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Sexta-feira da décima segunda semana


Evangelho segundo Mateus 8, 1-4

Ao descer Jesus do monte, seguia-O uma grande multidão. Veio então prostrar-se diante d’Ele um leproso, que Lhe disse: «Senhor, se quiseres, podes curar-me». Jesus estendeu a mão e tocou-o, dizendo: «Eu quero: fica curado». E imediatamente ficou curado da lepra. Disse-lhe Jesus: «Não digas nada a ninguém; mas vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta a oferta que Moisés ordenou, para que lhes sirva de testemunho».

Eu quero: fica curado

Há uma grande multidão que escuta e segue Jesus Cristo! Não é um privilégios de alguns, uns quantos escolhidos. A pluralidade é uma das características do seguimento de Jesus Cristo. 
A primeira cura relatada pelo evangelho segundo Mateus é de um leproso. «Eu quero: fica limpo» — diz-lhe Jesus, respondendo ao pedido: «Senhor, se quiseres, podes curar-me». Um leproso era um excluído da sociedade. A sua exclusão era mais grave do que qualquer outra marginalidade. O leproso tinha de ser evitado. Nem sequer era possível estar próximo dele, muito menos tocá-lo ou conviver com ele. Era uma imposição legal da religião. O leproso era um «impuro» que estava impedido de qualquer atividade civil ou religiosa.
«Eu quero: fica limpo». Este acontecimento está no seguimento do «Sermão da Montanha». É o «Sermão» posto em prática, em ação. Jesus Cristo ensina que a primeira consequência dos seus ensinamentos é deitar abaixo todos os muros que dividem as pessoas, anular todo o tipo de barreiras, exclusão, humilhação, marginalização, «impureza». Todos são merecedores de respeito, acolhimento, tolerância, compreensão, amor. Para Jesus Cristo, ninguém pode estar «fora», há sempre uma nova oportunidade!

© Laboratório da fé, 2013

Décima segunda semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.6.13 | Sem comentários

Quinta-feira da décima segunda semana


Evangelho segundo Mateus 7, 21-29

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus. Muitos Me dirão no dia do Juízo: ‘Senhor, não foi em teu nome que profetizámos e em teu nome que expulsámos demónios e em teu nome que fizemos tantos milagres?’. Então lhes direi bem alto: ‘Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade’. Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína». Quando Jesus acabou de falar, a multidão estava admirada com a sua doutrina, porque a ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.

Nunca vos conheci

O evangelista coloca estes ensinamentos de Jesus Cristo, no final do «Sermão da Montanha». Jesus Cristo resume o conteúdo central dos ensinamentos. 
Em primeiro lugar, fica claro que a salvação não depende da piedade ou da devoção, mas da maneira de proceder proposta por Jesus Cristo em todo o «Sermão da Montanha». As preces, as invocações, os atos de piedade, as devoções, tudo isso é bom e faz-nos bem; mas tudo isso tem de estar bem enquadrado na vida, para não se tornar num erro, num desvio das propostas de Jesus Cristo. «Nunca vos conheci» — pode ser o resultado final de tudo estas práticas e devoções! 
Tudo o que é dito no «Sermão da Montanha», que engloba os capítulos cinco, seis e sete do evangelho segundo Mateus, está relacionado com os pobres, o dinheiro, o perdão, o serviço aos outros. Quem se preocupa em ter estes temas sempre presentes na sua maneira de viver é «todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática» — proclama Jesus Cristo. É o «homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha».
Ao contrário, o que «edificou a casa sobra areia» é «todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática», isto é, quem não se preocupa em ter presente os temas apresentados por Jesus Cristo em todo o «Sermão da Montanha». A esses, diz-lhes: «Nunca vos conheci». A religião só faz sentido quando nos aproxima dos outros, quando nos leva a viver a caridade. A prática religiosa torna-se «desconhecida» quando não produz caridade! É preciso estar sempre atento às «imagens» deturpadas da religião que nos afastam de Jesus Cristo!

© Laboratório da fé, 2013

Décima segunda semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.6.13 | Sem comentários

Quarta-feira da décima segunda semana


Evangelho segundo Mateus 7, 15-20

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Acautelai-vos dos falsos profetas, que andam vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos frutos os conhecereis. Poderão colher-se uvas dos espinheiros ou figos dos cardos? Assim, toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos. Toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Portanto, pelos frutos os conhecereis».

