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VIVER O DOMINGO DA APRESENTAÇÃO DE JESUS


SEMANA 2 A 8 DE FEVEREIRO DE 2014 — AO RITMO DA LITURGIA



Domingo, 2 — Malaquias 3, 1-4: É COMO O FOGO DO FUNDIDOR

A festa da Apresentação de Jesus (no Templo) — também conhecida como a festa da Candelária ou da Luz — é uma das mais antigas do cristianismo. Celebra-se a dois de fevereiro, quarenta dias após o Natal (este ano coincide com o domingo). Esta festa transporta-nos para o reconhecimento da identidade de Jesus Cristo. O Menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus, o redentor esperado por uma grande parte do povo de Israel. É Jesus Cristo, «luz das nações», que vem da parte de Deus para nos restituir a esperança. A aliança de Deus com a humanidade não é uma hipótese sem fundamento ou sem credibilidade. Jesus Cristo é a concretização da promessa de Deus, que nele se torna visível a todos os povos. Ele é mensageiro de Deus que se torna presente para reativar nos seres humanos a consciência da proximidade de Deus. É como uma luz que dá a conhecer o amor salvador de Deus.
Reconheço em Jesus Cristo a luz do mundo?
A resposta exige uma análise profunda das nossas opções diárias. O ser humano precisa de uma luz que dê sentido à vida, que purifique as «impurezas» (DOMINGO: «É como o fogo do fundidor») e as faltas de esperança.
Às escuras ficamos à deriva (SEGUNDA: «O Senhor olhe para a minha aflição»), sem saber para onde caminhar. Por outro lado, quando nos «agarramos» a outras luzes, que à primeira vista parecem ter grande brilho, logo constatamos que são luzes passageiras (TERÇA: «A vitória desse dia transformou-se em luto»), «que iluminam por breves instantes, mas são incapazes de desvendar a estrada» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «A luz da fé» [«Lumen Fidei» — LF], 3).
Apesar do «esquecimento» da luz de Deus, há uma promessa que não nos deixa na escuridão (QUARTA: «É grande a sua misericórdia»): Deus é fiel à Aliança, Deus é fiel à Pessoa Humana. Quando nos deixamos iluminar por esta luz — «a luz da fé» — (QUINTA: «Guarda os mandamentos do Senhor»), tudo se torna mais claro (SEXTA: «A obra do Senhor prosperará em suas mãos»), somos capazes de olhar a vida com sabedoria (SÁBADO: «Um coração sábio e esclarecido») e sentir a presença de Deus em nós.



Segunda, 3 – 2Samuel 15, 13-14.30; 16, 5-13a: FRAQUEZA HUMANA

Em elaboração...



Terça, 4 – 2Samuel 18, 9-10.14b.24-25a.30 – 19, 3: ORAÇÃO

Em elaboração...



Quarta, 5 – 2Samuel 24, 2.8b-17: MISERICÓRDIA

David, pequeno pastor, tornou-se um rei poderoso. Consciente da sua riqueza e poder, quer ter um «sinal» que confirme a sua grande soberania. Ordena a realização de recenseamento. Levado pelo orgulho, David parece ter-se esquecido que foi escolhido para uma missão que estava para além dele. O sucesso não é apenas uma obra sua, fruto dos seus esforços pessoais. Quando se apercebe, reconhece o erro e invoca a misericórdia divina: «É grande a sua misericórdia». Hoje, continuamos a cair na tentação de esquecermos a presença de Deus, que habita no coração da nossa vida, que nos impulsiona a seguir em frente, que nos apoia nas provações, que está na origem dos nossos sucessos? Encontremos tempo, neste dia, para lhe dar graças, reconhecer os erros, invocar a sua misericórdia, acolhermos o dom do Espírito Santo.



Quinta, 6 – 1Reis 2, 1-4.10-12: FIDELIDADE

Ao aproximar-se o momento da sua morte, David dita as suas últimas palavras, o seu «testamento», ao seu filho Salomão. Não se trata de uma herança material. Mas de uma recomendação a deixar-se nortear por um princípio fundamental: «Guarda os mandamentos do Senhor». A fidelidade a Deus é apresentada como condição para uma vida feliz, cheia de prosperidade. A fidelidade consiste em deixar-me iluminar pela luz de Deus, «a luz da fé». Quando isso acontece, encontramos o verdadeiro caminho da vida. Qual é a minha «herança»? Hoje, deixo-me iluminar pela luz de Deus para ser fiel à sua Palavra.



Sexta, 7 – Isaías 53, 1-10: SALVAÇÃO

Em elaboração...



Sábado, 8 – 1Reis 3, 4-13: SABEDORIA

Em elaboração...



