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PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO


João Batista dá testemunho de Jesus: o importante é Jesus, o Filho de Deus. Não teme perder «clientes» em favor de Jesus. João não se prega a si mesmo, com aparências de piedade.
O primordial é a vontade de Deus, mesmo que se esqueçam de mim. Custa-nos entender isto: gostamos de ser reconhecidos, da «palmadinha nas costas», que falem bem de nós... Quando não o fazem ficamos doridos e caímos na crítica fácil. No fundo, estamos mais interessados em nós do que em fazer desinteressadamente o bem ou evangelizar sem recompensa imediata. A atitude do Batista é bem diferente.
Jesus é quem traz a libertação definitiva, também dos nossos egoísmos e egocentrismos. Ele é a resposta definitiva à busca de sentido do ser humano. Somos desafiados a dar testemunho desta realidade e a proclamá-la explicitamente (salmo responsorial): «Proclamei a justiça na grande assembleia, não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis».
O mal do mundo é derrotado pela ação libertadora de Jesus — isto é o que proclama João Batista. Esta tem de ser a nossa convicção, o nosso anúncio, o testemunho da nossa vida.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Rezar o domingo a partir da evangelho: João 1, 29-34 > > >



Preparar o domingo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.1.14 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO SEGUNDO

19 DE JANEIRO DE 2014


Evangelho segundo João 1, 29-34

Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água». João deu mais este testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou a batizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».



Segunda, 13: JOÃO E JESUS

Poderemos meditar nesta passagem sem a situar no contexto do início do evangelho segundo João? Se tenho tempo, leio a parte do primeiro capítulo (João 1, 1-34) que se refere a Jesus e a João Batista. No texto que nos é proposto, assistimos a um encontro entre os dois, João admite que não conhecia Jesus. Não é seu primo? Sem dúvida, mas tem de o conhecer de outra maneira, com o coração; é também assim que nós temos de conhecer Jesus. Para me deixar guiar nesta descoberta, posso rezar com as palavras usadas pelo evangelista: Senhor, tu és o Verbo, a vida, a luz, o Cordeiro de Deus... ensina-me a conhecer-te com o coração.



Terça, 14: JOÃO, O PROFETA

Diz-se que João Batista é o último dos profetas. O profeta é aquele que «vê» antes dos outros (verbo utilizado 4 vezes) e compreende o sentido das coisas. O que vê João Batista? Vê Jesus que vem ao seu encontro, vê o Espírito descer e permanecer sobre Jesus enquanto o batiza. Inspirado pelo Espírito, compreende que Jesus vem de Deus. Pelo Batismo, cada cristão recebe o Espírito Santo e torna-se, à sua maneira, um profeta. Ensina-me, Senhor, a «ver» os sinais da tua presença em mim e à minha volta.



Quarta, 15: JESUS, O CORDEIRO DE DEUS

«Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo». À custa de tanto a escutar na liturgia, esta frase já não nos interpela. Mas será que percebemos verdadeiramente o peso destas palavras? Jesus é o homem das dores que transportou os nossos sofrimentos, a ovelha muda de que fala o profeta Isaías (53, 3-7) e o cordeiro pascal (Êxodo 12, 1-28). Iluminado pelo Espírito, João entrevê que Jesus é aquele de quem fala a Escritura. Ao pronunciar estas palavras na Eucaristia, pedirei ao Senhor a graça de penetrar melhor no mistério do Cordeiro que carrega o mal para nos resgatar.



Quinta, 16: JOÃO, O ENVIADO

Unimo-nos à forma como João Batista descobriu quem era Jesus. Com efeito, ele próprio faz-nos participantes ao dizer: «Quem me enviou a batizar na água é que me disse»... João sente-se enviado por Deus e escuta a sua palavra. Existe uma ligação profunda entre a escuta de Deus e o conhecimento interior que ele tem sobre Jesus. Não será também assim connosco, batizados? Senhor, tu envias-me a anunciar a boa nova; ensina-me a colocar-me sempre mais à escuta da tua Palavra.



Sexta, 17: JOÃO, O TESTEMUNHA

Se João Batista é um enviado, é também um testemunha. Isto está dito ao longo de todo o primeiro capítulo do evangelho segundo João. Ele veio para dar testemunho de um outro. E sabemos aonde é que esse testemunho o vai conduzir, pois morrerá mártir — que é a tradução grega da palavra «testemunha». Jesus também nos pede para sermos testemunhas, nas nossas relações familiares, de vizinhança, de amizade. e isso leva-nos, às vezes, a assumir riscos. Senhor, dá-me o teu Espírito de fortaleza para que eu seja uma testemunha corajosa.



