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Outubro Missionário 2013


As Obras Missionárias Pontifícias da Comissão Episcopal das Missões publicaram, como já é habitual, um guião para ajudar os cristãos, individualmente e em grupo, a crescer no compromisso missionário. «Que este Guião ajude a viver melhor o mês de Outubro, dedicado ao Rosário e à Missão» — pode ler-se no texto de apresentação. 



Oração diária

31. Por todos os missionários, padres, religiosos ou leigos, que amaram e serviram a Igreja missionária e já partiram deste mundo para a casa do Pai. Que recebam a recompensa eterna e possam celebrar com aqueles a quem anunciaram o Evangelho, a alegrias reservada a quantos viveram com o coração em Deus e nos irmãos.

30. Pelas pessoas e organizações nacionais e internacionais que criam e desenvolvem projetos destinados a promover a paz e a reconciliação entre os povos, a prosperidade e o bem estar, a defesa da dignidade humana onde ela surge mais ameaçada. Para que não desanimem diante dos obstáculos nem se cansem de denunciar e propor, com ousadia e determinação, caminhos novos para a humanidade.

29. Pelas famílias desfeitas pelo drama do divórcio, pelos casais que vivem em permanente conflito, pelos homens e mulheres traídos e abandonados pelos seus cônjuges. Para que não deixem de confiar no Senhor e procurar na oração e na comunhão da Igreja a força de que necessitam para suportarem as provações e encetarem caminhos de verdadeira conversão.

28. Dai, Senhor, à Vossa Igreja, o zelo missionário dos apóstolos que a leve a sair de si mesma a empenhar-se no anúncio da boa nova do Evangelho junto daqueles que ainda não Vos conhecem.

27. Pela velha Europa, tão carente de horizontes de esperança e de eternidade. Para que, por intercessão dos seus santos padroeiros e padroeiras, deixe reavivar em si a luz do Evangelho que dá verdadeiro sentido à vida e arranca os homens e as nações ao domínio do egoísmo e do pecado.

26. Pelas jovens e pelos jovens que, nos noviciados e seminários se preparam para uma vida de entrega total ao Senhor e à Igreja na vida missionária, sacerdotal e religiosa. Que se deixem conduzir pelo Espírito Santo aprendendo sempre a seguir o Senhor no dom de si mesmos.

25. Pelos profissionais da saúde: médicos, enfermeiros e auxiliares. Que tenham sempre no cuidado dos doentes e da sua dignidade o fim último da sua missão e não desanimem diante das situações que os limitam no exercício humanizado da sua profissão.

24. Pelos meios de comunicação social e pelos profissionais que neles trabalham. Que não aceitam colocar-se ao serviço das forças obscuras do mal e de manipulações interesseiras, mas se empenhem fortemente pela promoção da verdade e do bem.

23. Guardai, Senhor, no vosso amor, todas as famílias. Que as famílias cristãs tomem consciência da grandeza da sua vocação e da urgência em serem, junto das outras famílias, testemunhas do Evangelho da Vida e do Amor.

22. Iluminai Senhor, com o Vosso Espírito, o grande continente asiático. Que possa enriquecer a Humanidade com a sua sabedoria milenar e a Igreja presente nestes países se revista de um novo ardor missionário, para que muitos possam acolher a salvação que nos vem da fé.

21. Não deixeis faltar, Senhor, à vossa Igreja, homens e mulheres que se consagrem à vocação missionária e se disponham a partir para aqueles lugares e contextos onde os quiseres enviar. 

20. Pelos doentes e idosos. Ajuda-os, Senhor, a sentirem a grandeza e a fecundidade da sua missão na Igreja e no mundo e confortai-os com a doçura da Vossa presença.

19. Nós vos suplicamos pelos cristãos que, em tantas partes do mundo, são perseguidos e mortos por causa da sua fé. Enviai-lhes, Senhor, a abundância do Vosso Espírito para que não desfaleçam nas provações e encontrem na oração e na caridade de toda a Igreja o ânimo de que tanto necessitam.

18. Por intercessão de São Lucas, que se empenhou em legar à Igreja o Evangelho e os Atos dos Apóstolos para sua edificação fazei, Senhor, que a Vossa Palavra habite em nós como a semente habita na terra, nela germinando e produzindo abundantes frutos de boas obras.