© Laboratório da fé, 2014


Viver o domingo da Apresentação de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.14 | Sem comentários

Palavra para hoje: domingo da Apresentação de Jesus


A festa da Apresentação de Jesus situa-se no prolongamento do Natal; mas tem também uma clara relação com a Páscoa, demonstrada na aclamação a Cristo, Luz do mundo, antecipação da aclamação que preside ao início da Vigília Pascal. É também a festa dos encontros. Maria e José vão ao Templo para oferecer a Deus o seu primeiro filho. O gesto apoia-se na fidelidade ao Deus da Aliança. Encontram Simeão que, iluminado pelo Espírito Santo, reconhece no Menino a Luz do mundo, o Salvador. Ana, também guiada pelo Espírito, une o seu louvor ao de Simeão. E o Espírito Santo prepara o coração de Maria para a Paixão. Hoje, faz-nos reconhecer em Jesus Cristo o Primogénito do Pai, que nos salva pela sua Páscoa.

Pergunta da semana: 

Reconheço em Jesus Cristo a Luz do mundo?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DA APRESENTAÇÃO DE JESUS


Uma das festas mais antigas do cristianismo é a da «Apresentação do Senhor», que, este ano, coincide com o domingo (em vez do quarto domingo). O evangelista e a tradição uniram-na à purificação de Maria. Também é conhecida como a festa da Candelária ou da Luz.
Ao lado de Jesus menino, Maria e José, o narrador bíblico coloca duas personagens anciãs: Simeão e Ana. Ambos são capazes de perceber a singularidade do menino apresentado pelos seus pais no Templo de Jerusalém. São duas personagens simples, piedosas... Os dois estão atentos à voz do Espírito Santo; os dois expressam-se com a Palavra de Deus nas suas bocas.
Simeão «profetizará» tanto a salvação que será inaugurada por Jesus, como o seu final trágico, que padecerá com Jesus, de maneira especial, a sua mãe, Maria.
Uma cena cheia de conteúdo de fé, de humildade, de simplicidade, de Palavra de Deus. Para a maioria passou despercebido. O certo é que a grandeza de Deus se manifesta no pequeno. E só os pequenos a percebem.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Rezar o domingo a partir da evangelho: Lucas 2, 22-40 > > >



Preparar o domingo da Apresentação de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014




La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.1.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DA APRESENTAÇÃO DE JESUS

2 DE FEVEREIRO DE 2014


Malaquias 3, 1-4

Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem – diz o Senhor do Universo –. Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor  os que apresentam a oblação segundo a justiça. Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.



Entrará no seu templo o Senhor a quem buscais


Malaquias significa «o meu mensageiro». O seu livro é o último do conjunto dos doze profetas menores. A sua mensagem situa-se numa época difícil para o povo de Israel: depois do regresso do exílio na Babilónia e da reconstrução do templo de Jerusalém. O povo vive numa situação de desânimo muito grande. Neste contexto, Malaquias é uma voz poderosa: anuncia que, precedido por um mensageiro, o Senhor chegará e porá em causa todas as rotinas a que o povo e os responsáveis em oferecer o culto ao Senhor se tinham acostumado.
A chegada do Senhor será purificadora: como o fogo que funde o metal nobre para o separar da escória ou como a lixívia que elimina as impurezas agarradas à roupa. A partir de então, as oferendas que se oferecerão ao Senhor, no seu templo de Jerusalém, voltarão a ser agradáveis. É necessário oferecer ao Senhor o que tem origem num coração puro, purificado pelo próprio Senhor.
O profeta fala da vinda do Senhor. Está e uma característica fundamental da maneira de ser de Deus como como nos é revelada nas Sagradas Escrituras: «Disse Deus: Eu sou o Alfa e o Omega, o que é, o que era e o que há de vir, o Todo-poderoso» (Apocalipse 1, 8). Deus vem e, quando aparecer, nada ficará igual, porque a presença do Senhor transforma a realidade inteira.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo da Apresentação de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.1.14 | comentários

REZAR O DOMINGO DA APRESENTAÇÃO DE JESUS

2 DE FEVEREIRO DE 2014


Evangelho segundo Lucas 2, 22-40


Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.



Segunda, 27: AGRADECER SEMPRE

Que maior alegria pode haver do que acolher uma criança! o rito um pouco formal da purificação é uma ocasião para José e Maria agradecer ao Senhor pelo dom do seu filho. Assim, mais do que uma lei a cumprir, trata-se de entrar numa atitude de gratidão. Disponho de tempo para dar graças a Deus pelos pequenos e pelos grandes presentes da minha vida? Que gestos posso inventar para lhe dizer obrigado?



Terça, 28: RECONHECER DEUS

Há muita gente em Jerusalém: seguramente, outros casais que vêm apresentar o filho, muitos peregrinos e habitantes, e depois um certo Simeão. É no coração da multidão que vai reconhecer quem ele espera. Pela intercessão de São Tomás de Aquino, que hoje celebramos, peço a graça de reconhecer os traços de Deus nos encontros e nos acontecimentos.



