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PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO QUINTO

21 DE SETEMBRO DE 2014


Isaías 55, 6-9

Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos. Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele, ao nosso Deus, que é generoso em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –. Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos e acima dos vossos estão os meus pensamentos.



Acima dos vossos estão os meus pensamentos


O texto no seu contexto
. No final da segunda parte do profeta Isaías (capítulos 40 a 55, o Dêutero-Isaías), o autor faz um convite e uma súplica à conversão. Não é claro a quem se dirige: A todos os que o ouvem? Apenas aos judeus que resistem a voltar para Judá? Fala de «ímpios» e de «perversos», mas não dá pistas. O centro teológico do texto é marcado não tanto pelos pecadores, mas pela exortação de Deus e a proclamação do seu perdão surpreendente. Os caminhos e os pensamentos de Deus não coincidem necessariamente com os nossos: não são «previsíveis», mas abrem sempre novas rotas inesperadas e inexploradas. Ele revela-se como misericordioso, «generoso em perdoar»; por isso mesmo pede que o ser humano o procure, abandone os caminhos errados e regresse a ele. No final do «livro da consolação» abre-se um caminho para a conversão e a procura sincera de Deus.

O texto na história da salvação. O Antigo Testamento revela a unicidade de Deus («Deus é um só»); consequência disto é a recusa dos ídolos, que não são nada. Mais ainda: o Antigo Testamento revela que Deus é o horizonte do ser humano; por isso, o ser humano «procura-O» e «invoca-O». O pecado entende-se como uma «fuga», como um «abandono» de Deus, seguindo outros caminhos e outros pensamentos. Deus espera o regresso e o profeta faz eco e dá testemunho desta súplica.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Deus não é «inimigo a combater» ou «padrasto» do que foge. O ser humano crente «abre-se» em escuta atenta aos pensamentos de Deus e dispõe-se docilmente a seguir os seus caminhos. Este é o caminho bíblico da felicidade, não contra Deus, mas atentos aos «pensamentos» de Deus.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo vigésimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.9.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

14 DE SETEMBRO DE 2014


Números 21, 4b-9

Naqueles dias, o povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egito, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.



O povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus


O texto no seu contexto
. A travessia do deserto não é a narração de uma epopeia, mas de um drama que, com frequência, se transforma em tragédia. Israel não é, em absoluto, um modelo de povo submisso. Revolta-se e chega a dizer que estava melhor no Egito, mesmo sendo escravos. E mais: acusa Deus de tirá-lo do Egito para o matar à fome. Blasfémia ou acusação justa? O castigo inicial transforma-se em perdão, graças à mediação de Moisés. O antigo símbolo da serpente de bronze, que dá vida temporariamente, fica como testemunho de um sinal aberto ao futuro: de uma árvore sairá a verdadeira vida.

O texto na história da salvação. A nossa mentalidade ocidental fica chocada ao ler que Deus, por causa de um protesto humano, possa mandar serpentes cujas mordeduras sejam mortíferas. O povo de Israel é arquétipo da humanidade que enfrenta as dificuldades da vida (deserto) e prefere a escravidão com pão à escassez em liberdade. O «bem-estar» a qualquer preço não é prometido por Deus; Deus promete a «terra», lugar de encontros e desencontros, de fidelidades e de pecados. A história desenvolve-se na terra prometida: o deserto é uma antecipação, com frequência, premonitória.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A experiência do povo de Israel, na travessia pelo deserto, pode ser transposta para a nossa própria experiência. O deserto é lugar de prova em liberdade, de encontro com a vida em estado puro e exigente. A travessia da vida é dura: doenças, dificuldades económicas, crises familiares, desenraizamentos. Parece que desfalecemos; mas há «testemunhos de vida e de esperança». A Igreja leu sempre neste texto o anúncio do que será a árvore levantada da única e verdadeira salvação: a de Cristo na cruz.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.9.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO TERCEIRO

7 DE SETEMBRO DE 2014


Ezequiel 33, 7-9

Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».



Coloquei-te como sentinela


O texto no seu contexto
. Ezequiel viveu em dois momentos cruciais da história de Israel, que desembocam de forma natural em duas etapas da sua pregação. A primeira etapa, marcada pela iminente destruição de Jerusalém, é um convite à conversão do povo, esperando que a mudança radical de atitude vá acompanhada por uma alteração na história. A segunda etapa, partilhando a vida dos desterrados, é um convite a ter esperança; já não serve «queixar-se» de que todos sofrem pelos pecados dos outros. Cada um é responsável pela sua história e suas consequências. O profeta sente-se chamado por Deus a ser «sentinela», «vigia» desta nova situação. Da mesma forma que uma sentinela, na muralha, tem o encargo de avisar se há um perigo iminente, assim o profeta é a sentinela que adverte o povo sobre um comportamento transviado ou perigoso que o leva à destruição.

