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PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEGUNDO

31 DE AGOSTO DE 2014


Jeremias 20, 7-9

Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me do­minastes e vencestes. Em todo o tempo sou objecto de escárnio, toda a gente se ri de mim; porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!». E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia.



Havia no meu coração um fogo ardente


O texto no seu contexto
. O profeta Jeremias acrescenta aos oráculos contra as nações ou contra os grupos humanos que manipulam a palavra de Deus ao seu belo prazer, uma exposição da sua intimidade. Uma das grandes atrações deste profeta é o facto de pôr por escrito, na primeira pessoa, as suas lutas com Deus. São bem conhecidas as chamadas «confissões» de Jeremias. O texto proposto para primeira leitura do vigésimo segundo domingo (Ano A) pertence à quinta (Jeremias 20 7-18), sem dúvida a mais dura se a lermos na totalidade (especialmente os versículos 14 a 18). O texto litúrgico apenas propõe o início da confissão. É a experiência de um homem que vive a vocação com tensão («Vós me seduzistes»), com luta interna («Vós me dominastes»), perante a qual cede finalmente («vencestes»). É curioso ver como não se vangloria da sua condição de anunciador da palavra divina; pelo contrário, ela é motivo de escárnio, insultos e zombarias.

O texto na história da salvação. Jeremias não é um «profissional» da Palavra de Deus, no seu sentido pejorativo, não faz dela o seu ofício nem a sua fonte de rendimentos. A própria fragilidade do profeta faz com que tenha a tentação de abandonar a sua missão, de ceder. Mas — e esta frase ultrapassa os limites da temporalidade — a palavra de Deus é «fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos», que não se pode conter. Desta forma, a voz profética atravessa toda a história da salvação.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. A palavra de Deus não vem pela carne (herança, entendimento), mas pelo dom de Deus (fogo abrasador e incontrolável). A experiência profética não se vende nem se compra, é um presente de Deus ao seu eleito.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo vigésimo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEGUNDO


Embora a resposta de Pedro sobre a identidade de Jesus seja correta (evangelho de domingo passado), a sua compreensão da mesma deixa muito a desejar. Jesus anuncia-lhes o final violento da sua vida, que há de padecer e que morrerá executado, embora também lhes antecipe a sua ressurreição; é a consequência previsível da sua vida e pregação. Mas Pedro, que não está disposto a aceita essa realidade, procura apartar Jesus desse destino. Não entende que esse final está indissoluvelmente unido à maneira de ser de Jesus, ao seu messianismo, que pouco antes tinha proclamado, ao seu estilo de vida. Procurar seguranças, tranquilidade, não complicar a vida, não «molestar» os poderosos, deixar de pregar a «boa nova» do Reino, renunciar a proclamar o amor de Deus aos pobres, doentes, pecadores, prostitutas e gente de má vida, significaria abandonar tudo aquilo que dá sentido à sua vida, mesmo que isso signifique morrer violentamente. Jesus está convencido, a experiência ensina-o, que esta forma de viver significa essa forma de morrer, mas Deus Pai está do seu lado, essa é a sua esperança e convicção.
Nós somos mais do estilo de Pedro. Gostamos da vida fácil e tranquila; e quando o evangelho de Jesus nos interpela, nos complica a existência, aparecem as crises. Falta-nos estar convencidos de que o estilo de Jesus vale a pena, que a vida tem sentido quando se gasta e se desgasta a viver a radicalidade do Evangelho.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


Preparar o domingo vigésimo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014



La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.8.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEGUNDO

31 DE AGOSTO DE 2014


Jeremias 20, 7-9

Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me do­minastes e vencestes. Em todo o tempo sou objecto de escárnio, toda a gente se ri de mim; porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!». E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia.



A palavra do Senhor tornou-se para mim 

ocasião permanente de insultos e zombarias

Este texto — primeira leitura do vigésimo segundo domingo, ano A — é um fragmento das chamadas «confissões de Jeremias». É uma lamentação com uma força impressionante. Na secção imediatamente anterior, o profeta fala do juízo severo do Senhor, não só contra o mundo dos «outros», mas também contra o mundo em que ele habita.
A partir deste fragmento entramos numa nova secção, íntima, na qual assistimos à sua conversação com o Senhor sobre o preço da sua missão pública.
A prece atinge o tom de um salmo de lamentação, que começa com uma queixa comovedora contra Deus. O profeta é objeto da hostilidade dos seus contemporâneos, mas no centro está o próprio Senhor, que o seduziu e se apoderou do profeta. Jeremias sente-se desamparado diante do poder do Senhor que é avassalador e irresistível. O profeta tem de falar contra Jerusalém e isso provoca uma hostilidade profunda; mas quando não fala — para evitar a hostilidade dos seus concidadãos — ainda se sente mais perturbado, porque a palavra de Deus é como um fogo que queima. Se fala, sente que o Senhor não o apoia; se fica calado, o Senhor não o consola.
Estamos perante o drama, que encontramos tantas vezes dentro das Sagradas Escrituras, do silêncio de Deus. Quando a sua presença e a sua solidariedade permanecem ocultas.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo vigésimo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.8.14 | Sem comentários
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