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Mistério da fé! [15]


Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento da Confirmação. [Para ajudar a compreender melhor, ler: 2Coríntios 1, 18-22; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1293 a 1301]

«Aquele que nos confirma juntamente convosco em Cristo

e nos dá a unção é Deus, Ele que nos marcou com um selo

e colocou em nossos corações o penhor do Espírito»

— escreve Paulo na Segunda Carta aos Coríntios. Numa situação de crise na comunidade, Paulo invoca o testemunho do próprio Deus; e apresenta a garantia do caminho a seguir: Deus que «dá a unção», marca «com um selo» e oferece o «penhor do Espírito». São três expressões que se podem associar aos Sacramentos, em especial ao Batismo e à Confirmação.

Profissão de fé

«Os confirmandos exprimem a sua adesão a Deus Pai, que se revela e nos salva em Jesus seu Filho e nos faz viver pelo sopro do seu Espírito Santo. Ao mesmo tempo, proclama-se a fé dos confirmandos e a fé da Igreja. Não podem estar separadas uma da outra; a palavra pessoal ecoa na palavra da Igreja» (AA. VV., «Preparar, celebrar e viver a Confirmação», Difusora Bíblica, Fátima 1997, 52). [cf. tema 13]

Imposição das mãos

«A imposição das mãos não é um gesto mágico, um abracadabra. É um gesto simbólico, mediante o qual se quer comunicar o Espírito Santo ao confirmando. A Igreja usa este gesto porque tem um significado muito belo ao longo da história do povo de Israel, nas ações de Jesus e na vida da Igreja» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 47). É, na verdade, um gesto bíblico associado a uma bênção ou consagração. «A Bíblia regista, abundantemente, o uso do gesto simbólico de impor as mãos – sobretudo a direita – sobre a cabeça de alguém ou sobre um objeto e com sentidos variados: para significar a transmissão de poderes, a bênção, o perdão, ou a identificação. Jacob impõe as mãos sobre os seus netos para lhes desejar a bênção de Deus (cf. Génesis 48,9-20), Aarão, sobre o povo (cf. Levítico 9, 22), e Moisés, sobre o seu sucessor Josué, para lhe transmitir a autoridade e a sabedoria divinas (cf. Deuteronómio 34, 9), ou o sumo-sacerdote sobre o bode, na festa da expiação, para carregar sobre ele os pecados do povo e expulsá-lo para o deserto. Também Jesus abençoa, cura e perdoa com o gesto expressivo da imposição das mãos. E a comunidade cristã utiliza este mesmo gesto para transmitir o Espírito Santo aos batizados (cf. Atos 8, 17 e 19, 6), ou para confiar oficialmente uma missão, como aos diáconos ou a Paulo e Barnabé (cf. Atos 6, 6; 13, 3). [...] Na liturgia, portanto, é muito frequente o gesto, que exprime visualmente os dons de Deus e a mediação eclesial» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 140-141).

Crismação

É o «rito essencial da Confirmação» (CIC 1320). O bispo faz o sinal da cruz na fronte do crismando com o óleo do Crisma. Trata-se de um óleo perfumado benzido pela bispo, na manhã de Quinta-feira Santa, tal como o óleo dos Catecúmenos e da Unção dos Enfermos (cf. tema 11). É «o mais nobre dos óleos eclesiais: o crisma, uma mistura de azeite de oliveira e com perfumes vegetais. É o óleo da unção sacerdotal e da unção real, unções estas que estão ligadas com as grandes tradições de unção da Antiga Aliança. Na Igreja, este óleo serve sobretudo para a unção na Confirmação e nas Ordens sacras» (Bento XVI, Homilia a 21 de abril de 2011). O óleo e o perfume evocam o duplo sentido da Confirmação: «ao ser marcado pela mão do bispo com óleo perfumado, o batizado recebe um carácter indelével, marca do Senhor, juntamente com o dom do Espírito que o configura mais perfeitamente com Cristo e lhe confere a graça de difundir entre os homens o ‘bom odor’» (Ritual da Confirmação. Preliminares, 9). De facto, «tal como o perfume penetra o corpo e em seguida expande a sua fragrância, assim também o Espírito enche o coração do confirmando e em seguida se expande através dos seus dons [...], sempre com uma condição: que o confirmando viva do seu sopro!» («Preparar, celebrar e viver a Confirmação»..., 58).