Sábado, 18: JESUS, O FILHO DE DEUS

Ao ver Jesus e ao deixar-se iluminar pelo Espírito, João Batista penetra no mistério de Deus. Ousa dizer de Jesus: «Ele é o Filho de Deus». A sua profunda convicção é ditada pela proximidade com Aquele que o enviou a batizar. Fixo-me em mim e pergunto-me sobre quem é Jesus para mim e quais são as palavras que uso para falar dele aos outros. Espírito de Jesus, dá-me as palavras que toquem os corações deste nosso tempo.



Domingo, 19: ENVIADO EM MISSÃO

Hoje, é domingo! É o dia em que somos convidados para a mesa do Senhor, a fim de partilhar a sua Palavra e o seu Pão. Não é um lugar privilegiado para aprofundar, em Igreja, o nosso conhecimento de Jesus e a nossa intimidade com ele? Tal como João Batista, estamos situados entre Jesus que aprendemos a conhecer e os nossos irmãos aos quais somos enviados. Na primeira leitura deste dia (Isaias 49, 5-6) é-nos oferecida uma palavra luminosa para este envio missionário: «Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra». Deixemo-la ecoar dentro de nós e não hesitemos em «mastigá-la» ao longo do dia para a saborear e para nos deixarmos alimentar por ela.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014

Rezar o domingo segundo (Ano A), Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


Estou encantada com a tua presença! 
Não sei o que é que tu tens, mas pões-me o coração noutra onda. O que eu reconheço, pequeno sedutor, é essa tua capacidade para ir agarrando cada dia, completando o tempo que guia até ao Natal.
O que é que tu tens, formoso Advento?
Não sei se é Isaías, esse enamorado que grita esperança, esse louco que percorre vales e colinas, coxo e cego, rodeado de animais que convivem em paz, rodeado de cores e de sensações; poeta do futuro que vai dando beleza ao que vê, que enche de Presença, inclusive – ou sobretudo – o mais doloroso.
Isaías ensina-me a viver-te, jovem Advento. Ensina-me a gritar esperança no sofrimento, a confiar em tempos melhores, a provocá-los. Este homem tão sensível diz-me que hei de ser eu a dar cor à minha volta; e que Deus é um tronco fumegante que me abrasa a vida. Isaías ensina-me a viver enamorada, gerando paz.
Talvez seja João, o Batista, o do dedo que indica caminho novo e o Novo. Sim, João, o parente austero, metódico e que se entregue, que pergunta sem rodeios («És tu O que há de vir ou temos de esperar outro?»), o impaciente. João, o crente, enamorado pelo mistério sanador e salvador da Água, o que, grão a grão, constrói um deserto a partir de onde grita verdades.
João também é um bom mestre, porque me recorda que se pode viver com muito pouco, que a qualidade de vida é dada pela relação com Deus e não pelas peles que me cobrem (mesmo que sejam de camelo). João anima-me simplesmente a viver e a gritar sempre, sempre, sempre, que o Reino de Deus está próximo, tão próximo, que o temos agarradinho à alma.
Não sei, querido Advento, não sei o que é que tu tens que me pareces a coisa mais bela que foi criada, tão tranquilo, tão sussurrante, como um discreto manancial que, em silêncio, vai salpicando de verdura tudo à sua volta.
Será Maria? Sim, talvez seja ela. A mulher bendita e abençoada de Nazaré, a do anúncio insuspeito que se converterá em suspeito, a do «sim, quero». Maria é uma mulher MUITO interessante, Advento querido: com destino a Belém, preocupada com um Menino no Templo de Jerusalém e desolada depois por um Homem na mesma cidade; Maria e o seu «mindfulness» nas bodas de Caná, ou o seu sentido comunitário com os discípulos... recebendo, de novo, a «Ruah» Santa. Maria, filha de Sião.
Diante de Maria, mestra, inclino-me admirada, porque ela, que pronunciou poucas palavras (embora tenha cantado verdades sem tremor na voz), em contrapartida gerou a Palavra; e fê-lo conscientemente, interpelando o anjo, duvidando e suspeitando, até que o coração deu uns toquezinhos de inteligência à mente e ambos se puseram de acordo no sim. Maria ensina-me a ser generosa e a entregar-me totalmente até ao cansaço, atravessando incompreensões e murmurações. Maria diz-me que, agora já que estás aqui, Advento, o meu coração há de ser grande para poder guardar nele todas as coisas em silêncio.
Não faço ideia, Advento, não sei porque é que gosto tanto de ti, se é porque me convidas a sonhar ou porque me desafias a viver desperta.
Enfim, não perco mais tempo, gosto da tua humilde presença, da tua maior ou menor duração de acordo com o que é necessário até ao Natal, de seres anúncio de algo bom,  de ti... de tudo em ti.
E contigo... o melhor está para chegar, querido Advento.
Continuamos juntos. Obrigado por teres vindo.
Um grande abraço.

