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CELEBRAR O DOMINGO DA EPIFANIA


É Natal, plenamente Natal! Com a Epifania — palavra que significa «manifestação» — o Natal recebe toda a sua plenitude: «os gentios recebem a mesma herança» (segunda leitura). Jesus Cristo não veio à terra apenas para os cristãos, mas para todos os seres humanos, homens e mulheres, para todas as nações, ricas e pobres, como recorda a profecia de Isaías (primeira leitura). Tal é a amplitude do mistério, «uma grande paz até ao fim dos tempos» (salmo): maravilha da salvação oferecida aos que, na noite, sabem levantar os olhos para ver a estrela e decidem pôr-se a caminho (evangelho). Para eles (e para nós), «uma grande alegria»!

«A sua glória te ilumina»
A primeira leitura proposta para o domingo da Epifania, retirada do profeta Isaías, expressa o mistério do dia com uma espécie de pregão: «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. […] As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora». A luz como sinal de salvação volta a ser o tema dominante. Em estreita sintonia com esta palavra usam-se termos como resplandece, brilha, ilumina, esplendor, aurora.
A terceira parte do livro de Isaías («Terceiro Isaías») serve-se da imagem de Jerusalém, símbolo da presença de Deus, para afirmar que todos os povos hão de ir ao encontro da cidade, o mesmo é dizer, de Deus. Apesar de humilhada ao longo da história (um dos principais exemplos dessa humilhação foi a destruição levada a cabo por Nabucodonosor e o consequente exílio para a Babilónia), agora, com a presença de Deus, Jerusalém atrairá a si todos os povos, todas as religiões, todas as culturas, todas as pessoas. E trazem consigo os seus melhores dons. A cidade de Deus voltará a ser o orgulho dos povos e nela reinará a justiça e a paz; nunca mais haverá noite, pois será iluminada pelo próprio Deus: «A sua glória te ilumina».
No contexto litúrgico, o trecho exprime o sentido da festa: a universalidade da salvação. O centro não é propriamente a cidade em si mesma, mas o facto de nela se manifestar a presença de Deus. A luz de Deus é para todos!
As palavras do profeta, carregadas de esperança, convidam os seus ouvintes a levantar o ânimo e a experimentar a misericórdia de Deus. Hoje, a profecia converte-nos em testemunhas do movimento de Israel da escuridão para a luz; do desespero para a esperança; da consternação para o bem-estar; da violência para a paz; do ódio para o amor.

Neste Ano Santo, Deus quer fazer brilhar a luz da sua misericórdia em cada pessoa. E quer precisar da nossa colaboração comprometida e alegre. Assim, o Natal desafia-nos a gerar amor. Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner).

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.16 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO QUARTO DE ADVENTO


A poucos dias do Natal, a Sagrada Escritura faz-nos saborear a visita de Deus. As coisas começam a ficar mais claras. O profeta do quarto domingo de Advento (Ano C), Miqueias, anuncia uma nova «reconstrução» após a ruína de Jerusalém. Agora, essa «reconstrução» surgirá a partir de Belém, graças ao aparecimento de um rei justo e pacificador (primeira leitura). O salmista convida a suplicar por esse rei, esse pastor, o próprio Deus: «Vinde em nosso auxílio»! Jesus Cristo incarna esse Deus Salvador: oferece-se ao Pai para cumprir a sua vontade (segunda leitura). Ele convida-nos a assumir a mesma disponibilidade. Maria é disso um exemplo: acolhe a Palavra e acredita no seu cumprimento (evangelho). Hoje, pela boca de Isabel, somos agraciados com a alegria da salvação.

