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CELEBRAR O DOMINGO SEGUNDO DA QUARESMA


Até onde pode ir o amor? É uma questão que, normalmente, não se coloca porque, em geral, o amor (autêntico) não tem limites: «Amar é tudo dar» — disse Santa Teresinha do Menino Jesus. Sim, Deus deu-nos tudo (segunda leitura) e nós damos-lhe graças (salmo). Portanto, não é errado aceitar determinados sacrifícios para demonstrar o amor! Abraão conheceu essa provação (primeira leitura); e não a recusou. Ora, a Quaresma coloca-nos na «escola» de Abraão: a escola da fé, da confiança plena. A Palavra é-nos dada para consolidar a nossa fé e a nossa esperança. Deus fala-nos, escutemo-lo (evangelho)!

«Serão abençoadas todas as nações da terra»
O texto da primeira leitura proposto para o segundo domingo da Quaresma (Ano B) é uma das narrações mais estranhas em toda a Bíblia. Alguns considerá-lo-ão escandaloso: Deus dá uma ordem cruel a Abraão; e este responde com uma «obediência cega». É assim que temos de entender a fé?!
Antes de mais, convém esclarecer que o primeiro objetivo do texto é descrever uma evolução cultural (proposta por Deus): substituir o sacrifício de seres humanos, como acontecia em muitas das culturas daquele tempo e região, pelo sacrifício de animais.
Mas também há um objetivo relacionado com a temática da fé, da confiança em Deus, cujos caminhos, muitas vezes, são insondáveis.
Deus tinha prometido a Abraão que teria um filho — ele e a sua esposa já se encontravam em «idade avançada» — que seria herdeiro da promessa duma «numerosa descendência». A promessa cumpre-se: Isaac.
Ora, nesta narração, o ancião (e fiel) Patriarca é posto à prova: confia e obedece ao Autor do dom ou só aprecia o dom recebido? A questão central é: Abraão acredita em Deus em troca duma herança?
Abraão começa por escutar uma voz (Deus) que o chama pelo nome e lhe pede que entregue o seu filho. Sem mais indicações. E Abraão obedece, sem vacilar. Depois, outra voz — que, na verdade, é a voz de Deus através de um mensageiro (Anjo) — volta a chamá-lo pelo nome. A resposta é, de novo, imediata: «Aqui estou». Por fim, a voz constata: «Agora sei que na verdade temes a Deus».
Sim, Abraão demonstrou que tem mais confiança em Deus, do que desejo do dom. Assim se confirma e renova a promessa: «serão abençoadas todas as nações da terra».

Uma vez mais, temos de interpretar este texto com a chave da «História da Salvação». Deus não quer a destruição, mas a vida, como Noé teve ocasião de testemunhar (domingo passado). Mas os caminhos de Deus continuam insondáveis. A «escuta obediente» da voz de Deus é caminho de salvação, mesmo quando atravessada por paradoxos, momentos de dificuldade estrema.
Abraão recebeu o título de «pai dos crentes»: primeiro, porque esperou contra toda a esperança no cumprimento da promessa; depois, porque não recusou abdicar do próprio dom da promessa.
A fé é uma experiência tremenda que, às vezes, pode ter um custo elevado! E, para melhor o entender, precisamos de ler este texto à luz da plenitude da Sexta-feira da Paixão, quando o Pai entrega o seu Filho.

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo segundo da Quaresma (Ano B), no Laboratório da fé, 2015

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.2.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA


Fé, fidelidade, confiança: são palavras com significados muitos próximos («acreditar», «dar crédito»). Estas atitudes estão bem expressas nos textos bíblicos propostos para a festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José (Ano B). São características de Deus (salmo) que também devem ser características do crente, do cristão: Abraão é, por isso, o pai dos crentes ou o seu modelo (primeira leitura); a Carta aos Hebreus evoca os frutos dessa fé (segunda leitura). Quanto a Maria e a José, são fiéis Àquele que é o autor das leis (evangelho) e totalmente disponíveis à sua graça…

«Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar»
A primeira leitura coloca-nos perante a escuridão da noite de Abr(a)ão e de Sara: um casamento sem filhos para os amparar na velhice e dar continuidade à família.
Por isso, Abraão fala com Deus para expor a sua situação. Ao mesmo tempo, confia numa promessa divina que parece impossível. É o testemunho duma fé pura. Entretanto, Deus responde-lhe com um desafio: «Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar». O Deus de Abraão é paradoxal: as pessoas não podem contar as estrelas; mas podem acreditar.
Deus promete, e cumpre. Abraão passa à história como modelo para todos os crentes. Sim, a humildade crente de Abraão faz parte da história religiosa da humanidade. Abraão acredita e espera; Deus promete e cumpre.
A fé expressa a nossa disponibilidade para acolher a fidelidade de Deus (estamos a celebrar o Natal, isto é, o cumprimento mais surpreendente da fidelidade divina). É muito mais do que ter uma ideia clara sobre Deus (o seu ser e o seu agir). A fé faz-nos entrar no campo da experiência, uma experiência não raras vezes salpicada de dúvidas. Abraão, por cima de todas as razões humanas que o podiam levar a colocar em dúvida as palavras de Deus, acreditou. A sua confiança deslocou-se do crédito às suas dúvidas razoáveis para as palavras de Deus. Esta é a experiência mais autêntica que se pode ter de Deus. Só num clima de fé é que a palavra de Deus se converte em «recompensa», se transforma em realidade, se aproxima da verdade, se experimenta como fidelidade. O capítulo onze da Carta aos Hebreus é um testemunho vibrante da importância da fé (vivida) na relação com Deus.
No livro do Génesis, primeiro está a fé e só depois a narração do nascimento do filho Isaac. A criança recém-nascida é a revelação do amor e da fidelidade de Deus. A família converte-se em sinal da fé humana e do amor divino.

«A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei», 4).

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo da Sagrada Família (Ano B), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.12.14 | Sem comentários

INICIAR À ORAÇÃO 


Na terceira catequese sobre a oração, Bento XVI inicia um «percurso bíblico» cujo primeiro exemplo é retirado da intercessão de Abraão pelas cidades de Sodoma e Gomorra (Génesis 18, 16-33).
Abraão «põe em jogo uma nova ideia de justiça: não aquela que se limita a punir os culpados, como fazem os homens, mas uma justiça diferente, divina, que busca o bem e o cria através do perdão que transforma o pecador, o converte e o salva. Portanto, com a sua oração, Abraão não invoca uma justiça meramente retributiva, mas uma intervenção de salvação que, tendo em consideração os inocentes, liberte da culpa inclusive os ímpios, perdoando-os». Abraão exprime o desejo de Deus: «misericórdia, amor e vontade de salvação».
Infelizmente, «as cidades estavam fechadas num mal totalizador e paralisador, sem sequer poucos inocentes, a partir dos quais começar para transformar o mal em bem. Pois é precisamente este o caminho da salvação, que também Abraão pedia: ser salvos não quer dizer simplesmente evitar a punição, mas ser libertados do mal que habita em nós. Não é o castigo que deve ser eliminado, mas o pecado, aquela rejeição de Deus e do amor que já traz em si o castigo».
Então, é fundamental «uma transformação a partir de dentro, uma grande ocasião de bem, um início a partir do qual começar para mudar o mal em bem, o ódio em amor e a vingança em perdão. […] É uma palavra dirigida também a nós: que nas nossas cidades se encontre o germe do bem».



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Laboratório da fé celebrada: iniciar à oração, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.8.14 | Sem comentários

REZAR O DOMINGO SEGUNDO DA QUARESMA

16 DE MARÇO DE 2014


Génesis 12, 1-4a

Naqueles dias, o Senhor disse a Abraão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra». Abraão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado.



Sábado, 15: DEIXA A TUA TERRA

O desafio é claro e ousado: deixar tudo, abandonar tudo, e partir... para uma terra desconhecida, que será indicada mais tarde. Como é possível tal proposta? Mais: como é possível aceitá-la? «Abraão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado». Por isso, tornou-se um modelo de fé para os crentes num único Deus. Obrigado, Abraão, pela tua fé, pela tua coragem, pela tua confiança, pela tua entrega total.



