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Carta encíclica sobre a fé [43]


A estrutura do Batismo, a sua configuração como renascimento no qual recebemos um nome novo e uma vida nova, ajuda-nos a compreender o sentido e a importância do Batismo das crianças. Uma criança não é capaz de um ato livre que acolha a fé: ainda não a pode confessar sozinha e, por isso mesmo, é confessada pelos seus pais e pelos padrinhos em nome dela. A fé é vivida no âmbito da comunidade da Igreja, insere-se num «nós» comum. Assim, a criança pode ser sustentada por outros, pelos seus pais e padrinhos, e pode ser acolhida na fé deles que é a fé da Igreja, simbolizada pela luz que o pai toma do círio na liturgia batismal. Esta estrutura do Batismo põe em evidência a importância da sinergia entre a Igreja e a família na transmissão da fé. Os pais são chamados — como diz Santo Agostinho — não só a gerar os filhos para a vida, mas a levá-los a Deus, para que sejam, através do Batismo, regenerados como filhos de Deus, recebam o dom da fé [38]. Assim, juntamente com a vida, é-lhes dada a orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro; orientação esta, que será ulteriormente corroborada no sacramento da Confirmação com o selo indelével do Espírito Santo.

[38] Cf. De nuptiis et concupiscentia, I, 4, 5: PL 44, 413 (« Habent quippe intentionem generandi regenerandos, ut qui ex eis saeculi filii nascuntur in Dei filios renascantur »)

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

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  • O batismo das crianças tem sentido (e importância)
  • A criança não pode sozinha confessar a fé
  • Os pais e padrinhos confessam a fé em nome da criança
  • A fé é vivida na comunidade (Igreja)
  • A fé insere-se num «nós» comum
  • A luz que o pai toma do Círio Pascal simboliza a fé da Igreja
  • Há uma sinergia entre a Igreja e a família na transmissão da fé
  • Tem sentido batizar uma criança?
  • Que relação existe entre a fé dos pais e a fé da Igreja?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [42]


Quais são os elementos batismais que nos introduzem nesta nova «forma de ensino»? Sobre o catecúmeno é invocado, em primeiro lugar, o nome da Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. E deste modo se oferece, logo desde o princípio, uma síntese do caminho da fé: o Deus que chamou Abraão e quis chamar-Se seu Deus, o Deus que revelou o seu nome a Moisés, o Deus que, ao entregar-nos o seu Filho, nos revelou plenamente o mistério do seu Nome, dá à pessoa batizada uma nova identidade filial. Desta forma, se evidencia o sentido da imersão na água que se realiza no Batismo: a água é, simultaneamente, símbolo de morte, que nos convida a passar pela conversão do «eu» tendo em vista a sua abertura a um «Eu» maior, e símbolo de vida, do ventre onde renascemos para seguir Cristo na sua nova existência. Deste modo, através da imersão na água, o Batismo fala-nos da estrutura encarnada da fé. A ação de Cristo toca-nos na nossa realidade pessoal, transformando-nos radicalmente, tornando-nos filhos adotivos de Deus, participantes da natureza divina; e assim modifica todas as nossas relações, a nossa situação concreta na terra e no universo, abrindo-as à própria vida de comunhão d’Ele. Este dinamismo de transformação próprio do Batismo ajuda-nos a perceber a importância do catecumenato, que hoje — mesmo em sociedades de antigas raízes cristãs, onde um número crescente de adultos se aproxima do sacramento batismal — se reveste de singular relevância para a nova evangelização. É o itinerário de preparação para o Batismo, para a transformação da vida inteira em Cristo.
Para compreender a ligação entre o Batismo e a fé, pode ajudar-nos a recordação de um texto do profeta Isaías, que já aparece associado com o Batismo na literatura cristã antiga: «Terá o seu refúgio em rochas elevadas, terá (…) água em abundância» (Isaías 33, 16) [37]. Resgatado da morte pela água, o batizado pode manter-se de pé sobre «rochas elevadas», porque encontrou a solidez à qual confiar-se; e, assim, a água de morte transformou-se em água de vida. O texto grego descrevia-a como água «pistòs», água «fiel»: a água do Batismo é fiel, podendo confiar-nos a ela porque a sua corrente entra na dinâmica de amor de Jesus, fonte de segurança para o nosso caminho na vida.

