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Palavra para hoje: segundo domingo de advento (Imaculada Conceição)


A liturgia celebra e vive o único mistério da salvação de Deus. Vive-o em cada ano litúrgico, mas sempre sem o repetir. Cada ano litúrgico brota da novidade que nos vem do próprio Deus. Ele comunica-nos essa novidade através do seu Filho, Jesus Cristo: «Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. [...] Será chamado Filho de Deus». Tudo o que diz respeito a Deus está presente no seu Filho, nosso Salvador. «Sobre ele repousará o espírito do Senhor». Jesus Cristo é o grande mensageiro de Deus, a presença de Deus no meio de nós. O mensageiro é também a mensagem que Deus nos quer dar a conhecer. Ele é a Palavra do Deus Pai que quer habitar em nós. E, se é assim, qual será, neste domingo, a nossa resposta?

Pergunta da semana: 

Quais são as minhas esperanças enfraquecidas?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.12.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


O papa Bento XVI, a 2 de janeiro de 2008, dedicou uma Audiência Geral ao tema «A divina maternidade de Maria», onde aborda o título de «Mãe de Deus» («Theotókos», em grego). Esta definição surge no contexto da reflexão sobre a divindade de Jesus Cristo. Alguns teólogos preferiam que se designasse Maria apenas como Mãe de Cristo («Cristotókos», em grego). Depois de várias discussões, o Concílio de Éfeso, em 431, confirmou esta devoção popular: Maria é Mãe de Deus. «Do título de «Mãe de Deus» derivam depois todos os outros títulos com que a Igreja honra Nossa Senhora, mas este é o fundamental» — afirma Bento XVI.