Ósculo da paz

«Significa e manifesta a comunhão eclesial com o bispo e com todos os fiéis» (CIC 1301).

«Abramos a porta ao Espírito, façamo-nos guiar por Ele, deixemos que a ação contínua de Deus nos torne homens e mulheres novos, animados pelo amor de Deus, que o Espírito Santo nos dá» (Francisco, Homilia de 28 de abril de 2013).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.1.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [14]


A Confirmação associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Atos dos Apóstolos 19, 1-7; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1297 a 1301 e 1306 a 1314]

«Recebeste o Espírito Santo quando abraçaste a fé?»

— pergunta Paulo ao chegar a Éfeso, segundo o relato dos Atos dos Apóstolos. E, depois de celebrar o Batismo «em nome do Senhor Jesus», Paulo impôs-lhes as mãos e «o Espírito Santo desceu sobre eles». Embora não se fale especificamente da Confirmação, a Igreja lê nestes relatos, o fundamento bíblico do Sacramento. «Aqueles que então acreditaram na pregação apostólica, e se fizeram batizar, receberam, por seu turno, o dom do Espírito Santo» (CIC 1287).

Quem pode ser confirmado?

«Todo o batizado ainda não confirmado pode e deve receber o sacramento da Confirmação [...], porque, sem a Confirmação e a Eucaristia, o sacramento do Batismo é, sem dúvida, válido e eficaz, mas a iniciação cristã fica incompleta» (CIC 1306). Este Sacramento só pode ser celebrado «uma vez na vida», porque imprime, no cristão, «um sinal espiritual ou carácter indelével» (CIC 1317).

Quem pode confirmar?

«O Sacramento da Confirmação é normalmente presidido pelo bispo. Por razões pastorais, o bispo pode incumbir determinado sacerdote de o celebrar. Em caso de morte, qualquer sacerdote o pode fazer» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 207).

Como é celebrada a confirmação?

A Igreja prevê duas possibilidades relacionadas com a idade da celebração do Batismo. Quando se celebra o Batismo em criança (nos primeiros anos de vida ou nas crianças e adolescentes em idade de catequese — cf. tema 10), o Sacramento da Confirmação inclui a renovação das promessas do Batismo e a profissão de fé. «Assim se evidencia claramente que a Confirmação se situa na continuação do Batismo» (CIC 1298). No caso de se tratar de jovens ou adultos ainda não batizados, faz-se de acordo com o Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA), que inclui os três Sacramentos da Iniciação Cristã numa única celebração, normalmente na Vigília Pascal: Batismo, Confirmação, Eucaristia (cf. tema 7). Em qualquer dos casos, existe uma parte comum à celebração da Confirmação: a imposição das mãos com a invocação do Espírito Santo sobre os confirmandos; a unção com o óleo do santo crisma na fronte acompanhada das palavras: «[Nome de batismo] recebe por este sinal o Espírito Santo, o Dom de Deus»; o ósculo da paz. A explicação destes sinais e símbolos será apresentada no próximo tema.

Quando se pode confirmar?

O Código de Direito Canónico (891) refere a «idade da discrição» como momento adequado para a celebração da Confirmação. O Ritual aponta uma idade próxima dos «sete anos». Mas acrescenta: «Todavia, por motivos pastorais, sobretudo para inculcar na vida dos fiéis um sentido mais profundo da plena adesão a Cristo Senhor e de firme testemunho dos cristãos, as Conferências Episcopais podem determinar outra idade que pareça mais adequada, de maneira que este sacramento seja conferido em idade mais adulta, depois de conveniente preparação» (Ritual da Confirmação. Preliminares, 11). Em Portugal, seguindo o plano de catequese da infância e adolescência, a idade para a Confirmação situa-se nos 15 ou 16 anos (décimo ano de catequese). Convém esclarecer que «não existe uma idade fixa para se receber a Confirmação. O que se exige do candidato é a maturidade espiritual, isto é, a capacidade de deixar o Espírito Santo agir dentro e fora dele. É um tanto difícil que haja maturidade espiritual, por exemplo, aos doze anos. Não nos devemos preocupar com a idade que o candidato tem. O que se exige dele é que esteja habilitado a viver para Deus, no Espírito» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 44).

