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ANO CRISTÃO


O Livro dos Provérbios reúne a atividade dos sábios de Israel, que durou muitos séculos (entre o décimo e o terceiro século antes de Cristo). Embora seja empresa impossível determinar o processo de compilação do Livro, podemos indicar pelo menos três etapas: primeiro, houve as coleções de provérbios conservados nas famílias e nos clãs; depois, no tempo de Salomão e de outros reis (25, 1), encorajou-se a coleção e a edição da sabedoria tradicional; por fim, deu-se a redação da parte do editor, que aconteceu no período do pós-exílio, pelo menos antes da formação do Livro de Ben Sirá (escrito entre 190 e 185 antes de Cristo), que já conhece o Livro dos Provérbios. O reda­tor final completou o Livro juntando os primeiros nove capítulos como introdução e os versículos 10 a 31 do trigésimo primeiro capítulo (o poema alfabético dedicado à mulher forte) no fim, como conclusão.
Este livro é o mais representativo dos Livros sapienciais da Bí­blia. Pode ser considerado uma antologia da sabedoria popular de Israel (sentenças, máximas, aforismos) e de escola (poemas, instruções, ensinamentos). A finalidade de ambos é a mesma: formar a pessoa, mostrar o que é realmente a vida e indicar como melhor a enfrentar. Mais que impor uma ética ou inculcar uma doutrina, o sábio quer persuadir, estimular o discípulo/leitor a uma conduta de vida.
Não temos já o sacerdote que ensina a Lei à assembleia ou o profeta que proclama a palavra a todo o povo. Temos antes o sábio que, como um pai ou uma mãe, fala de modo coloquial ao seu próprio filho, o qual deve saber escolher o caminho da vida e manter-se longe do caminho da morte. O jovem precisa de apren­der o discernimento, para saber distinguir quem lhe está falando para o seu bem no caminho da vida: a mulher-Sabedoria ou a mulher-Loucura. A parte mais vasta do livro está organizada em conselhos práticos acerca da vida quotidiana. Trata-se de distin­guir os pequenos sinais que revelam, na vida concreta e de cada dia, o mistério da presença e a grandeza de Deus.

© Tiziano Lorenzin | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Laboratório da fé celebrada, 2014



A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.9.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


Segundo a versão de Lucas nos Atos dos Apóstolos (18,1-17), Paulo permaneceu em Corinto cerca de um ano e meio, depois de ter fundado a Igreja de Tessalónica. Tem assim tempo suficiente para conhecer a realidade desta cidade marítima, famosa pelo estilo de vida livre de qualquer ética, sendo um lugar de grande fermento cultural por causa do seu comércio e da paixão pela procura da verdade, tal como sucedia em Atenas. Nesse tempo, o Apóstolo tem ocasião não só de conhecer o ambiente, mas também de compreender quais os avisos que deve sugerir, para que a comunidade cristã aí presente cresça no Senhor. A situação pastoral provoca nele a reflexão, confrontando-se estreitamente com o mistério de Cristo e a encontrar n’Ele riquezas até então insuspeitadas: basta recordar o discurso sobre a Cruz (capítulo 1) ou a identidade do ministro (capítulo 4); a realidade da Igreja como Corpo de Cristo (capítulo 12) ou o esplêndido texto que contém o hino à caridade (capítulo 13), não esquecendo o fundamento cristológico de todos esses avisos que é 1Coríntios 15, texto no qual Paulo expõe o mistério da ressurreição de Cristo, fazendo derivar dela notáveis consequências antropológicas e cosmológicas.
Esta variedade de temas e alguns acenos a cartas recebidas, às quais o Apóstolo já teria respondido, fizeram pensar, com um bom grau de probabilidade, que a Primeira Carta aos Coríntios reúna várias cartas coligidas pelo próprio Paulo ou por algum discípulo seu.
A leitura litúrgica semicontínua da Carta prolongar-se-á de quinta-feira da semana XXI até ao sábado da semana XXIV do Tempo Comum (primeira leitura, anos pares), permitindo ouvir alguns dos textos mais importantes da Carta, a qual é importantíssima para compreender o grau de elaboração da fé cristã por parte de Paulo.
Convidando à leitura atenta do texto inteiro, convém sublinhar a tensão espiritual que emerge do pensamento do Apóstolo: nada deve ser pensado fora e sem se referir à Pessoa de Jesus Cristo. Tudo, virtude e vício, adquire valor de conversão, se for visto com a força e na luz que vêm de Jesus Ressuscitado.