17. Nós te pedimos, Senhor, pelos milhões de homens e mulheres que vivem o drama da pobreza, abaixo do limiar da dignidade humana, enquanto que tantos outros sofrem as doenças próprias dos excessos das sociedades abastadas. Que todos nos empenhemos na erradicação da pobreza através de gestos concretos de solidariedade e de renúncia.

16. Que a intercessão de Santa Margarida Maria Alacoque torne o nosso coração cada vez mais semelhante ao Coração de Jesus, permanentemente aberto aos irmãos e sempre capaz de se compadecer e perdoar.

15. Neste dia de Santa Teresa de Ávila nós te pedimos, Senhor, pelas mulheres a quem chamaste a serem, na vida consagrada, um sinal muito especial da Vossa Aliança. Que elas sejam neste mundo, com a sua oração, caridade e entrega missionária, luzeiros brilhando no meio das trevas.

14. Pelos noivos cristãos que se preparam para se consagrarem no sacramento do matrimónio. Concedei-lhes, Senhor, o dom da fidelidade e de uma vida longa no amor e na ternura, sendo um para o outro e ambos para os filhos, um seguro caminho para Vós.

13. Trazei, Senhor, a paz aos povos e regiões marcados pelos horrores da violência e do ódio. E não permitais que o nosso coração se endureça pela indiferença e banalização de tantas manifestações de sofrimento humano.

12. Concedei, Senhor, aos povos de África a prosperidade e a paz. Que a Igreja presente neste continente seja verdadeiramente profética não só através do anúncio da Palavra de Deus mas, também, pela ousadia de gestos eficazes de solidariedade e de promoção humana e social.

11. Concedei-nos, Senhor, um olhar semelhante ao Vosso, capaz de se compadecer das misérias e fraquezas dos homens, nossos irmãos, antes de os julgarmos e condenarmos.

10. Fortalecei, Senhor, a fé dos nossos jovens. Que eles Vos procurem sempre na oração, afim de serem testemunhas corajosas e felizes do vosso Amor junto dos outros jovens, na família, na sua escola e nos ambientes juvenis que frequentam.

9. Nós vos pedimos, Senhor, por todos os homens e mulheres que consagram a sua vida ao serviço dos irmãos nas diversas instituições de cariz social. Que, cuidando dos mais frágeis e abandonados, acreditem que é o próprio Senhor a quem servem.

8. Dai, Senhor, aos nossos catequistas, o ânimo espiritual e a força do testemunho necessários para incendiar nos corações das crianças e dos adolescentes aquele amor a Jesus que encha de sentido as suas vidas.

7. Que a Vossa e nossa Mãe, Maria Santíssima, nos ensine os caminhos da humildade e do serviço, a partir da escuta e da obediência à Vontade do Pai, e nos encha da caridade com que prontamente se pôs a caminho para estar com santa Isabel.

6. Trazei, Senhor, ao coração dos nossos governantes desejos sinceros em ordem ao bem comum, para que seja promovida uma sociedade mais justa e humana, respeitadora da dignidade de cada ser humano.

5. Nós te pedimos, Senhor, pelas vítimas do desemprego e da precariedade laboral. Abri para eles horizontes de dignidade que passem pelo trabalho tão necessário à realização pessoal e ao sustento das famílias.

4. Nós Vos pedimos, Senhor, pelo Papa Francisco, dádiva da Vossa ternura à Igreja e ao Mundo, para que encontre sempre em Vós a sua força e o seu amparo de modo a que possa conduzir a barca da Igreja pelas águas conturbadas destes novos tempos.

3. Senhor Jesus, enviai o Espírito de Sabedoria a quantos se dedicam à nobre missão do ensino e da educação das novas gerações. Que sejam verdadeiros mestres na escola da vida e não meros transmissores de matérias escolares, e se empenhem totalmente na edificação do Bem e da Verdade. 

2. Nós vos pedimos, Senhor, pelos mais indefesos da nossa sociedade: as crianças ainda não nascidas e os doentes em fase terminal, os excluídos da sociedade, os sem abrigo, os exilados. Que os anjos da sua guarda sejam portadores do Vosso conforto e os da nossa guarda nos despertem para a prática das boas obras.