«Altura em que der à luz aquela que há de ser mãe»
O Deus de Israel surpreende sempre: quanto tudo parece perdido, ou é simplesmente insignificante e marginal, Deus intervém e altera a realidade. Deus está sempre disposto a afugentar o pessimismo e a oferecer uma vida nova.
Os capítulos quinto e sexto do livro de Miqueias são, seguramente, posteriores à destruição de Jerusalém, no ano 587 antes de Cristo. Depois da devastação provocado pelos exércitos inimigos, pouca coisa se podia esperar do futuro do povo de Deus. Não parecia sequer possível que pudesse haver realmente uma nova manhã.
Contudo, a voz do profeta anuncia que a pequena cidade de Belém, casa ancestral da família de David, dará ainda outro personagem para a salvação do povo. Repete-se aqui a teologia do pequeno, do último, que, com frequência, aparece nos textos bíblicos.
A visita de Deus será inesperada e cheia de paradoxos: «As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos»; o presente está carregado de medo e de incerteza, mas há uma promessa de paz: «Ele será a paz». A paz é dom escatológico de Deus ao seu povo.
A profecia anunciada por Miqueias é a de um novo rei que libertará o povo de Deus da opressão: o nascimento de uma criança será o sinal do fim da escravidão do povo. Quando chegar a «altura em que der à luz aquela que há de ser mãe», os que estavam perdidos e dispersos serão reunidos na comunidade de fé e viverão em segurança.
Assinala-se que o novo rei da casa de David será um «pastor» cuja missão lhe é confiada «pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus».

As primeiras leituras dos domingos de Advento apresentam textos proféticos sobre a promessa da «visita» de Deus: «Farei germinar um rebento» (primeiro domingo); «Deus conduzirá Israel, na alegria… com a misericórdia» (segundo); «Deus está no meio de ti» (terceiro). Na proximidade do Natal, o Lecionário oferece um anúncio de Miqueias dirigido à cidade de «Belém-Efratá» (terra natal de David), uma pequena cidade que se tornará central no processo de «reconstrução» do povo. Aproxima-se o tempo do germinar do «rebento», essa «altura em que der à luz aquela que há de ser mãe». No Natal e Epifania será (melhor) esclarecida a profecia.

© Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR A DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DE LATRÃO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Reflexões e sugestões para alcançar o fruto de «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



A Igreja, em cada dia nove de novembro, celebra a festa da «Dedicação da Basílica de Latrão» (as orações tomam-se do «Comum da Dedicação de uma Igreja: No aniversário da Dedicação – 2. fora da Igreja dedicada», páginas 1004 e 1005). A basílica de Latrão é a catedral da diocese de Roma. Portanto, o Papa, que é o bispo de Roma, tem nesta basílica a sua sede, a sua cátedra (Sé Catedral). Todos recordamos vivamente a imagem do papa Francisco no dia da sua eleição quando se apresentou como «o bispo de Roma».
Este domingo corresponde ao aniversário da dedicação da basílica que aconteceu no dia nove de novembro de 324 pelo papa Silvestre I. Hoje, celebrar o seu aniversário é expressar a comunhão das Igrejas e comunidades locais com a Igreja fundada por Jesus Cristo sob o alicerce dos Apóstolos.
As leituras propostas para este dia («Leccionário Santoral», páginas 347 a 350) colocam a tónica do significado da palavra «templo». Através da visão de Ezequiel (primeira leitura), acolhemos a fonte da vida que brota do templo. Entretanto, surgirá um novo templo: o próprio Jesus Cristo (evangelho), ressuscitado e vivo no meio de nós. Jesus Cristo é o verdadeiro templo. Ele é o «lugar» da comunhão profunda entre os seres humanos e Deus. Ele, pela presença do Espírito, faz de nós templos de Deus (segunda leitura). Sim, Deus está connosco (salmo). Esta é a nossa fé, a nossa alegria!

