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La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández

A fé e o serviço são as duas colunas onde se apoia o ensinamento do evangelho do vigésimo sétimo domingo (Ano C). Ambas são apresentadas por Jesus de forma paradoxal.
A confiança em Deus, à qual Jesus nos convida, está acima de qualquer cálculo humano; não tem nada a ver com uma fé «racionalista». Implica confiar no Senhor até às últimas consequências. Ele pode mudar as coisas, mesmo as que, à primeira vista, nos parecem impossíveis. Nunca podemos perder a esperança. As situações difíceis na vida são muitas, mas Deus está do nosso lado. Não o podemos esquecer.
No entanto, ao mesmo tempo, exige de nós uma atitude de serviço, de disponibilidade: Deus conta com cada um e cada uma de nós, para mudar as coisas, para «criar» um mundo melhor. A tarefa a realizar é enorme: situações de flagrante injustiça; homens e mulheres a quem não se reconhece a sua dignidade de pessoas; seres humanos «sedentos» de uma palavra de apoio, de reconhecimento social, com necessidades de vária ordem; realizar um trabalho evangelizador titânico...
E, curiosamente, a lógica evangélica pouco tem que ver com a lógica habitual do mundo: «Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer». Não podemos procurar o aplauso dos outros por ter feito um serviço inevitável, ao qual não temos direito a renunciar.

© Javier Velasco-Arias

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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  • Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé» > > >



Preparar o vigésimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.10.13 | Sem comentários
— palavra para quarta-feira depois da epifania —

— Evangelho segundo Marcos 6, 45-52

Depois de ter matado a fome a cinco mil homens, Jesus obrigou os discípulos a subirem para o barco e a seguirem antes d’Ele para a outra margem, em direcção a Betsaida, enquanto Ele despedia a multidão. Depois de a ter despedido, subiu a um monte, para orar. Ao anoitecer, estava o barco no meio do mar e Jesus sozinho em terra. Ao ver os discípulos cansados de remar, porque o vento lhes era contrário, pela quarta vigília da noite foi ter com eles, caminhando sobre o mar, mas ia passar adiante. Ao verem Jesus caminhando sobre o mar, os discípulos julgaram que era um fantasma e começaram a gritar, porque todos O viram e ficaram atemorizados. Mas Jesus falou-lhes logo, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu, não temais». Depois subiu para junto deles no barco e o vento amainou. Todos se encheram de espanto, porque o seu coração estava endurecido, e não tinham compreendido a multiplicação dos pães.

— Não tinham compreendido a multiplicação dos pães

A chave de interpretação deste relato está no final do texto: os discípulos «não tinham compreendido a multiplicação dos pães». O que é que se passou? Há uma multidão que seguia Jesus; a comida era pouca; Jesus distribuiu o «pouco» que existia; todos comeram até ficarem saciados; sobraram doze cestos. Parece claro! Então, o que é que os discípulos não entenderam?
Não compreenderam o essencial: a ação de Jesus revela a presença de Deus. Por isso, quando os discípulos pensam que estão a ver um fantasma, Jesus tranquiliza-os: «Tende confiança. Sou Eu, não temais». A afirmação «Sou Eu» repete o «nome» que Deus dá a si mesmo, no diálogo com Moisés.
A primeira reação humana a uma teofania, manifestação de Deus, é quase sempre a mesma: medo. O Deus de Jesus Cristo não vem meter medo, mas tranquilizar e convidar à confiança. Esta, a confiança, é o primeiro passo para a fé. Na verdade, só a confiança em alguém permite dar-lhe crédito, acreditar na pessoa e na sua mensagem. 
Hoje como ontem, são muitas as tempestades que surgem na nossa vida: afetivas, familiares, económicas, políticas, sociais... E o medo toma conta de nós; bloqueia a capacidade de encontrar alternativas. Neste Ano da Fé, precisamos de aprender a confiar no Deus de Jesus Cristo. O medo é o maior obstáculo à vivência de uma fé alegre. Sem confiança, nunca conseguiremos «redescobrir o caminho da fé» para entender as ações de Jesus como revelação da presença de Deus.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.1.13 | comentários
 — Meditação de 1 de janeiro de 2013 —
© Ateliers & Presses de Taizé, Communauté de Taizé, 71250 Taizé, France

