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Bem-aventuranças — temática para 2014, 2015, 2016


Foram escolhidos pelo Santo Padre Francisco os temas das três próximas edições da Jornada Mundial da Juventude. Estes marcarão as etapas do itinerário de preparação espiritual que durante três anos conduzirá à celebração internacional com o Sucessor de Pedro prevista para Cracóvia (Polónia) em julho de 2016:
  • XXIX Jornada Mundial da Juventude de 2014
    — «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mateus 5, 3)
  • XXX Jornada Mundial da Juventude de 2015
    — «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mateus 5, 8)
  • XXXI Jornada Mundial da Juventude de 2016 (Cracóvia, Polónia)
    — «Felizes os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia» (Mateus 5, 7)

Os três temas, extraídos das Bem-aventuranças do evangelho. No Rio de Janeiro, o Papa Francisco pediu aos jovens, «de todo coração», que lessem novamente as Bem-Aventuranças para delas fazer um concreto programa de vida: «Olha, lê as Bem-Aventuranças, que te farão bem!» (cf. Encontro com os jovens argentinos na Catedral de São Sebastião, 25 de julho de 2013).

Bem-aventuranças no itinerário das Jornadas Mundiais da Juventude (2014, 2015, 2016)

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.11.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


No dia 27 de julho de 2013, o papa Francisco presidiu à celebração da Eucaristia, na catedral de São Sebastião, em Copacabana (Rio de Janeiro, Brasil), com os bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e seminaristas. Na homilia, o Papa refletiu sobre três aspectos da vocação: chamados por Deus; chamados para anunciar o Evangelho; chamados a promover a cultura do encontro. E desafiou os presentes a ter a mesma coragem de Paulo e Barnabé, para anunciar o Evangelho aos jovens.
Em primeiro lugar, recordou que no início da vocação está um convite de Deus, uma eleição divina. Por isso, é o «viver em Cristo» que configura a vocação. Não é a criatividade pastoral, não são as reuniões ou planeamentos que garantem os frutos, mas ser fiel a Jesus. 
Depois, recordou que o chamamento divino tem uma missão: anunciar o Evangelho. Ajudemos os jovens a perceberem que ser discípulo missionário é uma consequência de ser batizado, é parte essencial do ser cristão, e que o primeiro lugar onde evangelizar é a própria casa, o ambiente de estudo ou de trabalho, a família e os amigos. Neste ponto, reforçou a importância da escuta e a coragem de sair para ir ao encontro das periferias. Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades, quando há tanta gente à espera do Evangelho! Não se trata simplesmente de abrir a porta para acolher, mas de sair pela porta fora para procurar e encontrar. 
Em terceiro lugar, desafiou os presentes a promover a cultura do encontro. Isto para lutar contra a corrente da cultura da eficácia, da exclusão e do descartável. Às vezes parece que, para alguns, as relações humanas são regidas por dois «dogmas» modernos: eficiência e pragmatismo. Temos de ser servidores da comunhão e da cultura do encontro. 

Amados Irmãos em Cristo,
Vendo esta catedral lotada com Bispos, sacerdotes, seminaristas, religiosos e religiosas vindos do mundo inteiro, penso nas palavras do Salmo da Missa de hoje: «Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor» (Salmo 66). Sim, estamos aqui reunidos para glorificar o Senhor; e o fazemos reafirmando a nossa vontade de sermos seus instrumentos, para que não somente algumas nações mas todas glorifiquem o Senhor. Com a mesma parresia – coragem, ousadia – de Paulo e Barnabé, anunciemos o Evangelho aos nossos jovens para que encontrem Cristo, luz para o caminho, e se tornem construtores de um mundo mais fraterno. Neste sentido, queria refletir convosco sobre três aspectos da nossa vocação: chamados por Deus; chamados para anunciar o Evangelho; chamados a promover a cultura do encontro.

Chamados por Deus
É importante reavivar em nós esta realidade que, frequentemente, damos por descontada em meio a tantas atividades do dia-a-dia: «Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi», diz-nos Jesus (João 15, 16). Significa retornar à fonte do nosso chamamento. No início de nosso caminho vocacional, há uma eleição divina. Fomos chamados por Deus, e chamados para permanecer com Jesus (cf. Marcos 3, 14), unidos a Ele de um modo tão profundo que nos permite dizer com São Paulo: «Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim» (Gálatas 2, 20). Este viver em Cristo configura realmente tudo aquilo que somos e fazemos. E esta «vida em Cristo» é justamente o que garante a nossa eficácia apostólica, a fecundidade do nosso serviço: «Eu vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça» (João 15, 16). Não é a criatividade pastoral, não são as reuniões ou planeamentos que garantem os frutos, mas ser fiel a Jesus, que nos diz com insistência: «Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós» (João 15, 4). E nós sabemos bem o que isso significa: Contemplá-lo, adorá-lo e abraçá-lo, particularmente através da nossa fidelidade à vida de oração, do nosso encontro diário com Ele presente na Eucaristia e nas pessoas mais necessitadas. O «permanecer» com Cristo não é se isolar, mas é um permanecer para ir ao encontro dos outros. Vem-me à cabeça umas palavras da Bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá: «Devemos estar muito orgulhosas da nossa vocação, que nos dá a oportunidade de servir Cristo nos pobres. É nas favelas, nos 'cantegriles' nas Villas miseria, que nós devemos ir procurar e servir a Cristo. Devemos ir até eles como o sacerdote se aproxima do altar, cheio de alegria» (Mother Instructions, I, 80). Jesus, Bom Pastor, é o nosso verdadeiro tesouro; procuremos fixar sempre mais n’Ele o nosso coração (cf. Lc 12, 34).

Chamados para anunciar o Evangelho
Queridos bispos e sacerdotes, muitos de vós, senão todos, vieram acompanhar os seus jovens à Jornada Mundial da Juventude. Eles também ouviram as palavras do mandato de Jesus: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações» (cf. Mateus 28, 19). É nosso compromisso ajudá-los a fazer arder, no seu coração, o desejo de serem discípulos missionários de Jesus. Certamente muitos, diante desse convite, poderiam sentir-se um pouco atemorizados, imaginando que ser missionário significa deixar necessariamente o País, a família e os amigos. Deus quer que sejamos missionários. Onde estamos? Onde Ele nos coloca: na nossa Pátria ou onde Ele nos colocar. Ajudemos os jovens a perceberem que ser discípulo missionário é uma consequência de ser batizado, é parte essencial do ser cristão, e que o primeiro lugar onde evangelizar é a própria casa, o ambiente de estudo ou de trabalho, a família e os amigos. Ajudemos os jovens. Escutemos os seus sonhos. Eles precisam de ser escutados. Para escutar as suas deceções, as suas dificuldades, é preciso estar sentados, para escutar talvez o mesmo libreto, mas com múscia diferente, com identidades diferentes. A paciência de escutar! Peço-vos de todo o coração. No confessionário, na direção espiritual, no acompanhamento. Saibamos perder tempo com eles. Semear custa e cansa, cansa muitíssimo! Mas é muito mais gratificante gozar a colheita... Todos gozamos mais com a colheita! Mas Jesus pede-nos para semearmos a sério. Não poupemos esforços na formação dos jovens. São Paulo usa uma bela expressão, que se tornou realidade na sua vida, dirigindo-se aos seus cristãos: «Meus filhos, por vós sinto de novo as dores do parto até Cristo ser formado em vós» (Gálatas 4, 19). Também nós façamos que isso se torne realidade no nosso ministério! Ajudemos os nossos jovens a descobrir a coragem e a alegria da fé, a alegria de ser pessoalmente amados por Deus. Isto é muito difícil, mas quando um jovem o entende, quando um jovem sente-o com a unção que lhe dá o Espírito Santo, este ser amado pessoalmente por Deus acompanha-o durante toda a vida. A alegria que teve o seu Filho Jesus pela nossa salvação. Eduquemo-los para a missão, para sair, para partir, portadores da fé pelas ruas. Jesus fez assim com os seus discípulos: não os manteve colados a si, como uma galinha com os seus pintainhos; enviou-os! Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades, quando há tanta gente à espera do Evangelho! Não se trata simplesmente de abrir a porta para acolher, mas de sair pela porta fora para procurar e encontrar. Empurremos os jovens para saírem. Porventura, vão fazer asneiras. Não tenhamos medo! Os apóstolos fizeram-nas antes de nós. Empurremo-los para sair! Decididamente pensemos a pastoral a partir da periferia, daqueles que estão mais afastados, daqueles que habitualmente não frequentam a paróquia. Eles são os convidados VIP. Ide buscá-los às encruzilhadas dos caminhos.

