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Décimo segundo domingo


Evangelho segundo Lucas 9, 18-24

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, dizem que és João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». Depois, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á».

Quem é Jesus Cristo?

Quem é Jesus Cristo? — eis a questão decisiva para a fé cristã. Jesus não espera que os discípulos digam apenas o que vêem com os olhos, mas que expressem o que vivem com o coração. Jesus não quer uma resposta tirada dos livros. O discípulo é chamado a ter um olhar capaz de mergulhar no mistério de Jesus Cristo, um olhar sem ambiguidades, para encontrar a verdade.
Jesus não comenta as opiniões dos outros, mas interroga diretamente os discípulos. Espera deles uma apreciação mais profunda. O discípulo é chamado a ver mais profundamente, a não contentar-se com o que ouve dizer. É impelido a tomar uma posição.

És o Messias de Deus

«És o Messias de Deus» — responde Pedro, em nome dos discípulos. A resposta de Pedro parece acertada: Jesus é o Messias, o Ungido. Mas eles esperavam um Messias nacionalista que viesse trazer a salvação política e religiosa, libertando-os do poder romano. Por isso, Jesus proíbe-os de «o dizerem fosse a quem fosse», porque também esta resposta de Pedro precisa de purificação. O Filho do homem vai sofrer, ser rejeitado, morto, para ressuscitar ao terceiro dia. Nada a ver com o Messias que eles estavam à espera! O verdadeiro Messias só pode ser entendido à luz do mistério pascal, isto é, da morte e da ressurreição. É importante perceber que tudo em nós tem de passar pelo mistério pascal de Jesus Cristo. O Messias converte-se no «Filho do homem», o modelo de ser humano. Não é o triunfador, o poderoso, mas o que sofre, o que aguenta os rancores e os ódios dos outros, o humilhado e desapreciado... porque não renuncia à sua condição humana. E tudo até ao extremo, até perder a vida por manter essa atitude até ao fim. Ora bem, mas esta fidelidade à condição humana não é apenas para Jesus Cristo, mas para quem o quer seguir.

Se alguém quiser vir comigo

Jesus Cristo não esconde as exigências para o seguir: tomar a cruz todos os dias! Mas também é preciso não se enganar: tomar a própria cruz não é necessariamente imaginar os piores sofrimentos ou tormentos que vão aparecer. A cruz é o lugar supremo do amor. Tomar a sua cruz é assumir a própria vida, no dia a dia, é agarrá-la com unhas e dentes, amando até ao fim.
Jesus Cristo vai ainda mais longe: para o seguir, ele fala de perder a própria vida. «Quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á». O que é que significa? O que significa «perder» a vida por causa de Jesus Cristo? É tudo uma questão de amor e de confiança. Quem ama verdadeiramente, está disposto a tudo para seguir o amado e viver para ele. Quando sou capaz de me desprender de tudo, incluindo o apego à vida, em favor dos outros, estou verdadeiramente a amar e, portanto, a crescer como ser humano. A minha Vida (com maiúscula) tem cada vez mais força; e a vida (com minúscula) encontra o seu verdadeiro sentido.
Não é fácil entender bem esta passagem do evangelho. Não se trata de anular uma parte de nós para salvar outra! Trata-se de descobrir uma falha na perceção que temos de nós e da vida. Trata-se de nos libertarmos de tudo aquilo que nos prende ao caduco e nos impede de nos elevarmos à plenitude da vida. Esta libertação acontece quando estabelecemos uma escala autêntica de valores e somos capazes de dar a cada coisa a sua verdadeira importância. Não hesitemos! Caminhemos com amor seguindo Jesus Cristo!

© Laboratório da fé, 2013

Décima segunda semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.6.13 | Sem comentários

Palavra para hoje: décimo segundo domingo


«Eis o que diz o Senhor» — assim começa a Liturgia da Palavra. A vontade de Deus em perdoar está presente nesse anúncio que nos convida ao arrependimento. Sim, o tempo da conversão está próximo, é agora; o dinamismo do amor divino está em marcha; faz acontecer o impossível no coração humano: a bondade... É a bondade descoberta por Jesus no mistério da sua vida terrena, que despontará na plenitude da luz. E suscita em nós uma dupla resposta: o compromisso do discipulado e um cântico de louvor: «Vos bendirei toda a minha vida». Sejamos um sinal de bondade e de alegria. Caso contrário, a nossa palavra será menos credível, a Cruz aparecerá como um escândalo intolerável e nunca como comunhão com Jesus Cristo.