Eis-nos já no fim do nosso belo encontro. Amanhã, quase todos vão tomar o caminho de regresso a casa. Da minha parte, com alguns irmãos e uma centena de jovens de toda a Europa, prolongaremos esta peregrinação indo a Istambul. Ali, com o patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu, e com as diferentes Igrejas presentes na cidade, vamos celebrar a Epifania.
Uma questão acompanhar-nos-á a todos: será possível continuar em casa o que vivemos aqui? Como relacionar com Deus a minha vida quotidiana ?
Todos nós podemos ter por vezes a forte impressão de que, na vida de todos os dias, estamos entregues a nós mesmos. Deus pode parecer muito longe.
Para alguns, encontrar uma orientação de vida é algo pouco evidente. É difícil hoje prever o o futuro, mesmo o futuro próximo. Muitos estudam ou adquirem uma formação sem ter qualquer ideia em que é que isso pode resultar. Como, então, construir um projecto de vida?
É claro que não temos soluções fáceis para oferecer. Mas nós, os irmãos da comunidade de Taizé, gostaríamos que todos pudéssemos partir de Roma com uma força interior que nos permita encarar o futuro com coragem e com alegria.
Quando tremem os apoios que a sociedade nos oferece, torna-se ainda mais importante encontrar em nós mesmos uma força interior que nos faça continuar em frente.
Eu estou convicto: a confiança em Deus pode despertar essa força interior. A confiança é mais do que um simples sentimento; é possível tomar uma decisão, reflectida pela confiança em Deus.
Para apoiar esta decisão, é preciso, tal como numa amizade humana, investir plenamente na procura de uma relação pessoal com Deus. Então, podemos avançar, olhando para Cristo.
Jesus, quando era jovem, fez uma escolha fundamental que orientou de maneira decisiva a sua existência. Ele pôs toda a sua confiança no amor de Deus. Confiou em Deus, mesmo nos fracassos, que também ele conheceu.
Jesus nunca obscureceu o amor de Deus que irradiava dele. Nele, o amor de Deus em toda a sua totalidade tornou-se visível. Ao longo do ano que começa, poderemos meditar sobre isto, em primeiro lugar. Deus, que está para lá de tudo o que podemos imaginar, comunicou-se plenamente através de uma vida humana: a vida de Jesus.
Foi através de uma vida muito simples que Jesus irradiou o amor de Deus. Ele não era um super-homem acima de nós. Pelo contrário, ele era mais humano que nós.
Ao olharmos assim para ele, podemos compreender que Deus nos concede confiarmos na nossa humanidade. A confiança em Deus é uma só em conjunto com a confiança no ser humano. A fé em Deus leva a tornarmo-nos mais humanos e a recusarmos tudo o que desumaniza, em nós mesmos e nos outros.
Com Cristo, todos somos filhos de Deus. Renovar, dia após dia, esta confiança em Deus dá-nos uma força interior e até mesmo uma tenacidade. Elas podem orientar toda a nossa existência, estar subjacentes às pequenas e às grandes decisões.
Então, mesmo com uma liberdade reduzida, no meio de dificuldades materiais, mesmo com pouca certeza no futuro, podemos encontrar o gosto e a coragem para agarrarmos o nosso futuro.
Todos nós gostaríamos de escutar, como se fosse dirigida a cada um de nós, a palavra que o apóstolo Paulo escreveu um dia a um jovem chamado Timóteo, responsável por uma comunidade cristã: «Reacende o dom de Deus que se encontra em ti. Não é um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de bom senso».


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.13 | Sem comentários
— Meditação de 31 de dezembro de 2012 —
© Ateliers & Presses de Taizé, Communauté de Taizé, 71250 Taizé, France