O texto na história da salvação. Estamos num momento crucial no desenvolvimento moral da teologia bíblica. Este texto é testemunha duma mudança que supõe a atribuição das desgraças do povo a uma «culpa coletiva», como se de um destino fatal se tratasse, acima da responsabilidade individual. Cada um é responsável pelos seus atos. Isto não invalida o olhar atento do profeta, tornando inútil a sua missão, mas dá-lhe um novo carácter: é o responsável por projetar um olhar lúcido e de ter uma voz potente e clara que avise, sobretudo os incautos e menos perspicazes, sobre o perigo que se avizinha.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Em cada grupo humano há pessoas perspicazes, cum uma «inteligência natural», que os faz ver com clareza as situações presentes e futuras. Os profetas são estes homens «clarividentes» que têm que abrir os olhos das pessoas cegas e obstinadas no seu erro. Missão de outrora e de sempre.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo vigésimo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEGUNDO

31 DE AGOSTO DE 2014


Jeremias 20, 7-9

Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me do­minastes e vencestes. Em todo o tempo sou objecto de escárnio, toda a gente se ri de mim; porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!». E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia.



Havia no meu coração um fogo ardente


O texto no seu contexto
. O profeta Jeremias acrescenta aos oráculos contra as nações ou contra os grupos humanos que manipulam a palavra de Deus ao seu belo prazer, uma exposição da sua intimidade. Uma das grandes atrações deste profeta é o facto de pôr por escrito, na primeira pessoa, as suas lutas com Deus. São bem conhecidas as chamadas «confissões» de Jeremias. O texto proposto para primeira leitura do vigésimo segundo domingo (Ano A) pertence à quinta (Jeremias 20 7-18), sem dúvida a mais dura se a lermos na totalidade (especialmente os versículos 14 a 18). O texto litúrgico apenas propõe o início da confissão. É a experiência de um homem que vive a vocação com tensão («Vós me seduzistes»), com luta interna («Vós me dominastes»), perante a qual cede finalmente («vencestes»). É curioso ver como não se vangloria da sua condição de anunciador da palavra divina; pelo contrário, ela é motivo de escárnio, insultos e zombarias.

O texto na história da salvação. Jeremias não é um «profissional» da Palavra de Deus, no seu sentido pejorativo, não faz dela o seu ofício nem a sua fonte de rendimentos. A própria fragilidade do profeta faz com que tenha a tentação de abandonar a sua missão, de ceder. Mas — e esta frase ultrapassa os limites da temporalidade — a palavra de Deus é «fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos», que não se pode conter. Desta forma, a voz profética atravessa toda a história da salvação.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A palavra de Deus não vem pela carne (herança, entendimento), mas pelo dom de Deus (fogo abrasador e incontrolável). A experiência profética não se vende nem se compra, é um presente de Deus ao seu eleito.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo vigésimo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO PRIMEIRO

24 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 22, 19-23

Eis o que diz o Senhor a Chebna, administrador do palácio: «Vou expulsar-te do teu cargo, remover-te do teu posto. E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Elcias. Hei de revesti-lo com a tua túnica, hei-de pôr-lhe à cintura a tua faixa, entregar-lhe nas mãos os teus poderes. E ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei aos seus ombros a chave da casa de David: há de abrir, sem que ninguém possa fechar; há de fechar, sem que ninguém possa abrir. Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme e ele será um trono de glória para a casa de seu pai».



Porei aos seus ombros a chave da casa de David


O texto no seu contexto
. É o único oráculo do profeta Isaías dirigido contra uma pessoa: Chebna. Isaías, como os outros profetas, costumam dirigir os oráculos contra um Império (Assíria), um povo (Edom), uma cidade (Tiro), um grupo humano (sacerdotes, príncipes) ou contra o próprio povo (Judá, Israel). Chebna é um alto funcionário estrangeiro da corte do rei Ezequias; a ele eram encomendadas as principais missões no governo do povo. Não está claro o motivo da sua condenação e destituição: por construir um mausoléu?; por dispêndio de dinheiro? Isaías recolhe no seu oráculo esta mudança de poder, que passa para as mãos de um tal Eliacim. Os símbolos da autoridade que o revestem (faixa, túnica) passam de um para o outro; é de singular importância o detalhe das chaves. O gesto da entrega das chaves a um personagem supõe confiar-lhe a autoridade, a tomada de decisões, o governo.

O texto na história da salvação. O poder passa das mãos de um alto dignitário estrangeiro para outro dignitário que pertence à «casa de David». O profeta Isaías recolhe duas linhas teológicas na sua obra: uma centrado na permanência de Sião-Jerusalém como cidade eleita por ele; outra, a promessa davídica, segundo a qual Deus assegura que um «filho de David» reinará sobre o povo. Com este oráculo contra Chebna, Isaías recupera ambas as promessas de Deus. Deus dirige a história do seu povo, confiando o seu pastoreio ao rei e aos ministros da sua casa. A função deles é ser «pais» do povo, não governantes que o exploram.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. As chaves como símbolo de autoridade fazem parte do contexto universal. Ter as chaves e poder fazer uso legítimo delas manifestam a capacidade de tomar decisões, de «abrir o oculto» e «fechar outros espaços da vida». Este símbolo de autoridade real passou dentro da própria Bíblia para outros textos; entre outros, para o evangelista Mateus.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo vigésimo primeiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO

17 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 56, 1.6-7

Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, hei de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada 'casa de oração para todos os povos'».