[37] Cf. Epistula Barnabae, 11, 5: SC 172, 162

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  • A invocação da Trindade (Pai, Filho, Espírito Santo) oferece uma síntese do caminho da fé
  • No Batismo, a Trindade dá à pessoa uma nova identidade filial
  • No Batismo, a imersão na água é símbolo da morte: conversão
  • No Batismo, a imersão na água é símbolo da vida: renascer com Cristo
  • No Batismo, a água da morte torna-se em água da vida
  • O Batismo, pela imersão na água, fala-nos da estrutura encarnada da fé
  • No Batismo, a ação de Cristo, transforma-nos radicalmente
  • No Batismo, a ação de Cristo, torna-nos filhos adotivos de Deus
  • No Batismo, a ação de Cristo, torna-nos participantes da natureza divina
  • O Batismo modifica todas as nossas relações
  • O Batismo modifica a nossa situação concreta no mundo
  • O Batismo abre-nos à vida de comunhão (em Deus)
  • O catecumenato (preparação para o Batismo) é fundamental
  • Qual o sentido da invocação da Trindade, no Batismo?
  • O que simboliza a imersão na água, no Batismo?
  • Qual é a ação de Cristo, no Batismo?
  • É importante a preparação para o Batismo?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [41]


A transmissão da fé verifica-se, em primeiro lugar, através do Batismo. Poderia parecer que este sacramento fosse apenas um modo para simbolizar a confissão de fé, um ato pedagógico para quem precise de imagens e gestos, e do qual seria possível fundamentalmente prescindir. Mas não é assim, como no-lo recorda uma palavra de São Paulo: «Pelo Batismo fomos sepultados com Cristo na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova» (Romanos 6, 4); nele, tornamo-nos nova criatura e filhos adotivos de Deus. E mais adiante o Apóstolo diz que o cristão foi confiado a uma «forma de ensino» («typos didachés»), a que obedece de coração (cf. Romanos 6, 17): no Batismo, o ser humano recebe também uma doutrina que deve professar e uma forma concreta de vida que requer o envolvimento de toda a sua pessoa, encaminhando-a para o bem; é transferido para um novo âmbito, confiado a um novo ambiente, a uma nova maneira comum de agir, na Igreja. Deste modo, o Batismo recorda-nos que a fé não é obra do indivíduo isolado, não é um ato que o ser humano possa realizar contando apenas com as próprias forças, mas tem de ser recebida, entrando na comunhão eclesial que transmite o dom de Deus: ninguém se batiza a si mesmo, tal como ninguém vem sozinho à existência. Fomos batizados.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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  • O Batismo é um meio de transmissão da fé
  • O Batismo não é apenas um modo de simbolizar a confissão da fé
  • O Batismo não é apenas um ato pedagógico
  • Pelo Batismo, tornamo-nos novas criaturas
  • Pelo Batismo, tornamo-nos filhos adotivos de Deus
  • No Batismo, recebemos uma doutrina 
  • No Batismo, recebemos uma forma concreta de vida
  • No Batismo, está envolvida a totalidade da pessoa
  • Pelo Batismo, somos introduzidos num novo ambiente
  • Pelo Batismo, somos introduzidos numa nova maneira comum de agir
  • Pelo Batismo, tornamo-nos membros da Igreja
  • O Batismo recorda que a fé não é um ato isolado
  • O Batismo recorda que a fé  é recebida na comunhão eclesial
  • Ninguém se batiza a si mesmo
  • Que importância tem a celebração do Batismo?
  • O que acontece, no indivíduo, pelo Batismo?
  • O Batismo interfere na vida, na maneira de viver?
  • Que relação existe entre o Batismo e a Igreja?
  • É possível dizer que a fé como um ato isolado, apenas pessoal?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [40]


