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Mistério da fé! [38]


«Pela sua própria natureza, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados à procriação e à educação dos filhos, que constituem o ponto alto da sua missão e a sua coroa» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1652). O matrimónio é o sacramento da geração da vida. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Génesis 1, 26-31; Catecismo da Igreja Católica, números 1652 a 1666]

«Crescei e multiplicai-vos»

— é o mandato confiado pelo Criador ao ser humano, segundo o relato do primeiro capítulo do livro do Génesis. Estamos no sexto dia da Criação. Deus decide criar um ser que seja sua «imagem e semelhança»: «Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança’ [...]. Ele os criou homem e mulher» (versículos 26 e 27). Recordemos que «os primeiros capítulos do Génesis são uma meditação sapiencial sobre o ser humano nas suas três dimensões fundamentais: com Deus, com o mundo, com os seus semelhantes» (tema 37). Neste contexto, o homem e a mulher, iguais em dignidade, são chamados à fecundidade, à geração. «Com a criação do homem e da mulher à sua imagem e semelhança, Deus coroa e leva à perfeição a obra das suas mãos: Ele chama-os a uma participação especial do seu amor e do seu poder de Criador e de Pai, mediante uma cooperação livre e responsável deles na transmissão do dom da vida humana: ‘‘Deus abençoou-os e disse-lhes: ‘crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra’’’. Assim a tarefa fundamental da família é o serviço à vida. É realizar, através da história, a bênção originária do Criador, transmitindo a imagem divina pela geração de homem a homem (João Paulo II, Exortação Apostólica sobre a função da família cristã no mundo de hoje — «Familiares Consortio» [FC], 28).

Família

O Matrimónio é o sacramento da família. Esta tem o seu início na união entre o homem e a mulher e prolonga-se na geração e na educação dos filhos. «Os filhos são, sem dúvida, o maior dom do matrimónio e contribuem muito para o bem dos próprios pais» (Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual — «Gaudium et Spes» [GS], 50). Assim atestam os vários documentos da Igreja sobre o matrimónio e a família: «A fecundidade é o fruto e o sinal do amor conjugal, o testemunho vivo da plena doação recíproca dos esposos: ‘O autêntico culto do amor conjugal e toda a vida familiar que dele nasce, sem pôr de lado os outros fins do matrimónio, tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do Criador e Salvador, que por meio deles aumenta cada dia mais e enriquece a família’» (FC 28). Neste sentido, «a fecundidade é participação no mistério de Deus como fonte de vida em si mesmo e fora de si, no mistério do amor trinitário. Outrora, a fecundidade era uma bênção, mesmo económica. O sentido profundo é que o amor entre dois é princípio de vida nova, outra, de novo amor. O filho testemunha a fecundidade deste amor e exige, para viver e crescer bem, que continue aquele dom de si que está na sua origem. Um amor voluntariamente estéril não é verdadeiro amor; é, antes, um egoísmo a dois. E, contudo, a sociedade ocidental é cada vez mais estéril, tem cada vez mais medo de dar a vida. Neste contexto, é urgente descobrir o significado autêntico da procriação, e da paternidade e maternidade responsáveis» (Carlo Maria Martini, «O corpo», Paulinas, Prior Velho 2003, 68-69). Além disso, «a fecundidade do amor conjugal não se restringe somente à procriação dos filhos, mesmo que entendida na dimensão especificamente humana: alarga-se e enriquece-se com todos aqueles frutos da vida moral, espiritual e sobrenatural que o pai e a mãe são chamados a doar aos filhos e, através dos filhos, à Igreja e ao mundo» (João Paulo II, Exortação Apostólica sobre a função da família cristã no mundo de hoje — «Familiares Consortio», 28). Por outro lado, a Igreja não deixa de lembrar que o matrimónio não foi instituído apenas tendo em vista a geração dos filhos. «Os esposos a quem Deus não concedeu a graça de ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente falando. O seu Matrimónio pode ser foco duma fecundidade caritativa, de acolhimento e de sacrifício» (CIC 1654).

A família manifesta-se plenamente na união matrimonial do homem e da mulher: o «eu» e o «tu» abrem-se à comunhão do «nós» que, em si, já constitui um núcleo familiar. «E por isso, mesmo que faltem os filhos, tantas vezes ardentemente desejados, o matrimónio conserva o seu valor e indissolubilidade, como comunidade e comunhão de toda a vida» (GS 50).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.7.14 | Sem comentários
La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández

Deus é um pai amoroso que acolhe todas as pessoas, que está «louco de amor» por cada um de nós; mesmo que sejamos maus filhos, mesmo que nos custe aceitar o outro como irmão, porque é diferente, porque não é dos nossos, porque não é dos «bons»...
É um Pai que nos devolve a dignidade de «filhos de Deus», por muito que a tenhamos desbaratado; que está sempre à nossa espera com os braços abertos, que faz uma festa esplêndida quando voltamos, sem ter em conta o que fizemos, por mais grave que seja, por muito que se tenha sentido — com motivo — desprezado por mim e pela minha conduta. O que conta é o regresso. A alegria imensa é voltar a encontrar o filho, a filha, que se tinham perdido.
Mas também nos pede, aos que não saímos de casa, e que ainda não entendemos o amor gratuito do Pai, que tratemos o outro como irmão, como irmã: meu irmão, minha irmã. Ensina-nos a entender que o ser cristão ou ser cristã não é viver a vida de uma forma rotineira, seguir um costume, ir andando... A «Boa Notícia» de Jesus é que Deus é meu Pai e que cada ser humano é meu irmão. Isto é uma constatação e um desafio. Não posso ficar indiferente perante o que se passa com o meu irmão, com a minha irmã.

