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MARIA, A MÃE DA EVANGELIZAÇÃO!


Da Exortação Apostólica do papa Francisco 
sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual («Evangelii Gaudium»), 288:

Virgem e Mãe Maria,

Vós que, movida pelo Espírito,

acolhestes o Verbo da vida

na profundidade da vossa fé humilde,

totalmente entregue ao Eterno,

ajudai-nos a dizer o nosso «sim»

perante a urgência,
mais imperiosa do que nunca,

de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus.

Vós, cheia da presença de Cristo,

levastes a alegria a João o Baptista,

fazendo-o exultar no seio de sua mãe.


Vós, estremecendo de alegria,

cantastes as maravilhas do Senhor.


Vós, que permanecestes firme 
diante da Cruz

com uma fé inabalável,

e recebestes a jubilosa consolação
da ressurreição,

reunistes os discípulos
à espera do Espírito

para que nascesse
a Igreja evangelizadora.

Alcançai-nos agora
um novo ardor de ressuscitados

para levar a todos o Evangelho da vida

que vence a morte.
 

Dai-nos a santa ousadia
de buscar novos caminhos

para que chegue a todos

o dom da beleza que não se apaga.

Vós, Virgem da escuta e da contemplação,

Mãe do amor,
esposa das núpcias eternas

intercedei pela Igreja,
da qual sois o ícone puríssimo,

para que ela nunca se feche
nem se detenha

na sua paixão por instaurar o Reino. 

Estrela da nova evangelização,

ajudai-nos a refulgir
com o testemunho da comunhão,

do serviço, da fé ardente e generosa,

da justiça e do amor aos pobres,

para que a alegria do Evangelho

chegue até aos confins da terra

e nenhuma periferia
fique privada da sua luz.

Mãe do Evangelho vivente,

manancial de alegria
para os pequeninos,

rogai por nós.
Amen. Aleluia!

© Adaptação de Laboratório da fé, 2015

  • TEMA GERAL PARA O MÊS DE MARIA 2015 > > >

Maria, a mãe da evangelização!
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.15 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


Bento XVI, ao pronunciar a catequese no dia um de junho de dois mil e onze, descreve Moisés como «homem de oração». Para o confirmar, socorre-se de vários momentos e circunstâncias em que, no livro do Êxodo e dos Números, podemos encontrar Moisés em oração.
O episódio comentado (Êxodo 32, 7-14) está em relação com aquilo que aconteceu junto do monte Sinai: enquanto Moisés sobe ao monte para receber as tábuas da Lei, o povo pede a Aarão que construa um bezerro de metal fundido. «Trata-se de uma tentação constante no caminho de fé: eludir o mistério divino, construindo um deus compreensível, correspondente aos próprios esquemas, aos próprios programas».
Então, estabelece-se um diálogo entre Deus e Moisés, com destaque para a intercessão deste em favor do povo. «A súplica de Moisés está inteiramente centrada na fidelidade e na graça do Senhor. […] Moisés apela-se a Deus, à vida interior de Deus, contra a sentença exterior».
Moisés «não apresenta desculpas para o pecado do seu povo, não enumera méritos presumíveis, nem do povo nem seus, mas apela para a gratuidade de Deus: um Deus livre, totalmente amor, que não cessa de procurar quem se afastou, que permanece sempre fiel a Si mesmo e oferece ao pecador a possibilidade de voltar para Ele e de se tornar, mediante o perdão, justo e capaz de fidelidade. Moisés pede a Deus que se mostre até mais forte do que o pecado e a morte e, com a sua oração, suscita este revelar-se divino».



  • Iniciar à oração — textos publicados no Laboratório da fé > > >



Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


O relato do livro do Génesis (32, 23-33) sobre a luta de Jacob com Deus é um texto «importante para a nossa vida de fé e de oração» — diz Bento XVI, na catequese sobre a oração proferida a vinte e cinco de maio de dois mil e onze.
Apesar de difícil interpretação, «o texto bíblico fala-nos da longa noite da busca de Deus, da luta para conhecer o seu nome e para ver o seu rosto; trata-se da noite da oração que, com tenacidade e perseverança, pede a Deus a bênção e um nome novo, uma renovada realidade, fruto de conversão e perdão».
A luta de Jacob e o encontro com Deus, como refere o Papa, serve de «ponto de referência para compreender a relação com Deus que, na oração, encontra a sua máxima expressão. A oração exige confiança, proximidade, quase num corpo a corpo simbólico não com um Deus adversário, inimigo, mas com o Senhor que abençoa, que permanece sempre misterioso, que parece inalcançável. Por isso, o autor sagrado utiliza o símbolo da luta, que implica força de espírito, perseverança e tenacidade para alcançar aquilo que se deseja. E se o objeto do desejo é a relação com Deus, a sua bênção e o seu amor, então a luta não poderá deixar de culminar no dom pessoal a Deus, no reconhecimento da própria debilidade, que vence precisamente quando consegue entregar-se nas mãos misericordiosas de Deus».
Em resumo, «toda a nossa vida é como esta longa noite de luta e de oração, que deve ser consumida no desejo e na busca de uma bênção de Deus».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


