Mostrar mensagens com a etiqueta Pobreza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pobreza. Mostrar todas as mensagens

Viver a fé! [35]


Este (segundo) tema dedicado ao nono capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja (sobre «A Comunidade Internacional») resume o terceiro e quarto pontos desse capítulo: «a organização da Comunidade Internacional» (números 440 a 445); «a cooperação internacional para o desenvolvimento» (números 446 a 450).

O valor das organizações internacionais

«O caminho rumo a uma autêntica ‘comunidade’ internacional, que assumiu uma precisa direção com a instituição da Organização das Nações Unidas em 1945, é acompanhado pela Igreja» (440). A doutrina social da Igreja ressalta a necessidade «de instituir ‘uma autoridade pública universal, reconhecida por todos, com poder eficaz para garantir a segurança, a observância da justiça e o respeito dos direitos’» (441). Aliás, a «globalização dos problemas» exige «uma política internacional voltada para o objetivo da paz e do desenvolvimento mediante a adoção de medidas coordenadas [...]. Em particular, as estruturas intergovernamentais devem exercitar eficazmente as suas funções de controlo e de guia no campo da economia» (442). Por isso, «o magistério avalia positivamente o papel dos agrupamentos que se formaram na sociedade civil para exercer uma importante função de sensibilização da opinião pública em relação aos diversos aspetos da vida internacional, com uma atenção especial para o respeito dos direitos do ser humano» (443).

A personalidade jurídica da Santa Sé

«A Santa Sé – ou Sé Apostólica – goza de plena subjetividade internacional enquanto autoridade soberana que realiza atos juridicamente próprios. Ela exerce uma soberania externa, reconhecida no quadro da comunidade internacional, que reflete a soberania exercida no seio da Igreja e que se caracteriza pela unidade organizativa e pela independência» (444). «O serviço diplomático da Santa Sé, fruto de uma antiga e consolidada praxe, é um instrumento que atua não só pela ‘libertas Ecclesiae’, mas também pela defesa e a promoção da dignidade humana, bem como por uma ordem social baseada nos valores da justiça, da liberdade e do amor» (445).

Colaboração para garantir o direito ao desenvolvimento

«A solução do problema do desenvolvimento requer a cooperação entre as comunidades políticas [...]. O desenvolvimento não é apenas uma aspiração, mas também um direito [...]. O direito ao desenvolvimento funda-se nos seguintes princípios: unidade de origem e comunhão de destino da família humana; igualdade entre todas as pessoas e todas as comunidades baseada na dignidade humana; destino universal dos bens da terra; integralidade da noção de desenvolvimento; centralidade da pessoa humana; solidariedade» (446). Neste sentido, «a doutrina social encoraja formas de cooperação capazes de incentivar o acesso ao mercado internacional dos países marcados pela pobreza e pelo subdesenvolvimento [...]. Entre as causas que predominantemente concorrem para determinar o desenvolvimento e a pobreza, além da impossibilidade de ascender ao mercado internacional, devem ser enumerados o analfabetismo, a insegurança alimentar, a ausência de estruturas e serviços, a carência de medidas para garantir o saneamento básico, a falta de água potável, a corrupção, a precariedade das instituições e da própria vida política. Existe uma conexão entre a pobreza e a falta, em muitos países, de liberdade, de possibilidade de iniciativa económica, de administração estatal capaz de oferecer um sistema adequado de educação e de informação» (447). Por isso, «o espírito da cooperação internacional exige que acima da estrita lógica do mercado esteja a consciência de um dever de solidariedade, de justiça social e de caridade universal» (448).

Luta contra a pobreza

A pobreza «‘é a questão que, em absoluto, mais interpela a nossa consciência humana e cristã’. [...] A luta contra a pobreza encontra uma forte motivação na opção ou no amor preferencial da Igreja pelos pobres. [...] A Igreja não se cansa de reafirmar também outros princípios fundamentais seus, entre os quais se destaca o do destino universal dos bens. [...] Aos pobres se deve olhar ‘não como um problema, mas como possíveis sujeitos e protagonistas dum futuro novo e mais humano para todo o mundo’» (449).

A dívida externa

«Deve-se ter presente o direito fundamental dos povos ao desenvolvimento nas questões ligadas à crise das dívidas de muitos países pobres. [...] Mesmo reafirmando o princípio de que o débito contraído deve ser honrado, é preciso encontrar caminhos para não comprometer o ‘fundamental direito dos povos à subsistência e ao progresso’» (450).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.6.15 | Sem comentários

Viver a fé! [26]


Os «aspetos bíblicos» ocupam o primeiro ponto do sétimo capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja dedicado ao tema intitulado «vida económica». Este primeiro ponto (números 323 a 329) subdivide-se em duas alíneas: «o homem, a pobreza e a riqueza»; «as riquezas existem para serem partilhadas».