Onde se pode confirmar?

No caso dos jovens ou adultos (não batizados), que celebram os três Sacramentos da Iniciação Cristã, o lugar aconselhado é a Sé Catedral, durante a Vigília Pascal. Em relação aos adolescentes que já celebraram o Batismo e a Eucaristia, a celebração acontece na igreja paroquial ou numa igreja da zona pastoral.

«A força do Espírito não cessa jamais de encher de vida a Igreja. [...] Esta força flui também no nosso íntimo como um rio subterrâneo que alimenta o espírito e nos atrai e aproxima cada vez mais da fonte da nossa verdadeira vida, que é Cristo». (Bento XVI, Homilia a 20 de julho de 2008).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.1.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [13]


«O candidato à Confirmação, que atingiu a idade da razão, deve professar a fé [...] e estar preparado para assumir o seu papel de discípulo e testemunha de Cristo» — diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC), no número 1319. O sacramento da Confirmação tem entre os seus «efeitos» a proclamação pública da fé cristã, o compromisso de professar a fé em todos os âmbitos da vida. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Isaías 61, 1-3; Catecismo da Igreja Católica, números 1302 a 1305]

«Enviou-me para levar a boa nova»

— relata o livro de Isaías, depois de afirmar a presença do Espírito. A missão do profeta é anunciar ao povo a alegria da restauração de Israel e o regresso do exílio. Os destinatários são os que sofrem, os desesperados, os exilados, os prisioneiros, os tristes, os aflitos. A mensagem é uma «Boa Nova», um «Evangelho»: o profeta anuncia um ano da graça, um tempo de alegria e de liberdade. Mais tarde, o próprio Jesus Cristo revê-se neste texto, de acordo com o relato do evangelho segundo Lucas (4, 14-21). Jesus Cristo confirma a palavra do profeta tornando atual a sua mensagem: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura». A afirmação fixa-se no hoje: a finalidade é que os ouvintes deem conta de que estão a viver um tempo de graça. O hoje inaugura o tempo da salvação. Neste sentido, também podemos aplicar este texto aos cristãos confirmados na fé. O confirmado recebe o dom do Espírito Santo, é ungido, é enviado para viver e testemunhar a fé em Jesus Cristo. «Como os profetas do Antigo Testamento recebiam a força do Espírito de Deus para cumprir a missão (cf. Isaías 40 e 61); como Cristo, no Jordão, ao sair da água batismal, ouviu a voz do Pai e recebeu a força do Espírito para começar a sua missão; como a comunidade apostólica, nascida da Páscoa de Cristo, ouviu a voz do Pai e recebeu a força do Espírito para começar a sua missão, assim o cristão, na Confirmação, vê completada e levada à plenitude a graça batismal com este novo dom do Espírito para a vivência da sua fé e para a sua missão dentro da Igreja e do mundo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 80).

Confirmação

O nome de «Confirmação» atribuído a este sacramento aparece no século V. Fausto de Riez, bispo galês, que viveu entre 405 e 490, terá sido um dos primeiros a utilizar esta terminologia. Durante os primeiros séculos da Igreja, o Batismo e a Confirmação fazem parte do mesmo «ritual» sacramental da Iniciação Cristã que ocorria durante a Vigília Pascal. A partir do século IV, o cristianismo alarga geograficamente os seus horizontes (constituição de pároquias nos ambientes rurais) e estabelece-se o costume de batizar os recém-nascidos. «Duas evoluções que impedem o bispo de presidir a todos os batismos na Vigília Pascal e que levam à nomeação de padres para presidirem aos destinos das novas comunidades locais» (AA. VV., «Preparar, celebrar e viver a Confirmação», Difusora Bíblica, Fátima 1997, 22). No Oriente, manteve-se a prática dos Sacramentos da Iniciação Cristã numa única celebração. «No Ocidente, porque se desejava reservar ao bispo completar o Batismo, instaurou-se a separação no tempo, dos dois sacramentos» (CIC 1290).

