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ANO CRISTÃO


Bento XVI, em duas Audiências Gerais (8 de abril de 2009 e 31 de março de 2010), explicou o sentido da manhã e tarde do Sábado Santo, incluído no contexto do Tríduo Pascal, «coração da Semana Santa» e «alicerce de todo o ano litúrgico». Caracterizou o Sábado Santo como «um grande silêncio», que convida «à oração, à reflexão e à conversão».

A esperança alimenta-se no grande silêncio do Sábado Santo, na expetativa da ressurreição de Jesus. Neste dia as Igrejas não estão ornamentadas e não são previstos particulares ritos litúrgicos. A Igreja vigia em oração como Maria e juntamente com Maria, compartilha os mesmos sentimentos de dor e de confiança em Deus. Justamente se recomenda que se conserve durante todo o dia um clima orante, favorável à meditação e à reconciliação; encorajam-se os fiéis a aproximar-se do sacramento da Penitência, para poder participar realmente renovados nas festas pascais.



O Sábado Santo é caracterizado por um grande silêncio. As Igrejas estão despojadas e não são previstas particulares liturgias. Neste tempo de expetativa e de esperança, os crentes são convidados à oração, à reflexão e à conversão, também através do sacramento da reconciliação, para poder participar, intimamente renovados, na celebração da Páscoa.

© Libreria Editrice Vaticana
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014



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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.4.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


Bento XVI, em três Audiências Gerais (8 de abril de 2009, 31 de março de 2010 e 20 de abril de 2011), explicou o sentido da Sexta-feira Santa, incluído no contexto do Tríduo Pascal, «coração da Semana Santa» e «alicerce de todo o ano litúrgico»: «fazemos memória da paixão e da morte do Senhor; adoraremos Cristo Crucificado, participaremos dos seus sofrimentos com a penitência e com o jejum». A Sexta-feira Santa, embora seja «um dia cheio de tristeza, é portanto ao mesmo tempo, um dia muito propício para despertar a nossa fé, para reforçar a nossa esperança e a coragem de carregar cada qual a sua cruz com humildade, confiança e abandono a Deus, na certeza do seu apoio e da sua vitória».

Chegamos à Sexta-feira Santa, dia da paixão e da crucifixão do Senhor. Todos os anos, estando em silêncio diante de Jesus pregado no madeiro da cruz, sentimos quanto são cheias de amor as palavras por Ele pronunciadas na vigília, durante a Última Ceia. «Isto é o Meu sangue, sangue da aliança, que vai ser derramado por muitos» (cf. Marcos 14, 24). Jesus quis oferecer a sua vida em sacrifício pela remissão dos pecados da humanidade. Como diante da Eucaristia, assim diante da paixão e morte de Jesus na Cruz o mistério torna-se insondável para a razão. Somos postos diante de algo que humanamente poderia parecer surdo: um Deus que não só se faz homem, com todas as necessidades do homem, não só sofre para salvar o homem assumindo toda a tragédia da humanidade, mas morre pelo homem.
A morte de Cristo recorda o cúmulo de sofrimento e de males que pesa sobre a humanidade de todas as épocas: o peso esmagador do nosso morrer, o ódio e a violência que ainda hoje ensanguentam a terra. A paixão do Senhor continua nos sofrimentos dos homens. Como justamente escreve Blaise Pascal, «Jesus permanecerá em agonia até ao fim do mundo; não se deve dormir durante este tempo» (Pensamentos, 553). Se a Sexta-feira Santa é um dia cheio de tristeza, é portanto ao mesmo tempo, um dia muito propício para despertar a nossa fé, para reforçar a nossa esperança e a coragem de carregar cada qual a sua cruz com humildade, confiança e abandono a Deus, na certeza do seu apoio e da sua vitória. A liturgia deste dia canta: «O Crux, ave, spes unica — Ave, ó cruz, única esperança».



Na Sexta-feira Santa faremos memória da paixão e da morte do Senhor. Jesus quis oferecer a sua vida em sacrifício pela remissão dos pecados da humanidade, escolhendo para esta finalidade a morte mais cruel e humilhante: a crucifixão. Existe uma relação inseparável entre a Última Ceia e a morte de Jesus. Na primeira Jesus oferece o seu Corpo e o seu Sangue, isto é, a sua existência terrena, oferece-se a si mesmo, antecipando a sua morte e transformando-a num ato de amor. Assim a morte que, por sua natureza, é o fim, a destruição de qualquer relação, é por ele tornada um ato de comunicação de si, instrumento de salvação e proclamação da vitória do amor. Deste modo, Jesus torna-se a chave para compreender a Última Ceia que é antecipação da transformação da morte violenta em sacrifício voluntário, em acto de amor que redime e salva o mundo.