Chamados a promover a cultura do encontro
Ser chamados por Jesus, chamados para evangelizar e, terceiro, chamados a promover a cultura do encontro. Em muitos ambientes, em geral neste humanismo economicista que se instalou no mundo, abriu-se espaço para a cultura da exclusão, a «cultura do descartável». Não há lugar para o idoso, nem para o filho não desejado; não há tempo para se deter com o pobre caído à margem da estrada. Às vezes parece que, para alguns, as relações humanas são regidas por dois «dogmas» modernos: eficiência e pragmatismo. Queridos Bispos, sacerdotes, religiosos e também vós, seminaristas, que vos preparais para o ministério, tende a coragem de ir contra a corrente. Tende coragem! Lembrem-se, a mim faz-me muito bem, medito-o com frequência. Tomem o Primeiro Livro dos Macabeus. Lembrem-se quando quiserem assumir a cultura da época. «Não! Não deixemos! Comamos de tudo como toda a gente... Bom, a Lei sim, mas que não seja tanto...». E foram deixando a fé para estar inseridos na corrente dessa cultura. Tende coragem para ir contra a corrente desta cultura do eficientismo, desta cultura do descartável. O encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade, uma palavra que está a ser escondida por esta cultura, quase uma palavra feia, a solidariedade e a fraternidade são os elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana.
Temos de ser servidores da comunhão e da cultura do encontro. Deveríamos ser quase obsessivos neste aspecto! Não queremos ser presunçosos, impondo a «nossa verdade», mas guiados pela certeza humilde e feliz de quem foi encontrado, alcançado e transformado pela Verdade que é Cristo, e não pode deixar de anunciá-la (cf. Lucas 24, 13-35).
Queridos irmãos e irmãs, fomos chamados por Deus, com nome e apelido, cada um de nós, chamados para anunciar o Evangelho e a promover com alegria a cultura do encontro. A Virgem Maria seja o nosso modelo. Na sua vida, Ela deu «exemplo daquele amor de mãe que deve animar todos os que colaboram na missão apostólica da Igreja para gerar os seres humanos para uma vida nova» («Lumen Gentium», 65).
Pedimos-lhe que nos ensine a nos encontrarmos diariamente com Jesus. E, quando estivermos distraídos, porque temos muitas coisas, e o sacrário fica abandonado, que nos conduza pela mão. Peçamos-lhe. Olha, Mãe, quando andar meio assim, por outro lado, conduz-me pela mão. Que nos empurre a sair ao encontro de tantos irmãos e irmãs que estão na periferia, que têm sede de Deus e não há quem o anuncie. Que não nos tire a casa, mas que nos empurre a sair de casa. Assim, sejamos discípulos do Senhor. Que Ela nos conceda a todos esta graça.

Rio de Janeiro, 27 de julho de 2013
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

Chamados por Deus para anunciar o Evangelho e a promover a cultura do encontro
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.8.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


Durante a Via Sacra, no dia 26 de julho de 2013, na Jornada Mundial da Juventude (Rio de Janeiro, Brasil), o papa Francisco proferiu uma reflexão convidando os jovens a acompanhar Jesus no caminho de dor e de amor. 
Começou por colocar três perguntas: O que deixastes na Cruz, queridos jovens brasileiros, nestes dois anos em que ela atravessou este imenso País? E o que terá deixado a Cruz de Jesus em cada um de vós? E, finalmente, o que esta Cruz ensina para a nossa vida?
Num primeiro ponto, o Papa referiu que, na Cruz, Jesus Cristo une-se a todos os seres humanos: vítimas da violência, famílias que passam dificuldades, pessoas que passam fome, mães e pais que sofrem por causa dos filhos, perseguidos, jovens que perdem a confiança e a fé. E acrescentou que na Cruz de Cristo, está o sofrimento, o pecado do ser humano, o nosso também, e Ele acolhe tudo com os braços abertos, carrega nas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Tu não estás sozinho a levar a cruz! Eu levo-a contigo.
Num segundo ponto, respondeu à pergunta: o que é que a Cruz deixa em cada um de nós? Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós. Jesus Cristo transformou a Cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida. 
No último ponto, o Papa afirmou que a Cruz também convida a deixar-nos contagiar pelo amor; ensina-nos a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor; ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro das pessoas e lhes estender a mão.
Para terminar, o papa Francisco apresentou os exemplos de Pilatos, Cireneu, Maria e as outras mulheres. E perguntou: Com qual deles te queres parecer?

Queridos jovens,
Viemos hoje acompanhar Jesus no seu caminho de dor e de amor, o caminho da Cruz, que é um dos momentos fortes da Jornada Mundial da Juventude. No final do Ano Santo da Redenção, o Bem-aventurado João Paulo II quis confiá-la a vós, jovens, dizendo: «Levai-a pelo mundo, como sinal do amor de Jesus pela humanidade e anunciai a todos que só em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção» (Palavras aos jovens, 22 de abril de 1984). A partir de então a Cruz percorreu todos os continentes e atravessou os mais variados mundos da existência humana, ficando quase que impregnada com as situações de vida de tantos jovens que a viram e carregaram. Ninguém pode tocar a Cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da Cruz de Jesus para sua própria vida. Nesta tarde, acompanhando o Senhor, queria que ressoassem três perguntas nos vossos corações: O que deixastes na Cruz, queridos jovens brasileiros, nestes dois anos em que ela atravessou este imenso País? E o que terá deixado a Cruz de Jesus em cada um de vós? E, finalmente, o que esta Cruz ensina para a nossa vida?

Na Cruz, Jesus une-se a todos os seres humanos
1. Uma antiga tradição da Igreja de Roma conta que o Apóstolo Pedro, saindo da cidade para fugir da perseguição do Imperador Nero, viu que Jesus caminhava na direção oposta e, admirado, lhe perguntou: «Para onde vais, Senhor?». E a resposta de Jesus foi: «Vou a Roma para ser crucificado outra vez». Naquele momento, Pedro entendeu que devia seguir o Senhor com coragem até o fim, mas entendeu sobretudo que nunca estava sozinho no caminho; com ele, sempre estava aquele Jesus que o amara até o ponto de morrer na Cruz. Pois bem, Jesus com a sua cruz atravessa os nossos caminhos para carregar os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a Cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, como no caso dos 242 jovens vítimas no incêndio na cidade de Santa Maria no início deste ano. Rezemos por eles. Com a Cruz, Jesus se une a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias joga fora toneladas de comida. Com a Cruz, Jesus está junto de tantas mães e pais que sofrem ao ver os seus filhos vítimas de paraísos artificiais, como a droga; com a Cruz, Jesus se une a quem é perseguido pela religião, pelas ideias, ou simplesmente pela cor da pele; nela Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho. Quanto fazem sofrer Cristo nossas incoerências! Na Cruz de Cristo, está o sofrimento, o pecado do ser humano, o nosso também, e Ele acolhe tudo com os braços abertos, carrega nas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, dar-lhe vida (cf. João  3, 16).

O que é que a Cruz deixa em cada um de nós?
2. E assim podemos responder à segunda pergunta: o que foi que a Cruz deixou naqueles que a viram, naqueles que a tocaram? O que deixa em cada um de nós? Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos dá a força para poder levá-lo, entra também na morte para derrotá-la e nos salvar. Na Cruz de Cristo, está todo o amor de Deus, a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Queridos jovens, confiemos em Jesus, abandonemo-nos totalmente a Ele (cf. Carta Encíclica «A luz da fé» — «Lumen Fidei», 16)! Só em Cristo morto e ressuscitado encontramos salvação e redenção. Com Ele, o mal, o sofrimento e a morte não têm a última palavra, porque Ele nos dá a esperança e a vida: transformou a Cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida.
O primeiro nome dado ao Brasil foi justamente o de «Terra de Santa Cruz». A Cruz de Cristo foi plantada não só na praia, há mais de cinco séculos, mas também na história, no coração e na vida do povo brasileiro e não só: o Cristo sofredor, sentimo-lo próximo, como um de nós que compartilha o nosso caminho até o final. Não há cruz, pequena ou grande, da nossa vida que o Senhor não venha compartilhar connosco.

A Cruz contagia-nos com o amor
3. Mas a Cruz de Cristo também nos convida a deixar-nos contagiar por este amor; ensina-nos, pois, a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre, quem tem necessidade de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto; ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão. Tantos rostos — acabamos de vê-los na Via-Sacra — acompanharam Jesus no seu caminho até a Cruz: Pilatos, o Cireneu, Maria, as mulheres... Hoje eu pergunto-vos: Com qual deles te queres parecer? Queres ser como Pilatos, que não teve a coragem de ir contra a corrente, para salvar a vida de Jesus, e lavou as mãos? Digam-me: Vós sois dos que lavam as mãos, fazem-se de distraídos e olham de um lado para o outro ou sois como o Cirineu, que ajuda a Jesus a carregar aquele madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o final, com amor, com ternura. E tu com qual deles te queres parecer? Com Pilatos, com o Cireneu, com Maria? Agora Jesus está a olhar para ti e te diz: Queres ajudar-me a carregar a Cruz? Irmão e irmã, com toda a tua força de jovem, que lhe respondem?
Queridos jovens, levamos as nossas alegrias, os nossos sofrimentos, os nossos fracassos para a Cruz de Cristo; encontraremos um Coração aberto que nos compreende, perdoa, ama e pede para levar este mesmo amor para a nossa vida, para amar cada irmão e irmã com este mesmo amor!