Profissão de fé

Os cristãos, «pelo sacramento da Confirmação, [...] ficam obrigados a difundir e defender a fé por palavras e obras como verdadeiras testemunhas de Cristo» (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 11). Esta afirmação do II Concílio do Vaticano resume o essencial do compromisso cristão que o Catecismo da Igreja Católica apresenta como «efeitos» da Confirmação. «Ser confirmado significa fazer um acordo com Deus. O confirmando diz: sim, eu creio em Ti, meu Deus; dá-me o Teu Espírito Santo, para que eu Te pertença totalmente, nunca me separe de Ti e Te testemunhe com o corpo e com a alma, durante toda a minha vida, em obras e palavras, em bons e maus dias! E Deus diz: sim, Eu também creio em ti, Meu filho, e te darei o Meu Espírito e até a Mim mesmo; pertencer-te-ei totalmente; nunca Me separarei de ti, nesta e na vida eterna; estarei no teu corpo e na tua alma, nas tuas obras e nas tuas palavras; mesmo que Me esqueças, estarei sempre aqui, em bons e maus dias» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 205).

Na sequência do Ano da Fé proclamado pelo papa Bento XVI (outubro de 2012 a novembro de 2013), no contexto da chamada «nova evangelização», a reflexão sobre o sacramento da Confirmação deve questionar-nos, consciencializar-nos e comprometer-nos com o anúncio e o testemunho do Evangelho: enviados para levar a boa nova.






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [12]


A Confirmação faz parte do grupo de Sacramentos incluídos no itinerário de Iniciação Cristã (cf. tema 7). A primeira abordagem deste sacramento relaciona-o com o dom do Espírito Santo. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Atos dos Apóstolos 8, 14-17; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1285 a 1292]

«Recebiam o Espírito Santo»

— relata o livro dos Atos dos Apóstolos referindo-se aos habitantes da Samaria. A ação evangelizadora é desenvolvida, em primeiro lugar, por Filipe (cf. Atos 8, 5) e depois pelos apóstolos Pedro e João. O primeiro anúncio foi bem recebido: «as multidões aderiam unanimemente à pregação de Filipe» (Atos 8, 6). Segue-se uma segunda intervenção a cargo de duas das primeiras testemunhas do Ressuscitado: Pedro e João. Estes, mediante a imposição das mãos, comunicam o dom do Espírito Santo às pessoas que Filipe tinha batizado.

Confirmação

«A Confirmação completa a graça batismal; ela é o sacramento que dá o Espírito Santo» (CIC 1316). Esta afirmação demonstra a íntima ligação que existe entre o sacramento do Batismo e o sacramento da Confirmação. Aliás, em grande parte dos textos do Novo Testamento, não se faz uma distinção explícita entre um e outro. Há apenas dois relatos no livro dos Atos dos Apóstolos em que são apresentados em dois momentos diferenciados, embora complementares (cf. Atos 8, 15; 19, 6). «Muitos pensam que a Confirmação equivale a ‘assumir conscientemente o Batismo’. Esta afirmação não é verdadeira. Se fosse simplesmente assumir o compromisso batismal, não seria Sacramento. Existe algo de mais profundo nela. E é esse algo mais profundo que a torna Sacramento (sinal de salvação)» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 39).

Dom

Na Confirmação, o Espírito Santo é comunicado como um dom, um presente de Deus, para o crescimento espiritual do ser humano. O Espírito Santo é um «presente» (dom) que o Pai faz, a pedido de Jesus; é um presente gratuito que Jesus prometeu aos Apóstolos e à Igreja. (cf. José Bortolini..., 41). Pela Confirmação, aqueles e aquelas que foram batizados «são mais perfeitamente vinculados à Igreja, enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo» (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 11).