Pergunta da semana: 

O que significa «perder» a vida por causa de Jesus Cristo?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo segundo domingo

23 DE JUNHO DE 2013

Nos três Evangelhos sinópticos aparece, como momento significativo no caminho de Jesus, a hora em que Ele pergunta aos discípulos o que as pessoas pensam d'Ele e como O vêem eles mesmos (Marcos 8, 27-30; Mateus 16, 13-20; Lucas 9, 18-21). Nos três Evangelhos, Pedro responde em nome dos Doze com uma confissão que se distingue claramente da opinião da «multidão». Nos três Evangelhos, Jesus anuncia logo a seguir a sua paixão e ressurreição e, depois deste anúncio do seu destino pessoal, pronuncia um ensinamento sobre o caminho dos discípulos, que consiste em segui-l’O, ao Crucificado. Nos três Evangelhos, porém, este segui-Lo sob o signo da cruz é por Ele explicado de forma essencialmente antropológica, ou seja, como o caminho de «perder-se a si mesmo», que é necessário ao homem, pois sem isso não lhe é possível encontrar-se a si mesmo (Marcos 8, 31 - 9, 1; Mateus 16, 21-28; Lucas 9, 22-27). [...]
A confissão de Pedro só se pode compreender corretamente relacionada com o anúncio da paixão e com as palavras acerca do seguimento: estes três elementos — a palavra de Pedro e a dupla resposta de Jesus — estão inseparavelmente ligados. [...]
De acordo com a sua visão da figura de Jesus, Lucas liga a confissão de Pedro a um momento de oração, começando a narração da história com um paradoxo propositado: «Um dia, quando [Jesus] orava sozinho, estando com Ele os seus discípulos...» (9, 18). Os discípulos são introduzidos no seu estar sozinho, no seu reservadíssimo estar com o Pai. É-lhes permitido vê-Lo como Aquele que fala face a face com o Pai. Podem vê-Lo no íntimo do seu ser, no seu ser Filho, no ponto donde provêm todas as suas palavras, as suas ações, a sua potestade. A eles é concedido ver o que a «multidão» não vê, e desta visão deriva um conhecimento que ultrapassa as «opiniões» da «multidão». Desta vista, dimana a sua fé, a sua confissão; sobre isto, poder-se-á depois edificar a Igreja.
Aqui encontra o seu lugar interior a dupla pergunta de Jesus sobre a opinião da multidão e sobre a convicção dos discípulos. O facto pressupõe que haja, de uma parte, um conhecimento exterior de Jesus, não necessariamente falso mas insuficiente, ao que se contrapõe um conhecimento profundo, ligado ao discipulado, à companhia no caminho, capaz de crescer apenas em tal âmbito. 

Quem dizem as multidões que Eu sou?

Os três sinópticos estão de acordo na afirmação de que, segundo a multidão, Jesus seria João Baptista ou Elias ou um dos outros Profetas que teria ressuscitado [...].
Elemento comum a estas concepções é o facto de inserirem Jesus na categoria dos profetas, uma categoria que estava à disposição como chave interpretativa a partir da tradição de Israel. Em todos os nomes referidos para a interpretação da figura de Jesus ressoa de certo modo o momento escatológico, a expetativa de uma viragem que pode ser acompanhada simultaneamente da esperança e do temor. Enquanto Elias personifica mais a esperança da restauração de Israel, Jeremias é uma figura da paixão, o anunciador da falência da forma de Aliança então em vigor e do santuário que representava, por assim dizer, a garantia concreta da mesma; mas ele é também portador da promessa de uma Nova Aliança que nascerá da queda. No seu sofrimento, no seu desaparecimento por entre a obscuridade da contradição, Jeremias é o portador vivo deste duplo destino de queda e renovação.
Todas estas opiniões não são totalmente erradas; traduzem aproximações menores ou maiores ao mistério de Jesus, a partir das quais é possível, sem dúvida, abrir caminho para o núcleo essencial. Mas não atingem a verdadeira natureza de Jesus, a sua novidade. Interpretam-No a partir do passado e de quanto geralmente acontece e é possível, mas não a partir d’Ele mesmo, não na sua unicidade, que não é possível inserir em mais nenhuma categoria. Neste sentido, também hoje se encontra muito claramente a opinião da «multidão» que de algum modo conheceu Cristo, talvez até O tenha estudado cientificamente, mas não O encontrou pessoalmente na sua especificidade e na sua total alteridade [...]