Rio de Janeiro, 26 de julho de 2013
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

A cruz ensina-nos a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.8.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


Na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro (Brasil), o papa Francisco, no dia 25 de Julho de 2013, esteve reunido com os jovens da Argentina. Nesse encontro, o Papa insistiu na necessidade de lutar contra a exclusão social dos jovens e dos idosos, «os dois vértices que são o nosso futuro».
No início do discurso, o papa Francisco desafiou os jovens a não se fecharem dentro das igrejas e das paróquias, mas a saírem pelas estradas para testemunharem a fé.
Depois, referiu-se à fé em Jesus Cristo como uma «coisa séria», que não pode ser «espremida» como se faz com uma laranja: Há a espremedura de laranja, há a espremedura de maçã, há a espremedura de banana, mas, por favor, não bebam «espremedura» de fé. A fé é integral, não se espreme. 
A terminar, recomendou uma dupla leitura: as Bem-aventuranças e o capítulo 25 do evangelho segundo Mateus: «lede as Bem-aventuranças, que vos farão bem. Se, depois, quiserdes saber concretamente o que deveis fazer, lede o capítulo 25 de Mateus, que é o regulamento segundo o qual vamos ser julgados. Com essas duas coisas, tendes o Plano de Ação: as Bem-aventuranças e Mateus 25».

Obrigado! Obrigado pela presença! Obrigado por terem vindo! [...]
Quero dizer-vos qual é a consequência que eu espero da Jornada da Juventude: espero que façam barulho. Aqui farão barulho, sem dúvida. Aqui, no Rio, farão barulho, farão certamente. Mas eu quero que se façam ouvir também nas dioceses, quero que saiam, quero que a Igreja saia pelas estradas, quero que nos defendamos de tudo o que é mundanismo, imobilismo, nos defendamos do que é comodidade, do que é clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em nós mesmos. As paróquias, as escolas, as instituições são feitas para sair; se não o fizerem, tornam-se uma ONG e a Igreja não pode ser uma ONG. Que me perdoem os Bispos e os sacerdotes, se alguns depois lhes criarem confusão. Mas este é o meu conselho. Obrigado pelo que vocês puderem fazer.
Olhem! Eu penso que, neste momento, a civilização mundial ultrapassou os limites, ultrapassou os limites porque criou um tal culto do deus dinheiro, que estamos na presença de uma filosofia e uma prática de exclusão dos dois pólos da vida que constituem as promessas dos povos. A exclusão dos idosos, obviamente: alguém poderia ser levado a pensar que nisso exista, oculta, uma espécie de eutanásia, isto é, não se cuida dos idosos; mas há também uma eutanásia cultural, porque não se lhes deixa falar, não se lhes deixa agir. E a exclusão dos jovens: a percentagem que temos de jovens sem trabalho, sem emprego, é muito alta e temos uma geração que não tem experiência da dignidade ganha com o trabalho. Assim, esta civilização levou-nos a excluir os dois vértices que são o nosso futuro. Por isso os jovens devem irromper, devem fazer-se valer; os jovens devem sair para lutar pelos valores, lutar por estes valores; e os idosos devem tomar a palavra, os idosos devem tomar a palavra e ensinar-nos! Que eles nos transmitam a sabedoria dos povos!
Pensando no povo argentino, de coração sincero peço aos idosos: não esmoreçam na missão de ser a reserva cultura do nosso povo; reserva que transmite a justiça, que transmite a história, que transmite os valores, que transmite a memória do povo. E vocês, por favor, não se ponham contra os idosos: deixem-nos falar, ouçam-nos e sigam em frente. Mas saibam, saibam que neste momento vocês, jovens, e os idosos estão condenados ao mesmo destino: a exclusão. Não se deixem descartar. Claro, para isso acho que vocês devem trabalhar. A fé em Jesus Cristo não é uma brincadeira; é uma coisa muito séria. É um escândalo que Deus tenha vindo fazer-se um de nós. É um escândalo que Ele tenha morrido numa cruz. É um escândalo: o escândalo da Cruz. A Cruz continua a escandalizar; mas é o único caminho seguro: o da Cruz, o de Jesus, o da Encarnação de Jesus. Por favor, não «espremam» a fé em Jesus Cristo. Há a espremedura de laranja, há a espremedura de maçã, há a espremedura de banana, mas, por favor, não bebam «espremedura» de fé. A fé é integral, não se espreme. É a fé em Jesus. É a fé no Filho de Deus feito homem, que me amou e morreu por mim. Resumindo: primeiro, façam-se ouvir, cuidem dos extremos da população que são os idosos e os jovens. Não se deixem excluir e não deixem que se excluam os idosos. Segundo, não «espremam» a fé em Jesus Cristo. Com as Bem-aventuranças… que devemos fazer, Padre? Olhe! Você leia as Bem-aventuranças, que lhe farão bem. Se, depois, você quer saber concretamente o que deve fazer, leia o capítulo 25 de Mateus, que é o regulamento segundo o qual vamos ser julgados. Com essas duas coisas, vocês têm o Plano de Ação: as Bem-aventuranças e Mateus 25. Não precisam de ler mais nada. Isso lhes peço de todo o coração. Está bem? Obrigado por essa unidade. Tenho pena que vocês estejam aí enjaulados; eu lhes digo uma coisa: às vezes também eu sinto isso; e não é uma boa coisa estar enjaulado. Isso lhes confesso de coração, mas paciência! Eu entendo vocês. Também eu gostaria de estar mais perto de vocês, mas entendo que, por razões de segurança, não se pode. Obrigado por terem vindo! Obrigado por rezarem por mim! Isto lhes peço de coração. Preciso. Eu preciso das vossas orações, tenho tanta necessidade. Obrigado por isso! Bem! Eu quero lhes dar a Bênção e, depois, benzeremos a imagem da Virgem que vai percorrer toda a República… e a cruz de São Francisco; viajarão em missão. Mas não esqueçam! Façam-se ouvir; cuidem dos dois extremos da vida: os dois extremos da história dos povos que são os idosos e os jovens; e não «espremam» a fé. E agora façamos uma oração para benzer a imagem da Virgem e, em seguida, dar-lhes a Bênção. [...]

Senhor, Tu deixaste no meio de nós a tua Mãe para que nos acompanhasse.
Que Ela cuide de nós e nos proteja o nosso caminho, o nosso coração, a nossa fé.
Que nos faça discípulos como Ela o foi, e missionários como Ela o foi também.
Que nos ensine a sair pelas estradas.
Que nos ensine a sair de nós mesmos. [...]
Que Ela, com a sua mansidão, a sua paz, nos indique o caminho.
Senhor, Tu és um escândalo! 
Tu és um escândalo: o escândalo da Cruz. 
Uma Cruz que é humildade, mansidão; 
uma Cruz que nos fala da proximidade de Deus. [...]

Muito obrigado! Vemo-nos nestes dias. Que Deus lhes abençoe. Rezem por mim. Não se esqueçam!

Rio de Janeiro, 25 de julho de 2013
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

Papa Francisco, no encontro com os jovens da Argentina, na Jornada Mundial da Juventude, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.8.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


O papa Francisco, no dia 25 de Julho de 2013, presidiu à cerimónia de boas-vindas, na praia de Copacabana (Rio de Janeiro, Brasil). Aí, fez uma primeira saudação e depois uma homilia. Neste artigo, apresentamos a saudação e o texto da homilia. 
Em primeiro lugar, na saudação, dirigiu-se aos jovens para enaltecer o entusiasmo e a alegria com que estão a viver estes dias da Jornada Mundial da Juventude, aceitando o convite de Jesus. Em pleno Ano da Fé, disse que Jesus faz três perguntas: Queres ser meu discípulo? Queres ser meu amigo? Queres ser testemunha do Evangelho? E acrescentou: «As vossas famílias e comunidades locais transmitiram-vos o grande dom da fé. Cristo cresceu em vós. Hoje, vim aqui para vos confirmar na fé, a fé em Cristo vivo que habita em vós, mas vim também para ser confirmado pelo entusiasmo da vossa fé».
Na homilia, serviu-se da linguagem popular: bote fé, bote esperança, bote amor, bote Cristo e a sua vida será fecunda. «Bote fé» e a vida terá um sabor novo; «bote esperança» e todos os seus dias serão iluminados; «bote amor» e a sua existência será como uma casa construída sobre a rocha, o seu caminho será alegre. «Bote Cristo» na sua vida, e você encontrará um amigo em quem sempre confiar.