«Haverá vida por toda a parte aonde chegar esta torrente»
O profeta Ezequiel, membro da família sacerdotal, foi deportado para a Babilónia no ano 597 por Nabucodonosor, juntamente com o rei de Judá e com as famílias aristocráticas judaicas.
A última parte do seu livro profético é destinada às imagens sobre a restauração do templo e do culto, no futuro. Neste contexto, vê que do vestíbulo do santuário nasce uma fonte de água que se converte numa torrente impetuosa que cura e dá vida às zonas mais áridas da terra santa. O profeta, no seu exílio na Babilónia, viu que a riqueza da cidade provinha em boa parte do rio. Então, contempla que a partir do lugar onde Deus manifesta a sua presença e onde se celebra o seu culto — o templo de Jerusalém já restaurado — nasce um manancial de água: «Haverá vida por toda a parte aonde chegar esta torrente». Ora, não se trata da humilde fonte de Siloé, que nascia na encosta da colina do templo, mas de um rio poderoso que enche tudo de vida, porque provém do lugar da presença de Deus Salvador e Senhor da vida.
A água que brotava do vestíbulo do templo, como nos explica o profeta, é a água que dá vida, que purifica até o Mar Morto e dá possibilidade de vida ao que parecia impossível de a ter. E sai do coração do lugar santo. A fonte sai da experiência da vida espiritual em comunhão com a Igreja. Este é o grande bem que podemos fazer quando, vivendo na profundidade da celebração e da comunhão com Deus, encontramos na eucaristia uma fonte de vida; e, depois, saímos dela com a vontade de dar a todos a vida que transportamos dentro de nós.

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar a Dedicação da Basílica de Latrão (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.11.14 | Sem comentários

CELEBRAR A COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Reflexões e sugestões para alcançar o fruto de «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



A Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos («Missal Romano», página 963 e seguintes) — que este ano acontece ao domingo, substituindo assim a liturgia do trigésimo primeiro domingo — torna presente todos aqueles e aquelas que fizeram caminho entre nós e que já não estão fisicamente connosco. «Na oração pelos defuntos, a Igreja manifesta a sua qualidade de Corpo de Cristo e vive a solidariedade com todos os membros deste corpo, inclusive com aqueles que já faleceram. Ao rezar pelos mortos, a Igreja também reza com eles» (Luciano Manicardi). Confiamos que Deus, pela sua bondade, os acolhe na vida nova e plena dos ressuscitados. Como recorda o «Prefácio dos Defuntos V» («Missal Romano», página 513): por dom maravilhoso da vossa bondade, Cristo, com a sua vitória, nos redime da morte, e nos chama a tomar parte na sua vida gloriosa». Trata-se de enfrentar a morte sem rodeios, mas com fé.
Como em todos os domingos, celebramos o mistério pascal de Jesus Cristo, pelo qual recebemos o dom da salvação e o fundamento da nossa esperança. É sempre a morte e ressurreição de Jesus Cristo que celebramos: uma celebração da vida! O Círio Pascal, sinal da Ressurreição, merece um lugar de destaque (na procissão de entrada para ser colocado junto do altar).
Neste dia de oração pelos e com os defuntos, a palavra de Deus ilumina e confirma a esperança da ressurreição. O «Leccionário Santoral» (páginas 332 a 342) sugere três Missas e possibilita ainda que as leituras sejam escolhidas de entre as que são propostas para as Missas pelos defuntos («Leccionário VIII», páginas 1069 a 1131).

«Revestido da minha pele, estarei de pé»
O livro de Job contém o grande debate do Antigo Testamento sobre a justiça de Deus: narra a paciência de um homem que no final é largamente recompensado por Deus. O conteúdo é ilustrado com uma série de diálogos entre Job e os seus amigos, que representam diversos aspetos da fé de Israel, evidenciando a incapacidade de dar uma resposta autêntica ao clamor de Job.
Job não se satisfaz com nenhuma das respostas dos seus amigos. As questões permanecem: Por que tenho de sofrer? Qual é o papel de Deus perante este mistério?
Na tradição bíblica, o defensor ou redentor é o familiar em quem recai diretamente o direito e o dever de proteger a pessoa e os bens do parente em dificuldade e de o vingar em caso de morte. Job acredita firmemente que o próprio Deus será o seu redentor (o texto refere-o com letra maiúscula), porque está convencido da sua própria inocência e da justiça divina. O seu «Redentor está vivo» e ativo — juiz e testemunha — e acabará por confirmar a «boa nova»: Job sabe que será ele mesmo — e não outros, como os amigos que falam sem saber — quem «verá» a Deus.
A confiança de Job permite-lhe afirmar: «revestido da minha pele, estarei de pé». Aliás, todas as afirmações de Job no texto proposto para primeira leitura (Job 19, 1.23-27a) sublinham a fé como a virtude que impede qualquer sinal de desespero, apesar da existência do sofrimento e da morte.