Ontem à noite anunciei as próximas etapas da nossa peregrinação de confiança. Contudo, esta peregrinação prossegue também, e em primeiro lugar, na vida quotidiana de cada um de nós.
Fazer-se peregrino para criar laços de comunhão e de amizade é necessário em todo o lado: com os que nos são próximos, com os que vivem ao pé de nós. Precisamos uns dos outros, porque todos somos, num certo sentido, pobres.
Precisamos uns dos outros na vida das nossas sociedades. O desenvolvimento e o progresso não pode mais ficar reservados para alguns, enquanto a maior parte da humanidade empobrece. As dificuldades económicas, que aumentam, levam não a menos solidariedade, mas a mais solidariedade.
A partilha dos bens materiais, longe de ameaçar o nosso bem-estar, pode conduzir-nos a uma realização pessoal e à alegria de viver. Nestes dias, muitos de entre vós encontraram coragem, ao descobrirem iniciativas concretas de solidariedade, aqui, em Roma: por exemplo, as que visam dar trabalho aos jovens ou ajudar os refugiados.
Precisamos também uns dos outros, entre povos e entre continentes. Uma das causas da injustiça no mundo encontra-se no desconhecimento recíproco. Se conhecêssemos algumas situações de mais perto, descobriríamos melhor os meios para sair das oposições.
Cristo reúne-nos de todas as línguas e de todos os povos. Como deixar acender em nós a paixão da unidade, esse fogo que Cristo veio atear sobre a terra?
Amanhã, 1 de Janeiro, é o dia da paz. Se nós, cristãos, assumíssemos juntos um compromisso prioritário pela justiça e pela paz, uma nova vitalidade do cristianismo poderia nascer: um cristianismo humilde, que não impõe nada, mas que é sal da terra.
Para isso, importa que nos envolvamos todos, vindos de diferentes tradições cristãs. Não esperemos que o caminho da unidade esteja programado até ao fim; antecipemos a reconciliação! Já não podemos continuar a alimentar as separações. Por causa das nossas divisões o sal da mensagem evangélica está a começar a perder o seu sabor.
Como baptizados, todos pertencemos a Cristo ; fazemos parte do Corpo de Cristo. Que a nossa identidade de baptizados esteja em primeiro lugar; que ela passe à frente da nossa identidade confessional!
Recusemos fazer separadamente o que podemos fazer juntos. Visitemo-nos uns aos outros. Há também um desconhecimento recíproco entre diferentes confissões cristãs. Quando o ultrapassamos descobrimos tesouros do Evangelho nos outros.
Voltemo-nos juntos, com humildade, para Cristo, talvez em silêncio. Escutemos juntos a sua palavra. Procuremos juntos a sua face, tal como estamos a fazer aqui, durantes estes dias.
Então, o Espírito Santo vem, como no Pentecostes. Juntos podemos pôr em prática o apelo de Cristo: «Sereis minhas testemunhas até aos confins da terra».







Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.13 | Sem comentários
— Meditação de 30 de dezembro de 2012 —
© Ateliers & Presses de Taizé, Communauté de Taizé, 71250 Taizé, France

A oração de ontem à noite, com o papa Bento XVI, ficará gravada nos nossos corações como uma luz que nos ajudará a avançar. Ofereci ao papa um pequeno sinal de esperança, que os jovens africanos nos tinham confiado na recente etapa da nossa peregrinação de confiança no Ruanda. Esse sinal era um cesto chamado «agaseke» com sementes de sorgo.
Os jovens africanos deram-nos também estes pequenos cestos para cada país da Europa e também um para cada um dos outros continentes. Vamo-los distribuir nesta noite para saudar os povos presentes no nosso encontro. Que esta semente de esperança floresça por todo o mundo!
Nós, os irmãos, fomos a Kigali como simples testemunhas do desejo da população ruandesa de reconstruir o seu país, e mais ainda como testemunhas da aspiração dos jovens cristãos africanos de preparar o futuro do seu continente. Os participantes vieram não apenas do Ruanda, mas de toda a região dos Grandes Lagos, da África Oriental e até de mais longe.
O Ruanda atravessou um grande sofrimento. A memórias das feridas continua viva. Contudo, o país reergue-se. Admiramos os que levam consigo compaixão e cura, por exemplo ao tomarem conta dos órfãos como se fossem seus próprios filhos.
Do Ruanda, retemos sobretudo o apelo à reconciliação. Ali, a Igreja quer contribuir para uma reconciliação em profundidade; não uma coexistência imposta, mas uma reconciliação dos corações.
Este é um apelo a todos nós, onde quer que vivamos: como reconciliar o que parece incompatível? Não estamos condenados à resignação ou à passividade, porque Cristo veio reconciliar o que parecia para sempre oposto. Na cruz, ele abriu os braços para todos. É ele a nossa paz! A reconciliação começa quando olhamos juntos para ele.
Depois de Kigali, com dois dos meus irmãos, fomos a Goma, no Kivu do Norte, mesmo na altura em que as perturbações recentes faziam chegar dezenas de milhar de pessoas deslocadas, que conheciam imensas provações, e frequentemente uma pobreza extrema.
Em Goma, em circunstâncias excepcionais, encontrámos artesãos da paz e testemunhas do amor. Por causa da sua fé, permaneciam de pé no meio do caos, do medo e do abandono. Guardamos a imagem de uma Igreja que permanece um lugar de acolhimento, mesmo quando nenhuma outra estrutura funciona.
Continuo fortemente impressionado pela vitalidade dos jovens cristãos em África. Este dinamismo é um encorajamento do Evangelho a permanecermos firmes na esperança. Quando plantarem os grãos de sorgo nos vossos diferentes países, recordem-se da esperança dos jovens africanos e de como ela vos apoia!
Depois de Kigali e de Roma, como vai continuar a nossa peregrinação de confiança? Quais serão as próximas etapas do nosso caminho rumo ao encontro para uma nova solidariedade em 2015, em Taizé?
Se este ano nos tornou-se particularmente atentos aos jovens africanos, o próximo ano permitir-nos-á ficar à escuta dos jovens asiáticos. Alguns de nós farão, em Outubro-Novembro, uma peregrinação de paz e de reconciliação por vários países, pela Coreia e pela Índia, e iremos também exprimir a nossa solidariedade em lugares que aspiram principalmente à justiça e à liberdade.
Depois, teremos o próximo Encontro Europeu, de 28 de Dezembro de 2013 a 1 de Janeiro de 2014. Terá lugar mesmo na fronteira entre dois países, numa cidade que é um símbolo da reconciliação na Europa, símbolo de uma Europa aberta e solidária. O Encontro Europeu terá lugar na cidade de Estrasburgo.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.12.12 | Sem comentários
Cerca de 40 mil jovens estão em Roma para o Encontro Europeu promovido anualmente pela comunidade ecuménica de Taizé. Até ao dia dois de janeiro, os jovens vão refletir, rezar e partilhar a vida entre si e com as paróquias, famílias e comunidades religiosas da capital italiana. Inserido no Ano da Fé, este encontro convida os jovens a fazerem uma peregrinação aos túmulos dos apóstolos e às catacumbas. Além dos momentos de oração nas grandes basílicas romanas, haverá também um encontro com o Papa Bento XVI.