Casa de oração para todos os povos


O texto no seu contexto
. Surpreende o início da profecia do Terceiro Isaías, dirigida aos «estrangeiros», tradicionalmente excluídos da salvação de Deus, num momento tão delicado para o povo de Israel. Os deportados voltaram do exílio e os novos governadores, encarregados da restauração pelas autoridades persas, têm que assegurar um gérmen de população nitidamente judaica sobre a qual terá de assentar o futuro. O Templo destruído por Nabucodonosor ainda não tinha sido reconstruído com todo o seu esplendor. Foram tempos muito duros, em que se receava o estrangeiro e se impuseram com intolerância normas de pureza em nome da identidade que excluía os «não judeus».

O texto na história da salvação. Como entender, portanto, esta profecia de Isaías? Não se questiona que a salvação, que provém do próprio Deus, vai chegar; mas será só para os judeus ou, como diz Isaías, alcançará também outros povos? É verdade que também a eles se exige que guardem os mandamentos como os israelitas; além disso, têm que observar o sábado e perseverar no espírito da aliança, segundo este texto. Surpreende também como o monte Sião, o Monte Santo de Jerusalém, seja transformado em «casa aberta e de acolhimento» para todos os povos. O Templo de Jerusalém adquire aqui um cariz e atitude aberta que, contudo, depois não terá.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Os limites são postos pelos humanos, Deus anuncia a salvação para toda a humanidade, sem distinção de raças, línguas ou culturas, pois cada ser humano foi criado à imagem e semelhança do próprio Deus. O projeto amoroso de Deus rompe os nossos critérios redutores, da mesma forma que o oráculo do Terceiro Isaías é um jarro de água fresca no meio de uma época intolerante e excludente para com os que não pertenciam oficialmente ao povo de Israel. O universalismo do Terceiro Isaías é uma antecipação do universalismo de Jesus e do seu Evangelho.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo vigésimo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.8.14 | Sem comentários

PREPARAR A SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA

15 DE AGOSTO DE 2014


Apocalipse 11, 19a; 12, 1-6a.10ab

O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».



Uma mulher revestida de sol


O texto no seu contexto
. A Apocalíptica não e um «género literário» entre muitos outros bíblicos, mas equipara-se à literatura histórica, sapiencial ou profética. A «literatura apocalíptica», herdeira da profecia, leva ao limite as imagens simbólicas. Não se trata duma linguagem descritiva, nem duma linguagem esotérica (que esconde mensagens estranhas). A apocalíptica, lida dentro da Escritura, é uma forma literária ao serviço da comunicação da «Palavra de Deus»; portanto, é uma palavra de salvação, não ociosa ou fantástica. O livro do Apocalipse apresenta os textos em coerência com a revelação cristã: o verdadeiro revelador é o próprio Cristo. A cena abre com uma visão do «céu - espaço de Deus», com dois elementos salvíficos: o santuário e a arca da aliança. Aparecem «sinais»: a «mulher» coroada de estrelas faz referência ao amor de aliança entre Deus e o seu povo; também à sua fecundidade, pois está para ser mãe: o menino que vai nascer vai levar a história à sua plenitude. O dragão é a realidade da violência e da injustiça presentes na história.

O texto na história da salvação. A partir destas chaves de leitura, a Igreja viu na mulher a referência a Maria como «nova Eva». Graças à sua palavra obediente — frente à desobediência de Eva — foram vencidas para sempre as potestades maléficas que ameaçam o género humano (dragão). A «saúde/salvação» e a «autoridade/poderio» pertencem a Deus e a seu Filho. O futuro do mundo e da história não está submetido ao mal, às potências violentas e à injustiça que ditam a última palavra, mas pertence a Deus.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Maria é a mulher que gera em Cristo a nova humanidade; é também imagem da Igreja que acolhe em seu seio os redimidos por Cristo. O futuro não é de pecado, de morte, de destruição, mas de perdão, vida e cumprimento da salvação.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Solenidade, 15 de agosto

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO NONO

10 DE AGOSTO DE 2014


Primeiro Livro dos Reis 19, 9a.11-13a

Naqueles dias, o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.



