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A porta da fé [15]


Estamos a poucos dias de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como vivemos o Ano da Fé. Bom proveito!

Já no termo da sua vida, o apóstolo Paulo pede ao discípulo Timóteo que «procure a fé» (cf. 2Timóteo 2, 22) com a mesma constância de quando era novo (cf. 2Timóteo 3, 15). Sintamos este convite dirigido a cada um de nós, para que ninguém se torne indolente na fé. Esta é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós. Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo. Aquilo de que o mundo tem hoje particular necessidade é o testemunho credível de quantos, iluminados na mente e no coração pela Palavra do Senhor, são capazes de abrir o coração e a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim.
Que «a Palavra do Senhor avance e seja glorificada» (2Tessalonicenses 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro. As seguintes palavras do apóstolo Pedro lançam um último jorro de luz sobre a fé: «É por isso que exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações; deste modo, a qualidade genuína da vossa fé – muito mais preciosa do que o ouro perecível, por certo também provado pelo fogo – será achada digna de louvor, de glória e de honra, na altura da manifestação de Jesus Cristo. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, credes n’Ele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas» (1Pedro 1, 6-9). A vida dos cristãos conhece a experiência da alegria e a do sofrimento. Quantos Santos viveram na solidão! Quantos crentes, mesmo em nossos dias, provados pelo silêncio de Deus, cuja voz consoladora queriam ouvir! As provas da vida, ao mesmo tempo que permitem compreender o mistério da Cruz e participar nos sofrimentos de Cristo (cf. Colossenses 1, 24) , são prelúdio da alegria e da esperança a que a fé conduz: «Quando sou fraco, então é que sou forte» (2Coríntios 12, 10). Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte. Com esta confiança segura, confiamo-nos a Ele: Ele, presente no meio de nós, vence o poder do maligno (cf. Lucas 11, 20); e a Igreja, comunidade visível da sua misericórdia, permanece n’Ele como sinal da reconciliação definitiva com o Pai.
À Mãe de Deus, proclamada «feliz porque acreditou» (cf. Lucas 1, 45), confiamos este tempo de graça.

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • Em matéria de fé, há que abandonar a preguiça. Não vale o desleixo ou a ideia de que Deus vai fazendo tudo, quando quer e como quer...
  • A fé compromete cada um a converter-se em sinal da presença de Jesus Cristo no mundo, hoje. É uma bela maneira de descrever a nossa vocação de cristãos.
  • O mundo precisa do testemunho credível de quem, com a vida e as palavras, saiba abrir o coração e a mente dos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, que não tem fim. 
  • Para que o testemunho seja credível tem de envolver toda a vida do crente: ser fiel a Jesus Cristo em todas as circunstâncias (cf. 1Pedro 1, 6-9).
  • A fé não nos faz «parar de sofrer»: na nossa vida há alegria e sofrimento; dor e gozo, solidão e companhia... Mas, em muitas ocasiões, também nos dói o «silêncio de Deus». Precisamos de olhar para a cruz com confiança segura. Com uma esperança «confiável» (é Deus que promete uma mudança da situação). De forma nenhuma entenderemos essa mudança, se não contarmos, na nossa experiência de vida, com a vida eterna.

Interiorizando

  • Sou preguiçoso(a) nas coisas da fé? Deixo-me levar pelas mudanças de ânimo? Tomo consciência da minha fidelidade para a ter presente nos momentos difíceis. «Ser fiel na obscuridade ao que se viu claramente na luz».

  • Que belo, quando a fé me leva a tornar presente Jesus Cristo na vida dos outros! A fé tem que me ajudar a ser cada vez mais parecido com Jesus Cristo, de modo que quem me vê possa ver Jesus Cristo.

  • Quando a fé se reduz a magia ou a superstição ou a mera crença... pode até parecer que sou mais ou o mais crente, mas não é assim. Com esse tipo de comportamento posso estar a desviar muita gente de Deus. Então, o meu testemunho de fé não é credível.

  • De uma vez por todos, tenho que assumir que não procuro Deus para «deixar de sofrer», mas para aprender a sofrer. Tenho que me tornar «discípulo da cruz», para aprender que só através dela conseguirei chegar à luz.

  • O silêncio de Deus nota-se quando me parece que está longe de mim, que não faz caso de mim, que não se importa comigo, que não me escuta... Tantas vezes saem da minha boca as palavras de Jesus Cristo, na cruz: «Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?»... Então,que dizer?: «em tuas mãos, entrego o meu espírito», «como a criança no colo da mãe».

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Anónimo | 21.11.13 | Sem comentários

A porta da fé [14]


Estamos a menos de duas semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1Coríntios 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tiago 2, 14-18).
A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mateus 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2Pedro 3, 13; cf. Apocalipse 21, 1).

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • O Ano da Fé é inseparável da intensificação do testemunho da caridade.
  • Ler os seguintes textos bíblicos: 1Coríntios 13 (hino da caridade); Tiago 2, 14-18.
  • A fé sem a caridade não dá fruto; a caridade sem a fé reduz-se a um simples humanismo (válido, em si mesmo, mas insuficiente para um cristão). A fé e o amor necessitam-se mutuamente. 
  • Há muitos cristãos que se dedicam com amor aos mais pobres e necessitados... Os pobres e os mais necessitados são, para nós, «rosto de Cristo». (Ler o texto bíblico de Mateus 25, 31-46). Disse João Paulo II: «Esta página não é um mero convite à caridade, mas uma página de cristologia que projeta um feixe de luz sobre o mistério de Cristo. Nesta página, não menos do que o faz com a vertente da ortodoxia, a Igreja mede a sua fidelidade de Esposa de Cristo» (Carta Apostólica no termo do Grande Jubileu — «Novo Millennio Ineunte», 49).
  • A partir da fé, olhamos com esperança para o nosso compromisso no mundo. Uma esperança «ativa». Não esperamos que «Deus transforme o mundo». Temos consciência de que «nos dá força para o transformarmos», fazendo dele «os novos céus e a nova terra, onde habite a justiça» (2Pedro 3, 13).