© Comunidad de Monjas Trinitarias | Eclesalia
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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Laboratório da fé celebrada, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.13 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira da quarta semana —



— Evangelho segundo Marcos 6, 14-29

Naquele tempo, o rei Herodes ouviu falar de Jesus, pois a sua fama chegara a toda a parte e dizia-se: «João Baptista ressuscitou dos mortos; por isso ele tem o poder de fazer milagres». Outros diziam: «É Elias». Outros diziam ainda: «É um profeta como os antigos profetas». Mas Herodes, ao ouvir falar de tudo isto, dizia: «João, a quem mandei cortar a cabeça, ressuscitou». De facto, Herodes mandara prender João e algemá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, a esposa de seu irmão Filipe, que ele tinha tomado por mulher. João dizia a Herodes: «Não podes ter contigo a mulher do teu irmão». Herodíades odiava João Baptista e queria dar-lhe a morte, mas não podia, porque Herodes respeitava João, sabendo que era justo e santo, e por isso o protegia. Quando o ouvia, ficava perturbado, mas escutava-o com prazer. Entretanto, chegou um dia oportuno, quando Herodes, no seu aniversário natalício, ofereceu um banquete aos grandes da corte, aos oficiais e às principais personalidades da Galileia. Entrou então a filha de Herodíades, que dançou e agradou a Herodes e aos convidados. O rei disse à jovem: «Pede-me o que desejares e eu to darei». E fez este juramento: «Dar-te-ei o que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino». Ela saiu e perguntou à mãe: «Que hei-de pedir?». A mãe respondeu-lhe: «Pede a cabeça de João Baptista». Ela voltou apressadamente à presença do rei e fez-lhe este pedido: «Quero que me dês sem demora, num prato, a cabeça de João Baptista». O rei ficou consternado, mas por causa do juramento e dos convidados, não quis recusar o pedido. E mandou imediatamente um guarda, com ordem de trazer a cabeça de João. O guarda foi à cadeia, cortou a cabeça de João e trouxe-a num prato. A jovem recebeu-a e entregou-a à mãe. Quando os discípulos de João souberam a notícia, foram buscar o seu cadáver e deram-lhe sepultura.

— Herodes ouviu falar de Jesus

O verdadeiro profeta não abdica da sua liberdade. Esta é a diferença entre o profeta e o oportunista. O profeta não se cala, mesmo que a sua denúncia seja incómoda; e não teme o risco de ser desprezado e aniquilado. O oportunista apenas diz o que convém, o que os outros querem ouvir. Cala-se de acordo com os seus interesses, para facilitar a sua vida, mesmo que seja à custa de injustiças.
Herodes era um tirano. Tinha de ter tudo controlado. Por isso, depois de ter sido incomodado pelas denúncias de João Batista, sente-se agora de novo perturbado pela presença de Jesus. «Herodes ouviu falar de Jesus». A fama de Jesus torna-se um perigo para o despotismo de Herodes (e para todos os poderosos).
Marcos descreve o cruel assassinato de João Batista após o mandato missionário confiado aos apóstolos (cf. Marcos 6, 7-13). Parece querer dizer que quem anuncia a verdade corre o risco da condenação e até da morte cruel. O que podemos esperar se seguimos Jesus? Muita incompreensão e até perseguição por parte daqueles que se sentem ameaçados pela verdade.
A eficácia do poder é imediata. A eficácia da profecia é lenta. Mas só esta é capaz de mover a história, como o comprovam os inúmeros «profetas» ao longo dos tempos. Enquanto o poder despótico é recordado com desprezo, a dor e o fracasso dos profetas é capaz de entusiasmar outros para a renovação da história. Este é o (único) caminho cristão: anunciar a verdade, denunciar as injustiças.

© Laboratório da fé, 2013

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.2.13 | Sem comentários
— palavra para segunda-feira da segunda semana —



— Evangelho segundo Marcos 2, 18-22

Naquele tempo, os discípulos de João e os fariseus guardavam o jejum. Vieram perguntar a Jesus: «Por que motivo jejuam os discípulos de João e os fariseus e os teus discípulos não jejuam?». Respondeu-lhes Jesus: «Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles? Enquanto têm o noivo consigo, não podem jejuar. Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão. Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo novo arranca parte do velho e o rasgão fica maior. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho acaba por romper os odres e perdem-se o vinho e os odres. Para vinho novo, odres novos».

