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Fazei tudo o que ele vos disser


Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele (Evangelho segundo João 2, 1-11).

Mistérios a partir do texto evangélico


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: MARIA VIVEU UNIDA A JESUS CRISTO
Hoje, dirigimo-nos a Maria, a Mãe de Deus e a Sede da Sabedoria, tendo confiança em que Ela nos indicará os caminhos para o seu Filho. Maria esteve verdadeiramente unida a Jesus. Os Evangelhos não nos conservaram muitas das suas palavras; mas as que foram recordadas levam-nos de novo ao seu Filho e à palavra dele. Em Caná da Galileia, dirigindo-se aos serventes disse: «Fazei tudo o que ele vos disser». Hoje, ela dirige-nos a mesma mensagem (João Paulo II, Homilia de 30 de setembro de 1979).

  • SEGUNDO MISTÉRIO: ESCUTAR AS PALAVRAS DE JESUS CRISTO
«Fazei tudo o que ele vos disser». O que Jesus nos diz com a sua vida e com a sua palavra foi-nos conservado nos textos do Novo Testamento e transmitido pela Igreja. Devemos familiarizar-nos com estas palavras. E fazemo-lo escutando as leituras da Escritura na Eucaristia; lendo pessoalmente as Escrituras; refletindo, em família ou com amigos, sobre o que o Senhor nos diz; quando rezamos o Rosário e unimos a nossa devoção à Mãe de Deus com a oração meditada dos mistérios da vida de seu Filho (cf. João Paulo II, Homilia de 30 de setembro de 1979).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: HÁ MUITAS VOZES FALSAS
Muitas vozes assaltam o cristão no mundo de hoje. Muitas dessas vozes são falsas. São as vozes que sugerem que a verdade é menos importante do que o lucro pessoal; que o bem-estar, a saúde e o prazer são os verdadeiros fins da vida; que a recusa de uma nova vida é melhor do que a generosidade de espírito e do que o acolhimento; que a justiça deve ser obtida mas sem compromisso pessoal; que a violência pode ser meio para obter um bom fim; que a unidade pode ser construída sem abandonar o ódio (cf. João Paulo II, Homilia de 30 de setembro de 1979).

  • QUARTO MISTÉRIO: FAZER TUDO O QUE JESUS NOS DIZ
Maria, neste momento nós escutamos com particular atenção as tuas palavras: «Fazei tudo o que o meu Filho vos disser». E nós desejamos responder às tuas palavras com todo o coração. Desejamos fazer tudo o que o teu Filho nos diz, tudo o que nos ordena, porque Ele tem palavras de vida eterna. Desejamos realizar e cumprir tudo o que vem dele, tudo o que está contido na Boa Nova, tal como fizeram os nossos antepassados por muitos séculos (João Paulo II, Homilia de 30 de setembro de 1979).

  • QUINTO MISTÉRIO: MARIA AJUDA-NOS A ESCUTAR JESUS CRISTO
Maria, confiamos ao teu cuidado a nossa comunidade paroquial de.... Oxalá os nossos ouvidos ouçam com toda a clareza a tua voz materna: «Fazei tudo o que o meu Filho vos disser». Ajuda-nos a perseverar com Cristo; ajuda-nos, ó Mãe da Igreja, também a construir o seu Corpo Místico, vivendo aquela vida que só Ele pode conceder-nos na sua plenitude, e que é ao mesmo tempo divina e humana (cf. João Paulo II, Homilia de 30 de setembro de 1979).

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© Laboratório da fé, 2013

Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.5.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


Oração a partir do texto da Lumen Gentium 58

Virgem Maria:
queremos recordar, para imitar,
a tua presença de Mãe
na vida pública de Jesus.

Ela manifesta-se claramente logo no início,
quando nas bodas de Caná da Galileia, movida de misericórdia,
conseguiste com a tua intercessão que Jesus, o Messias,
desse início aos seus milagres.

Durante a pregação de teu Filho,
recolheste as palavras com que Ele, exaltando o Reino
acima das razões e vínculos da carne e do sangue,
proclamou bem-aventurados
os que ouvem e observam a Palavra de Deus,
como Tu fazias.

Assim, avançaste no caminho da fé,
e conservaste fielmente a união com o teu Filho até à cruz,
junto da qual, por desígnio de Deus, te mantiveste de pé;
sofreste profundamente com o teu Unigénito
e de coração maternal te associaste ao seu sacrifício,
consentindo amorosamente na sua imolação por nós.

