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Viver a fé! [37]


Neste segundo tema dedicado ao capítulo décimo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja («proteger o ambiente») resumimos o quarto e último ponto («uma responsabilidade comum») que se divide nas seguintes alíneas: «o ambiente, um bem coletivo» (números 466 a 471); «o uso das biotecnologias» (472 a 480); «ambiente e partilha dos bens» (481 a 485); «novos estilos de vida» (486 e 487).

O ambiente, um bem coletivo

«A tutela do ambiente constitui um desafio para toda a humanidade: trata-se do dever, comum e universal, de respeitar um bem coletivo» (466) que se estende «não apenas às exigências do presente, mas também às do futuro» (467). Por isso, «a responsabilidade em relação ao ambiente deve encontrar uma tradução adequada no campo jurídico. [...]. As normas jurídicas, todavia, por si sós não bastam: a par delas, devem amadurecer um forte sentido de responsabilidade, bem como uma efetiva mudança nas mentalidades e nos estilos de vida» (468). Nesta responsabilidade pelo «bem coletivo» que é o ambiente, quando se verifica a ausência de dados científicos e é preciso «tomar decisões para enfrentar riscos sanitários e ambientais», a Igreja sugere «uma avaliação inspirada pelo ‘princípio da precaução’, que não comporta a aplicação de uma regra, mas uma orientação ordenada a administrar situações de incerteza» (469). No mesmo sentido, «a programação do desenvolvimento económico deve considerar atentamente a ‘necessidade de respeitar a integridade e os ritmos da natureza’, já que os recursos naturais são limitados e alguns não são renováveis» (470). «Uma atenção especial merece a relação que os povos indígenas mantêm com a sua terra e os seus recursos: trata-se de uma expressão fundamental da sua identidade» (471).

O uso das biotecnologias

«As novas possibilidades oferecidas pelas atuais técnicas biológicas e biogenéticas suscitam, por um lado, esperanças e entusiasmos e, por outro lado, alarme e hostilidade» (472). «A visão cristã da criação comporta um juízo positivo sobre a liceidade [...] e, ao mesmo tempo, um forte chamamento para o sentido de responsabilidade» (473). «Hão de ser avaliadas de acordo com os critérios éticos» (474). «Num espírito de solidariedade internacional, [...] deve ser facilitado [...] o intercâmbio comercial equitativo, livre de vínculos injustos. [...] É indispensável favorecer também a maturação de uma necessária autonomia científica e tecnológica» (475). «A solidariedade comporta também um chamamento à responsabilidade [...] de promover uma política comercial favorável aos seus povos e o intercâmbio de tecnologias capazes de melhorar as condições alimentares e sanitárias» (476). «Os cientistas e técnicos [...] são chamados a trabalhar com inteligência e perseverança na busca de melhores soluções para os graves e urgentes problemas da alimentação e da saúde» (477). «Os empresários e responsáveis pelas entidades públicas que se ocupam da pesquisa, da produção e do comércio dos produtos derivados das novas biotecnologias devem ter em conta não só o lucro legítimo, mas também o bem comum» (478). «Os políticos, os legisladores e os administradores públicos têm a responsabilidade de avaliar as potencialidades, as vantagens e os eventuais riscos» (479). «Também os responsáveis pela informação têm uma tarefa importante, a desempenhar com prudência e objetividade» (480).

Ambiente e partilha dos bens

«Os bens da Terra foram criados por Deus para serem sabiamente usados por todos: tais bens devem ser divididos com equidade, segundo a justiça e a caridade» (481). «O princípio do destino universal dos bens oferece uma fundamental orientação, moral e cultural, para desatar o complexo e dramático nó que liga crises ambientais e pobreza» (482). «A estreita ligação que existe entre o desenvolvimento dos países mais pobres, o crescimento demográfico e uma utilização sustentável do ambiente é utilizado frequentemente como pretexto para escolas políticas e económicas advogarem medidas pouco conformes à dignidade da pessoa humana» (483). «O princípio do destino universal dos bens aplica-se naturalmente também à água» (484): «pela sua própria natureza, não pode ser tratada como uma mera mercadoria entre outras e o seu uso deve ser racional e solidário» (485).

Novos estilos de vida

«Os graves problemas ecológicos exigem uma efetiva mudança de mentalidade que induza a adotar novos estilos de vida» (486). «A atitude [...] perante a criação é a da gratidão e do reconhecimento: o mundo reconduz-nos ao mistério de Deus que o criou e sustém» (487).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.6.15 | Sem comentários

Viver a fé! [36]


«Proteger o ambiente» é a temática que ocupa o capítulo décimo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Neste tema, abordamos os primeiros pontos: «aspetos bíblicos» (números 451 a 455); «o homem e universo das coisas» (456 a 460); «a crise na relação homem-ambiente» (461 a 465).

