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Mês de maio, Mês de Maria


A afirmação da Esperança como virtude fundamental é um dos grandes significados de «Fátima» para os homens e mulheres do nosso tempo, na opinião do padre José Tolentino Mendonça. Esta questão da Esperança é também questão do Homem. E acrescenta: «Fátima é um laboratório da humanidade renovada».

Fátima representa, de um modo tão extraordinário que o nosso século apenas começou a descobrir, a afirmação de uma virtude proscrita e fundamental: a da Esperança.
Nos baldios de outrora, povoados de rochas e azinheiras, ou no santuário atual, o que as multidões ouvem não é nada que, de mil maneiras, já não tenha sido sussurrado à alma humana. Aliás, para os cristãos, todas as revelações são sequências, linhas de água que arrastam o Espírito pelas paisagens da História. Mas o manancial, a torrente incessante, a palavra que dessedenta é, ontem, hoje e sempre, Jesus Cristo.
Fátima tem a simplicidade e o mistério de uma página evangélica. É o seu enredo eterno que, diariamente, desenrola: as nossas histórias humanas, frágeis, estilhaçadas; o nosso brilho ameaçado; a nossa vida por salvar. Isso e o encontro com Maria que sugere: «Fazei tudo o que Ele vos disser» (João 2, 5).
Numa cultura que se compraz em exaltações crepusculares, impotente face à crise de sentido e de valores, sem os quais as existências dos indivíduos e das sociedades facilmente se esboroam, Fátima vem recolocar a questão da Esperança, porque recoloca também a questão do Homem. Ensinando, na sua linguagem pobre (que escandaliza e confunde os sábios, mas que as crianças e, os que são simples como elas, entendem), que o Homem não tem de ser náufrago ou prisioneiro (eis a paradoxal proposta da «penitência»), mas que a vocação profunda da Pessoa Humana realiza-se na abertura e no diálogo com Deus (eis o que quer dizer a «oração»).
[...]
Quebrando a casca dura dos pietismos pode-se melhor entender (e crer) até que ponto, por exemplo, a Consagração ao Imaculado Coração de Maria, um dos aspetos centrais da mensagem, ao contrário de ação intimista e espiritualmente vaga, é ousadia de afirmar o triunfo do coração como cimento de um mundo novo que deve nascer. Um mundo que não tome os ínvios caminhos da desmedida e da desumanidade. Um mundo que não ignore a justiça e o bem. Um mundo que estimule os laços de fraternidade para lá de todas as fronteiras. Um mundo que potencie o acontecer da beleza e da alegria. Um mundo que pressinta o silencioso e redentor brilho de Deus.
Fátima é um laboratório da humanidade renovada. O fluir da salvação, encetada no já e no agora desta vida. Uma proposta de redenção próxima e amável, como uma mão amiga estendida ou uma porta entreaberta nas nossas noites errantes de peregrinos.
À medida que o tempo passa, acredito mais no segredo de Fátima. Nesse segredo que desassossega, que nos arranca de casa, dos trabalhos, da cidade e nos lança, peregrinos, para a imensidão das estradas. Eu acredito num "não sei quê" que esse segredo derrama em nós: uma porção de confiança, de abandono e de aventura. Uma vontade de tornar a vida mais que tudo verdadeira. De tornar generosos os projetos e fecundos os laços que nos ligam aos outros. De tornar absoluta a nossa sempre frágil Esperança. [...]

© José Tolentino Mendonça
© Secretariado Nacional da Pastoral da Cultural, 2013

Maria, em Fátima, convida a viver o Evangelho


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.13 | Sem comentários

Virgem Santíssima,
Estamos a Vossos pés,
os Bispos de Portugal e esta multidão de peregrinos,
no 96.° aniversário da Vossa Aparição aos Pastorinhos,
nesta Cova da Iria,
para dar cumprimento ao desejo do Papa Francisco,
claramente expresso,
de Vos consagrar a Vós, Virgem de Fátima, 
o seu Ministério de Bispo de Roma e de Pastor Universal. 
Assim Vos consagramos Senhora, 
Vós que sois Mãe da Igreja, 
o Ministério do novo Papa: 
enchei o seu coração da ternura de Deus, 
que Vós experimentastes como ninguém, 
para que ele possa abraçar todos os homens e mulheres deste tempo 
com o amor do Vosso Filho Jesus Cristo. 
A humanidade contemporânea precisa de sentir-se amada, 
por Deus e pela Igreja. 
Só sentindo-se amada vencerá a tentação da violência, 
do materialismo, do esquecimento de Deus, 
da perda do rumo que a conduzirá a um mundo novo, 
onde o amor reinará. 
Dai-lhe o dom do discernimento 
para saber identificar os caminhos da renovação da Igreja; 
dai-lhe coragem para não hesitar em seguir os caminhos sugeridos pelo Espírito Santo; 
amparai-o nas horas duras de sofrimento, 
a vencer, na caridade, as provações que a renovação da Igreja lhe trará. 
Estai sempre a seu lado, 
pronunciando com ele aquelas palavras que bem conheceis: 
«Eu sou a Serva do Senhor, cumpra-se em Mim a Tua Palavra».