Quarta, 29: DEIXAR-SE INSPIRAR

Por três vezes, o Espírito Santo é nomeado em relação a Simeão. O Espírito «estava nele», expressão do livro de Isaías (61, 1), que Jesus vai aplicar a si mesmo no início do seu ministério, em Nazaré. Posso-me interrogar sobre como deixar que o Espírito Santo inspire as minhas palavras e as minhas ações. Peço-lhe a sua força, em especial para as situações mais difíceis que estou a viver.



Quinta, 30: CANTAR COM O CORAÇÃO

Lucas, narrador da cena, é frequentemente chamado de evangelista da alegria. Isto porque, nos textos iniciais, a vinda do Senhor suscita o canto jubiloso de numerosos protagonistas: Maria na visita a Isabel, Zacarias aquando do nascimento de João, os anjos, os pastores e, claro, Simeão. Faço minhas estas palavras e canto-as à minha maneira.



Sexta, 31: ACEITAR O COMBATE

A alegria não impede o combate; e as palavras que Simeão dirige a Maria são ásperas: o caminho da cruz começa por ela. Posso pensar em todos os parentes que sofrem e que se sentem incapazes perante o que atravessam os seus filhos. Que a força tranquila de Maria seja o seu apoio.



Sábado, 1: LOUVAR E TESTEMUNHAR

Simeão não é o único a reconhecer o Senhor. Há também Ana. Da mesma forma, começa a falar dele aos que estão ao seu redor. Como no sepulcro, é uma mulher que convida os outros a entrar na alegria. Confio a Deus todas as mulheres — e, claro, também todos os homens — que me ajudaram a melhor conhecer e amar o Senhor.



Domingo, 2: SERVIR A DEUS COM PAIXÃO

A festa da Apresentação de Jesus no Templo foi escolhida para agradecer ao Senhor por todos aqueles e aquelas (monges, religiosos, eremitas, consagrados...) que, como Ana, passam o tempo a rezar e, de uma maneira especial, a servir a Deus e aos seus irmãos. Nem sempre estamos familiarizados nem confortáveis com esse estilo de vida. Porque fizeram essa opção? Como é que vivem? Quais são os consagrados e as comunidades que conheço? Somos convidados a rezar por essas comunidades e a ter coragem para ir ao seu encontro. A sua opção de vida coloca-me diante das minhas próprias opções. Peço ao Senhor que ilumine o meu caminho e me ajude a crescer em sabedoria e graça como o Menino Jesus.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014


Rezar o domingo da Apresentação de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.1.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


O Secretariado de Liturgia da diocese do Porto, num artigo do jornal «Voz Portucalense» (2 de janeiro de 2013) evoca o tema da luz, relacionando o tempo de Natal com a celebração da Páscoa: a luz natalícia, característica do Natal e da Epifania, aponta para a «apoteose que acontece na Páscoa, na noite santa, em que Cristo, a luz do mundo, sem ocaso, ilumina e se reflete sobre todas as coisas». Entretanto, entre um e outro acontecimento situa-se a festa da Apresentação de Jesus no Templo (2 de fevereiro), onde de novo se destaca o tema da luz. «A celebração litúrgica, na sua rica gramática simbólica, dá um lugar de relevo à luz, de modo muito especial, na Páscoa e no Natal. O símbolo da luz introduz-nos na participação do mistério de Cristo. Neste sentido, se compreendem as velas que colocamos no altar, o Círio pascal que preside às celebrações principais, a lâmpada que arde diante do Santíssimo Sacramento, as velas que levamos nas procissões, a vela que se acende no batismo, na profissão de fé, o círio que se coloca diante do féretro, etc. A nossa existência, ritmada pela luz, manifesta-se, marcada por Cristo que diz: 'Eu sou a luz do mundo… Vós sois a luz do mundo!'».