Queridos jovens, boa tarde!
Primeiramente quero lhes agradecer pelo testemunho de fé que vós estais a dar ao mundo. Sempre ouvi dizer que as cariocas não gostam do frio e da chuva, mas vocês estão mostrando que a fé de vocês é mais forte que o frio e a chuva. Parabéns. Vocês são verdadeiros heróis! Vejo em vós a beleza do rosto jovem de Cristo e meu coração se enche de alegria! Lembro-me da primeira Jornada Mundial da Juventude a nível internacional. Foi celebrada em 1987 na Argentina, na minha cidade de Buenos Aires. Guardo vivas na memória estas palavras do Bem-aventurado João Paulo II aos jovens: «Tenho muita esperança em vós! Espero, sobretudo, que renovem a vossa fidelidade a Jesus Cristo e à sua cruz redentora» (Discurso aos jovens, 11 de abril de 1987).
[...]
Esta semana, o Rio de Janeiro converte-se no centro da Igreja, no seu coração vivo e jovem, porque vós respondeste com generosidade e entusiasmo ao convite que Jesus vos fez para estar com ele, para ser seus amigos. [...]
Hoje, Jesus continua a perguntar: Queres ser meu discípulo? Queres ser meu amigo? Queres ser testemunha do Evangelho? No coração do Ano da Fé, estas perguntas convidam-nos a renovar o nosso compromisso cristão. As vossas famílias e comunidades locais transmitiram-vos o grande dom da fé. Cristo cresceu em vós. Hoje, vim aqui para vos confirmar na fé, a fé em Cristo vivo que habita em vós, mas vim também para ser confirmado pelo entusiasmo da vossa fé. Vós sabeis que na vida de um bispo há muitos problemas para serem resolvidos. E com esses problemas e dificuldades, a fé do bispo pode entristecer-se. Que feio é um bispo triste. Que feio que é! Para que a minha fé não seja triste, eu vim aqui para me contagiar com o vosso entusiasmo.
Saúdo-vos com carinho. A vós aqui presentes, vindos dos cinco continentes e, através de vós, saúdo todos os jovens do mundo, em particular aqueles que queriam vir ao Rio de Janeiro, mas não puderam. Aos que nos seguem por meio da rádio, da televisão e internet, a todos digo: Bem-vindos a esta festa da fé! Em diversas partes do mundo, muitos jovens estão reunidos agora para viver connosco este momento: sintamo-nos unidos uns aos outros na alegria, na amizade, na fé. E tenham a certeza de que o meu coração vos abraça a todos com afeto universal. [...] A todos e a cada um, um abraço afetuoso em Jesus e com Jesus.
Irmãos e amigos, bem-vindos à vigésima oitava Jornada Mundial da Juventude, nesta cidade maravilhosa do Rio de Janeiro!



Bote fé, bote esperança, bote amor
Jovens amigos, «É bom estarmos aqui!»: exclamou Pedro, depois de ter visto o Senhor Jesus transfigurado, revestido de glória. Queremos também nós repetir estas palavras? Penso que sim, porque para todos nós, hoje, é bom estar aqui juntos unidos em torno de Jesus! É Ele que nos acolhe e se faz presente no meio de nós, aqui no Rio. Mas, no Evangelho, escutamos também as palavras de Deus Pai: «Este é o meu Filho, o Eleito. Escutai-O!» (Lucas 9, 35). Então, se por um lado é Jesus quem nos acolhe, por outro também nós devemos acolhê-lo, ficar à escuta da sua palavra, pois é justamente acolhendo a Jesus Cristo, Palavra encarnada, que o Espírito Santo nos transforma, ilumina o caminho do futuro e faz crescer em nós as asas da esperança para caminharmos com alegria (cf. «A Luz da Fé» — «Lumen fidei» [LF], 7).
Mas o que podemos fazer? «Bote fé». A cruz da Jornada Mundial da Juventude peregrinou através do Brasil inteiro com este apelo. «Bote fé»: o que significa? Quando se prepara um bom prato e vê que falta o sal, você então «bota» o sal; falta o azeite, então «bota» o azeite... «Botar», ou seja, colocar, derramar. É assim também na nossa vida, queridos jovens: se queremos que ela tenha realmente sentido e plenitude, como vocês mesmos desejam e merecem, digo a cada um e a cada uma de vocês: «bote fé» e a vida terá um sabor novo, terá uma bússola que indica a direção; «bote esperança» e todos os seus dias serão iluminados e o seu horizonte já não será escuro, mas luminoso; «bote amor» e a sua existência será como uma casa construída sobre a rocha, o seu caminho será alegre, porque encontrará muitos amigos que caminham com você. «Bote fé», «bote esperança», «bote amor»!

Bote Cristo
Mas quem pode nos dar tudo isso? No Evangelho, escutamos a resposta: Cristo. «Este é o meu Filho, o Eleito. Escutai-O!». Jesus é Aquele que nos traz Deus e que nos leva a Deus; com Ele toda a nossa vida se transforma, se renova e nós podemos olhar a realidade com novos olhos, «a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos» (LLF 18). Por isso, hoje, lhes digo com força: «Bote Cristo» na sua vida, e você encontrará um amigo em quem sempre confiar; «bote Cristo», e você verá crescer as asas da esperança para percorrer com alegria o caminho do futuro; «bote Cristo» e a sua vida ficará cheia do seu amor, será uma vida fecunda.
Hoje, queria que nos perguntássemos com sinceridade: em quem depositamos a nossa confiança? Em nós mesmos, nas coisas, ou em Jesus? Sentimo-nos tentados a colocar a nós mesmos no centro, a crer que somos somente nós que construímos a nossa vida, ou que ela se encha de felicidade com o possuir, com o dinheiro, com o poder. Mas não é assim! É verdade, o ter, o dinheiro, o poder podem gerar um momento de embriaguez, a ilusão de ser feliz, mas, no fim de contas, são eles que nos possuem e nos levam a querer ter sempre mais, a nunca estar saciados. «Bote Cristo» na sua vida, deposite n'Ele a sua confiança e você nunca se decepcionará! Vejam, queridos amigos, a fé realiza na nossa vida uma revolução que podíamos chamar copernicana, porque nos tira do centro e o restitui a Deus; a fé imerge-nos no seu amor que nos dá segurança, força, esperança. Aparentemente não muda nada, mas, no mais íntimo de nós mesmos, tudo muda. No nosso coração, habita a paz, a mansidão, a ternura, a coragem, a serenidade e a alegria, que são os frutos do Espírito Santo (cf. Gálatas 5, 22) e a nossa existência se transforma, o nosso modo de pensar e agir se renova, torna-se o modo de pensar e de agir de Jesus, de Deus. No Ano da Fé, esta Jornada Mundial da Juventude é justamente um dom que nos é oferecido para ficarmos ainda mais perto de Jesus, para ser seus discípulos e seus missionários, para deixar que Ele renove a nossa vida.
Querido jovem: «bote Cristo» na sua vida. Nestes dias, Ele lhe espera na Palavra; escute-O com atenção e o seu coração será inflamado pela sua presença; «Bote Cristo»: Ele lhe acolhe no Sacramento do perdão, para curar, com a sua misericórdia, as feridas do pecado. Não tenham medo de pedir perdão a Deus. Ele nunca se cansa de nos perdoar, como um pai que nos ama. Deus é pura misericórdia! «Bote Cristo»: Ele lhe espera no encontro com a sua Carne na Eucaristia, Sacramento da sua presença, do seu sacrifício de amor, e na humanidade de tantos jovens que vão lhe enriquecer com a sua amizade, lhe encorajar com o seu testemunho de fé, lhe ensinar a linguagem da caridade, da bondade, do serviço. Você também, querido jovem, pode ser uma testemunha jubilosa do seu amor, uma testemunha corajosa do seu Evangelho para levar a este nosso mundo um pouco de luz.
«É bom estarmos aqui», botando Cristo na nossa vida, botando a fé, a esperança, o amor que Ele nos dá. Queridos amigos, nesta celebração acolhemos a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Com Maria, queremos ser discípulos e missionários. Como Ela, queremos dizer «sim» a Deus. Peçamos ao seu coração de mãe que interceda por nós, para que os nossos corações estejam disponíveis para amar a Jesus e fazê-lo amar. Ele está esperando por nós e conta connosco! Amém.

Praia de Copacabana (Rio de Janeiro), 25 de julho de 2013
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Papa Francisco, na cerimónia de boas-vindas, na praia de Copacabana, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.7.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


Hino da Jornada Mundial da Juventude — Brasil 2013

Sou marcado desde sempre
com o sinal do Redentor,
que sobre o monte, o Corcovado,
abraça o mundo com Seu amor.

Cristo Redentor, Corcovado
Cristo nos convida:
«Venham, meus amigos!»
Cristo nos envia:
«Sejam missionários!»

Juventude, primavera:
esperança do amanhecer;
quem escuta este chamado
acolhe o dom de crer!
Quem nos dera fosse a terra,
fosse o mundo todo assim!
Não à guerra, fora o ódio,
Só o bem e paz a não ter fim.

Do nascente ao poente,
nossa casa não tem porta,
nossa terra não tem cerca,
nem limites o nosso amor!
Espalhados pelo mundo,
conservamos o mesmo ardor.
É Tua graça que nos sustenta
nos mantém fiéis a Ti, Senhor!

Atendendo ao Teu chamado:
«Vão e façam, entre as nações,
um povo novo, em unidade,
para mim seus corações!»
Anunciar Teu Evangelho
a toda gente é transformar
o velho homem em novo homem
em mundo novo que vai chegar.

Letra > > >
Letra e Música (Pauta) > > >
Letra e Música (Acordes) > > >



Versão litúrgica — versão em português do Brasil —


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.7.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


No dia 25 de julho de 2013, o papa Francisco esteve na Comunidade de Varginha (Manguinhos), no Rio de Janeiro (Brasil), cuja visita simboliza o desejo do Papa estar presente em todos os bairros brasileiros: «Queria bater em cada porta, dizer 'bom dia', pedir um copo de água fresca, beber um 'cafezinho' — não um copo de cachaça! — falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós...».
No discurso, o Papa destacou a importância do acolhimento («é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração»), da solidariedade («não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário!») e dos bens imateriais (vida, família, educação, saúde, segurança).
Por fim, dirigiu-se aos jovens, convidando a não desanimar, não perder a confiança nem a esperança. «A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo com o bem».