Espírito Santo

O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é o «Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas» — assim é definido no artigo do Credo niceno-constantinopolitano. O Catecismo da Igreja Católica, além da parte correspondente ao Credo — «Creio no Espírito Santo» (CIC 683-747) [a explicação deste tema está publicada no «Laboratório da fé»: www.laboratoriodafe.net/estaeanossafe] —, possui também uma secção sobre «o Espírito Santo e a Igreja, na Liturgia» (CIC 1091-1112) onde se apresenta a ação do Espírito no contexto sacramental: «é Ele quem prepara para receber Cristo, quem traz continuamente à memória dos crentes o que Cristo ensinou, e quem atualiza o seu mistério salvador da Páscoa. É Ele quem, invocado pela Igreja em oração de epiclese — sobre a água, os óleos, o pão e o vinho, os ordenandos, os doentes, os noivos —, dá eficácia a todos os sacramentos. [...] Na Confirmação, recebe-se como o melhor dom do Senhor Ressuscitado» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 109). Apesar desta importância, agora mais reconhecida explicitamente, o Espírito Santo foi esquecido durante muito tempo na abordagem católica. E muito menos ainda se desenvolveu uma relação pessoal com Ele. Mas o facto de o Espírito Santo ser um «desconhecido» para muitos católicos, não significa que não tenha eficácia. «Quando um treinador manda um jogador de futebol para o campo, põe-lhe a mão sobre o ombro e dá-lhe as últimas instruções. Assim também se pode compreender a Confirmação. É-nos posta a mão, entramos em campo da vida. Pelo Espírito Santo, sabemos o que temos a fazer; Ele motivou-nos até à ponta dos cabelos; o Seu envio ressoa-nos no ouvido; sentimos a sua ajuda; não frustraremos a Sua confiança e decidiremos o jogo por Ele; agora, é só ter vontade e escutá-l’O» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 203).

«Mas não haverá alguma experiência do Espírito Santo? Não haverá algum dado ou prova na vida das pessoas de que a graça de Deus está em ação?» (Timothy Radcliffe, «Imersos na vida de Deus. Viver o Batismo e a Confirmação», Paulinas Editora, Prior Velho 2013, 293).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.12.13 | Sem comentários

Mistério da fé! [7]


A entrada numa comunidade — grupo, associação, instituição, coletividade — está (sempre) associada a uma «iniciação», a um processo que se desenvolve em várias etapas. Por isso, logo no princípio da Igreja se estabeleceu um percurso para a «iniciação» dos cristãos. Este processo deu origem aos Sacramentos da Iniciação Cristã. Sabes quais são? Vamos apresentá-los neste e nos próximos temas [Para ajudar a compreender melhor, ler: Atos 8, 26-40; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1212 e 1275]

«Como poderei compreender, sem alguém que me oriente»

— questiona o etíope, no diálogo narrado no livro dos Atos dos Apóstolos. Esta inquietação manifesta a disponibilidade para «ser iniciado» no conhecimento, neste caso, de Jesus Cristo e do seu estilo de vida. Assemelha-se, por isso, à pergunta — «Mestre, onde moras?» — feita pelos primeiros discípulos (cf. tema 6).

Sacramentos

«Para transmitir um conteúdo meramente doutrinal, uma ideia, talvez bastasse um livro ou a repetição de uma mensagem oral; mas aquilo que se comunica na Igreja [...] é a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo, uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no coração, envolvendo a sua mente, vontade e afetividade, abrindo-a a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros. Para se transmitir tal plenitude, existe um meio especial que põe em jogo a pessoa inteira: corpo e espírito, interioridade e relações. Este meio são os sacramentos celebrados na liturgia da Igreja: neles, comunica-se uma memória encarnada, ligada aos lugares e épocas da vida, associada com todos os sentidos; neles, a pessoa é envolvida, como membro de um sujeito vivo, num tecido de relações comunitárias» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé, «A Luz da Fé» — «Lumen Fidei», 40).

Iniciação

O vocábulo «iniciação», de origem latina («initiatio»), remete para o ponto de partida de uma caminhada, a entrada e participação de alguém numa nova realidade. No contexto religioso, «a iniciação é um processo presente em muitas religiões, [...] e compreende não só um doutrinamento, mas também uma série de ritos ‘iniciáticos’ que exprimem um novo nascimento, pelo qual alguém é ‘iniciado’ no mistério e admitido como membro de uma comunidade ou grupo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 145-146).

