sábado, 26: TESTEMUNHO

Há muitas maneiras de testemunhar: elucidando os doutores da Lei, guardando «todos estes acontecimentos em seu coração», como Maria, continuando simplesmente a crescer, como Jesus, em Nazaré... ou dando a vida, como Estêvão, o primeiro mártir, que hoje celebramos. Hoje, posso interrogar-me sobre a minha própria maneira de testemunhar a minha pertença à sagrada família dos filhos de Deus!



Domingo, 27: A GLÓRIA DO MEU PAI

Então, o que é que faz sagrada (santa) esta família que hoje proclamamos e celebramos? É sagrada porque segue os costumes do seu povo, porque educou Jesus a ponto de ser capaz de falar com os doutores da Lei, ou porque respeitou o caminho próprio de Jesus, permitindo-lhe encontrar a sua maneira específica de testemunhar quem é o que vive? É talvez por todas estas razões, ao mesmo tempo. E também porque, na provação, os seus membros souberam encontrar a confiança e as palavras que lhes permitiram percorrer, juntos, o caminho da vida. A esta santidade todos somos chamados, qualquer que seja o nosso estado de vida! É isto, na verdade, que celebra a glória do nosso Pai.



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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.12.15 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

20 DE DEZEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 1, 39-45

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».



Segunda, 14: MILAGRES NA VIDA

Após o encontro com o anjo, Maria pôs-se a caminho. Ela vai ao encontro de Isabel que, segundo o anjo, está grávida, embora fosse chamada estéril. «Nada é impossível a Deus», para estas mulheres. E para mim? Este relato pode ser ocasião para me lembrar dos momentos em que senti a ação benevolente de Deus. É certo que as dificuldades, com frequência, ensombram o meu olhar sobre a existência e os nossos ritmos frenéticos não ajudam a ver os pequenos milagres do quotidiano. Por isso, hoje, decido fazer uma pausa com o Senhor para contemplar os sinais da sua presença.



Terça, 15: UMA MULHER A CAMINHO

Tento imaginar o caminho percorrido por Maria, bem como os pensamentos que a habitam. A sua vida foi sacudida e vai passar por muitas emoções: alegria, tristeza, inquietude... Neste caminho, ela está só ou acompanhada? Quando tempo demora?... Sabemos, apenas, que se encontra num percurso pela montanha e que vai apressada. Apressada para partilhar a sua inacreditável situação e seguramente impaciente para descobrir o que aconteceu à sua prima. Dou graças ao Senhor por Maria, «a primeira a caminho» e inspiração para a nossa fé.



Quarta, 16: MOMENTO MÁGICO

Maria entra na casa de Zacarias e saúda Isabel. Ela parece entrar num espaço familiar e conhecido. Mas eis que sucede o inaudito: «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio». Dedico algum tempo a contemplar estas duas mulheres grávidas que pintores como Arcabas tiveram o prazer de representar. Um momento de tal modo mágico e único que Isabel entra num estado de absoluto louvor: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre». Faço minha esta ação de graças.



Quinta, 17: EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL

O efeito do encontro é imediato: «Isabel ficou cheia do Espírito Santo». O Espírito Santo não a faz apenas mergulhar num ato louvor, mas também lhe dá a capacidade de compreender o que está prestes a acontecer. Que graça! Isto faz pensar nas palavras de Santa Teresa de Ávila: «Quando Deus nos dá uma graça, na realidade dá três: a graça propriamente dita, a graça de perceber que se recebeu e a graça de a comunicar». Isabel está cheia de inteligência espiritual. Peço ao Senhor que me ilumine sobre as graças deste dia e me dê a capacidade de as testemunhar.



Sexta, 18: ESPÍRITO DE ALEGRIA

Isabel é a primeira a reconhecer em Maria a mãe do seu Senhor. A sua profissão de fé tal como a sua extrema alegria são claramente frutos do Espírito. Esta ligação entre o Espírito e a profunda alegria encontra-se em vários lugares do evangelho de Lucas, dos quais um deles é bastante sintomático: quando Jesus bendiz o Pai por se revelar aos pequeninos. Agradeço ao Senhor por ser um Deus sempre do lado dos pequenos. E confio-lhe todos os «pequenos» que conheço e que têm necessidade do meu apoio.



Sábado, 19: LOUVOR CONTAGIOSO

O nosso relato não inclui o cântico do Magnificat, que é a resposta de Maria ao grito de ação de graças de Isabel. Contudo, posso deixar ecoar uma ou outra palavra: «Santo é o seu nome; a sua misericórdia estende-se de geração em geração; exalta os humildes»... O rosto de Deus aqui apresentado é um apoio nos momentos de desânimo, quando consinto a sua vinda à minha vida. Peço a graça de lhe não oferecer resistência.



Domingo, 20: ENTRAR NA CASA DE DEUS

Maria entre em casa de Zacarias e deixa-se tocar pelo acolhimento de Isabel. É de hospitalidade e de casa que trata o nosso relato. Uma ajuda: em hebraico, Isabel significa «casa de Deus». E se Maria é a casa de Deus por excelência, Isabel acolhe dentro de si aquele que vai preparar os caminhos; e é um convite a cada um a acolher Deus em nós e nos outros. Termino este itinerário dando graças a Deus pelo caminho da Incarnação, que Deus escolhe fazer contando connosco, optando por passar pelo ventre de uma mulher. Peço a graça de crescer em familiaridade com Jesus e com a sua mãe, certo da sua intercessão e da sua força para iniciar o meu caminho.



