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CELEBRAR O DOMINGO QUINTO DE PÁSCOA


São várias as «imagens» que sobressaem na Liturgia da Palavra do quinto domingo de Páscoa (Ano B)! Além da vide e dos ramos e da necessidade de «dar fruto» (evangelho), além da pregação firme de Saulo/Paulo (primeira leitura) e da importância do louvor (salmo), o apóstolo João destaca o verbo «permanecer», um verbo que lhe é muito querido: duas vezes na carta (segunda leitura); oito vezes no evangelho. Este verbo recorda o mistério da Incarnação, através do qual o Filho de Deus veio «permanecer» no meio de nós. Agora, na hora da glorificação do Ressuscitado, somos chamados a «permanecer» em Jesus Cristo, para participar da sua vida e anunciar ao mundo a sua alegria.

«Falava com firmeza no nome do Senhor»
O fragmento do livro dos Atos dos Apóstolos proposto na primeira leitura descreve a chegada de Saulo (o nome Paulo só aparecerá alguns capítulos mais à frente) a Jerusalém e faz-nos refletir sobre a rejeição inicial que teve da parte dos cristãos. É compreensível: Paulo tinha sido um forte perseguidor da comunidade. O caminho a percorrer será longo. Primeiro é Barnabé que testemunha em seu favor diante dos Apóstolos. Mas as credenciais não são dadas por Paulo nem por Barnabé, mas por Jesus Cristo, pois foi o próprio que «apareceu» a Paulo e lhe confiou uma missão. A partir da «conversão», Paulo torna-se um homem novo, assume com firmeza a pregação da boa nova de Jesus Cristo.
A coragem de Paulo manifesta-se também em Jerusalém: «falava com firmeza no nome do Senhor». Ora, isto vai provocar a ira dos judeus, a ponto de o quererem matar. Nessa época, Paulo já terá a ajuda da comunidade, a mesma que, antes, o tinha recusado. Os «irmãos» prepararam a fuga para Tarso, a sua cidade de origem, de onde há de iniciar, com Barnabé, as viagens missionárias.
Este texto pode ser lido como um resumo antecipado do que será a vida de Saulo/Paulo: anúncio público de Jesus Cristo, perseguição por parte dos adversarios, deslocado com urgência para outro lugar, onde começa de novo a pregar.
O sumário final refere os passos percorridos na edificação da nova comunidade do Senhor Jesus Cristo ressuscitado que «ia crescendo com a assistência do Espírito Santo»: a Igreja. O narrador destaca a presença do Espírito Santo, o verdadeiro protagonista do livro dos Atos dos Apóstolos e da ação missionária da Igreja.

Hoje, somos desafiados a tomar consciência do compromisso fundamental do Batismo: a união com Jesus Cristo. Seguir e estar unidos a Jesus Cristo («permanecei em Mim») são a mesma coisa. Doutra maneira, poderíamos pensar o seguimento como pura obediência a uma doutrina ou a uma moral. Ora, o que Jesus Cristo nos propõe não é uma mera adesão doutrinal, mas uma adesão à sua pessoa, à sua vida. Aliás, a «conversão» de Paulo não se baseia numa doutrina, mas num encontro pessoal com Jesus Cristo: «tinha visto o Senhor, que lhe tinha falado». Só assim seremos capazes de, à imagem de Paulo (e de tantos outros ao longo dos tempos), falar com firmeza no nome do Senhor Jesus Cristo.

