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Palavra para hoje: trigésimo quarto domingo


A realeza de Cristo inscreve-se na história de David, mas ultrapassa-a infinitamente. Está inteiramente alicerçada no próprio Cristo, o Filho, «o Primogénito de toda a criatura». Paradoxalmente, esta realeza brilha na Paixão, cujo relato está orientado para a vinda plena do Reino. A ação de graças de Paulo ao Pai abre-nos para esta dimensão. Sim, Deus quis que todas as coisas tenham o seu cumprimento em Cristo. Na história da humanidade, na história de cada um de nós, manifesta-se a paz de Deus: «a paz, pelo sangue da sua cruz»! Doravante, somos todos do mesmo sangue que o Salvador, o Filho bem amado, que o ladrão reconheceu no Justo crucificado, esse Justo que repete a cada um: «Hoje estarás comigo no Paraíso».

Pergunta da semana: 

O que significa, para mim, a realeza de Jesus Cristo?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.11.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO QUARTO


O ciclo litúrgico termina com a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo. Este (Ano C) apresenta-nos um rei crucificado, do qual troçavam as autoridades, dizendo: «'Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito'. Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam: 'Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo'. Por cima d’Ele havia um letreiro: 'Este é o Rei dos judeus'. Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: 'Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também'. Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: 'Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável'. E acrescentou: 'Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza'. Jesus respondeu-lhe: 'Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso'».
Trata-se de um Rei que contrasta com a imagem que temos de uma pessoa que é detentora desse título. É um Rei que não utiliza o seu poder para se salvar a si mesmo, mas para salvar toda a humanidade, incluindo tu e eu. Diante deste Rei, humilde e aparentemente vencido, o Beato João XXIII, no seu «Diário da alma», escreveu ainda jovem, um oferecimento que convido a repetir, agora, com a mesma confiança com que ele o fez há tantos anos:
«Salve, Cristo Rei. Tu me convidas a lutar nas tuas batalhas, e a não perder nenhum minuto de tempo; com o entusiasmo que me dão os meus vinte anos e a tua graça, inscrevo-me, animado, nas fileiras dos teus voluntários. Consagro-me ao teu serviço, para a vida e para a morte. Tu ofereces-me, como emblema e como arma de guerra, a tua cruz. Com a direita estendida sobre essa arma invencível, dou-te solenemente a minha palavra e juro-te com todo o ímpeto do meu coração juvenil, fidelidade absoluta até à morte. Assim, tendo-me tu criado teu servo, adoto a tua divisa, faço-me soldado, cinjo a tua espada, chamo-me, com orgulho, cavaleiro de Cristo. Dá-me um coração de soldado, ânimo de cavaleiro, ó Jesus, e estarei sempre contigo nas durezas da vida, nos sacrifícios, nas provações, nas lutas, contigo alcançarei a vitória. E como, para mim, ainda não soou o sinal da luta, enquanto estou nas tendas à espera da minha hora, exercita-me com os teu exemplos luminosos para que adquira destreza, para prestar as primeiras provas face aos meus inimigos internos. São tantos, ó Jesus, e tão implacáveis! Há um, especialmente, que vale por todos: feroz, astuto, tenho-o sempre em cima de mim, finge querer a paz e ri-se de mim, chega a pactuar comigo, persegue-me até nas minhas boas ações. Senhor Jesus, bem sabes que é o amor próprio, o espírito de soberba, de presunção, de vaidade; que me possa ver livre dele de uma vez por todas, ou, se tal for impossível, que ao menos o domine, de maneira que, mais livre de movimentos, eu possa juntar-me aos valentes que, na brecha, defendem a tua santa causa, e cantar contigo o hino da salvação».
Com a mesma generosidade que reflete este escrito de João XXIII, poderíamos dizer ao Senhor crucificado que se lembre de nós quando começar a reinar.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ
© Encuentros com la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o domingo trigésimo quarto, Ano C, no Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.11.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO QUARTO