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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.12.15 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

13 DE DEZEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 3, 10-18

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Batista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem batizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».



Segunda, 7: O SUCESSO DO BATISTA

As palavras de Isaías, que João Batista citou no evangelho ontem proclamado, ainda ecoam no meu coração. Continuo a contemplar João, esse anti-mundano perante o qual se apresentam «as multidões». João Batista é o que, hoje, chamamos, com condescendência, um excêntrico, mas ele é habitado por uma força interior que o coloca totalmente voltado para Aquele que vem. O seu «sucesso» não provém da provocação fácil, mas da interpelação profunda. Quem são os João Batista da minha vida: um parente? Um artista? Um vizinho?



Terça, 8: IMACULADA

...



Quarta, 9: QUE FAZER?

«Que devemos fazer?». Esta questão, na proximidade da vinda do Messias, preocupe cada um de nós, quer a vida seja reta, tortuosa, ou um pouco vergonhosa... Santo Inácio colocou-a também a si mesmo, particularmente quando compreendeu que não deveria permanecer na Terra Santa, embora o desejasse. E, nos seus Exercícios Espirituais, convida o participante a interrogar-se contemplando Jesus Cristo na cruz: «que devo fazer?». Respondo à questão, procurando perceber num único olhar a unidade de toda a minha vida, nas suas mais diversas facetas (afetiva, profissional, eclesial...): que devo fazer, agora?



Quinta, 10: JUSTIÇA, JUSTEZA?

João Batista é um profeta concreto, prático. As suas respostas são claras, não têm nada de ambíguo: a paz nas relações, o sentido da partilha e, aspeto interessante, contentar-se com o que é devido. Na proximidade do Natal, as lojas transbordam de mercadorias. E se, querendo justiça, nós nos perguntarmos se isso está ligado à justeza?



Sexta, 11: EXPECTATIVA: ESPERA ATIVA

.«O povo estava na expectativa», diz-se no meio do evangelho. Agradável atitude de expectativa, não a que nos torna passivos, mas, ao contrário, nos dispõe a uma vigilância atenta ao que se passa. Durante o Advento, o Senhor já está connosco. Que expectativas me mantêm vigilante, hoje? O que é que estou a preparar: Um reconhecimento profissional? Uma relação mais profunda com um amigo? Um nascimento?



Sábado, 12: A COLHEITA DO SENHOR

Tão precisas como as recomendações feitas às multidões são as metáforas agrícolas que sugerem a ação aquando da vinda de Jesus Cristo. Eis a representação do Julgamento Final, tempo de separação entre eleitos e condenados. Se acredito que Jesus Cristo há de vir, acolho melhor o convite à conversão e a estar preparado! O que é que entendo por Reino de Deus, era definitivamente nova inaugurada por Jesus Cristo?



Domingo, 13: A ALEGRIA DO EVANGELHO

«Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel» — exclama o salmista. «Alegrai-vos sempre no Senhor» — exorta Paulo aos Filipenses (segunda leitura). «Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria» — diz o profeta Sofonias (primeira leitura), inspirado no seu predecessor, Jeremias. Não é difícil encontrar a tónica comum aos textos deste domingo. Sim, hoje, «Deus está no meio de ti», em nós! A Igreja saboreia a espera do Senhor e dá-nos uma ajuda através do calendário litúrgico: recebamos, em comunidade, este Advento como um presente para reconhecer que o Senhor já está entre nós, neste tempo em que nos preparamos para festejar o seu nascimento na nossa humanidade!



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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.12.15 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

6 DE DEZEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 3, 1-6

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».



Segunda, 30: SALVAR VIDAS

O nosso mundo contemporâneo tem os seus reis, imperadores, presidentes, chefes políticos, governantes... como acontecia no tempo de Jesus: «No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás». Poder-se-ia esperar que os poderosos deste mundo acabassem com as tiranias. Mas não. Rezo por aqueles e aquelas que têm a responsabilidade de fazer a paz entre as diversas comunidades e que podem salvar vidas humanas.



Terça, 1: ABRIR AS FRONTEIRAS

No deserto das nossas cidades, aldeias, ruas, dos nossos países, a palavra de Deus é-nos dirigida, como o foi a João, filho de Zacarias, no deserto da Judeia. Hoje, é o momento favorável para abrir os ouvidos à palavra que convida à conversão, para que possa transformar os nossos corações e o mundo. E não podemos ficar de braços cruzados a assistir! Rezo para que haja paz onde há guerra, a fraternidade onde há fome, e sobretudo que as fronteiras permaneçam abertas.



Quarta, 2: IR AO DESERTO

Estamos ocupados com tantas coisas que não temos tempo para abrir a nossa vida àquele que está à porta a bater. Corremos quando é suficiente caminhar, enchemo-nos de atividades para dizer que existimos, falamos quando era preciso conter as palavras. Talvez sejam suficientes alguns momentos de quietude, um pouco de silêncio, um tempo de solidão e distância, para fazer a experiência do deserto, na qual Deus se dá como uma fonte inesgotável. Rezo para sabermos ir ao deserto para que se manifeste nos nossos corações Aquele que vem.