Na Sexta-feira Santa fazemos memória da paixão e da morte do Senhor; adoraremos Cristo Crucificado, participaremos dos seus sofrimentos com a penitência e com o jejum. Dirigindo «o olhar para aquele que trespassaram» (cf. João 19, 37), poderíamos beber do seu coração dilacerado de onde jorra sangue e água como de uma nascente; daquele coração, do qual brota o amor de Deus por todos os humanos, recebemos o seu Espírito. Por conseguinte, acompanhemos também nós na Sexta-feira Santa Jesus que sobe ao Calvário, deixemo-nos guiar por Ele até à cruz, recebamos a oferenda do seu corpo imolado. [...]
Queridos amigos, procurámos compreender o estado de ânimo com que Jesus viveu o momento da prova extrema, para compreender o que orientava o seu agir. O critério que guiou cada opção de Jesus durante toda a sua vida foi a firme vontade de amar o Pai, de ser um com o Pai, e ser-lhe fiel; esta decisão de corresponder ao seu amor levou-o a abraçar, em todas as circunstâncias, o projeto do Pai, a fazer seu o desígnio de amor que lhe foi confiado de recapitular n'Ele todas as coisas, para reconduzir tudo a Ele. Ao reviver o Tríduo Santo, disponhamo-nos a aceitar também nós na nossa vida a vontade de Deus, conscientes que na vontade de Deus, mesmo se parece difícil, em contraste com as nossas intenções, encontra-se o nosso verdadeiro bem, o caminho da vida. A Virgem Mãe nos guie neste itinerário, e nos obtenha do seu Filho divino a graça de poder empregar a nossa vida por amor a Jesus, ao serviço dos irmãos.

© Libreria Editrice Vaticana
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014



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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.4.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


Bento XVI, na Audiência Geral de 20 de abril de 2011, explicou as celebrações relacionadas com a Quinta-feira Santa. No início da sua exposição, Bento XVI descreveu o Tríduo Pascal, como «coração da Semana Santa» e «alicerce de todo o ano litúrgico». Depois, detalhadamente, visitou cada um dos «tempos» próprios da Quinta-feira Santa: Missa Crismal (manhã); Última Ceia (tarde); Adoração eucarística (noite); Vigília de oração (madrugada).

Chegamos ao coração da Semana Santa, cumprimento do caminho quaresmal. [...] O Filho de Deus, depois de se ter feito homem em obediência ao Pai, tornando-se em tudo semelhante a nós exceto no pecado (cf. Hebreus 4, 15), aceitou cumprir até ao fim a sua vontade, de enfrentar por amor a nós a paixão e a cruz, para nos tornar participantes da sua ressurreição, para podermos viver n'Ele para sempre, na consolação e na paz. Por conseguinte, exorto-vos a acolher este mistério de salvação, a participar intensamente no Tríduo Pascal, alicerce de todo o ano litúrgico e momento de graça especial para cada cristão; convido-vos a procurar nestes dias o recolhimento e a oração, de modo a beber mais profundamente desta nascente de graça. A este propósito, em vista das iminentes festas, cada cristão está convidado a celebrar o sacramento da Reconciliação, momento de adesão especial à morte e ressurreição de Cristo, para poder participar com mais proveito na Santa Páscoa.

Missa Crismal

A Quinta-feira Santa é o dia no qual se faz memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. Durante a manhã, cada comunidade diocesana, reunida na Igreja Catedral em volta do Bispo, celebra a Missa crismal, na qual são abençoados o sagrado Crisma, o Óleo dos catecúmenos e o Óleo dos enfermos. A partir do Tríduo pascal e durante todo o ano litúrgico, estes Óleos serão usados para os Sacramentos do Baptismo, da Confirmação, das Ordenações sacerdotais e episcopais e da Unção dos Enfermos; nisto evidencia-se como a salvação, transmitida pelos sinais sacramentais, brota precisamente do Mistério pascal de Cristo; com efeito, nós somos remidos com a sua morte e ressurreição e, mediante os Sacramentos, bebemos daquela mesma fonte salvífica. Durante a missa crismal, amanhã, realiza-se também a renovação das promessas sacerdotais. Em todo o mundo, cada sacerdote renova os compromissos que assumiu no dia da Ordenação, para ser totalmente consagrado a Cristo na prática do sagrado ministério ao serviço dos irmãos. Acompanhemos os nossos sacerdotes com a nossa oração.