A liturgia também se compreende como um jogo de luz. Desde a orientação das igrejas, os estilos arquitetónicos, a própria ação litúrgica, os ritos, os tempos litúrgicos e os lugares, etc., não são alheios aos fenómenos cósmicos, mas inserem-se, neles, num realismo impressionante, repleto de sentido. Por isso, podemos dizer que estão marcados por este jogo da luz. Neste sentido, o Natal volta-se para a Páscoa: a luz que surge, estabelece um ritmo que aponta para a sua apoteose que acontece na Páscoa, na noite santa, em que Cristo, a luz do mundo, sem ocaso, ilumina e se reflete sobre todas as coisas, ao longo de todo o ano (ano litúrgico) e celebrações (celebrações litúrgicas).
«Santo é o dia que nos trouxe a luz. Vinde, adorai o Senhor. Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra». Assim cantámos no Natal, evocando a luz que veio para «o povo que andava nas trevas» (Isaías 9, 2), o esplendor da glória do Senhor que envolveu os pastores (Lucas 2, 9), Cristo, esplendor da glória do Pai (Hebreus 1, 3), Vida, luz dos homens (João 1, 4), Luz que resplandece em Jerusalém, que conduz as nações e os reis (Isaías 60, 1.3), estrela que guia os Magos (Mateus 2, 2), etc.
O Natal e a Epifania são, com efeito, festas da Luz. Quarenta dias, após as festas natalícias, lembrando o acontecimento luminoso, se evoca Cristo luz «para iluminar as nações» que, vindo ao encontro do seu povo fiel, é a luz verdadeira que não tem ocaso. Nesse dia (2 de fevereiro), o povo reúne-se, acende as velas e o sacerdote abençoa a luz. O povo encaminha-se para a igreja com as velas acesas.
«Aqui temos um símbolo, belo e expressivo, entre muitos: a vela. Não te digo nada de novo, aliás; com certeza já o sentiste muitas vezes. Repara como ela se ergue no candelabro. Assenta o pé largo e pesado. O fuste ergue-se seguro. A vela levanta-se bem apertada e circundada pela arandela (aparador) bem espalmada. A sua figura vai-se adelgaçando ligeiramente; firmemente modelada por mais que suba. Assim está no espaço, esbelta, em pureza imaculada e cor levemente acentuada, distinta, por uma forma clara, de toda a mistura. Suspensa ao alto, está a chama e nela transforma a vela, o seu corpo puro em radiante luz. Diante dela não sentes acordar qualquer coisa de nobre?! Vê como está ali, imperturbável no seu posto, atirada ao alto, pura e honrosa. Nota como tudo nela se proclama: 'Estou pronta!'. Como ela está onde deve, diante de Deus. Nada nela foge e nada se subtrai. Tudo, límpida prontidão. E, em seu determinismo, consome-se incessantemente em luz e ardor. Talvez digas: 'que sabe disso a vela? Se ela não tem alma!'. Pois dá-lhe tudo! Deixa que se torne expressão tua. Faz com que, diante dela, desperte toda a disposição nobre: 'Senhor, aqui me tens!'. Sentirás, então, a sua atitude esbelta e pura, como expressão do teu próprio sentimento. Faz com que toda a tua disposição se robusteça de modo a atingir a felicidade indefectível. Então sentirás: 'Senhor, naquela vela, estou eu diante de Ti'. Não fujas ao teu destino. Persevera. Deixa-te de querer saber continuamente o porquê e o para quê. O sentido mais profundo da vida está em comunicarmo-nos em verdade e amor de Deus, tal como a vela se consome em luz e ardor» (R. Guardini, Sinais Sagrados).
A Bíblia aplica, este simbolismo da luz, a Deus que «habita numa luz inacessível» (1Timóteo 6, 16). «Deus é luz e n’Ele não há treva» (1João 1,5). E o salmista: «Meu Deus, como sois grande, vestido de esplendor e majestade, envolvido de luz, como de um manto» (Salmo 104, 2). E a Liturgia: «único Deus vivo e verdadeiro… permaneceis, eternamente, na luz inacessível… criastes o universo para encher de bênçãos todas as criaturas e a muitas alegrar na claridade da vossa luz» (Anáfora IV).
Mas este simbolismo litúrgico refere-se, sobretudo, a Cristo: «o Verbo era a luz verdadeira que ilumina todo o homem» (João 1,9); «Eu sou a luz do mundo: quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida» (João 8, 12): palavras proclamadas por Jesus na festa das Tendas, a festa das luzes, no Templo de Jerusalém. Este simbolismo atravessa toda a Bíblia, desde a primeira (faça-se a luz: Génesis 1, 3) até à última (a nova Jerusalém iluminada pela glória de Deus e a sua lâmpada é o Cordeiro… aí não haverá noite: Apocalipse 21, 23ss).
Naturalmente, a celebração litúrgica, na sua rica gramática simbólica, dá um lugar de relevo à luz, de modo muito especial, na Páscoa e no Natal. O símbolo da luz introduz-nos na participação do mistério de Cristo. Neste sentido, se compreendem as velas que colocamos no altar, o Círio pascal que preside às celebrações principais, a lâmpada que arde diante do Santíssimo Sacramento, as velas que levamos nas procissões, a vela que se acende no batismo, na profissão de fé, o círio que se coloca diante do féretro, etc. A nossa existência, ritmada pela luz, manifesta-se, marcada por Cristo que diz: «Eu sou a luz do mundo… Vós sois a luz do mundo!».

© SDL | Voz Portucalense
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014



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Laboratório da fé celebrada, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.14 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


Oração a partir do texto da Lumen Gentium 57

Virgem Maria, Mãe de Jesus:
quero contemplar a união que viveste com teu Filho,
na obra da Redenção, desde o momento
em que Ele foi concebido virginalmente no teu seio,
até à sua morte na cruz.

Primeiro, quando te dirigiste, pressurosa, a visitar Isabel,
e tua prima te proclamou «bem-aventurada»
por teres acreditado na salvação prometida;
e João, o precursor, estremeceu de alegria
no seio de sua mãe.
Ave, Maria, cheia de graça! 
O Senhor está contigo! 
Tu és bendita entre as mulheres 
e bendito é Jesus, o fruto do teu ventre! 