Quinta, 3: PERCEBER O QUE IMPEDE

João, no tempo de Jesus, «percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados». Na mesma linha, podemos fazer memória de São Francisco Xavier que, no seu tempo, percorreu muitas zonas da Ásia, convidando ao batismo pelo ensino da morte e da Ressurreição de Jesus Cristo. Podemos perguntar o que quer dizer, hoje, para nós, «deixar tudo para seguir Jesus Cristo»... Rezo para nos tornarmos disponíveis e também para perceber o que nos impede.



Sexta, 4: CLAMAR COM O ESPÍRITO

Acontece que, às vezes (muitas), parece que estamos a clamar no deserto... na família, no trabalho, nas várias atividades, encontros, lugares de pertença. O desânimo cresce na medida em que se acredita no que se faz e nas causas que se defendem. Gostaríamos de ser melhor compreendidos, apoiados, seguidos... Se é o caso, é tempo de parar um pouco para reconhecer essa outra voz, o sofro do Espírito, brisa ligeira, que também quer ser escutado. Rezo para que o nosso «clamor» seja de facto expressão do sopro do Espírito.



Sábado, 5: ENDIREITAR

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas! A nossa vida, como a dalguns daqueles que nos são mais próximos, talvez tenha seguido por caminhos sinuosos, tortuosos, rochosos... E já não sabemos como nos podemos desembaraçar dessas histórias caóticas. Isso não nos pode impedir de reconhecer que somos bem-amados de Deus, antes pelo contrário... Se não sabemos bem como fazer para acolher e doar esse amor incondicional, deixemo-lo acontecer. Rezo para que o próprio Senhor endireite os nossos caminhos.



Domingo, 6: PREPARAR A FESTA

Neste tempo de Advento, preparamo-nos para acolher aquele que vem. É precisamente o sentido da palavra Advento, que significa chegada, vinda. A Igreja designa assim o tempo litúrgico durante o qual os cristãos se preparam para acolher Jesus Cristo que vem até nós no estrangeiro, no vizinho, no noutro, naquele que é diferente e que às vezes até incomoda. Este tempo está marcado pelo simbolismo da espera e do desejo, da luz e da alegria. Por isso, somos convidados a abrir os olhos para o Salvador, que vem, dia a dia, ao nosso mundo, ao nosso país, à nossa cidade, à nossa rua, à nossa família, ao nosso trabalho... e a reconhecer aí os sinais do Espírito. Rezemos juntos, neste domingo, para que os nossos olhos se abram para a salvação que vem.



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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.11.15 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

29 DE NOVEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 21, 25-28.34-36

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».



Segunda, 23: VIR

No próximo domingo, entramos no tempo de Advento. O que é o Advento? No evangelho, Jesus lembra-nos: «Hão de ver o Filho do homem vir…». O Advento é o tempo em que Jesus Cristo nos fala da sua vinda, seja do seu nascimento em Belém, seja da sua presença em nós ou da sua vinda constante ao nosso coração, ou ainda do seu regresso no final dos tempos! Jesus Cristo não é um homem do passado. É um homem que vem ao nosso encontro, hoje. Ele vem fazer história connosco, comigo. Por isso, tenho de me preparar. Vem, Senhor Jesus!



Terça, 24: SER ABALADO

Para falar da sua vinda, Jesus menciona sinais grandiosos no céu, no mar, na terra. Tudo é abalado. Haverá melhor forma de significar o desabar do mundo antigo com a vinda de Jesus Cristo? Com ele, o mundo avança para uma nova era. Com ele, sou levado/a a entrar na novidade de Deus. Isto mete-me medo? Vem, Senhor Jesus!



Quarta, 25: ESPERAR

Se é certo que Jesus virá a nós «com grande poder e glória», se o mundo que conhecemos será abalado, o que é que podemos fazer? Esperar. Esperar sem receio do que poderá acontecer. Mas esperar com um grande desejo de ver o Senhor vir ao mundo, à nossa história, à minha vida. Esperar aquilo que desejo na profundidade do meu ser: uma nova terra onde reinará a justiça e a paz. Esperar um mundo em que todos os pobres sejam saciados. Esperar um Reino no qual o sofrimento e os medos deixarão de existir. Esperar… Na minha oração, posso confiar a Deus aquilo em que espero realmente. Vem, Senhor Jesus!



Quinta, 26: ERGUER-SE

Jesus não esconde que os seres humanos morrerão de medo quando tudo isso acontecer. A novidade, a irrupção dum novo mundo, não vai alegrar espontaneamente toda a gente. E como estarão os discípulos de Jesus Cristo? «Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima». Com medo? Não. Com confiança? Sim, e com a posturar erguida, de cabeça levantada e não de cabeça baixa. É a posição dos ressuscitados, dos salvos, dos que entram na vida nova. Por isso, hoje, rezo de pé, bem erguido, olhando o futuro de frente. Vem, Senhor Jesus!



Sexta, 27: TORNAR-SE PESADO

Jesus sabe que a espera pode ser longa. O nosso coração, cansado de esperar a vinda de Jesus Cristo, pode tornar-se pesado. Com o tempo, as «preocupações da vida» podem impor-se e distrair-nos da atitude correta para esperar e receber Jesus Cristo quando ele vier. Aliviar o coração, recentrar as preocupações é uma bela maneira de se preparar para o Natal. Vou fazê-lo? Vem, Senhor Jesus!