— Para vinho novo, odres novos

João (Batista) e Jesus não seguem exatamente o mesmo caminho. Os discípulos de João e os discípulos de Jesus não partilham totalmente a mesma metodologia de vida. Este confronto é uma das situações vividas pelos primeiros cristãos. Por isso, os evangelhos insistem, como neste caso, em destacar a ligação e a separação entre João e Jesus. Há uma novidade trazida por Jesus Cristo!
João Batista dava muito importância à privação, à austeridade, para atingir a conversão, a mudança de vida. Jesus prefere a comunhão, a partilha da vida, para atingir a alegria e a felicidade (que é também uma mudança de vida para aqueles que vivem tristes e desanimados). João prefere o jejum. Jesus prefere o banquete. A mortificação, o sacríficio, são propostas de João Batista. Viver assim é preferir o vinho (velho) colocado em odres velhos.
«Para vinho novo, odres novos». Esta é a proposta de Jesus Cristo. Ele oferece uma ótima bebida, um vinho novo, que precisa de «odres novos», isto é, vidas alegres e felizes, capazes de seguir os seus passos. A alegria apega-se! Quem se sente feliz contagia os outros com o seu estilo de vida. 
Então não é útil e necessário o sacrifício e a privação? É sim, claro que sim. Mas é mais fácil deixar de comer um pedaço de carne do que cozinhá-lo e convidar para se sentarem à mesa comigo aqueles com quem não simpatizo ou me causam repugnância! Não é?

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.1.13 | Sem comentários
No Natal, contemplámos o mistério do Filho de Deus que nasce «abandonado», recusado. E assim se anuncia o seu futuro e a sua missão. Neste tempo após o Natal, celebramos o batismo de Jesus, onde se manifesta esta realidade: Jesus aparece como um entre o povo; mistura-se com a multidão que segue o Batista, aquele asceta do deserto que traz uma voz que ressoa com força e proclama uma esperança para uma religião elitista e caduca, que põe a letra da Lei acima do ser humano. É uma voz que entusiasma, porque é a voz de um verdadeiro profeta. Um profeta que convida à esperança: vem o Messias e começa um tempo novo. Mas também convida à conversão: é preciso mudar, abandonar o legalismo, desinstalar-se, deitar fora o supérfluo, para viver a Boa Nova do Reino que se aproxima.
Jesus escutava João entre o povo simples: pecadores, pobres e doentes, homens e mulheres cansados, com esperança, mas carregados com o peso da vida, que saíam renovados pelas palavras do Batista. Jesus como todos eles também se quis batizar; não precisava, mas faz o mesmo que todos para carregar os pecados, os problemas, os cansaços daquela gente; quer partilhar os seus medos e esperanças, dores, alegrias e sonhos. Quer libertar as pessoas de tantos jugos com que tinham sido carregadas pelos responsáveis políticos e religiosos do seu tempo. Jesus entra então no Jordão para ser batizado por João; mas em Jesus entra a humanidade inteira, uma humanidade ferida e pecadora; e também uma humanidade crente e cheia de esperança pelo Reino que é inaugurado por Jesus de Nazaré. Ao sair da água, a voz do Pai manifesta que Jesus é o Filho amado, o Filho sobre o qual desce o Espírito para levar por diante a missão de Servo humilde, a missão que já tinha assumido aquando da Encarnação.

© Equipo «Eucaristía», Verbo Divino
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.13 | Sem comentários
— palavra para domingo, batismo de jesus —


— Evangelho segundo Lucas 3, 15-16.21-22

Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias. João tomou a palavra e disse-lhes: «Eu batizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

— Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo

A liturgia de hoje dá um salto no tempo — da infância para a idade adulta — e apresenta-nos o Batismo de Jesus. É um acontecimento que leva à plenitude a «epifania», a manifestação de Deus a todos os povos através de Jesus Cristo: «Do céu fez-se ouvir uma voz: ‘tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência». 
A festa do Batismo de Jesus é de origem recente. Concretamente, foi instituída em mil novecentos e sessenta, com uma data fixa: treze de janeiro. O sentido era mostrar que a manifestação de Jesus ao mundo ficava mais completa com a anúncio vindo do céu no dia do batismo. Ao mesmo tempo, oferecia aos batizados uma boa ocasião para refletir sobre a sua condição, já que é no Sacramento do Batismo que se inicia a nossa biografia cristã, o caminho da nossa fé. A reforma mais recente do calendário litúrgico colocou a festa do Batismo de Jesus no domingo depois do dia seis de janeiro (em alguns anos, por causa das datas tardias dos primeiros domingos do ano, celebra-se na segunda-feira depois da Epifania). 
O relato de Lucas não dá nenhuma importância ao facto concreto do batismo; apenas o refere: «Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado». O centro deste relato não é o acontecimento. Podemos situar o centro do relato em duas perspetivas: uma em relação aos sinais que estão associados ao batismo de Jesus; outra em relação ao anúncio profético de João Batista. 
Os sinais são o céu aberto, a descida do Espírito, a voz do Pai. De acordo com a tradição bíblica, todos estes sinais estão relacionados com o Messias. Segundo essa mentalidade, Deus está no céu e tem de vir, tem de descer. Quando o céu se abre é sinal da vinda de Deus, é sinal da proximidade de Deus em relação ao ser humano. Ora, esta vinda de Deus tem de ser descrita de uma forma visível para poder ser entendida. Por isso, o evangelista faz uma descrição visual de um acontecimento que é muito mais íntimo do que externo (visível). O importante não é o que aconteceu fora, mas o que Jesus viveu interiormente com esse acontecimento. O que nos tem de interessar é a descoberta da relação de Deus com o ser humano; e a resposta que Jesus deu quando tomou consciência da relação com Deus. O batismo marca uma viragem decisiva na vida de Jesus. O importante para nós é procurar descobrir o que se passou no interior de Jesus; e ver até que ponto também nós nos podemos aproximar dessa mesma experiência vital. 
A outra perspetiva que nos é apresentada pelo evangelista concentra a nossa atenção nas palavras de João Batista: «Eu batizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu [...]. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Agora, o mais importante já não é a água, mas o Espírito Santo e o fogo. O Espírito Santo remete para a dimensão interior, a transformação interior profunda; o fogo para a dimensão exterior, o compromisso de ação. Por isso, hoje é uma boa ocasião para refletir sobre a nossa condição de batizadas e batizados. Podemos agradecer a Deus o dom e a graça da fé (interior) e o renovarmos o compromisso batismal (exterior).
Estás consciente do compromisso do Batismo: viver como filho de Deus? O Sacramento do Batismo não é apenas um ato de piedade realizado pelos pais e padrinhos. É o início de uma vida nova. Por isso, a fé não é a posse tranquila de um dom. Ela precisa de crescer e de amadurecer. O Papa insiste na importância de «redescobrir o caminho da fé». Precisamos de voltar às raízes da nossa fé. Colocar-nos em contato com o Evangelho, a Boa Nova anunciada por Jesus Cristo. Como fazemos em cada Eucaristia, alimentarmo-nos da Palavra da Salvação e do Pão da Vida. 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.13 | Sem comentários
— palavra para sábado depois da epifania —

— Evangelho segundo João 3, 22-30

Naquele tempo, foi Jesus com os seus discípulos para o território da Judeia, onde Se demorou com eles, e começou a batizar. João batizava em Enon, perto de Salim, porque ali a água era abundante e aparecia muita gente para se batizar. João ainda não tinha sido encarcerado. Surgiu uma discussão entre os discípulos de João e um judeu a respeito da purificação. Foram ter com João e disseram-lhe: «Mestre, Aquele que estava contigo na outra margem do Jordão e de quem deste testemunho anda a batizar e todos vão ter com Ele». João respondeu: «Ninguém pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do Céu. Vós próprios sois testemunhas de que eu disse: ‘Não sou o Messias, mas aquele que foi enviado à sua frente’. Quem tem a esposa é o esposo; e o amigo do esposo, que o acompanha e escuta, sente muita alegria ao ouvir a sua voz. Essa é a minha alegria, que agora é completa: Ele deve crescer e eu diminuir». 

— Todos vão ter com Ele 

O evangelho segundo João refere os primeiros discípulos de Jesus como provenientes do grupo de João Batista. Até incluiu o próprio Jesus. A proposta essencial de João Batista consiste num arrependimento expresso através do batismo. Jesus e os seus discípulos começam por fazer exatamente o mesmo: batizar. 
A prática de rituais sempre foi motivo de rivalidades com consequências tão graves que podem levar à divisão. A história da Igreja comprava-o. Por causa das diferenças de rituais, as religiões provocaram invejas, ódios, guerras e até mortes. Por isso, o relato diz que os seguidores de João Batista ficam incomodados com a ação de Jesus: «todos vão ter com Ele».
João Batista não se deixa influenciar pela inveja. Esta é uma atitude própria de quem procura tirar proveito das ações, em vez de procurar o bem dos outros. João Batista permanece firme na sua missão: «Não sou o Messias, mas aquele que foi enviado à sua frente». O exemplo de João Batista ajuda-me a não criar invejas nem rivalidades com os outros, mas a promover sempre o bem.
Com a sua atitude, João permite também que Jesus desenvolva a sua missão: libertar e salvar todas as pessoas. A sua maneira de estar com as pessoas faz com que «todos vão ter com Ele». E eu: afasto ou atraio os outros?