Interiorizando

  • Examino se tenho propensão para separar a fé da caridade. Estaria a deixar-me instalar na incoerência entre a fé e a vida. É uma tentação muito frequente e, muitas vezes, caímos nela. Essa incoerência converte-se, às vezes, em desprestígio da própria fé.

  • Tiro conclusões concretas para a minha vivência da fé a partir da leitura do Hino da Caridade (1Coríntios 13) e do texto de Tiago 2, 14-18. Posso encontrar outros textos na Primeira Carta de João.

  • Examino se a minha fé concreta é uma verdadeira fonte de entrega aos mais pobres e necessitados. Se acredito em Deus Pai, acredito que todos somos irmãos; reconheço que não vivemos como irmãos e proponho-me a caminhar no sentido de uma fraternidade próxima e comprometida com todos.

  • Examino a minha relação com Jesus, através da minha relação concreta com os necessitados, a partir da leitura serena de Mateus 25, 31-46.

  • A segurança nas promessas de Deus criam em mim passividade, à espera que seja Deus a fazer tudo? Entrego-me a uma esperança ativa? A esperança cristã é uma força para o compromisso; não é o pretexto para cruzar os braços, porque, como «tenho muita fé», Deus vai fazer tudo por mim.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Anónimo | 14.11.13 | Sem comentários

A porta da fé [13]


Estamos a três semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos.
Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, «autor e consumador da fé» (Hebreus 12, 2): n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e desejo do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação.
Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lucas 1, 38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lucas 1, 46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lucas 2, 6-7). Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes (cf. Mateus 2, 13-15). Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota (cf. João 19, 25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lucas 2, 19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. Atos 1, 14; 2, 1-4).
Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (cf. Marcos 10, 28). Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa (cf. Lucas 11, 20). Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele (cf. João 13, 34-35). Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura (cf. Marcos 16, 15) e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas.
Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos (cf. Atos 2, 42-47).
Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores.
Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma ação em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lucas 4, 18-19).
Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida (cf. Apocalipse 7, 9; 13, 8), confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados.
Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história.

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

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Aspetos que se podem sublinhar

  • Percorrer a história da nossa fé. Nela, entrecruzam-se a santidad e o pecado. A santidade estimula o compromisso de vida. Diante do pecado, temos de ter um sincero ato de conversão.
  • O olhar volta-se para Jesus Cristo, «autor e consumador da fé»: n'Ele encontra cumprimento todo o anseio do coração humano. Ele partilhou a nossa debilidade (Incarnação). E essa debilidade foi glorificada (Ressurreição).
  • A partir de Jesus Cristo são iluminados plenamente os exemplos de fé: — a fé de Maria, em todos os momentos do seu acompanhamento de Jesus e do nascimento da Igreja; — dos Apóstolos, chamados, seguidores, testemunhas, missionário; — dos Discípulos, construtores das primeiras comunidades cristãs, dando testemunho do amor e da comunhão de bens; — dos Mártires, testemunhas privilegiadas da verdade do Evangelho; — dos Consagrados(as), pela radicalidade da entrega; — de muitos cristãos comprometidos na promoção da justiça, levando a Palavra à vida, tornando-se, em Jesus, libertação para os oprimidos; — da multidão de homens e mulheres, com o testemunho da sua vida na família, na profissão, na vida pública e no desempenho dos carismas e ministérios que lhes foram confiados...
  • Nós: também vivemos pela fé, reconhecemos Jesus presente na nossa vida e na história. Somos, por graça, um elo dessa formosa cadeia de transmissão.

Interiorizando

  • Penso na minha diocese, na minha paróquia, no meu movimento, na minha comunidade, na minha associação... com o realismo de quem sabe descobrir a graça e o pecado. Agradecemos ao Senhor todo o bem e pedimos-lhe que nos ajude a «converter-nos» do mal, do pecado, que também penetra no coração das nossas instituições. Fazemos uma sã e cristã avaliação.

  • Repassamos a história da fé e sentimos um forte estímulo para continuar nas nossas vidas concretas a história das testemunhas. Temos e tivemos muitas; muitas delas chegaram ao martírio. Estimulam-nos a ser continuadores da fé que moveu as suas vidas.

  • Consideramos a importância que tem ser um elo dessa cadeia de testemunhas da fé. Importância e responsabilidade. Não podemos interromper, com a nossa preguiça ou falta de compromisso, a corrente da fé que é chamada sempre a crescer. Entristecemo-nos quando essa corrente, pela nossa falta de entusiasmo crente, se vai convertendo tantas vezes num fiozinho de água, que não rega nem fecunda a nossa história, ficando apenas no interior dos nossos templos.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.11.13 | Sem comentários

A porta da fé [12]


Estamos a quatro semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Assim, no Ano em questão, o Catecismo da Igreja Católica poderá ser um verdadeiro instrumento de apoio da fé, sobretudo para quantos têm a peito a formação dos cristãos, tão determinante no nosso contexto cultural. Com tal finalidade, convidei a Congregação para a Doutrina da Fé a redigir, de comum acordo com os competentes Organismos da Santa Sé, uma Nota, através da qual se ofereçam à Igreja e aos crentes algumas indicações para viver, nos moldes mais eficazes e apropriados, este Ano da Fé ao serviço do crer e do evangelizar.
De facto, em nossos dias mais do que no passado, a fé vê-se sujeita a uma série de interrogativos, que provêm duma diversa mentalidade que, hoje de uma forma particular, reduz o âmbito das certezas racionais ao das conquistas científicas e tecnológicas. Mas, a Igreja nunca teve medo de mostrar que não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas, embora por caminhos diferentes, tendem para a verdade [22].