Sábado, 28: PERMANECER VIGILANTES

Como lutar contra o que nos desanima e nos distrai da espera daquele que amamos? Como combater os fardos da vida que com o seu peso nos fazem cair? Como fazer face à falta de esperança que, às vezes, nos faz curvar a coluna? Jesus não propõe soluções milagrosas, mas apela à nossa liberdade. Ele procura suscitar em nós um suplemento de liberdade convidando-nos a duas atitudes muito concretas. Antes de mais, pernanecer vigilantes. Por conseguinte, afastar de mim tudo o que anestesia a esperança e a coragem. Depois, orar em todo o tempo. Então, volto-me para o Senhor e conto-lhe agora e sempre a minha vontade. Vem, Senhor Jesus!



Domingo, 29: COMPARECER DIANTE DO FILHO DO HOMEM

O evangelho do primeiro domingo de Advento termina com uma atitude que marca o início deste tempo de Advento: estar preparado para comparecer diante do Filho do homem. Jesus não pede para estar de joelhos ou prostrado quando ele vier. Pede para estarmos de pé, que permaneçamos de pé. É a posição do homem/mulher livre, que se sabe salvo/a e que está de pé para receber o seu libertador. Então, neste domingo, aprendamos a estar de pé diante de Jesus Cristo, na eucaristia por exemplo (no momento da comunhão), ao dar uma oferta a um mendigo (figura privilegiada de Jesus Cristo), ao abrir os braços para acolher as crianças, ao abençoar a refeição partilhada em família ou entre amigos… Vamos, de pé!



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© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.11.15 | Sem comentários

REZAR O SDOMINGO SEGUNDO DA QUARESMA

1 DE MARÇO DE 2015


Evangelho segundo Marcos 9, 2-10

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.



Segunda, 23: SUBIR

Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João e sobe com eles a um alto monte. Hoje, também é para nós: somos convidados a entrar no evangelho e a subir à montanha. Isto exigirá um pouco de esforço, para acompanharmos os passos de Jesus Cristo, o caminho parecer-nos-á longo, passo após passo, corajosamente chegaremos ao topo... Ao longo do caminho, veremos paisagens desconhecidas, capazes de tirar o fôlego. Senhor Jesus, conduz-nos às fontes da Vida!



Terça, 24: CONTEMPLAR

Quando participamos num circuito pedestre ou caminhamos pela montanha atrás de um guia (aquele ou aquela que tem o mapa e conhece bem o itinerário), vamos tranquilos e confiantes. Toda a nossa energia se pode concentrar naquilo que temos de fazer bem: caminhar e contemplar. Assim, é possível aperceber-se da beleza das paisagens e dos companheiros de viagem, para além das aparências, das nuvens e das tempestades. Senhor Jesus, abre os nossos olhos às maravilhas do teu Amor!



Quarta, 25: FOTO!

Dispõe de tempo para procurar, no computador, uma foto sobre um local teu conhecido: uma foto de férias em família, um bom momento entre amigos, um lugar particular de que gostas, uma foto da terra onde vives, da cidade ou país... Pensa que é aí que, hoje, Jesus se transfigura, que as suas vestes se tornam resplandecentes, duma brancura tal que nenhuma pessoa sobre a terra o pode conseguir parecido. Senhor Jesus, glória a ti, tu és o Messias de Deus!



Quinta, 26: PEDRO

Coloquemo-nos no lugar de Pedro: seguiu Jesus até ao cimo da montanha; viu-o transfigurado a falar com Elias e Moisés; interroga-se e não sabe o que dizer... Entremos em diálogo com ele para lhe falar da perplexidade que também nos habita, da nossa dificuldade em acreditar. Escutemo-lo a propor a Jesus para montar três tendas! Observa um pouco a falta de jeito, a ingenuidade, o despropósito, fixa bem o que vês, antes de julgar. Senhor Jesus, glória a ti, tu que és o Rei vencedor!



Sexta, 27: ESCUTAR

Estamos com os discípulos e Jesus no alto da montanha. «Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: 'Este é o meu Filho muito amado: escutai-O'». Não há nada mais a fazer senão estar aí, deixar-nos impregnar pelo mistério da Palavra que nos penetra como um bálsamo que entra na pele, uma iguaria que ingerimos, uma carícia que toca o rosto, um beijo na boca. Senhor Jesus, glória a ti, tu és o Filho eterno!



Sábado, 28: DESCER

Pedro, Tiago e João, depois de terem vivido o momento excecional da transfiguração olham em volta e apenas veem Jesus. Vêmo-los a descer da montanha e voltar à vida quotidiana. Compreende-se que, para eles, tenha sido difícil partilhar tal experiência: o que dizer? Entretanto, Jesus ordena-lhes que não contem a ninguém o que tinham visto até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos. Senhor Jesus, glória a ti, tu és sacerdote para sempre!



Domingo, 1: ACREDITAR

Os discípulos perguntam entre si o que é «ressuscitar dos mortos»! Como eles, percebemos que ressuscitar não deve consistir em re-viver, como se nada tivesse acontecido, ou não morrer. Seguir Jesus Cristo vai conduzi-los até ao túmulo vazio, após a morte; e nós sabemos que é a ausência que lhes permite fazer a experiência do ressuscitado, no caminho de Emaús. O exato momento da ressurreição transcende a história, será sempre um mistério. Portanto, a ressurreição de Jesus é uma realidade, que faz de nós testemunhas e nos faz entrar, pouco a pouco, na experiência da fé. Senhor Jesus, glória a ti, tu és o ressuscitado!