O homem, a pobreza e a riqueza

«No Antigo Testamento percebe-se uma dupla postura em relação aos bens económicos e à riqueza. Por um lado, apreço em relação à disponibilidade dos bens materiais considerados necessários para a vida [...]. Por outro lado, os bens económicos e a riqueza não são condenados por si mesmos, mas pelo seu mau uso» (323), Entretanto, nomeadamente nos textos proféticos, a pobreza (oprimidos, fracos, indigentes), mesmo sendo um mal, é apresentada como um símbolo da situação humana diante de Deus. Por conseguinte, «aquele que reconhece a própria pobreza diante de Deus, qualquer que seja a situação que esteja a viver, é objeto de particular atenção da parte de Deus: quando o pobre O procura, o Senhor responde; quando grita, Ele escuta-o. Aos pobres se dirigem as promessas divinas: eles serão os herdeiros da aliança entre Deus e o seu povo. [...] A pobreza, quando é aceite ou procurada com espírito religioso, predispõe ao reconhecimento e à aceitação da ordem criacional; o ‘rico’, nesta perspetiva, é aquele que repõe a sua confiança mais nas coisas que possui do que em Deus, o homem que se faz forte pela obra das suas mãos e que confia somente nessa força. A pobreza assume valor moral quando se manifesta como humilde disponibilidade e abertura em relação a Deus, confiança n’Ele. Estas atitudes tornam o ser humano capaz de reconhecer a relatividade dos bens económicos, tratando-os como dons divinos para administrar e partilhar, porque a propriedade originária de todos os bens pertence a Deus» (324). «Jesus assume toda a tradição do Antigo Testamento também sobre os bens económicos, sobre a riqueza e sobre a pobreza, conferindo-lhe definitivas clareza e plenitude [...]. O Reino inaugurado por Cristo aperfeiçoa a bondade originária da criação e da atividade humana, comprometida pelo pecado. Libertado do mal e reintroduzido na comunhão com Deus, cada ser humano pode continuar a obra de Jesus, com a ajuda do seu Espírito: fazer justiça aos pobres, resgatar os oprimidos, consolar os aflitos, buscar ativamente uma nova ordem social, em que se ofereçam adequadas soluções à pobreza material e venham impedidas mais eficazmente as forças que dificultam as tentativas dos mais fracos de se libertarem de uma condição de miséria e escravidão. Quando isto acontece, o Reino de Deus faz-se já presente sobre esta Terra, embora não lhe pertença. Nisto encontrarão cumprimento, finalmente, as promessas dos profetas» (325). Em resumo, «a atividade económica deve ser considerada e desenvolvida como resposta reconhecida à vocação que Deus reserva a cada ser humano. [...] A atividade económica e o progresso material devem ser colocados ao serviço» (326) dos outros. «A fé em Jesus Cristo consente uma correta compreensão do progresso social, no contexto de um humanismo integral e solidário» (327).

As riqueza existem para serem partilhadas

«Os bens, ainda que legitimamente possuídos, mantêm sempre um destino universal: é imoral toda a forma de acumulação indébita, porque se encontra em aberto contraste com o destino universal consignado por Deus Criador a todos os bens. A salvação cristã é, efetivamente, uma libertação integral do ser humano, libertação da necessidade, mas também em relação às próprias posses: ‘a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro’» (328). «As riquezas realizam a sua função de serviço ao homem quando destinadas a produzir benefícios para os outros e a sociedade. [...] Elas são um bem que vem de Deus: quem o possuir, deve usá-lo e fazê-lo circular, de sorte que também os necessitados possam fruir; o mal está no apego desmedido às riquezas, no desejo de açambarcá-las. São Basílio Magno convida os ricos a abrirem as portas dos seus armazéns [...]. A riqueza, explica São Basílio, é como a água que flui mais pura da fonte na medida em que dela se haure com mais frequência, mas que apodrece se a fonte permanece inutilizada. O rico, dirá mais tarde São Gregório Magno, não é mais que um administrador daquilo que possui; dar o necessário a quem necessita é obra a ser cumprida com humildade, porque os bens não pertencem a quem os distribui. Quem tem as riquezas somente para si não é inocente; dar a quem tem necessidade significa pagar uma dívida» (329).

© Laboratório da fé, 2015 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.4.15 | Sem comentários

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ


Resumo do número 5
Bento XVI afirmou que a ausência de fraternidade é causa da pobreza. Então, a fraternidade é «premissa para vencer a pobreza». Esta constatação serve de referência para apresentar dois tipos de pobreza: «pobreza relacional, devido à carência de sólidas relações familiares e comunitárias»; «pobreza relativa», «desigualdades entre pessoas e grupos» da mesma sociedade. A pobreza relacional pode ser ultrapassada com a «redescoberta e valorização de relações fraternas no seio das famílias e das comunidades, através da partilha das alegrias e tristezas, das dificuldades e sucessos». A pobreza relativa desaparece com o recurso a «políticas eficazes que promovam o princípio da fraternidade, garantindo às pessoas – iguais na sua dignidade e nos seus direitos fundamentais – acesso aos ‘capitais’, aos serviços, aos recursos educativos, sanitários e tecnológicos, para que cada uma delas tenha oportunidade de exprimir e realizar o seu projeto de vida». Na mesma linha, não se pode «esquecer o ensinamento da Igreja sobre a chamada hipoteca social»: as «coisas exteriores» que cada um possui legitimamente não se podem considerar «só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si mas também aos outros». Tudo isto ganha ainda mais sentido a partir da vivência do «desapego»: assumir «estilos de vida sóbrios e essenciais»; partilhar os bens como expressão de «comunhão fraterna». «Isto é fundamental, para seguir Jesus Cristo e ser verdadeiramente cristão».

