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Viver a fé! [19]


O terceiro ponto do quinto capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja apresenta «a subjetividade social da família» (números 221 a 245) em quatro alíneas: «o amor e a formação de uma comunidade de pessoas»; «a família é o santuário da vida»; «a tarefa educativa»; «a dignidade e os direitos das crianças».

O amor e a formação de uma comunidade de pessoas

«O ser humano é feito para amar e sem amor não pode viver» (223). E é graças ao dinamismo do amor que a família se propõe como «espaço» de comunhão «que faz crescer uma autêntica comunidade de pessoas» (221), sem excluir «uma pressurosa atenção para com os anciãos» (222). Face ao exposto, «a solidez do núcleo familiar é um recurso determinante para a qualidade da convivência social; por isso a comunidade civil não pode ficar indiferente defronte das tendências desagregadoras que minam na base os seus alicerces fundamentais» (229). Nesta alínea, são também abordadas várias questões relacionadas com a «identidade de género» (224), o «divórcio» (225), «aqueles que, após um divórcio, tornaram a casar» (226), as «uniões de facto» (227), as «uniões homossexuais» (228). Por iniciativa do papa Francisco, com a convocação de dois Sínodos dos Bispos (em outubro de 2014 e em outubro de 2015), estas e outras temáticas relacionadas com a família e o matrimónio têm sido objeto de uma ampla e amadurecida reflexão no seio da Igreja.

A família é o santuário da vida

«A família fundada no matrimónio é deveras o santuário da vida [...]. As famílias cristãs, em força do sacramento recebido, têm a missão peculiar de ser testemunhas e anunciadoras do Evangelho da vida» (231). Neste sentido, recorda-se que «o amor conjugal é, por sua natureza, aberto ao acolhimento da vida. [...] A procriação expressa a subjetividade social da família e dá início a um dinamismo de amor e de solidariedade entre as gerações que está na base da sociedade» (230). Por isso, «a família contribui de modo eminente para o bem social através da paternidade e da maternidade responsáveis, formas peculiares da especial participação dos cônjuges na obra criadora de Deus» (232). E «o juízo acerca do intervalo entre os nascimentos e o número dos filhos a procriar compete somente aos esposos» (234). Mas «o desejo de maternidade ou paternidade não funda algum ‘direito ao filho’, ao passo que, pelo contrário, são evidentes os direitos do nascituro, a quem devem ser garantidas as condições ótimas de existência, através da estabilidade da família fundada no matrimónio» (235). «Quanto aos ‘meios’ para atuar a procriação responsável, há que se excluir como moralmente ilícitos tanto a esterilização como o aborto. [...] É igualmente de excluir o recurso aos métodos contracetivos nas suas diversas formas» (233). Outro aspeto considerado como «uma questão de particular relevância social e cultural, pelas múltiplas e graves implicações morais que apresenta, é a referente à clonagem humana» (236). O último número desta alínea recorda que «os pais, como ministros da vida, não devem nunca olvidar que a dimensão espiritual da procriação merece uma consideração superior à reservada a qualquer outro aspeto: ‘A paternidade e a maternidade representam uma tarefa de natureza conjuntamente física e espiritual; através daquelas, passa realmente a genealogia da pessoa, que tem o seu princípio eterno em Deus e a Ele deve conduzir’. Acolhendo a vida humana na unidade das suas dimensões, físicas e espirituais, as famílias contribuem para a ‘comunhão das gerações’ e para a continuidade da espécie, e dão, deste modo, um contributo essencial e insubstituível para o progresso da sociedade» (238).

A tarefa educativa

«Exercendo a sua missão educativa, a família contribui para o bem comum e constitui a primeira escola das virtudes sociais, de que todas as sociedades necessitam» (238). «A família tem um papel totalmente original e insubstituível na educação dos filhos» (239), «em colaboração estreita e vigilante com os organismos civis e eclesiais» (240). Por isso, «a família tem a responsabilidade de oferecer uma educação integral» (242), pelo que «os pais têm o direito de fundar e manter instituições educativas» (241). «Os pais têm ainda uma particular responsabilidade na esfera da educação sexual» (243).