[22] Cf. João Paulo II, Carta enc. Fides et ratio (14 de Setembro de 1998), 34.106: AAS 91 (1999), 31-32.86-87

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

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Aspetos que se podem sublinhar

  • A importância de uma familiaridade com o Catecismo por parte de todos os transmissores da fé. Trata-se de uma sólida formação na fé, tão importante no nosso contexto cultural. O «saber dar razão da nossa esperança». É o instrumento que temos mais à mão para não nos sentirmos no vazio, quando temos de partilhar a nossa fé: Em que acreditamos? Porque é que acreditamos? Para que é que acreditamos?
  • No âmbito da sociedade e da cultura, a fé encontra-se submetida a novas interrogações. O mais fundamental é que, hoje, pretende-se que as coisas «certas» sejam apenas as que se podem demonstrar pela razão ou derivam dos avanços científicos e técnicos. Fora dessas certezas (e a fé está fora dessas certezas), há muita gente que defende que não se devem procurar outras. Não seria necessário, portanto, procurar a fé como fonte de certeza para coisas importantes na vida.

Interiorizando

  • Examino se, como catequista, pregador, responsável por alguma pastoral, dirigente de algum Movimento ou Associação... tenho consciência da importância que tem o meu empenho em assimilar o Catecismo da Igreja Católica. Haverá coisas que não compreenderei à primeira. Repito a leitura, pergunto, partilho com outros... Mas, se sou transmissor da fé, não posso transmiti-la de forma ligeira; muito menos, inventar verdades: ou por não perceber os conteúdos da fé ou por desleixo, apresentando errados conteúdos da fé. A responsabilidade é muito grande. A Igreja põe nas minhas mãos o «tesouro da fé»... Por isso, ninguém deveria ser «transmissor da fé» por sua própria conta.

  • No ambiente social e cultural em que vivemos não se pode apresentar uma fé infantilizada e pouco formada. A minha atitude para com o momento atual, social e cultural, não pode ser de confronto, mas de proposta. Mas nunca, ainda menos hoje, vale qualquer proposta. Não posso pensar que as pessoas, na sua credulidade, estão à espera que lhes diga, através da fé, as coisas mais estranhas e esotéricas. Se for isso que esperam, tenho que ter consciência de que não o posso esperar da fé. Nem posso colocar a minha transmissão da fé ao serviço da superstição ou da magia ou de coisas esotéricas, por muito que as pessoas apreciem essas coisas.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.10.13 | Sem comentários

A porta da fé [11]


Estamos a cinco semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos podem encontrar um subsídio precioso e indispensável no Catecismo da Igreja Católica. Este constitui um dos frutos mais importantes do II Concílio do Vaticano. Na Constituição apostólica Fidei depositum – não sem razão assinada na passagem do trigésimo aniversário da abertura do II Concílio do Vaticano – o Beato João Paulo II escrevia: «Este catecismo dará um contributo muito importante à obra de renovação de toda a vida eclesial (...). Declaro-o norma segura para o ensino da fé e, por isso, instrumento válido e legítimo ao serviço da comunhão eclesial» [21].
É precisamente nesta linha que o Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica. Nele, de facto, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé.
Na sua própria estrutura, o Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária. Repassando as páginas, descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja. Na verdade, a seguir à profissão de fé, vem a explicação da vida sacramental, na qual Cristo está presente e operante, continuando a construir a sua Igreja. Sem a liturgia e os sacramentos, a profissão de fé não seria eficaz, porque faltaria a graça que sustenta o testemunho dos cristãos. Na mesma linha, a doutrina do Catecismo sobre a vida moral adquire todo o seu significado, se for colocada em relação com a fé, a liturgia e a oração.

[21] Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 115 e 117

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

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Aspetos que se podem sublinhar

  • O Catecismo da Igreja Católica é uma ajuda preciosa e indispensável. Um dos frutos mais importantes do II Concílio do Vaticano. Um contributo importantíssimo na obra de renovação eclesial. 
  • No Ano da Fé, temos um compromisso unânime para redescobrir e estudar os conteúdos fundamentais do Catecismo, que oferece uma memória permanente dos diferentes modos, pelos quais a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina.
  • A sua estrutura aborda até os grandes temas da vida quotidiana... Tudo o que se apresenta não é teoria, mas encontro com uma Pessoa que vive na Igreja... Os ensinamentos do Catecismo sobre a vida moral adquirem pleno sentido quando se colocam em relação com a fé, a liturgia e a oração.

Interiorizando

  • A minha relação com o Catecismo da Igreja. A consciência da sua importância para a renovação da vida da Igreja. Em que aspetos fundamentais percebo essa importância? Tenho-o? Já o estudei? Tenho confrontado os meus conteúdos de fé com os conteúdos transmitidos pelo Catecismo?

  • Ano da Fé e Catecismo da Igreja Católica. Como acolho o convite para estudar os temas fundamentais do Catecismo? Que relação possui com a fé da Igreja através dos tempos? Reconheço-o inserido dentro da corrente da história de fé eclesial ou, para mim, é um texto frio, destinado ao puro conhecimento de verdades?

  • Compreendo os elementos pedagógicos da estrutura em que está construído o Catecismo? Revejo essa estrutura e procuro perceber o fio condutor.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.10.13 | Sem comentários

A porta da fé [10]