© Laboratório da fé, 2015


Celebrar o domingo quinto de Páscoa (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.5.15 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


Segundo a versão de Lucas nos Atos dos Apóstolos (18,1-17), Paulo permaneceu em Corinto cerca de um ano e meio, depois de ter fundado a Igreja de Tessalónica. Tem assim tempo suficiente para conhecer a realidade desta cidade marítima, famosa pelo estilo de vida livre de qualquer ética, sendo um lugar de grande fermento cultural por causa do seu comércio e da paixão pela procura da verdade, tal como sucedia em Atenas. Nesse tempo, o Apóstolo tem ocasião não só de conhecer o ambiente, mas também de compreender quais os avisos que deve sugerir, para que a comunidade cristã aí presente cresça no Senhor. A situação pastoral provoca nele a reflexão, confrontando-se estreitamente com o mistério de Cristo e a encontrar n’Ele riquezas até então insuspeitadas: basta recordar o discurso sobre a Cruz (capítulo 1) ou a identidade do ministro (capítulo 4); a realidade da Igreja como Corpo de Cristo (capítulo 12) ou o esplêndido texto que contém o hino à caridade (capítulo 13), não esquecendo o fundamento cristológico de todos esses avisos que é 1Coríntios 15, texto no qual Paulo expõe o mistério da ressurreição de Cristo, fazendo derivar dela notáveis consequências antropológicas e cosmológicas.
Esta variedade de temas e alguns acenos a cartas recebidas, às quais o Apóstolo já teria respondido, fizeram pensar, com um bom grau de probabilidade, que a Primeira Carta aos Coríntios reúna várias cartas coligidas pelo próprio Paulo ou por algum discípulo seu.
A leitura litúrgica semicontínua da Carta prolongar-se-á de quinta-feira da semana XXI até ao sábado da semana XXIV do Tempo Comum (primeira leitura, anos pares), permitindo ouvir alguns dos textos mais importantes da Carta, a qual é importantíssima para compreender o grau de elaboração da fé cristã por parte de Paulo.
Convidando à leitura atenta do texto inteiro, convém sublinhar a tensão espiritual que emerge do pensamento do Apóstolo: nada deve ser pensado fora e sem se referir à Pessoa de Jesus Cristo. Tudo, virtude e vício, adquire valor de conversão, se for visto com a força e na luz que vêm de Jesus Ressuscitado.

© Maurizio Girolami | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
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  • Ano Litúrgico: ano cristão — textos publicados no Laboratório da fé > > >



Laboratório da fé celebrada, 2014



A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.8.14 | Sem comentários
— palavra para o dia da conversão de paulo, 25 de janeiro —



— Evangelho segundo Marcos 16, 15-18

Naquele tempo, Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados».

— Expulsarão os demónios em meu nome

A liturgia da Igreja celebra hoje a conversão de Paulo. É um dia «especial», certamente devido à forte influência de Paulo no anúncio de Jesus Cristo, na evangelização. A solenidade litúrgica em honra de Paulo é no dia 29 de junho, juntamente com Pedro. 
Este dia é marcado com o final do evangelho segundo Marcos, onde Jesus confia aos discípulos um mandato universal. Ora, este mandato foi totalmente acolhido por Paulo: após a sua conversão, contribuiu para que a pequena seita cristã se torna-se numa verdadeira religião universal independente do judaísmo.
Paulo teve o grande mérito de colaborar na inculturação do cristianismo nas sociedades gregas e romanas daquele tempo. É bem verdade — embora não possamos dizer que a culpa foi de Paulo — que nem tudo se tornou positivo. Devido ao crescimento rápido do cristianismo e ao uso permanente dos mesmos conceitos, ficamos agarrados a normas e linguagem que se desviaram do Evangelho. Precisamos de novos «Paulos» capazes de contribuir para a inculturação atual da Boa Nova de Jesus Cristo!
Hoje, Jesus continua a convidar os seus discípulos a viverem o mandato referido no evangelho: ir por todo o mundo, anunciar o Evangelho, celebrar o Batismo, apresentar os «sinais» da fé. Entre esses sinais estão a libertação das forças do mal («Expulsarão os demónios em meu nome»), o uso de uma linguagem compreendida por todos, a coragem para vencer todos os medos e o contributo para libertar os outros da dor e do sofrimento.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.1.13 | Sem comentários
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