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Que bom poder estar com aqui convosco! Que bom! Desde o início, quando planeava a minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste País. Queria bater em cada porta, dizer «bom dia», pedir um copo de água fresca, beber um «cafezinho» — não um copo de cachaça! — falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós... Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então escolhi vir aqui, visitar a vossa Comunidade; esta comunidade, que hoje representa todos os bairros do Brasil. Como é bom ser bem acolhido, com amor, generosidade, alegria! Basta ver como vocês decoraram as ruas da Comunidade; isso é também um sinal do carinho que nasce do vosso coração, do coração dos brasileiros, que está em festa! Muito obrigado a cada um de vocês pelo lindo acolhimento! Agradeço ao casal Rangler e Joanapelas suas belas palavras.

Acolher
Desde o primeiro instante em que toquei as terras brasileiras e também aqui junto de vós, me sinto acolhido. E é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração. Isso é assim porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela — um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo — não ficamos mais pobres, mas enriquecemos. Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode «colocar mais água no feijão»! Se pode colocar mais água no feijão? … Sempre? ... E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração!

Solidariedade
E o povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra – esta palavra solidariedade – é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incómoda. Quase parece um palavrão… solidariedade! Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais! Não é, não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que frequentemente regula a nossa sociedade, aquela que constrói e conduz a um mundo mais habitável; não é ela, mas sim a cultura da solidariedade; a cultura da solidariedade é ver no outro não um concorrente ou um número, mas um irmão. E todos nós somos irmãos!
Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira tem feito para integrar todas as partes do seu corpo, incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à miséria. Nenhum esforço de «pacificação» será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma. Uma sociedade assim simplesmente empobrece a si mesma; antes, perde algo de essencial para si mesma. Não deixemos, não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável! Não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável, porque nós somos irmãos. Ninguém é descartável! Lembremo-nos sempre: somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade; tudo aquilo que se compartilha se multiplica! Pensemos na multiplicação dos pães de Jesus! A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza!

Bens imateriais: vida, família, educação, saúde, segurança
Queria dizer-lhes também que a Igreja, «advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e económicas, que clamam ao céu» (Documento de Aparecida, 395), deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e de todo o homem. Queridos amigos, certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um ato de justiça. Mas existe também uma fome mais profunda, a fome de uma felicidade que só Deus pode saciar. Fome de dignidade. Não existe verdadeira promoção do bem-comum, nem verdadeiro desenvolvimento do homem, quando se ignoram os pilares fundamentais que sustentam uma nação, os seus bens imateriais: a vida, que é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido; a família, fundamento da convivência e remédio contra a desagregação social; a educação integral, que não se reduz a uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucro; a saúde, que deve buscar o bem-estar integral da pessoa, incluindo a dimensão espiritual, que é essencial para o equilíbrio humano e uma convivência saudável; a segurança, na convicção de que a violência só pode ser vencida a partir da mudança do coração humano.

Jovens
Queria dizer uma última coisa, uma última coisa. Aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens. Ei, jovens! Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vós e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo com o bem. A Igreja está ao vosso lado, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida, e vida em abundância» (João 10, 10).
Hoje a todos vós, especialmente aos moradores dessa Comunidade de Varginha, quero dizer: Vocês não estão sozinhos, a Igreja está convosco, o Papa está convosco. Levo a cada um no meu coração e faço minhas as intenções que vocês carregam no íntimo: os agradecimentos pelas alegrias, os pedidos de ajuda nas dificuldades, o desejo de consolação nos momentos de tristeza e sofrimento. Tudo isso confio à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de todos os pobres do Brasil, e com grande carinho lhes concedo a minha Bênção. Obrigado!

Comunidade de Varginha (Rio de Janeiro), 25 de julho de 2013
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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.7.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


Ao visitar o Hospital S. Francisco de Assis (Rio de Janeiro), no dia 24 de julho de 2013, o Papa Francisco, no seu discurso, destacou duas atitudes: abraçar e estender a mão. 
Abraçar. Depois de recordar que o jovem Francisco de Assis mudou de vida ao abraçar um leproso, o Papa acrescentou: «Em cada irmão em dificuldade, nós abraçamos a carne sofredora de Cristo. Quero abraçar cada um de vós». E convidou-nos a «aprender a abraçar quem passa necessidade».
Estender a mão. «Mas abraçar não é suficiente. Estendamos a mão a quem vive em dificuldade. Você é o protagonista da subida; esta é a condição imprescindível! Você encontrará a mão estendida de quem quer lhe ajudar, mas ninguém pode fazer a subida no seu lugar. Mas vós nunca estais sozinhos!». E voltou a recordar as palavras proferidas no Santuário da Aparecida: «Não deixam que lhes roubem a esperança!».
A terminar, socorrendo-se do episódio do Bom Samaritano, narrado pelo evangelho segundo Lucas, o papa Francisco provocou a reflexão: «Quantas vezes nós dizemos: não é um meu problema! Quantas vezes olhamos para o outro lado e fingimos que não vemos».

Quis Deus que meus passos, depois do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, se dirigissem para um particular santuário do sofrimento humano, que é o Hospital São Francisco de Assis. É bem conhecida a conversão do vosso Santo Patrono: o jovem Francisco abandona riquezas e comodidades para fazer-se pobre no meio dos pobres, entende que não são as coisas, o ter, os ídolos do mundo a verdadeira riqueza e que estes não dão a verdadeira alegria, mas sim seguir a Cristo e servir aos demais; mas talvez seja menos conhecido o momento em que tudo isto se tornou concreto na sua vida: foi quando abraçou um leproso. Aquele irmão sofredor foi «mediador de luz (…) para São Francisco de Assis» (Lumen fidei, 57), porque, em cada irmão e irmã em dificuldade, nós abraçamos a carne sofredora de Cristo. Hoje, neste lugar de luta contra a dependência química, quero abraçar a cada um e cada uma de vós — vós que sois a carne de Cristo — e pedir a Deus que encha de sentido e de esperança segura o vosso caminho e também o meu.

Abraçar
Abraçar, abraçar. Precisamos todos de aprender a abraçar quem passa necessidade, como fez São Francisco. Há tantas situações no Brasil e no mundo que reclamam atenção, cuidado, amor, como a luta contra a dependência química. Frequentemente, porém, nas nossas sociedades, o que prevalece é o egoísmo. São tantos os «mercadores de morte» que seguem a lógica do poder e do dinheiro a todo o custo! A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem. Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química. É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança no futuro. Precisamos todos de olhar o outro com os olhos de amor de Cristo, aprender a abraçar quem passa necessidade, para expressar solidariedade, afeto e amor.

Estender a mão
Mas abraçar não é suficiente. Estendamos a mão a quem vive em dificuldade, a quem caiu na escuridão da dependência, talvez sem saber como, e digamos-lhe: Você pode se levantar, pode subir; é exigente, mas é possível se você o quiser. Queridos amigos, queria dizer a cada um de vós, mas sobretudo a tantas outras pessoas que ainda não tiveram a coragem de empreender o mesmo caminho: Você é o protagonista da subida; esta é a condição imprescindível! Você encontrará a mão estendida de quem quer lhe ajudar, mas ninguém pode fazer a subida no seu lugar. Mas vós nunca estais sozinhos! A Igreja e muitas pessoas estão solidárias convosco. Olhem para frente com confiança; a travessia é longa e cansativa, mas olhem para frente, existe «um futuro certo, que se coloca numa perspectiva diferente relativamente às propostas ilusórias dos ídolos do mundo, mas que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias» (Lumen fidei, 57). A todos vós quero repetir: Não deixem que lhes roubem a esperança! Não deixem que lhes roubem a esperança! Mas digo também: Não roubemos a esperança, pelo contrário, tornemo-nos todos portadores de esperança!

Bom Samaritano
No Evangelho, lemos a parábola do Bom Samaritano, que fala de um homem atacado por assaltantes e deixado quase morto ao lado da estrada. As pessoas passam, olham, mas não param; indiferentes seguem o seu caminho: não é problema delas! Quantas vezes nós dizemos: não é um meu problema! Quantas vezes olhamos para o outro lado e fingimos que não vemos. Somente um samaritano, um desconhecido, olha, para, levanta-o, estende-lhe a mão e cuida dele (cf. Lucas 10, 29-35). Queridos amigos, penso que aqui, neste Hospital, se concretiza a parábola do Bom Samaritano. Aqui não há indiferença, mas solicitude. Não há desinteresse, mas amor. A Associação São Francisco e a Rede de Tratamento da Dependência Química ensinam a se debruçar sobre quem passa por dificuldades porque veem nestas pessoas a face de Cristo, porque nelas está a carne de Cristo que sofre. Obrigado a todo pessoal do serviço médico e auxiliar aqui empenhado! O vosso serviço é precioso! Realizem-no sempre com amor; é um serviço feito a Cristo presente nos irmãos: «Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes» (Mateus 25, 40), diz-nos Jesus.
E quero repetir a todos vós que lutais contra a dependência química, a vós familiares que tendes uma tarefa que nem sempre é fácil: a Igreja não está longe dos esforços que vocês fazem, Ela lhes acompanha com carinho. O Senhor está ao vosso lado e conduz-vos pela mão. Olhem para Ele nos momentos mais duros e Ele lhes dará consolação e esperança. E confiem também no amor materno de Maria, sua Mãe. Esta manhã, no Santuário da Aparecida, confiei cada um de vós ao seu coração. Onde tivermos uma cruz para carregar, ao nosso lado sempre está Ela, nossa Mãe. Deixo-lhes em suas mãos, enquanto, afetuosamente, a todos abençôo. Obrigado!