Estamos a seis semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Queria agora delinear um percurso que ajude a compreender de maneira mais profunda os conteúdos da fé e, juntamente com eles, também o ato pelo qual decidimos, com plena liberdade, entregar-nos totalmente a Deus. De facto, existe uma unidade profunda entre o ato com que se crê e os conteúdos a que damos o nosso assentimento. O apóstolo Paulo permite entrar dentro desta realidade quando escreve: «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Romanos 10, 10). O coração indica que o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo dela mesma.
A este respeito é muito eloquente o exemplo de Lídia. Narra São Lucas que o apóstolo Paulo, encontrando-se em Filipos, num sábado foi anunciar o Evangelho a algumas mulheres; entre elas, estava Lídia. «O Senhor abriu-lhe o coração para aderir ao que Paulo dizia» (Atos 16, 14). O sentido contido na expressão é importante. São Lucas ensina que o conhecimento dos conteúdos que se deve acreditar não é suficiente, se depois o coração – autêntico sacrário da pessoa – não for aberto pela graça, que consente ter olhos para ver em profundidade e compreender que o que foi anunciado é a Palavra de Deus.
Por sua vez, o professar com a boca indica que a fé implica um testemunho e um compromisso públicos. O cristão não pode jamais pensar que o crer seja um facto privado. A fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele. E este «estar com Ele» introduz na compreensão das razões pelas quais se acredita. A fé, precisamente porque é um ato da liberdade, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita. No dia de Pentecostes, a Igreja manifesta, com toda a clareza, esta dimensão pública do crer e do anunciar sem temor a própria fé a toda a gente. É o dom do Espírito Santo que prepara para a missão e fortalece o nosso testemunho, tornando-o franco e corajoso.
A própria profissão da fé é um ato simultaneamente pessoal e comunitário. De facto, o primeiro sujeito da fé é a Igreja. É na fé da comunidade cristã que cada um recebe o Batismo, sinal eficaz da entrada no povo dos crentes para obter a salvação. Como atesta o Catecismo da Igreja Católica, «“Eu creio”: é a fé da Igreja, professada pessoalmente por cada crente, principalmente por ocasião do Baptismo. “Nós cremos”: é a fé da Igreja, confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, de modo mais geral, pela assembleia litúrgica dos crentes. “Eu creio”: é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus pela sua fé e nos ensina a dizer: “Eu creio”, “Nós cremos”» [17].
Como se pode notar, o conhecimento dos conteúdos de fé é essencial para se dar o próprio assentimento, isto é, para aderir plenamente com a inteligência e a vontade a quanto é proposto pela Igreja. O conhecimento da fé introduz na totalidade do mistério salvífico revelado por Deus. Por isso, o assentimento prestado implica que, quando se acredita, se aceita livremente todo o mistério da fé, porque o garante da sua verdade é o próprio Deus, que Se revela e permite conhecer o seu mistério de amor [18].
Por outro lado, não podemos esquecer que, no nosso contexto cultural, há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro «preâmbulo» da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus. De facto, a própria razão do ser humano traz inscrita em si mesma a exigência «daquilo que vale e permanece sempre» [19]. Esta exigência constitui um convite permanente, inscrito indelevelmente no coração humano, para caminhar ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele mesmo não tivesse já vindo ao nosso encontro [20]. É precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé.

[17] Catecismo da Igreja Católica, 167
[18] Cf. Conc. Ecum. Vat. I, Const. dogm. sobre a fé católica Dei Filius, cap. III: DS 3008-3009; Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Revelação divina Dei Verbum, 5
[19] Bento XVI, Discurso no «Collège des Bernardins» (Paris, 12 de Setembro de 2008):AAS 100 (2008), 722
[20] Cf. Santo Agostinho, Confissões, 13, 1

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • A distinção entre o «ato de fé» e os conteúdos de fé. O ato de fé é a entrega total e livre de tudo o que somos a Deus. Mas ato de fé e conteúdos de fé não se podem separar.
  • O Papa vê refletida esta união no texto de Paulo: «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Romanos 10, 10). E vê-o confirmado no exemplo de Lídia: «O Senhor abriu-lhe o coração para aderir ao que Paulo dizia» (Atos 16, 14). Os conteúdos das verdades não é suficiente, se o coração não está aberto à graça. A fé não se resume a palavras «crentes»; precisa também de um «coração crente».
  • A «profissão com a boca» indica também que a fé implica um testemunho e um compromisso públicos. Contra a tendência da «privatização» da fé: o cristão não pode pensar que acreditar é um ato privado. A fé tem necessariamente repercussões na vida pública.
  • Por ser um ato da liberdade, a fé exige também uma responsabilidade social daquilo em que se acredita.
  • É o dom do Espírito Santo que capacita para a missão e fortalece o nosso testemunho tornando-o franco e corajoso.
  • A própria profissão de fé é, ao mesmo tempo, um ato pessoal e comunitário. O primeiro sujeito da fé é a Igreja. Na fé da comunidade, recebemos o batismo, entrando assim na comunidade dos que acreditam. Por isso, dizemos «creio» e «cremos».
  • Em que é que acreditamos? Na fé da Igreja. Daí a importância de conhecer os conteúdos da fé. Porque não acreditamos por conta própria, mas com e na fé da Igreja. O conhecimento da fé não é parcial (escolho o que me interessa), mas por ele somos introduzidos na totalidade do mistério salvador de Deus. Ao crer, aceitamos livremente a totalidade do mistério da fé.
  • É preciso olhar com simpatia e proximidade para as muitas pessoas que não reconhecem dentro de si e para si o dom da fé, mas procuram com sinceridade o sentido último e a verdade definitiva da sua existência e do mundo. Esta procura é um verdadeiro «preâmbulo da fé», como uma «sala de espera», porque leva as pessoas ao caminho que conduz ao mistério de Deus.

Interiorizando

  • Examino se confundo a minha fé com o facto de «saber muitas coisas», mas sem me preocupar que essas coisas desçam ao meu coração. Pode-se saber muita teologia (ter muitos conhecimentos sobre Deus), mas não viver uma vida teologal (de acordo com a fé que se professa, na entrega generosa a Deus).

  • Examino se penso que a fé é um assunto puramente privado, que não deve ter nenhum tipo de reflexo nos aspetos sociais da minha vida (família, trabalho, política, economia...). Esta maneira de pensar, que se chama «privatização da fé», entra tão facilmente em nós que acabamos por pensar que a fé nos serve apenas para «arrumar» os nossos assuntos com Deus. E nada mais!

  • Examino se me apercebo de que uma verdadeira «confissão de fé» é profundamente missionária. Não acredito «sozinho», mas acredito, pessoalmente, «na comunidade». «Esta é a nossa fé. Está é a fé da Igreja»... acredito nisto? Ou ando por aí inventando verdades que não correspondem à fé da Igreja de quem sou membro? Parece mentira, mas é muito fácil «inventar verdades» (sobretudo, aqueles que se dedicam à pregação), porque «as pessoas gostam».

  • Examino se dou importância aos conteúdos da fé, que não são os meus conteúdos, mas os conteúdos da fé da Igreja. Às vezes, não apresentamos os conteúdos da fé eclesial, mas fazemos as pessoas acreditar em coisas que não pertencem à fé da Igreja (muita gente confunde isso com «ser mais crente»).