Certamente que muitos já se admiraram pelo facto de ter sido escolhido para a festa de «Jesus Cristo, Rei do Universo» o evangelho em gozam com Jesus crucificado: troça feita pelos dirigentes judaicos, pelos soldados romanos e até por um dos que o acompanham no suplício da crucificação. A verdade é que o reinado de Jesus é algo bem diferente do que é exercido pelos que são chamados reis ou governantes. Ele é o ungido (Messias) de Deus, o rei dos judeus e também de todo o universo, aquele que proclama a chegada do reinado de Deus. O seu reino não «é» deste mundo, mas não quer dizer que não se tenha iniciado «neste» mundo. É um reinado de amor, de perdão («Hoje estarás comigo no Paraíso»), de fraternidade, de dignidade humana, de serviço. É outra forma de entender as relações de poder.
A sua forma de viver e de morrer ensina a qualquer um que tenha cargos de responsabilidade, sobretudo na Igreja, que não pode ser como é habitual neste mundo; tem de ser de outra maneira. O seu reinado é serviço – no sentido literal da expressão –, sobretudo aos que mais necessitam; é entrega até às últimas consequências, mesmo até à morte; é fazer-se como o mais pequeno, como o mais débil; é renunciar a qualquer imposição; é abdicar de qualquer privilégio...

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o domingo trigésimo quarto, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.11.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO QUARTO


Evangelho segundo Lucas 23, 35-43

Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito». Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam: «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo». Por cima d’Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também». Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável». E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».



Jesus, lembra-Te de mim, quando vieres com a tua realeza

Na página do Calvário (23, 33-43), momento culminante da Paixão, Lucas propõe-nos a contemplação da realeza de Jesus Cristo a partir da perspetiva da cruz. Incompreendido por todos, menos pelo «bom ladrão».
Cristo Rei está cravado na cruz. Acompanham-no dois malfeitores, também eles crucificados, um à direita e outro à esquerda. O povo olha, silencioso e neutral, enquanto as autoridades judaicas zombam de Jesus e insultam-no como falso «messias». Em hebraico, a palavra «messias» significa «ungido» e a sua principal conotação era de «rei instituído por Deus». Ao insultá-lo com esta palavra, as autoridades celebram inconscientemente a sua realeza, justamente no momento da sua máxima humilhação. À sua maneira, os soldados romanos também troçam de Jesus repetindo o que ouviam. Preside à cena o título da cruz: «Este é o Rei dos judeus». Equívoco sangrento e sublime, ao mesmo tempo. Para os romanos era uma farsa. Para os responsáveis dos judeus era um insulto. Para o crente é o título que define Cristo.
Nestes momentos dramáticos, produz-se o milagre da fé (recordemos que Lucas é o único evangelista que narra este acontecimento comovedor). O «bom ladrão» repreende o companheiro porque no momento da morte não pensa em Deus, proclama que Jesus é inocente em contraste com a sua própria culpabilidade e, por último, suplica-lhe um pedido, confessando-o Rei no mais além da cruz: «Jesus, recorda-Te de mim, quando vieres com a tua realeza». É a única vez, no Novo Testamento, que um pedido se faz com o nome de Jesus. Jesus rompe o silêncio e promete-lhe a salvação: «Hoje estarás comigo (isto é, no meu reino) no Paraíso». Lucas resume nesta cena toda a espiritualidade de Paulo. A felicidade (o paraíso) é estar sempre com Jesus (Filipenses 1, 23).

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o domingo trigésimo quarto, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.11.13 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO TRIGÉSIMO QUARTO

24 DE NOVEMBRO DE 2013


Evangelho segundo Lucas 23, 35-43

Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito». Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam: «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo». Por cima d’Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também». Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável». E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de mim, quando vieres com a tua realeza». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».



Segunda, 18: O POVO OLHA

No domingo passado, Jesus advertia-nos: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar» (Lucas 21, 8). Agora, enquanto os chefes dos judeus zombavam de Jesus, o povo permanecia ali a olhar. Jesus tinha convidado a segui-lo e o povo fica passivamente diante da cruz. Esta atitude reenvia para os momentos em que, por vergonha ou medo, renuncio à indignação diante da condenação do inocente. Até posso ter a atitude indecente de ficar fascinado perante o que se está a passar. No meio do povo, imagino-me lá, contemplando a cena. Estou indignado?