Cristã

A entrada na comunidade dos cristãos foi sempre apoiada numa «iniciação». Começou de forma simples: evangelização, conversão, batismo, participação ativa na Igreja. Ao longo dos tempos foram introduzidos rituais em cada etapa. Nos séculos V-VI aparece já com clareza o itinerário sacramental da Iniciação Cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. Mas «aquilo que, durante séculos, foi um processo unitário dos três sacramentos, [...], a pouco e pouco, foi-se fragmentando, no Ocidente, com o Batismo nos primeiros meses de vida; mais tarde, a Confirmação, cuja administração foi sendo reservada ao bispo; e a primeira Eucaristia, recomendada para a idade do uso da razão. Agora, por motivos pastorais, a Confirmação tende a diferir-se ainda para mais tarde, mantendo-se a idade da primeira Eucaristia. Na Igreja do Oriente, conserva-se a unidade dos três sacramentos» (DEL).

Catecumenado

As alterações produzidas no processo de Iniciação Cristã foram revistas no II Concílio do Vaticano, que determinou a criação de um ritual para as crianças e outro para os adultos. Neste sentido, foi recuperado o processo de «catecumenado» (o termo tem origem no grego «katêchéo», que significa «fazer eco», «instruir por palavra», «ensinar de viva voz»). O episódio do etíope, nos Atos dos Apóstolos (8, 26-40), mostra a génese deste processo. «O catecumenado tinha como característica fazer o caminho em grupo, com expressiva participação da comunidade, não só por meio dos padrinhos, mas pelo seu acompanhamento em relação ao grupo de catecúmenos. Consistia numa série de reuniões de catequese e de oração, com gestos simbólicos rituais. [...] A meio da Vigília Pascal, celebravam, na comunidade, os três sacramentos da iniciação: Batismo, Confirmação e primeira Eucaristia» (DEL, 62-64). Atualmente, a Iniciação Cristã dos adultos desenvolve-se em quatro etapas (pré-catecumenado, catecumenado, eleição, mistagogia) e em três ‘ritos’ de passagem de uma a outra (admissão ao catecumenado, rito de eleição para a preparação próxima, na Quaresma, e a celebração dos três sacramentos, na Vigília Pascal).

«Através dos sacramentos da iniciação cristã – Batismo, Confirmação e Eucaristia – são lançados os alicerces de toda a vida cristã (Catecismo da Igreja Católica, 1212).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.11.13 | Sem comentários
O Espírito Santo traz-nos a novidade de Deus;
vem a nós e faz novas todas as coisas, transforma-nos, 
disse o Papa Francisco na homilia deste domingo, 28 de abril de 2013.

Francisco confirmou 44 jovens dos cinco continentes

Como previsto no programa do Ano da Fé, neste quinto domingo de Páscoa, o Papa Francisco celebrou o Sacramento da Confirmação com 44 cristãos de todo o mundo, representantes dos cinco continentes. Na breve homilia, Francisco refletiu sobre três pontos, como o próprio classificou: a novidade de Deus, as tribulações na vida e a firmeza da fé.
As novidades do mundo são sempre provisórias, disse o Papa. Mas a novidade oferecida por Deus é sempre definitiva; e não só no futuro, quando estivermos com Ele, mas também agora, porque Deus continua a fazer tudo novo através do Espírito Santo que nos transforma verdadeiramente. Ele quer transformar com a nossa ajuda o mundo em que vivemos. Por isso, o Papa pediu que abramos a porta a Deus, que deixemos que Ele nos guie e que a sua ação contínua nos faça homens e mulheres novos, animados pelo seu amor concedido pelo Espírito Santo.
No segundo pensamento, o Santo Padre recordou que o caminho da Igreja — e também o nosso caminho cristão pessoal — não é sempre fácil, pois encontramos dificuldades. E disse que apesar existirem muitos obstáculos ao caminho de seguir o Senhor — fora de nós, no mundo em que vivemos que frequentemente não nos compreende e também dentro de nós — estas tribulações fazem parte do caminho para chegar à glória de Deus, tal como aconteceu com Jesus, que foi glorificado na Cruz.
No último ponto da homilia, Francisco convidou-nos, aos que estavam a celebrar a Confirmação e a todos os cristãos, a permanecer firmes no caminho da fé com uma firme esperança no Senhor. Eis o segredo do nosso caminho. Deus dá-nos a força para caminhar contra a corrente.