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Rezar o domingo segundo da Quaresma (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.2.15 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO PRIMEIRO DA QUARESMA

22 DE FEVEREIRO DE 2015


Evangelho segundo Marcos 1, 12-15

Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».



Quarta, 18: ENTRAR NA QUARESMA

A Igreja entra na Quaresma. A meio da semana, sou convidado a celebrar uma eucaristia especial, em que me serão dirigidas as palavras finais do evangelho do próximo domingo. Senhor, neste dia, mostra-me o essencial: não para me dar uma cara... «de Quaresma», mas sim para derrubar tudo o que me afasta da tua Palavra. As cinzas, que guardo na minha cabeça, são a pequena liturgia que me recorda a decisão de me voltar para Ti: Obrigado, Senhor.



Quinta, 19: A VIDA SELVAGEM

Sem pensar numa «Quaresma de heróis» (que não é desejada por Deus), imagino Jesus «tentado por Satanás». A concisão de São Marcos é uma ocasião para percorrer a tranquila imagem de Jesus entre os «animais selvagens», prefigurando uma nova criação. O profeta Isaías pode-me ajudar (Isaías 11, 6-9): Jesus entre animais como o lobo, o urso, a serpente. O «serviço» dos anjos mostra já que Jesus é o Príncipe do Bem, vencedor da violência. Satanás vencido, o mundo selvagem já não mete mais medo. A minha oração é habitada pela paz de Jesus que dá continuidade à sua vitória.



Sexta, 20: ONDE FICA A MINHA GALILEIA?

Logo no início do evangelho, João desaparece. Ele foi o percursor, Jesus ocupará doravante a cena. Uma cena na Galileia. Em São Marcos, esta é a região onde se cumpre a Boa Nova, o lugar dos milagres, bem como do envio dos discípulos em missão por parte de Cristo ressuscitado. Por contraste, a Judeia (lugar do batismo) e Jerusalém (onde Jesus sofrerá a Paixão) são lugares de confronto com a morte. Quando Jesus parte para a Galileia, o que tenho de fazer para melhor o seguir?



Sábado, 21: ENTRE DOIS TEMPOS

Num versículo, Jesus apresenta a totalidade do «programa». O meu batismo faz-me mergulhar entre dois tempos: o tempo cumprido (o meu passado); o Reino de Deus que está próximo (o meu futuro). Com os olhos de Deus, revejo toda a minha existência, desde o nascimento até à morte (um dia, ela chegará!) lembrando-me de Jesus que, há dois mil anos, já expressou a situação em que me encontro. O presente não deixa de surgir para desaparecer depois: frustrante, não? Sou o fruto duma história santa e Deus espera-me com alegria no Seu Reino: excelente, não?



Domingo, 22: UMA IGREJA QUE SE VOLTA PARA DEUS

Desde o início da Bíblia, Deus expressa o seu desejo de caminhar com a Humanidade. «Estabelecerei a minha aliança convosco» — diz a Noé, no livro dos Génesis. A segunda leitura também nos esclarece. Recordando a história de Noé e a de Jesus Cristo que «morreu uma só vez pelos pecados», São Pedro explica-nos que o nosso batismo não é uma blindagem contra a «imundice corporal», mas um «compromisso para com Deus», que nos faz desde já participar na vida eterna. Na missa, que congrega todos os batizados, membros do Corpo de Cristo, alegro-me por pertencer à Igreja que se volta para Deus e prefere ser «uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças» (Papa Francisco).



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Rezar o domingo primeiro da Quaresma (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.2.15 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEXTO

28 DE SETEMBRO DE 2014


Evangelho segundo Mateus 21, 28-32

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?». Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».



Segunda, 22: OS PRÍNCIPES DOS SACERDOTES

Os príncipes dos sacerdotes são os responsáveis religiosos daquele tempo. Agora, pensemos num lugar de responsabilidade, como provavelmente já aconteceu alguma vez na vida: escola, equipa, família, serviço... No evangelho, descobrimos que os publicanos e as prostitutas precederão no Reino todos os responsáveis do mundo! No início deste dia, coloco-me diante do meu Criador e Senhor, durante alguns minutos de oração, para assim estar preparado para levar um olhar amoroso a cada pessoa, qualquer que seja a sua função, qualquer que seja a sua riqueza... Cada pessoa tem valor aos olhos de Deus.



Terça, 23: OS ANCIÃOS

Quando uma geração questiona a nossa situação, descobrimos que a experiência da vida é uma sabedoria e um saber a partilhar. Percebemos, também, que não é fácil, durante o crescimento, ser sempre o «mais pequeno» de todos. Mas Jesus diz-nos sem rodeios que «o que escondeu aos sábios e aos inteligentes foi revelado aos mais pequenos». No início deste dia, coloco-me diante do meu Criador e Senhor, durante alguns minutos de reflexão sobre a minha idade, para permanecer pequeno segundo o coração de Deus, ainda que aumente a idade.