Domingo, 16: SERÁS UMA BÊNÇÃO

«No caso de Abraão, a fé em Deus ilumina as raízes mais profundas do seu ser: permite-lhe reconhecer a fonte de bondade que está na origem de todas as coisas, e confirmar que a sua vida não deriva do nada nem do acaso, mas de um chamamento e um amor pessoais» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé – «Lumen Fidei», 11). No nosso caso, o domingo, a celebração da eucaristia, é a maior de todas as bênçãos, a maior fonte de bênçãos. Hoje, reunido em assembleia com os meus irmãos na fé, agradeço o testemunho de Abraão; e deixo-me envolver pela voz de Deus: «Este é o meu filho muito amado», a quem ofereço a minha bênção. E, ao longo da semana, viverei o domingo, como cristã/ão abençoada/o por Deus.



© Laboratório da fé, 2014

Rezar o domingo segundo da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.3.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO SEGUNDO DA QUARESMA

16 DE MARÇO DE 2014


Génesis 12, 1-4a

Naqueles dias, o Senhor disse a Abraão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra». Abraão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado.



Vocação de Abraão, pai do povo de Deus


O texto que a liturgia oferece para primeira leitura do segundo domingo da Quaresma (Ano A) não nos diz absolutamente nada da vida da pessoa de Abraão. De Sara só sabemos que era estéril (Génesis 11, 30). O Génesis só tem interesse pela nova vida, para a qual a voz inesperada de Deus convocou Abraão. O chamamento pede só uma resposta.
O relato nada nos diz das circunstâncias nas quais a voz foi escutada por Abraão; mas trata-se de um facto novo e irresistível, que situa, no núcleo da sua existência, uma promessa, um propósito e uma presença diferente. A palavra de Deus cria uma realidade nova na vida do patriarca.
A palavra pede-lhe que aceite a novidade absoluta: que vá para onde nunca tinha estado. Aqui começa a promessa de Deus que o há de levar até uma nova terra de promessa. A fé é a capacidade de arriscar o que conheces e está próximo pelo que ainda tem que ser dado por este inesperado falante.
A palavra convida Abraão a viver na esperança, a confiar em quem promete. A partir deste relato, a fé bíblica entra na dinâmica de um dom que ainda não tinha sido dado, de uma palavra que ainda não se tinha cumprido, de uma promessa que haveria de ser mantida. É a promessa de Deus, mantida pelo poder de Deus. A comunidade de Abraão é a beneficiária desta boa palavra, mas não é a administrador.
A promessa faz entrar uma bênção sem medida num mundo de maldição mortal. O caminho de Abraão terá consequências para todos os povos.
Abraão responde e a sua resposta recebe o nome de fé. A partir daí, começa uma viagem que será de novidade e de risco.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo segundo da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.3.14 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [15]


«Abraão [...] exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz» (João 8, 56). De acordo com estas palavras de Jesus, a fé de Abraão estava orientada para Ele, de certo modo era visão antecipada do seu mistério. Assim o entende Santo Agostinho, quando afirma que os Patriarcas se salvaram pela fé; não fé em Cristo já chegado, mas fé em Cristo que havia de vir, fé proclive para o evento futuro de Jesus [13]. A fé cristã está centrada em Cristo; é confissão de que Jesus é o Senhor e que Deus O ressuscitou de entre os mortos (cf. Romanos 10, 9). Todas as linhas do Antigo Testamento se concentram em Cristo: Ele torna-Se o «sim» definitivo a todas as promessas, fundamento último do nosso «Amen» a Deus (cf. 2Coríntios 1, 20). A história de Jesus é a manifestação plena da fiabilidade de Deus. Se Israel recordava os grandes actos de amor de Deus, que formavam o centro da sua confissão e abriam o horizonte da sua fé, agora a vida de Jesus aparece como o lugar da intervenção definitiva de Deus, a suprema manifestação do seu amor por nós. A palavra que Deus nos dirige em Jesus já não é uma entre muitas outras, mas a sua Palavra eterna (cf. Hebreus 1, 1-2). Não há nenhuma garantia maior que Deus possa dar para nos certificar do seu amor, como nos lembra São Paulo (cf. Romanos 8, 31-39). Portanto, a fé cristã é fé no Amor pleno, no seu poder eficaz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo. «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1João 4, 16). A fé identifica, no amor de Deus manifestado em Jesus, o fundamento sobre o qual assenta a realidade e o seu destino último.