Última Ceia

Na tarde de Quinta-feira Santa tem realmente início o Tríduo Pascal, com a memória da Última Ceia, durante a qual Jesus instituiu o Memorial da sua Páscoa, cumprindo o rito pascal judaico. Segundo a tradição, cada família judaica, reunida à mesa na festa de Páscoa, come o cordeiro assado, fazendo memória da libertação dos Israelitas da escravidão do Egito; assim no cenáculo, consciente da sua morte iminente, Jesus, verdadeiro Cordeiro pascal, oferece-se a si mesmo pela nossa salvação (cf. 1Coríntios 5, 7). Pronunciando a bênção sobre o pão e o vinho, Ele antecipa o sacrifício da cruz e manifesta a intenção de perpetuar a sua presença no meio dos discípulos: sob as espécies do pão e do vinho, Ele torna-se presente de modo real com o seu corpo oferecido e com o seu sangue derramado. Durante a Última Ceia, os Apóstolos são constituídos ministros deste Sacramento de salvação; Jesus lava-lhes os pés (cf. João 13, 1-25), convidando-os a amarem-se uns aos outros como Ele os amou, dando a vida por eles. Repetindo este gesto na Liturgia, também nós somos chamados a testemunhar com os factos o amor do nosso Redentor.

Adoração eucarística

Por fim, a Quinta-Feira Santa, é encerrada com a adoração eucarística, na recordação da agonia do Senhor no Jardim do Getsémani. Tendo deixado o Cenáculo, Ele retirou-se para rezar, sozinho, diante do Pai. Naquele momento de comunhão profunda, os Evangelhos narram que Jesus sentiu uma grande angústia, um tal sofrimento que o fez suar sangue (cf. Mateus 26, 38). Consciente da sua iminente morte de cruz, Ele sente uma grande angústia e a proximidade da morte. Nesta situação, sobressai também um elemento de grande importância para toda a Igreja. Jesus diz aos seus: permanecei aqui e vigiai; e este apelo à vigilância diz respeito precisamente a este momento de angústia, de ameaça, na qual chegará o momento proditório [traiçoeiro], mas diz respeito a toda a história da Igreja. É uma mensagem permanente para todos os tempos, porque a sonolência dos discípulos não era só um problema daquele momento, mas é o problema de toda a história. A questão reside no que consiste esta sonolência, em que consistiria a vigilância à qual o Senhor nos convida. Diria que a sonolência dos discípulos ao longo da história é uma certa insensibilidade da alma ao poder do mal, uma insensibilidade a todo o mal do mundo. Não nos queremos deixar perturbar demasiado por estas coisas, queremos esquecê-las: pensamos que talvez não é tão grave, e esquecemos. E não se trata apenas de insensibilidade ao mal, quando deveríamos vigiar por fazer o bem, para lutar pela força do bem. É insensibilidade a Deus: eis a nossa verdadeira sonolência; esta insensibilidade pela presença de Deus que nos torna insensíveis também ao mal. Não ouvimos Deus – incomodar-nos-ia – e assim, naturalmente, também não ouvimos a força do mal e permanecemos no caminho do nosso bem-estar. A adoração noturna da Quinta-feira Santa, o estar vigilantes com o Senhor, deveria ser precisamente o momento para nos fazer refletir acerca da sonolência dos discípulos, dos defensores de Jesus, dos apóstolos, de nós, que não vemos, não queremos ver toda a força do mal, e que não queremos entrar na sua paixão pelo bem, pela presença de Deus no mundo, por amor ao próximo e a Deus.