© Ateliers & Presses de Taizé, Communauté de Taizé, 71250 Taizé, France

O Caderno do Encontro apresenta várias propostas para «desobstruir as fontes da confiança em Deus»:
Primeira proposta — conversar em grupo sobre o nosso caminho na fé > > >
Segunda proposta — Procurar formas de encontrar Cristo > > >

Terceira proposta — Procurar formas de nos apoiarmos em Deus > > >



Quarta proposta — Abrir-nos sem medo ao futuro e aos outros


A convicção da fé não nos fecha em nós mesmos. A confiança em Cristo abre-nos à confiança no futuro e à confiança nos outros. Incita-nos a enfrentar com coragem os problemas da nossa vida e do nosso tempo.
A fé é como uma âncora que nos fixa ao futuro de Deus e em Cristo Ressuscitado, a quem nos liga de forma inseparável. O Evangelho não permite qualquer especulação acerca da vida depois da morte, mas comunica-nos a esperança de que veremos Cristo, que é já, agora, a nossa vida.

A fé leva-nos a deixar de ter medo do futuro ou medo do outro.

A confiança da fé não é ingénua. Ela está consciente do mal presente na humanidade, e mesmo no nosso próprio coração. Contudo, ela não esquece que Cristo veio para todos.

A confiança em Deus faz nascer em nós um novo olhar  sobre os outros, sobre o mundo e sobre o futuro; um olhar de reconhecimento e de esperança; um olhar atento à beleza.
 A confiança em Deus liberta a criatividade.

Por isso, podemos cantar  com São Gregório, do século IV: «Tu estás além de tudo; que espírito te poderá entender?  Todos os seres te celebram. O desejo de todos aspira por ti».


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.12.12 | Sem comentários
Cerca de 40 mil jovens estão em Roma para o Encontro Europeu promovido anualmente pela comunidade ecuménica de Taizé. Até ao dia dois de janeiro, os jovens vão refletir, rezar e partilhar a vida entre si e com as paróquias, famílias e comunidades religiosas da capital italiana. Inserido no Ano da Fé, este encontro convida os jovens a fazerem uma peregrinação aos túmulos dos apóstolos e às catacumbas. Além dos momentos de oração nas grandes basílicas romanas, haverá também um encontro com o Papa Bento XVI.