Na terceira catequese sobre a oração, Bento XVI inicia um «percurso bíblico» cujo primeiro exemplo é retirado da intercessão de Abraão pelas cidades de Sodoma e Gomorra (Génesis 18, 16-33).
Abraão «põe em jogo uma nova ideia de justiça: não aquela que se limita a punir os culpados, como fazem os homens, mas uma justiça diferente, divina, que busca o bem e o cria através do perdão que transforma o pecador, o converte e o salva. Portanto, com a sua oração, Abraão não invoca uma justiça meramente retributiva, mas uma intervenção de salvação que, tendo em consideração os inocentes, liberte da culpa inclusive os ímpios, perdoando-os». Abraão exprime o desejo de Deus: «misericórdia, amor e vontade de salvação».
Infelizmente, «as cidades estavam fechadas num mal totalizador e paralisador, sem sequer poucos inocentes, a partir dos quais começar para transformar o mal em bem. Pois é precisamente este o caminho da salvação, que também Abraão pedia: ser salvos não quer dizer simplesmente evitar a punição, mas ser libertados do mal que habita em nós. Não é o castigo que deve ser eliminado, mas o pecado, aquela rejeição de Deus e do amor que já traz em si o castigo».
Então, é fundamental «uma transformação a partir de dentro, uma grande ocasião de bem, um início a partir do qual começar para mudar o mal em bem, o ódio em amor e a vingança em perdão. […] É uma palavra dirigida também a nós: que nas nossas cidades se encontre o germe do bem».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


Apesar deste tempo ser dominado pelo secularismo, Bento XVI, na segunda catequese sobre a oração, realça o aparecimento de «muitos sinais que nos indicam um despertar do sentido religioso, uma redescoberta da importância de Deus».
Não é de estranhar, porque, como afirma o Catecismo da Igreja Católica, «o desejo de Deus está inscrito no coração do homem» (número 27). É uma «sede de infinito, uma saudade de eternidade, uma busca de beleza, um desejo de amor, uma necessidade de luz e de verdade, que o impelem rumo ao Absoluto». S. Tomás de Aquino define a oração como «expressão do desejo que o homem tem de Deus».
O Papa fala da oração como uma «atitude interior» que, mais do que uma «série de práticas e fórmulas» é «um modo de ser diante de Deus, e não só o cumprir gestos de culto ou o pronunciar palavras. A oração tem o seu centro e afunda as suas raízes no mais profundo da pessoa; por isso não é facilmente decifrável. Também neste sentido podemos entender a expressão: rezar é difícil. […] Por isso, a experiência da oração é para todos um desafio, uma ‘graça’ a invocar, um dom d’Aquele ao qual nos dirigimos. [... ] Todavia, só no Deus que se revela encontra pleno cumprimento a busca do homem. A oração, que é a abertura e elevação do coração a Deus, torna-se assim relação pessoal com Ele. E mesmo que o homem se esqueça do seu Criador, o Deus vivo e verdadeiro não cessa de chamar primeiro o homem ao misterioso encontro da oração».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


Bento XVI iniciou a quatro de maio de dois mil e onze uma série de catequese sobre a oração cristã: «aproximando-nos da Sagrada Escritura, da grande tradição dos Padres da Igreja, dos Mestres de espiritualidade e de Liturgia, queremos aprender a viver ainda mais intensamente a nossa relação com o Senhor, quase uma ‘Escola de oração’. Com efeito, sabemos que a oração não se deve dar por certa: é preciso aprender a rezar, quase adquirindo esta arte sempre de novo; mesmo aqueles que estão muito avançados na vida espiritual sentem sempre a necessidade de se pôr na escola de Jesus para aprender a rezar autenticamente. Recebemos a primeira lição do Senhor através do seu exemplo. Os Evangelhos descrevem-nos Jesus em diálogo íntimo e constante com o Pai: é uma profunda comunhão daquele que veio ao mundo não para fazer a sua vontade, mas a do Pai que O enviou para a salvação do homem».
Na primeira catequese, apresenta exemplos de oração «para relevar como, praticamente sempre e em toda a parte, o homem se dirigiu a Deus»: no antigo Egito; nas religiões da Mesopotâmia; na religiosidade grega e romana. Os textos mostram que o ser humano «reza porque não consegue deixar de se interrogar sobre o sentido da sua existência, que permanece obscuro e desolador, se não se puser em relação com o mistério de Deus e do seu desígnio acerca do mundo».
O ponto de partida desta «Escola de oração» é o pedido dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a rezar».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