A dignidade e os direitos das crianças

Reconhecendo que «a situação de uma grande parte das crianças no mundo está longe de ser satisfatória» (225), «a doutrina social da Igreja indica constantemente a exigência de respeitar a dignidade das crianças» (224), cujos direitos devem ser protegidos.

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.2.15 | Sem comentários

Mistério da fé! [10]


O Batismo associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Atos dos Apóstolos 2, 14-41; Catecismo da Igreja Católica, números 1229 a 1233 e 1246 a 1261]

«Peça cada um o batismo»

— responde Pedro à pergunta feita pelos que ouviram o seu discurso após a ressurreição de Jesus Cristo, de acordo com o livro dos Atos dos Apóstolos. Ninguém fica indiferente diante da revelação de Cristo ressuscitado. E os que escutam fazem a pergunta que será usada pelos catecúmenos durante o rito de admissão ao batismo: «Que devemos fazer?». Pedro apresenta-lhes um programa de conversão que encaminha para a celebração do batismo e a inserção na comunidade dos cristãos.

Quem pode ser batizado?

«Todo o ser humano ainda não batizado — e só ele — é capaz de receber o Batismo» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1246). Para concretizar esta afirmação, a Igreja prevê três possibilidades, de acordo com a idade: crianças (nos primeiros anos de vida); crianças e adolescentes em idade de catequese; jovens e adultos. «A única predisposição para o Batismo é a fé» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 196). Aos jovens e adultos é proposto um itinerário («catecumenado» – cf. tema 7) com etapas celebrativas ao longo do percurso, conforme o Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA). Este ritual também possui o capítulo próprio para as crianças em idade de catequese (Ritual da Iniciação Cristã das Crianças em idade de catequese): «Este rito destina-se às crianças que, não tendo sido batizadas na infância e tendo atingido a idade da discrição e da catequese, se apresentam para receber a iniciação cristã [...]. A iniciação deve prolongar-se, se for necessário, por vários anos» (RICA. Preliminares, 306-307). Para as crianças «que, por não terem chegado ainda à idade do uso da razão, não podem professar fé própria» existe um ritual próprio (Ritual do Batismo das Crianças. Preliminares, 1). A celebração do batismo das crianças «pressupõe que os pais cristãos introduzam o batizando na fé» (YOUCAT 197). Além disso, «o Batismo das crianças exige um catecumenado pós-batismal. [...] É o espaço próprio da catequese» (CIC 1231). Em todos os casos, é essa a missão dos padrinhos: «devem ser pessoas de fé sólida, capazes e preparados para ajudar o novo batizado, criança ou adulto, no seu caminho de vida cristã» (CIC 1255).

Quem pode batizar?

«Quem preside normalmente a uma celebração batismal é o bispo, um presbítero ou um diácono. Em caso de emergência, qualquer cristão, ou mesmo qualquer pessoa, pode batizar, derramando água sobre a cabeça do batizando e dizendo a fórmula batismal: ‘Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’. O Batismo é tão importante, que até uma pessoa que não é cristã pode ser o seu ministro. Ela apenas tem de ter a intenção de fazer o que a Igreja faz quando batiza» (YOUCAT 198).

Como é celebrado o batismo?

Há a fórmula breve, usada em caso de «emergência», perigo de morte. De facto, «o rito essencial do Batismo consiste em mergulhar na água o candidato ou em derramar água sobre a sua cabeça, invocando o nome da Santíssima Trindade» (CIC 1278). Mas há outros elementos simbólicos usados na celebração solene do Batismo. Vamos apresentá-los no próximo tema.

Quando se pode batizar?

