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CELEBRAR O DOMINGO SÉTIMO DE PÁSCOA — ASCENSÃO


A solenidade litúrgica da Ascensão apoia-se nos textos bíblicos que narram o momento em que Jesus Cristo «foi elevado ao Céu» (primeira leitura e evangelho). Mas não nos abandonou. Ele está, de outro modo, presente na sua Igreja: ressuscitado, abre-nos o caminho da vida; exaltado pelo Pai, abre-nos as portas dos céus. Entretanto, confia-nos o Espírito Santo e a missão de levar o Evangelho «até aos confins da terra», «a toda a criatura». Unidos na fé e na alegria (salmo) pascal, acolhemos a esperança (segunda leitura): o Ressuscitado reunirá, na glória, todos os seres humanos.

«Sereis minhas testemunhas… até aos confins da terra»
Na narração de Lucas sobre a atividade salvadora de Deus em Jesus Cristo (evangelho) e no Espírito Santo (Atos dos Apóstolos), o episódio da Ascensão marca o fim das aparições depois da ressurreição e o prelúdio do envio do Espírito Santo. Lucas une o evangelho («meu primeiro livro») com o nascimento da Igreja. A continuidade é assegurada por dois protagonistas: Jesus Cristo (anúncio do Reino, Paixão, Ressurreição e, agora, Ascensão) e o Espírito Santo (cumpre-se agora— Atos 1, 4 — o que tinha sido prometido no evangelho — Lucas 24, 49). O mesmo Espírito que esteve presente no batismo e no início da atividade missionária de Jesus Cristo, agora, batiza e envia os Apóstolos em missão.
A primeira parte do texto é uma introdução ao livro dos Atos dos Apóstolos e, portanto, à obra do Espírito Santo na vida da jovem Igreja e, ao mesmo tempo, ao acontecimento da Ascensão, que é descrito de forma mais detalhada, na segunda parte do texto. Contudo, a ênfase fundamental está na vinda do Espírito Santo.
Por fim, Jesus Cristo é elevado acima dos limites dos sentidos físicos dos Apóstolos e «dois homens vestidos de branco», como os que tinham aparecido no sepulcro na manhã de Páscoa, despertam-nos do assombro em que estavam e prometem-lhes uma segunda vinda de Jesus Cristo.
Os Apóstolos não devem empreender a tarefa de uma restauração política ou religiosa de um sistema (seja qual for), mas a sua missão é ser «testemunhas» do Ressuscitado: «sereis minhas testemunhas […] até aos confins da terra». Com este termo — testemunhas — Lucas conclui o evangelho (24, 48) e, com este termo, de novo repetido, começa o livro dos Atos dos Apóstolos (1, 8). Da dramatização lucana da exaltação e glorificação de Jesus Cristo nasce a festa litúrgica da Ascensão, que é antecipação da nossa própria glória, unidos a Jesus Cristo.

Na missão de ser testemunhas «estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova ‘saída’ missionária. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (Francisco, Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual — A Alegria do Evangelho, 20).

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo sétimo de Páscoa — Ascensão (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.15 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


Testemunhar, segundo o dicionário «Houaiss», é declarar ter visto, ouvido ou conhecido. Então, dar testemunho cristão é expressar ou afirmar ter tido um encontro, ter visto, ouvido ou conhecido Jesus Cristo.
Não é possível dar um testemunho sem que o encontro, de facto, não tenha ocorrido!
Os catequistas precisam de ter passado por este encontro pessoal com a pessoa de Jesus Cristo, e pelo Pentecostes que entusiasma e faz renovar todas as coisas, para poderem evangelizar de facto! «Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim» (João 15, 26).
O Catequista que não teve este encontro é morno, faz da sua catequese uma teoria distante e complexa para os dias de hoje, segue o material didático à risca, não possui uma linguagem atual e moderna, portanto, também não consegue cativar e nem levar o catequizando a ter este encontro tão importante com Jesus! E, infelizmente, ainda são muitos os que fazem dos encontros de catequese uma aula para falar de religião.
O guia serve para dar uma diretriz, um norte, abrir um caminho para o catequista percorrer. Mas, lembremos que a catequese é vida, é viva, e não está trancada dentro de uma cartilha, mas é livre e não contém amarras, é prática que se concretiza no dia a dia.
Quem são os catequizandos de hoje? Como eles vivem? Quais são seus interesses?
Jesus falava do Reino de Deus a partir da linguagem daquela época, para que todos O entendessem. Contava Parábolas para facilitar ainda mais a compreensão dos homens e mulheres simples ou nobres que O seguiam, e testemunhava a Sua própria vida, o próprio amor de Deus pelos homens. Ele mesmo disse: «As obras que faço em nome de meu Pai, estas dão testemunho de mim» (João 10, 25). Da mesma forma devem ser os nossos evangelizadores!
Quando o catequista tem o encontro com Jesus, ele dá o seu próprio testemunho, que brilha, que encanta, que fascina quem o ouve, assim como Cristo fez, olhando nos olhos, com palavras que tocam o coração que está endurecido ou fragilizado e que precisa de alento e consolo, ou está sedento para receber a água viva!
«Todo o planeamento e ação da Igreja nascem do próprio Cristo e voltam-se para Ele que é a razão de ser da catequese; a origem do agir; o Caminho, a Verdade e a Vida de todo cristão» (cf. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – 2011-2015, §4).
Por isso, catequista, pensa qual tem sido o teu testemunho? Quem ou o quê, tu, de facto, estás a anunciar?
Sê coerente com a tua condição de discípulo missionário! De quem és discípulo? Qual é a tua missão?