Aquelas e aqueles que se dispõem a «tomar consciência da presença de Deus que nos habita» confirmam que o ser humano, cada um de nós, é habitado por Deus, pelo Espírito Santo. O Catecismo Jovem da Igreja Católica (YOUCAT 120) diz que o nosso corpo é a «sala de estar de Deus».
Os bispos portugueses, na Carta Pastoral «O Espírito Santo, Senhor que dá a Vida» (26), constatam que «vai crescendo o número de pessoas que dão à oração o primeiro lugar e nela procuram a renovação da vida espiritual». Homens e mulheres que reconhecem no Espírito Santo «o mestre interior da oração cristã» (Catecismo da Igreja Católica, 2672).
Ora, «o Espírito Santo, exprime-se e faz-se ouvir, da forma mais simples e comum, na oração. É belo e salutar pensar que, onde quer que no mundo se reze, aí está presente o Espírito Santo sopro vital da oração. É belo e salutar reconhecer que, se a oração se encontra difundida por todo o universo, igualmente difundida é a presença e a ação do Espírito Santo» (João Paulo II, Carta Encíclica sobre o Espírito Santo na vida da Igreja e no mundo — «Dominum et Vivificantem», 65).
Então, «iniciar à oração» é aprender a invocar o Espírito Santo (por exemplo, no início do dia ou ao começar qualquer tipo de atividade; e claro, sempre ao iniciar a oração). Não há dúvida de que «o Espírito Santo ajuda o nosso espírito a orar. Por isso, devemos dizer continuamente: ‘Vem, Espírito Santo! Vem e ajuda-me a orar!’» (YOUCAT 496).



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.8.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


«Iniciar à oração» — é um dos objetivos propostos no programa pastoral programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. O mesmo programa sugere: «A oração é a expressão mais simples, mas também a mais fundamental. Tomar consciência da presença de Deus que nos habita, descobrir a Sua ação em nós e também para nos tornar colaboradores da ação divina. Nas nossas paróquias há espaço para a oração, para o encontro com Deus, no silêncio, na adoração? Onde se alimenta a vida cristã do povo? Temos aqui uma tarefa que é necessário realizar pouco a pouco: oferecer encontros de oração, rever e adaptar formas de oração, ajudar os fiéis a rezar em silêncio, oferecer possibilidades de escutar a Palavra de Deus com tranquilidade». Conscientes de que esta tarefa não se esgota no presente ano pastoral, vamos propor, a partir de hoje, alguns contributos para alcançar o objetivo de «iniciar à oração».



«Iniciar à oração» é contribuir para que alguém possa iniciar a oração, colocar diante do outro «ferramentas» que ajudam a iniciar a oração. O padre José Tolentino Mendonça, em declarações à rádio Renascença (Natal de 2013), disse que «um dos grandes desafios da Igreja é ensinar a rezar». Sustentando que «rezar também se aprende», o padre Tolentino alertou para o perigo de se dar «por garantido que toda a gente sabe rezar».
É certo que, para «iniciar à oração», já existem várias propostas, formas diferenciadas, maneiras distintas, métodos diversificados. Há sempre a tentação de ir à procura de «receitas» bem elaboradas, «remédios» eficazes para quem, embora sinta a importância, tem dificuldade em rezar. Não vale a pena!
A oração é «tomar consciência da presença de Deus que nos habita, descobrir a Sua ação em nós». Por isso, é sempre uma experiência pessoal. Não se pode copiar! Existem momentos de oração comunitários, em que todos vivenciam o mesmo ritmo, as mesmas fórmulas, os mesmos textos, os mesmos gestos, o mesmo ambiente. Mas, em boa verdade, esses momentos só se tornam oração quando são expressão de uma vivência íntima e pessoal.
A primeira sugestão é apropriarmo-nos do pedido feito pelos apóstolos a Jesus Cristo: «Senhor, ensina-me a rezar». À boa maneira hebraica, repete-o ao acordar, a caminho do trabalho ou da praia, no banco do jardim, na fila de espera, no regresso a casa, ao deitar: «Senhor, ensina-me a rezar».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.8.14 | Sem comentários

ORAÇÃO PARA O FIM DE 2013


Senhor meu Deus e meu Pai,
dono do tempo e da eternidade,
é teu o dia de hoje e de amanhã,
o passado e o futuro.

Ao acabar mais um ano,
quero dizer-te obrigado
por tudo o que nele recebi de ti,
e pelo trabalho que pude realizar.

Obrigado pela vida e pelo amor,
pelas flores, pelo ar puro e pelo sol,
pela alegria e pela dor,
pelo que foi e pelo que não foi possível.

Apresento-te as antigas e novas amizades,
os que estão perto e longe de mim,
aqueles que pude ajudar e me ajudaram
e ainda todos aqueles com quem partilhei a vida,
o trabalho, as alegrias e o sofrimento.

Também quero pedir-te perdão
pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gasto,
pela palavra inútil, o amor desperdiçado
e tudo o que podia ter feito e não fiz.
Perdão pelas obras vazias e pelo trabalho mal feito.
Perdão por viver, às vezes, sem entusiasmo.
E também pela oração que aos poucos fui adiando,
por todos os meus esquecimentos, descuidos e silêncios.
Por tudo te peço perdão.

Amanhã começaremos um novo ano.
Desde já to agradeço, Senhor,
com todas as surpresas que nele me enviares.
Diante do novo calendário ainda não iniciado,
apresento-te a minha vida
para fazeres dela o que melhor te agradar.
Ámen.