O Senhor passou


O texto no seu contexto
. Elias fugiu da rainha Jezabel. Tinha sido capaz de enfrentar o poder opressor do rei de Israel e pôs a sua vida em risco para defender a verdadeira religião. Até chegou a usar armas. Perseguido pela rainha, refugia-se no monte Horeb, lugar da revelação para Moisés. Longe dos gritos da batalha, esconde-se numa gruta. Deus vai «passar», vai-se «revelar»: estará na violência do furacão? Porventura no terramoto que não deixa nada no sítio? Ou talvez no fogo que não deixa rasto? O valente profeta, defensor dos direitos de Deus, obedece e espera. Contudo, fica desconcertado quando descobre que Deus não está no Deus «barulhento», «poderoso», «destruidor», mas no sussurro da brisa, no silêncio eloquente.

O texto na história da salvação. As grandes personagens da história da salvação são pessoas com uma trajetória semelhante. Ouviram o chamamento de Deus; às vezes também se voltaram contra Deus; chegaram até em alguns casos, como Moisés ou Elias, a fugir. O encontro com Deus, na Bíblia, não é coisa de pessoas psicologicamente infantis ou de temerosos que fogem dos problemas. Elias não é um profeta cobarde, mas tem uma imagem de Deus que é necessário corrigir. Deus procura e, se o ser humano se deixa encontrar, dá-se um encontro que, mesmo que não seja agradável, é frutífero.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Uma vez mais, o Deus da Bíblia desconcerta-nos. Primeiro, temos que parar para escutar. Depois, temos que aceitar que pode mudar a nossa imagem de Deus. Não será que procuramos Deus onde Ele não está: no tremendo e descomunal, no espetacular e fantástico, no terrível e avassalador? O sussurro da brisa obriga a estar atentos ao pequeno, ao insignificante, ao que passa despercebido. É a presença de Deus no quotidiano que se despreza por pensar que não tem valor nem consistência.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo décimo nono (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO OITAVO

3 DE AGOSTO DE 2014


Isaías 55, 1-3

Eis o que diz o Senhor: «Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Ouvi-Me com atenção e comereis o que é bom; saboreareis manjares suculentos. Prestai-Me ouvidos e vinde a Mim; escutai-Me e vivereis. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.



Prestrai-Me ouvidos e vinde a Mim


O texto no seu contexto
. O poema proposto para primeira leitura do décimo oitavo domingo (Ano A) pertence ao final do Segundo Isaías, que como bem sabemos, repete dois tópicos teológicos: um, o regresso a Judá a partir do desterro na Babilónia, como se tratasse de um «segundo êxodo» vivido pelo povo. O segundo tópico é o da reconstrução de Jerusalém, referida com o nome teológico de Sião, cidade eleita por Deus. A boa notícia que se anuncia é que Jerusalém, que tinha sido devastada, vai ser construída. A cidade, que antes não tinha nada para oferecer, agora convida a comer manjares suculentos e a beber em abundância. Surpreende o final, a «aliança eterna» e «as graças prometidas a David», pois não são temas específicos da teologia do Segundo Isaías, embora não destoem do resto do livro, que é um texto de consolação e de esperança, assegurando que há um futuro e que esse futuro é trazido pelo próprio Deus.

O texto na história da salvação. Deus tinha prometido e Deus cumpre; mas entre «promessa e cumprimento» há um tempo de prova, de espera, de maturação. Já tinha acontecido ao sair do Egito, ao passar pelo «tempo» real e «salvífico» da travessia do deserto. Agora, o povo, ainda sob o jugo da Babilónia, tem de fazer a sua travessia até chegar a Jerusalém, a cidade santa. Tempo necessário e tensão dramática entre a promessa e o cumprimento. Por outro lado, tem de aprender a discernir o que «alimenta e sacia» do que é vão, falso, incapaz de saciar a fome profunda do ser humano.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. É um texto que exorta à vida, a confiar nas promessas de Deus. O que é que os espera? Saciar a sua fome e sede: alcançar a meta. Mas não basta acreditar; é preciso por-se a caminho: há que ser protagonista, mesmo que incipiente, modesto, com certas dificuldades, desse caminho que leva a Jerusalém. Todos são impelidos a por-se a caminho, todos ficarão saciados, mas todos devem levantar-se da sua prostração e começar a caminhar. Tampouco basta qualquer alimento; é necessário saber onde está a água e o pão necessitados pelo coração humano.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo décimo oitavo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO SÉTIMO

27 DE JULHO DE 2014


Primeiro livro dos Reis 3, 5.7-12

Naqueles dias, o Senhor apareceu em sonhos a Salomão durante a noite e disse-lhe: «Pede o que quiseres». Salomão respondeu: «Senhor, meu Deus, Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David e eu sou muito novo e não sei como proceder. Este vosso servo está no meio do povo escolhido, um povo imenso, inumerável, que não se pode contar nem calcular. Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para governar o vosso povo, para saber distinguir o bem do mal; pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?». Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão e disse-lhe: «Porque foi este o teu pedido, e já que não pediste longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu desejo. Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti».