E vós, quem dizeis que Eu sou?

À opinião da multidão contrapõe-se o conhecimento dos discípulos, que se manifesta na confissão de fé. Esta, como aparece expressa? É formulada de modo diferente em cada um dos três sinópticos, e de forma ainda mais diversa em João. Segundo Marcos, Pedro diz a Jesus simplesmente: «Tu és o Cristo [o Messias]» (8, 29). Segundo Lucas, Pedro designa-O como «o Messias [o Ungido] de Deus» (9, 20); e, segundo Mateus, diz: «Tu és o Cristo [o Messias], o Filho do Deus vivo» (16, 16). Em João, por sua vez, a confissão de Pedro é do seguinte teor: «Tu és o Santo de Deus» (6, 29). [...]
Em primeiro lugar, é importante ver que a forma específica do título deve ser compreendida sempre na totalidade de cada um dos Evangelhos e na sua forma particular de tradição. Importante é sempre a ligação com o processo de Jesus, ao longo do qual a confissão dos discípulos aparece de novo como pergunta e acusação. [...] Em Lucas, Pedro reconhece Jesus como «o Messias (Cristo, o Ungido) de Deus». Aqui encontramos de novo o que o velho Simeão já sabia do Menino Jesus: fora-lhe preanunciado como o Messias do Senhor (Lucas 2, 26). Como imagem oposta a esta, temos os «chefes do povo» que zombam de Jesus ao pé da cruz, dizendo: «Salvou os outros; salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito» (Lucas 23, 35). [...]
Mas, do Evangelho de Lucas, convém citar outro acontecimento importante para a fé dos discípulos em Jesus: a história da pesca milagrosa, que termina com o chamamento de Simão Pedro e dos seus companheiros para se tornarem discípulos. Aqueles experimentados pescadores não tinham pescado nada durante toda a noite, e agora Jesus exorta-os a fazerem-se de novo ao largo em pleno dia e a lançarem as redes. Segundo os conhecimentos práticos destes homens, trata-se de uma sugestão pouco sensata, mas Simão responde: «Mestre, (...) porque Tu o dizes, lançarei as redes» (Lucas 5, 5). E segue-se a pesca abundantíssima, que deixa Pedro profundamente impressionado. Em atitude de adoração, lança-se aos pés de Jesus e diz: «Afasta-Te de mim, Senhor, que sou um homem pecador» (5, 8), No sucedido, reconheceu a própria força de Deus, que atua através de Jesus, e este encontro direto com o Deus vivo em Jesus abala-o no mais íntimo de si mesmo. À luz e sob o poder desta presença, o homem reconhece a sua miséria. Não consegue suportar a força formidável de Deus — é espaventosa para ele. Visto ao nível da história das religiões, trata-se de um dos textos mais impressionantes para ilustrar aquilo que acontece quando o homem se encontra inesperada e diretamente exposto à proximidade de Deus; então nada mais consegue fazer senão espaventar-se daquilo que ele é, e pedir para ser libertado da imensidão desta presença. Esta perceção imediata da proximidade do próprio Deus em Jesus exprime-se no título que Pedro usa agora para Jesus: «Kyrios» — Senhor. Trata-se da designação de Deus usada no Antigo Testamento para substituir o nome inefável por Ele revelado junto da sarça ardente. Se antes da saída para o mar Jesus era para Pedro o «epistáta» (significa mestre, professor, rabino), agora reconhece n’Ele o «Kyrios». [...]


Quem é Jesus Cristo?