© Ateliers & Presses de Taizé, Communauté de Taizé, 71250 Taizé, France

O Caderno do Encontro apresenta várias propostas para «desobstruir as fontes da confiança em Deus»:
Primeira proposta — conversar em grupo sobre o nosso caminho na fé > > >
Segunda proposta — Procurar formas de encontrar Cristo > > >



Terceira proposta — Procurar formas de nos apoiarmos em Deus


Acreditar em Deus, confiar nele, significa apoiarmo-nos  nele. Ter fé não significa ser capaz  de  explicar  tudo  ou  ter  uma  vida  mais  fácil,  mas encontrar uma estabilidade e um ponto de partida.
Significa deixar de depender dos êxitos ou dos fracassos e, por isso, em última instância, de nós mesmos, mas de um Outro que nos ama.

Ninguém pode viver sem nada em que se apoiar. Neste sentido, todos acreditam nalguma  coisa. Jesus convida-nos a que nos apoiemos em Deus, tal como ele fez e porque ele o fez. Ele ensina-nos  a rezar «Pai Nosso que estais nos céus» .

A adoração em silêncio alimenta a reflexão e a inteligência. Mais ainda, coloca-nos perante e dentro do mistério de Deus.
Procurar momentos de «sabbat», momentos de pausa e de vazio, dar tempo para abrir a igreja mais próxima durante duas horas por semana, rezar com os outros, juntar-se à Igreja local todas as semanas para fazer memória da morte e ressurreição de Cristo… tudo isso deixa que Deus habite o nosso quotidiano.

Há em todo o ser humano uma vida interior. Entrelaçam-se  aí a luz e as sombras, as alegrias e os medos, a confiança e a dúvida. Nascem aí aberturas espantosas.
Quando nos sabemos amados ou quando amamos, quando vivemos laços de amizade, ou ainda quando a beleza da criação ou da criatividade humana nos tocam, surge a evidência de que a vida é bela. Por vezes, estes momentos surpreendem-nos. Por vezes, eles ocorrem mesmo num tempo de sofrimento, como uma luz que vem de outro lado.

Nessas ocasiões,  podemos ver com simplicidade  a presença do Espírito Santo nas nossas vidas.
No nosso tempo, em que muitos conhecem rupturas e mudanças inesperadas na sua existência, a relação com Cristo pode dar continuidade e sentido.

A fé não dissolve todas as nossas contradições interiores, mas o Espírito Santo dispõe-nos a viver na alegria e no amor.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.12.12 | Sem comentários
Cerca de 40 mil jovens estão em Roma para o Encontro Europeu promovido anualmente pela comunidade ecuménica de Taizé. Até ao dia dois de janeiro, os jovens vão refletir, rezar e partilhar a vida entre si e com as paróquias, famílias e comunidades religiosas da capital italiana. Inserido no Ano da Fé, este encontro convida os jovens a fazerem uma peregrinação aos túmulos dos apóstolos e às catacumbas. Além dos momentos de oração nas grandes basílicas romanas, haverá também um encontro com o Papa Bento XVI.

© Ateliers & Presses de Taizé, Communauté de Taizé, 71250 Taizé, France

O Caderno do Encontro apresenta várias propostas para «desobstruir as fontes da confiança em Deus»:
Primeira proposta — conversar em grupo sobre o nosso caminho na fé > > >


Segunda proposta — Procurar formas de encontrar Cristo

Jesus não ensinou uma teoria. Viveu uma vida humana semelhante à nossa, apenas com a diferença de que o amor de Deus brilhava nele sem qualquer sombra.
Contudo, j á durante a sua vida, muitos desconfiaram dele: «está fora de si» (Marcos 3, 21), «fez-se igual a Deus» ( João 5, 18).

Ninguém é obrigado a acreditar  nele. No entanto, acreditar  é mais do que um simples sentimento. É também um acto racional: é possível tomar uma opção reflectida pela fé em Cristo.
O que torna Jesus credível? O que faz que, desde há dois mil anos, haj a tanta gente a segui-lo? Não será a sua humildade? Ele não impôs nada a ninguém. Apenas foi ter com todos, para dizer que Deus está muito próximo deles.
Ele confiou nos homens e nas mulheres em quem a sociedade recusava confiar. Devolveu-lhes a sua dignidade. Aceitou ser ele próprio desprezado e excluído para não negar o amor de Deus pelos pobres e pelos excluídos.