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.1.13 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira, quatro de janeiro —

— Evangelho segundo João 1, 35-42

Naquele tempo, estava João Batista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi – que quer dizer ‘Mestre’ – onde moras?» Disse-lhes Jesus: «Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» – que quer dizer ‘Cristo’ – ; e levou-o a Jesus. Fitando nele os olhos, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’. 

— Era por volta das quatro horas da tarde

O quarto evangelho descreve o chamamento dos primeiros discípulos, na Judeia, no contexto da pregação de João Batista. Os outros três evangelhos referem o primeiro chamamento, na Galileia. Há contradição entre eles? Houve dois chamamentos? Bem sabemos que, na maioria dos textos evangélicos, o mais importante não é o contexto histórico, mas o ensinamento que o autor nos quer transmitir através do relato.
O evangelista João, através de um pormenor, revela-nos a importância daquele chamamento. «Era por volta das quatro horas da tarde» quando aconteceu o encontro com Jesus Cristo. Foi de tal modo marcante para a vida daqueles homens que nunca mais se esqueceram da hora! 
Neste relato destacam-se o verbo «seguir» e «ficar». Na verdade, o discipulado é um seguimento, um ficar com Jesus Cristo. A vida muda. Deixam tudo para seguir Jesus, para ficar com Jesus. O discípulo é aquele que aprende a viver com e como o Mestre. Não basta saber muitas coisas sobre Jesus! Se queres ser discípulo, se queres ser cristão, tens de deixar tudo para seguir Jesus, para ficar com Jesus, para viver com Jesus e para viver como Jesus.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.1.13 | comentários
— palavra para quinta-feira, três de janeiro —

— Evangelho segundo João 1, 29-34

No dia seguinte ao seu primeiro testemunho, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água». João deu este testemunho, dizendo: «Eu vi o Espírito Santo descer do céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou a baptizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo’. Ora eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus». 

—Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus

João Batista apresenta-se como testemunha da filiação divina de Jesus Cristo. Nas suas palavras, João Batista insiste na necessidade de «tirar» o pecado da vida das pessoas, a necessidade da conversão. Por isso, aponta para Jesus como Aquele que vem para «tirar» o pecado do mundo. 
João Batista foi um homem profundamente crente, como o demonstram as passagens evangélicas. A sua principal preocupação era que cada pessoa tivesse a melhor relação possível com Deus. Por isso, refere com insistência a importância da conversão, do arrependimento para o perdão dos pecados.
O Espírito Santo é o sinal identificador de Jesus Cristo e da sua missão. Hoje, vivemos no tempo do Espírito Santo. Somos habitados pelo Espírito Santo. Ele permanece em nós para nos tornar filhos de Deus. Mas é necessário que se «veja» na nossa maneira de viver, é preciso que a nossa vida dê testemunho de que somos filhos de Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, incarna, torna-se ser humano, para que os humanos se tornem filhos de Deus!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.1.13 | Sem comentários
— palavra para quarta-feira, dois de janeiro —

— Evangelho segundo João 1, 19-28

Foi este o testemunho de João Baptista, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: «Quem és tu?» Ele confessou e não negou: «Eu não sou o Messias». Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?» «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?» Ele respondeu: «Não». Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» Ele declarou: «Eu sou a voz que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?». João respondeu-lhes: «Eu baptizo na água; mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava a baptizar. 

— Aquele que vem depois de mim

A grande preocupação dos responsáveis judaicos é saber que título possui João para promover aquelas ações e proferir tais palavras. Não lhes importa saber se João diz verdades ou mentiras. Nem sequer se as suas ações ajudam as pessoas a aproximarem-se de Deus. O poder preocupa-se sempre com os títulos, com os cargos. A importância de uma pessoa consiste em «ganhar» lugar entre os famosos e não em defender a verdade e a justiça!
João não se preocupa com títulos. Ele sabe que é «dom de Deus» cuja missão consiste em ajudar a preparar a vinda do Salvador. Ele não é importante. Importante é «Aquele que vem depois de mim» — afirma-o com toda a clareza e autenticidade. 
O poder (ou o desejo de o alcançar) são o principal obstáculo para a anunciar a presença de Deus na nossa vida. Não faltam pretendentes a «Messias», «Elias», «Profetas»... mas poucos são os que aceitam ser «a voz que clama no deserto». Neste Ano Novo e Ano da Fé estás disposto a ser «dom de Deus» para ajudar os outros a descobrir a presença de Deus na vida e a confiar em Deus?
 