Pede o que quiseres


O texto no seu contexto
. Salomão ficou na história bíblica como um «rei douto», «erudito», «hábil», «inteligente». Também se diz que foi um «rei sábio», mas se tivermos em conta o sentido da «sabedoria» para a Bíblia, que inclui o «temor de Deus», é necessário explicitar melhor esta palavra. Salomão nunca alcançou a popularidade do seu pai David nem obteve o beneplácito de Deus, pois no final da sua vida cedeu perante a pressão das suas múltiplas mulheres e caiu na idolatria. O texto do livro dos Reis, contudo, que faz parte da «teologia deuteronomista», apresenta-o como um rei que cumpre a lei de Deus e que fez algo de um valor sem comparação: construiu o Templo do Senhor. Isto é suficiente para entrar na lista dos grandes reis. O texto proposto para primeira leitura do décimo sétimo domingo (Ano A) está na mesma linha de exaltar o rei: não quer riquezas humanas, mas uma «sabedoria» (nós diríamos «sagacidade» ou «mão de ferro»), para governar bem o seu povo. O autor do livro dos Reis fala de um «povo tão numeroso», mas era melhor dizer «um povo de dura cerviz».

O texto na história da salvação. A riqueza em toda a tradição bíblica é o próprio Deus, que se nos revela e se nos dá ao longo da vida. O que o crente deseja é escutar a Lei de Deus; observar os seus mandamentos; viver com retidão ao seu serviço. A verdadeira riqueza e sabedoria, para os Livros Sapienciais, é o «temor de Deus» como expressão de uma obediência religiosa, respeitadora e amorosa para com Deus. Salomão pede o dom do «discernimento», dom que deve acompanhar qualquer comportamento sábio e sensato.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. O ser humano anda sempre à procura tesouros fabulosos, com os quais sonha. Os tesouros são sinónimo de garantia na vida; de abundância para não precisar de nada. Contudo, na tradição bíblica, e mais concretamente na sapiencial, o verdadeiro tesouro está em viver diante de Deus de forma religiosa e simples.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo décimo sétimo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO SEXTO

20 DE JULHO DE 2014


Sabedoria 12, 13.16-19

Não há Deus, além de Vós, que tenha cuidado de todas as coisas; a ninguém tendes de mostrar que não julgais injustamente. O vosso poder é o princípio da justiça e o vosso domínio soberano torna-Vos indulgente para com todos. Mostrais a vossa força aos que não acreditam na vossa omni­potência e confundis a audácia daqueles que a conhecem. Mas Vós, o Senhor da força, julgais com bondade e governais-nos com muita indulgência, porque sempre podeis usar da força quando quiserdes. Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo que o justo deve ser humano e aos vossos filhos destes a esperança feliz de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento.



O justo deve ser humano


O texto no seu contexto
. Alguns comentadores afirmaram que o livro da Sabedoria, mais do que um livro «sapiencial», tal como o entendemos hoje na nossa cultura e na sua aplicação à literatura bíblica, é um livro de «teologia política». Com efeito, fala em alguns momentos de «sabedoria», mas centra-se mais na ideia de «justiça» aplicada tanto à história, como aos seres humanos, como a Deus. O texto proposto para primeira leitura do décimo sexto domingo (Ano A) faz parte de uma «passagem» da história do povo de Israel: Como se comportou Deus com os inimigos do povo? Castigou-os sem piedade? O primeiro versículo recorda a fé monoteísta: não há outro Deus fora de Israel; Ele é o criador, cuidador providente de toda a sua obra, governa-a com justiça.

O texto na história da salvação. O autor do livro olha toda a história do povo e vê como o ser humano com frequência cai no abuso do poder, ao passo que Deus não precisa da violência para fazer valer a sua autoridade. Uns capítulos antes, o escritor sagrado tinha falado da «forma de agir» dos ímpios (Sabedoria 2, 11a), que têm como norma a «força», que é violência atropeladora dos mais débeis, demonstrando como isso a sua prepotência e cobardia. Deus, contudo, perdoa a todos porque é verdadeiramente poderoso. O texto diz: «Agindo deste modo... (isto é, com o castigo moderado e paulatino dos cananeus e com o governo indulgente dos israelitas) ensinastes ao vosso povo...». Deus é como um mestre que conduz, guia, adverte e corrige com autoridade e mansidão, ao mesmo tempo; e assim faz justiça.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A forma ordinária de Deus ensinar é a sua ação na história. A mansidão com que Deus tratou os inimigos do seu povo é uma lição de autoridade sem violência; de poder sem humilhação; de justiça sem vítimas. O ser humano justo deve ser humano, amigo de todos os humanos, como o é o próprio Deus. Justiça e misericórdia fazem parte do Deus que se revela na Bíblia.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo décimo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DÉCIMO QUARTO

6 DE JULHO DE 2014


Zacarias 9, 9-10

Eis o que diz o Senhor: «Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra».



Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro


O texto no seu contexto
. Hoje, aceita-se que o texto profético que conhecemos como «Zacarias» é formados por dois livros: capítulos 1-8 e 9-14. Embora tenham elementos em comum, pois ambos são claramente do tempo pós-exílio, têm diferenças ao nível de conteúdo, estilo e vocabulário. O texto proposto para primeira leitura do décimo quarto domingo (Ano A) pertence ao segundo livro ou «Segundo Zacarias», mantendo o nome do profeta por falta de melhor alternativa. Para muitos comentadores situa-se no domínio grego da Palestina (finais do século IV e inícios do III antes de Cristo). Época onde as tradições antigas de Judá se desenvolve, crescem e adquirem novas perspetivas de futuro.

O texto na história da salvação. Zacarias desenvolve duas tradições próprias de Judá: a centralidade de Sião/Jerusalém na salvação e a figura de um Messias que vem da parte de Deus. Contudo, introduz uma novidade: a chegada de um «rei». De que «rei» se trata? A experiência monárquica de Judá é ambígua. Todos têm a recordação do grande rei David; mas o último descendente carnal da «casa de David» tinha desaparecido com o exílio na Babilónia; além disso, a imagem dos reis assírios, babilónios e, ultimamente, dos reis gregos, os herdeiros dos generais de Alexandre Magno, era temida e detestada pela população. Zacarias surpreende com o seu anúncio: primeiro acrescenta um possessivo «eis o teu Rei»; depois, descreve-o não como um rei forte, violento e poderoso, rodeado de exércitos, com máquinas de guerra... O rei que chega é modesto, montado num jumentinho, quebra os arcos e traz a paz. O «Segundo Zacarias» recolhe e adapta a esperança que anuncia um Messias de paz.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Os textos bíblicos messiânicos trazem uma luz progressiva sobre o mistério de Cristo. Do primitivo messianismo real, à volta de uma linhagem biológica e de uma descendência submetida às misérias humanas (a casa de David), passar-se-á a um messianismo escatológico, anunciado por Deus como a sua intervenção definitiva para inaugurar o Reino da paz. No anúncio do Segundo Zacarias prefigura-se Jesus, Messias de paz.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo décimo quarto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.7.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DO CORPO E SANGUE DE CRISTO

22 DE JUNHO DE 2014


Deuteronómio 8, 2-3.14b-16a

Moisés falou ao povo, dizendo: «Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa de escravidão, e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».



O homem não vive só de pão, 

mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor


O texto no seu contexto
. O livro do Deuteronómio é o mais «ideológico» do Pentateuco, passe a expressão. É muito provável que faça parte da «história deuteronomista» que, na sua origem, constituía uma unidade literária e teológica anexada ao Pentateuco. Isto faz com que seja, em muitos momentos, uma reflexão «a posteriori» do que se pensava ter sido a travessia do deserto, uma vez que o povo já tinha chegado à terra. Repete com frequência exortações como «escuta» ou «recorda»; só assim o povo viverá; de contrário, encontrará a sua própria ruína. O povo, uma vez estabelecido, viu que a terra dava para viver e até para viver com certa abundância. Os relatos do deserto passaram a ser «histórias dos avós». Moisés recorda ao povo em que consiste a fome, em que consiste o alimento; o que alimenta e o que não alimenta; como Deus sempre velou pelo seu povo; nunca o abandonou.

O texto na história da salvação. A história da salvação passa pela travessia do deserto, lugar de prova e de tentação. Rapidamente o povo protesta e se revolta contra o próprio Deus que lhe tinha dado a liberdade. Deus, de forma pedagógica, envia um alimento suficiente para sobreviver, mas escasso e sem corpo, para entenderem que as suas forças não provêm desse pão do «maná». O povo comeu-o, pôde seguir o seu caminho, mas quando chegou à terra prometida esqueceu-se do maná e de Deus. É verdade que nem só de pão vive o homem; o pão é necessário, é imprescindível, mas o alimento que sacia — que dá plenitude — só pode ser dado por Deus.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A experiência de Israel no deserto, aprendendo a discernir o que alimenta e o que não tem substância, é uma antecipação e um símbolo da condição humana. Precisamos de procurar o verdadeiro alimento; o que sacia o ser humano só se encontra em Deus.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo do Corpo e Sangue de Cristo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

15 DE JUNHO DE 2014


Êxodo 34, 4b-6.8-9

Naqueles dias, Moisés levantou-se muito cedo e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe ordenara, levando nas mãos as tábuas de pedra. O Senhor desceu na nuvem, ficou junto de Moisés, que invocou o nome do Senhor. O Senhor passou diante de Moisés e proclamou: «O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade». Moisés caiu de joelhos e prostrou-se em adoração. Depois disse: «Se encontrei, Senhor, aceitação a vossos olhos, digne-Se o Senhor caminhar no meio de nós. É certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança».