Terça, 19: ESPIRAL DE VIOLÊNCIA

Os chefes zombavam. Os soldados troçavam. Um dos malfeitores injuria-o. Há um crescendo de violência na narração; o triunfo dos poderosos e dos malfeitores torna-se arrogante diante do indefeso. Hoje, tomo tempo para fazer memória do sofrimento silencioso de Cristo: as zombarias, os insultos, o despreso... Tudo isso foi vencido por Jesus.



Quarta, 20: UM ECO DIABÓLICO

«Salva-Te a Ti mesmo»: eis a ordem dos chefes, dos saldados, do malfeitor. Como um eco da tripla tentação que o diabo apresenta a Jesus, no capítulo 4 do evangelho. «Se és filho de Deus»..., sussurrava o diabo. «Se és o Messias», «Se és o Rei dos judeus» — repetem os injuriosos. Isto dá uma ideia da conceção que têm de poder, da autoridade: uma espécie de reserva mágica que pode ser usada em caso de dificuldade. Medito na revolução da perspetiva: a autoridade de Deus, a que está a testemunhar o seu Filho, é a do amor até ao fim, deixando-nos livres a ponto de não o reconhecer.



Quinta, 21: AO CENTRO, A CRUZ

O letreiro «Este é o Rei dos judeus» está no coração deste texto. Como a verdade que germina, apesar da violência e da ignomínia que dominam a cena. Sinal irrisório, este cenário não anuncia senão o necessidade de passar pela cruz para entrar no mistério de Deus. Contemplo a cruz onde Jesus está pregado. Depois, traço lentamente o sinal da cruz sobre mim, dizendo ao mesmo tempo «em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo». Dois mil anos depois, o que significa, para mim, agora, traçar uma cruz sobre o meu corpo?



Sexta, 22: LEMBRA-TE DE MIM

O segundo malfeitor tem a lucidez sobre as más ações que ele e o seu companheiro cometeram. Mas está, sobretudo, cheio de coragem. Qual é a esperança que habita este homem que, em pleno caos, se revela consciente de que a sua vida vale mais do que a soma dos seus atos, a ponto de chamar o Messias pelo seu primeiro nome?! «Jesus, lembra-te de mim»! Qualquer que seja a minha vida, com os seus altos e baixos, será que tenho coragem de a ritmar pelo apelo constante a Cristo, chamando pelo seu nome, Jesus, como se faz a um amigo?



Sábado, 23: O PARAÍSO, JÁ

«Hoje estarás»...: a associação do presente com o futuro. Jesus rompe o seu silêncio para dizer que o seu reino começa agora. Não escaparemos, como o malfeitor e Jesus, à morte temporal, porque ela é uma passagem para a vida. Neste final da semana, deixo florir a força que é evocada pelo «Paraíso» que Jesus promete, lembrando-me também que acreditando (como o malfeitor) em Jesus Messias, já posso viver desta realidade nova e feliz: o reino de Cristo.



Domingo, 24: O SANGUE DO FILHO REVELA-NOS O PAI

No fim deste tempo litúrgico, celebramos Cristo, Rei do Universo. Para celebrar a sua cabeça, a Igreja recorda-nos a decadência que endureceu aqueles a quem foi anunciada, pelo próprio Jesus, uma nova criação, durante a sua vida pública. Para compreender este paradoxo, dêmos particular atenção ao que escreve Paulo aos Colossenses (segunda leitura). Como ao malfeitor, Deus arranca-nos do poder das trevas e faz-nos entrar no reino de seu Filho, pelo qual os nossos pecados são perdoados. «Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus» (Colossenses 1, 19-20).



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Rezar o domingo trigésimo quarto (Ano C), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.11.13 | Sem comentários
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