Como sucede em cada família, a Igreja transmite aos seus filhos o conteúdo da sua memória. Como se deve fazer esta transmissão de modo que nada se perca, mas antes que tudo se aprofunde cada vez mais na herança da fé? É através da Tradição Apostólica, conservada na Igreja com a assistência do Espírito Santo, que temos contacto vivo com a memória fundadora. E aquilo que foi transmitido pelos Apóstolos, como afirma o II Concílio Ecuménico do Vaticano, «abrange tudo quanto contribui para a vida santa do Povo de Deus e para o aumento da sua fé; e assim a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita» [35].
De facto, a fé tem necessidade de um âmbito onde se possa testemunhar e comunicar, e que o mesmo seja adequado e proporcionado ao que se comunica. Para transmitir um conteúdo meramente doutrinal, uma ideia, talvez bastasse um livro ou a repetição de uma mensagem oral; mas aquilo que se comunica na Igreja, o que se transmite na sua Tradição viva é a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo, uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no coração, envolvendo a sua mente, vontade e afetividade, abrindo-a a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros. Para se transmitir tal plenitude, existe um meio especial que põe em jogo a pessoa inteira: corpo e espírito, interioridade e relações. Este meio são os sacramentos celebrados na liturgia da Igreja: neles, comunica-se uma memória encarnada, ligada aos lugares e épocas da vida, associada com todos os sentidos; neles, a pessoa é envolvida, como membro de um sujeito vivo, num tecido de relações comunitárias. Por isso, se é verdade que os sacramentos são os sacramentos da fé [36], há que afirmar também que a fé tem uma estrutura sacramental; o despertar da fé passa pelo despertar de um novo sentido sacramental na vida do ser humano e na existência cristã, mostrando como o visível e o material se abrem para o mistério do eterno.

[35] Const. dogm. sobre a divina Revelação Dei Verbum, 8
[36] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 59

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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  • A Igreja transmite aos seus filhos o conteúdo da sua memória
  • A transmissão na Igreja é feita através da Tradição Apostólica
  • A Tradição Apostólica faz-nos entrar em contacto vivo com a memória fundadora
  • A Igreja transmite tudo o que é e tudo em que acredita
  • A fé tem necessidade de um âmbito onde se possa testemunhar
  • A fé tem necessidade de um âmbito onde se possa comunicar
  • A Igreja transmite a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo
  • A Igreja transmite uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no seu coração
  • A Igreja transmite uma luz que envolve a mente
  • A Igreja transmite uma luz que envolve a vontade
  • A Igreja transmite uma luz que envolve a afetividade
  • A Igreja transmite uma luz que abre a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros
  • Os sacramentos são o meio especial de transmissão que põe em jogo a totalidade da pessoa
  • Os sacramentos comunicam uma memória encarnada
  • Os sacramentos estão associados a todos os sentidos
  • Os sacramentos envolvem o indivíduo num tecido de relações comunitárias
  • Os sacramentos são «sacramentos da fé»
  • A fé tem uma estrutura sacramental
  • Como é que a Igreja transmite o conteúdo da sua memória?
  • O que é que a Igreja transmite aos seus filhos?
  • A fé precisa de ser testemunhada e comunicada?
  • O que são os sacramentos?
  • Há relação entre sacramentos e fé?
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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.9.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [38]


A transmissão da fé, que brilha para as pessoas de todos os lugares, passa também através do eixo do tempo, de geração em geração. Dado que a fé nasce de um encontro que acontece na história e ilumina o nosso caminho no tempo, a mesma deve ser transmitida ao longo dos séculos. É através de uma cadeia ininterrupta de testemunhos que nos chega o rosto de Jesus. Como é possível isto? Como se pode estar seguro de beber no «verdadeiro Jesus» através dos séculos? Se o ser humano fosse um indivíduo isolado, se quiséssemos partir apenas do «eu» individual, que pretende encontrar em si mesmo a firmeza do seu conhecimento, tal certeza seria impossível; não posso, por mim mesmo, ver aquilo que aconteceu numa época tão distante de mim. Mas, esta não é a única maneira de o ser humano conhecer; a pessoa vive sempre em relação: provém de outros, pertence a outros, a sua vida torna-se maior no encontro com os outros; o próprio conhecimento e consciência de nós mesmos são de tipo relacional e estão ligados a outros que nos precederam, a começar pelos nossos pais que nos deram a vida e o nome. A própria linguagem, as palavras com que interpretamos a nossa vida e a realidade inteira chegam-nos através dos outros, conservadas na memória viva de outros; o conhecimento de nós mesmos só é possível quando participamos duma memória mais ampla. O mesmo acontece com a fé, que leva à plenitude o modo humano de entender: o passado da fé, aquele ato de amor de Jesus que gerou no mundo uma vida nova, chega até nós na memória de outros, das testemunhas, guardado vivo naquele sujeito único de memória que é a Igreja; esta é uma Mãe que nos ensina a falar a linguagem da fé. São João insistiu sobre este aspecto no seu Evangelho, unindo conjuntamente fé e memória e associando as duas à ação do Espírito Santo que, como diz Jesus, «há de recordar-vos tudo» (João 14, 26). O Amor, que é o Espírito e que habita na Igreja, mantém unidos entre si todos os tempos e faz-nos contemporâneos de Jesus, tornando-Se assim o guia do nosso caminho na fé.