  • Examino se, a partir da minha fé, estou próximo daqueles que, embora não sendo crentes, procuram com sinceridade o sentido da vida... Às vezes, ficamos fechados e não abrimos o coração a quem sinceramente procura Deus, embora não o saiba... Não serve dizer: só os católicos é que me interessam. Uma atitude pouco missionária!

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.10.13 | Sem comentários

A porta da fé [9]


Estamos a sete semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Desejamos que este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança. Será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia, que é «a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força» [14]. Simultaneamente esperamos que o testemunho de vida dos crentes cresça na sua credibilidade. Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada [15] e refletir sobre o próprio ato com que se crê, é um compromisso que cada crente deve assumir, sobretudo neste Ano.
Não foi sem razão que, nos primeiros séculos, os cristãos eram obrigados a aprender de memória o Credo. É que este servia-lhes de oração diária, para não esquecerem o compromisso assumido com o Batismo. Recorda-o, com palavras densas de significado, Santo Agostinho quando afirma numa homilia sobre a «redditio symboli» (a entrega do Credo): «O símbolo do santo mistério, que recebestes todos juntos e que hoje proferistes um a um, reúne as palavras sobre as quais está edificada com solidez a fé da Igreja, nossa Mãe, apoiada no alicerce seguro que é Cristo Senhor. E vós recebeste-lo e proferiste-lo, mas deveis tê-lo sempre presente na mente e no coração, deveis repeti-lo nos vossos leitos, pensar nele nas praças e não o esquecer durante as refeições; e, mesmo quando o corpo dorme, o vosso coração continue de vigília por ele» [16].

[14] Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 10
[15] Cf. João Paulo II, Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 116
[16] Santo Agostinho, Sermo 215, 1

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

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Aspetos que se podem sublinhar

  • Uma «confissão da fé» plena, renovada, convicta, confiada e cheia de esperança. Longe de qualquer «confissão de fé» parcial (as verdades que me interessam), nostálgica (era bom voltar ao antigo), superficial (basta recitar com os lábios), de puro trâmite (não estou nada implicado com o Credo), sem horizontes (não me abro para além do presente, que é o que na realidade conta para mim).
  • Relação da confissão da fé com a sua celebração na Liturgia, especialmente na Eucaristia. Não separar o que cremos do que celebramos. As celebrações são sempre «celebrações de fé», não são «celebrações por costume» ou «celebrações puramente sociais».
  • Uma confissão de fé que se traduza no testemunho de vida dos crentes, cada vez mais credível. A fé precisa de «credibilidade». E não há melhor credibilidade do que o testemunho.
  • Fé professada, celebrada, vivida, rezada, refletindo no próprio «ato de crer».
  • Este era o sentido, nos primeiros séculos do cristianismo, da obrigação de aprender de memória o «Credo».

Interiorizando

  • Examino se entrei na «rotina» ao «confessar a fé»... Quando recito o Credo, faço-o apenas pronunciando palavras? Sem implicação pessoal e sem convicção?

  • São muitas as vezes em que«confesso a fé» na Liturgia, especialmente no Credo da missa dominical. Tenho consciência da relação entre «confissão de fé» e «celebração de fé»? As minhas celebrações são verdadeiras «celebrações de fé» ou fico apenas na obrigação de celebrar ou em celebrar por puros motivos sociais?

  • Sinto uma verdadeira comunhão com todos os crentes que recitam o mesmo «Credo»? Ajuda-me a perceber a universalidade da minha fé? Sinto-me unido a todos os crentes e comunidades que, aprendendo-o de memória, podem recitar de coração o mesmo Credo? Como é que a confissão do mesmo e único Credo pode contribuir para a construção de uma comunhão mais forte entre todos os membros, associações, movimentos e grupos da nossa Igreja?

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.10.13 | Sem comentários

A porta da fé [8]


Estamos a oito semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Nesta feliz ocorrência, pretendo convidar os Irmãos Bispos de todo o mundo para que se unam ao Sucessor de Pedro, no tempo de graça espiritual que o Senhor nos oferece, a fim de comemorar o dom precioso da fé. Queremos celebrar este Ano de forma digna e fecunda. Deverá intensificar-se a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo a tornarem mais consciente e revigorarem a sua adesão ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver. Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Neste Ano, tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do «Credo».

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

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Aspetos que se podem sublinhar

  • A celebração do Ano da Fé há de fazer-se de «forma digna e fecunda». Não se trata simplesmente de um evento externo. A dignidade e a fecundidade de celebrar o Ano da Fé acontece com atitudes que tornem a fé mais pessoal, mais responsável, mais comprometida.
  • Temos de refletir mais profundamente sobre a nossa fé. A finalidade é fazer com que a nossa adesão a Cristo seja mais consciente e vigorosa. Não podemos acreditar só por tradição (porque foi sempre assim, porque assim acreditavam os nossos avós...). Precisamos de personalizar a fé, para responder aos desafios da sociedade moderna.
  • É preciso também «confessar» a fé. A unidade de confissão manifesta a nossa «comunhão eclesial». Por isso, somos chamados a realizar essa confissão (o nosso «Credo») em todos os níveis de realização eclesial.

Interiorizando

  • A dignidade e a fecundidade da nossa celebração do Ano da Fé pede-nos que nos coloquemos em «processo de crescimento crente» e não em mero eventos... Estou disposto? Vou participar só em celebrações externas ou vou «rever» a minha fé com um coração convertido e aberto?

  • A reflexão sobre a nossa fé (que contém aspetos doutrinais) propõe algo que envolve muito mais: uma adesão a Cristo mais consciente e vigorosa... Hoje, mais do que nunca, precisamos de uma fé pessoal, convicta, longe da rotina ou mero costume... Como se pode progredir tendo em vista uma fé pessoal e menos sociológica? A fé não é uma mera aparência; é uma nova construção da minha vida. Até que ponto as dimensões mais importantes do meu ser e do meu comportamento estão fecundadas pela fé?

