Blogue de Isabel Gómez Acebo
Face ao aumento da dissolução de casamentos, um dos problemas que se coloca à Igreja é a situação dos católicos divorciados que voltam a casar («recasados»). A doutrina tradicional que impede o acesso à comunhão é algo que preocupa muitos bispos, entre os quais os italianos, que na «Visita ad limina» ao novo pontífice pediram uma análise da situação.
Isabel Gómez Acebo Duque de Estrada, casada e mãe de seis filhos, nasceu em Madrid, em 1940. É licenciada em Ciências Políticas e em Teologia. Foi professora de teologia na Universidade de Comillas até à sua jubilação. É presidente da Fundação Sagrada Família, uma instituição dedicada a lares de terceira idade, em Madrid. Entre outros, é também membro fundador da Associação de Teólogas Espanholas e pertence à Associação Europeia de Mulheres para a Investigação Teológica.
Face ao aumento da dissolução de casamentos, um dos problemas que se coloca à Igreja é a situação dos católicos divorciados que voltam a casar («recasados»). A doutrina tradicional que impede o acesso à comunhão é algo que preocupa muitos bispos, entre os quais os italianos, que na «Visita ad limina» ao novo pontífice pediram uma análise da situação.
Francisco escutou-os e reuniu com Dom Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, a quem transmitiu a preocupação dos bispos. A este Conselho, que está a trabalhar num texto sobre os noivos, foi encomendada a elaboração de outro que encontre «novas soluções para os divorciados que voltaram a casar». Parece que o caminho pode estar na avaliação caso a caso, uma perspetiva já desenvolvida por Bento XVI, num colóquio com sacerdotes da diocese de Aosta, em 2005, ao dizer que o primeiro matrimónio poderia ter sido celebrado sem fé, o que seria fácil de ser declarado nulo. E, no Encontro Mundial das Famílias, em Milão, pronunciou: «a Igreja ama essas pessoas e há que fazer tudo o que for possível para que se sintam amadas, acolhidas e não 'fora' da Igreja».
Até agora vigora um texto do Papa Emérito, quando era cardeal, que foi enviado aos bispos da Igreja, em 1994: «A Igreja não reconhece o novo casamento, através do qual os divorciados que voltaram a casar se colocam numa situação que objetivamente contrasta com a lei de Deus».
Que solução encontrará o novo documento? Reduzir a longa duração dos processos para obter a nulidade do primeiro casamento? Parece-me que vai pôr em destaque o acolhimento e a misericórdia antes dos princípios, pois esta é a medula do novo pontificado. De facto, Bergolgio, quando era arcebispo de Buenos Aires, escreveu um «vade mecum» onde mostrava condescendência perante a possibilidade dos divorciados que voltaram a casar se aproximarem da comunhão.
Muda a vida, mudam os costumes, mas os pais continuam a conviver com os filhos, que pensam e agem de formas diferentes... e nem por isso se afastam deles. Se a Igreja quer ser mãe, terá que seguir pelo caminho que permite aceitar o que ontem não era admitido, uma vez que é a única maneira de se ajustar aos sinais dos tempos e mostrar amor para com as famílias que sofreram muito com as ruturas matrimoniais. Ao não fazê-lo sairá a perder o novo casamento e os filhos gerados nessa situação.
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Isabel Gómez Acebo Duque de Estrada, casada e mãe de seis filhos, nasceu em Madrid, em 1940. É licenciada em Ciências Políticas e em Teologia. Foi professora de teologia na Universidade de Comillas até à sua jubilação. É presidente da Fundação Sagrada Família, uma instituição dedicada a lares de terceira idade, em Madrid. Entre outros, é também membro fundador da Associação de Teólogas Espanholas e pertence à Associação Europeia de Mulheres para a Investigação Teológica.