Hospital São Francisco de Assis (Rio de Janeiro), 24 de julho de 2013
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Discurso no Hospital S. Francisco de Assis, Jornada Mundial da Juventude, Brasil, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.7.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


No Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no dia 24 de julho de 2013, o papa Francisco proferiu uma homilia onde convidou os cristãos a assumir «três simples posturas»: conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria. 
A presença do Papa naquele Santuário teve como objetivo «suplicar à Mãe, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude». A partir dos textos bíblicos escolhidos para a celebração, Francisco desenvolveu cada uma das três posturas sugeridas. 
Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! Deus é a nossa esperança! Sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. 
Deus surpreende sempre. Deus reserva-nos sempre o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos em Deus!
Se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto.

Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como Bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a Nossa Senhora o meu ministério. Hoje, eu quis vir aqui para suplicar à Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano.
Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Neste Santuário, há seis anos atrás, quando aqui se realizou a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me conta pessoalmente de um facto belíssimo: ver como os Bispos — que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão — eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja. E, de facto, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: «Mostrai-nos Jesus». É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria.
Assim, diante da Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até ao Brasil, também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar à atenção para três simples posturas: Conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria.

1. Conservar a esperança
A segunda leitura da Missa apresenta uma cena dramática: uma mulher — figura de Maria e da Igreja — sendo perseguida por um Dragão — o diabo — que quer lhe devorar o filho. A cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho a salvo (cf. Apocalipse 12, 13a.15-16a). Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza: Deus caminha ao vosso lado, nunca vos deixa desamparados! Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O «dragão», o mal, faz-se presente na nossa história, mas não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo. Neste Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã.

2. Deixar-se surpreender por Deus
Quem é homem e mulher de esperança — a grande esperança que a fé nos dá — sabe que, mesmo no meio das dificuldades, Deus atua e nos surpreende. A história deste Santuário serve de exemplo: três pescadores, depois de um dia sem conseguir apanhar peixes, nas águas do Rio Parnaíba, encontram algo inesperado: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus surpreende sempre, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Deus reserva-nos sempre o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos em Deus! Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele.

3. Viver na alegria
Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma Mãe que sempre intercede pela vida dos seus filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura (cf. Ester 5, 3). Jesus mostrou-nos que a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados. O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se «incendiará» de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI aqui neste Santuário: «O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro» (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida, 13 de maio de 2007).
Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela pede-nos: «Fazei o que Ele vos disser» (João 2, 5). Sim, Mãe nossa, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria. Assim seja.

Santuário de Nossa Senhora Aparecida, 24 de julho de 2013
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Papa Francisco, na Jornada Mundial da Juventude, Aparecida, 24 de Julho de 2013

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.7.13 | comentários

Jornada Mundial da Juventude


Na cerimónia de boas vindas, no dia 22 de julho de 2013, o papa Francisco proferiu um discurso onde destaca a importância de acolher com o coração, uma característica própria do povo brasileiro. A estátua de Cristo Redentor é uma imagem visível desse acolhimento: «Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor». Depois, reforça a importância da juventude para o futuro da humanidade. A partir da imagem da língua portuguesa que apresenta os filhos como «a menina dos olhos» dos pais, Francisco convida os adultos a preparar o presente e o futuro dos jovens: «O que vai ser de nós se não tomarmos conta dos nossos olhos?». 

[...] Aprendi que para ter acesso ao Povo Brasileiro, é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração; por isso permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta. Peço licença para entrar e ficar esta semana convosco. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: «A paz de Cristo esteja convosco»! [...]
O motivo principal da minha presença no Brasil, como é sabido, ultrapassa as suas fronteiras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude. Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no seu abraço para, junto de seu Coração, ouvir de novo o seu potente e claro chamado: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações».
Estes jovens provêm dos diversos continentes, falam línguas diferentes, são portadores de variegadas culturas e, todavia, em Cristo encontram as respostas para suas mais altas e comuns aspirações e podem saciar a fome de verdade límpida e de amor autêntico que os irmanem para além de toda diversidade.
Cristo abre espaço para eles, pois sabe que energia alguma pode ser mais potente que aquela que se desprende do coração dos jovens quando conquistados pela experiência da sua amizade. Cristo «bota fé» nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: «Ide, fazei discípulos». Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criai um mundo de irmãos. Também os jovens «botam fé» em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem porque sabem que não serão desiludidos.
Ao iniciar esta minha visita ao Brasil, tenho consciência de que, ao dirigir-me aos jovens, falarei às suas famílias, às suas comunidades eclesiais e nacionais de origem, às sociedades nas quais estão inseridos, aos homens e às mulheres dos quais, em grande medida, depende o futuro destas novas gerações.
Os pais usam dizer por aqui: «os filhos são a menina dos nossos olhos». Que bela expressão da sabedoria brasileira que aplica aos jovens a imagem da pupila dos olhos, janela pela qual entra a luz regalando-nos o milagre da visão! O que vai ser de nós, se não tomarmos conta dos nossos olhos? Como haveremos de seguir em frente? O meu auspício é que, nesta semana, cada um de nós se deixe interpelar por esta desafiadora pergunta.
E atenção! A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo. É a janela e, por isso, nos impõe grandes desafios. A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhe espaço. Isso significa: tutelar as condições materiais e imateriais para o seu pleno desenvolvimento; oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais construir a vida; garantir-lhe segurança e educação para que se torne aquilo que ele pode ser; transmitir-lhe valores duradouros pelos quais a vida mereça ser vivida, assegurar-lhe um horizonte transcendente que responda à sede de felicidade autêntica, suscitando nele a criatividade do bem; entregar-lhe a herança de um mundo que corresponda à medida da vida humana; despertar nele as melhores potencialidades para que seja sujeito do próprio amanhã e corresponsável do destino de todos. Com essas atitudes precedemos hoje o futuro que entra pela janela dos jovens.
Concluindo, peço a todos a delicadeza da atenção e, se possível, a necessária empatia para estabelecer um diálogo de amigos. Nesta hora, os braços do Papa se alargam para abraçar a inteira nação brasileira, na sua complexa riqueza humana, cultural e religiosa. Desde a Amazónia até aos pampas, dos sertões até ao Pantanal, dos vilarejos até às metrópoles, ninguém se sinta excluído do afeto do Papa. Depois de amanhã, se Deus quiser, tenho em mente recordar-lhes todos a Nossa Senhora Aparecida, invocando sua proteção materna sobre seus lares e famílias. Desde já a todos abençôo. Obrigado pelo acolhimento!

Rio de Janeiro, 22 de julho de 2013
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Jornada Mundial da Juventude, Rio de Janeiro, Brasil, 22 de julho de 2013

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.7.13 | Sem comentários

Jornada Mundial da Juventude


Entre os dias 23 e 28 de julho de 2013, realiza-se, no Rio de Janeiro, Brasil, a XXVIII Jornada Mundial da Juventude, sob o tema: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». O papa Bento XVI escreveu uma mensagem de preparação para este encontro mundial de jovens, onde destaca a importância da evangelização feita pelos jovens aos outros jovens. Para concretizar este apelo urgente à evangelização, refere a necessidade primeira do encontro pessoal com Jesus Cristo.

Queridos jovens,
[...] A conhecida estátua do Cristo Redentor, que se eleva sobre aquela bela cidade brasileira, será o símbolo eloquente deste convite: os seus braços abertos são o sinal do acolhimento que o Senhor reservará a todos quantos vierem até Ele, e o seu coração retrata o imenso amor que Ele tem por cada um e cada uma de vós. Deixai-vos atrair por Ele! Deixai-vos amar por Ele e sereis as testemunhas de que o mundo precisa.
«Ide e fazei discípulos entre todas as nações» (cf. Mateus 28, 19). Trata-se da grande exortação missionária que Cristo deixou para toda a Igreja e que permanece atual ainda hoje, dois mil anos depois. Agora este mandato deve ressoar fortemente no vosso coração. [...]