Qual é a imagem que vemos, quando compomos o mosaico inteiro dos textos? Pois bem, os discípulos reconheceram que Jesus não Se enquadrava em nenhuma das categorias correntes, que Ele era algo mais e diverso quando comparado com «qualquer um dos profetas». Desde o Sermão da Montanha até à vista das suas ações poderosas e da sua faculdade de perdoar os pecados, desde a autoridade da sua pregação até à sua maneira de considerar as tradições da Lei, de tudo isto eles reconheceram que Ele era mais do que «qualquer um dos profetas». Era aquele «profeta» que, como Moisés, falava com Deus face a face como um amigo; era o Messias, mas de um modo diferente de alguém a quem Deus tivesse simplesmente dado um encargo.
N’Ele, as grandes palavras messiânicas revelavam-se, de modo impressionante e inesperado, verdadeiras: «Tu és meu filho, hoje mesmo te gerei» (Salmo 2, 7). Em momentos mais significativos os discípulos, perturbados, davam-se conta: «Este é o próprio Deus».
Não conseguiram articular tudo isto numa resposta perfeita. Utilizaram, com razão, as palavras de promessa da Antiga Aliança: Cristo-Ungido, Filho de Deus, Senhor. São estas as palavras fundamentais em que se concentrou a sua confissão, a qual no entanto continuava ainda à procura caminhando quase às apalpadelas. Tal confissão só pôde encontrar a sua forma completa no momento em que Tomé, depois de tocar as chagas do Ressuscitado, comovido exclamou: «Meu Senhor e meu Deus!» (João 20, 28). Em última instância, porém, mesmo com esta palavra, continuamos sempre a caminho. A mesma é tão sublime que nunca conseguiremos entendê-la totalmente, sempre nos ultrapassa. Ao longo de toda a sua história, a Igreja vive em perene peregrinação para penetrar esta palavra, que só se pode tornar compreensível para nós no contacto com as chagas de Jesus e no encontro com a sua ressurreição, transformando-se depois para nós numa missão.

© Bento XVI
— «Jesus de Nazaré», excerto das páginas 359 a 379 —
© A Esfera dos Livros, 2012
Os subtítulos são da nossa responsabilidade.



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Décimo segundo domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo segundo domingo

23 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 9, 18-24

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, dizem que és João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». Depois, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á».



Os evangelhos (por certo que já ouvimos dizer isto muitas vezes) não são livros de história; são, sobretudo, o eco da primitiva comunidade cristã. No centro desta fé está Jesus, o Cristo, morto e ressuscitado para nossa salvação.
Cada evangelista tem uma prioridade, mas todos convidam a professar a fé em Jesus, que é da nossa família humana e da família de Deus.
Por isso, a pergunta de Jesus aos discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» aparece nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas). E, em João, encontramos o «Eu sou» que se vai dando a conhecer ao longo de todo o evangelho.
Não nos parece estranho que Lucas comece por dizer que Jesus estava em oração. Este é um dos pontos característicos de Lucas. No contexto de oração, onde Deus é o centro, formula aos seus discípulos as perguntas sobre a sua identidade. Estas perguntas ressoam no coração do ser humano de hoje. Teremos a decisão de Pedro? Ou teremos, também como ele, os nossos altos e baixos?

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 9, 18-24

És o Messias de Deus.

O Filho do homem tem de sofrer muito...


A leitura do evangelho segundo Lucas atinge aqui um ponto crucial, que recapitula a primeira parte (manifestação da personalidade de Jesus) e, ao mesmo tempo, prepara a segunda (o longo caminho para Jerusalém). Lucas 9, 18-24 procura responder às muitas interrogações que rodeavam a pessoa de Jesus e se podem resumir na pergunta: «Quem é Jesus?»; eis a questão decisiva para a fé cristã. Lucas recorda a ocasião em que o próprio Jesus apresenta esta questão decisiva aos seus discípulos.
Podemos dividir o texto em três partes: a definição verdadeira de Jesus (versículos 18 a 21); o primeiro anúncio da Paixão (versículo 22); as condições para o discipulado (versículos 23 e 24). A cena não é introduzida por uma indicação geográfica ou temporal, mas pela referência à oração de Jesus. Recordemos que, no evangelho segundo Lucas, a oração está presente em todos os momentos importantes da vida do Mestre. Acontece que Jesus quer fazer um balanço da opinião geral, quer saber o que o povo pensa dele. O resultado não manifesta um fracasso, mas uma insuficiência: pensam que é um profeta. Não estão totalmente errados, mas não é exato. Jesus é muito mais do que um profeta. A seguir, questiona os próprios discípulos e Pedro responde decidido: «És o Messias de Deus», isto é, o Ungido pelo Espírito Santo (cf. 4, 18), o Filho de Deus.
Jesus impõe silêncio, porque quer explicar esta definição com uma catequese apropriada. Não quer que os discípulos associem o título de «Messias» apenas ao conceito de glória e de vitória. Por isso, anuncia-lhes a Paixão, para que entendam que Jesus é um Salvador que salva mediante a entrega pessoal pelo bem da humanidade, um Messias que liberta mediante o sangue na cruz e a recusa dos poderosos: os anciãos, os príncipes dos sacerdotes e os escribas (versículo 22).
O evangelho une este primeiro anúncio da Paixão com umas indicações destinadas ao «seguidor» de Jesus (o discípulo, o cristão): negar-se a si mesmo, ou seja, renunciar ao egoísmo; tomar a sua cruz todos os dias; estar dispostos a perder/sacrificar a vida (temporal) para ganhar a Vida (eterna), ou seja, para se salvar. Seguir Jesus significa percorrer o mesmo caminho, aceitando os sofrimentos, sacrifícios e dificuldades de uma vida por amor.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Décimo segundo domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo segundo domingo