Quarta, 24: O SERVIÇO

Quer se esteja do lado dos grandes, dos pequenos, dos sábios, dos sensatos ou mais do lado daqueles que ainda não tiveram experiência de vida para assumir quaisquer responsabilidades, somos todos interpelados por esta Palavra de Deus. O convite é o mesmo para todos, uma vez que se trata de mudar o nosso coração, caso tenha a tentação de dominar, condenar, julgar. No início deste dia, coloco-me diante do meu Criador e Senhor, durante alguns minutos de encontro íntimo, para me preparar a viver hoje o mais pequeno poder que se me apresente como um serviço.



Quinta, 25: O PRIMEIRO FILHO

Reparemos, agora, no primeiro filho: com um pouco de arrogância juvenil, enfrenta o Pai ao recusar participar na tarefa que lhe é pedida. Mas, depois, aparece arrependido e muda de decisão para, por fim, fazer tranquilamente o que lhe tinha sido pedido e, em certo sentido, recuperar o seu lugar de filho. Bem sabemos que nunca é tarde para fazer o bem! No início deste dia, coloca-me diante do meu Criador e Senhor, durante alguns minutos de diálogo, para perceber o que me pede, hoje...



Sexta, 26: O SEGUNDO FILHO

Reparemos no segundo filho da parábola, cheio de confiança, que se compromete de qualquer maneira numa palavra que não confirma. Vemo-lo deixar rapidamente o caminho da sua promessa, para responder a outras solicitações, provavelmente mais gratificantes. Será que isto nos lembra experiências já vividas? No início deste dia, coloco-me diante do meu Criador e Senhor, para lhe pedir perdão pelas minhas faltas de constância no seu serviço, quando prefiro trabalhar por minha conta e nos meus assuntos.



Sábado, 27: O SIM DO OUVINTE

Vai hoje trabalhar na vinha! Este convite aplica-se bem à nossa vida quotidiana. Há muito a fazer numa vinha, muito a fazer durante o dia, no trabalho, na família, na Igreja, no mundo. Deus convida-nos a trabalhar na sua vinha, através da realidade e da atualidade da nossa existência tal como ela é. No início deste dia, coloco-me na presença do meu Criador e Senhor a escutar a sua Palavra, para lhe dizer o meu sim ao seu serviço. Que todas as minhas ações, as minhas palavras, as minhas decisões sejam verdadeiramente para a sua maior glória.



Domingo, 28: O SIM DO CRENTE

Esta história dos dois filhos que escutamos ao longo da semana coloca-nos perante uma escolha fundamental: por ou contra Cristo. Essa escolha, que é uma escolha da fé, dá forma a toda a nossa vida. Se somos crentes, se pomos os nossos passos em sintonia com Cristo, tudo o que fazemos, tudo o que dizemos, tudo o que vivemos tem necessariamente a ver com a vinha do Senhor. Os nossos muitos «sim» ou «não» são partes que esclarecem o «sim» do crente que nós somos: confirmam-no ou negam-no... É a vida! No início deste dia, coloco-me na presença do meu Criador e Senhor, peço-lhe a graça do «sim» dado pela fé!



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Rezar o domingo vigésimo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.9.14 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO VIGÉSIMO QUINTO

21 DE SETEMBRO DE 2014


Evangelho segundo Mateus 20, 1-16a

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. Saiu a meia-manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’. E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’. Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’. Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: «Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’. Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um. Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizen­do: ‘Estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor’. Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’. Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos».



Segunda, 15: IMAGENS DE DEUS

Para nos falar daquele que o enviou ou do Reino dos Céus, Jesus usa normalmente as parábolas. De vez em quando, usa a imagem do vinhateiro, do semeador, do rei em viagem ou do pai misericordioso. Desta vez, Deus é apresentado como o dono de uma propriedade que sai de manhã cedo para contratar trabalhadores. Que parábola ou que imagem de Deus utilizada por Jesus me chama a atenção nestes dias? E porquê?



Terça, 16: DEUS CONTRATA [1]

Deus é também como um proprietário que contrata e que vai ao encontro daqueles que estão à espera de trabalho. Que alegria, ao ouvir dizer: «Ide vós também para a minha vinha»! Dedico algum tempo a contemplar este proprietário, que não hesita a voltar várias vezes à praça. Dou graças por este Deus bom e perseverante na busca de trabalhadores para a sua vinha.



Quarta, 17: DEUS CONTRATA [2]

Em tempo de crise e de desemprego, esta imagem dum Deus que contrata assume um sentido especial. Penso em todos aqueles e aquelas que procuram trabalho, assim como naqueles e naquelas que querem contratar. Rezo por todos os que se encontram nessas situações, os que conheço e também os que não conheço.



Quinta, 18: O QUE É JUSTO

Esta parábola surpreende-nos ou pode até chocar-nos. Aos homens contratados no início do dia, tal como aos outros convidados durante o dia, o proprietário promete dar o que é justo. O que é justo? Nem todos realizaram o mesmo trabalho, mas todos receberam o mesmo salário. Reflito sobre o que é isto diz sobre o dom de Deus para todos, independentemente dos esforços e «méritos» de cada um.