Vigília de oração

Depois, o Senhor começa a rezar. Os três apóstolos — Pedro, Tiago, João — dormem, mas de vez em quando acordam e ouvem o refrão desta oração do Senhor: «Não seja feita a minha vontade, mas a Tua». O que é esta minha vontade, o que é esta tua vontade, de que o Senhor fala? A minha vontade é «que não deveria morrer», que lhe seja poupado este cálice do sofrimento: é a vontade humana, da natureza humana, e Cristo sente, com toda a consciência do seu ser, a vida, o abismo da morte, o terror do nada, esta ameaça do sofrimento. E Ele mais do que nós, que sentimos esta natural repulsa à morte, este medo natural da morte, ainda mais do que nós, ele sente o abismo do mal. Sente, com a morte, também todo o sofrimento da humanidade. Sente que tudo isto é o cálice que deve beber, que se deve dar a si mesmo, aceitar o mal do mundo, tudo o que é terrível, a repulsa de Deus, todo o pecado. E podemos compreender como Jesus, com a sua alma humana, se sente aterrorizado perante esta realidade, que sente em toda a sua crueldade: a minha vontade seria não beber o cálice, mas a minha vontade está subordinada àtua vontade, à vontade de Deus, à vontade do Pai, que é também a verdadeira vontade do Filho. E assim Jesus transforma, nesta oração, a repulsa natural, a repulsa do cálice, da sua missão de morrer por nós; transforma esta sua vontade natural em vontade de Deus, num «sim» à vontade de Deus. O homem em si é tentado a opor-se à vontade de Deus, a ter a intenção de seguir a própria vontade, de se sentir livre unicamente se é autónomo; opõe a própria autonomia contra a heteronomia de seguir a vontade de Deus. Eis o drama da humanidade. Mas na verdade esta autonomia é errada e este entrar na vontade de Deus não é uma oposição a si, não é uma escravidão que violenta a minha vontade, mas é entrar na verdade e no amor, no bem. E Jesus puxa a nossa vontade, que se opõe à vontade de Deus, que procura a autonomia, puxa esta nossa vontade para o alto, rumo à vontade de Deus. Este é o drama da nossa redenção, que Jesus puxa para o alto a nossa vontade, toda a nossa repulsa à vontade de Deus e a nossa repulsa à morte e ao pecado, e une-a à vontade do Pai: «Não seja feita a minha vontade, mas a Tua». Nesta transformação do «não» em «sim», nesta inserção da vontade criatural na vontade do Pai, Ele transforma a humanidade e redime-nos. E convida-nos a entrar neste seu movimento: sair do nosso «não» e entrar no «sim» do Filho. A minha vontade existe, mas é decisiva a vontade do Pai, porque esta é a verdade e o amor.
Mais um elemento desta oração que me parece importante. As três testemunhas conservaram — como se lê na Sagrada Escritura — a palavra judaica ou aramaica com a qual o Senhor falou ao Pai, chamou-o: «Abbá», pai. Mas esta fórmula, «Abbá», é uma forma familiar da palavra pai, uma forma que se usa só em família, que nunca se usou em relação a Deus. Aqui vemos no íntimo de Jesus como fala em família, fala verdadeiramente como Filho com o Pai. Vemos o mistério trinitário: o Filho que fala com o Pai e redime a humanidade.
Mais uma observação. A Carta aos Hebreus deu-nos uma profunda interpretação desta oração do Senhor, deste drama do Getsémani. Diz: estas lágrimas de Jesus, esta oração, este brado de Jesus, esta angústia, tudo isto não é simplesmente uma concessão à debilidade da carne, como se poderia dizer. Precisamente assim realiza o cargo do Sumo Sacerdote, porque o Sumo Sacerdote deve levar o ser humano, com todos os seus problemas e sofrimentos, à altura de Deus. E a Carta aos Hebreus diz: com todos estes brados, lágrimas, sofrimentos, orações, o Senhor levou a nossa realidade a Deus (cf. Hebreus 5, 7 e seguintes). E usa esta palavra grega «prosferein», que é o termo técnico para o que o Sumo Sacerdote deve fazer para oferecer, para elevar as suas mãos.
Precisamente neste drama do Getsémani, onde parece que a força de Deus já não está presente, Jesus desempenha a função do Sumo Sacerdote. Além disso diz que neste acto de obediência, isto é, de conformação da vontade natural humana com a vontade de Deus, é aperfeiçoado como sacerdote. E usa de novo a palavra técnica para ordenar sacerdote. Precisamente assim se torna realmente o Sumo Sacerdote da humanidade e abre desta forma o céu e a porta da ressurreição.
Se refletirmos sobre este drama do Getsémani, podemos ver também o grande contraste entre Jesus com a sua angústia, com o seu sofrimento, em confronto com o importante filósofo Sócrates, que permanece pacífico, sem se perturbar diante da morte. E este parece ser o ideal. Podemos admirar este filósofo, mas a missão de Jesus era outra. A sua missão não era esta total indiferença e liberdade; a sua missão consistia em carregar sobre si os nossos sofrimentos, todo o drama humano. E por isso precisamente esta humilhação do Getsémani é essencial para a missão do Homem-Deus. Ele carrega o nosso sofrimento, a nossa pobreza, e transforma-a segundo a vontade de Deus. E assim abre as portas do céu, abre o céu: esta tenda do Santíssimo, que até agora o homem fechou a Deus, está aberta a este sofrimento e obediência. Estas são algumas observações para a Quinta-feira Santa, para a nossa celebração da noite da Quinta-feira Santa.