  • A confissão do nosso «Credo» é uma grande oportunidade de «comunhão» de toda a Igreja. Ao fazê-la muitas vezes ao longo deste Ano, como tirá-la da rotina? Que a boca fale da abundância do coração. Como aumentar essa abundância do coração? Como é que a «comunhão na mesma fé» nos pode ajudar a reforçar a comunhão interior da nossa Igreja? Os que confessamos o mesmo Credo, podemos estar tão afastados religiosamente?

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.10.13 | Sem comentários

A porta da fé [7]


Estamos a nove semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

«Caritas Christi urget nos – o amor de Cristo nos impele» (2Coríntios 5, 14): é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, Ele envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra (cf. Mateus 28, 19). Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens e mulheres de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Na descoberta diária do seu amor, ganha força e vigor o compromisso missionário dos crentes, que jamais pode faltar. Com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria. A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar: de facto, abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos. Os crentes – atesta Santo Agostinho – «fortificam-se acreditando» [12]. O Santo Bispo de Hipona tinha boas razões para falar assim. Como sabemos, a sua vida foi uma busca contínua da beleza da fé enquanto o seu coração não encontrou descanso em Deus [13]. Os seus numerosos escritos, onde se explica a importância de crer e a verdade da fé, permaneceram até aos nossos dias como um património de riqueza incomparável e consentem ainda que tantas pessoas à procura de Deus encontrem o justo percurso para chegar à «porta da fé».
Por conseguinte, só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus.

[12] De utilitate credendi, 1, 2
[13] Cf. Confissões, 1, 1

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

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Aspetos que se podem sublinhar

  • O Ano da Fé tem que ver também com a evangelização: o amor de Cristo incita-nos a evangelizar os homens e mulheres da nossa geração.
  • Hoje, há necessidade de um compromisso eclesial mais convicto a favor da nova evangelização e do compromisso missionário. A dimensão missionário é um eixo transversal a toda a pastoral da Igreja. 
  • A fé cresce na medida em que somos capazes de a partilhar. A fé abre o coração e a mente dos que escutam a Palavra e acolhem o convite do Senhor para ser seus discípulos. Conhecer Jesus Cristo pela fé é a nossa alegria; transmitir este tesouro é o encargo que recebemos do Senhor Jesus Cristo.
  • A fé só cresce e se fortalece acreditando, abandonados a um amor que se experimenta sempre maior, porque procede de Deus.

Interiorizando

  • Examino se guardo a minha fé só para mim ou estou disposto a partilhá-la através de um verdadeiro ato de testemunho e missão. Como Igreja somos chamados a uma missão: sair da comodidade e da tibieza, para ir ao encontro....

  • Examino se «oculto» a minha fé, porque me falta vida e tenho medo que me apontem como um mau cristão: daqueles que dizem, mas não fazem. Há muita gente que não quer aparecer diante dos outros como crente em Cristo. Será para que os outros não apontem as minhas incoerências?

  • Examino se estou empenhado na tarefa missionária, com o desejo de partilhar o que eu mesmo recebi: a melhor prenda, a minha própria fé. Não nos fica bem estar instalados numa «pastoral de manutenção» e esquecermos a necessidade de uma «pastoral decididamente missionária».

  • Examino se a minha fé está a ficar pequena e me estou a afastar, porque não sou capaz nem tenho coragem para a partilhar...

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.9.13 | Sem comentários

A porta da fé [6]


Estamos a dez semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou. O próprio Concílio, na Constituição dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», afirma: «Enquanto Cristo 'santo, inocente, imaculado' (Hebreus 7, 26), não conheceu o pecado (cf. 2Coríntios 5, 21), mas veio apenas expiar os pecados do povo (cf. Hebreus 2, 17), a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação. A Igreja 'prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus', anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1Coríntios 11, 26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz» [11].
Nesta perspetiva, o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. No mistério da sua morte e ressurreição, Deus revelou plenamente o Amor que salva e chama os humanos à conversão de vida por meio da remissão dos pecados (cf. Atos dos Apóstolos 5, 31). Para o apóstolo Paulo, este amor introduz o homem numa vida nova: «Pelo Batismo fomos sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova» (Romanos 6, 4). Em virtude da fé, esta vida nova plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida da sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afetos, a mentalidade e o comportamento do ser humano vão sendo pouco a pouco purificados e transformados, ao longo de um itinerário jamais completamente terminado nesta vida. A «fé, que atua pelo amor» (Gálatas 5, 6), torna-se um novo critério de entendimento e de ação, que muda toda a vida do ser humano (cf. Romanos 12, 2; Colossenses 3, 9-10; Efésios 4, 20-29; 2Coríntios 5, 17).

[11] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 8

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

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Aspetos que se podem sublinhar

  • Este número orienta-se muito claramente para a «conversão pastoral», a renovação da Igreja, que se fundamenta no testemunho oferecido pela vida dos crentes (conversão pessoal).
  • A Igreja é santa, mas também sempre necessitada de purificação, pelo que procura sempre a sua conversão e renovação...
  • A Igreja, enquanto peregrina, dá a conhecer Jesus, às vezes, entre sombras, mas com a fidelidade que conduz à plena manifestação da luz.
  • O Ano da Fé converte-se, assim, num «convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo».
  • O amor salvador que recebemos conduz-nos a uma vida nova, plasmada na ressurreição. Mas, até chegar à ressurreição, vai progressivamente transformando e renovando os pensamentos, os afetos, a mentalidade e os comportamentos do ser humano.
  • A «fé, que atua pelo amor» converte-se num novo critério de pensamento e de ação, que muda toda a vida do ser humano.

Interiorizando

  • Examino a minha disponibilidade concreta para a conversão, tanto pessoal como pastoral. Com a graça de Cristo, opto pela mudança de tudo aquilo que, pessoalmente, me afasta dele e dos irmãos; e pela mudança dos «modelos pastorais» que não provocam a adesão à fé em Jesus. Todos precisamos de uma conversão pessoal e pastoral, que implica uma escuta atenta e o discernimento daquilo que o Espírito diz às Igrejas, através dos sinais dos tempos. Se a Igreja, que é santa, necessita de purificação constante, quando mais a minha paróquia ou movimento! Pertencemos a uma Igreja peregrina e, com ela, fazemos caminho; ainda não chegamos à meta.