Queridos Irmãos e Irmãs,
Uma fórmula de bênção muito antiga, referida no Livro dos Números, recita: «Que o Senhor te abençoe e te proteja! Que o Senhor faça resplandecer a Sua face sobre ti e te seja benevolente! Que o Senhor dirija o seu olhar para ti e te conceda a paz!» (6, 24-26). Com estas palavras que a liturgia nos fez ouvir ontem, primeiro dia do ano, gostaria de formular cordiais bons votos a vós, aqui presentes, e a quantos durante estas festas de Natal me manifestaram confirmações de afectuosa proximidade espiritual.
Ontem celebramos a solene festa de Maria, Mãe de Deus. «Mãe de Deus», Theotókos, é o título atribuído oficialmente a Maria no século V, exactamente no Concílio de Éfeso de 431, confirmado pela devoção do povo cristão já a partir do século III, no contexto dos intensos debates daquele período sobre a pessoa de Cristo. Com aquele título ressaltava-se que Cristo é Deus e nasceu realmente de Maria como homem: na verdade, por mais que o debate parecesse verter sobre Maria, ele dizia respeito essencialmente ao Filho. Querendo salvaguardar a plena humanidade de Jesus, alguns Padres sugeriam uma palavra menos forte: em vez do título de Theotókos, propunham o de Christotókos, «Mãe de Cristo»; mas justamente esta sugestão foi vista como uma ameaça à doutrina da plena unidade da divindade com a humanidade de Cristo. Por isso, depois do amplo debate, no Concílio de Éfeso de 431, como disse, foi solenemente confirmada, por um lado, a unidade das duas naturezas, a divina e a humana, na pessoa do Filho de Deus (cf. DS, número 250) e, por outro, a legitimidade da atribuição à Virgem do título de Theotókos, Mãe deDeus (ibid., número 251).
Depois deste Concílio registou-se uma verdadeira explosão de devoção mariana e foram construídas numerosas igrejas dedicadas à Mãe de Deus. Entre elas sobressai a Basílica de Santa Maria Maior, aqui em Roma. A doutrina relativa a Maria, Mãe de Deus, encontrou além disso nova confirmação no Concílio de Calcedónia (451) no qual Cristo foi declarado «verdadeiro Deus e verdadeiro homem (...) nascido de Maria Virgem e Mãe de Deus, na sua humanidade, para nós e para a nossa salvação» (DS, n.º 301). Como se sabe, o II Concílio do Vaticano reuniu num capítulo da Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, o oitavo, a doutrina sobre Maria, reafirmando a sua divina maternidade. O capítulo intitula-se: «A Bem-Aventurada Virgem, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja».
A qualificação de Mãe de Deus, tão profundamente ligada às festividades do Natal, é portanto o apelativo fundamental com o qual a Comunidade dos crentes honra, poderíamos dizer, desde sempre a Virgem Santa. Ela exprime bem a missão de Maria na história da salvação. Todos os outros títulos atribuídos a Nossa Senhora encontram o seu fundamento na sua vocação para ser Mãe do Redentor, a criatura humana eleita por Deus para realizar o plano de salvação, centrado no grande mistério da encarnação do Verbo divino. Nestes dias de festa detemo-nos para contemplar no presépio a representação da Natividade. No centro deste cenário encontramos a Virgem Mãe que oferece o Menino Jesus à contemplação de quantos vão adorar o Salvador: os pastores, o povo pobre de Belém, os Magos que vieram do Oriente. Mais tarde, na festa da «Apresentação do Senhor», que celebraremos a 2 de Fevereiro, serão o velho Simeão e a profetisa Ana que receberão das mãos da Mãe o pequeno Menino e O adorarão. A devoção do povo cristão considerou sempre o nascimento de Jesus e a maternidade divina de Maria como dois aspectos do mesmo mistério da encarnação do Verbo divino e por isso nunca considerou a Natividade como algo do passado. Nós somos «contemporâneos» dos pastores, dos magos, de Simeão e de Ana, ao irmos com eles estamos cheios de alegria, porque Deus quis ser o Deus connosco e tem uma mãe, que é a nossa mãe.
Do título de «Mãe de Deus» derivam depois todos os outros títulos com que a Igreja honra Nossa Senhora, mas este é o fundamental. Pensemos no privilégio da «Imaculada Conceição», isto é, no facto de Ela ser imune ao pecado desde a sua conceição: Maria foi preservada de qualquer mancha de pecado porque devia ser a Mãe do Redentor. O mesmo é válido para o título da «Assunção»: Aquela que tinha gerado o Salvador não podia estar sujeita à corrupção derivante do pecado original. E sabemos que todos estes privilégios não são concedidos para afastar de nós Maria, mas ao contrário, para a tornar mais próxima; de facto, estando totalmente com Deus, esta Mulher está muito próxima de nós e ajuda-nos como mãe e como irmã. Também o lugar único e irrepetível que Maria ocupa na Comunidade dos crentes deriva desta sua vocação fundamental para ser a Mãe do Redentor. Precisamente como tal, Maria é também a Mãe do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja. Justamente por isso, durante o II Concílio do Vaticano, a 21 de Novembro de 1964, Paulo VI atribuiu solenemente a Maria o título de «Mãe da Igreja».
Precisamente porque é Mãe da Igreja, a Virgem é também Mãe de cada um de nós, que somos membros do Corpo místico de Cristo. Da Cruz Jesus confiou a Mãe a cada um dos seus discípulos e, ao mesmo tempo, confiou cada discípulo ao amor da sua Mãe. O evangelista João conclui a breve e sugestiva narração com as palavras: «E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-A em sua casa» (João 19, 27). É assim a tradução italiana do texto grego: "εiς tά íδια", ele recebeu-a na sua própria realidade, no seu próprio ser. Desta forma, faz parte da sua vida e as duas vidas compenetram-se; e este aceitá-la (εiς tά íδια) na própria vida é o testamento do Senhor. Portanto, no momento supremo do cumprimento da missão messiânica, Jesus deixa a cada um dos seus discípulos, como herança preciosa, a sua própria Mãe, a Virgem Maria.
Queridos irmãos e irmãs, nestes primeiros dias do ano, somos convidados a considerar atentamente a importância da presença de Maria na vida da Igreja e na nossa existência pessoal. Confiemo-nos a ela para que guie os nossos passos neste novo período de tempo que o Senhor nos concede viver, e nos ajude a ser autênticos amigos do seu Filho e desta forma também artífices corajosos do seu Reino no mundo, Reino da luz e da verdade. Bom Ano a todos! São estes os votos que desejo dirigir a vós aqui presentes e aos vossos queridos nesta primeira Audiência geral de 2008. Que o novo ano, que iniciou sob o sinal da Virgem Maria, nos faça sentir mais vivamente a sua presença materna, de forma que, amparados e confortados pela protecção da Virgem, possamos contemplar com um renovado olhar o rosto do seu Filho Jesus e caminhar mais rapidamente pelas estradas do bem. Mais uma vez, Bom Ano a todos!