© Laboratório da fé, 2013

Preparar a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.12.13 | Sem comentários

VIVER O DOMINGO: ao ritmo da liturgia


Trigésima semana


Opções fundamentais da vida

As prostitutas, os publicanos, os samaritanos, as crianças... os modelos propostos por Jesus Cristo não são propriamente os mais frequentes nos livros de papel couché. Até que ponto, hoje em dia, também nos baralham estes exemplos, como antes aconteceu com a gente «ordenada» que escutava Jesus Cristo? Quem é que hoje seria apresentado por Jesus Cristo como exemplo a seguir, para nos convencer de uma vez por todas que o importante não são as formas externas, mas o que habita a profundidade do nosso coração?
Uma longa tradição da doutrina sobre o pecado insistiu nos atos pontuais (mais veniais ou mais mortais), na confissão detalhada, oral, semanal; num «dá e tira» com Deus através da nossa consciência... Que equívoco! Segundo Jesus Cristo, as coisas são muito mais profundas!
Então, em que se traduz a profundidade do coração? Nas opções fundamentais da nossa vida. E, para um cristão, só há duas decisões decisivas: viver em abundância (daí uma vontade permanente de perfeição integral) e contribuir para que haja vida em abundância à sua volta.
Com a curiosa observação de que, em grande parte, ambas as opções convergem: aperfeiçoamo-nos e vivemos no top, quando vivemos para os outros. O que nos faz mais «nós» são os outros!
O fariseu preocupava-se com a sua perfeição... mas faltava-lhe a humildade para reconhecer que a perfeição não dependia só dele. Bater com a mão no (próprio) peito nunca será demais! 
Ser uma pessoa honrada, cumpridora, trabalhadora, amiga dos seus amigos, tranquila... é bom e salutar. Mas não é isso que importa.
Ser egoísta, materialista, preocupado apenas com o próprio interesse, incapaz de perdoar, sem amigos... não é bom nem salutar. Mas não é isso que importa.
As boas obras não servem para nada se forem acompanhadas de soberba ou serem simplesmente para me sentir melhor do que os outros. Este aspeto afeta-nos a todos! Infelizmente, todos os dias nos assemelhamos ao fariseu. Achamos que temos o direito de apontar o dedo aos outros. E, às vezes, até ao próprio Deus. Como se Deus tivesse de nos agradecer ou retribuir pelo nosso comportamento. Isto mostra uma total falta de confiança em Deus, uma falta absoluta de fé. Não precisamos de Deus para nada!
Os nossos comportamentos têm origem na profundidade do nosso ser. É aí, no nosso fundo mais profundo, no santuário do coração e da consciência, onde habita Deus, onde somos confrontados com a presença de Deus, onde Deus nos examina e nos ajuda a descobrir a nossa verdadeira identidade: humildes (DOMINGO: «Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador») ou soberbos; necessitados da relação com Deus (SEGUNDA: «Passou a noite em oração») ou auto-suficientes; discretos (TERÇA: «É semelhante ao fermento») ou interessados em «dar nas vistas»; servos (QUARTA: «Há últimos que serão dos primeiros») ou senhores; verdadeiros ou falsos (QUINTA: «Ide dizer a essa raposa»); misericordiosos (SEXTA: «Bem-aventurados») ou duros de coração; amorosos (SÁBADO: «Manso e humilde de coração») ou odiosos; justos ou injustos.
Bem vistas as coisas, se o fariseu e o publicano, em vez de rezar cada um por sua conta, tivessem rezado juntos, talvez tivessem maior proveito. Não tenhamos reservas para rezar com os outros, mesmo que sejam diferentes; não são apenas os que pensam como nós ou os que nos dão sempre razão que nos ajudam a crescer e amadurecer como seres humanos (e como cristãos).

Com que atitude faço oração? A primeira e principal atitude a desenvolver nesta semana consiste em colocar-me diante de Deus com a humildade e a sinceridade de quem se reconhece pecador, pede perdão, sente necessidade da misericórdia divina, confia em Deus. Antes de dizer «fórmulas» decoradas, comecemos por invocar a graça divina, reconhecendo a nossa fragilidade.

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial,  nos textos publicados neste «Laboratório da fé» a propósito do trigésimo domingo.

© Laboratório da fé, 2013

Trigésima semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.10.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO


Evangelho segundo Lucas 18, 9-14

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».



Este [o publicano] desceu justificado para sua casa
e o outro [fariseu] não.