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  • A transmissão da fé brilha para as pessoas de todos os lugares
  • A transmissão da fé passa de geração em geração
  • O rosto de Jesus Cristo chega até nós através de uma cadeia ininterrupta de testemunhos
  • A pessoa vive sempre em relação
  • A vida torna-se maior no encontro com os outros
  • O conhecimento tem uma dimensão relacional
  • A linguagem chega-nos através dos outros
  • O conhecimento de nós mesmos só é possível numa memória mais ampla
  • O passado da fé chega até nós na memória dos outros, das testemunhas
  • O passado da fé é guardado na memória da Igreja
  • A Igreja é uma Mãe que nos ensina a falar a linguagem da fé
  • A fé e a memória estão associadas à ação do Espírito Santo
  • O Espírito Santo faz-nos contemporâneos de Jesus Cristo
  • Como se dá a transmissão da fé?
  • Qual a importância da relação na transmissão da fé?
  • Que missão tem a Igreja na transmissão da fé?
  • Que ligação existe entre fé, memória e Espírito Santo?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.9.13 | Sem comentários

Encontro Mundial das Famílias

Em Valência, Espanha: julho de 2006


No V Encontro Mundial das Famílias (2006, em Valência, Espanha), o Papa Bento XVI começou a homilia da eucaristia de encerramento por destacar a família como «comunidade de gerações e garante de um património de gerações». Depois, apresentou o nascimento como fruto de uma projeto amoroso de Deus e não uma «casualidade». Nesse contexto, introduziu o tema da transmissão da fé no contexto familiar: «A família cristã transmite a fé quando os pais ensinam os seus filhos a rezar e rezam com eles; quando os aproximam dos sacramentos e os vão introduzindo na vida da Igreja; quando todos se reúnem para ler a Bíblia, iluminando a vida familiar à luz da fé e louvam a Deus como Pai». Por fim, assinalou o matrimónio entre um homem e uma mulher como a «origem da família».