Depois, no nascimento:
quando tu, Mãe de Deus, cheia de alegria,
mostraste aos pastores e aos magos o teu Filho primogénito,
que não diminuiu, mas sim consagrou
a tua integridade virginal.
Ave, Maria, cheia de graça! 
O Senhor está contigo! 
Tu és bendita entre as mulheres 
e bendito é Jesus, o fruto do teu ventre! 

E também quando, ao apresentá-lo no templo ao Senhor,
ofereceste o resgate dos pobres
e ouviste Simeão profetizar que esse Filho
havia de ser sinal de contradição
e que uma espada atravessaria a tua alma de Mãe,
a fim de se revelarem
os pensamentos de muitos corações.
Ave, Maria, cheia de graça! 
O Senhor está contigo! 
Tu és bendita entre as mulheres 
e bendito é Jesus, o fruto do teu ventre! 

Finalmente, quando Tu e José,
depois de terdes procurado, com tanta dor, o Menino Jesus perdido,
o encontrastes no templo, ocupado nas coisas de seu Pai.
Vós não entendestes a resposta que Ele vos deu;
mas Tu guardavas e meditavas todas estas coisas no teu coração de Mãe.
Ave, Maria, cheia de graça! 
O Senhor está contigo! 
Tu és bendita entre as mulheres 
e bendito é Jesus, o fruto do teu ventre!

© Lopes Morgado

Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.13 | Sem comentários

— Semana do Consagrado —


— Evangelho segundo Lucas 2, 22-40 

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.

— Tema geral

Através das palavras e da catequese do evangelista Lucas, desenha-se aqui o quadro da “Apresentação de Jesus” no Templo de Jerusalém, a fim de ser “consagrado” ao Senhor.
A consagração de Cristo recorda-nos que a nossa vida se deve cumprir num “ecce venio”, numa entrega total nas mãos do Pai, ao serviço do projeto de salvação de Deus para os homens e para o mundo.

— Os Evangelhos da Infância de Jesus

Não foi logo desde o início que os primeiros cristãos se interessaram por aquilo que, hoje, nós conhecemos como “Evangelhos da Infância” e de que faz parte este texto de Lucas. O interesse dos primeiros cristãos era, sobretudo, pela mensagem e proposta que Jesus fez; daí que os Evangelhos se centrem especialmente nas recordações sobre a vida pública e a paixão do Senhor.
Só num estádio posterior houve uma certa curiosidade acerca dos primeiros anos da vida de Jesus. Coligiram-se, então, escassas informações históricas sobre a infância de Jesus e amassou-se esse material com reflexões que a comunidade fazia acerca do Senhor. Partindo de algumas indicações históricas e desenvolvendo uma reflexão teológica para explicar quem é Jesus, Lucas apresenta a história da Infância de Jesus.
O objetivo de Lucas é responder à pergunta fundamental: quem é este Jesus?

— O interesse do Evangelho pela apresentação de Jesus ao Templo

Lucas propõe-nos o quadro da apresentação de Jesus no Templo. Segundo a Lei de Moisés, todos os primogénitos, tanto dos homens como dos animais, pertenciam a Jahwéh e deviam ser oferecidos a Jahwéh (cf. Ex 13,1-2. 11-16). O costume de oferecer os primogénitos aos deuses é um costume cananeu. No entanto, Israel transformou-o no que dizia respeito aos primogénitos dos homens… Estes não deviam ser oferecidos em sacrifício, mas resgatados por um animal, imolado ao Senhor (vers. 23-24).
De acordo com Lv 12,2-8, quarenta dias após o nascimento de uma criança, esta devia ser apresentada no Templo, onde a mãe oferecia um ritual de purificação. Nessa cerimónia, devia ser oferecido um cordeiro de um ano (para as famílias mais abastadas) ou então duas pombas ou duas rolas (para as famílias de menores recursos), tradição a que o nosso texto faz referência (vers. 24). É neste contexto que este passo do Evangelho nos situa.
Na linha da apresentação de todas as histórias da infância de Jesus, também com esta Lucas pretende mostrar quem é Jesus e qual a sua missão no mundo. Ao sublinhar repetidamente a fidelidade da família de Jesus à Lei do Senhor (vers. 22. 23. 24), Lucas quer deixar claro que Jesus, desde o início da sua caminhada entre os homens, viveu na escrupulosa fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Desde o início da sua existência terrena, Ele entregou a sua vida nas mãos do Pai, numa adesão absoluta ao plano do Pai. A missão de Jesus no mundo passa por aí, pelo cumprimento rigoroso da vontade e do projeto do Pai.