© Javier Velasco-Arias

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Reflexão diária a partir do evangelho > > >
  • Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrenda > > >



Preparar o vigésimo quarto domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.9.13 | Sem comentários

Encontro Mundial das Famílias: Jubileu das Famílias

Em Roma, Itália: outubro de 2000


No Ano 2000, para celebrar o Jubileu da Encarnação, o papa João Paulo II, promoveu vários encontros setoriais a que deu também o nome de «Jubileu». Assim decorreu o III Encontro Mundial das Famílias (outubro de 2000, em Roma, Itália) como «Jubileu das Famílias». No discurso de acolhimento, o Papa recordou o tema do encontro — «Os filhos: primavera da família e da sociedade» — explicitando que «os filhos são 'primavera' [...], representam o florescimento do amor conjugal». As dificuldades vividas pelas crianças motivadas pelas mais diversas causas foram também abordadas: «às vezes os filhos são sentidos mais como uma ameaça do que como uma dádiva». Também em relação às famílias em crise, «desfeitas», João Paulo II recordou que «a Igreja não se sente chamada a expressar um juízo severo e desinteressado, mas antes a fazer penetrar a luz da palavra de Deus em tantos dramas humanos, acompanhada do testemunho da sua misericórdia». Por fim, convidou os pais e as mães a proclamarem sempre o «valor da família e o respeito da vida humana».