Podemos encontrar Cristo quando  lemos a sua vida no Evangelho. Ainda hoje, ele pergunta-nos: « Quem sou eu para ti?» (Ver Mateus 16, 15). Ele disse que ele mesmo se entrega a nós na Eucaristia.
Podemos encontrá-lo  na comunhão  dos que acreditam  nele,  quando  as nossas Igrej as são comunidades  acolhedoras.
No próximo ano, vamos procurar possibilidades concretas que contribuam para a realização da comunhão visível de todos os que amam Cristo.

Encontramo-lo nos mais pobres: ele tinha  um amor particular por eles.
«O que fizerdes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fazeis» (Mateus 25, 40); gostaríamos de realizar estas palavras de Cristo tendo em vista o nosso encontro de 2015.

Podemos encontrá-lo quando olhamos para as suas testemunhas, para aqueles que se apoiam nele.
Sozinhos ou em grupo, procuremos conversar com pessoas cuj as vidas tenham sido mudadas pelo encontro com Cristo.
Ou procuremos ler em grupo a vida de uma testemunha da fé: Francisco de Assis, Josephine Bakhita, Dietrich Bonhoeffer, Madre Teresa, Oscar Romero, Alexander Men e tantos outros.

Foram muito diferentes uns dos outros, cada um com os seus dons únicos. Não se trata de querer copiá-los, mas de ver como a sua confiança em Cristo os transformou.
Tiveram os seus defeitos; mas todos eles falaram com Deus na oração, mesmo se alguns conheceram noites interiores. A amizade com Cristo tornou-os livres, e desta forma o que eles tinham de melhor pôde florescer.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.12.12 | Sem comentários
— Meditação de 28 de dezembro de 2012 — 
 © Ateliers & Presses de Taizé, Communauté de Taizé, 71250 Taizé, France

Viemos a Roma como peregrinos. Estamos todos a caminho, rumo a uma comunhão mais pessoal com Deus e a uma comunhão mais profunda uns com os outros.
Desde esta primeira noite, gostaríamos de agradecer a todos os que nos acolhem, nas paróquias, nas famílias e nas comunidades religiosas.
E aos que estão a dormir em alojamentos colectivos, gostaria de dizer: mesmo se não ficaram alojados numa família, encontrarão alegria por estarem juntos, por se ajudarem uns aos outros na simplicidade desta peregrinação.
Que queremos viver durante estes dias? Em Roma, descobriremos traços da continuidade da fé desde os apóstolos até aos nossos dias. E também, vindos de povos diferentes e de confissões cristãs diversas, aprofundaremos a nossa solidariedade, num momento da história em que dificuldades materiais nos empurram em sentido contrário, na direcção do medo e das reivindicações identitárias.
Através do nosso encontro, abriremos completamente as portas da confiança e da solidariedade.
É então essencial que cada um de nós viva estes dias como uma peregrinação interior, desobstruindo em si mesmo as fontes da confiança em Deus.
Desobstruir as fontes da confiança em Deus! É o objectivo que perseguiremos ao longo de todo o ano que começa. O papa Bento XVI, que nos acolherá amanhã à noite para uma oração comunitária na praça de São Pedro, lançou um ano da fé.
Para os cristãos de todas as confissões, é vital responder de uma nova maneira à pergunta: porquê crer em Deus? Num mundo em que a confiança em Deus é cada vez menos natural, uma resposta pessoal a esta pergunta dá uma orientação à nossa existência.
As «Propostas para 2013», que receberam quando chegaram, podem meter-nos em marcha. Precisamos uns dos outros para viver a confiança em Deus. Ninguém pode acreditar sozinho. Então, falemos juntos, entre amigos, nos nossos grupos, com os que encontrarmos. Interroguemo-nos: como é que a confiança em Deus nos apoia?
Abramos os nossos corações a esta mensagem inaudita: Deus, que ultrapassa tudo o que podemos imaginar, partilhou a nossa vida através de Jesus, e pelo Espírito Santo habita em cada um de nós. Para muitos, esta mensagem é difícil de compreender; e ninguém pode pretender compreendê-la inteiramente.
Contudo, quando arranjamos tempo para escutar esta mesnagem com atenção, alguma coisa dentro de nós se pode transformar. Tomamos consciência de que somos amados, de que a nossa existência não é um acaso, de que a nossa vida é um dom, de que nunca estamos sozinhos.
Ao mesmo tempos, as nossas relações com os outros mudam. Não precisamos mais de provar o valor da nossa existência, de erguer autodefesas. O outro deixa de ser uma ameaça. Mesmo a instabilidade da nossa existência deixa de nos provocar medo, mas leva-nos a acolher Deus.
Ninguém pode viver sem se apoiar em alguma coisa. Uns apoiam-se na esperança de um futuro melhor; outros no amor de alguém próximo; outros ainda na acumulação de riquezas ou na procura do êxito. Acreditar significa apoiar-se em Deus, ousar apoiar-se no seu amor.
Deus oferece-se como este apoio para cada um de nós. Então, eis-nos livres para nos abrirmos sem medo ao futuro e aos outros.
Refazemos mil vezes durante a nossa existência o caminho da inquietude para a confiança. É um combate interior. Trata-se de não nos deixarmos prender pelo medo, pela amargura, pela falta de esperança.
Este combate interior desperta energias criadoras em nós. Ele desperta o nosso coração e concede-nos que renunciemos ao que nos pode alienar; ele devolve-nos a nós próprios, não deixa que nos instalemos na mediocridade e, sobretudo, leva-nos a viver com intensidade.
Viver com intensidade. Deus não quer mais nada para cada um de nós. Jesus di-lo claramente no Evangelho: «Eu vim para que tenhais a vida, e a vida em abundância» .
Tudo começa pela confiança que Deus coloca em nós. Deixemos durante estes dias que a nossa vida se renove ao acolher o olhar de confiança que Deus deposita sobre cada um de nós.






Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.12.12 | Sem comentários
Cerca de 40 mil jovens estão em Roma para o Encontro Europeu promovido anualmente pela comunidade ecuménica de Taizé. Até ao dia dois de janeiro, os jovens vão refletir, rezar e partilhar a vida entre si e com as paróquias, famílias e comunidades religiosas da capital italiana. Inserido no Ano da Fé, este encontro convida os jovens a fazerem uma peregrinação aos túmulos dos apóstolos e às catacumbas. Além dos momentos de oração nas grandes basílicas romanas, haverá também um encontro com o Papa Bento XVI.

© Ateliers & Presses de Taizé, Communauté de Taizé, 71250 Taizé, France

O Caderno do Encontro apresenta várias propostas para «desobstruir as fontes da confiança em Deus»:

Primeira proposta — Procurar formas de encontrar Cristo

Qual é o sentido da nossa vida? Como nos devemos situar perante o sofrimento e a morte? O que dá alegria de viver?
São questões a que todas as gerações e todas as pessoas são chamadas a responder.

As respostas não podem estar contidas dentro de fórmulas já feitas.
«E se Deus existisse…?» A questão de Deus não desapareceu do horizonte; contudo, a forma de a colocar modificou-se profundamente.

A nossa época, na qual a individualidade se tornou central, tem este lado positivo: valoriza a pessoa humana, a sua liberdade e a sua autonomia.
Mesmo nas sociedades onde a religião está muito presente, a confiança em Deus é cada vez menos natural; ela precisa de uma decisão pessoal.

«Deus habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu nem pode ver.» (1 Timóteo 6,16) Estas palavras do apóstolo Paulo têm uma ressonância muito actual. Que consequências tiramos delas?
Procuremos reflectir em grupo, falemos uns com os outros, crentes, agnósticos ou ateus! A linha que separa a fé da dúvida atravessa tanto os crentes como os não crentes. 
Quando os que procuram Deus são menos afirmativos na expressão da sua fé, isso não significa que sejam menos crentes, mas sim que são muito sensíveis à transcendência de Deus. Recusam encerrar Deus em conceitos.

Se ninguém pode vê-lo, como puderam então os primeiros cristãos afirmar que, em Jesus, nós vemos Deus? «É ele a imagem do Deus invisível», escreve o mesmo apóstolo Paulo (Colossenses 1, 15).
Jesus é um com Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem separação nem mistura. Quantos combates se travaram ao longo da história para afinar o sentido destas expressões paradoxais do mistério de Deus! Elas não se substituem à nossa procura pessoal, mas balizam o nosso caminho.