1. Concedei, Senhor, à vossa Igreja a graça de viver este mês de Outubro em verdadeiro espírito missionário, na oração, na reflexão e na ação, de modo que, à imagem de santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões, tenhamos o nosso coração sempre em Deus e neste mundo que Ele tanto ama e ao qual nos envia.



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Outubro Missionário 2013 — Dia Mundial das Missões
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.10.13 | 2 comentários

Outubro Missionário 2013


As obras missionárias pontifícias da Comissão Episcopal das Missões publicaram, como já é habitual, um guião para ajudar os cristãos, individualmente e em grupo, a crescer no compromisso missionário. «Que este Guião ajude a viver melhor o mês de Outubro, dedicado ao Rosário e à Missão» — pode ler-se no texto de apresentação. 

Neste contexto, a propósito do Dia Mundial das Missões, a celebrar no dia 20 de outubro, o papa Francisco escreveu uma mensagem alicerçada na temática da fé. 
Na Mensagem, o Papa começa por propor a fé como «um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar». Este dom não é só para alguns, mas «oferecido a todos com generosidade»; também não é para ficar com cada um, mas para ser partilhado: «se o quisermos conversar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos». E concluiu este ponto, dizendo: «Toda a comunidade é 'adulta', quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às 'periferias', sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo».
A partir do contexto do aniversário dos cinquenta anos do Concílio, o Papa recorda que o dever missionário é próprio de cada um e de todos os batizados: «todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho». E também não se trata de uma questão geográfica, porque o lugar da missionariedade é o «coração de cada homem e mulher».
Os obstáculos colocados à evangelização — diz o Papa — não estão apenas no exterior, mas também dentro da própria Igreja. Destes obstáculos destaca o (nosso) relaxe no fervor, na alegria, na coração, na esperança de anunciar e na ajuda ao ser humano contemporâneo para encontrar Jesus Cristo. «Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo». Sem esquecer que «evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial».
O tempo presente — marcado pela deslocação constante de pessoas e famílias inteiras, marcado pelo aumento do número «daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças», marcado pela crise que «atinge vários setores da existência» — reclama uma «nova evangelização», precisa de «uma luz segura». Neste contexto, «torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem».



Oração missionária

Espírito Santo,
que desceste sobre os Apóstolos 
e os fizeste anunciadores do Evangelho:
derrama os teus dons sobre cada um de nós
e torna-nos sensíveis aos apelos e às necessidades dos nossos irmãos;
desperta em muitos corações (crianças, jovens e adultos...) o ideal missionário;
dá força e coragem a todos quantos se entregam totalmente ao serviço da missão.
Amen.



Intenção missionária do Apostolado da Oração

Para que a Jornada Missionária Mundial 
nos anime a ser destinatários 
e anunciadores da Palavra de Deus.

Como todos os anos, celebramos no penúltimo domingo de Outubro, que este ano ocorre no dia 20, o Dia Mundial Missionário. A finalidade desta celebração é a de nos recordar aquilo que nunca deveríamos esquecer: todos, pelo batismo, somos evangelizadores, missionários. Este dia não deve ser, portanto, um momento esporádico na nossa vida cristã, mas só mais uma ocasião para refletirmos na nossa vocação missionária.
E somos todos missionários porque a Igreja é missionária na sua mesma essência, como têm declarado os Papas, em variadas ocasiões, e esta dimensão missionária da Igreja tem que estar sempre presente na mente de todos os cristãos. A Igreja existe para evangelizar. Afirmou, por exemplo, o Papa Paulo VI, na Exortação apostólica «Evangelii nuntiandi»: «[A proclamação do Evangelho] é para a Igreja um dever que lhe incumbe, por mandato do Senhor Jesus, a fim de que os homens possam acreditar e ser salvos». Este mandato missionário que Cristo confiou aos seus discípulos tem que concretizar-se no empenho de todo o povo de Deus; deve envolver todas as atividades das Igrejas particulares, todos os seus setores, todo o seu ser e agir.
Todos aqueles que se encontraram com Cristo ressuscitado sentiram a necessidade de anunciá-Lo aos outros, como aconteceu com os discípulos de Emaús, com Maria Madalena e tantos outros. O mesmo deve acontecer connosco. Se vivemos a ressurreição, se a fé que ela desperta é uma verdadeira realidade na nossa vida, havemos de sentir a necessidade imperiosa de a partilhar. Com efeito, a fé não é um dom (o maior da nossa vida), para guardar para si, mas para comunicar aos outros, para que também eles a possam experimentar.
Como diz a Intenção Missionária deste mês, somos, ao mesmo tempo, destinatários e anunciadores da Palavra que desperta a fé. Mas só quando esta Palavra Se faz carne dentro de cada um é que pode ser anunciada com verdade. Doutro modo, o anúncio soará a oco.
Sobretudo ao longo deste mês, deixemo-nos possuir pela Palavra de Deus, porque só assim é que seremos levados a uma comunicação mais ativa, persuadidos de que a fé se fortalece quando é comunicada.