23 DE JUNHO DE 2013

Quem dizem as multidões que Eu sou?

E vós, quem dizeis que Eu sou?

Jesus não espera que os discípulos digam apenas o que vêem com os olhos, mas que expressem o que tacteiam com o coração.
Também Jesus sentiu a necessidade de ser dito, e dito mais profundamente, e dito com palavras que só aqueles que amam podem dizer. Na tradição rabínica eram os discípulos que interrogavam o Mestre e não o contrário. [...] Este facto inédito manifesta a intensidade da relação que os ligava. Jesus não quer uma relação escolar: Ele deseja uma partilha de vida, de intimidade e de destino. [...]
Jesus faz duas perguntas que traçam como que dois círculos: um exterior e um interior. O que é que se vê de fora e o que é que se vê de dentro. O que é que se vê com os olhos, e o que se contempla com o coração. As duas perguntas, «Quem dizem os homens que Eu sou? Vós, porém, quem dizeis que Eu sou?», estabelecem antes de mais uma distinção entre o pensar da multidão e o dos discípulos, nitidamente marcada pela adversativa e pelo caráter enfático da segunda pergunta. O discípulo é chamado a ter um olhar capaz de mergulhar no mistério de Jesus, um olhar sem ambiguidades.

O que é que se vê de fora?
De fora, vê-se a identificação de Jesus com João Batista. O séc. I foi um tempo de correntes espirituais reformistas. O rio Jordão era um centro simbólico muito procurado por quem não se conformava à situação presente de Israel. Não é por acaso que João batiza no rio Jordão [...].
De fora, vê-se a identificação de Jesus com Elias. Elias foi arrebatado ao céu, segundo a tradição bíblica. No Judaísmo contemporâneo de Jesus acreditava-se que antes da aparição do Messias devia chegar Elias, desempenhando um papel escatológico em ordem ao estabelecimento do Reino de Deus. Elias teria a função de reconciliar Israel e prepará-lo para que o Senhor, ao chegar, não o destruísse devido ao seu pecado. [...]
De fora, vê-se a identificação de Jesus como um profeta. A atribuição do título de profeta, sobretudo pelas camadas populares, não era rara no tempo de Jesus. Vários personagens surgiram na Palestina do séc. I, intitulando-se como profetas ou sendo considerados como tal. A mensagem deles ia desde o apelo à conversão, como no caso de João Baptista, até ao fomento da revolta contra os Romanos. Num tal contexto sociopolítico, a identificação de Jesus como um profeta afigura-se muito verosímil. [...]

O que se vê de dentro?
Jesus não comenta as opiniões dos de fora, mas interroga diretamente os seus discípulos sobre o que pensam dele. A formulação da pergunta, ao distinguir os discípulos dos restantes atores, mostra que Jesus espera deles uma apreciação mais profunda. [...]
O discípulo é chamado a ver mais profundamente, a não contentar-se com o que ouve dizer. É impelido a tomar uma posição. O Evangelho não apresenta a compreensão de Jesus como algo de imediato, instantâneo e infalível. Ela, no coração da nossa Fé, está em formação. Nós vamos tateando, cada vez com mais transparência, a sua verdade. [...]