Já sabemos que a Igreja prevê a possibilidade de celebrar o batismo em qualquer etapa da vida, atendendo à especificidade de cada pessoa. Agora, apresentamos dois pontos importantes retirados do Ritual da Celebração do Batismo das Crianças (Preliminares, 8-9): «deve fazer-se dentro das primeiras semanas após o nascimento da criança»; «recomenda-se que o sacramento seja celebrado na Vigília Pascal ou ao domingo».

Onde se pode batizar?

Sem excluir outras possibilidades, o lugar mais apropriado para a celebração do Sacramento do Batismo é a igreja paroquial (onde residem os pais): «para se ver mais claramente que o Batismo é o sacramento da fé da Igreja e da agregação ao povo de Deus, celebrar-se-á habitualmente na igreja paroquial» (Ritual da Celebração do Batismo das Crianças. Preliminares, 10).

«O Batismo insere na comunhão com Cristo e assim dá vida. [...] O Batismo é um dom; o dom da vida. Mas um dom deve ser acolhido, deve ser vivido. Um dom de amizade exige um ‘sim’. [...] É o nosso ‘sim’ a Cristo, o ‘sim’ à vida no tempo e na eternidade» (Bento XVI, Homilia a 8 de janeiro de 2006).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.12.13 | Sem comentários
— Rachel Lemos Abdalla —

Uma boa leitura, assim como todos os hábitos, precisa de ser cultivada, pois só traz riquezas para a vida! 
Por isso, as crianças precisam de ter este costume, tanto para a distração e a cultura, como para a formação e a aprendizagem. 
A literatura é parte integrante da formação completa do ser humano. Nela, busca-se o equilíbrio entre o desenvolvimento da inteligência e a afetividade, entre a ação e a emoção, entre o útil e o agradável e, além do mais, os livros infantis remetem os pequeninos para a instrução, o sonho, as fantasias e também para as crenças. 
A Bíblia é um Livro que conta histórias de pessoas de fé, que confiam em Deus, têm esperança, amor e coragem, que fazem conquistas e lutam pelos seus ideais. Nela está a Palavra de Deus, Jesus Cristo! E ela pode chegar às mãos das crianças nas versões infantis, que contêm uma linguagem apropriada e com ilustrações, permitindo uma maior interação e inserção na história. Lemos na Constituição Dogmática sobre a Palavra de Deus («Dei Verbum»), do II Concílio do Vaticano, que «Deus invisível, na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos e convive com eles» (número 2), e é na Bíblia que encontramos as Suas Palavras e conhecemos a Sua ação e participação, através de Jesus, junto dos homens. 
As crianças, ao serem introduzidas no hábito da leitura bíblica, tornam-se mais íntimas da Palavra de Deus e dos Seus ensinamentos. As barreiras que existem, ainda hoje, em relação à leitura da Bíblia, por muitas pessoas, são pertinentes devido ao fato de elas não terem sido apresentadas a este tesouro desde pequeninas, facilitando o entendimento da História da Salvação e conhecendo a presença de Deus no mundo na pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo. 
Quando contamos histórias da Bíblia às crianças, elas conectam-se com o transcendente de modo lúdico e entram no contexto da evangelização de modo imaginário. Assim podemos estar a plantar a semente da fé! Assim, a fé pode nascer e crescer a partir da experiência vivida na infância, através da sensibilidade da voz e da pessoa que conta a história, transmitindo confiança e seriedade na expressão, na emoção e na entoação da fala e dos gestos. 
Na Bíblia está escrito, no Evangelho segundo Marcos (10, 14), que Jesus diz aos seus discípulos: «Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais»; por isso, precisamos de ler a Bíblia para as crianças, pois assim estamos a levá-las até Jesus, o Verbo de Deus que se fez Homem para estar entre nós e acolher os pequeninos em todas as suas condições. 
A «Lectio Divina» (cf. «Dei Verbum», 25) ou «leitura orante da Bíblia» traz os ensinamentos de Jesus para a vida, provoca um despertar para o 'Bem Maior', incita ao amor entre as pessoas, compromete o cristão na sua missão de discípulo, e pode ser feita em todas as idades. 
O Papa Bento XVI fez a seguinte observação num discurso de 2005: «Gostaria sobretudo de evocar e recomendar a antiga tradição da Lectio divina: a leitura assídua da Sagrada Escritura acompanhada pela oração realiza aquele diálogo íntimo no qual, lendo, escutamos Deus que fala e, rezando, respondemos-lhe com confiante abertura do coração». 
A Bíblia é um livro especial, também para os pequeninos! Nela, encontrarão o Amigo Jesus que estará presente durante toda a vida, amando-os e conduzindo os seus passos pelo único e melhor Caminho. 
Pais e catequistas, não deixeis o tempo passar sem vos dedicardes à leitura da Bíblia às vossas crianças. Essas histórias ficarão gravadas para o resto da vida nos seus coração! 