1. Um apelo urgente

A história mostra-nos muitos jovens que, através do dom generoso de si mesmos, contribuíram grandemente para o Reino de Deus e para o desenvolvimento deste mundo, anunciando o Evangelho. Com grande entusiasmo, levaram a Boa Nova do Amor de Deus manifestado em Cristo, com meios e possibilidades muito inferiores àqueles de que dispomos hoje em dia. Penso, por exemplo, no Beato José de Anchieta, jovem jesuíta espanhol do século XVI, que partiu em missão para o Brasil quando tinha menos de vinte anos e se tornou um grande apóstolo do Novo Mundo. [...]
Hoje, não poucos jovens duvidam profundamente que a vida seja um bem, e não veem com clareza o próprio caminho. De um modo geral, diante das dificuldades do mundo contemporâneo, muitos se perguntam: E eu, que posso fazer? A luz da fé ilumina esta escuridão, fazendo-nos compreender que toda existência tem um valor inestimável, porque é fruto do amor de Deus. Ele ama mesmo quem se distanciou ou esqueceu d’Ele: tem paciência e espera; mais que isso, deu o seu Filho, morto e ressuscitado, para nos libertar radicalmente do mal. E Cristo enviou os seus discípulos para levar a todos os povos este alegre anúncio de salvação e de vida nova.
A Igreja, para continuar esta missão de evangelização, conta também convosco. Queridos jovens, vós sois os primeiros missionários no meio dos jovens da vossa idade! No final do II Concílio Ecuménico do Vaticano, cujo cinquentenário celebramos neste ano, o Servo de Deus Paulo VI entregou aos jovens e às jovens do mundo inteiro uma Mensagem que começava com estas palavras: «É a vós, rapazes e raparigas de todo o mundo, que o Concílio quer dirigir a sua última mensagem, pois sereis vós a recolher o facho das mãos dos vossos antepassados e a viver no mundo no momento das mais gigantescas transformações da sua história, sois vós quem, recolhendo o melhor do exemplo e do ensinamento dos vossos pais e mestres, ides constituir a sociedade de amanhã: salvar-vos-eis ou perecereis com ela». E concluía com um apelo: «Construí com entusiasmo um mundo melhor que o dos vossos antepassados!» (Mensagem aos jovens, 8 de dezembro de 1965).
Queridos amigos, este convite é extremamente atual. Estamos a passar por um período histórico muito particular: o progresso técnico deu-nos oportunidades inéditas de interação entre os seres humanos e entre os povos, mas a globalização destas relações só será positiva e fará crescer o mundo em humanidade se estiver fundada não sobre o materialismo mas sobre o amor, a única realidade capaz de encher o coração de cada um e unir as pessoas. Deus é amor. O ser humano que esquece Deus fica sem esperança e torna-se incapaz de amar o seu semelhante. Por isso, é urgente testemunhar a presença de Deus para que todos possam experimentá-la: está em jogo a salvação da humanidade, a salvação de cada um de nós. Qualquer pessoa que entenda essa necessidade, não poderá deixar de exclamar com São Paulo: «Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho» (1Coríntios 9, 16).

2. Tornai-vos discípulos de Cristo

Este apelo missionário é dirigido a vós também por outro motivo: é necessário para o nosso caminho de fé pessoal. O Beato João Paulo II escrevia: «É dando a fé que ela se fortalece» (Encíclica Redemptoris missio, 2). Ao anunciar o Evangelho, vós mesmos cresceis num enraizamento cada vez mais profundo em Cristo, tornais-vos cristãos maduros. O compromisso missionário é uma dimensão essencial da fé: não se crê verdadeiramente, se não se evangeliza. E o anúncio do Evangelho não pode ser senão consequência da alegria de ter encontrado Cristo e ter descoberto n’Ele a rocha sobre a qual construir a própria existência. Comprometendo-vos no serviço aos outros e no anúncio do Evangelho, a vossa vida, muitas vezes fragmentada entre tantas atividades diversas, encontrará no Senhor a sua unidade; construir-vos-eis também a vós mesmos; crescereis e amadurecereis em humanidade.
Mas, que significa ser missionário? Significa acima de tudo ser discípulo de Cristo e ouvir sem cessar o convite a segui-Lo, o convite a fixar o olhar n’Ele: «Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mateus 11, 29). O discípulo, de facto, é uma pessoa que se põe à escuta da Palavra de Jesus (cf. Lucas 10, 39), a quem reconhece como o Mestre que nos amou até ao dom da sua vida. Trata-se, portanto, de cada um de vós deixar-se plasmar diariamente pela Palavra de Deus: ela vos transformará em amigos do Senhor Jesus, capazes de fazer outros jovens entrar nesta mesma amizade com Ele.
Aconselho-vos a guardar na memória os dons recebidos de Deus, para poder transmiti-los ao vosso redor. Aprendei a reler a vossa história pessoal, tomai consciência também do maravilhoso legado recebido das gerações que vos precederam: tantos cristãos que nos transmitiram a fé com coragem, enfrentando obstáculos e incompreensões. Nunca o esqueçamos! Fazemos parte de uma longa cadeia de homens e mulheres que nos transmitiram a verdade da fé e contam connosco para que outros a recebam. Ser missionário pressupõe o conhecimento deste património recebido que é a fé da Igreja: é necessário conhecer aquilo em que se crê, para podê-lo anunciar. Como escrevi na introdução doYouCat, o Catecismo para jovens que vos entreguei no Encontro Mundial de Madrid, «tendes de conhecer a vossa fé como um especialista em informática domina o sistema operacional de um computador. Tendes de compreendê-la como um bom músico entende uma partitura. Sim, tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente que a geração dos vossos pais, para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo com força e determinação» (Prefácio).

3. Ide!

Jesus enviou os seus discípulos em missão com este mandato: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo» (Marcos 16, 15-16). Evangelizar significa levar aos outros a Boa Nova da salvação, e esta Boa Nova é uma pessoa: Jesus Cristo. Quando O encontro, quando descubro até que ponto sou amado por Deus e salvo por Ele, nasce em mim não apenas o desejo, mas a necessidade de fazê-lo conhecido pelos demais. No início do Evangelho de João, vemos como André, depois de ter encontrado Jesus, se apressa em conduzir a Ele o seu irmão Simão (cf. 1, 40-42). A evangelização parte sempre do encontro com o Senhor Jesus: quem se aproximou d’Ele e experimentou o seu amor, quer logo partilhar a beleza desse encontro e a alegria que nasce dessa amizade. Quanto mais conhecemos a Cristo, tanto mais queremos anunciá-lo. Quanto mais falamos com Ele, tanto mais queremos falar d’Ele. Quanto mais somos conquistados por Ele, tanto mais desejamos levar outras pessoas para Ele.
Pelo Batismo, que nos gera para a vida nova, o Espírito Santo vem habitar em nós e inflama a nossa mente e o nosso coração: é Ele que nos guia para conhecer a Deus e entrar em uma amizade sempre mais profunda com Cristo. É o Espírito que nos impulsiona a fazer o bem, servindo os outros com o dom de nós mesmos. Depois, através do sacramento da Confirmação, somos fortalecidos pelos seus dons, para testemunhar de modo sempre mais maduro o Evangelho. Assim, o Espírito de amor é a alma da missão: Ele nos impele a sair de nós mesmos para «ir» e evangelizar. Queridos jovens, deixai-vos conduzir pela força do amor de Deus, deixai que este amor vença a tendência de fechar-se no próprio mundo, nos próprios problemas, nos próprios hábitos; tende a coragem de «sair» de vós mesmos para «ir» ao encontro dos outros e guiá-los ao encontro de Deus.

4. Alcançai todos os povos

Cristo ressuscitado enviou os seus discípulos para dar testemunho de sua presença salvífica a todos os povos, porque Deus, no seu amor superabundante, quer que todos sejam salvos e ninguém se perca. Com o sacrifício de amor na Cruz, Jesus abriu o caminho para que todo o homem e toda a mulher possa conhecer a Deus e entrar em comunhão de amor com Ele. E constituiu uma comunidade de discípulos para levar o anúncio salvífico do Evangelho até os confins da terra, a fim de alcançar os homens e as mulheres de todos os lugares e de todos os tempos. Façamos nosso esse desejo de Deus!
Queridos amigos, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o sentido da sua existência. Ide! Cristo também precisa de vós. Deixai-vos envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a todos, especialmente aos «afastados». Alguns encontram-se geograficamente distantes, enquanto outros estão longe porque a sua cultura não dá espaço para Deus; alguns ainda não acolheram o Evangelho pessoalmente, enquanto outros, apesar de o terem recebido, vivem como se Deus não existisse. A todos abramos a porta do nosso coração; procuremos entrar em diálogo com simplicidade e respeito: este diálogo, se vivido com uma amizade verdadeira, dará seus frutos. Os «povos», aos quais somos enviados, não são apenas os outros Países do mundo, mas também os diversos âmbitos de vida: as famílias, os bairros, os ambientes de estudo ou de trabalho, os grupos de amigos e os locais de lazer. O jubiloso anúncio do Evangelho destina-se a todos os âmbitos da nossa vida, sem exceção.
Gostaria de destacar dois campos, nos quais deve fazer-se ainda mais solícito o vosso empenho missionário. O primeiro é o das comunicações sociais, em particular o mundo da internet. Como tive já oportunidade de dizer-vos, queridos jovens, «senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida! [...] A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da evangelização deste “continente digital”» (Mensagem para o XLIII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de maio de 2009). Aprendei, portanto, a usar com sabedoria este meio, levando em conta também os perigos que ele traz consigo, particularmente o risco da dependência, de confundir o mundo real com o virtual, de substituir o encontro e o diálogo direto com as pessoas por contatos na rede.
O segundo campo é o da mobilidade. Hoje são sempre mais numerosos os jovens que viajam, seja por motivos de estudo ou de trabalho, seja por diversão. Mas penso também em todos os movimentos migratórios, que levam milhões de pessoas, frequentemente jovens, a se transferir e mudar de Região ou País, por razões económicas ou sociais. Também estes fenómenos se podem tornar ocasiões providenciais para a difusão do Evangelho. Queridos jovens, não tenhais medo de testemunhar a vossa fé também nesses contextos: para aqueles com quem vos deparareis, é um dom precioso a comunicação da alegria do encontro com Cristo.