Finalmente, ouviste as palavras
com que o próprio Jesus Cristo, ao morrer na cruz,
te entregou o discípulo João para seres sua Mãe:
«Mulher, eis aí o teu filho.»

Ó Senhora minha, ó minha Mãe, 
eu me ofereço todo a ti! 
E, em prova da minha devoção para contigo, 
te consagro neste dia e para sempre 
os meus olhos, os meus ouvidos, 
a minha boca, o meu coração 
e inteiramente todo o meu ser.

© Lopes Morgado

Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.13 | Sem comentários

Mês de maio, Mês de Maria


O papa João Paulo II, nos dias 26 de fevereiro e 5 de março de 1997, dedicou uma Audiência Geral ao tema da presença de «Maria nas bodas de Caná». Na sequência do comentário ao capítulo mariano da Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» (LG) do II Concílio do Vaticano, o Papa destaca a disponibilidade de Maria para cooperar com Deus na missão do seu Filho, Jesus Cristo. 
Na primeira Audiência, apresenta o pedido de Maria como cheio de atualidade para todos os tempos: «O pedido de Maria: 'Fazei o que Ele vos disser', conserva um seu valor sempre actual para os cristãos de todas as épocas, e é destinado a renovar o seu efeito maravilhoso na vida de cada um. Ela exorta a uma confiança sem hesitação, sobretudo quando não se compreendem o sentido e a utilidade de quanto Cristo pede». A terminar, João Paulo II refere que este episódio das bodas de Caná nos anima a ser «corajosos na fé».
Na segunda Audiência, João Paulo II, segue ainda mais de perto o texto do número 58 da «Lumen Gentium» — Constituição Dogmática sobre a Igreja do II Concílio do Vaticano. Além de refletir sobre a importância da presença de Maria para a ação de Jesus Cristo, também dedica uma parte ao tema do matrimónio, motivado pela circunstância que estava a acontecer em Caná. Antes de terminar dizendo que «em Caná, Maria inicia o caminho da fé da Igreja, precedendo os discípulos e orientando para Cristo a atenção dos servos», refere ainda a ligação de Caná com o Sacramento da Eucaristia.