O Senhor é um Deus clemente e compassivo


O texto no seu contexto
. O livro do Êxodo é muito complexo na sua composição. Não é fácil seguir de forma coerente as suas diferentes etapas; isto faz com que às vezes os textos parecem desconexos ou pouco delimitados. Do ponto de vista «final», isto é, «canónico», o texto proposto para primeira leitura do domingo da Santíssima Trindade (Ano A) apresenta-nos Moisés e Deus cara a cara no Sinai; é uma revelação de Deus, uma revelação de Moisés e uma revelação do povo. O Senhor (YHWH) toma a iniciativa; é ele que manda Moisés subir, é ele quem se revela, não como um Deus distante, mas próximo do ser humano, um Deus de presença: «ficou junto de Moisés». Diante desta grandeza de Deus, grandeza que é também proximidade ao ser humano, Moisés só pode adorar, inclinar-se, prostrar-se. Moisés adora e intercede pelo seu povo. Por sua vez, o povo revela-se como «de dura cerviz», necessitado de perdão e órfão.

O texto na história da salvação. Como é o Deus bíblico? Como se manifesta? É semelhante a outras divindades que exigem sacrifícios humanos ou se mostram versáteis e caprichosas? O Deus da Bíblia revela-se a si mesmo como «clemente e compassivo»; deixa-se afetar pela intercessão de perdão e pela orfandade do ser humano. A proximidade de Deus não é contrária ao seu mistério que nos ultrapassa; Deus é um Deus próximo, ao mesmo tempo que se não confunde com a criatura; o ser humano deve tributar-lhe adoração e reverência.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A Igreja convida-nos a celebrar, numa única festa, o mistério de Deus que salva. A Escritura faz-nos entrar num mistério de grandeza e de compaixão, Deus santo e próximo, Deus da aliança e da exigência, no qual o ser humano se encontra consigo e com a sua essência.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo da Santíssima Trindade (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Anónimo | 14.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES

8 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 1-11

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».



Pentecostes é comunhão


O texto no seu contexto
. Do ponto de vista fenomenológico (História das Religiões), Pentecostes é uma festa judaica e cristã. Em ambos os casos te que ver com «cinquenta dias» (é o que significa Pentecostes em grego). Para os judeus, é a festa das colheitas no início do verão; para os cristãos, marca o dom do Espírito Santo culminando a presença de Jesus entre nós depois das suas aparições pascais. Do ponto de vista da expansão da Igreja, Pentecostes é o início da missão do cristianismo por toda a costa mediterrânea. Os judeus que tinham ido a Jerusalém por causa de uma das três festas de peregrinação (Páscoa, Pentecostes e Tendas) voltam aos seus lugares de origem (multidão de povos e regiões); muitos deles comunicam as novidades de Jerusalém: o acontecimento cristão, a Páscoa e o dom do Espírito.

O texto na história da salvação. Do ponto de vista da Bíblia, tomada a Escritura como uma só Aliança, a única que Deus faz com o ser humano, Pentecostes supõe a oposição a Babel. Em Babel, o pecado provoca a dispersão dos povos (diversidade de línguas); no Pentecostes, o Espírito convoca, congrega, une (apesar de serem de povos distintos, todos se entendem). Pentecostes é comunhão; Babel é desunião. Pentecostes é falar a língua do amor; Babel é falar a língua da oposição. Pentecostes é a unidade na diversidade; Babel é a oposição que leva à rutura. A Igreja só pode buscar um novo Pentecostes; nunca uma nova Babel.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Pentecostes é final de uma etapa e início de outra. Jesus prometeu o seu Espírito; a Igreja acolhe-o e celebra-o. A Igreja começa um novo caminho de evangelização e de presença no meio das pessoas, movida não pelo espírito da concorrência, da oposição e da subjugação, mas sob o espírito do diálogo, da comunhão e e da escuta do Espírito Santo.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SÉTIMO DE PÁSCOA — ASCENSÃO

1 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 1, 1-11

No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».



Recebereis a força do Espírito Santo


O texto no seu contexto
. Lucas une o evangelho de Jesus («meu primeiro livro») com o nascimento da Igreja (Atos dos Apóstolos). A continuidade está marcada pelo mesmo protagonista: Jesus (anúncio do Reino, Paixão, Ressurreição e, agora, Ascensão). O segundo nexo é o Espírito Santo; primeiro, prometido (Lucas 24, 49) e depois, nos Atos, cumpre-se a promessa (Atos 1, 4); o próprio Espírito presente na vida de Jesus agora move, batiza e envia os apóstolos em missão. O terceiro elemento é Jerusalém: Lucas compreende a vida de Jesus como uma ascensão até Jerusalém, que agora se explica como centro a partir do qual se vai expandir a salvação até aos confins da terra. Para explicar o esquema da «ascensão», São Lucas primeiro usa a voz passiva: «foi elevado ao Céu»; além disso, serve-se de um esquema vertical que coloca a divindade nas alturas. Os apóstolos continuam a pensar na «restauração» de Israel. Por isso, é necessário que o Espírito Santo inaugure e leve por diante este novo tempo salvífico.