Mensagem do Papa 
para o Dia Mundial das Missões

Queridos irmãos e irmãs,
Este ano, a celebração do Dia Mundial das Missões tem lugar próximo da conclusão do Ano da Fé, ocasião importante para revigorarmos a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia, com coragem, o Evangelho. Nesta perspectiva, gostaria de propor algumas reflexões.
1. A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar. Ele quer entrar em relação connosco, para nos fazer participantes da sua própria vida e encher plenamente a nossa vida de significado, tornando-a melhor e mais bela. Deus ama-nos! Mas a fé pede para ser acolhida, ou seja, pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a Deus e vivermos o seu amor, agradecidos pela sua infinita misericórdia. Trata-se de um dom que não está reservado a poucos, mas é oferecido a todos com generosidade: todos deveriam poder experimentar a alegria de se sentirem amados por Deus, a alegria da salvação. E é um dom que não se pode conservar exclusivamente para si mesmo, mas deve ser partilhado; se o quisermos conservar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos. O anúncio do Evangelho é um dever que brota do próprio ser discípulo de Cristo e um compromisso constante que anima toda a vida da Igreja. «O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial» (Bento XVI, Exort. ap. Verbum Domini, 95). Toda a comunidade é «adulta», quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às «periferias», sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a testemunharmos a quantos nos encontram e partilham connosco o caminho da vida.
2. Celebrado cinquenta anos depois do início do II Concílio do Vaticano, este Ano da Fé serve de estímulo para a Igreja inteira adquirir uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e as nações. A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O II Concílio do Vaticano pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada batizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé: «Como o Povo de Deus vive em comunidades, sobretudo diocesanas e paroquiais, e é nelas que, de certo modo, se torna visível, pertence a estas dar também testemunho de Cristo perante as nações» (Decr. Ad gentes, 37). Por isso, cada comunidade é interpelada e convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas «testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (Act 1, 8); e isso, não como um aspeto secundário da vida cristã, mas um aspeto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de «dar também testemunho perante as nações», perante todos os povos. Mas a missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspetos da vida cristã.
3. Com frequência, os obstáculos à obra de evangelização encontram-se, não no exterior, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes, estão relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a Mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Por vezes há ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à liberdade. A propósito, são iluminantes estas palavras de Paulo VI: «Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará (...), é uma homenagem a essa liberdade» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo. Com frequência, vemos que a violência, a mentira, o erro é que são colocados em evidência e propostos. É urgente fazer resplandecer, no nosso tempo, a vida boa do Evangelho pelo anúncio e o testemunho, e isso dentro da Igreja. Porque, nesta perspetiva, é importante não esquecer jamais um princípio fundamental para todo o evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que, «quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade, ou administra um sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um acto de Igreja». Ele não age «por uma missão pessoal que se atribuísse a si próprio, ou por uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome da mesma» (ibid., 60). E isto dá força à missão e faz sentir a cada missionário e evangelizador que nunca está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.
4. Na nossa época, a difusa mobilidade e a facilidade de comunicação através dos novos meios de comunicação social misturaram entre si os povos, os conhecimentos e as experiências. Por motivos de trabalho, há famílias inteiras que se deslocam de um continente para outro; os intercâmbios profissionais e culturais, assim como o turismo e fenómenos análogos impelem a um amplo movimento de pessoas. Às vezes, resulta difícil até mesmo para as comunidades paroquiais conhecer, de modo seguro e profundo, quem está de passagem ou quem vive estavelmente no território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raro, alguns batizados fazem opções de vida que os afastam da fé, tornando-os assim carecidos de uma «nova evangelização». A tudo isso se junta o facto de que larga parte da humanidade ainda não foi atingida pela Boa Nova de Jesus Cristo. Ademais vivemos num momento de crise que atinge vários setores da existência, e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. A própria convivência humana está marcada por tensões e conflitos, que provocam insegurança e dificultam o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem atravessados por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem. O homem do nosso tempo necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar. Com o nosso testemunho de amor, levemos a este mundo a esperança que nos dá a fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela ação do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.