Caríssimos Irmãos e Irmãs:
1. No episódio das bodas de Caná, São João apresenta a primeira intervenção de Maria na vida pública de Jesus e põe em relevo a sua cooperação na missão do Filho.
Desde o início da narração, o evangelista avisa que «a mãe de Jesus estava presente» (2, 1) e, como que a querer sugerir que essa presença está na origem do convite dirigido pelos esposos ao próprio Jesus e aos Seus discípulos (cf. Redemptoris Mater, 21), acrescenta: «Jesus e os Seus discípulos foram convidados para as bodas» (2, 2). Com tais observações, João parece indicar que em Caná, como no evento fundamental da Encarnação, Maria é aquela que introduz o Salvador.
O significado e o papel que assume a presença da Virgem, manifestam-se quando vem a faltar o vinho. Ela, experiente e prudente dona de casa, percebe isso imediatamente e intervém para que não termine a alegria de todos e, principalmente, para socorrer os esposos em dificuldade.
Dirigindo-se a Jesus com as palavras: «Não têm vinho» (Jo. 2, 3), Maria exprime- Lhe a sua preocupação por essa situação, aguardando uma Sua intervenção resolutiva. Mais precisamente, segundo alguns exegetas, a Mãe espera um sinal extraordinário, dado que Jesus não tinha vinho à disposição.
2. A escolha de Maria, que teria podido, talvez, providenciar noutro lugar o vinho necessário, manifesta a coragem da sua fé porque, até àquele momento, Jesus não tinha realizado algum milagre, nem em Nazaré, nem na vida pública.
Em Caná a Virgem mostra mais uma vez a sua total disponibilidade a Deus. Ela que, na Anunciação, crendo em Jesus antes de O ver, contribuíra para o prodígio da concepção virginal, aqui, confiando no poder não ainda revelado de Jesus, suscita o Seu «primeiro sinal», a prodigiosa transformação da água em vinho. Desse modo, ela precede na fé os discípulos que, como refere João, hão-de crer depois do milagre: Jesus «manifestou a Sua glória e os Seus discípulos acreditaram n’Ele» (Jo. 2, 11). Antes, obtendo o sinal prodigioso, Maria oferece- lhes um apoio à fé.
3. A resposta de Jesus às palavras de Maria: «Que temos nós com isso, mulher A minha hora ainda não chegou » (Jo. 2, 4) exprime uma aparente rejeição, quase pondo à prova a fé de Maria.
Segundo uma interpretação, Jesus a partir do momento que inicia a Sua missão, parece colocar em discussão a natural relação de filho, chamado em causa pela mãe. A frase, na língua falada do ambiente, quer, de facto, evidenciar uma distância entre as pessoas, com a exclusão da comunhão de vida. Esta distância não elimina respeito e estima; o termo «mulher», com o qual Ele Se dirige à mãe, é usado numa aceção que retornará nos diálogos com a Cananeia (cf. Mateus 15, 28), com a Samaritana (cf. João 4, 21), com a adúltera (cf. João 8, 10) e com Maria Madalena (cf. João 20, 13), em contextos que manifestam uma relação positiva de Jesus com as Suas interlocutoras.
Com a expressão: «Que temos nós com isso, mulher?», Jesus pretende colocar a cooperação de Maria no plano da salvação que, empenhando a sua fé e a sua esperança, pede a superação do seu papel natural de mãe.
4. De maior relevo aparece a motivação formulada por Jesus: «A Minha hora ainda não chegou» (João 2, 4).
Alguns estudiosos do texto sagrado, seguindo a interpretação de Santo Agostinho, identificam essa «hora» com o evento da Paixão. Para outros, porém, ela refere-se ao primeiro milagre em que haveria de ser revelado o poder messiânico do profeta de Nazaré. Outros, ainda, pensam que a frase é interrogativa e prolonga a pergunta anterior: «Que temos nós com isso, mulher? A Minha hora ainda não chegou». Jesus faz com que Maria entenda que afinal Ele já não depende dela, mas deve tomar a iniciativa para realizar a obra do Pai. Maria, então, abstém-se docilmente de insistir junto d’Ele e dirige-se, ao contrário, aos servidores para os convidar a ser-Lhe obedientes.
Em todo o caso a sua confiança no Filho é recompensada. Jesus, a Quem ela deixou totalmente a iniciativa, realiza o milagre, reconhecendo a coragem e a docilidade da Mãe: «Disse-lhes Jesus: “Enchei de água essas talhas”; e encheram- nas até à borda» (João 2, 7). Também a obediência deles, portanto, contribui para a obtenção do vinho em abundância.
O pedido de Maria: «Fazei o que Ele vos disser», conserva um seu valor sempre actual para os cristãos de todas as épocas, e é destinado a renovar o seu efeito maravilhoso na vida de cada um. Ela exorta a uma confiança sem hesitação, sobretudo quando não se compreendem o sentido e a utilidade de quanto Cristo pede.
Assim como na narração da Cananeia (Mateus 15, 24-26), a aparente rejeição de Jesus exalta a fé da mulher, assim as palavras do Filho: «A Minha hora ainda não chegou», juntamente com o cumprimento do primeiro milagre, manifestam a grandeza da fé que a Mãe tem e a força da sua oração.
O episódio das bodas de Caná anima-nos a ser corajosos na fé e a experimentar na nossa existência a verdade da palavra evangélica: «Pedi e vos será dado» (Mateus 7, 7; Lucas 11, 9).