Queridos irmãos e irmãs!
Nesta Santa Missa que tenho a imensa alegria de presidir, concelebrando com numerosos Irmãos no Episcopado e com um grande número de sacerdotes, dou graças ao Senhor por todas as amadas famílias que se reuniram aqui formando uma multidão jubilosa, e também por muitas outras que, de terras longínquas, seguem esta celebração através da rádio e da televisão. Desejo saudar-vos a todos e expressar-vos o meu grande afecto com um abraço de paz.
Os testemunhos de Ester e Paulo, que ouvimos antes nas leituras, mostram como a família está chamada a colaborar na transmissão da fé. Ester confessa: "No seio da família, ouvi desde criança, Senhor, escolheste Israel entre todos os povos" (4, 16). Paulo segue a tradição dos seus antepassados judeus prestando culto a Deus com consciência pura. Louva a fé sincera de Timóteo e recorda-lhe: "a tua fé, que se encontrava já na tua avó, Loide, e na tua mãe Eunice e que, estou seguro, se encontre também em ti" (2 Tm 1, 5). Nestes testemunhos bíblicos a família compreende não só pais e filhos, mas também avós e antepassados. Assim, a família apresenta-se-nos como uma comunidade de gerações e garante de um património de tradições.
Nenhum homem se deu o ser a si mesmo nem adquiriu sozinho os conhecimentos elementares da vida. Todos recebemos de outros a vida e as verdades básicas para ela, e estamos chamados a alcançar a perfeição em relação e comunhão amorosa com os demais. A família, fundada no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher, expressa esta dimensão relacional, filial e comunitária, e é o âmbito no qual o homem pode nascer com dignidade, crescer e desenvolver-se de maneira integral.
Quando uma criança nasce, através do relacionamento dos seus pais começa a fazer parte de uma tradição familiar, que tem raízes muito mais antigas. Com o dom da vida recebe todo um património de experiência. A este respeito, os pais têm o direito e o dever inalienável de o transmitir aos filhos: educá-los no descobrimento da sua identidade, introduzi-los na vida social, na prática responsável da sua liberdade moral e da sua capacidade de amar através da experiência de serem amados e, sobretudo, no encontro com Deus. Os filhos crescem e maturam humanamente na medida em que acolhem com confiança esse património e essa educação que vão assumindo progressivamente.
Deste modo são capazes de elaborar uma síntese pessoal entre o que receberam e o que é novo, e que cada indivíduo e geração estão chamados a realizar.
Na origem de todos os homens e, por conseguinte, em qualquer paternidade e maternidade humana está presente Deus Criador. Por isso os esposos devem acolher a criança que nasce como filho que não é unicamente seu, mas também de Deus, que o ama por si mesmo e o chama à filiação divina. Contudo, qualquer geração, qualquer paternidade e maternidade, e qualquer família tem o seu princípio em Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo.
A Ester, seu pai tinha transmitido, com a memória de seus antepassados e do seu povo, a de um Deus do qual todos procedem e ao qual todos estão chamados a responder. A memória de Deus Pai que elegeu o seu povo e que actua na história para a nossa salvação. A memória deste Pai ilumina a identidade mais profunda dos homens: de onde vimos, quem somos e quanto é grande a nossa dignidade. Certamente, provimos de nossos pais e somos seus filhos, mas também vimos de Deus, que nos criou à sua imagem e nos chamou para sermos seus filhos. Por isso, na origem de todo o ser humano não existe a sorte ou a casualidade, mas um projecto de amor de Deus. Foi o que nos revelou Jesus Cristo, verdadeiro Filho de Deus e homem perfeito. Ele sabia de quem provinha e de quem provimos todos: do amor de seu Pai e nosso Pai.
Portanto, a fé não é uma mera herança cultural, mas uma acção contínua da graça de Deus que chama e da liberdade humana que pode ou não aderir a essa chamada. Mesmo se ninguém responde por outro, sem dúvida os pais cristãos estão chamados a dar um testemunho crível da sua fé e esperança cristã. Devem preocupar-se por que a chamada de Deus e a Boa Nova de Cristo cheguem aos seus filhos com a maior clareza e autenticidade.
Com o passar dos anos, este dom de Deus que os pais contribuíram para apresentar aos olhos dos pequeninos, também precisará de ser cultivado com sabedoria e doçura, fazendo crescer neles a capacidade de discernimento. Deste modo, com o testemunho constante do amor conjugal dos pais, vivido e impregnado de fé, e com o acompanhamento comprometido da comunidade cristã, será favorecido que os filhos façam seu o dom da fé, descubram com ela o sentido profundo da própria existência e se sintam alegres e gratos por isso.
A família cristã transmite a fé quando os pais ensinam os seus filhos a rezar e rezam com eles (cf. A família cristã no mundo de hoje, 60); quando os aproximam dos sacramentos e os vão introduzindo na vida da Igreja; quando todos se reúnem para ler a Bíblia, iluminando a vida familiar à luz da fé e louvam a Deus como Pai.