5. Fazei discípulos!

Penso que já várias vezes experimentastes a dificuldade de envolver os jovens da vossa idade na experiência da fé. Frequentemente tereis constatado que em muitos deles, especialmente em certas fases do caminho da vida, existe o desejo de conhecer a Cristo e viver os valores do Evangelho, mas tal desejo é acompanhado pela sensação de ser inadequados e incapazes. Que fazer? Em primeiro lugar, a vossa solicitude e a simplicidade do vosso testemunho serão um canal através do qual Deus poderá tocar o seu coração. O anúncio de Cristo não passa somente através das palavras, mas deve envolver toda a vida e traduzir-se em gestos de amor. A ação de evangelizar nasce do amor que Cristo infundiu em nós; por isso, o nosso amor deve conformar-se sempre mais ao d’Ele. Como o bom Samaritano, devemos manter-nos solidários com quem encontramos, sabendo escutar, compreender e ajudar, para conduzir, quem procura a verdade e o sentido da vida, à casa de Deus que é a Igreja, onde há esperança e salvação (cf. Lucas 10, 29-37). Queridos amigos, nunca esqueçais que o primeiro ato de amor que podeis fazer ao próximo é partilhar a fonte da nossa esperança: quem não dá Deus, dá muito pouco. Aos seus apóstolos, Jesus ordena: «Fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei» (Mateus 28, 19-20). Os meios que temos para «fazer discípulos» são principalmente o Batismo e a catequese. Isto significa que devemos conduzir as pessoas que estamos evangelizando ao encontro com Cristo vivo, particularmente na sua Palavra e nos Sacramentos: assim poderão crer n’Ele, conhecerão a Deus e viverão da sua graça. Gostaria que cada um de vós se perguntasse: Alguma vez tive a coragem de propor o Batismo a jovens que ainda não o receberam? Convidei alguém a seguir um caminho de descoberta da fé cristã? Queridos amigos, não tenhais medo de propor aos jovens da vossa idade o encontro com Cristo. Invocai o Espírito Santo: Ele vos guiará para entrardes sempre mais no conhecimento e no amor de Cristo, e vos tornará criativos na transmissão do Evangelho.

6. Firmes na fé

Diante das dificuldades na missão de evangelizar, às vezes sereis tentados a dizer como o profeta Jeremias: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo». Mas, também a vós, Deus responde: «Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás» (Jeremias 1, 6-7). Quando vos sentirdes inadequados, incapazes e frágeis para anunciar e testemunhar a fé, não tenhais medo. A evangelização não é uma iniciativa nossa nem depende primariamente dos nossos talentos, mas é uma resposta confiante e obediente à chamada de Deus, e portanto não se baseia sobre a nossa força, mas na d’Ele. Isso mesmo experimentou o apóstolo Paulo: «Trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós» (2Coríntios 4, 7).
Por isso convido-vos a enraizar-vos na oração e nos sacramentos. A evangelização autêntica nasce sempre da oração e é sustentada por esta: para poder falar de Deus, devemos primeiro falar com Deus. E, na oração, confiamos ao Senhor as pessoas às quais somos enviados, suplicando-Lhe que toque o seu coração; pedimos ao Espírito Santo que nos torne seus instrumentos para a salvação dessas pessoas; pedimos a Cristo que coloque as palavras nos nossos lábios e faça de nós sinais do seu amor. E, de modo mais geral, rezamos pela missão de toda a Igreja, de acordo com a ordem explícita de Jesus: «Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!» (Mateus 9, 38). Sabei encontrar na Eucaristia a fonte da vossa vida de fé e do vosso testemunho cristão, participando com fidelidade na Missa ao domingo e sempre que possível também durante a semana. Recorrei frequentemente ao sacramento da Reconciliação: é um encontro precioso com a misericórdia de Deus que nos acolhe, perdoa e renova os nossos corações na caridade. E, se ainda não o recebestes, não hesiteis em receber o sacramento da Confirmação ou Crisma preparando-vos com cuidado e solicitude. Juntamente com a Eucaristia, é o sacramento da missão, porque nos dá a força e o amor do Espírito Santo para professar sem medo a fé. Encorajo-vos ainda à prática da adoração eucarística: permanecer à escuta e em diálogo com Jesus presente no Santíssimo Sacramento, torna-se ponto de partida para um renovado impulso missionário.
Se seguirdes este caminho, o próprio Cristo vos dará a capacidade de ser plenamente fiéis à sua Palavra e de testemunhá-Lo com lealdade e coragem. Algumas vezes sereis chamados a dar provas de perseverança, particularmente quando a Palavra de Deus suscitar reservas ou oposições. Em certas regiões do mundo, alguns de vós sofrem por não poder testemunhar publicamente a fé em Cristo, por falta de liberdade religiosa. E há quem já tenha pagado com a vida o preço da própria pertença à Igreja. Encorajo-vos a permanecer firmes na fé, certos de que Cristo está ao vosso lado em todas as provas. Ele vos repete: «Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus» (Mateus 5, 11-12).

7. Com toda a Igreja

Queridos jovens, para permanecer firmes na confissão da fé cristã nos vários lugares onde sois enviados, precisais da Igreja. Ninguém pode ser testemunha do Evangelho sozinho. Jesus enviou em missão os seus discípulos juntos: o mandato «fazei discípulos» é formulado no plural. Assim, é sempre como membros da comunidade cristã que prestamos o nosso testemunho, e a nossa missão torna-se fecunda pela comunhão que vivemos na Igreja: seremos reconhecidos como discípulos de Cristo pela unidade e o amor que tivermos uns com os outros (cf. João 13, 35). Agradeço ao Senhor pela preciosa obra de evangelização que realizam as nossas comunidades cristãs, as nossas paróquias, os nossos movimentos eclesiais. Os frutos desta evangelização pertencem a toda a Igreja: «um é o que semeia e outro o que colhe», dizia Jesus (João 4, 37).
A propósito, não posso deixar de dar graças pelo grande dom dos missionários, que dedicam toda a sua vida ao anúncio do Evangelho até os confins da terra. Do mesmo modo bendigo o Senhor pelos sacerdotes e os consagrados, que ofertam inteiramente as suas vidas para que Jesus Cristo seja anunciado e amado. Desejo aqui encorajar os jovens chamados por Deus a alguma dessas vocações, para que se comprometam com entusiasmo: «Há mais alegria em dar do que em receber!» (Atos 20, 35). Àqueles que deixam tudo para segui-Lo, Jesus prometeu o cêntuplo e a vida eterna (cf. Mateus 19, 29).
Dou graças também por todos os fiéis leigos que se empenham por viver o seu dia-a-dia como missão, nos diversos lugares onde se encontram, tanto em família como no trabalho, para que Cristo seja amado e cresça o Reino de Deus. Penso particularmente em quantos atuam no campo da educação, da saúde, do mundo empresarial, da política e da economia, e em tantos outros âmbitos do apostolado dos leigos. Cristo precisa do vosso empenho e do vosso testemunho. Que nada – nem as dificuldades, nem as incompreensões – vos faça renunciar a levar o Evangelho de Cristo aos lugares onde vos encontrais: cada um de vós é precioso no grande mosaico da evangelização!

8. «Aqui estou, Senhor!»

Em suma, queridos jovens, queria-vos convidar a escutar no íntimo de vós mesmos o chamamento de Jesus para anunciar o seu Evangelho. Como mostra a grande estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o seu coração está aberto para amar a todos sem distinção, e seus braços estendidos para alcançar a cada um. Sede vós o coração e os braços de Jesus. Ide testemunhar o seu amor, sede os novos missionários animados pelo seu amor e acolhimento. Segui o exemplo dos grandes missionários da Igreja, como São Francisco Xavier e muitos outros.
No final da Jornada Mundial da Juventude em Madrid, dei a bênção a alguns jovens de diferentes continentes que partiam em missão. Representavam a multidão de jovens que, fazendo eco às palavras do profeta Isaías, diziam ao Senhor: «Aqui estou! Envia-me» (Isaías 6, 8). A Igreja tem confiança em vós e vos está profundamente grata pela alegria e o dinamismo que trazeis: usai os vossos talentos generosamente ao serviço do anúncio do Evangelho. Sabemos que o Espírito Santo se dá a quantos, com humildade de coração, se tornam disponíveis para tal anúncio. E não tenhais medo! Jesus, Salvador do mundo, está connosco todos os dias, até o fim dos tempos (cf. Mateus 28, 20). [...]
A Virgem Maria, Estrela da Nova Evangelização, também invocada sob os títulos de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Guadalupe, acompanhe cada um de vós na vossa missão de testemunhas do amor de Deus. A todos, com especial carinho, concedo a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 18 de outubro de 2012.
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Jornada Mundial da Juventude, Rio de Janeiro, Brasil, 23 a 28 de julho de 2013


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.7.13 | Sem comentários
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