Em Caná, Maria levou Jesus a realizar o primeiro milagre


Queridos Irmãos e Irmãs
1. Ao narrar a presença de Maria na vida pública de Jesus, o II Concílio do Vaticano recorda a sua participação em Caná por ocasião do primeiro milagre: «Nas bodas de Caná, movida de compaixão, levou Jesus Messias a dar início aos Seus milagres (cf. João 2, 1-11)» (LG 58).
Seguindo a esteira do evangelista João, o Concílio faz notar o papel discreto e, ao mesmo tempo, eficaz da Mãe que, com a sua palavra, leva o Filho ao «primeiro sinal». Ela, embora exerça uma influência discreta e materna, com a sua presença resulta, no final, determinante. A iniciativa da Virgem aparece ainda mais surpreendente, se se considera a condição de inferioridade da mulher na sociedade judaica. Em Caná, com efeito, Jesus não só reconhece a dignidade e o papel do génio feminino, mas, acolhendo a intervenção de Sua Mãe, oferece-lhe a possibilidade de ser participante na obra messiânica. Não contrasta com esta intenção de Jesus o apelativo «Mulher», com o qual Ele se dirige a Maria (cf. João 2, 4). Ele, de facto, não contém em si nenhuma conotação negativa e será de novo usado por Jesus em relação à Mãe, aos pés da Cruz (cf. João 19, 26). Segundo alguns intérpretes, este título «Mulher» apresenta Maria como a nova Eva, mãe de todos os crentes na fé.
O Concílio, no texto citado, usa a expressão «movida de compaixão», deixando entender que Maria era inspirada pelo seu coração misericordioso. Tendo divisado a eventualidade do desapontamento dos esposos e dos convidados pela falta de vinho, a Virgem compadecida sugere a Jesus que intervenha com o seu poder messiânico.
A alguns o pedido de Maria parece desproporcionado, porque subordina a um acto de piedade o início dos milagres do Messias. À dificuldade respondeu Jesus mesmo que, com o seu assentimento à solicitação materna, demonstra a superabundância com que o Senhor responde às expectativas humanas, manifestando também quanto pode o amor de uma mãe.
2. A expressão «dar início aos milagres», que o Concílio retomou do texto de João, chama a nossa atenção. O termo grego «archè», traduzido por início, princípio, foi usado por João no Prólogo do seu Evangelho: «No princípio já existia o Verbo» (1, 1). Esta significativa coincidência induz a estabelecer um paralelo entre a primeira origem da glória de Cristo na eternidade e a primeira manifestação da mesma glória na sua missão terrena.
Ressaltando a iniciativa de Maria no primeiro milagre e recordando depois a sua presença no Calvário, aos pés da Cruz, o evangelista ajuda a compreender como a cooperação de Maria se estende à inteira obra de Cristo. O pedido da Virgem coloca-se no interior do desígnio divino de salvação.
No primeiro sinal operado por Jesus os Padres da Igreja divisaram uma forte dimensão simbólica, acolhendo, na transformação da água em vinho, o anúncio da passagem da antiga à nova Aliança. Em Caná, precisamente a água das jarras, destinada à purificação dos Judeus e ao cumprimento das prescrições legais (cf. Marcos 7, 1-15), torna-se o vinho novo do banquete nupcial, símbolo da união definitiva entre Deus e a humanidade.
3. O contexto de um banquete de núpcias, escolhido por Jesus para o Seu primeiro milagre, remete ao simbolismo matrimonial, frequente no Antigo Testamento para indicar a Aliança entre Deus e o Seu povo (cf. Oseias 2, 21; Jeremias 2, 1-8; Salmo 44; etc.) e no Novo Testamento para significar a união de Cristo com a Igreja (cf. João 3, 28-30; Efésios 5, 25-32; Apocalipse 21, 1-2; etc.).
A presença de Jesus em Caná manifesta, além disso, o projecto salvífico de Deus a respeito do matrimónio. Nessa perspectiva, a falta de vinho pode ser interpretada como alusiva à falta de amor, que infelizmente, não raro, ameaça a união esponsal. Maria pede a Jesus que intervenha em favor de todos os esposos, que só um amor fundado em Deus pode libertar dos perigos da infidelidade, da incompreensão e das divisões. A graça do Sacramento oferece aos esposos esta força superior de amor, que pode corroborar o empenho da fidelidade também nas circunstâncias difíceis.
Segundo a interpretação dos autores cristãos, o milagre de Caná contém, além disso, um profundo significado eucarístico. Realizando-o na proximidade da solenidade da Páscoa judaica (cf. João 2, 13), Jesus manifesta, como na multiplicação dos pães (cf. João 6, 4), a intenção de preparar o verdadeiro banquete pascal, a Eucaristia. Esse desejo, nas bodas de Caná, parece sublinhado ainda mais pela presença do vinho, que alude ao sangue da Nova Aliança, e pelo contexto de um banquete.
Desse modo Maria, depois de ter estado na origem da presença de Jesus na festa, obtém o milagre do vinho novo, que prefigura a Eucaristia, sinal supremo da presença do seu Filho ressuscitado entre os discípulos.
4. No final da narração do primeiro milagre de Jesus, que se tornou possível pela fé sólida da Mãe do Senhor no seu divino Filho, o evangelista João conclui: «Os Seus discípulos acreditaram n’Ele» (2, 11). Em Caná, Maria inicia o caminho da fé da Igreja, precedendo os discípulos e orientando para Cristo a atenção dos servos.
A sua perseverante intercessão encoraja, além disso, aqueles que às vezes se encontram diante da experiência do «silêncio de Deus». Eles são convidados a esperar para além de toda a esperança, confiando sempre na bondade do Senhor.