Sexta, 19: DISTRIBUIÇÃO CURIOSA

O fim do dia é dramático. Com efeito, a alegria de todos serem «justamente» recompensados — para terem capacidade de sustentar as próprias famílias — desaparece perante o sentimento de injustiça expresso pelos primeiros trabalhadores. Como se o que alguns receberam restabelecesse o lhes era devido «de pleno direito». Procuro entender a minha dificuldade em acolher a lógica do Reino, bem diferente da lógica habitual.



Sábado, 20: PATRÃO GRACIOSO

O dono da vinha defende-se: «Não me será permitido fazer o que quero do que é meu?». E Jesus acrescenta: «Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos». Peço a graça de pôr em causa as minhas imagens de Deus e a minha maneira de olhar aqueles que são considerados os últimos.



Domingo, 21: DEUS À PROCURA DE COLABORADORES

No início do dia, o dono da vinha sai para contratar trabalhadores. Como é bela esta imagem dum Deus que desde as primeiras horas do dia se põe à nossa procura e que, no final do dia, tem prazer em dar muito a todos. Bem diferente dum Deus solitário no céu, avaro nas suas pregorrativas e «contabilizador» dos nossos méritos. Em Jesus, estamos face a um Deus que desordena os nossos hábitos e que decide ter necessidade de trabalhadores para a sua vinha, isto é, colaboradores para a missão. Como é que nos sentimos envolvidos nos seus projetos? Sinto que sou chamado a fazer o quê, hoje? Peço a graça de se sentir contratado por Deus, seja qual for o meu estado de vida ou os meus talentos.



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Rezar o domingo vigésimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.9.14 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

14 DE SETEMBRO DE 2014


Evangelho segundo João 3, 13-17

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».



Segunda, 8: SUBIU

Esta semana, a festa da Exaltação da Santa Cruz convida-nos a viver cada dia da semana acolhendo o imenso espaço aberto pela cruz. O evangelho escolhido para esta festa começa com as palavras de Jesus: Ninguém subiu ao Céu senão...». Senão o quê? Senão ele, pois claro! Hoje, vou rezar com a ajuda de tudo o que me pode fazer subir ao céu: um balão enchido com hélio nas mãos de uma criança, um grito de alegria ou de desespero com o rosto elevado, as mãos abertas em direção ao céu em sinal de louvor... E, como Maria, de quem hoje celebramos o nascimento, elevarei os olhos ao céu para fazer subir a minha oração.



Terça, 9: DESCEU

Jesus prossegue a sua frase dizendo que «ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu». Depois do alto, o baixo. Depois do cume, o solo e o subsolo. Se a cruz se pode elevar para o céu, é porque está colocada sobre a terra. Para Deus, tudo aquilo que sobe, antes já tinha descido. Tudo o que está revestido de divindade já antes tinha desposado a terra, a humanidade. Hoje, rezarei olhando para baixo, terra a terra. É o caminho paradoxal que conduz ao Céu.



Quarta, 10: ELEVOU

Jesus não se fecha em abstrações. Toma o exemplo da serpente de bronze feita por Moisés e elevada num poste para que quem olhasse para ela fosse curado. A serpente elevada eleva o ser humano à sua dignidade de ser vivo. A cruz de Jesus também nos eleva à dignidade de filhos de Deus: não é o sinal traçado na fronte das crianças no dia do batismo? Hoje, rezarei com o que, na minha vida, me faz crescer e me eleva.



Quinta, 11: ELEVOU (BIS)

Jesus aplica a si mesmo o exemplo da serpente: «também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna». A cruz já não é mais um sinal de morte. Ela torna-se num sinal de vida, duma vida sem fim, duma vida que cada um pode «ter» se acreditar. Hoje, rezarei ao Senhor pedindo-lhe que faça crescer a minha fé, a minha confiança nele, a minha esperança na sua presença vivificante... enquanto o mundo não deixa de me enviar sinais de morte, de sofrimento e de fracasso. Senhor, eleva a minha fé.



Sexta, 12: AMOU E ENTREGOU

Deus é amor — sabemo-lo. Mas procuremos compreender até que ponto o amor que Deus tem pelo mundo — sim, Deus não detesta o mundo! — que O leva a agir de forma louca. Como? Dando o que tem de mais querido e de mais precioso: o seu Filho Unigénito. Deus é capaz de fazer o que poucos de nós seríamos capazes de fazer... Inacreditável? Não, é, justamente, o que Igreja nos pede para acreditar. Pai nosso, ensina-me a reconhecer o quanto sou amado por ti, embora eu não seja verdadeiramente digno.



Sábado, 13: ENVIOU PARA SALVAR

Para nos convencer de que Deus ama o mundo — e ama-o tanto! — Jesus serve-se de um outro vocabulário: a condenação e a salvação. Jesus é muito claro: Deus não enviou o seu Filho «para condenar o mundo» — quantas vezes é preciso dizê-lo para nos desembaraçarmos de qualquer espécie de medo? —, mas para que o o mundo seja salva pelo seu Filho. A cruz é o caminho percorrido pelo Filho para nos fazer passar com ele da morte para a vida. Hoje, rezarei não como um condenado, mas como um salvo. Vamos, experimenta!