Acautelai-vos dos falsos profetas

Não há dúvida que, em todos os tempos, há o perigo dos «falsos profetas». Jesus Cristo dá o alerta nesta passagem do evangelho: «Acautelai-vos dos falsos profetas». Infelizmente, há sempre pessoas que se apresentam com a aparência de salvadores, mas os seus objetivos não são verdadeiros nem honestos. 
O perigo desses «falsos profetas» não está tanto no erro, mas na maldade em que vivem e pretendem arrastar outros. Os «frutos» denunciam os seus reais objetivos. 
Seguir Jesus Cristo implica esta atenção permanente para discernir quais são as propostas autênticas e quais as enganadoras. Estas propostas (enganadoras), embora possam parecer atrativas, afastam-nos do Evangelho, da Boa Nova. Por isso, o cristão tem se de questionar: à minha volta existe alegria, paz, tranquilidade, gosto pela vida? Ou, pelo contrário, à minha volta há um clima insuportável, maldade, rivalidades, violências, atropelos?

© Laboratório da fé, 2013

Décima segunda semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.6.13 | Sem comentários

Décimo segundo domingo


Evangelho segundo Lucas 9, 18-24

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, dizem que és João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». Depois, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á».

Quem é Jesus Cristo?

Quem é Jesus Cristo? — eis a questão decisiva para a fé cristã. Jesus não espera que os discípulos digam apenas o que vêem com os olhos, mas que expressem o que vivem com o coração. Jesus não quer uma resposta tirada dos livros. O discípulo é chamado a ter um olhar capaz de mergulhar no mistério de Jesus Cristo, um olhar sem ambiguidades, para encontrar a verdade.
Jesus não comenta as opiniões dos outros, mas interroga diretamente os discípulos. Espera deles uma apreciação mais profunda. O discípulo é chamado a ver mais profundamente, a não contentar-se com o que ouve dizer. É impelido a tomar uma posição.

És o Messias de Deus

«És o Messias de Deus» — responde Pedro, em nome dos discípulos. A resposta de Pedro parece acertada: Jesus é o Messias, o Ungido. Mas eles esperavam um Messias nacionalista que viesse trazer a salvação política e religiosa, libertando-os do poder romano. Por isso, Jesus proíbe-os de «o dizerem fosse a quem fosse», porque também esta resposta de Pedro precisa de purificação. O Filho do homem vai sofrer, ser rejeitado, morto, para ressuscitar ao terceiro dia. Nada a ver com o Messias que eles estavam à espera! O verdadeiro Messias só pode ser entendido à luz do mistério pascal, isto é, da morte e da ressurreição. É importante perceber que tudo em nós tem de passar pelo mistério pascal de Jesus Cristo. O Messias converte-se no «Filho do homem», o modelo de ser humano. Não é o triunfador, o poderoso, mas o que sofre, o que aguenta os rancores e os ódios dos outros, o humilhado e desapreciado... porque não renuncia à sua condição humana. E tudo até ao extremo, até perder a vida por manter essa atitude até ao fim. Ora bem, mas esta fidelidade à condição humana não é apenas para Jesus Cristo, mas para quem o quer seguir.

Se alguém quiser vir comigo

Jesus Cristo não esconde as exigências para o seguir: tomar a cruz todos os dias! Mas também é preciso não se enganar: tomar a própria cruz não é necessariamente imaginar os piores sofrimentos ou tormentos que vão aparecer. A cruz é o lugar supremo do amor. Tomar a sua cruz é assumir a própria vida, no dia a dia, é agarrá-la com unhas e dentes, amando até ao fim.
Jesus Cristo vai ainda mais longe: para o seguir, ele fala de perder a própria vida. «Quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á». O que é que significa? O que significa «perder» a vida por causa de Jesus Cristo? É tudo uma questão de amor e de confiança. Quem ama verdadeiramente, está disposto a tudo para seguir o amado e viver para ele. Quando sou capaz de me desprender de tudo, incluindo o apego à vida, em favor dos outros, estou verdadeiramente a amar e, portanto, a crescer como ser humano. A minha Vida (com maiúscula) tem cada vez mais força; e a vida (com minúscula) encontra o seu verdadeiro sentido.
Não é fácil entender bem esta passagem do evangelho. Não se trata de anular uma parte de nós para salvar outra! Trata-se de descobrir uma falha na perceção que temos de nós e da vida. Trata-se de nos libertarmos de tudo aquilo que nos prende ao caduco e nos impede de nos elevarmos à plenitude da vida. Esta libertação acontece quando estabelecemos uma escala autêntica de valores e somos capazes de dar a cada coisa a sua verdadeira importância. Não hesitemos! Caminhemos com amor seguindo Jesus Cristo!