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

João Paulo II - Karol Józef Wojtyła
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.13 | Sem comentários

Maria na vida pública e na paixão de Cristo


Maria na vida pública e na paixão de Cristo — Na vida pública de Jesus, Sua mãe aparece duma maneira bem marcada logo no princípio, quando, nas bodas de Caná, movida de compaixão, levou Jesus Messias a dar início aos Seus milagres. Durante a pregação de Seu Filho, acolheu as palavras com que Ele, pondo o reino acima de todas as relações de parentesco, proclamou bem-aventurados todos os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (cf. Marcos 3, 35 e paralelos; Lucas 11, 27-28); coisa que ela fazia fielmente (cf. Lucas 2, 19 e 51). Assim avançou a Virgem pelo caminho da fé, mantendo fielmente a. união com seu Filho até à cruz. Junto desta esteve, não sem desígnio de Deus (cf. João 19, 25), padecendo acerbamente com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima que d'Ela nascera; finalmente, Jesus Cristo, agonizante na cruz, deu-a por mãe ao discípulo, com estas palavras: mulher, eis aí o teu filho (cf. João 19, 26-27) (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 58).

Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: MARIA NAS BODAS DE CANÁ
No episódio das bodas de Caná, São João apresenta a primeira intervenção de Maria na vida pública de Jesus e põe em relevo a sua cooperação na missão do Filho. O significado e o papel que assume a presença da Virgem, manifestam-se quando falta o vinho. A opção de Maria manifesta a coragem da sua fé porque, até àquele momento, Jesus não tinha realizado algum milagre, nem em Nazaré, nem na vida pública (João Paulo II, Audiência Geral de 26 de fevereiro de 1997).

  • SEGUNDO MISTÉRIO: MARIA É A PRIMEIRA DISCÍPULA DE JESUS CRISTO
Maria é um exemplo para aqueles que acolhem a palavra de Cristo. Ela ensina-nos a pôr-nos em escuta confiante do Salvador, para descobrirmos n’Ele a Palavra divina que transforma e renova a nossa vida. A sua experiência encoraja-nos a aceitar as provas e os sofrimentos que derivam da fidelidade a Cristo, tendo o olhar fixo na bem-aventurança prometida por Jesus àqueles que escutam e guardam a Sua Palavra (João Paulo II, Audiência Geral de 12 de março de 1997).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: MARIA AVANÇOU PELO CAMINHO DA FÉ
A Constituição do II Concílio do Vaticano sobre a Igreja afirma que Maria «avançou pelo caminho da fé». Estimados amigos, no Ano da Fé deixo-vos este ícone de Maria peregrina, que segue o seu Filho Jesus e precede todos nós no caminho da fé (Francisco, «Regina Coeli» de 5 de maio de 2013). Maria é sustentada pela fé, que se revigorou no decurso dos acontecimentos da sua existência e, sobretudo, durante a vida pública de Jesus (João Paulo II, Audiência Geral de 2 de abril de 1997).

  • QUARTO MISTÉRIO: MARIA SOFREU JUNTO À CRUZ
Maria «manteve fielmente a união com seu Filho até à cruz». O Concílio recorda-nos a «compaixão de Maria», em cujo coração se repercute tudo aquilo que Jesus sofre, sublinhando a sua vontade de participar no sacrifício redentor e de unir o próprio sofrimento materno à oferenda sacerdotal do Filho. A esperança de Maria aos pés da cruz encerra uma luz mais forte do que a obscuridade que reina em muitos corações: diante do Sacrifício redentor, nasce em Maria a esperança da Igreja e da humanidade (João Paulo II, Audiência Geral de 2 de abril de 1997).