5. Gostaria de encorajar a todos para que se façam portadores da Boa Nova de Cristo e agradeço, de modo especial, aos missionários e às missionárias, aos presbíteros «fidei donum», aos religiosos e às religiosas, aos fiéis leigos – cada vez mais numerosos – que, acolhendo a chamada do Senhor, deixaram a própria pátria para servir o Evangelho em terras e culturas diferentes. Mas queria também sublinhar como as próprias Igrejas jovens se estão empenhando generosamente no envio de missionários às Igrejas que se encontram em dificuldade – não raro Igrejas de antiga cristandade – levando assim o vigor e o entusiasmo com que elas mesmas vivem a fé que renova a vida e dá esperança. Viver com este fôlego universal, respondendo ao mandato de Jesus «ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19), é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade; e dar missionários nunca é uma perda, mas um ganho. Faço apelo, a todos aqueles que sentem esta chamada, para que correspondam generosamente à voz do Espírito, segundo o próprio estado de vida, e não tenham medo de ser generosos com o Senhor. Convido também os bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as agregações cristãs a apoiarem, com perspicácia e cuidadoso discernimento, a vocação missionária «ad gentes» e a ajudarem as Igrejas que precisam de sacerdotes, de religiosos e religiosas e de leigos para revigorar a comunidade cristã. E a mesma atenção deveria estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem, com generosidade, aquelas que padecem a sua escassez.
Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os presbíteros «fidei donum» e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas aonde foram enviados e a levarem a sua alegria e esperança às Igrejas donde provêm, recordando como Paulo e Barnabé, no final da sua primeira viagem missionária, «contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos pagãos a porta da fé» (Act 14, 27). Eles podem assim tornar-se caminho para uma espécie de «restituição» da fé, levando o vigor das Igrejas jovens às Igrejas de antiga cristandade a fim de que estas reencontrem o entusiasmo e a alegria de partilhar a fé, numa permuta que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.
A solicitude por todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os irmãos Bispos, encontra uma importante aplicação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias, cuja finalidade é animar e aprofundar a consciência missionária de cada batizado e de cada comunidade, seja apelando à necessidade de uma formação missionária mais profunda de todo o Povo de Deus, seja alimentando a sensibilidade das comunidades cristãs para darem a sua ajuda a favor da difusão do Evangelho no mundo.
Por fim, o meu pensamento vai para os cristãos que, em várias partes do mundo, encontram dificuldade em professar abertamente a própria fé e ver reconhecido o direito a vivê-la dignamente. São nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosas do que os mártires nos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Não poucos arriscam a própria vida para permanecer fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou unido, pela oração, às pessoas, às famílias e às comunidades que sofrem violência e intolerância, e repito-lhes as palavras consoladoras de Jesus: «Tende confiança, Eu já venci o mundo» (Jo 16, 33).
Bento XVI exortava: «Que “a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro» (Carta ap. Porta fidei, 15). Tais são os meus votos para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo de todo o coração os missionários e as missionárias e todos aqueles que acompanham e apoiam este compromisso fundamental da Igreja para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra e nós, ministros do Evangelho e missionários, possamos experimentar «a suave e reconfortante alegria de evangelizar» (Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80).

Vaticano, 19 de maio de 2013 — Solenidade de Pentecostes

Outubro Missionário 2013 — Dia Mundial das Missões
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.10.13 | Sem comentários
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