A célebre parábola do fariseu e do publicano, exclusiva de Lucas, serve de complemento à do juiz e da viúva narrada no domingo anterior (vigésimo nono). Ambas oferecem uma reflexão sobre o tema da oração, especialmente sobre a atitude que tem de fazer parte da oração. Se a parábola do domingo passado elogiava o orante que reza com insistência, a deste trigésimo domingo destaca a atitude humilde e sincera na oração.
Lucas (18, 9-14) expõe em forma de parábola uma ideia recorrente em Paulo: ninguém é justo por si mesmo (entenda-se, pela suas obras); todos precisamos de ser justificados pela misericórdia de Deus. Mais ainda, a parábola ensina como o ser humano deixa de ser justo por causa do orgulho e é justificado por Deus na humildade. O texto é composto por uma breve introdução (versículo 9), a oração do fariseu (versículos 10-12), a oração do publicano (versículo 13) e a lição conclusiva (versículo 14).
Na introdução, Lucas descreve os fariseus, sem os nomear explicitamente, com três características: consideram-se justos pelas suas próprias obras; sentem-se seguros de si mesmos diante de Deus; desprezam os outros. Na parábola, a oração do fariseu confirma-o. Diz o texto que, de pé, «orava assim». O texto em grego afirma «orava para si», isto é, extasiado perante a sua própria santidade, porque se considerava justo por mérito próprio. Gaba-se das suas virtudes como se fossem objeto da sua propriedade e desde cima menospreza os outros, que considera miseráveis pecadores, em particular, o publicano. Por seu lado, o publicano não esconde a sua condição. Reconhece-se pecador. Com audácia e pouca arte, balbucia uma oração, enquanto bate no peito, cabisbaixo. A parábola termina com uma frase repetida por Jesus com frequência: «Aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado»; esta referência remete para o «Magnificat».

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Reflexão diária a partir do evangelho > > >



Preparar o domingo trigésimo, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.10.13 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO TRIGÉSIMO

27 DE OUTUBRO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 18, 9-14

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».



Segunda, 21: SEM PRECONCEITOS

Não há suspense! O evangelista diz-nos, no início, o que está em causa neste relato; mas diz-nos também que é uma parábola, uma história para fazer refletir e analisar a nossa situação. Dêmos uma oportunidade à história que Jesus propõe, sem julgar demasiado rápido as personagens. Os dois homens vão ao templo e falam a Deus. É um lugar de verdade e eles apresentam-se diante o Senhor. Também eu tenho coragem de me dirigir a Deus? Os dois homens estão preocupados com a própria salvação. Também eu tenho o desejo de ser salvo por Deus?



Terça, 22: UM BOM FARISEU...

Num primeiro momento, posso olhar para o fariseu e escutar o que ele diz, com um sentido positivo. Ele pode ter uma maneira justa de se regojizar com a cabeça erguida, de respeitar os mandamentos e a moral. É um homem generoso que está ali diante do seu Senhor. Ele não poupa os seus esforços. Também eu tenho a coragem de praticar o que digo?



Quarta, 23: QUE SE COMPARA...

O fariseu é generoso, mas compara-se: «Dou-Vos graças por não ser como os outros homens». A comparação raramente é boa conselheira, conduz ao exagero. «Quando me vejo, fico desolado; quando vejo os outros, fico consolado»; «A erva está sempre mais verde na casa do vizinho»... Quando nos comparamos, queremo-nos avaliar, procuramos uma objetividade inacessível. Queremos sair de nós mesmos, quando Deus nos convida justamente a entrar em nós mesmos. E eu, ouso responder a este convite à interioridade?!



Quinta, 24: E SE ISOLA.

O fariseu é generoso, mas fecha-se em si mesmo... Diante de Deus, dá graças não pelo que Deus faz, mas por aquilo que ele fez a Deus. Enche-se de orgulho; mas a ação de graças não é isso. Toda a sua atitude, todos os seus esforços poderiam conduzir a um único fim revelado pela sua oração: nem quer depender dos outros nem de Deus para ser salvo. Procura uma certeza para si mesmo, graças a uma grande ascese. Eu também me posso esquecer que a autonomia não é um fim em si mesmo. Estou pronto a pagar bem cara a minha independência. Não é fácil dizer: «Tenho necessidade dos outros para viver e ser feliz». A quem é que me agarro para não depender dos outros nem de Deus? O que é que tenho de colocar no devido lugar?



Sexta, 25: UM PUBLICANO COMO EXEMPLO

No tempo de Jesus, os publicanos eram desprezados: eram os cobradores de impostos para o ocupante romano que determinavam o preço das taxas a pagar... Posso interrogar-me sobre quem são os meus «publicanos», os homens desprezados devido às suas traficâncias. Serão os que fogem aos impostos? Um patrão que explora os empregados? Os políticos mentirosos?... Para atualizar a cena, posso imaginar um desses homens a rezar: «Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador»! E Deus acolhe-o! Então sim, também a mim, quem quer que eu seja, apesar das minhas falhas e pecados, Deus acolhe-me quando lhe imploro!



Sábado, 26: TENDE COMPAIXÃO DE MIM

A tradição ortodoxa propõe a repetição, de acordo com o ritmo da respiração, deste pedido: «Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, tende compaixão de mim, pecador». Com o publicano — e porque não com todos os que ontem evoquei —, posso, hoje, dizer esta oração, pedindo a Deus a graça de me abrir a ele e aos outros, quanto me sinto convencido de ser justo ou quando desprezo os outros.