  • Examino se estou a viver o Ano da Fé apenas a pensar nas «verdades a estudar» ou também na conversão da vida pessoal e pastoral. A mudança desafiada pela fé é profunda: um novo critério de pensamento e de ação. É aí que se encontra a coerência entre a fé e a vida. Acreditar é um «ato unitário»: não posso acreditar por um lado e viver ao contrário. Não podemos ter dois níveis na construção da nossa vida: um nível para viver (como todos os outros) e outro nível para acreditar.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.9.13 | Sem comentários

A porta da fé [5]


Estamos a onze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Sob alguns aspectos, o meu venerado Predecessor viu este Ano como uma «consequência e exigência pós-conciliar» [8], bem ciente das graves dificuldades daquele tempo sobretudo no que se referia à profissão da verdadeira fé e da sua recta interpretação. Pareceu-me que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do II Concílio do Vaticano poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, «não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja. Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa» [9]. Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: «Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja» [10].

[8] Paulo VI, Audiência Geral (14 de Junho de 1967): Insegnamenti, V (1967), 801
[9] João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 57: AAS 93 (2001), 308
[10] Discurso à Cúria Romana (22 de Dezembro de 2005): AAS 98 (2006), 52


A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

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Aspetos que se podem sublinhar

  • Acontecimento central para o Ano da Fé: os 50 anos da abertura do Concílio.
  • Afirmações de João Paulo II sobre o Concílio: os textos conciliares não perderam o seu valor nem o seu esplendor; necessidade de os ler de forma apropriada, para que sejam conhecidos e assimilados; o Concílio é a grande graça que beneficiou a Igreja do século XX; o Concílio é uma bússola para nos orientar no caminho do século XXI.
  • Afirmações de Bento XVI sobre o Concílio: precisamos de ler e acolher os textos a partir de uma correta interpretação; cumprida essa condição, pode e deve chegar a ser uma grande força de renovação da Igreja, sempre necessária.
  • Não podemos recordar o Concílio, sem a convicção de que a Igreja tem de estar sempre em permanente reforma («conversão pastoral»).

Interiorizando

  • A minha postura em relação ao II Concílio do Vaticano: considero-o como um acontecimento do passado ou como um acontecimento vivo e ainda atual? Sou dos que digo: «o Concílio já passou, graças a Deus»? Sinto necessidade de retomar a leitura dos textos conciliares e de renovar a minha receção do Concílio? Tenho de começar por me perguntar: eu, cristão do século XXI, já fiz alguma vez uma leitura cuidada dos textos do II Concílio do Vaticano?

  • Aconteceram leituras incorretas do Concílio; mas «o abuso não anula o uso». As leituras não corretas levam-me à recusa prática do Concílio? Posso sempre ler e aplicar os texto a partir de uma «interpretação correta». O facto de alguns lerem e aplicarem os textos conciliares incorretamente não é razão para dizer: «o Concílio já não serve».

  • No que diz respeito à «interpretação do Concílio», faço o que me apetece ou procuro estar em sintonia com a transmissão viva da Igreja? As coisas que, na Igreja, fazemos «por nossa conta e risco» não contribuem para uma bela experiência de comunhão eclesial.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.9.13 | Sem comentários

A porta da fé [4]


Estamos a doze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

À luz de tudo isto, decidi proclamar um Ano da Fé. Este terá início a 11 de Outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do II Concílio do Vaticano, e terminará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013. Na referida data de 11 de Outubro de 2012, completar-se-ão também vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo meu Predecessor, o Beato Papa João Paulo II [3], com o objectivo de ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé. Esta obra, verdadeiro fruto do Concílio Vaticano II, foi desejada pelo Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985 como instrumento ao serviço da catequese [4] e foi realizado com a colaboração de todo o episcopado da Igreja Católica. E uma Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos foi convocada por mim, precisamente para o mês de Outubro de 2012, tendo por tema «A nova evangelização para a transmissão da fé cristã». Será uma ocasião propícia para introduzir o complexo eclesial inteiro num tempo de particular reflexão e redescoberta da fé. Não é a primeira vez que a Igreja é chamada a celebrar um Ano da Fé. O meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, proclamou um ano semelhante, em 1967, para comemorar o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo no décimo nono centenário do seu supremo testemunho. Idealizou-o como um momento solene, para que houvesse, em toda a Igreja, «uma autêntica e sincera profissão da mesma fé»; quis ainda que esta fosse confirmada de maneira «individual e coletiva, livre e consciente, interior e exterior, humilde e franca» [5]. Pensava que a Igreja poderia assim retomar «exata consciência da sua fé para a reavivar, purificar, confirmar, confessar» [6]. As grandes convulsões, que se verificaram naquele Ano, tornaram ainda mais evidente a necessidade duma tal celebração. Esta terminou com a Profissão de Fé do Povo de Deus [7], para atestar como os conteúdos essenciais, que há séculos constituem o património de todos os crentes, necessitam de ser confirmados, compreendidos e aprofundados de maneira sempre nova para se dar testemunho coerente deles em condições históricas diversas das do passado.

[3] Cf. João Paulo II, Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 113-118
[4] Cf. Relação final do Sínodo Extraordinário dos Bispos (7 de Dezembro de 1985), II, B, a, 4: L’Osservatore Romano (ed. port. de 22/XII/1985), 650
[5] Paulo VI, Exort. ap. Petrum et Paulum Apostolos, no XIX centenário do martírio dos Apóstolos São Pedro e São Paulo (22 de Fevereiro de 1967): AAS 59 (1967), 196
[6] Ibid.: o.c., 198
[7] Paulo VI, Profissão Solene de Fé, Homilia durante a Concelebração por ocasião do XIX centenário do martírio dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, no encerramento do «Ano da Fé» (30 de Junho de 1968): AAS 60 (1968), 433-445