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013




www.pequeninosdosenhor.org


Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.10.13 | Sem comentários
— Apostolado da Oração — intenção geral de janeiro — 

Para que, neste Ano da Fé, 

os cristãos aprofundem o conhecimento do mistério de Cristo 

e testemunhem a própria fé com alegria.


1. Já muito foi dito sobre o Ano da Fé e mais será nos próximos meses. É bom que assim seja, sobretudo se tal significar uma maior consciencialização dos crentes relativamente à urgência de professar com alegria a fé no Verbo de Deus encarnado, morto e ressuscitado, e a adesão, em obras e palavras, ao seu Evangelho. Afinal, como lembra Bento XVI na carta apostólica Porta fidei («A Porta da Fé»), a fé deixou de existir como «pressuposto óbvio da vida diária» e, com frequência, tal pressuposto é mesmo «negado» (cf. n. 2). Esta alteração do contexto social em que somos chamados a testemunhar o mistério de Cristo é, no entanto, essencialmente positiva, pois permite que a originalidade do Cristianismo seja mais visível e a novidade de Cristo inquiete mais poderosamente os corações com o sabor das coisas ainda não ditas e capazes de converter a vida.

2. Para que isso aconteça, porém, é necessário que os cristãos deixem modelos religiosos do passado e apostem de modo decidido em Cristo, no conhecimento do seu mistério. Não se trata apenas de um conhecimento intelectual, nem primariamente de um conhecimento desse tipo. Se nos lembrarmos do modo como São Paulo se refere a Cristo e ao seu mistério, «escondido» desde sempre em Deus, mas revelado «nestes últimos tempos» aos seus discípulos, percebemos que se trata, sobretudo, de uma ação de Deus, o qual Se dá a conhecer em seu Filho, Jesus Cristo. E, sendo assim, aprofundar o conhecimento do mistério de Cristo implica, antes de mais, dispor o coração para acolher o Evangelho e viver de acordo com ele.

3. Não sendo em primeiro lugar um conhecimento intelectual, a adesão ao mistério de Cristo passa também por aí. O Cristianismo não é um irracionalismo. Desde muito cedo, os cristãos perceberam a necessidade de saber apresentar Aquele em quem acreditam e as razões para acreditar. É justamente famosa a expressão da Primeira Carta de Pedro sobre a disponibilidade dos cristãos para darem, a quem lhas pedir, «as razões» da sua esperança (3, 15). Ao longo dos séculos, esta exigência da fé gerou no seio da Igreja uma incansável actividade intelectual, testemunhada nas obras dos Padres da Igreja, em bibliotecas, nas universidades e em escolas de todo o género. Hoje este compromisso com a cultura não pode esmorecer – mas, tal como no passado, deve sempre partir do desejo de aprofundar o conhecimento de Cristo, para poder falar d’Ele a quem, porventura, deseje escutar.

4. Verdadeiramente, ninguém nasce cristão – cada um faz-se cristão, ou melhor, é feito cristão através do baptismo. E se hoje é comum as famílias cristãs pedirem o batismo para os seus filhos na mais tenra idade, isso significa que o ser feito cristão acaba por se dilatar no tempo após o batismo, implicando um processo longo de aprendizagem, não apenas de conceitos mas sobretudo de um modo de vida. Este processo tem nas famílias e nas comunidades cristãs os seus agentes mais diretos e, hoje, praticamente únicos – pois, como referi no início desta reflexão, citando Bento XVI, o contexto social no qual a fé era um dado adquirido deixou de existir; não raro, tornou-se mesmo adverso à transmissão da fé. Testemunhar a fé com alegria, na família e na comunidade cristã, é, por isso, essencial se pretendemos que o Ano da Fé dê frutos, renovando a vida dos crentes e despertando em quem não acredita o desejo de conhecer o mistério de Cristo para O acolher e fazer d’Ele o centro da sua vida.