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.13 | Sem comentários
— palavra para quarta-feira da terceira semana de advento — 19 de dezembro —

— Evangelho segundo Lucas 1, 5-25

Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. Eram ambos justos aos olhos de Deus e cumpriam irrepreensivelmente todos os mandamentos e leis do Senhor. Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois eram de idade avançada. Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe, coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso. Toda a assembleia do povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração. Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. Mas o Anjo disse lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. Será para ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento, porque será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida alcoólica; será cheio do Espírito Santo desde o seio materno e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo para o Senhor». Zacarias disse ao Anjo: «Como hei-de saber que é assim, se eu estou velho e a minha esposa de idade avançada?». O Anjo respondeu-lhe: «Eu sou Gabriel, que assisto na presença de Deus e fui enviado para te anunciar esta boa nova. Mas tu vais guardar silêncio, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto aconteça, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão a seu tempo. Entretanto, o povo esperava por Zacarias e admirava-se por ele se demorar no Santuário. Quando ele saiu, não lhes podia falar e então compreenderam que tinha tido uma visão no Santuário. Ele fazia-lhes sinais e continuava mudo. Ao terminarem os seus dias de serviço, Zacarias voltou para casa. Algum tempo depois, Isabel, sua esposa, concebeu e permaneceu oculta durante cinco meses, dizendo: «Assim procedeu o Senhor para comigo nos dias em que Se dignou livrar-me desta desonra diante dos homens».

 — Muitos se hão de alegrar com o seu nascimento

O início do evangelho segundo Lucas (depois do prólogo) faz referência ao anúncio do nascimento de duas crianças: João Batista e Jesus. Os dois anúncios são comunicados por um «anjo», um mensageiro de Deus. Através destes relatos, o evangelista pretende transmitir que Deus oferece a salvação a todos os povos; e ficamos a saber quem é o portador dessa salvação universal. 
Uma surpresa! Dentro do Templo, um sacerdote cumpre a sua tarefa quando recebe uma mensagem extraordinária: será pai de um menino que «reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor». A existência deste personagem, João Batista, será motivo de alegria para muitos dos que vão contactar com ele e com os seus ensinamentos. «Muitos se hão de alegrar com o seu nascimento». 
O evangelista repete o tema da alegria. Aliás, é uma das características destes primeiros capítulos do evangelho segundo Lucas. Em cada episódio relatado, o tema da alegria está sempre presente. Aqui, concentra-se na figura de João Batista. A conversão e a alegria não estão associadas ao «sacerdote», mas ao nascimento do «profeta». Na verdade, o projeto de Deus que atinge a plenitude em Jesus Cristo não é cultual nem sagrado, mas profético e humano. Só assim perceberemos o motivo de tão grande alegria, ontem como hoje!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.12.12 | Sem comentários
— palavra para domingo da terceira semana de advento —

— Evangelho segundo Lucas 3, 10-18

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Batista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

— Que devemos fazer?

João Batista prega a generosidade e o desprendimento. Em certo sentido, as suas propostas não passam de um moralismo ocasional. Uma prática muito repetida ao longo da história da Igreja: dar o que sobra, não exigir mais do que o devido, não se aproveitar dos mais frágeis... 
«Que devemos fazer?» — perguntam a João Batista. Ele responde com a necessidade de mudar a maneira de pensar e de agir. Pede aos que o escutam uma determinada conduta moral para escapar ao castigo iminente. Jesus propõe-nos uma motivação mais profunda. O objetivo não é escapar à ira de Deus, mas imitá-lo na atitude de entrega aos outros.
Jesus vai mais longe! A «Boa Nova» de Jesus Cristo é muito mais do que evitar o pecado e praticar as virtudes em determinados momentos. O Evangelho de Jesus Cristo propõe uma atitude de vida, uma maneira de viver que marca toda a existência. Não se trata de fazer o bem agora ou depois. Trata-se de viver mergulhado no bem, proporcionar um ambiente onde se respira sempre o estilo de vida proposto por Jesus Cristo.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.12.12 | Sem comentários
— palavra para sábado da segunda semana de advento —

— Evangelho segundo Mateus 17, 10-13

Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: «Porque dizem os escribas que Elias tem de vir primeiro?» Jesus respondeu-lhes: «Certamente Elias há de vir para restaurar todas as coisas. Eu vos digo, porém, que Elias já veio; mas, em vez de o reconhecerem, fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem será maltratado por eles». Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Baptista.

— Mas Eu digo-vos que Elias já veio e não o reconheceram

Existia, entre os judeus, uma crença popular que sugeria a segunda vinda do profeta Elias (cf. Malaquias 3, 23). Seria uma espécie de precursor. Como Elias ainda não veio, Jesus não pode ser o Messias! Ora, foi essa a missão de João Batista. Por isso, Jesus afirma que «Elias já veio». Como sabemos, este «Elias» (João Batista) foi preso e degolado, teve um fim trágico.
O desenlace final de João Batista aponta para o desenlace final de Jesus Cristo. Ambos vão percorrer o mesmo caminho (prisão e morte), tal como diz o texto: «Assim também o Filho do homem será maltratado». João e Jesus enfrentam os mesmos adversários (poder).
O poder convive mal com a liberdade, com os homens livres que promovem a uma vida autêntica, sem opressão nem qualquer tipo de domínio. A bondade e a misericórdia são o único caminho proposto por Jesus Cristo, mesmo quando se vislumbra a perseguição e a morte!