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

Papa Bento XVi — Joseph Ratzinger

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.5.13 | Sem comentários
— artigo de Anselmo Borges, no Diário de Notícias de oito de dezembro de 2012 — 

«[...] A Imaculada Conceição. Ninguém sabe ao certo o que é que a maioria dos portugueses, mesmo católicos praticantes, entende por isso, isto é, o que se celebra na Imaculada Conceição Alguns pensarão na virgindade de Maria. Mas, de facto, o que se celebra tem a ver com a doutrina do pecado original, segundo a qual todos os seres humanos nascem em pecado, por causa do pecado de Adão e Eva. Maria, porém, constituiria uma excepção, pois foi concebida sem pecado.
[...] Maria não é importante por ser mãe de Jesus, mas, como diz o Evangelho, por tê-lo acompanhado, mesmo quando não compreendia. Procurou entender e seguiu-o até à cruz. E tornou-se sua discípula, convertendo-se ao Deus que Jesus anunciou: o Deus-amor, que não nos abandona, nem mesmo na morte, que é próximo de todos, que quer a libertação de todos, a começar pelos mais fracos, humilhados e ofendidos - entre estes estão as mulheres». > > >

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.12.12 | Sem comentários
— palavra para sábado, oito de dezembro —


— Evangelho segundo Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo:  «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do  Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

— O nome da Virgem era Maria

Uma região simples (Galileia). Uma cidade simples (Nazaré). Uma jovem simples (Maria). Uma saudação maravilhosa (Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo»). Um anúncio maravilhoso («Conceberás e darás à luz um filho [...]. Chamar-Se-á Filho do Altíssimo»). Um acolhimento maravilhoso («Faça-se em mim segundo a tua palavra»). 
Em tempo de Advento — sob o signo da alegria, da esperança e da fé — celebramos a solenidade da Imaculada Conceição de Maria. «Imaculada Conceição» faz referência ao momento em que Maria foi concebida no seio de sua mãe. Esta doutrina diz-nos que Maria está isenta de qualquer marca de pecado. Quer dizer que Maria foi liberta de toda a inclinação para o mal, daquele desejo de querer «ser como Deus» que trespassa o coração humano. Aquele desejo de querer estar acima de todos, que origina todos os males. 
Mas proclamar Maria como «Imaculada» tem um sentido mais profundo do que apenas dizer que Deus a isentou de qualquer pecado. Proclamar Maria como «Imaculada» é tomar consciência de que um ser humano como nós — Maria — foi capaz de viver sempre pura na profundidade do seu ser. Maria não se deixou contagiar pelo desejo de superioridade em relação aos outros ou a Deus. 
O mais importante que podemos retirar deste dia é que, se um ser humano foi capaz de viver assim, também nós podemos alcançar esta meta. Temos de penetrar na profundidade do nosso ser e deixar sobressair a graça de Deus que nos habita tal como habitou em Maria. Por isso, o II Concílio do Vaticano apresenta Maria, mãe de Jesus Cristo, como «protótipo e modelo para a Igreja». Descreve-a como mulher humilde que escuta Deus com confiança e alegria. É também com estas atitudes que todos somos desafiados a escutar Deus: confiança e alegria. 


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.12.12 | Sem comentários
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