Na atual cultura exalta-se com muita frequência a liberdade do indivíduo concebido como pessoa autónoma, como se ele se tivesse feito sozinho e se bastasse a si mesmo, à margem da sua relação com os demais e sem o sentido da responsabilidade para com o próximo. Procura-se organizar a vida social só a partir de desejos subjectivos e transitórios, sem qualquer referência a uma verdade objetiva prévia como a dignidade de cada ser humano e os seus deveres e direitos inalienáveis, a cujo serviço deve estar todo o grupo social.
A Igreja não cessa de recordar que a verdadeira liberdade do ser humano deriva do facto de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso, a educação cristã é educação da liberdade e para a liberdade. «Nós realizamos o bem não como escravos, que não são livres de agir de outra forma, mas fazemo-lo porque temos pessoalmente a responsabilidade pelo mundo; porque amamos a verdade e o bem, porque amamos o próprio Deus e portanto também as suas criaturas. Esta é a liberdade verdadeira, para a qual o Espírito Santo nos quer conduzir» (Homilia na Vigília de Pentecostes).
Jesus Cristo é o homem perfeito, exemplo de liberdade filial, que nos ensina a comunicar aos demais o seu próprio amor: «Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor» (João 15, 9). A este propósito o II Concílio do Vaticano ensina que «os cônjuges e pais cristãos, seguindo o seu próprio caminho, se ajudem mutuamente a conservar a graça no decorrer de toda a sua vida, numa grande fidelidade de amor, e que eduquem na doutrina cristã e nas virtudes evangélicas a prole que receberem amorosamente de Deus. Oferecem, assim, a todos o exemplo de um amor incansável e generoso, constróem a fraternidade da caridade e apresentam-se como testemunhas e cooperadores da fecundidade da Mãe Igreja, como símbolo e participação do amor com que Cristo amou a sua Esposa e por Ela se entregou» (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 41).
A alegria amorosa com que os nossos pais nos acolheram e acompanharam nos primeiros passos neste mundo é como um sinal e prolongamento sacramental do amor benevolente de Deus, do qual procedemos. A experiência de sermos acolhidos e amados por Deus e pelos nossos pais é a base sólida que favorece sempre o crescimento e desenvolvimento autênticos do homem, que tanto nos ajuda a amadurecer no caminho para a verdade e para o amor, e a sairmos de nós mesmos para entrarmos na comunhão com o próximo e com Deus.
Para progredir nesse caminho de maturidade humana, a Igreja ensina-nos a respeitar e a promover a maravilhosa realidade do matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher, que é, além disso, a origem da família. Portanto, reconhecer e ajudar esta instituição é um dos maiores serviços que se possam prestar hoje ao bem comum e ao verdadeiro desenvolvimento dos homens e das sociedades, assim como a melhor garantia para assegurar a dignidade, a igualdade e a verdadeira liberdade da pessoa humana.
Neste sentido, desejo realçar a importância e o papel positivo que realizam as diversas associações familiares eclesiais em favor do matrimónio e da família. Por isso, «desejo convidar todos os cristãos a colaborar, carinhosa e corajosamente, com todos os homens de boa vontade, que vivem a responsabilidade própria no serviço à família» (A família cristã no mundo de hoje, 86), para que unindo as suas forças e com uma pluralidade legítima de iniciativas, contribuam para a promoção do verdadeiro bem da família na sociedade atual.
Voltemos por um momento à primeira leitura desta Missa, tirada do livro de Ester. A Igreja orante viu nesta humilde rainha, que intercede com todo o seu ser pelo seu povo que sofre, uma prefiguração de Maria, que seu Filho nos deu a todos como Mãe; uma prefiguração da Mãe, que protege com o seu amor a família de Deus que peregrina neste mundo. Maria é a imagem exemplar de todas as mães, da sua grande missão como guardiãs da vida, da sua missão de ensinar a arte de viver, a arte de amar.
A família cristã pai, mãe, filhos está portanto chamada a cumprir os objectivos assinalados não como algo imposto de fora, mas como um dom da graça do sacramento do matrimónio infundida nos esposos. Se eles permanecerem abertos ao Espírito e pedirem a sua ajuda, ele não deixará de lhes comunicar o amor de Deus Pai manifestado e encarnado em Cristo. A presença do Espírito ajudará os esposos a não perder de vista a fonte e medida do seu amor e entrega, e a colaborar com ele para o reflectir e encarnar em todas as dimensões da sua vida. Desta forma, o Espírito suscitará neles o anseio do encontro definitivo com Cristo na casa de seu Pai e nosso Pai. É esta a mensagem de esperança que, de Valência, quero fazer chegar a todas as famílias do mundo. Amém!

