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Gaudium et Spes — Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual [7]


A GS é o primeiro documento eclesial a fazer uma reflexão pastoral sobre a importância da cultura. O segundo capítulo da segunda parte da GS aborda «a conveniente promoção do progresso cultural». O conteúdo distribui-se por três secções que vamos resumir neste tema. Segundo os padres conciliares, «a palavra ‘cultura’ indica, em geral, todas as coisas por meio das quais o ser humano apura e desenvolve as múltiplas capacidades do seu espírito e do seu corpo; se esforça por dominar, pelo estudo e pelo trabalho, o próprio mundo; torna mais humana, com o progresso dos costumes e das instituições, a vida social, quer na família quer na comunidade civil; e, finalmente, no decorrer do tempo, exprime, comunica aos outros e conserva nas suas obras, para que sejam de proveito a muitos e até à inteira humanidade, as suas grandes experiências espirituais e as suas aspirações» (GS 53).

Condições da cultura no mundo atual

Os novos estilos de vida provocados pelas mais diversas transformações ocorridas nos últimos tempos permite «falar duma nova era da história humana» (GS 54), de «um novo humanismo, no qual o ser humano se define antes de mais pela sua responsabilidade com relação aos seus irmãos e à história» (GS 55). «Nestas condições, não é de admirar que o ser humano, sentindo a responsabilidade que tem na promoção da cultura, alimente mais dilatadas esperanças, e ao mesmo tempo encare com inquietação as múltiplas antinomias existentes» (GS 56).

Alguns princípios para a conveniente promoção da cultura

Apesar de reconhecer que alguns métodos podem «dar aso a certo fenomenismo e agnosticismo», a Igreja destaca aspetos positivos: «o gosto das ciências e a exata objetividade nas investigações científicas; a necessidade de colaborar com os outros nas equipas técnicas; o sentido de solidariedade internacional; a consciência cada vez mais nítida da responsabilidade que os sábios têm de ajudar e até de proteger os seres humanos; a vontade de tornar as condições de vida melhores para todos e especialmente para aqueles que sofrem da privação de responsabilidade ou de pobreza cultural. Tudo isto pode constituir uma certa preparação para a receção da mensagem evangélica» (GS 57). A Igreja lembra que entre a mensagem da salvação e a cultura humana existem muitos laços, pois Deus «falou segundo a cultura própria de cada época». E a própria Igreja «empregou os recursos das diversas culturas para fazer chegar a todas as gentes a mensagem de Cristo», além de «entrar em comunicação com as diversas formas de cultura, com o que se enriquecem tanto a própria Igreja como essas várias culturas» (58). Por conseguinte, «a Igreja lembra a todos que a cultura deve orientar-se para a perfeição integral da pessoa humana, para o bem da comunidade e de toda a sociedade» (GS 59).

Alguns deveres mais urgentes dos cristãos com relação à cultura

Afirmando que a cultura exige respeito, liberdade e autonomia para se desenvolver, a Igreja exorta as autoridades públicas a favorecerem e a colaborarem para o desenvolvimento cultural. A Igreja apregoa que todos têm o direito à cultura e ao pleno desenvolvimento conforme as qualidades e tradições próprias de cada um, independentemente de raça, sexo, nação, religião ou situação social. «É preciso, além disso, trabalhar muito para que todos tomem consciência, não só do direito à cultura, mas também do dever que têm de se cultivar e de ajudar os outros nesse campo» (GS 60). E «cada ser humano continua a ter o dever de salvaguardar a integridade da pessoa humana, na qual sobressaem os valores da inteligência, da vontade, da consciência e da fraternidade, valores que se fundam em Deus Criador e por Cristo foram admiravelmente restaurados e elevados» (GS 61). Neste contexto, «os teólogos são convidados a buscar constantemente, de acordo com os métodos e exigências próprias do conhecimento teológico, a forma mais adequada de comunicar a doutrina aos homens do seu tempo [...]. Na atividade pastoral, conheçam-se e apliquem-se suficientemente, não apenas os princípios teológicos, mas também os dados das ciências profanas [...]. A Igreja deve também reconhecer as novas formas artísticas [...]. Vivam os fiéis em estreita união com os demais do seu tempo e procurem compreender perfeitamente o seu modo de pensar e sentir, qual se exprime pela cultura. Saibam conciliar os conhecimentos das novas ciências e doutrinas e últimas descobertas com os costumes e doutrina cristã, [...] e sejam capazes de apreciar e interpretar todas as coisas com autêntico sentido cristão» (GS 62).

Este texto foi elaborado a partir das «fichas» apresentadas pelo «Ambiente Virtual de Formação» da Arquidiocese de Campinas, Brasil — www.ambientevirtual.org.br —

© Laboratório da fé, 2015

II Concílio do Vaticano, no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.10.15 | Sem comentários
— Documento de trabalho [3] —

1. A nossa aproximação ao problema: a análise cultural e a simpatia crítica

O tema dos jovens é muito amplo. Por isso, é necessário estudá-lo a partir de uma perspetiva que esteja em consonância com a competência do Conselho da Cultura, o que poderia ser uma análise cultural. A análise cultural pressupõe a perceção dos valores dominantes, da escala de interesses, das tendências, das evoluções e das mudanças nos costumes sociais, dos modelos típicos de comportamento, dos costumes e das tradições, dos juízos de uma coletividade, dos processos de sociabilização das novas gerações. A análise cultural exerce-se em dois níveis: o primeiro é o do inventário descritivo que esboça, o mais objetivamente possível, os rasgos distintivos de uma cultura; o segundo procura interpretar o significado da cultura para aqueles que a vivem.
Toda a cultura compreende elementos não explícitos que é necessário fazer emergir mediante uma análise profunda dos símbolos culturais, dos significados latentes que revelam os comportamentos e as expressões culturais. Neste sentido, o mal-estar da condição juvenil enfrenta dois fatores: por um lado, as transformações culturais em ação e, por outro, a falta de correspondência das ideias e dos discursos para interpretar as mudanças em curso.
Muitas das coisas que os jovens pensam ou fazem não se podem compreender sem um profundo processo de simpatia e compreensão para com eles. É necessário compreender o fenómeno a partir dos jovens, porque são eles que estão mais sensíveis e expostos a estas transformações.

© Pontíficio Conselho da Cultura 
© Tradução de Laboratório da fé, 2013, a partir do texto oficial em espanhol


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.2.13 | Sem comentários
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