© Maurizio Girolami | Editora Paulus
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Laboratório da fé celebrada, 2014



A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.8.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


Ezequiel (nome que se pode interpretar como: «Deus fortaleça») é sacerdote e, ao mesmo tempo, profeta. [A leitura do livro de Ezequiel decorre durante duas semanas: décima nona e vigésima, nos anos pares]. Escreve durante o período difícil e dramático do exílio de Babilónia, que teve início em 597 antes de Cristo, dez anos antes da segunda deportação, que verá também a destruição de Jerusalém e do seu Templo. A sua pregação coloca-se entre 593 (cf. 1, 2) e 571 (cf. 29, 17) e não pode ser entendida se não for considerada em estreita relação com os factos históricos vividos pelo povo nesse momento. Deportado com o primeiro grupo de exilados, Ezequiel escreve para aqueles que se encontram no exílio, mas também para aos que ficaram na Pátria (há oráculos que parecem ser dirigidos precisamente a estes). Antes da destruição de Jerusalém, as suas palavras são de dura condenação, na tentativa de levar os seus compatriotas, que permaneceram no País, a compreender que as consequências das suas ações podem ser desastrosas. Depois de o pior ter acontecido e após ter feito luto e silêncio, a situação mudou radicalmente: o exílio parece nunca mais acabar e o desespero parece crescer. É então que Ezequiel se torna arauto de esperança e anuncia um novo começo, que será obra do próprio Deus. Ele purificará o seu Povo, reuni-lo-á e fá-lo-á regressar à Pátria. Castigará os pastores que não cuidaram do rebanho e Ele mesmo se preocupará com as ovelhas dispersas.
Esquematicamente podemos dividir o Livro de Ezequiel em três partes:
  • capítulos 1–24: com a narração da vocação e da missão (capítulos 1-3, que na verdade constituem um prelúdio a todo o Livro) e as palavras de censura e de condenação contra Judá antes da queda de Jerusalém;
  • capítulos 25–32: contêm – elemento presente em todos os profetas – oráculos de juízo e de condenação contra as nações estrangeiras;
  • capítulos 33–48: o anúncio de salvação para Judá, depois da queda de Jerusalém. Para maior precisão, esta última parte pode, por sua vez, subdividir-se em três partes: capítulos 33–37: contêm o anúncio da salvação que virá; capítulos 38-39: textos apocalípticos respeitantes à destruição dos inimigos de Israel; capítulos 40–48: a reconstrução do Templo de Jerusalém.
Das palavras de Ezequiel sobressaem a veemência e a paixão do profeta, a sua dor de sacerdote pela má sorte da Cidade Santa e do seu Templo, mas sobretudo a angústia e as esperanças de um homem, filho de um povo cujo caminho de dor e de esperança partilha.

© Tiziano Lorenzin | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Laboratório da fé celebrada, 2014



A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.8.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

A partir de quarta-feira da décima sexta semana (Ano Par) até quinta-feira da décima oitava semana (Ano Par) a liturgia propõe alguns dos textos mais significativos do Livro de Jeremias (primeira leitura).
O profeta Jeremias viveu entre o século VII e os primeiros decénios do século VI antes de Cristo, durante um dos períodos mais complexos da história de Jerusalém. O começo da sua atividade está colocado sob o reinado de Josias, inspirador de uma importante reforma religiosa destinada a reconduzir o povo à fé no Senhor, abandonando toda a forma de idolatria. A essa época poderia então remontar a vocação do profeta, narrada no primeiro capítulo do Livro.
A esperança que surgiu durante o reinado de Josias acabou depressa, devido à ação militar do babilónio Nabucodonosor que submeteu grande parte das regiões do Médio Oriente, chegando a cercar e a conquistar Jerusalém, deportando os seus habitantes. Estes dramáticos acontecimentos históricos refletem-se na profecia de Jeremias, o qual vê nos Babilónios o instrumento do castigo de Deus contra os pecados do povo. Os seus oráculos e as ações simbólicas que frequentemente os acompanham, têm por tema a denúncia de uma idolatria cada vez maior, manifestada não só no culto de outras divindades, como ainda numa praxe injusta, baseada em falsas seguranças alimentadas pela riqueza, pelo poder e pela palavra dos profetas mentirosos (cf. a leitura litúrgica das passagens extraídas dos capítulos 2; 7; 13; 18).
Jeremias dirige ao povo que abandonou o Senhor um apelo angustiado com termos duros, para que se converta, se não quer incorrer na pena que, ele prevê, ser realizada no exílio de Babilónia (cf. capítulos 3; 14; 26). A sua pregação encontrou a oposição do rei Joaquim e de outros profetas da corte, os quais procuraram fazê-lo calar de muitos modos. São testemunho desta reação as chamadas «confissões» (a liturgia propõe as dos capítulos 15 e 18), nas quais o profeta, com sinceridade e rebelião, denuncia a Deus as perseguições sofridas. Junto com a denúncia da idolatria, com a ameaça do castigo e com a acusação dos adversários, Jeremias anuncia ao povo no exílio a ação que o Senhor realizará em seu favor, a Nova Aliança, o dom gratuito que permitirá a Israel ser de novo fiel ao seu Deus (cf. capítulos 30; 31).