[13] Cf. In evangelium Johannis tractatus, 45, 9: PL 35, 1722- 1723

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»] — pdf

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Refletir... saborear

  • A fé cristã tem o seu centro em Jesus Cristo
  • Jesus Cristo é a plenitude da Revelação e da fé
  • O Antigo Testamento orienta-se para Jesus Cristo
  • A salvação antes de Jesus Cristo acontece pela «fé em Cristo que havia de vir»
  • Jesus Cristo é a garantia de que Deus é fiel às suas promessas
  • Jesus Cristo é «o lugar da intervenção definitiva de Deus» 
  • Jesus Cristo é a «Palavra eterna» de Deus
  • Jesus Cristo é a presença do Amor pleno, capaz de transformar e iluminar o mundo
  • A (minha) fé tem como centro Jesus Cristo?
  • Qual é a importância do Antigo Testamento para os cristãos?
  • O que significa a entrada de Jesus Cristo na nossa história?
  • Porque é que Jesus Cristo é a «Palavra eterna» de Deus?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [11]


Há ainda um aspecto da história de Abraão que é importante para se compreender a sua fé. A Palavra de Deus, embora traga consigo novidade e surpresa, não é de forma alguma alheia à experiência do Patriarca. Na voz que se lhe dirige, Abraão reconhece um apelo profundo, desde sempre inscrito no mais íntimo do seu ser. Deus associa a sua promessa com aquele «ponto» onde desde sempre a existência do ser humano se mostra promissora, ou seja, a paternidade, a geração duma nova vida: «Sara, tua mulher, dar-te-á um filho, a quem hás-de chamar Isaac» (Génesis 17, 19). O mesmo Deus que pede a Abraão para se confiar totalmente a Ele, revela-Se como a fonte donde provém toda a vida. Desta forma, a fé une-se com a Paternidade de Deus, da qual brota a criação: o Deus que chama Abraão é o Deus criador, aquele que «chama à existência o que não existe» (Romanos 4, 17), aquele que, «antes da fundação do mundo, (...) nos predestinou para sermos adoptados como seus filhos» (Efésios 1, 4-5). No caso de Abraão, a fé em Deus ilumina as raízes mais profundas do seu ser: permite-lhe reconhecer a fonte de bondade que está na origem de todas as coisas, e confirmar que a sua vida não deriva do nada nem do acaso, mas de um chamamento e um amor pessoais. O Deus misterioso que o chamou não é um Deus estranho, mas a origem de tudo e que tudo sustenta. A grande prova da fé de Abraão, o sacrifício do filho Isaac, manifestará até que ponto este amor originador é capaz de garantir a vida mesmo para além da morte. A Palavra que foi capaz de suscitar um filho no seu corpo «já sem vida (…), como sem vida estava o seio» de Sara estéril (Romanos 4, 19), também será capaz de garantir a promessa de um futuro para além de qualquer ameaça ou perigo (cf. Hebreus 11, 19; Romanos 4, 21).