— Simeão e Ana

As duas personagens que acolhem Jesus no templo, Simeão e Ana, representam o Israel fiel que esperava ansiosamente a sua libertação e a restauração do reinado de Deus sobre o seu Povo.
De Simeão diz-se que era um homem “justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel” (vers. 25). As palavras e os gestos de Simeão são particularmente sugestivos… Simeão toma Jesus nos braços e apresenta-O ao mundo, definindo-O como “a salvação” que Deus quer oferecer “a todos os povos”, “luz para se revelar às nações e glória de Israel” (vers. 28-32).
Jesus é, assim, reconhecido pelo Israel fiel como esse Messias libertador e salvador, a quem Deus enviou – não só ao seu povo, mas a todos os povos da terra.
Aqui desponta um tema muito querido a Lucas: o da universalidade da salvação de Deus… Deus não tem já um Povo eleito, mas a sua salvação é para todos os povos, independentemente da sua raça, da sua cultura, das suas fronteiras, dos seus esquemas religiosos.
As palavras que Simeão dirige a Maria (“este menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; e uma espada trespassará a tua alma” – vers. 34-35) aludem, provavelmente, à divisão que a proposta de Jesus provocará em Israel e ao resultado dessa divisão – o drama da cruz.
Ana é também uma figura do Israel pobre e sofredor (“viúva”), que se manteve fiel a Jahwéh (não se voltou a casar, após a morte do marido – vers. 37), que espera a salvação de Deus. Depois de reconhecer em Jesus a salvação anunciada por Deus, ela “falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (vers. 38).
A palavra utilizada por Lucas para falar de libertação é a palavra grega “lustrosis” (“resgate”), utilizada no Êxodo para falar da libertação da escravidão do Egipto (cf. Ex 13,13-15; 34,20; Nm 18,15-16).
Jesus é, assim, apresentado por Lucas como o Messias libertador, que vai conduzir o seu Povo do domínio da escravidão para o domínio da liberdade. A apresentação no Templo de um primogénito celebrava precisamente a libertação do Egipto e a passagem da escravidão para a liberdade (cf. Ex 13, 11-16).
Nas figuras de Ana e Simeão, desse Israel antigo e fiel, esperançoso nas promessas de Deus, vemos um mundo que crê no Deus da Aliança e da Paz e, sobretudo, na fidelidade de Deus às suas promessas.
Mesmo quando não se vê o modo de sair de uma crise, quando Deus parece mais longínquo, talvez esquecido de nós, eis que Ele vem ao Templo, numa figura frágil, de um Menino, “sinal de contradição”, mas também, e sobretudo, sinal de redenção, de libertação para todos os que ainda ousam crer e esperar num mundo segundo a ordem de Deus, em que a “sabedoria” e a “graça” que habitavam a pessoa de Jesus possam ser os fundamentos de uma “civilização do amor”.

— O Menino que crescia: sabedoria e graça estavam com ele

O texto termina com uma referência ao resto da infância de Jesus e ao crescimento do menino em “sabedoria” e “graça”. Trata-se de atributos que lhe vêm do Pai e que atestam, portanto, a sua divindade (vers. 40).
Jesus é o Deus que vem ao encontro dos homens com uma missão que lhe foi confiada pelo Pai. O objetivo de Jesus é cumprir integralmente o projeto do Pai… E esse projeto passa por levar os homens da escravidão para a liberdade e em apresentar a proposta de salvação de Deus a todos os povos da terra, mesmo àqueles que não pertencem tradicionalmente à comunidade do Povo de Deus.

— Interpelações para nós, hoje

A Festa da “Apresentação do Senhor” coincide com a celebração do Dia da Vida Consagrada. Ao olhar para o mistério da consagração aqui expresso, os consagrados são convidados a revisitar os fundamentos da sua consagração, vivida no seguimento de Jesus, por amor do Reino.
Poderíamos dizer que se celebra hoje em toda a Igreja um singular “ofertório”, no qual os homens e as mulheres consagradas renovam espiritualmente o dom de si. Agindo desta forma, ajudam as comunidades eclesiais a crescer na dimensão oblativa que as constitui intimamente, as edifica e as estimula a testemunhar Jesus pelos caminhos do mundo.

A “apresentação do Senhor” no Templo de Jerusalém revela que, desde o início da sua caminhada entre os homens, Jesus escolheu um caminho de total fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Ao oferecer-Se a Deus em oblação, ao ser “consagrado” ao Pai, Jesus manifesta a sua disponibilidade para cumprir fiel e incondicionalmente o plano salvador do Pai até às últimas consequências, até ao dom total da própria vida em favor dos homens.
O “ecce venio” de Jesus é o modelo da doação e da entrega de todos os consagrados, chamados a seguir Jesus mais de perto, numa oblação total a Deus e ao Reino. A vocação de consagrados concretiza-se na entrega de toda a existência nas mãos do Pai, na fidelidade absoluta à sua vontade e aos seus planos.
Que valor e que importância tem na sua vida o projeto de Deus? Procuram identificar a vontade de Deus e com ela conformar a sua vida, em total doação e entrega, ou deixam que sejam os seus projetos e esquemas pessoais a ditar as suas opções e as coordenadas da sua vida?