© Laboratório da fé, 2013

Décima segunda semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.6.13 | Sem comentários
Ao ritmo da liturgia


Décima segunda semana


Quem dizem as multidões que Eu sou?

A maioria das pessoas que não lê o Evangelho, nem tem qualquer base religiosa, não conhece quase nada sobre Jesus Cristo; muito menos tem ideias claras sobre a sua verdadeira identidade. Quando muito, conservam um apreço genérico por Jesus Cristo («um grande homem»), tendo mais por base um desejo do que um conhecimento.
Mas nem todas essas opiniões sobre Jesus Cristo são totalmente erradas. Vale a pena conhecê-las, porque, a partir delas, podemos abrir caminho para o conhecimento da verdadeira natureza de Jesus Cristo, a sua novidade.

E, vós, cristãos, quem dizeis que Eu sou?

Na Igreja, em cada comunidade cristã, existem opiniões profundamente distintas sobre Jesus Cristo. As pessoas que acompanharam Jesus também tinham opiniões diferentes. Até os discípulos não têm a mesma opinião sobre Jesus Cristo (como testemunham os textos do Novo Testamento). Mas havia aspetos básicos que ninguém punha em questão. Tinham comido e vivido com Jesus Cristo, viram como ele falava e como se comportava com as pessoas. Por isso, uma coisa tem de ser clara: antes das interpretações dos Santos, da Tradição, dos documentos papais e dos movimentos eclesiais, está o Evangelho.

Quem dizem as multidões que vós sois?

Hoje, talvez seja esta a pergunta mais importante! A pergunta torna-se mais pertinente e comprometedora para os cristãos. É aqui que se desenvolve a nova evangelização.
Não é por acaso que o evangelho une as perguntas sobre a identidade de Jesus Cristo com indicações destinadas ao «seguidor» de Jesus Cristo (o discípulo, o cristão): negar-se a si mesmo, isto é, renunciar ao egoísmo; tomar a sua cruz todos os dias; estar dispostos a perder/sacrificar a vida (temporal) para ganhar a Vida (eterna), ou seja, para se salvar (DOMINGO: «Quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á»).
O que significa «perder» a vida por causa de Jesus Cristo? Não se trata de ter uma vida atrofiada. É exatamente ao contrário: a vida torna-se fecunda quando se dá aos outros. É tudo uma questão de confiança e de amor. Em primeiro lugar, ter confiança em Deus, deixar-se tocar pelo Espírito Santo (SEGUNDA: «Cheio do Espírito Santo») que nos diz que somos filhos amados e que podemos viver como filhos de Deus. Em segundo lugar, viver o amor. Quem ama verdadeiramente, está disposto a tudo para seguir o amado e viver para ele. Quando sou capaz de me desprender de tudo (TERÇA: «Apertado o caminho que conduz à vida»), incluindo o apego à vida, em favor dos outros, estou verdadeiramente a amar e, portanto, a crescer como ser humano.
Neste percurso, há sempre necessidade de estar atento às propostas enganadoras (QUARTA: «Acautelai-vos dos falsos profetas») e às «imagens» deturpadas que nos afastam do verdadeiro Messias (QUINTA: «Nunca vos conheci»). Mesmo assim, Jesus Cristo dá-nos uma nova oportunidade (SEXTA: «Eu quero: fica curado») para viver como seus discípulos (SÁBADO: «Segue-Me»).

Esta semana, desafia-nos a um «silêncio» purificador que, à luz do mistério pascal, nos ajude a descobrir a verdadeira identidade do Messias. E, em consequência, perceberemos que seguir Jesus Cristo significa percorrer, como ele, o mesmo caminho que conduz à Vida. Teremos a decisão de Pedro? Ou teremos, também como ele, os nossos altos e baixos?

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial
© Laboratório da fé, 2013

Décima segunda semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.6.13 | Sem comentários
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