© Copyright 2006 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

Papa Bento XVI, V Encontro Mundial das Famílias - Valência, Espanha - 2009
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.13 | Sem comentários

Pequeninos do Senhor


São Paulo escreve na Carta aos Romanos: «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Romanos 10, 10). Mas como fazer desabrochar a fé desde a infância?
Na Carta Apostólica «A Porta da Fé» — «Porta Fidei» (PF) —, escrita pelo Papa Bento XVI para o «Ano da Fé» (2012-2013), podemos ler que, a «fé, que atua pelo amor» (Gálatas 5, 6), muda toda a vida do ser humano (PF 6). Ela cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido (PF 7). E o coração indica que o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo de si mesma (PF 10).
Frequentemente, ouvimos pessoas que dizem: eu não sei o que é fé; a minha fé é muito pequena... E, então, podemos perguntar: será que a fé lhe foi transmitida?; como é que a fé foi alimentada ao longo da vida?
Se uma pessoa é batizada e celebra a Festa Eucaristia (Primeira Comunhão) aos dez anos, e só volta à Igreja vinte anos depois para se casar, quão grande será a sua fé? Se a primeira e, porventura, a última vez que teve uma orientação cristã foi na catequese da infância, talvez seja esse o tamanho da sua fé: o tamanho da roupa da Primeira Comunhão. Será que na hora de se casar, a roupa ou a fé estará a condizer com o seu tamanho físico e emocional?
A Declaração sobre Educação Cristã — «Gravissimum Educationis» (GE) —, promulgada no II Concílio do Vaticano, afirma que «os pais devem ser para os seus filhos os primeiros mestres da fé» (GE 2). E o Documento 26 — Catequese Renovada – da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (1983) concorda que «a família cristã, pela graça sacramental do matrimónio tornada como que 'igreja doméstica', é lugar, por excelência, de Catequese, especialmente na primeira infância» (121).
[Em Portugal, os bispos portugueses escreveram no documento «Para que acreditem e tenham vida» (2005): «O despertar para a vida e para a fé, num mesmo movimento, começa desde a infância. Os pais são chamados a comunicar o seu gosto de viver, a sua maravilha perante a vida e a transmitir uma arte de viver em referência ao Evangelho. O seu contributo é insubstituível, porque a fé é uma vida que se comunica, uma osmose que se realiza e não uma doutrina a inculcar»; e ainda: «A família que dá origem à vida tem também a responsabilidade de dar sentido e contribuir para o pleno desenvolvimento dessa existência, enriquecendo-a com o património moral e espiritual que vem do cristianismo».]
Portanto, os pais são os primeiros responsáveis pela transmissão da fé aos seus filhos. Compete-lhes dar os primeiros passos na caminhada cristã, em casa; e depois no encaminhamento para a catequese que é uma educação da fé. E, à Igreja, cabe a responsabilidade de os acolher na iniciação cristã desde bem pequeninos, desde a mais tenra idade, até mesmo antes dos sete anos, tempo em que estão a ser formados o caráter, a personalidade, a afetividade e os valores que serão a base das suas condutas durante a vida; e também inseri-los numa catequese lúdica, orientando-os para a fé, o quanto antes, a partir do encontro com a pessoa de Jesus, Aquele que será o melhor amigo durante toda a vida, introduzindo-os na vida da comunidade e formando-os para uma vida cristã prática e atuante.
Segundo o Documento de Aparecida (2007), assumir essa iniciação cristã exige não só uma renovação de modalidade catequética da paróquia, mas também desenvolver uma catequese que seja permanente, que continue o processo de amadurecimento da fé (cf. número 294), além de organizar novas formas que ajude o catequizando a valorizar o sentido da vida juntamente com os sacramentos, a participação na comunidade e o compromisso como cidadão, para que ele tenha a consciência de ser sal e fermento no mundo, com uma identidade cristã forte e segura (cf. número 286).

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.5.13 | Sem comentários
— Carmelo Doloto, no Auditório Vita (Braga), no dia 3 de dezembro de 2012 —



Resumos publicados nesta página

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.12 | Sem comentários
— Carmelo Doloto, no Auditório Vita (Braga), no dia 3 de dezembro de 2012 —