Domingo, 27: A ALEGRIA DE DEUS: CHAMAR OS PECADORES

Não é fácil manter a fasquia que se coloca diante de nós: estar sempre voltado para Deus para lhe implorar, estar sempre pronto a acolher os irmãos sem os desprezar. Mas Jesus é nosso irmão e nosso Deus. Contemplá-lo remete-nos para o único movimento do serviço dos irmãos e da misericórdia de Deus. Como convida Santo Inácio, posso imaginar Cristo meu Senhor diante de mim, preso à cruz, reconhecendo que morreu pelos meus pecados. Posso interrogar-me sobre o que ele me pede e, por amor a ele, o que fazer ao serviço dos outros. Então, teremos a consciência de que vivemos do seu perdão e poderemos acolher aqueles com quem celebramos hoje como irmãos.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Rezar o domingo trigésimo (Ano C), no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.10.13 | comentários

PREPARAR O DOMINGOvigésimo sétimo domingo


No início de um (novo) ano pastoral dedicado à temática da fé celebrada, destacamos três aspetos que todo o cristão tem de integrar na sua vida: oração, fortaleza, fé.

Oração escutada

O profeta Habacuc levanta a voz para se queixar diante de Deus. Há muito tempo que lhe pediu auxílio e não teve resposta. A situação real está marcada pela violência e Deus não o salva. Abatem-se sobre ele um conjunto de calamidades que o fazem mergulhar numa profunda tristeza. Não acabam as discussões e as discórdias. E Deus continua em silêncio. Tudo isto pode facilmente traduzir-se nas situações que vivemos hoje a nível mundial ou local, eclesial ou pessoal.
Contudo, Deus responde. Não nos prazos fixados pelos humanos. Deus escuta sempre. Esta é a segurança que invade o crente. E Deus também responde sempre segundo a sua vontade. E esta há de ser também uma certeza para o crente. Deus conhece melhor o tempo oportuno para responder. O crente cede-lhe esse direito. Saber esperar, na confiança de ter sido escutado, é a atitude própria de quem reza. Quem pretende romper esta dinâmica transforma-se numa pessoa altiva, orgulhosa, dececionada. Pretende mudar ou ignorar os tempos de Deus. Então — diz o texto — converte-se numa pessoa insegura. Quem se confia aos tempos de Deus tem a atitude mais correta. O texto qualifica-o como justo. Nessa atitude de confiança e de fé encontra a voz de Deus e vai descobrindo a sua própria responsabilidade na petição que fez. É assim que Deus muda a realidade.

Convite a dar testemunho: 

fortaleza, caridade e moderação

O Espírito dado por Deus a Timóteo — e também dado a todos os cristãos — não é um Espírito de timidez ou de cobardia. É proveitoso recordar que essa força interior não é fruto dos nossos esforços. Pertence à nossa identidade cristã (que queremos redescobrir ao longo do plano pastoral). É uma oferta. A partir dela constrói-se o autêntico testemunho. Vale a pena sublinhá-lo para não errar o caminho. Ás vezes, confunde-se a fortaleza com a hostilidade. E embarcamos em aventuras alheias ao Evangelho. A fortaleza, unida à caridade e à moderação, deve-se manifestar na nossa vida, sem nos «envergonharmos» de Jesus Cristo, nem daqueles que trabalham pelo Evangelho. O texto sugere que vão aparecer contrariedades e sofrimentos na vida de quem se compromete com Jesus e com a sua mensagem. Mas a fortaleza de Deus é a melhor defesa e salvaguarda.

A fé

É curioso observar que as três leituras tocam o tema da fé. A primeira, no final do texto quando afirma que o justo, aquele que espera ativamente a resposta de Deus, viverá porque acreditou. Paulo pede a Timóteo que viva na fé e na caridade para guardar a sã doutrina que recebeu dele pela força do Espírito Santo. E, no evangelho, são os próprios discípulos que pedem a Jesus para lhes aumentar a fé.
Podemos sempre valorizar a autenticidade da nossa fé através das obras que realizamos. A fé aponta diretamente para as obras. Pois bem, só uma fé genuína faz emergir obras constantes e eficazes.
Em qualquer comunidade de fé pode-se cair no erro de valorizar as pessoas a partir de outros pontos de vista, talvez mais práticos e eficazes. E não seria justo deixar de agradecer as obras realizadas pelas pessoas que se comprometem em cada comunidade. Mas, no nosso contexto, é ainda mais justo destacar e valorizar a fé celebrada (e depois vivida), esse traço invisível do cristão que também a comunidade há de transformar em petição: «Aumenta a nossa fé». Estaremos assim alerta para agir em nome do Evangelho, com a simplicidade de quem sabe que fez o que devia. Eis as obras mais autênticas.

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Reflexão diária a partir do evangelho > > >
  • Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé» > > >



Preparar o vigésimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.10.13 | Sem comentários

Vigília de oração pela paz 

na Síria, no Médio Oriente e em todo o mundo


As orações que apresentamos fazem parte do guião da vigília de oração que decorreu na Praça de S. Pedro, no Vaticano, entre as 19h e as 23h, em favor da paz na Síria, no Médio Oriente e em todo o mundo. Este momento de oração foi convocado pelo papa Francisco, no dia 1 de setembro, antes da oração do «Angelus». 