Uma resposta para guardar em silêncio
Não deixa de ser surpreendente a declaração final de Jesus, pedindo aos discípulos que transformem a declaração de Fé num segredo. [«proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse»] Podemo-nos perguntar porquê?
O silêncio dá-nos consciência de que estamos numa etapa ainda provisória, ainda de passagem. Os discípulos não podem, por agora, compreender o sentido pleno das palavras que proferiram, pois estas só serão esclarecidas pela totalidade do destino de Jesus, quando acontecer o Mistério da sua Páscoa. Os discípulos estão, por enquanto, impedidos de anunciar Jesus abertamente, mas depois dos acontecimentos pascais serão testemunhas autorizadas. É importante perceber que tudo em nós tem de passar pelo mistério pascal de Jesus.
Mas o silêncio imposto por Jesus tem também um motivo espiritual: o que ama sabe que o que o amor lhe pede, antes de tudo, é que aprenda a guardar o segredo do que é amado. No amor, dizemos uns aos outros: guardar o teu segredo é o meu segredo. A ordem do segredo reivindica para a pergunta do meio do caminho o horizonte e a experiência do amor. Somos chamados a guardar o segredo de Jesus e a deixar que este segredo, profunda e vitalmente, nos estruture. Recomenda o Mestre Eckhart: «É preciso que haja silêncio ali onde essa presença deve ser percebida. Não podemos chegar a ela de maneira melhor do que através do silêncio; ali a compreendemos de maneira correta: na ignorância! Quando não sabemos mais nada, ela deixa-se ver e revela-se. [...] É partindo do conhecimento que devemos chegar ao não-conhecimento! Pois essa é uma forma superior de conhecimento.»
«E vós, quem dizeis que Eu sou?» — pergunta-nos Jesus.

© José Tolentino Mendonça
— «O Tesouro escondido. Para uma arte da procura interior», excerto das páginas 87 a 97 — 
© Paulinas Editora



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Décimo segundo domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo segundo domingo

23 DE JUNHO DE 2013

Há fontanários, jatos de água, cascatas, ribeiros ou rios, cursos de água, mas também chuva e tempestades... a água aparece e move-se de mil e uma formas. Escuta a água a correr ou a cair, saborea a sua frescura quando está calor ou refresca-te durante um passeio, intercede junto do Pai para que os cidadãos descubram um dia a fonte da verdadeira vida.

Em casa
Por que não fazer esta semana o jogo da adivinha: «Para vós, quem sou eu?». Em família, com os amigos ou sozinho, encontrar tempo para responder, diariamente, a um tema diferente: «Quem sou eu, nos momentos de alegria e de felicidade?»; «Quem sou eu, nos momentos de dúvida?»; «Quem sou eu, nos momentos inesperados?»; «Quem sou eu, nos momentos de sofrimento?»... e assim, sucessivamente, para fazer memória da nossa vida. Escreve num caderno ou num papel que podes colocar no «espaço» de oração em casa, para oferecer ao Senhor, no domingo, esta cesta de frutos que é a nossa vida e dizer-lhe obrigado.



Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo

Muitas vezes, Jesus reza sozinho. Regularmente, retira-se para se concentrar no Pai e lhe rezar em segredo. Que belo segredo vai partilhar com os seus discípulos!
Ele confia neles ao confirmar que é o Messias, como também confia em nós, diariamente, ao dizer-nos incansavelmente tanto nos momentos de alegria como nos momentos de tristeza ou dificuldade: «Sim, eu sou o Messias».
E não se trata de dar uma no cravo e outra na ferradura, quando diz depois: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo». À partida, não é nada fácil escutar esta frase. Não será que ele conhece bem as nossas vicissitudes, as coisas a que nos apegamos e que como nos fechamos em nós mesmos?
É claro como a água: para seguir Jesus, não se pode fazer outra coisa senão renunciar a si mesmo. Certamente que já fizemos a experiência. Uma experiência maravilhosa, fabulosa, que nos ilumina e nos faz sair de nós mesmos para acolher o Amor; um Amor que dilata e abre ainda um pouco mais o nosso coração. 
Não hesitemos. Caminhemos com amor seguindo Jesus esta semana.

Emmanuelle Huyghues Despointes



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



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Décimo segundo domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.6.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo segundo domingo

23 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 9, 18-24

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, dizem que és João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». Depois, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á».



Segunda, 17: SOZINHO COM JESUS

O evangelho do próximo domingo começa com Jesus sozinho, apenas com os discípulos. Antes desta passagem, Jesus tinha realizado o milagre dos pães e saciado a multidão; agora, quer colocar-se diante do «rosto» do Pai para poder continuar a sua missão. A oração é o seu verdadeiro lugar de encontro com a fonte original. Também eu me posso encontrar sozinho com Jesus, escolhendo um lugar silencioso, para o escutar com atenção. Volto a ler as duas questões que Jesus coloca aos discípulos, deixando-as ecoar dentro de mim sem procurar respostas de imediato.