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.12.12 | Sem comentários
— palavra para quinta-feira da segunda semana de advento —


— Evangelho segundo Mateus 11, 11-15

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista. Mas o mais pequeno no reino dos Céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos Céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele. Porque todos os profetas e a Lei profetizaram até João. É ele, se quiserdes compreender, o Elias que estava para vir. Quem tem ouvidos oiça». 

— Quem tem ouvidos, oiça!

João Batista é o «maior» e o «mais pequeno»! Ele é uma das figuras deste tempo de Advento. A sua missão foi ajudar as pessoas a perceberem a dinâmica do Reino de Deus. João veio para despertar no coração do povo a necessidade da conversão; e a importância de estar preparado para acolher o Salvador. É este «acontecimento» que celebramos no tempo de Advento.
A partir da referência a João Batista, Jesus apresenta a lógica do Reino de Deus. Como profeta que prepara o caminho do Reino de Deus, João é o «maior». Mas Jesus diz que mais importante é fazer parte do Reino, isto é, viver em comunhão com Deus. João foi só um momento da História da Salvação. Depois dele, começa uma nova etapa, a definitiva, inaugurada por Jesus Cristo. Quem aceita fazer parte desta dinâmica é «maior» do que João Batista.
Sobre isto não existe qualquer dúvida. Assim o expressa Jesus ao dizer: «Quem tem ouvidos oiça». Bem podemos dizer que esta é a primeira atitude para integrar o projeto do Reino de Deus. Escutar. «Escuta Jesus que te fala no Evangelho», foi uma das respostas dadas pelo Papa, no dia de ontem (12 de dezembro), através do twitter, para responder à pergunta: «Como podemos viver melhor o Ano da Fé no nosso dia a dia?». Para ser o «maior» no Reino de Deus, faz-te «pequeno», escuta o que Jesus tem para te dizer!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.12 | Sem comentários
— palavra para segundo domingo de advento —


— Evangelho segundo Lucas 3, 1-6

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

— Pregava um batismo de penitência

O acontecimento é verídico! Está situado num contexto histórico concreto. São nomeados os «chefes» civil e religiosos. Será com estes que Jesus Cristo vai enfrentar as maiores dificuldades. E também os primeiros cristãos. Antes disso, o mesmo acontece com João, filho de Zacarias (e Isabel).
O acontecimento atesta a veracidade com a referência ao lugar. Estranho! Depois do contexto temporal não sucede uma referência geográfica «normal». Não é em Roma. Não é em Jerusalém. O evangelista situa o acontecimento «no deserto». É fora do «lugar» da religião (Templo) e fora da relação com os «chefes» que tudo acontece!
Estamos no terceiro capítulo do evangelho segundo Lucas. Mas, curiosamente, fica esquecido tudo o que está para trás. Como se dissesse: agora começa de verdade o Evangelho. Um aspeto importante (uma característica de Lucas) é o anúncio de que a salvação é dirigida a todos (e não só ao povo judeu): «e toda a criatura verá a salvação de Deus». 
Como bom profeta, João percebe que, para falar de um tempo novo de salvação, nada melhor que recordar o anúncio do grande profeta Isaías. Este anunciou uma autêntica libertação para o seu povo, precisamente quando estava mais oprimido no desterro e sem esperança de futuro. João quer preparar o povo para uma nova libertação, pregando uma mudança de atitude na relação com Deus e com os outros. «Pregava um batismo de penitência para o perdão dos pecados». 
João tem uma missão: preparar a vinda do Messias, do Salvador. Por isso, hoje, não podemos ficar na mensagem de João. Ela serve para nós como uma referência de passagem, mas a meta é Jesus Cristo, e o seu estilo de vida. João prega um batismo de conversão, de penitência. Fala do juízo iminente de Deus, e da maneira de escapar desse juízo: o batismo. Jesus Cristo anuncia uma «Boa Notícia»: Deus é Abba, isto é, Pai-Mãe, que não castiga nem condena, mas faz uma oferta de salvação total. Nada de negativo. Tudo o que nos vem de Deus é positivo. Não é o temor, mas o amor que nos pode levar até Deus. Porque é que, passados vinte séculos, estamos mais próximos da pregação de João do que da mensagem de Jesus Cristo?
 
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.12 | Sem comentários
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