Oração pela paz — João XXIII


Príncipe da paz, Jesus ressuscitado,
olha com benevolência para toda a humanidade.
É apenas de Ti que ela espera auxílio e conforto para as suas feridas.
Como nos tempos da tua vida terrena,
continuas a preferir os pequenos, os humildes, os que sofrem;
vais sempre à procura dos pecadores.
Faz com que todos Te invoquem e Te encontrem,
para terem em Ti o caminho, a verdade e a vida.
Concede-nos a tua paz,
Cordeiro imolado para nossa salvação:
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo,
dai-nos a paz!

Afasta do coração dos homens
tudo aquilo que pode comprometer a paz,
e confirma-os na verdade, na justiça e no amor fraterno.
Ilumina os dirigentes dos povos, para que
juntamente com as justas solicitações pelo bem-estar dos seus irmãos,
garantam e defendam o grande tesouro da paz;
estimula a vontade de todos a superar as barreiras que dividem,
a reforçarem os laços da mútua caridade,
a estar prontos a compreender,
a partilhar, a perdoar,
a fim de que no teu nome todos se unam,
e triunfe nos corações, nas famílias, no mundo inteiro a paz,
a tua paz.



Oração pela paz — Paulo VI


Senhor, Deus de paz, que criaste os homens,
objeto da Tua benevolência,
para serem os familiares da tua glória,
nós te bendizemos e te damos graças;
porque nos enviaste Jesus, teu Filho amantíssimo,
e fizeste d'Ele, no mistério da Sua Páscoa,
o artífice de toda a salvação,
a nascente de toda a paz, o laço de toda a fraternidade.

Nós te damos graças pelos desejos,
pelos esforços, as realizações
que o teu espírito de paz tem suscitado no nosso tempo,
para substituir o ódio pelo amor,
a desconfiança pela compreensão,
a indiferença pela solidariedade.

Abre ainda mais os nossos espíritos e os nossos corações,
às exigências concretas do amor
de todos os nossos irmãos
para que possamos ser sempre mais construtores de paz.

Recorda-te, Pai de misericórdia,
de todos aqueles que padecem,
sofrem e morrem no parto dum mundo mais fraterno.
Que para os homens de toda a raça e de toda a língua
venha o teu reino de justiça, de paz e de amor.
E que a terra seja repleta da Tua glória!



Oração pela paz — Beato João Paulo II


Deus dos nossos pais,
grande e misericordioso,
Senhor da paz e da vida,
Pai de todos,
Tu tens projetos de paz e não de aflição,
condenas as guerras
e abates o orgulho dos violentos.

Enviaste o teu Filho Jesus
para anunciar a paz aos que estavam perto e longe,
para reunir os homens de toda a raça e estirpe
numa única família.

Escuta o grito unânime dos teus filhos,
a súplica cheia de tristeza de toda a humanidade;
jamais a guerra, espiral de luto e de violência;
ameaça para as tuas criaturas
no céu, na terra e no mar.

Em comunhão com Maria, a Mãe de Jesus,
suplicamos ainda:
fala ao coração dos responsáveis dos destinos dos povos,
cessa a lógica das represálias e da vingança,
sugere com o teu Espírito novas soluções,
gestos generosos e respeitosos,
espaços de diálogo e de paciência.
Dá ao nosso tempo dias de paz.
Jamais a guerra. 



Oração pela paz — Bento XVI


Deus de todos os tempos,
na minha visita a Jerusalém,
a «Cidade da Paz»,
pátria espiritual de judeus, cristãos e muçulmanos,
apresento-vos as alegrias, as esperanças e as aspirações,
as provações, os sofrimentos e a dor
de todo o teu povo no mundo inteiro.

Deus de Abraão, Isaac e Jacob,
ouve o clamor dos aflitos, de quem tem medo,
de quem está privado de esperança;
envia a tua paz sobre esta Terra Santa,
sobre o Médio Oriente,
sobre toda a família humana;
estimulai os corações de quantos invocam o teu nome,
para que percorram humildemente
o caminho da justiça e da compaixão.
«O Senhor é bom para aqueles que nele esperam,
para quem o procura!» (Lamentações 3, 25)