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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Refletir... saborear

  • Deus fala à experiência de Abraão
  • Abraão reconhece um apelo profundo
  • Deus associa a sua promessa à paternidade, geração da vida
  • Deus revela-se como a origem da vida (Paternidade)
  • A fé ilumina a profundidade do ser
  • A prova da fé, em Abraão, manifesta a garantia da vida
  • A fé de Abraão garante a promessa de um futuro
  • Reconheço, na Palavra de Deus, um apelo profundo inscrito no meu ser?
  • A fé ilumina todo o meu ser?
  • Que «provas» de fé já experimentei? Como me senti? Como as vivi?
  • A (minha) fé está associada a um chamamento e amor pessoais?
  • A fé em Deus, para mim, é uma garantia de vida?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [10]


A Abraão pede-se para se confiar a esta Palavra. A fé compreende que a palavra — uma realidade aparentemente efémera e passageira —, quando é pronunciada pelo Deus fiel, torna-se no que de mais seguro e inabalável possa haver, possibilitando a continuidade do nosso caminho no tempo. A fé acolhe esta Palavra como rocha segura, sobre a qual se pode construir com alicerces firmes. Por isso, na Bíblia hebraica, a fé é indicada pela palavra «‘emûnah», que deriva do verbo «‘amàn», cuja raiz significa «sustentar». O termo «‘emûnah» tanto pode significar a fidelidade de Deus como a fé do ser humano. O ser humano fiel recebe a sua força do confiar-se nas mãos do Deus fiel. Jogando com dois significados da palavra — presentes tanto no termo grego «pistós» como no correspondente latino «fidelis» –, São Cirilo de Jerusalém exaltará a dignidade do cristão, que recebe o mesmo nome de Deus: ambos são chamados «fiéis» [8]. E Santo Agostinho explica-o assim: «O homem fiel é aquele que crê no Deus que promete; o Deus fiel é aquele que concede o que prometeu ao homem» [9].

[8] Cf. Catechesis, V, 1: PG 33, 505A
[9] Enarratio in Psalmum, 32, II, s. I, 9: PL 36, 284


A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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  • Abraão acolhe a Palavra (de Deus) com confiança
  • Abraão acolhe a Palavra (de Deus) como uma rocha segura
  • Em hebraico, a «fé» está relacionada com o termo «sustentar»
  • A fé pode exprimir uma dupla fidelidade: de Deus e do ser humano
  • A fé, para mim, está relacionada com a confiança? Porquê?
  • A Palavra de Deus, na minha vida, é uma rocha segura?
  • Porque é que os hebreus associam a fé com o termo «sustentar»?
  • Deus também tem fé?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [9]


Esta Palavra comunica a Abraão um chamamento e uma promessa. Contém, antes de tudo, um chamamento a sair da própria terra, convite a abrir-se a uma vida nova, início de um êxodo que o encaminha para um futuro inesperado. A perspetiva, que a fé vai proporcionar a Abraão, estará sempre ligada com este passo em frente que ele deve realizar: a fé «vê» na medida em que caminha, em que entra no espaço aberto pela Palavra de Deus. Mas tal Palavra contém ainda uma promessa: a tua descendência será numerosa, serás pai de um grande povo (cf. Génesis 13, 16; 15, 5; 22, 17). É verdade que a fé de Abraão, enquanto resposta a uma Palavra que a precede, será sempre um ato de memória; contudo esta memória não o fixa no passado, porque, sendo memória de uma promessa, se torna capaz de abrir ao futuro, de iluminar os passos ao longo do caminho. Assim se vê como a fé, enquanto memória do futuro, está intimamente ligada com a esperança.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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  • A palavra que Deus dirige a Abraão contém um chamamento e uma promessa
  • Um chamamento:
    — sair da sua terra
    — dar um passo em frente
    — uma vida nova
    — iniciar um êxodo para um futuro inesperado
  • Uma promessa:
    — descendência numerosa
    — pai de um grande povo
  • A fé de Abraão manifesta-se no caminhar, «na medida em que caminha»
  • A fé de Abraão é um ato de memória que abre ao futuro, ilumina os passos
  • A fé é uma esperança (continua...)
  • Porque é que Deus pede a Abraão para sair da sua terra?
  • Porque é que Deus promete a Abraão uma grande descendência?
  • A fé, para ti, contém memória (passado) e futuro?
  • Que relação existe entre a fé e a esperança?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.8.13 | Sem comentários

Carta encíclica sobre a fé [8]