Os objetivos da educação para a fé

No fim de contas, o percurso de amadurecimento da fé é um percurso de humanização. Viver o projeto cristão é cultivar a humanidade, na procura daquilo que é o bem comum. Este processo deve dar algumas capacidades:
— Desenvolver a atitude de escuta da palavra, que exige algumas atitudes: a consciência da própria orientação de vida, a superação do egocentrismo, a capacidade de diálogo e de escuta.
— Decidir pertencer à fraternidade eclesial, através da descoberta da própria missão e da capacidade de colaborar.
— Descobrir a própria ministerialidade dentro da comunidade.
— Fazer crescer a capacidade de colaboração na transformação do mundo. Somos chamados à responsabilidade do outro, a cuidar das condições favoráveis do bem comum, na participar na cultivo de um “ethos” para todos.
— Alimentar a interioridade e a espiritualidade como espaço de realização do diálogo com Deus, amante da vida.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.12.12 | Sem comentários
— Carmelo Doloto, no Auditório Vita (Braga), no dia 3 de dezembro de 2012 —

A escolha da educação para a fé

Se o Evangelho é capaz de despertar a busca significativa pela vida é porque se insere e recorre à qualidade da relação educativa como condição para elaborar o “projeto pessoal de vida”.
Quais os elementos para tal relação educativa:
a) A pessoa é bem de toda a educação: entrar em relação significa ajudar a tornar-se protagonista do seu próprio caminho. A educação cristã, isto é, o projeto segundo o estilo de Jesus, insere-nos com a própria bagagem cultural, ética, religiosa para nos ajudar num caminho de humanização (segundo a lógica do Reino).
b) A multimédia como instrumento para cada conteúdo educativo: sons, imagens, movimento, palavras, escritura ajudam na transmissão e interiorização da proposta educativa. É também importante o clima emotivo e afectivo para que a comunicação aconteça.
c) Este processo deve acontecer dentro de uma “comunidade de prática” (laboratórios de vida). Pensar percursos e experiências educativas nas quais as pessoas possam modificar-se a si próprias aprendendo, fazendo e colaborando em conjunto. Uma proposta formativa eclesial educa para a fé se oferece experiências comunitárias e de pequenos grupos.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.12.12 | Sem comentários
— Carmelo Doloto, no Auditório Vita (Braga), no dia 3 de dezembro de 2012 —

O que significa acreditar?

A fé é um movimento de procura e é também um evento paradoxal: funda-se numa exigência de compreensão para poder entrever uma diferença. Crer é um espaço em que pensamos de forma diferente a vida.
A fé é aproximação a Deus, que está sempre para além das imagens que dele fazemos. É aproximar-se do sonho de Deus para a nossa vida; aproximar-se do que Ele pensa para nós. Deus exprimiu este sonho em Jesus Cristo.
A fé é um risco: não é uma espécie de lâmpada de Aladino (que se esfrega para obter coisas), nem um seguro de vida. É um abrir-se que confia, que se põe em diálogo na confiança. Daqui se compreende que a fé é um ato de liberdade, que me retira a ilusão de que posso fazer tudo sozinho: insere-me numa história de relação que humaniza o caminho de crescimento. O Deus de Jesus Cristo chama a um responsabilidade muito séria e a uma corresponsabilidade criativa. Não é um Deus à nossa imagem.
A fé não é passividade. A fé é inquietação e não uma “peça de roupa” que se coloca de vez em quando ou que se troca quando apetece.
A fé conduz a uma elaboração de nós próprios, em relação com Deus, narrado em Jesus Cristo. “Ensina-nos a viver” (Tito 2, 12). Por isso é uma contínua luta contra as falsas imagens da experiência religiosa. Acreditar é entrar no coração das questões da existência. Dá-nos a possibilidade de plantar e fazer crescer uma ética da proximidade, da compaixão e do bem comum.
A fé é a frescura de uma procura constante. É dom de uma diferença e de uma responsabilidade por esta diferença.



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.12.12 | Sem comentários
— Carmelo Doloto, no Auditório Vita (Braga), no dia 3 de dezembro de 2012 —

Habitar um mundo pós-cristão.
Não se nasce cristão, mas torna-se cristão.
Ser cristão é uma escolha.



Habitamos num mundo pós-cristão. O cristianismo vive uma fase de repensamento da sua própria identidade. O contexto cultural mudou a percepção e o significado da proposta cristã, convidando o cristianismo a uma reinterpretação da sua mensagem. Isto não significa que o cristianismo se apagou ou deixou de lado a sua proposta. Significa que mudou a situação do destinatário. O que é acreditar? Hoje não é evidente. A fé tornou-se tangencial à vida. Não incide sobre a existência.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.12.12 | Sem comentários
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