Através de tudo o que é e faz, Jesus mostra que Deus é amor, revelando o coração de Deus. Deus não é uma força arbitrária, mas Aquele que nos ama.
Os primeiros cristãos testemunharam que Jesus se ergueu da morte e que está em Deus. E vem colocar a própria vida de Deus, como um tesouro, no coração dos que encontra. Esse tesouro é também uma presença pessoal: chama-se Espírito Santo; ele consola e dá ânimo.
Os nomes «Pai», «Filho» e «Espírito Santo» indicam que Deus é comunhão, relação, diálogo, amor… ao ponto de os três serem apenas um. A fé cristã contém um paradoxo tão grande que nunca nos poderemos tornar mestres da verdade.
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.12.12 | Sem comentários

«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo» — são as primeiras palavras que o mensageiro de Deus dirige a Maria. Esta expressão bíblica também se pode traduzir por: «Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo». «Alegra-te». É uma saudação de alegria, em ambiente de salvação. Maria é convidada a encher-se de alegria, porque Deus faz nela a sua morada.
O tempo de Advento é também para nós um convite à alegria. Mas parece que nos falta a alegria! Deixamo-nos contagiar pela tristeza de uma Igreja envelhecida! Jesus Cristo não continua a ser uma Boa Notícia? Não sentimos a alegria de ser seus discípulos? Quando falta a alegria, a fé perde frescura, a cordialidade desaparece, a amizade esfria-se, a vida perde sentido. Tudo se torna mais difícil. É urgente despertar em nós e nas nossas famílias a alegria de acreditar em Jesus Cristo!
«O Senhor está contigo». A alegria nasce da plena confiança em Deus. Não somos órfãos. Não estamos abandonados à nossa sorte. Deus não é nosso Pai? Não o invocamos todos os dias como Pai que nos acompanha e nos defende de todo o mal? São muitos os medos que nos paralisam. Temos medo do futuro, que parece cada vez mais incerto. Temos medo da nossa própria fraqueza e incapacidade para superar as dificuldades. Temos até medo de nos convertermos ao Evangelho. Esta falta de confiança em Deus faz-nos muito mal! Impede-nos de descobrir a esperança e a alegria da nossa fé.
Em Maria, encontramos uma mulher, um ser humano que foi capaz de manter sempre a confiança e a alegria em Deus. «Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação» — afirma o Papa no texto programático para este Ano da Fé. É isto que temos de imitar: confiar sempre em Deus, alegrarmo-nos pela sua presença na nossa vida. Hoje, também o mensageiro de Deus nos diz: Alegra-te, és cheio (ou cheia) de graça, Deus está contigo!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.12.12 | Sem comentários
— dinâmicas para a fé —

Jesus vem ao mundo para para dar Vida. Não uma vida qualquer, mas a verdadeira vida que nasce do encontro com Deus Pai e da certeza da assistência do Espírito Santo. Para continuar a sua missão Jesus escolheu os doze e a partir deles toda a Igreja continua empenhada em dar vida à imagem do seu fundador. Essa vida é-nos transmitida pela fé em Jesus Cristo e em tudo o que Ele nos revelou: «Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo» (DCE, 1). 
A Igreja, através dos «Símbolos da fé», dá-nos as verdades em que acreditar. Verdades essas que tem a sua fonte e o seu cume no Deus-trindade.
É por isso que este ano proponho uma série de encontros partindo do Símbolo dos Apóstolos, aquele que se acredita ser a mais antiga profissão de fé da Igreja. As verdades nele enunciadas são vida para cada um de nós pois ensinam-nos não só o que devemos acreditar mas sobretudo o que devemos amar para poder responder ao amor infinito de Deus.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.11.12 | Sem comentários
— leitura partilhada —

— A fé é uma convicção, 
diz o padre Vasco Pinto Magalhães,
no livro «Nem quero crer» (ed. Tenacitas, página 25),
de que é co-autor com Henrique Manuel Pereira:

«A fé é uma realidade existencial. A fé é uma convicção, a convicção profunda de me poder abandonar numa experiência de amizade, numa confiança: viver confiado em Alguém».




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.11.12 | Sem comentários
— leitura partilhada — 

— A fé permite confiar que a bondade de Deus nos protege, 
escreve Anselm Grün, no livro «A Fé», ed. Paulus: 
«Crer é confiar. Confiar em Deus não significa porém, confiar ingenuamente que nenhum azar me pode suceder, que nunca irei sofrer nenhum acidente ou que no emprego nada correrá mal. A confiança em Deus não é leviana nem ingénua. Confiança para mim quer dizer: à minha essência não pode suceder nada de negativo. No mais profundo de mim, estou nas mãos de Deus, e aí estou protegido pela sua bondade. Uma tal confiança dá-me serenidade. Faz bem à alma. É este tipo de confiança que devo adotar sempre».



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.10.12 | Sem comentários
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