A fé desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história. Por isso, se quisermos compreender o que é a fé, temos de explanar o seu percurso, o caminho dos homens crentes, com os primeiros testemunhos já no Antigo Testamento. Um posto singular ocupa Abraão, nosso pai na fé. Na sua vida, acontece um facto impressionante: Deus dirige-lhe a Palavra, revela-Se como um Deus que fala e chama-o por nome. A fé está ligada à escuta. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz. Deste modo, a fé assume um caráter pessoal: o Senhor não é o Deus de um lugar, nem mesmo o Deus vinculado a um tempo sagrado específico, mas o Deus de uma pessoa, concretamente o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, capaz de entrar em contacto com o ser humano e estabelecer com ele uma aliança. A fé é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama por nome.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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  • O primeiro capítulo deste documento intitula-se «acreditámos no amor» (cf. 1João 4, 16)
  • O Papa põe em destaque a figura de Abraão, «nosso pai na fé»
  • A fé tem um caráter histórico: Deus vem ao encontro do ser humano
  • A fé está ligada à escuta: Deus fala ao ser humano
  • A fé assume um caráter pessoal: Deus é «o Deus de uma pessoa»
  • A fé é uma resposta: Abraão acolhe o chamamento de Deus (continua...)
  • Acredito no amor?
  • Quem foi Abraão? Conheço a sua história?
  • A fé está ligada à escuta, porquê?
  • Porque é que o Papa refere «o Deus de Abraão, Isaac e Jacob»?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.8.13 | Sem comentários
— A missão no laboratório da fé —

Numa das minha visitas às comunidades da missão de Ocua, no Norte de Moçambique tive a oportunidade de conversar com o chefe da mesquita local. Era um velho muito simpático que com muita gentileza veio-me saudar. Pedi-lhe que se sentasse e conversasse um pouco comigo. Contou-me as novidades de casa e da sua comunidade muçulmana e eu contei-lhe como estavam as comunidades cristãs na missão de Ocua. Chegamos à conclusão que onde há pessoas há problemas e alegrias.