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • Os dois acontecimentos que influenciaram Bento XVI a declarar este Ano da Fé foram os 50 anos da inauguração do II Concílio do Vaticano e os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica. No mesmo contexto, surgiu a convocação do Sínodo dos Bispos sobre «a nova evangelização para a transmissão da fé cristã». A recordação de acontecimentos passados não é só para «que não sejam esquecidos», mas para voltar a retomá-los com o mesmo espírito e convicção com que nasceram.
  • A finalidade é introduzir toda a Igreja num tempo especial de reflexão e redescoberta da fé. Uma fé não refletida torna-se numa fé infantilizada; uma fé não redescoberta torna-se numa fé não atualizada. 
  • Não é o primeiro Ano da Fé convocado na Igreja: Paulo VI já tinha convocado um, no ano de 1967.
  • Esse Ano da Fé foi concluído com uma profissão de fé do Povo de Deus, para testemunhar que os conteúdos essenciais da fé têm necessidade de: ser reafirmados; ser compreendidos; ser aprofundados de maneira sempre nova; com a finalidade de dar um testemunho coerente em condições históricas distintas do passado. Necessidade de uma «fidelidade criativa».
  • Recordamos, também, a reflexão de Paulo VI: «Na mensagem que a Igreja anuncia, há certamente muitos elementos secundários. A sua apresentação depende, em larga escala, das circunstâncias mutáveis. Também eles mudam. Entretanto, permanece sempre o conteúdo essencial, a substância viva, que não se poderia modificar nem deixar em silêncio sem desnaturar gravemente a própria evangelização» (Exortação Apostólica sobre a evangelização no mundo contemporâneo — «Evangelli Nuntiandi», 25).

Interiorizando

  • A minha fé tem necessidade de ser refletida (tenho que saber dar «razões da minha esperança») e ser descoberta de novo (pode estar adormecida ou infantilizada ou ser uma nostalgia do passado...). Não me posso ficar pelo que aprendi na primeira comunhão, não posso ter a minha fé «armazenada», como «em conserva»: preciso de uma fé ativa e viva.

  • Para ter uma «fidelidade criativa», preciso de: ter uma visão clara d'Aquele a quem tenho de ser fiel e daquilo a que tenho de ser fiel (a formação na fé é uma das grandes carências da nossa situação religiosa); ter a criatividade suficiente não para «inventar» novas verdades, mas para apresentar as verdades de sempre de uma maneira diferente (as novas linguagens, o «novo ardor, novo fervor, novos modos de expressão» de que falava João Paulo II para nos dizer o que é a «nova evangelização»: não é um «novo evangelho»; é uma «nova forma» de apresentá-lo ao nosso mundo de hoje). 

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.13 | Sem comentários

A porta da fé [3]


Estamos a treze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mateus 5, 13-16). Também o ser humano contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. João 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. João 6, 51). De facto, nos nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (João 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» (João 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: «A obra de Deus é esta: acreditar n’Aquele que Ele enviou» (João 6, 29). Por isso, acreditar em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação.

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • A força testemunhal das imagens de Jesus: o sal e a luz. São duas imagens missionárias e muito estimulantes. Se o sal perde o sabor, já o sabemos: a comida fica insossa; se a luz se apaga, vivemos nas trevas. A nossa fé tem que «dar ao mundo o sabor de Cristo» e tem que ser uma verdadeira iluminação de toda a da nossa vida. As curas dos cegos por parte de Jesus ensinam-nos que é necessária a «iluminação» de toda a nossa vida. Não podem existir «espaços escuros», de costas voltadas para o Evangelho.
  • A necessidade de responder com a evangelização aos desejos mais íntimos e mais profundos das pessoas. A evangelização, quando é verdadeira, não é um «acrescento» externo, como quem tem um guarda-sol que usa ou não conforme convém. A evangelização tem de tocar os problemas e aspirações mais íntimos da pessoa. Diz Paulo VI, na Exortação Apostólica sobre a evangelização no mundo contemporâneo — «Evangelii Nuntiandi»: a evangelização tem de «chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade» (19). E acrescenta: «importa evangelizar, não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade e isto até às suas raízes, a civilização e as culturas humanas» (20).
  • Os dois grandes alimentos da vida do crente: a Palavra e a Eucaristia. A «mesa da Palavra» e a «mesa da Eucaristia» estão sempre presentes na celebração da Missa. Contudo, muitas vezes, acontece que somos ouvintes «esquecidos». Expressa-o muito bem a Carta de São Tiago: «Quem se contenta com ouvir a palavra, sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que contempla a sua fisionomia num espelho; mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se de como era» (1, 23-24). E a Eucaristia tem de ser celebrada com autenticidade, não como uma simples obrigação. Escutamos São Paulo: «todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. [...] Aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação» (1Coríntos 11, 27-29).
  • A Eucaristia como «impulso para a missão» («trabalhai pelo alimento que perdura»). O impulso missionário da Eucaristia está muito bem expresso no evangelho segundo João como dádiva para a vida do mundo: «O pão que eu hei de dar pela vida do mundo é a minha carne» (João 6, 51).

Interiorizando

  • Examino se, com o meu testemunho, estou a ser sal e luz. Ou tenho a fé tão apagada que nem salga nem alumia...  quase como se não a tivesse. Afinal, em nada se nota o facto de ser crente. Sou como as outras pessoas, até mesmo como as não crentes, na minha maneira de pensar, nos meus juízos, nos interesses que movem a minha vida...

  • Examino se a minha fé chega a tudo o que sou e faço, de tal maneira que desperta nos outros o desejo de, pelo mesmo caminho, encontrar resposta para as interrogações humanas que são comuns a todos. Para isso, tenho que estar muito próximo das pessoas. Não partilho a minha fé com os anjos, mas com as pessoas que são companheiras no caminho da vida. 

  • Examino a minha relação com a Palavra e a Eucaristia: rotina, convicção, fazer por fazer, escutar por escutar, encontro real, «cumplicidade com o Senhor»... Não podemos ficar com a afirmação: «temos a Palavra e a Eucaristia». Temos de perguntar: o que significa, nas nossas vidas, escutar a Palavra e celebrar a Eucaristia? São realidades transformadoras ou ficamos sempre na mesma como estávamos?

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.8.13 | Sem comentários
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