Aspetos bíblicos

«A experiência viva da presença divina na história é o fundamento da fé do povo de Deus [...]. A fé de Israel vive no tempo e no espaço deste mundo, que é visto não como um ambiente hostil ou um mal do qual deva libertar-se, mas frequentemente como o próprio dom de Deus, o lugar e o projeto que Ele confia à responsável direção e operosidade do ser humano» (451). De facto, «a relação do ser humano com o mundo é um elemento constitutivo da identidade humana. Trata-se de uma relação que nasce como fruto da relação, ainda mais profunda, do ser humano com Deus. O Senhor quis o ser humano como seu interlocutor: somente no diálogo com Deus a criatura humana encontra a própria verdade, da qual extrai inspiração e normas para projetar a história no mundo, um ‘jardim’ que Deus lhe deu para que seja cultivado e guardado. Nem o pecado elimina tal tarefa» (452). Entretanto, «a salvação definitiva, que Deus oferece a toda a humanidade mediante o seu próprio Filho, não atua fora deste mundo. Mesmo ferido pelo pecado, este é destinado a conhecer uma purificação radical da qual sairá renovado, transformado» (453). «O ingresso de Jesus Cristo na história do mundo culmina na Páscoa, onde a própria natureza participa do drama do Filho de Deus rejeitado e da vitória da Ressurreição» (454). «Não apenas a interioridade do humano é sanada, mas toda a sua corporeidade é tocada pela força redentora de Cristo; a criação inteira toma parte na renovação que brota da Páscoa» (455).

O homem e o universo das coisas

«A visão bíblica inspira as atitudes dos cristãos em relação ao uso da terra, assim como ao desenvolvimento da ciência e da técnica» (456). Na verdade, «os resultados da ciência e da técnica são, em si mesmos, positivos: [...] ‘as vitórias do género humano são um sinal da grandeza divina e uma consequência dos Seus desígnios inefáveis’. [...] Nesta perspetiva, o magistério tem repetidas vezes sublinhado que a Igreja Católica não se opõe de modo algum ao progresso» (457). «As considerações do magistério sobre a ciência e sobre a técnica em geral valem também para a sua aplicação ao ambiente natural e à agricultura» (458). Ora, «ponto de referência central para toda a aplicação científica e técnica é o respeito pelo ser humano, que deve acompanhar uma indispensável atitude de respeito para com os outros seres vivos. [...] ‘Toda e qualquer intervenção numa área determinada do ecossistema não pode prescindir da consideração das suas consequências noutras áreas e, em geral, das consequências no bem-estar das futuras gerações’» (459). E o ser humano não pode «esquecer que ‘a sua capacidade de transformar o mundo e, de certo modo, o “criar” com o próprio trabalho […] se desenrola sempre sobre a base da doação originária dos bens por parte de Deus’ [...]. É o próprio Deus que oferece ao ser humano a honra de cooperar com todas as forças da inteligência na obra da criação» (460).

A crise na relação homem-ambiente

«A mensagem bíblica e o magistério eclesial constituem os pontos de referência-parâmetro para avaliar os problemas que se põem nas relações entre o ser humano e o ambiente. [...] A tendência para a ‘exploração inconsiderada’ dos recursos da criação é o resultado de um longo processo histórico e cultural» (461). «A natureza aparece assim como um instrumento nas mãos do ser humano, uma realidade que ele deve constantemente manipular, sobretudo através da tecnologia [...]. O primado atribuído ao fazer e ao ter, mais do que ao ser, gera graves formas de alienação humana» (462). «Uma correta conceção do ambiente, se por um lado não pode reduzir de forma utilitarista a natureza a mero objeto de manipulação e desfrute, por outro lado não pode absolutizar a natureza e sobrepô-la em dignidade à própria pessoa humana. [...] O magistério tem manifestado a sua oposição a uma conceção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo» (463). E «uma visão do ser humano e das coisas desligadas de qualquer referência à transcendência conduziu à negação do conceito de criação [...]. ‘A relação que o ser humano tem com Deus é que determina a relação do humano com os seus semelhantes e com o seu ambiente’» (464). Por isso, «o magistério enfatiza a responsabilidade humana de preservar um ambiente íntegro e saudável para todos» (465).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.6.15 | Sem comentários
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