© Libreria Editrice Vaticana
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014



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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.4.14 | Sem comentários
Palavra para hoje: Sexta-feira Santa

Nas primeiras expressões, a Liturgia da Palavra coloca-nos diante do olhar de Deus sobre Cristo, perante a sua confiança: «Vede como vai prosperar o meu servo: subirá». E perante a sua compaixão: «tão desfigurado estava o seu rosto». Porque a paixão do Filho é também a do Pai: uma paixão vitoriosa. Ela torna-se sinal de salvação para todos. «Tudo está consumado», para ele, para cada um, para todos. O relato segundo João é um testemunho crente dirigido à fé dos crentes. Apresenta o «sinal» supremo que Cristo dá do seu amor (que resume todos os outros), feito com realismo, «para que também vós acrediteis». A Igreja escuta e responde numa oração verdadeiramente universal; depois entra no silêncio do Sábado Santo.


Reflexão a partir das leituras bíblicas do dia, no laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.3.13 | Sem comentários
Reflexão para a celebração da Ceia de Jesus Cristo


Há em nós um certa ou grande dificuldade em entender a vida de Jesus Cristo. Pedro representa as dificuldades de todos, de qualquer discípulo ao longo da história: «Nunca consentirei que me laves os pés». A atitude de Pedro mostra a nossa resistência em acolher o dom de Deus. 
Não se tratava de um rito de purificação, nem responde a nenhuma necessidade urgente: não havia nenhum problema em ter os pés sujos! A toalha colocada à cintura e a disposição para lavar os pés não é uma anedota ou um apontamento humorístico da parte de Jesus Cristo. E também não o podemos reduzir a um simples ato formal de humildade. Até porque Jesus não era muito dado a formalismos. 
Sem dúvida, foi uma ação profética. Tratou-se de um acontecimento simbólico e normativo: a entrega e o serviço são a marca da identidade cristã. Jesus insiste e explica que neste gesto está a identidade do discípulo: o serviço aos outros é o coração da vida cristã. Os dois gestos realizados por Jesus naquele dia — entrega do pão e do vinho e o lava-pés — não são elementos justapostos, mas constituem a mesma realidade. 
Uma eucaristia celebração com devoção, mas que começa e termina dentro do templo (da igreja), não é a eucaristia de Jesus Cristo. Celebrar a eucaristia é aceitar o compromisso de viver o Evangelho no serviço à comunidade, isto é, aos outros. Quando não há entrega, serviço, podemos dizer que também não há eucaristia!

© Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.3.13 | Sem comentários
A comemoração da Ceia do Senhor condensa diversos elementos básicos da vida cristã: a Eucaristia, o ministério-serviço à comunidade e a caridade.
Na celebração da Eucaristia realiza-se sacramentalmente o vínculo indissolúvel que existe entre os diversos elementos que constituem a vida cristã. A Eucaristia, porque é a confissão da fé na Redenção que nos é dada por Jesus Cristo, expressa como se fundamenta e como se mantém a comunidade dos discípulos, que vivem no meio de uma sociedade onde praticam o serviço da comunhão, sobretudo com os mais pobres. Assim, esta comunidade torna viva e atualiza no dia a dia a redenção de Cristo para todos. O evangelho de hoje e o sinal do Lava pés manifestam-no com ênfase. 
Aquele que preside à comunidade é o primeiro que deve por-se, humildemente e discretamente, ao serviço da comunidade cristã, dos homens e mulheres que constituem a sociedade concreta em que vivemos: «Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

© Josep Maria Romaguera — Misa Dominical — 
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do editor


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.3.13 | Sem comentários

Palavra para hoje: Quinta-feira Santa


«Amou-os até ao fim», como só Deus pode amar. O que o filho faz, também é feito pelo Pai. Quando o Filho se entrega, o Pai também se entrega. Quando o Filho toma o lugar do servo, o Pai, nele e por ele, toma esse lugar. O sacramento do Lava pés e o do corpo e sangue de Cristo manifestam um duplo mistério: Deus é poder infinito de «abaixamento», Jesus é poder infinito de «abaixamento». Os dois são «um»; unidos pelo Espírito. A Eucaristia, onde a presença do Senhor e a relação com o Pai se manifestam na abnegação, alimenta a nossa fé «até que Ele venha». Mas já o vivemos agora, porque as palavras pronunciadas por Jesus — «isto é o meu corpo»; «isto é o meu sangue» — realizam o que exprimem, tal como aconteceu durante a Ceia.

— Ex 12, 1-8.11-14 — Salmo 115 — 1Cor 11, 23-26 — Jo 13, 1-15 —
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.3.13 | Sem comentários
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