© Grazia Papola | Editora Paulus
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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.7.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

Aquele que na ordem cronológica é o segundo profeta «escritor» da Bíblia, Oseias, está presente no ciclo litúrgico do Tempo Comum (primeira leitura, anos pares) com cinco textos antológicos, distribuídos entre a segunda e a sexta-feira da XIV semana, que constituem uma espécie de amostra da sua pregação.
Tendo vivido, como Amós, no oitavo século antes de Cristo, no reino do Norte, próspero e iníquo, Oseias desempenhou o seu ministério cerca do ano de 750 antes de Cristo. Sabemos bem pouco da sua atividade, como também das suas origens e das suas condições; o que conhecemos bem, pela sua própria declaração apaixonada e apaixonante, é o seu drama familiar. Oseias está casado com Gomer, uma mulher que exerce a prostituição sagrada nos ritos pagãos, da qual teve três filhos que têm nomes de maldição: «Yzreel» («Deus semeou»), o nome da amena localidade que, embora de bom augúrio, se torna símbolo de crueldade devido ao assassínio de Nabot, idealizado por Jezabel e pelo extermínio da casa de Acab, perpetrado por Jeú; «Lo’-ruchamah» («Não-amada») e «Lo’-ammi» («Não-meu-povo»), que exprimem a renegação do amor e da Aliança da parte de Deus.
Oseias lê na sua vida o drama do amor ferido, ou seja, do amor de Deus pelo seu Povo infiel, que é o amor tenaz e incapaz de ceder perante a traição. Assim, o profeta traz à linguagem bíbli­ca uma novidade extraordinária: a utilização da linguagem do amor esponsal para representar a Aliança de Deus com o povo.

© Anna Maria Giorgi | Editora Paulus
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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.7.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

O Livro de Amós, do qual leremos nesta semana [décima terceira semana] seis textos (primeira leitura, anos pares), constitui uma compilação de oráculos do mais antigo profeta «escritor», um dos doze profetas menores do cânone bíblico.
Tendo vivido no século VIII antes de Cristo, Amós exerceu o ministério profético no próspero e populoso reino do Norte, separado política e religiosamente de Jerusalém dois séculos antes, e governado até perto de 760 antes de Cristo pelo rei Jeroboão II. Amós, simples vaqueiro e incisor de sicómoros (cortavam-se os sicómoros para lhes extrair o suco amargo e amarelo e os tornar assim comestíveis para o gado), denuncia violentamente o grande pecado de Israel: a injustiça social, que desfigura a relação com o homem, tão grave como o pecado de idolatria, que desfigura a relação com Deus.
O Livro de Amós começa com uma série de sete oráculos «contra as nações» (1, 3 – 2, 5), culminando com um oitavo oráculo contra Israel (2, 6-15). Seguem-se outros oráculos (3, 1 – 6, 14) e visões (7, 1 – 9, 10). O tom do livro, muito sombrio, só ganha luz no final com uma promessa de salvação e de restauração para a casa de David (9, 11-15).