1. É com grande alegria que vos dou as boas-vindas, caríssimas famílias aqui reunidas das mais diversificadas regiões do mundo! Saúdo também as famílias que, debaixo de todos os céus, se encontram agora unidas a nós mediante a rádio e a televisão, associando-se a este Jubileu das Famílias. [...]
Recentemente, tive a alegria de ir como peregrino a Nazaré, o lugar onde o Verbo se fez carne. Nessa visita levei todos vós no meu coração, rezando com ardor por vós à Sagrada Família, sublime modelo de todas as famílias.
E é precisamente o clima espiritual da Casa de Nazaré que desejamos reviver nesta noite. O grande espaço que nos congrega, entre a Basílica e a colunata de Bernini, serve-nos de casa, uma grande casa ao ar livre. Aqui reunidos como uma verdadeira família, «um só coração e uma só alma» (cf. Atos 4, 32), podemos intuir e fazer nosso o sabor doce e íntimo daquela casa humilde, onde Maria e José viviam entre oração e trabalho, e Jesus «lhes era submisso» (Lucas 2, 51), tomando gradualmente parte na vida comum.
2. Olhando para a Sagrada Família, casais cristãos, sois estimulados a interrogar-vos acerca das tarefas que Cristo vos confia, na vossa maravilhosa e comprometedora vocação.
Por isso, o tema do vosso Jubileu — «Os filhos: primavera da família e da sociedade» — pode oferecer-vos sugestões significativas. Não são precisamente as crianças que fazem uma espécie de «exame» contínuo aos pais? Não o fazem apenas com os seus frequentes «por quê?», mas com o seu próprio rosto, ora risonho, ora velado pela tristeza. Como que inscrito em todo o seu modo de ser há um interrogativo, que se exprime das maneiras mais diversas, por vezes mesmo através dos caprichos, e que poderíamos traduzir em perguntas como estas: mãe, pai, amais-me? Sou verdadeiramente um dom para vós? Aceitais-me como sou? Esforçais-vos por fazer sempre o meu bem genuíno?
Talvez estas perguntas se façam mais com os olhos que com as palavras, mas elas obrigam os pais à sua grande responsabilidade e, de certa forma, são-lhes o eco da voz de Deus.
3. Os filhos são «primavera»: qual é o significado desta metáfora escolhida para o vosso Jubileu? Ela leva-nos para aquele horizonte de vida, de cores, de luz e de cântico que é próprio da estação primaveril. Os filhos são tudo isto por natureza. Eles são a esperança que continua a florescer, um projecto que recomeça permanentemente, o porvir que se abre de forma incessante.
Representam o florescimento do amor conjugal, que neles se encontra e se consolida. Ao nascerem, trazem uma mensagem de vida que, em última análise, remete para o próprio Autor da vida. Necessitados de tudo como eles são, de maneira especial nas primeiras fases da existência, constituem naturalmente um apelo à solidariedade.
Não foi por acaso que Jesus convidou os discípulos a terem um coração de crianças (cf. Marcos 10, 13-16). Dilectas famílias, hoje quereis dar graças pelo dom dos filhos e, ao mesmo tempo, receber a mensagem que Deus vos transmite através da sua existência.
4. Infelizmente, como bem sabemos, a situação das crianças no mundo nem sempre é aquela que deveria ser. Em muitas regiões, e paradoxalmente nos países de maior bem-estar, ter filhos tornou-se uma opção decidida com grande perplexidade, muito além da prudência que é justamente necessária para uma procriação responsável. Dir-se-ia que às vezes os filhos são sentidos mais como ameaça que como dádiva.
Depois, o que dizer do outro triste cenário da infância ultrajada e explorada, para o qual chamei a atenção inclusivamente na Carta às Crianças?
Porém, nesta noite encontrais-vos aqui para dar testemunho da vossa convicção, fundamentada na confiança em Deus, de que é possível inverter esta tendência. Estais aqui reunidos para uma «festa da esperança», fazendo vosso o «realismo» concreto desta virtude cristã fundamental.
5. Com efeito, a situação das crianças constitui um desafio para a sociedade inteira, um desafio que interpela diretamente as famílias. Ninguém mais que vós, estimados pais, pode constatar quanto é essencial para os filhos poderem contar convosco, com ambas as vossas figuras paterna e materna na complementaridade dos vossos dons. Não, não é um passo em frente na civilização secundar tendências que obscurecem esta verdade elementar e pretendem afirmar-se também a nível legal.
Não são porventura as crianças já demasiado penalizadas pelo flagelo do divórcio? Como é triste para uma criança ter de se resignar a dividir o seu amor entre pais em conflito! Muitos filhos ficarão psicologicamente marcados para sempre devido à provação a que a divisão dos pais os submeteram.
6. Diante de inúmeras famílias desfeitas, a Igreja não se sente chamada a expressar um juízo severo e desinteressado, mas antes a fazer penetrar a luz da palavra de Deus em tantos dramas humanos, acompanhada do testemunho da sua misericórdia. Este é o espírito com que a pastoral familiar procura enfrentar também as situações dos fiéis que divorciaram e voltaram a casar-se. Eles não são excluídos da comunidade; pelo contrário, são convidados a participar na sua vida, percorrendo um caminho de crescimento no espírito das exigências evangélicas. Sem deixar de lhes revelar a verdade acerca da desordem moral objectiva em que se encontram e das consequências que daí derivam para a prática sacramental, a Igreja pretende demonstrar-lhes toda a sua proximidade maternal.
Cônjuges cristãos, estai certos disto: o Sacramento do matrimónio garante-vos a graça necessária para perseverardes no amor recíproco, do qual os vossos filhos têm tanta necessidade quanto do pão.
Hoje sois chamados a interrogar-vos sobre esta profunda comunhão entre vós, enquanto pedis a abundância da misericórdia divina.
7. Ao mesmo tempo, não podeis evitar o interrogativo essencial sobre a vossa missão de educadores. Tendo dado a vida aos vossos filhos, estais comprometidos também em acompanhá-los nas orientações e opções de vida, da maneira apropriada à sua idade, garantindo-lhes todos os seus direitos.
No nosso tempo, o reconhecimento dos direitos da criança conheceu um progresso indubitável, mas ainda é motivo de aflição a negação prática destes direitos, como se manifesta em numerosos e terríveis atentados contra a sua dignidade. É preciso vigiar, a fim de que o bem da criança seja colocado sempre em primeiro lugar. Desde o momento em que se deseja ter um filho. A tendência a recorrer a práticas moralmente inaceitáveis na geração trai a absurda mentalidade de um «direito ao filho», que tomou o lugar do justo reconhecimento de um «direito do filho» a nascer e depois a crescer de maneira plenamente humana. Como é diversa e meritória, ao contrário, a prática da adopção! Um verdadeiro exercício de caridade, que visa o bem dos filhos antes das exigências dos pais.
8. Caríssimos, comprometamo-nos com todas as nossas forças, em defender o valor da família e o respeito da vida humana, desde o momento da conceção. Trata-se de valores que pertencem à «gramática» fundamental do diálogo e da convivência humana entre os povos. Formulo votos veementes por que tanto os governos e os parlamentos nacionais como as Organizações internacionais e, de modo particular, a Organização das Nações Unidas, não deixem que esta verdade se extravie. A todos os homens de boa vontade, que acreditam nestes valores, peço que unam eficazmente os próprios esforços, para que eles prevaleçam na prática da vida, nas orientações culturais e nos mass media, nas opções políticas e nas legislações dos povos.
9. A vós, queridas mães, que tendes dentro de vós um instinto incoercível pela defesa da vida, dirijo um sentido apelo: sede sempre fonte de vida, nunca de morte!
A vós, pais e mães, digo: fostes chamados para a excelsa missão de colaborar com o Criador na transmissão da vida (cf. Carta às Famílias, 8); não tenhais medo da vida! Proclamai juntos o valor da família e da vida, pois sem estes valores, não há um futuro digno do homem!
O maravilhoso espectáculo das vossas tochas acesas nesta Praça vos acompanhe por muito tempo, como um sinal d'Aquele que é a Luz e vos chama a iluminar com o vosso testemunho o caminho da humanidade pelas vias do novo milénio!

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Papa João Paulo II
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.13 | Sem comentários
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