© Laboratório da fé, 2014



  • Texto completo da Mensagem > > >



Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.1.14 | Sem comentários

Palavra para hoje: vigésimo segundo domingo


«Filho, em todas as tuas obras procede com humildade [...] e encontrarás graça diante do Senhor». O humilde ocupa o seu devido lugar diante de Deus. Glorifica-o, reconhece a sua presença, mesmo sem o ver fisicamente. Entretanto, Jesus Cristo observa o comportamento de cada um! Os seus ensinamentos sobre o lugar à mesa são uma lição que ele mesmo põe em prática: humilhou-se a si mesmo, até à morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou; e o colocou acima de todas as coisas (cf. Filipenses 2, 8-9). Assim, releva-nos o mistério da Igreja, chamada a seguir os seus passos. A sua missão é ser pobre e serva, aceitar perder uma aparente influência, para estar mais disponível para convidar os pobres para a mesa de Deus.


Pergunta da semana: 

Acredito sinceramente no valor da humildade?

Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.9.13 | Sem comentários
Nihil Obstat — blogue de Martín Gelabert Ballester

«Dai-lhes vós de comer»

Nestes últimos dias, li que o Papa disse aos sem abrigo: «levo-vos no meu coração, estou à vossa disposição». São palavras na linha daquelas que pronunciou, parece que de forma quase espontânea (e essas espontaneidades refletem o que há no coração), ao dizer que queria uma Igreja pobre e para os pobres. A pobreza evangélica tem que ver com a simplicidade de coração e com a austeridade de vida. Tem que ver com a confiança em Deus. Mas também se manifesta em atos proféticos de solidariedade com aqueles que são pobres, materialmente falando.
Há uma palavra de Jesus que, levada a sério, pode suscitar atos proféticos: «dai-lhes vós de comer». Tão interessante como a palavra é o contexto que a suscita. A multidão congrega-se à volta de Jesus e escuta os seus ensinamentos. De imediato, os discípulos dão-se conta de que é tarde e estão num descampado. Aconselham Jesus a dizer às pessoas que se desloquem às aldeias vizinhas para encontrar comida. É a solução mais lógica e sensata. Jesus responde: «dai-lhes vós de comer». Entre a multidão, há um rapazinho que tem comida, mas é claramente insuficiente: cinco pães e dois peixes (Marcos 6, 30-44). Então Jesus, depois de pronunciar a bênção, parte os pães e manda que sejam distribuídos. Já sabemos que, no final, sobrou comida. O ensinamento de fundo: o pão, quando é escasso, mas é partido e repartido, chega para todos; se é abundante, mas fica apenas para um, é um só que come e todos os outros passam fome.
A questão não é, portanto, de quantos recursos dispõe o Estado ou o Município. A questão é se os reparte e como os reparte. Desgraçadamente, nas nossas cidades, cada vez há mais gente à espera de um pouco de pão diante dos refeitórios sociais, albergues e escritórios da Cáritas. A maioria são estrangeiros, mas cada vez há mais espanhóis [portugueses]. As perguntas que se podem colocar são muitas: como é que as instituições caritativas conseguem alimentos? A que dedicam os seus recursos as instituições oficiais? Com que critério se elaboram os pressupostos do Estado, da Comunidade, do Município? O que é que tem a primazia? Diz-se e repete-se que a primazia pertence às pensões, ao ensino e à saúde. Não é verdade. A primazia pertence aos interesses instalados. Porque é que o Estado não declara a suspensão dos pagamentos? Não seria a primeira vez que o faz, nem o primeiro a fazê-lo. Todas as grandes nações já o fizeram alguma vez e a economia ressurgiu com mais força.

© Martín Gelabert Ballester, OP

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



Nihil obstat - www.laboratoriodafe.net
Martín Gelabert Ballester, frade dominicano, nasceu em Manacor (Ilhas Baleares) e reside em Valencia (Espanha). É autor do blogue «Nihil Obstat» (em espanhol), que trata de questões religiosas, teológicas e eclesiais. Pretende ser um espaço de reflexão e diálogo. O autor dedica o seu tempo à pregação e ao ensino da teologia, especialmente antropologia teológica e teologia fundamental. 
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Anónimo | 15.4.13 | Sem comentários
  • Recentes
  • Arquivo