  • QUINTO MISTÉRIO: MARIA É MÃE DO DISCÍPULO
Na Cruz, Jesus não proclamou de modo formal a maternidade universal de Maria, mas instaurou uma concreta relação materna entre Ela e o discípulo predileto. Nesta escolha do Senhor pode-se entender a preocupação de que essa maternidade não seja interpretada em sentido vago, mas indique a intensa e pessoal relação de Maria com cada um dos cristãos. Possa cada um de nós, precisamente devido a esta concretização da maternidade universal de Maria, reconhecer plenamente nela a própria Mãe, entregando-se com confiança ao seu amor materno (João Paulo II, Audiência Geral de 23 de abril de 1997).

  • TRÊS AVE MARIAS FINAIS
Nesta semana da vida, peçamos a Maria que nos ajude a dar mais vida à nossa vida. Maria é a Mãe de todos os que renascem para a vida. Ela é verdadeiramente a Mãe da Vida que faz viver todos os homens; ao gerar a Vida, gerou de certo modo todos aqueles que haviam de viver dessa Vida (João Paulo II, Carta Encíclica «O Evangelho da Vida», 138).

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.13 | Sem comentários

Maio, Mês de Maria


«Maria expressa sobretudo o segredo mais profundo da sua vida. Nestas palavras, ela está por inteiro. A sua vida, de facto, foi um ‘sim’ profundo ao Senhor. Um ‘sim’ cheio de alegria e de confiança. Maria, cheia de graça, viveu toda a sua existência completamente disponível a Deus, em perfeita sintonia com a vontade divina. [...] ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’. Esta breve frase contém o programa de vida que Maria realizou como primeira discípula do Senhor. É um programa de vida que se apoia num fundamento sólido que tem um nome: Jesus. [...] Construí a vossa vida sobre o fundamento que é Jesus. Desejo que a vossa meditação sobre o mistério de Maria vos leve a imitar a sua maneira de viver. Aprendei com ela a escutar e a pôr em prática a Palavra de Deus» (João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da Juventude de 1988). 

Ano da Fé

Em pleno Ano da Fé para celebrar o cinquentenário do II Concílio do Vaticano, somos convidados a repassar a história da nossa fé, mantendo o olhar fixo sobre Jesus Cristo: nele encontra plena realização o desejo mais profundo do coração humano. «Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação. Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam. Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade. Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egito a fim de O salvar da perseguição de Herodes. Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota. Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo, transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo» (Bento XVI, «A Porta da Fé» 13). 

Mãe da Igreja

Neste caminho celebrativo, preparamos os 50 anos da proclamação de Maria como «Mãe da Igreja», pelo Papa Paulo VI (1964) e os 40 anos da Carta Encíclica sobre o culto mariano — «Marialis Cultus» (1974). Este documento dá continuidade ao oitavo capítulo da Constituição sobre a Igreja («Lumen Gentium» — LG) dedicado a Maria no mistério de Cristo e da Igreja. «A Mãe de Deus é o tipo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo, como já ensinava S. Ambrósio» (LG 63). «A Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo» (LG 62). «Na verdade, as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e recta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e gloria fique o Filho, por quem tudo existe e no qual ‘aprouve a Deus que residisse toda a plenitude’, e também melhor se cumpram os seus mandamentos» (LG 66). «Os fiéis lembrem-se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes» (LG 67). 

Fazei tudo o que ele vos disser

«Esta passagem diz-nos, na sua simplicidade, duas coisas muito importantes. A primeira é que Deus se interessa sempre por nós, até mesmo nas festas e durante os banquetes. A segunda é que também Maria se interessa por essas nossas ocupações e as olha com um olhar vigilante e maternal» (Carlo Maria Martini, «Tomados de assombro», ed. Paulinas).

© Laboratório da fé, 2013

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.13 | Sem comentários
Segundo domingo —  20 de janeiro —
 