© Rachel Lemos Abdalla 
Fundadora e Presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor 

© adaptação de Laboratório da fé, 2013



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.2.13 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira, 28 de dezembro — Santos Inocentes —

— Evangelho segundo Mateus 2, 13-18

Depois de os Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma contigo o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto; fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar». José levantou-se de noite, tomou consigo o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto e ficou lá até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor anunciara pelo profeta: «Do Egipto chamei o meu filho». Quando Herodes percebeu que fora iludido pelos Magos, encheu-se de grande furor e mandou matar em Belém e no seu território todos os meninos de dois anos ou menos, conforme o tempo que os Magos lhe tinham indicado. Cumpriu-se então o que o profeta Jeremias anunciara, ao dizer: «Ouviu-se uma voz em Ramá, lamentos e gemidos sem fim: Raquel chora seus filhos e não quer ser consolada, porque eles já não existem». 

— Herodes vai procurar o Menino para O matar

Os estudos bíblicos dividem-se quanto à historicidade ou veracidade deste relato! Uns e outros apresentam argumentos (supostamente) válidos para serem considerados num estudo bíblico aprofundado. Bento XVI, defensor da historicidade dos relatos evangélicos da infância de Jesus, argumenta no terceiro volume da obra que escreveu sobre Jesus: «É verdade que, de fontes bíblicas, nada sabemos sobre este facto, mas, considerando toda a crueldade de que Herodes se tornou culpado, isso não prova que tal delito não tenha sucedido» (Bento XVI, «Jesus de Nazaré. Prólogo: A infância de Jesus», Princípia Editora, Cascais 2012, 92).
Deixando de lado as disputas sobre a historicidade, este relato pode ajudar-nos a interpretar a realidade deste nosso tempo. Jesus, já desde o seu nascimento, foi tido como uma ameaça, nomeadamente para os poderes instalados (onde sobressaem os tiranos carregados de maldade, dispostos a tudo para manter o seu estatuto). Ora, sobre isto não há qualquer dúvida histórica! Infelizmente, é algo que aconteceu e continua a repetir-se na história humana.
O relato de Mateus introduz no contexto do Natal a violência e a maldade causadoras de sofrimento e de morte. Ao longo dos tempos, são milhões as crianças vítimas de tanta maldade. Estima-se que mais de trinta mil crianças morrem de fome todos os dias. E há que acrescentar aquelas que são vítimas do tráfico de órgãos, do comércio e do abuso sexual, da falta de atenção educativa e sanitária, do abandono e de outros sofrimentos.
Porque é que se faz muito pouco para evitar os «Herodes» do nosso tempo? É muito pouco deixarmo-nos contagiar por um espasmo de sentimentalismo que se esvanecesse rapidamente. Será que não posso fazer nada para que o Natal seja uma Boa Notícia para as crianças da minha rua, da minha localidade?

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.12.12 | Sem comentários
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