Terça, 18: JESUS INTERROGA-SE

A primeira questão de Jesus é um pouco estranha: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». O que é que Jesus pretende? Quer ouvir o que as multidões dizem dele e o que os discípulos entendem da sua missão. Mas também podemos pensar que o homem Jesus se interroga sobre si mesmo e tem necessidade de ser confortado na sua missão pelos que estão com ele e em quem tem confiança. Jesus coloca a mesma questão ao discípulo que eu sou. O que lhe vou responder? Entro dentro de mim para ouvir os rumores do mundo sobre Jesus. Depois, repondo-lhe com a espontaneidade dos discípulos.



Quarta, 19: JESUS INTERROGA-ME

Eis a questão essencial, que Jesus me dirige pessoalmente: «E tu, que dizes? Para ti, quem é que Eu sou?». Não posso ignorar a pergunta. Jesus espera a minha resposta. Então, no segredo do meu coração, procuro as palavras que melhor correspondam àquilo em que acredito. Respondo com verdade, sem esconder nada. Talvez sejam palavras que exprimem a confiança e o amor; ou porventura a hesitação, a dúvida, e até a revolta. Para que as minhas palavras correspondam mesmo à minha fé, peço ao Espírito Santo que abra e ilumine a minha inteligência e o meu coração.



Quinta, 20: O MESSIAS DE DEUS

«És o Messias de Deus»: a resposta de Pedro vai permitir que os discípulos entrem um pouco mais no mistério de Jesus. Mas é uma resposta ambígua! Para eles, o Messias é quem vai expulsar o invasor romano e restaurar a grandeza de Israel. Então, Jesus levanta um pouco do véu... Não, o Filho do homem vai sofrer, sr rejeitado, morto, para ressuscitar ao terceiro dia. Nada a ver com o Messias que eles estavam à espera! Que sentimos surgem em mim com esta evocação da Paixão e Ressurreição? Tenho vontade de seguir por este caminho inesperado?



Sexta, 21: TOMAR A SUA CRUZ

Jesus não esconde as exigências para o seguir: trata-se de tomar a cruz todos os dias! Mas também é preciso não se enganar: tomar a própria cruz não é necessariamente imaginar os piores sofrimentos ou tormentos que vão aparecer. A cruz é o lugar supremo do amor. Tomar a sua cruz é assumir a própria vida, no dia a dia, é agarrá-la com unhas e dentes, amando até ao fim. Olho para as atividades deste dia (acontecimentos, encontros...) e peço a Jesus que esteja ao meu lado para me ensinar a amar como ele ama.



Sábado, 22: PERDER A VIDA

Jesus vai ainda mais longe: para o seguir, ele fala de perder a própria vida. O que é que significa? Aqui, tudo é uma questão de amor e de confiança. Quem ama verdadeiramente, está disposto a tudo para seguir o amado e viver para ele. Se eu quero seguir Jesus, existem renúncias a fazer para me abrir ao outro. Olho para a minha vida, com as suas sombras e luzes, e entrego-a ao Pai. Ofereço-lhe tudo o que me habita, em união com Jesus, para que a sua vida e o seu amor cresçam em mim.



Domingo, 23: SALVAR A VIDA: VIVER EM PLENITUDE

Tomar a sua cruz, renunciar a si mesmo, perder a vida... nada disto tem interesse se for para ter uma vida atrofiada! Mas é exatamente ao contrário: a vida aumenta quando se dá, a vida torna-se fecunda quando se oferece para que outros vivam, a vida encontra a plenitude da felicidade quando perde aquilo que queria para si mesma. Não é isto salvar a sua vida? Neste domingo, dia por excelência da vida e da ressurreição, sou convidado a participar na eucaristia, com outros cristãos. Entrarei no movimento de oferenda de Jesus ao Pai. Deixarei ecoar em mim as palavras da Oração Eucarística III: «O Espírito Santo faça de nós uma oferenda permanente». Sim, o Espírito quer fazer de nós seres vivos, cheios de vida!



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© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Décimo segundo domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.6.13 | Sem comentários
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