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.10.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO TRIGÉSIMO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Reflexões e sugestões para alcançar o fruto de «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



A palavra de Deus coloca-nos, no trigésimo domingo (Ano A), diante do essencial: o amor. De novo, os fariseus querem pôr Jesus Cristo à prova (evangelho). Enquanto eles colocam a questão do maior mandamento da Lei, Jesus Cristo prefere, sobretudo, mostrar como a vê, em toda a sua essência: o amor não tem limites. Deus está próximo de todos os pobres e excluídos; e convida-nos a fazer o mesmo, a praticar a misericórdia (primeira leitura). Ser exemplo, anunciar a palavra de Deus (segunda leitura), supõe o amor aos irmãos: a caridade vem de Deus e nunca nos afasta dele. O primeiro e o segundo mandamento são apenas um: amar, simplesmente amar. Então, a nossa oração não se pode esquecer de cantar (salmo) o amor de Deus e o amor a Deus.

«Escutá-lo-ei, porque sou misericordioso»
O fragmento proposto para primeira leitura do trigésimo domingo (Ano A), retirado do livro do Êxodo, pertence à coleção de leis mais antiga do Antigo Testamento. O Êxodo reporta-as ao contexto da aliança, o pacto que Deus ofereceu ao povo de Israel, através de Moisés, no Sinai.
Esta passagem contém duas ordem expressas no negativo — «não prejudicarás... não maltratarás» — seguidas de um comentário. O primeiro mandamento protege os estrangeiros que vivem no meio do povo de Israel. São pessoas muito vulneráveis, sem direito de cidadania. A segunda ordem protege as viúvas e os órfãos: as mulheres e as crianças que perderam o seu protetor masculino encontram-se expostas a todo o tipo de abusos. Os comentários às leis são muito interessantes. O que se refere aos imigrantes remete para a tradição do Êxodo. Da mesma maneira que Israel foi protegido quando era marginalizado, assim também há de agir com os desfavorecidos. A memória do Êxodo, o ato libertador de Deus por antonomásia, há de ser sempre um fundamento da ética.
A segunda parte do texto refere-se aos pobres e é muito radical: a atividade económica há de ser regulada pelo princípio da solidariedade comunitária. Os israelitas não podem ser como os outros banqueiros; têm de ser diferentes: não se pode «brincar» com a miséria. A lei não fala diretamente de uma economia lucrativa; simplesmente exige que se cuide da vida do pobre. Essa sim, há de estar acima de todos os interesses. A garantia é dada pelo próprio Deus, que se mostra disposto a escutar o clamor e a exercer a misericórdia: «Escutá-lo-ei, porque sou misericordioso». Atua sempre como um Deus de graça.

A palavra «eucaristia» significa «dar graças», dizer obrigado (agradecer). Os mais novos (crianças e adolescentes da catequese, por exemplo) podem fazê-lo, na celebração, com as suas próprias palavras ou gestos, de acordo com a criatividade de cada um (de cada grupo). A «Oração Eucarística para as Missas com crianças II» («Missal Romano», página 1331 e seguintes) coloca em evidência o tema do amor e da gratidão pelo amor recebido: «Glória a Vós, Senhor, que tanto nos amais». E a introdução ao gesto da paz merece ser feita a partir do (duplo) mandamento do amor!

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo trigésimo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.10.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO NONO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Reflexões e sugestões para alcançar o fruto de «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Jesus Cristo tinha dado uma resposta aos fariseus que contestavam a sua autoridade. Mas eles não se rendem e armam-lhe uma cilada: interrogam-no sobre a relação do crente com a autoridade política, a delicada questão do imposto romano (evangelho). Cilada que Jesus Cristo desmonta com habilidade: o que tem a «imagem» e a «inscrição» de César pertence-lhe; mas a liberdade do ser humano, que é imagem de Deus, pertence a Deus. O rei Ciro (primeira leitura) compreendeu bem esta pertença; e vai possibilitar a libertação dos exilados. Pois bem, esta pertença a Deus faz-nos dar-lhe a «glória do seu nome»: Deus é «digno de louvor» (salmo). Uma coisa é certa: não é preciso opor deliberadamente a política à religião! O que está em causa é nunca esquecer a «atividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança» (segunda leitura).

«Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim não há Deus»
O Deus de Israel atua na história do seu povo e de todas as nações. Segundo a perspetiva de Isaías (Deutero-Isaías ou Segundo Isaías), houve duas grandes intervenções de Deus: a libertação de Israel, escravo no Egito, através da travessia do mar (que se dividiu em dois para deixar passar o povo rumo à liberdade, à Terra Prometida); e, agora, naquele preciso momento histórico da vida do povo e do profeta, com o chamamento de um rei pagão, Ciro da Pérsia, «ungido» com a missão de conquistar Babilónia e oferecer aos judeus exilados há cinquenta anos o regresso à Terra Prometida.
Isaías, no exílio, entende que o futuro de Deus no mundo não ficará limitado ao horizonte de Israel, de tal forma que pode afirmar que Deus confia uma missão libertadora — salvífica — a um pagão. Este facto surpreendente é, de alguma maneira, um prelúdio da afirmação central da fé cristã: Jesus Cristo, um desconhecido sem credenciais perante as autoridades do povo de Israel, realiza a obra salvadora de Deus, através da sua morte na cruz. O escândalo é absoluto.
O texto de Isaías destaca que o futuro que Deus tem preparado para Israel não será levado a cabo da maneira que os judeus exilados esperavam ou preferiam. O plano de Deus supera tudo o que é imaginável, pois Ciro nem sequer conhecia o Deus de Israel. Mas este esquema tão complexo de política internacional, que supõe a queda de impérios e a possibilidade de liberdade para um povo como Israel, foi feito «por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito». Assim, tudo isto ocorrerá «para que se saiba, do Oriente ao Ocidente, que fora de Mim não há outro. Eu sou o Senhor e mais ninguém». Deus revela-se como o Criador de todas as coisas, o único Senhor: «Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim não há Deus».

Na sequência da Liturgia da Palavra, que já dá glória a Deus (salmo), a Liturgia Eucarística é louvor e ação de graças. Seguindo a indicação de Jesus Cristo — «dai a Deus o que é de Deus» — é oportuno o uso da «Oração Eucarística V/B» («Missal Romano», página 1163 e seguintes). Além disso, porque se trata também do Dia Mundial das Missões pode fazer-se uso das orações para a «evangelização dos povos» («Missal Romano», página 1208 e seguintes).

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo vigésimo nono (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.10.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO OITAVO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Reflexões e sugestões para alcançar o fruto de «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



O antegozo do Reino de Deus dado a conhecer nas leituras bíblicas propostas para o vigésimo oitavo domingo (Ano A) é particularmente interessante: um banquete preparado para todos os povos (primeira leitura); um banquete nupcial (evangelho); bem-estar e descanso (salmo). São, após a imagem da vinha dos domingos anteriores, imagens bíblicas importantes para exprimir a união entre Deus e o seu povo, e para anunciar a salvação. A grande parábola dos «convidados para as bodas» é, mais uma vez, uma resposta de Jesus Cristo aos «príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo», que contestavam a sua autoridade. A parábola do Reino é parábola de julgamento: para ser «escolhidos» revistamo-nos da alegria do Evangelho e convidemos para a nossa mesa todos aqueles e aquelas que nada têm, certos de que «Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades» (segunda leitura).

«Um banquete de manjares suculentos»
O profeta faz-nos contemplar uma realidade surpreendente: a prodigiosa e generosa ação de Deus. Estes versos indicam a vinda em plenitude do Reino de Deus. Trata-se de uma visão portentosa dum mundo no qual o Reino de Deus é uma realidade sem restrições.
A imaginação profética situa-o «sobre este monte» — a montanha de Sião, Jerusalém, tão amada nas Sagradas Escrituras. Este é o lugar no qual se celebrará a grande festa, o banquete de Deus, para o qual todos os povos serão convidados.
Aí, a dor que atenaza a humanidade será destruída para sempre: «destruirá a morte para sempre». Aí, a morte não é a consciência de que todos hão de morrer, mas uma força ativa de negatividade que atua contra a vida, a pessoa e a comunidade. Essa morte, Deus a «destruirá». Então, já não haverá lágrimas, nem causa de tristeza, nem ocasião para lamentações. O poeta fala duma transformação radical e completa: é uma maneira de tornar ativa, no presente, a certeza do futuro de Deus.
Segundo a descrição, o banquete é um dom dirigido a todos. É uma mensagem de esperança. É um banquete para celebrar o amor de Deus pelos seres humanos. Mais tarde, Jesus Cristo mostra que os primeiros convidados são os que parecem estar mais próximos do rei, mas na verdade são os que se encontram mais afastados; portanto, são os que recusam celebrar o amor! Então, convidar os que se encontram nas «encruzilhadas dos caminhos» é abrir a festa a todos. Hoje, somos todos «convidados para a Ceia do Senhor»!