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.9.13 | Sem comentários

A catequese no Laboratório da fé


A fé é saber que Deus nos ama. É acreditar que todos são amados, mesmo aqueles de quem não gostamos muito. Deus só nos pode amar e criou-nos para sermos participantes desta felicidade.
Acreditar também que Deus não quer nada em troca, não quer que o sirvamos nem o glorifiquemos. Ele não precisa de nós como servos nem como aduladores da sua infinitude.
Estes são os pressupostos maiores do nanoCredo. É urgente na catequese transmitir isto às crianças!
É urgente recuperar a imagem de Deus que salva todas as pessoas. É preciso outro catecismo, outra teologia, outra forma de se dirigir a Deus, outra forma de rezar.
É preciso dizer às crianças na catequese que na oração não devemos pedir nada, não devemos pedir perdão, não devemos pedir ajuda para os que precisam, não devemos até dizer “seja feita a tua vontade”. A nossa oração está profundamente deformada por uma imagem de um Deus poderoso e incompreensivo da realidade, que parece que ainda não está convencido do que somos e precisa que lhe peçam continuamente piedade e compaixão por nós.
A nanoOração é uma oração autêntica ao colocar a vida nas mãos de Deus que está ao lado e em cada um e que tem um grande respeito pela liberdade individual. É urgente fazer esta nanoOração com as crianças, na total confiança com o Pai. Acreditar que através da oração, Deus apoia-nos e encaminha-nos para o amor, mesmo na fraqueza e na imperfeição. Não podemos rezar com as crianças com outro pressuposto a não ser que a salvação é universal!
Não posso pedir mais para mim ou para aquele, não posso pedir a cura do meu próximo em prejuízo de todos os que precisam dela e por quem ninguém reza. A nanoOração é um agradecer contínuo, é deixar Deus ao nosso lado, falar-lhe sobre o que não entendo na realidade e confiar ilimitadamente.
Se a universalidade do amor de Deus é possível em mim, então ser igreja é aceitar a finitude, encontrar-se e participar na terra, com todos os que são diferentes de mim, na própria vida de Deus mediante a fé, a esperança e o amor.
O nanoCredo que persisto em narrar às crianças:
Creio na Igreja selvagem,
débil,
finita e misteriosa.
Professo o abandono
para amar os imperfeitos.
E espero no enigma do amor
e a vida será salva para todos
Amem.

© Luísa Alvim, catequista de coisas invisíveis na terra visível
© Laboratório da fé, 2013



NanoCredo


Creio
em ti,
pai maternal
amor poderoso,
criador do inútil e do imperfeito,
de todas as coisas nano e mínimas.

Creio no sorriso de Jesus nas crianças
Filho do mistério do amor
Pré-Natal desde sempre:
Deus em mim, Luz da Luz
Deus do imprestável de Deus dos cansaços;
Sem-abrigo, não acabado
Confiante ao Pai.
Por Ele tudo está inacabado.
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.

Também por nós foi desnudado sob o nosso desprezo
destruído
E foi lixo.
Ressuscitou como um jardineiro,
conforme a nanoPalavra;
E desceu aos infernos,
onde está sentado à direita do nada
de novo há-vir tocar-nos,
para amar os impotentes;
E a fome do pai não terá fim.


Creio no frágil,
Senhor que dá a diversidade,
nascido do vacilar e da certeza;
E com o silêncio é interrogado e duvidado:
ele que falou pelo vazio.


Creio na Igreja selvagem,
débil,

finita e misteriosa.
Professo o abandono
para amar os imperfeitos.
E espero no enigma do amor
e a vida será salva para todos.
Amem.




  • O nanoCredo publicado no Laboratório da fé [1] [2] [3] [4] [5]

Crianças na igreja, em oração, na catequese



catequista de coisas invisíveis na terra visível


Luísa Alvim, mãe de 3 filhos, sonhadora do impossível, é catequista de coisas invisíveis na terra visível, na paróquia de S. Victor, em Braga. Técnica superior na área de Biblioteca e Documentação na Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, desde 1995. Atualmente trabalha na Casa de Camilo - Museu e Centro e Estudos. Licenciada em Filosofia, pós-graduada em Ciências Documentais, Mestre em Ciência da Informação, e Doutoranda em Ciência da Informação e membro integrado do Centro e Investigação CIDEHUS na Universidade de Évora.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.7.13 | Sem comentários
— palavra para quarta-feira da primeira semana —



— Evangelho segundo Marcos 1, 29-39

Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.

— Levantou-se... retirou-se... começou a orar

Jesus foi um homem profundamente religioso. Mas vivia uma religiosidade diferente. Os evangelhos quando colocam Jesus em oração situam-no em lugares isolados. Os espaços de culto (sinagogas e templo) não são lugares onde Jesus vai para rezar, mas para ensinar aqueles que lá se encontram. Aí,  dava-lhes a conhecer a sua mensagem e a sua maneira de viver.
Jesus primeiro fazia; e só depois explicava ou propunha aos outros. Por isso, em Jesus Cristo a prática precede o discurso. O texto do evangelho começa por referir a prática: Jesus vai ao encontro de uma mulher doente, cura-a, bem como a todos os doentes que lhe apresentam naquele dia. No início do dia seguinte, Jesus «de manhã muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar». Era esta a maneira de viver de Jesus Cristo.
A religiosidade de Jesus transmite-se em primeiro lugar pelo exemplo, pela prática. Nisto consiste a autoridade de Jesus. Aliada a uma convicção muito profunda, que nasce da sua interioridade: a oração, a confiança no Pai. E agindo desta forma, Jesus dá a conhecer a sua religiosidade. 
Eis o caminho que tenho de seguir para ser cristão: atento às necessidades dos outros e profundamente unido a Deus. As teorias doutrinais (se forem necessárias) são apresentadas no final; e não antes da prática e do exemplo.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.1.13 | Sem comentários
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