Nunca pensei que um sacerdote muçulmano e um sacerdote católico conversassem como velhos amigos sobre assuntos que noutros tempos eram blasfémias para ambas as partes. Como é belo entrever no outro crente um irmão a conhecer, respeitar e a amar, para darem – em primeiro lugar naquela terra – um bom testemunho de serena convivência entre filhos de Abraão. Tanto eu como o Alid Abdul (sacerdote da Mesquita de Ocua) professamos seguir a fé de Abraão e adoramos o Deus único e misericordioso. Em vez de instrumentalizarmos em conflitos sem fim, injustificáveis para um verdadeiro crente – abrimos a porta da nossa vida com um coração puro, deixando que a paz nos alcance e o respeito e tolerância nos abrace.
A conversa ia percorrendo o seu caminho habitual quando de repente dei-me conta de que estávamos a conversar sobre o Deus verdadeiro e o sentido da vida. Nem ele nem eu dissemos o nome desse Deus.
Na sua simplicidade o chefe da mesquita disse-me com os olhos a brilharem e com um sorriso profundo: «sabe padre, o Deus verdadeiro encontra-se no meio dos pobres, nas maravilhas da natureza, no meio da simplicidade das vidas que tocamos... e ai encontramos o sentido da vida, porque encontramos Deus». Nunca imaginei ouvir aquelas palavras tão sábias, sobre as quais tenho meditado muito... É no meio da humildade, nos gestos pequenos e no silêncio que os pobres nos oferecem que lá podemos descobrir Deus. Dizia ainda aquele velho muçulmano: «muitos homens são infelizes, porque trocaram Deus por uma mentira que eles próprios inventaram».
Todo o ser humano procura um sentido para a sua vida, um caminho que o ajude a ser feliz. Todos andamos à procura de um sentido verdadeiramente real que nos possa encher o coração, que nos dê vontade para abrir os olhos cada manhã e olhar com confiança o dia que Deus nos dá. Dentro de cada um de nós há sempre um desejo de ser melhor, de amar mais os outros, de realizar qualquer coisa de diferente. Contudo, o corre-corre da vida dá-nos uma rotina tão complexa, que não nos dá tempo para pensarmos no que andamos a fazer, para descobrirmos o Deus verdadeiro, que nos habita...
Há bastante tempo que todos os dias de manhã e de tarde sigo um conselho daquele sacerdote muçulmano, que me disse como uma confidência, como sendo um dos seus maiores segredos para começar e terminar o dia a pensar no Deus verdadeiro e no sentido da sua vida. Dizia ele: «padre todas as manhãs contemplo o nascer do dia, encho-me daquela beleza e faço uma promessa a Deus para cumprir naquele dia. Quando chega o pôr-do-sol volto a contemplar aquela maravilhosa despedida do sol e agradeço a Deus a realização da promessa ou peço-lhe perdão por não a ter realizado». A contemplação destas maravilhas de Deus ajuda-me a encontrar e a descobrir o Deus verdadeiro na natureza e no meio dos pobres, porque a minha promessa a Deus é sempre a mesma: «Deus, hoje vou ser mais acolhedor, vou dialogar mais para me encontrar e encontrar-Te no meio dos meus irmãos».
Muitos seres humanos têm dificuldades de encontrar o Deus verdadeiro, porque não sentem a experiência d’Ele nas suas vidas, porque nunca pararam para contemplar as maravilhas de Deus, porque nunca falam com Ele da sua vida. Deus é tanto ou mais para eles na medida em que os próprios são para Deus.
Para alguns Deus não passa de uma utopia humana, para vivermos felizes com essa ideia. Não querem que a ideia de Deus os inquiete e por isso ignoram-no ou dizem que Ele é um mito ou uma utopia da fraqueza humana. Para estes Deus é uma espécie de juiz que eles não querem enfrentar, por isso o mais fácil é negar a Sua existência. Negando Deus negam-se a si próprios.
Quando não procuramos Deus, a vida é um lugar frio, rotineiro, azedo, viciado e cáustico. Em que a pessoa sente, a escuridão de si mesmo, a opressão e o horror da falta de sentido, vê a sua vida como um nada a ser lavada no mundo do absurdo e do desencanto. Perde o horizonte e a referência que lhe dava segurança. Perde por momentos calor humano da vida. Então sente o frio do abandono e da tristeza. Tudo parece perdido. É como uma gaivota que voa sem rumo...
Não existe nenhum remédio para descobrir o Deus verdadeiro. Existe sim uma vontade muito forte dentro de cada um de nós de se encontrar e de O encontrar. O segredo é não deixar apagar esse lume que arde dentro de cada um de nós e fazer qualquer coisa para ele se mantenha vivo. O Deus verdadeiro está aí, não lhe armemos mentiras para vivermos sossegados. Como se Ele nunca se tivesse revelado, como se nunca tivéssemos tido um momento de verdadeira felicidade por O termos encontrado. Ninguém o descobre de uma vez só. Eu continuo na descoberta...

Padre João Miguel Torres Campos

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.11.12 | Sem comentários
— leitura partilhada — 

— A fé desafia a abrir-se às surpresas de Deus, 
afirma o padre José Tolentino Mendonça,
no livro «O tesouro escondido», ed. Paulinas:

«A Fé começa por ser, precisamente, desafio a transcendermos a resolução individual da nossa existência, ou as formas pretensamente definitivas que construímos para ela, e nos abrirmos, até ao fim, ao impacto das surpresas de Deus. [...] Não há parques de estacionamento espirituais».



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.10.12 | Sem comentários
A primeira afirmação de fé, no «Símbolo Niceno-Constantinopolitano», é «Creio em um só Deus». Fica bem claro que acreditamos num único Deus ou num Deus uno, «um só Deus». Mas o Deus que Jesus Cristo nos revela não é também Trindade?! Não são três as pessoas divinas?! Hoje, vamos tentar ajudar a compreender, ou melhor, vamos aprender a acolher, pela fé, esta realidade divina: «um só Deus». [Para ajudar a compreender melhor, ler: Êxodo 3, 13-15; Catecismo da Igreja Católica, números 198 a 231] 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.10.12 | Sem comentários
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