© «Diário do Minho» [10 de janeiro de 2013] — Suplemento «Igreja Viva»
© Elias Couto [Apostolado da Oração]


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.13 | Sem comentários
— Apostolado da Oração — intenção geral de janeiro — 

Para que, neste Ano da Fé, 

os cristãos aprofundem o conhecimento do mistério de Cristo 

e testemunhem a própria fé com alegria.


Afirma o Papa, na Carta Apostólica «A Porta da Fé»: «Decidi convocar um Ano da Fé. Começará [a Carta foi publicada a 11 de Outubro de 2011] no dia 11 de Outubro de 2012, no 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, no dia 24 de Novembro de 2013. A 11 de Outubro de 2012 celebrar-se-ão também os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo meu predecessor, o beato João Paulo II, com a intenção de mostrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé» (número 4).
As razões para a proclamação deste Ano da Fé são muitas, ainda que aqui apontaremos somente duas. A primeira e a mais importante é aquela que o Santo Padre sublinhou, a 22 de Dezembro de 2011: «O núcleo da crise da Igreja na Europa é a crise de fé. Se não encontrarmos uma resposta para ela, se a fé não ganha uma nova vitalidade, dentro de uma convicção profunda e uma força real, graças ao encontro com Jesus Cristo, todas as mais reformas serão inúteis». Estas palavras do Sumo Pontífice são muito sérias e devem representar para nós grande motivo de profunda meditação.
Outra razão é a de verificarmos que, sobretudo a nível da Europa, a fé desapareceu da vida de muitos, ou está tão debilitada que mal se nota.
As finalidades deste Ano da Fé são também várias. Como o Papa refere na já citada Carta Apostólica, é necessário «intensificar a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo, a fim de que a sua adesão a Cristo seja mais consciente e vigorosa» (número 8).
Este Ano da Fé deve ser também um convite a um encontro com Jesus Cristo Vivo, que nos permita sermos transformados pela sua acção. Só por meio do aprofundamento no conhecimento do mistério de Cristo é que daremos um testemunho credível da nossa fé. A Intenção deste mês exorta-nos a que demos este testemunho «com alegria». É este testemunho de alegria e esperança que é necessário dar nesta velha Europa que está a ficar cada vez mais «Europa velha».

© Apostolado da Oração — www.apostoladodaoracao.pt —


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.1.13 | Sem comentários
— palavra para quinta-feira, três de janeiro —

— Evangelho segundo João 1, 29-34

No dia seguinte ao seu primeiro testemunho, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água». João deu este testemunho, dizendo: «Eu vi o Espírito Santo descer do céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou a baptizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo’. Ora eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus». 

—Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus

João Batista apresenta-se como testemunha da filiação divina de Jesus Cristo. Nas suas palavras, João Batista insiste na necessidade de «tirar» o pecado da vida das pessoas, a necessidade da conversão. Por isso, aponta para Jesus como Aquele que vem para «tirar» o pecado do mundo. 
João Batista foi um homem profundamente crente, como o demonstram as passagens evangélicas. A sua principal preocupação era que cada pessoa tivesse a melhor relação possível com Deus. Por isso, refere com insistência a importância da conversão, do arrependimento para o perdão dos pecados.
O Espírito Santo é o sinal identificador de Jesus Cristo e da sua missão. Hoje, vivemos no tempo do Espírito Santo. Somos habitados pelo Espírito Santo. Ele permanece em nós para nos tornar filhos de Deus. Mas é necessário que se «veja» na nossa maneira de viver, é preciso que a nossa vida dê testemunho de que somos filhos de Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, incarna, torna-se ser humano, para que os humanos se tornem filhos de Deus!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.1.13 | Sem comentários
— leitura partilhada — 

A fé e o testemunho está interligados, 
escreve o Doutor João Duque
na revista «Mensageiro do Coração de Jesus
(novembro de 2012, página 14):
«A fé cristã é marcada, essencialmente, pela dinâmica do testemunho. Em primeiro lugar, porque ninguém chega à fé por si mesmo, mesmo que nesse processo esteja sempre envolvida uma decisão pessoal. O crente decide acolher o que lhe é dado crer, precisamente porque lhe é dado e proposto por alguém diferente de si. Acolhe a fé, como tal, através do testemunho de outro crente. Em segundo lugar, porque um elemento constitutivo da fé é o facto de ela [...] implicar um dinamismo pelo qual todo o crente é chamado, pela sua própria fé, a transmiti-la aos outros».



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.10.12 | Sem comentários
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