O texto na história da salvação. Lucas quer explicitamente que a «ascensão» faça parte do acontecimento salvador de Jesus: é uma sequência completa: reino - paixão - ressurreição - ascensão. Jesus culmina o seu caminho, iniciado com a pregação do reino na Galileia, com a glorificação. Não estamos perante o fracasso de um projeto ou perante a ilusão duns seguidores idealistas. O próprio Deus interveio para glorificar o seu filho.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Os apóstolos não devem empreender a tarefa de uma restauração política ou religiosa de um sistema (seja qual for), mas a sua missão é ser «testemunhas» do ressuscitado. Com este termo conclui o evangelho de Lucas (24, 48) e, com este termo, de novo repetido, começa o livro dos Atos dos Apóstolos (1, 8). Da dramatização lucana da exaltação e glorificação de Jesus nasce a festa litúrgica da Ascensão, que é antecipação da nossa própria glória, unidos a Cristo.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo sétimo de Páscoa - Ascensão (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEXTO DE PÁSCOA

25 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 8, 5-8.14-17

Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia. De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. E houve muita alegria naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles: só estavam baptizados em nome do Senhor Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo.



Filipe desceu a uma cidade da Samaria


O texto no seu contexto
. Segundo o esquema geográfico do livro dos Atos dos Apóstolos, o Evangelho estende-se desde Jerusalém (terra de Judá, piedosa e observante do judaísmo) a Antioquia (terra da Síria, terra de pagãos), passando pela Samaria (terra intermédia, habitada por cismáticos do judaísmo). A evangelização desta zona difícil é atribuída pelo autor dos Atos a Filipe, um do grupo dos sete. Embora o motivo da viagem parece ter sido uma perseguição (8, 1), o narrador une-o ao encargo do próprio Jesus para anunciar a mensagem em «Jerusalém, na Judeia, na Samaria e até aos confins da terra» (1, 8). Samaria, considerada apóstata, pagã e infetada de sincretismo, é terra de operações para os evangelistas; ultrapassam-se as fronteiras de Jerusalém, cidade da ortodoxia e do puritanismo. Mas não basta o primeiro anúncio e o batismo em nome do Senhor Jesus; é necessária a imposição das mãos por parte dos apóstolos, através das quais se recebe o Espírito Santo.

O texto na história da salvação. A boa notícia de Jesus ressuscitado não se limita às muralhas de Jerusalém, ultrapassa-as. Pode ser que o motivo seja a perseguição dos cristãos helenistas; Deus escreve direito por linhas tortas. É um facto que a Igreja nasce da missão e vive da missão. Os apóstolos confirmam a missão de Filipe (comunhão) e invocam o Espírito Santo para que seja ele quem leve por diante a vida da Igreja nascente.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A Igreja é missionária ou não é; a missão não é ideologia ou imposição de formas culturais estranhas; a missão nasce, cresce e vive sempre nova pela ação contínua do Espírito Santo.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo sexto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.5.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO QUINTO DE PÁSCOA

18 DE MAIO DE 2014


Atos dos Apóstolos 6, 1-7

Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e obedecia à fé também grande número de sacerdotes.



Sete homens de boa reputação


O texto no seu contexto
. Este breve relato é muito importante. Por um lado, reflete as tensões presentes na comunidade entre cristãos procedentes de diversas culturas. O tom de harmonia e unanimidade que reinava nos sumários anteriores do livro dos Atos dos Apóstolos rompem-se agora por causa do conflito entre os cristãos de origem judaica e os gentios (helenistas). As diferenças ultrapassam os assuntos administrativos; são verdadeiras discrepâncias sobre o modo de entender a nova fé e a nova vida. Por outro lado, estamos perante uma notícia verosímil de como desenvolver a primeira missão. Estes sete homens cheios do Espírito Santo serão os que levarão a boa notícia aos não judeus, abrindo o evangelho a outras culturas.

O texto na história da salvação. A salvação de Deus tem uma matriz judaica indispensável. Nasce no povo de Israel e lê como próprias as suas Sagradas Escrituras. Contudo, não se limita aos judeus de raça; o Evangelho não admite costuras estreitas; a tensão de que nos fala os Atos dos Apóstolos é um fiel expoente dos desafios colocados pelas novas formas de ler as Escrituras e de viver em fidelidade ao Ressuscitado para além da matriz e da cultura hebraicas. Estêvão, um dos sete, será um dos personagens mais relevantes neste primeiro momento.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A Igreja viu neste texto a instituição dos diáconos. A Igreja tem um sentido de serviço que está inerente à vivência do Evangelho e à missão entre os mais pobres.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Preparar o domingo quinto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.14 | Sem comentários
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