Os caminhos de renovação da Igreja 
levam-nos a redescobrir a atualidade da Mensagem 
que deixastes aos Pastorinhos: 
a exigência da conversão a Deus 
que tem sido tão ofendido, porque tão esquecido. 
A conversão e sempre um regresso ao amor de Deus. 
Deus perdoa porque nos ama. 
É por isso que o Seu amor se chama misericórdia. 
A Igreja, protegida pela Vossa solicitude maternal e guiada por este Pastor, 
tem de se afirmar, sempre mais, como Lugar da conversão e do perdão, 
porque nela a verdade exprime-se sempre na caridade.
Vós indicastes a oração como o caminho decisivo da conversão. 
Ensinai a Igreja, de que Sois membro e modelo, 
a ser, cada vez mais, um povo orante, 
em comunhão com o Santo Padre, 
o primeiro orante deste povo 
e também em comunhão silenciosa com o anterior Papa, 
Sua Santidade Bento XVI, 
que escolheu o caminho do orante silencioso, 
desafiando a Igreja para os caminhos da oração.

Na Vossa Mensagem aos Pastorinhos, aqui na Cova da Iria, 
pusestes em relevo o Ministério do Papa, 
«o Homem vestido de branco». 
Três dos últimos Papas fizeram-se peregrinos do Vosso Santuário. 
Só Vós, Senhora, no Vosso amor maternal a toda a Igreja, 
podeis pôr no coração do Papa Francisco 
o desejo de ser peregrino deste Santuário. 
Não é algo que se lhe possa pedir por outras razões; 
só a cumplicidade silenciosa entre Vós e Ele 
o levará a sentir-se atraído por esta peregrinação 
na certeza de que será acompanhado por milhões de crentes, 
dispostos a ouvir de novo a Vossa Mensagem.
Aqui, neste Altar do mundo, 
ele poderá abençoar a humanidade, 
fazer sentir ao mundo de hoje 
que Deus ama todos os homens e mulheres do nosso tempo, 
que a Igreja os ama e que Vós, Mãe do Redentor, 
os conduzis com ternura aos caminhos da salvação.

Fátima, 13 de Maio de 2013
D. José Policarpo

Fátima, 13 de maio de 2013

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.13 | Sem comentários

Nossa Senhora de Fátima, 13 de maio


Evangelho segundo Mateus 12, 46-50

Naquele tempo, enquanto Jesus estava a falar à multidão, chegaram sua Mãe e seus irmãos. Ficaram do lado de fora e queriam falar-Lhe. Alguém Lhe disse: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar contigo». Mas Jesus respondeu a quem O avisou: «Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?». E apontando para os discípulos, disse: «Estes são a minha mãe e os meus irmãos: todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe».

Esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe

A Igreja que está em Portugal celebra, neste dia 13 de maio, a festa em honra de Nossa Senhora de Fátima. Trata-se da evocação de um acontecimento vivido pelos «pastorinhos» Lúcia, Jacinta e Francisco, no dia 13 de maio de 1917, na Cova da Iria, em Fátima. Entre as várias opções apresentadas pelo lecionário para este dia, seguimos o texto evangélico de Mateus (12, 46-50).
Jesus Cristo viveu com a sua família, em Nazaré, cerca de 30 anos. Apesar de não existirem dados sobre esse tempo vivido em Nazaré, parece-nos o mais provável. Depois, talvez atraído pelos apelos de João Batista, abandonou a sua povoação e o seu trabalho, e partiu para uma nova experiência, cujo início fica marcado pelo batismo no rio Jordão. A partir daqui, reuniu à sua volta um grupo seguidores (homens e mulheres) dispostos a partilhar a vida. 
Ao iniciar uma nova forma de convivência (familiar), Jesus Cristo descobriu uma maneira de viver ainda mais forte do que a relação familiar. É claro que Jesus Cristo não põe em causa a família. Mas deu-se conta de que a relação alicerçada na fé pode ter mais vantagens do que a relação biológica. É neste sentido que podemos interpretar as declarações do texto evangélico: «Estes são a minha mãe e os meus irmãos: todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe».
Jesus Cristo apresenta os discípulos como a sua nova família. Aqueles e aquelas que se alimentam da sua palavra e vivem os seus ensinamentos, isto é, os que se dedicam a ser suas testemunhas são os membros da sua família. «A família que Jesus pretende, para além de qualquer outra consideração, é a que se fundamenta na fé e no amor. 'Quem são a minha mãe e os meus irmãos?' — pergunta um dia Jesus de forma provocatória, precisamente diante da sua família carnal. E o próprio Jesus, apontando para outros que não eram da sua família carnal, referiu-se aos que escutavam a sua palavra, dizendo: 'Estes são a minha mãe e meus irmãos: os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática'» (Martín Gelabert Ballester).
Maria está presente nos dois lados familiares: biológico e eclesial. Na verdade, Maria é a primeira cristã, a primeira discípula do seu filho. «Maria foi a primeira que observou de maneira plena a palavra do seu Filho, demonstrando deste modo que O ama não apenas como Mãe, mas ainda antes como serva humilde e obediente; por isso, Deus Pai amou-a e nela a Santíssima Trindade fez a sua morada» (Bento XVI).
Neste mês de maio, «Mês de Maria» em tempo de Páscoa, deixemo-nos guiar pelo exemplo de Maria: «fazei tudo o que ele vos disser», para sermos membros da sua família.

© Laboratório da fé, 2013

João 20, 20 - www.laboratoriodafe.net
Postado por Anónimo | 13.5.13 | Sem comentários
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