Domingo, 14: EM CIMA, EM BAIXO, À ESQUERDA, À DIREITA

A cruz é um sinal que toca todo o espaço, da terra ao céu, dum horizonte ao outro. Ela é verdadeiramente o sinal dum amor louco, inaudito, completo e inimaginável de Deus pelo nosso mundo e por cada um de nós. A cruz é um sinal que abraça todo o nosso corpo, da cabeça aos pés, do ombro esquerdo ao ombro direito. Ela é verdadeiramente o sinal da vida eterna prometida a todos os corpos, graças àquele que, precisamente, nos dá o seu corpo a comer em cada Eucaristia. A cruz é um sinal que podemos traçar sobre o pão, sobre a fronte das crianças, sobre o corpo dos que sofrem e dos doentes... Ela é verdadeiramente o sinal de que todo o ser vivo e todas as coisas são chamados a ser consagrados, ou seja, a viver da vida de Deus.



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Rezar o domingo da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.9.14 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO

7 DE SETEMBRO DE 2014


Evangelho segundo Mateus 18, 15-20

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».



Segunda, 1: UMA QUESTÃO DE OUVIDOS

Jesus continua a ensinar os seus discípulos. Mais do que lhes dar um curso teórico, conta-lhes situações humanas concretas, por exemplo quando surgem conflitos, tensões ou desacordos entre os discípulos. Como em todos os ensinamentos, a primeira condição para o escutar é abrir os meus ouvidos para que a palavra de Jesus possa abrir caminho em mim, tocar o meu coração e converter-me. Jesus, abre os meus ouvidos à escuta da tua palavra.



Terça, 2: DIÁLOGO

A situação é simples, para não dizer banal. Um irmão cometeu um pecado. Um irmão, isto é, uma pessoa que, como eu, é discípulo de Jesus, membro da sua Igreja. Cometer um pecado, ou seja, ter agido em oposição ao Reino de Deus como, por exemplo, mentir, fazer sentir o poder através da violência, roubar dinheiro, insultar... A situação «simples», remédio «simples»: o diálogo, tu a tu. Ousar ir ter com o meu irmão para lhe falar com confiança, mostrar-lhe o que não está bem e, se ele escutar, esperar «ganhá-lo», isto é, retirá-lo do caminho em que estava, fazê-lo tomar a via da reconciliação. Rezo, tomando um exemplo concreto, uma situação semelhante em que me encontro ou com a qual fui confrontado. Em seguida, medito sobre o meu comportamento, sobre a forma que utilizei para ganhar o meu irmão. Jesus, abre os meus ouvidos ao diálogo com o meu irmão que cometeu um pecado.



Quarta, 3: DEBATE

A situação pode complicar-se: que fazer se o meu irmão não me escutar (e isto por diversas razões, que Jesus não chega a explicitar)? Jesus convida a recorrer a duas ou três testemunhas. É a lógica do pequeno grupo, para que o assunto seja tratado confidencialmente, mas com os meios necessários para a liberdade de expressão recorrendo a outros além de mim. Continuo a minha meditação a partir dum exemplo concreto que vivi ou em que fui testemunha. Jesus, abre os meus ouvidos para entrar em debate.



Quinta, 4: SÍNODO

A situação pode complicar-se ainda mais, sobretudo se o meu irmão se recusa escutar. Então, como fazer? Jesus não baixa os braços. Preconiza uma nova solução se as duas primeiras não produzirem os frutos esperados. Qual? Alertar a comunidade da Igreja, dito de outra maneira, uma coletividade, um grupo, o que melhor permita o reconhecimento dos outros como irmãos. Numa palavra, convocar um sínodo, uma assembleia. Aí, trata-se duma escuta que é novamente oferecida e tornada possível. Mas aí, se a recusa persistir, Jesus convida a considerar o meu irmão como «um pagão ou um publicano», isto é, uma pessoa que é convidada a converter-se de novo, como no início da sua vida com Jesus. São casos raros, felizmente, mas existem, como por exemplo os irmãos que recusam reconhecer a liberdade religiosa afirmada pelo II Concílio do Vaticano. Medito sobre uma situação análoga. Jesus, abre os meus ouvidos para viver em Igreja.



Sexta, 5: A LIGAÇÃO DA PALAVRA

Depois dos exemplos, Jesus retira um ensinamento sobre o que a nossa palavra em Igreja é capaz de ligar ou desligar. Medito escutando esta frase de Jesus: «Tudo o que ligardes...». Jesus, abre os meus ouvidos para me ligar a ti.



Sábado, 6: COLOCAR-SE DE ACORDO

«Digo-vos ainda...». Jesus insiste, como se este ensinamento fosse ainda mais importante. Jesus, abre os meus ouvidos para promover a união entre nós.



Domingo, 7: DOIS OU TRÊS À ESCUTA? JESUS PRESENTE!

A última frase do ensinamento de Jesus é crucial. Quando dois ou três se reúnem em nome de Jesus, isto é, em nome de «Deus salva», por outras palavras, quando dois ou três fazem tudo, absolutamente tudo, para salvar o irmão, para o tirar do mal em que se meteu, para encontrar a palavra, o diálogo, o debate, para unir a escuta e a capacidade de conversão, então sim, esses dois ou três agem com Jesus presente no meio deles. Jesus empregou todas as suas energias para salvar o que estava perdido, para curar o que estava doente. Quando dois ou três nos reunimos para fazer o mesmo, dispostos a escutar a sua palavra, então sim, Jesus está aí, no meio de nós. De que é que estamos à espera para agir assim?



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Rezar o domingo vigésimo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.8.14 | Sem comentários
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