Jesus é-nos apresentado, neste texto, como “a salvação colocada ao alcance de todos os povos”, a “luz para se revelar às nações e a glória de Israel”, o messias com uma proposta de libertação para todos os homens.
Que eco tem esta “apresentação” de Jesus no coração dos consagrados? Jesus é, de facto, a luz que ilumina as suas vidas e que os conduz pelos caminhos do mundo? Ele é o caminho certo e inquestionável para a salvação, para a vida verdadeira e plena? É n’Ele que colocam a sua ânsia de libertação e de vida nova? Este Jesus aqui apresentado tem real impacto na sua vida, nas suas opções, nos passos que dão no seu caminho de consagração, ou é apenas uma figura decorativa de um certo cristianismo de fachada?

Simeão e Ana são, na cena evangélica que nos é proposta, figuras do Israel fiel, que foi preparado desde sempre para reconhecer e para acolher o messias de Deus. Na verdade, quando Jesus aparece, eles estão suficientemente despertos para reconhecer naquele bebé o messias libertador que todos esperavam e apresentam-n’O formalmente ao mundo.
Hoje, os consagrados – discípulos que acolheram Jesus como a sua luz e que aceitaram segui-l’O – têm a responsabilidade de O apresentar ao mundo e de O tornar uma proposta questionadora, libertadora, iluminadora, salvadora, para os homens nossos irmãos.
É isso que acontece? Através do seu anúncio – feito com palavras, com gestos, com atitudes, com a fidelidade aos votos religiosos – Jesus é apresentado ao mundo e questiona os homens seus irmãos?
Se tantos homens ignoram a “luz” libertadora que Jesus veio acender ou não se sentem interpelados pelo projeto de Jesus, a culpa não será, um pouco, de um certo imobilismo e instalação, de algum “cinzentismo” na vivência da fé, da forma pouco entusiasta como é testemunhada na Vida Consagrada?

A Vida Consagrada é chamada a refletir de maneira particular a luz de Cristo. Olhando as pessoas consagradas, que procuram viver ao estilo das Bem-aventuranças, os homens e mulheres do nosso tempo têm de ver o “fermento” de esperança para a humanidade, o “sal” que dá sabor ao mundo, uma “luz” que se acende na escuridão do mundo e que indica caminhos de verdade e de liberdade, a “porta” entreaberta para o Reino de Deus e para os “novos céus e a nova terra” que Deus quer apresentar à humanidade.
É preciso que os consagrados sejam luz e conforto para cada pessoa, velas acesas que ardem com o próprio amor de Cristo, luz que ilumina as sombras do mundo e que profeticamente anuncia a aurora de uma nova realidade.
É isso que acontece? O seu testemunho interpela positivamente os homens e mulheres que todos os dias com eles se cruzam nos caminhos do mundo e aponta-lhes a realidade do Reino?

Os desafios de Deus, os seus planos, revelam-se, de forma privilegiada, na Palavra de Deus…
Que importância é que a Palavra de Deus assume na vida dos cristãos e dos consagrados e das nossas comunidades cristãs e religiosas? Procuram viver na escuta da Palavra, numa progressiva sensibilidade à Palavra de Deus, a fim de discernir os desafios de Deus? Encontram tempo, individualmente e a nível comunitário, para se reunirem à volta da Palavra de Deus, para partilhar a Palavra de Deus, para se deixarem questionar pela Palavra de Deus?

Pobreza, castidade e obediência são as características distintivas do homem redimido, interiormente resgatado da escravidão do egoísmo.
Livres para amar, livres para servir: assim são os homens e as mulheres que renunciam a si mesmos pelo Reino dos Céus. Seguindo Cristo, crucificado e ressuscitado, os consagrados vivem esta liberdade como solidariedade, assumindo os pesos espirituais e materiais dos seus irmãos.
Os votos são assumidos pelos consagrados como elemento desta entrega total nas mãos de Deus – a exemplo de Cristo – para o serviço do Reino e da humanidade, ou são vistos como uma carga insuportável que os limita e os torna infelizes?


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.13 | Sem comentários

— Semana do Consagrado —


— Evangelho segundo Lucas 2, 22-40 

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.

— Compreender a Palavra

A festa de hoje convida-nos a prestar atenção às personagens que aparecem na Apresentação do Senhor no templo: o menino, os seus pais, dois anciãos e o Espírito Santo. As suas ações são de pobres; a sua reação é de louvor e salvação. Todos são movidos e iluminados pelo Espírito Santo.
Reparemos bem: duas vidas gastas na esperança proclamam as maravilhas que Deus realiza nos humildes; o Espírito guia pelo caminho da esperança os que buscamos o Senhor e para encontrá-lo necessitamos a sua luz.
Ilumina-me, Senhor, com o teu Espírito!
Depois do seu nascimento, Jesus foi levado por seus pais ao templo, para cumprir o ritual judaico.
A Carta aos Hebreus proclama a Palavra: “ ‘Estou aqui, ó Deus para fazer a tua vontade’.” (Heb 10,9). A Apresentação de Jesus ao Templo revela que ele não veio para fazer coisas, mas ser Deus no meio de nós, ou melhor ainda, “Deus-connosco!”