© Anna Maria Giorgi | Editora Paulus
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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.6.14 | Sem comentários

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A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

Nas primeiras quatro semanas do Tempo Comum («anos pares»), a liturgia propõe a escuta dos dois Livros de Samuel (primeira leitura). A narração refere-se a cerca de oitenta anos da história hebraica, de 1050 a 970 antes de Cristo, aproximadamente. Nela são referidas três grandes figuras: Samuel, Saul e David.
No Primeiro Livro de Samuel, a narração é inteiramente do­minada pela figura de Samuel, chamado ainda jovem por Deus a ser juiz de Israel em tempos de crise (1, 1 — 3, 21). Segue-se uma longa narração acerca da Arca da Aliança (4, 1 — 7, 1): a Arca é cap­turada pelos filisteus, transportada para o campo adversário e, finalmente, regressa para junto dos filhos de Israel. Durante a luta contra os filisteus, o povo pede a Samuel um rei. O profeta opõe-se, mas no fim deve ceder e dar um soberano ao povo. É este o segundo grande momento do livro (7, 2 — 8, 22). Saul é escolhido e ungido como rei (9, 11 — 11, 15) e, no entanto, entre o rei e o profeta não há boas relações: o contraste é tal que Samuel anuncia a sua demissão (12, 1-25) e continua a exprimir ao rei a sua insatisfa­ção (13, 1 — 15, 35). É nessa altura que começa a emergir a figura de David, primeiro na corte de Saul (16, 1 — 18, 5), depois como seu adversário e inimigo (18, 6 — 26, 25). Por fim, Saul morre no campo de batalha (27, 1 — 31, 13) e David torna-se rei (2Samuel 1, 1-5 — 5, 16).
Todo o Segundo Livro de Samuel é dominado pelas peripécias de David. Esta história coloca ao leitor uma pergunta: quem é o verdadeiro rei de Israel? A resposta não deixa dúvidas: o único e verdadeiro soberano é o Senhor; o monarca é simplesmente um plenipotenciário de Deus, um ministro Seu. Surge também a crí­tica à monarquia, quando esta, em vez de se submeter à Palavra de Deus, se distancia dela. Finalmente aparece o tema do mes­sianismo ligado a David e à promessa que lhe é feita, tema esse que voltará e será sem dúvida interpretado no Novo Testamento, enquanto referido a Jesus.

© Matteo Crimella | Editora Paulus
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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.14 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.

Terminado o Tempo de Natal […], o ritmo do Ano Litúrgico prossegue com a primeira parte do Tempo Comum, ou seja, os dias que decorrem entre o final do Tempo de Natal e o início do Tempo da Quaresma.
As primeiras oito semanas são caracterizadas por uma proposta deveras interessante da Palavra de Deus, que é contemplada na perspetiva de todo o percurso ferial que caracteriza as trinta e quatro semanas do Tempo Comum. E isto unido à palavra evangélica que a cada ano é proposta, segundo o mesmo ritmo temático. […]
Nos «anos pares» [nos dias feriais (segunda a sábado), a Liturgia organiza-se em dois ciclos: anos pares e anos ímpares, de acordo com a terminação de cada ano; por exemplo: 2014 termina em quatro logo trata-se de um «ano par»], a leitura começa pelos Livros de Samuel até chegar, sempre através de um percurso do Antigo e do Novo Testamento, até ao Apocalipse.
Nesta panorâmica geral, as primeiras oito semanas podem ser consideradas como uma introdução ao grande panorama da História da Salvação. 
[…]
Nos «anos pares», a leitura é caracterizada pelos dois livros de Samuel durante quatro semanas, juntamente com uma parte do Primeiro Livro dos Reis, o qual continua na semana seguinte. E enquanto a sexta e sétima semana contêm a Carta de Tiago, a oitava encerra parte da Primeira Carta de Pedro e a Carta de Judas. Temos portanto a proposta de vários livros. Se a História contida nos livros de Samuel e dos Reis apresenta as páginas mais características de uma caminhada em que se cruzam os mais variados acontecimentos, sempre narrados como «advertências»; as páginas do Novo Testamento permitem entrar em contacto, através das palavras de Tiago, Pedro e Judas, com os conselhos para a vida em Cristo (não esqueçamos que quer a Carta de Tiago, quer a Primeira Carta de Pedro são verdadeiras e autênticas homilias).

© Manlio Sodi | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Laboratório da fé celebrada, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.14 | Sem comentários
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