Terceira Epifania... — O que hoje nos apresenta o evangelista João é uma reflexão teológica, uma epifania. De facto, a Igreja durante muito tempo celebrava três acontecimentos na Epifania: a manifestação de Jesus aos Magos, isto é, a todos os povos; a manifestação de Jesus ao povo judeu, no Batismo; a manifestação aos discípulos, nas Bodas de Caná. Agora, esta lógica mantém-se com a proposta litúrgica a estender os três mistérios da Epifania por três domingos. Por isso, antes de começar a leitura contínua do evangelho segundo Lucas, somos convidados a saborear uma página do evangelho segundo João.
Jesus vem dar respostas diferentes, novas, às necessidades do povo. O vinho é sinal da Nova Aliança, que renova a Antiga. Pela presença e pela palavra de Jesus, a Antiga Aliança — a água da «purificação» — converte-se na Nova Aliança — o «vinho bom». A novidade é o encontro com Cristo, o encontro com o Deus da vida. Uma novidade que possibilita dar o sim à aliança — «boda» — que ele oferece a todas as pessoas. A Nova Aliança é com todos os povos. Cumprem-se as profecias. Todos os homens e mulheres são convidados a participar plenamente na vida de Deus.
A conclusão da passagem — «Manifestou a sua glória» — sublinha que Jesus vem para manifestar a sua glória, isto é, para revelar, na carne da humanidade, quem é Deus. Uma manifestação que espera ser acolhida. Acolher é «acreditar n'Ele». E dito ao contrário: acreditar tem um sentido muito preciso: acolher Jesus, acolher a sua palavra, a sua maneira de viver. Não é uma questão intelectual, mas de experiência pessoal. A fé dos discípulos, que nasce nesta boda, faz-nos valorizar a festa eclesial, a Igreja que se reúne para nascer e crescer na fé, para acolher e amar Jesus Cristo.

© Josep Maria Romaguera (Misa dominical)
© tradução e adaptação de Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.1.13 | Sem comentários
— palavra para o segundo domingo —



— Evangelho segundo João 2, 1-11 

Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

— Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n'Ele

O relato do evangelho não é uma crónica do que aconteceu numa boda de casamento. É fruto de uma minuciosa elaboração por parte do evangelista. Seguramente que Jesus participou em muitas festas de casamento; em qualquer delas se poderia ter passado algo parecido. Mas o que hoje nos apresenta o evangelista João é uma reflexão teológica. 
A chave para entender o texto é a «hora» da glorificação de Jesus na cruz. A boda era desde o profeta Oseias o sinal que designava a aliança de Deus com o povo. A ideia de Deus noivo e do povo como noiva repete-se várias vezes no Antigo Testamento. A boda está associada à imagem do banquete, que era símbolo dos tempos messiânicos. O vinho é inseparável de um banquete. No Antigo Testamento, era sinal do amor de Deus. A abundância de vinho era o melhor sinal do amor de Deus ao seu povo. 
É na última frase que está a interpretação de todo o relato: «Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele». Ao longo de todo o evangelho, os sinais realizados por Jesus terão todos o mesmo objetivo: manifestar a glória de Jesus Cristo. Ora, a única glória que Jesus admite é o amor de Deus manifestado nele. A glória de Deus e de Jesus consiste na nova relação que Deus estabelece com o ser humano. Deus acolhe-nos como filhos, enche-nos do seu amor. 
O mais surpreendente neste relato é o uso da imagem de um banquete de casamento para falar das relações de Deus com o ser humano. Deus manifesta-se em todos os acontecimentos da nossa vida. Deus não quer que renunciemos a nada do que é verdadeiramente humano. Deus quer que vivamos o divino no quotidiano, na normalidade da vida. Por isso, a ideia de sofrimento como exigência divina não tem nada a ver com a proposta evangélica. Esta está sempre carregada de alegria e de vida feliz. 
Há ainda outra ideia importante; simples, mas demolidora para a nossa maneira de pensar e viver a religiosidade. Não são os ritos que nos purificam. Só quando saboreio o vinho do amor e da alegria, ficarei limpo e purificado pelo amor de Deus. Descobrir Deus dentro de nós, para sermos capazes de viver a imensa alegria que nasce da unidade da nossa vida com a vida de Deus. É esta a glória de Deus, hoje: que cada ser humano faça esta descoberta da sua presença e aprenda a saborear todo o seu amor. É dentro de cada um de nós que a água da religião se pode transformar em vinho de amor e alegria. 
Com que atitudes podes ajudar a recuperar a alegria cristã à tua volta? A resposta já está dada. Mas ainda podemos acrescentar uma outra retirada da última frase do evangelho. «Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele». A fé dos discípulos nasce da transformação da água em vinho, isto é, da experiência de alegria e de vida que fazem com Jesus Cristo. É também este o itinerário que se coloca diante de nós, particularmente neste Ano da Fé. «A fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria» — diz o Papa no documento programático deste Ano da Fé. De que estamos à espera?! 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.1.13 | Sem comentários
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