— Meditar a Palavra

O que me diz, a mim, este texto do Evangelho?
O teólogo Edward Schillebeeckx diz que “Maria é o braço que une a humanidade santa e salvadora de Cristo à nossa humanidade”.
Ela apresentou Jesus no Templo e ali se revelou o Salvador, na voz de Simeão.
O Pe. Cristo Rey Garcia Paredes escreve em “Palavra e Vida, 2012”: “na Igreja recordamos hoje o dia do chamamento à “vida consagrada”… E porque é que celebramos este modo de vida, hoje, dia da Apresentação? Porque é a data em que o Menino Jesus foi “consagrado ao Senhor”. Maria e José ofereceram-n’O no templo. Essa consagração transformou Jesus em sinal de contradição. A vida consagrada tem também uma função profética.”
Os milhares de consagrados, homens e mulheres, exercem a função profética no mundo em que vivem colocando-se ao lado de todo o tipo de marginalizados. Encontrámo-los numa atitude de proximidade com os mais pobres sejam eles idosos ou crianças, doentes com ou sem deficiência, deslocados ou marginalizados. A todos anunciam Jesus Cristo Ressuscitado, junto de cada um deles.
“A caridade de Cristo não me deixa descansar”, dizia Santo António Maria Claret, citando S. Paulo.
É este zelo apostólico que leva tantos consagrados, homens e mulheres, a deixarem tudo, terra e família, e partirem com o único objetivo de difundir o amor de Jesus Cristo em toda a parte.
Falando da vida consagrada, a irmã Tiziana, Franciscana dos Pobres, dizia que «os fundadores não se detiveram nas análises sociológicas» mas «encarnaram a palavra do Senhor, muitos deles transformaram pessoas e territórios, voltando a dar capacidade de viver e luz a zonas e bairros degradados desde todos os pontos de vista».
Nesta reflexão não posso esquecer os consagrados, missionários do sofrimento, que a doença amarra ao leito de um hospital ou prende a uma máquina à custa da qual conseguem viver e, com a serenidade, enfrentando a doença, anunciam o Cristo vivo e presente em cada pessoa.

— Rezar a Palavra

Rezo, espontaneamente, com salmos ou outras orações. Hoje rezo com a Oração de São Patrício:
Cristo está comigo, Cristo à minha frente,
Cristo atrás de mim, Cristo em mim,
Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda,
Cristo ao me deitar, Cristo ao me sentar, Cristo ao me levantar,
Cristo no coração de todos os que pensarem em mim,
Cristo na boca de todos os que falarem em mim,
Cristo em todos os olhos que me virem,
Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem.

— Compromisso

Qual o meu novo olhar para a EVANGELIZAÇÃO, como consagrado/consagrada a partir da Palavra?
O meu novo olhar é de reconhecimento da salvação que também nós “vimos com os nossos próprios olhos”.
Ele, Jesus Cristo, é a luz que ilumina o nosso caminho.

— Bênção

Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.
 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.13 | Sem comentários
— palavra para sábado, dia 2 de fevereiro: apresentação de Jesus —



— Evangelho segundo Lucas 2, 22-40 

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.

— Simeão, homem justo e piedoso [...]. Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser

Maria e José, certamente com o apoio de toda a família, procuraram dar uma boa educação ao seu filho Jesus, também na dimensão religiosa. Como todo o bom judeu, Jesus aprendeu a integrar na sua vida todos os costumes e rituais da sua religião. 
O texto situa-se no templo de Jerusalém, onde acontece o ritual da apresentação do primeiro filho, conforme determinação da lei judaica. Além disso, a mãe também tinha de se submeter a uma ritual de purificação. Ambos — a purificação de Maria e a apresentação de Jesus — são referenciados no início da narração. Mas o mais importante não é o cumprimento do ritual.
Ao longo desta semana, fomos convidados a descobrir a potencialidade que existe na pequena semente do Evangelho que nos é oferecida em cada dia. Neste texto, vemos que um pequeno Menino também é capaz de despertar toda a força vital de dois anciãos de Israel: Simeão e Ana.
Hoje, quer despertar o mesmo dinamismo, a mesma vitalidade, em cada um de nós. E seremos capazes de louvar a Deus e de falar do Menino aos outros. Ele é a semente, a Palavra de Deus que desce ao nosso coração, à nossa vida. E, tal como propõe a Liturgia da Igreja (Liturgia das Horas) aprendamos a fazer nossa, no final de cada dia, a oração de Simeão: 

Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, 
deixareis ir em paz o vosso servo, 
porque meus olhos viram a salvação, 
que oferecestes a todos os povos, 
luz para se revelar às nações 
e glória de Israel vosso povo.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.2.13 | Sem comentários
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