Ano da Fé — Sacramento da Confirmação


Homilia completa do Papa Francisco — 28 de abril de 2013 


Gostaria de vos propor três pensamentos, simples e breves, para a vossa reflexão.
1. Na Segunda Leitura, ouvimos a estupenda visão de São João: um novo céu e uma nova terra e, em seguida, a Cidade Santa que desce de junto de Deus. Tudo é novo, transformado em bondade, em beleza, em verdade; não há mais lamento, nem luto... Tal é a ação do Espírito Santo: Ele traz-nos a novidade de Deus; vem a nós e faz novas todas as coisas, transforma-nos. O Espírito transforma-nos! E a visão de São João lembra-nos que todos nós estamos a caminho para a Jerusalém celeste, a novidade definitiva para nós e para toda a realidade, o dia feliz em que poderemos ver o rosto do Senhor – aquele rosto maravilhoso, tão belo do Senhor Jesus –, poderemos estar para sempre com Ele, no seu amor.
Olhai! A novidade de Deus não é como as inovações do mundo, que são todas provisórias, passam e procuram-se outras sem cessar. A novidade que Deus dá à nossa vida é definitiva; e não apenas no futuro quando estivermos com Ele, mas já hoje: Deus está a fazer novas todas as coisas, o Espírito Santo transforma-nos verdadeiramente e, através de nós, quer transformar também o mundo onde vivemos. Abramos a porta ao Espírito, façamo-nos guiar por Ele, deixemos que a acção contínua de Deus nos torne homens e mulheres novos, animados pelo amor de Deus, que o Espírito Santo nos dá. Como seria belo se cada um de vós pudesse, ao fim do dia, dizer: Hoje na escola, em casa, no trabalho, guiado por Deus, realizei um gesto de amor por um colega meu, pelos meus pais, por um idoso. Como seria belo!
2. O segundo pensamento: na Primeira Leitura, Paulo e Barnabé afirmam que «temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus» (Atos 14, 22). O caminho da Igreja e também o nosso caminho pessoal de cristãos não são sempre fáceis, encontramos dificuldades, tribulações. Seguir o Senhor, deixar que o seu Espírito transforme as nossas zonas sombrias, os nossos comportamentos em desacordo com Deus e lave os nossos pecados, é um caminho que encontra muitos obstáculos fora de nós, no mundo, e dentro de nós, no coração. Mas, as dificuldades, as tribulações fazem parte da estrada para chegar à glória de Deus, como sucedeu com Jesus que foi glorificado na Cruz; aquelas sempre as encontraremos na vida. Não desanimeis! Para vencer estas tribulações, temos a força do Espírito Santo.
3. E passo ao último ponto. É um convite que dirijo a todos, mas especialmente a vós, crismandos e crismandas: permanecei firmes no caminho da fé, com segura esperança no Senhor. Aqui está o segredo do nosso caminho. Ele dá-nos a coragem de ir contra a corrente. Sim, jovens; ouvistes bem: ir contra a corrente. Isto fortalece o coração, já que ir contra a corrente requer coragem e Ele dá-nos esta coragem. Não há dificuldades, tribulações, incompreensões que possam meter-nos medo, se permanecermos unidos a Deus como os ramos estão unidos à videira, se não perdermos a amizade com Ele, se lhe dermos cada vez mais espaço na nossa vida. Isto é verdade mesmo, e sobretudo, quando nos sentimos pobres, fracos, pecadores, porque Deus proporciona força à nossa fraqueza, riqueza à nossa pobreza, conversão e perdão ao nosso pecado. O Senhor é tão misericordioso! Se vamos ter com Ele, sempre nos perdoa. Tenhamos confiança na acção de Deus! Com Ele, podemos fazer coisas grandes; Ele nos fará sentir a alegria de sermos seus discípulos, suas testemunhas. Apostai sobre os grandes ideais, sobre as coisas grandes. Nós, cristãos, não fomos escolhidos pelo Senhor para coisinhas pequenas, ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jovens, jogai a vida por grandes ideais!
Novidade de Deus, tribulação na vida, firmes no Senhor. Queridos amigos, abramos de par em par a porta da nossa vida à novidade de Deus que nos dá o Espírito Santo, para que nos transforme, nos torne fortes nas tribulações, reforce a nossa união com o Senhor, o nosso permanecer firmes n'Ele: aqui está a verdadeira alegria. Assim seja.

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Postado por Anónimo | 29.4.13 | Sem comentários
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