A simbólica dada a conhecer na Liturgia da Palavra pode manter-se na Liturgia Eucarística, quer na preparação um pouco mais cuidada do altar (a mesa do banquete pascal), quer nos textos escolhidos (a «Oração Eucarística II das Missas da Reconciliação» — «Missal Romano», páginas 1320 e seguintes — sublinha muito bem a tensão entre o «já» e o «ainda não» do Reino de Deus: «Vós que nos reunistes à vossa mesa para participarmos no pão da vida e no cálice da salvação, congregai um dia na unidade perfeita os homens de todos os povos […] para que, no banquete da nova Jerusalém, gozem eternamente a plenitude da paz»).

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo vigésimo oitavo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.10.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO SEXTO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Deus ama-nos e quer dar-nos a vida

O chamamento de Deus, o convite à conversão, às vezes, pode-nos parecer demasiado exigente. Se bem que chegamos a dizer «sim» da boca para fora, mas não correspondemos com o nosso coração (evangelho). E a resposta transforma-se efetivamente em «não». Contudo, o profeta Ezequiel recorda-nos a palavra sempre fiel de Deus: sim, o Senhor ama-nos e quer dar-nos a vida (primeira leitura). Ele envolve-nos com a sua misericórdia e guia-nos pelo caminho certo (salmo). Pois, se Deus deseja a nossa conversão é porque nos quer oferecer o seu Reino de justiça e de paz. Paulo desafia-nos a entrar nesta «lógica» do amor (segunda leitura), para, com alegria e humildade, nos deixarmos amar por Deus.



Fé celebrada com a comunidade


  • A Liturgia da Palavra do vigésimo sexto domingo (Ano A) insiste: hoje, em cada momento, seja qual for o meu passado — mesmo que me tenha acostumado a dizer «não» —, Deus convida-me a dizer «sim», a «abrir os olhos» para percorrer o caminho da vida. 
  • A Liturgia Eucarística recorrendo ao «Prefácio dos Domingos do Tempo Comum VII: A salvação pela obediência de Cristo» estará em sintonia com a Carta aos Filipenses (segunda leitura). E a «Oração Eucarística II» («Missal Romano», página 524 e seguintes), que dá graças porque fomos escolhidos para servir, recorda, segundo o evangelho, aqueles e aquelas que aceitaram o convite para ir trabalhar na vinha.



© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo vigésimo sexto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.9.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO QUINTO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Os meus pensamentos não são os vossos

O vigésimo quinto domingo (Ano A) convida-nos a converter o nosso olhar e o nosso coração para acolher os pensamentos de Deus (primeira leitura) e viver da sua vida (segunda leitura): tenhamos confiança, Deus é cheio de amor e justo em tudo o que faz (salmo). Por isso, embora surpreendentes, não são descabidas as perguntas do dono da vinha: «Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?» (evangelho). Estas correspondem à misericórdia do Pai que é «bom para com todos» (salmo), com particular atenção pelos mais débeis do nosso mundo, convidando-os a participar da sua bondade. «Felizes os convidados para a Ceia do Senhor» — é o convite que recebemos de Deus, antes de nos aproximarmos para receber o pão eucarístico, com uma atitude de conversão sincera e com uma vida «digna do Evangelho de Cristo» (segunda leitura). Deus retribui com profusão os seus dons a qualquer hora, idade ou situação. Esta é a esperança, quando muitos se lamentam pelo abandono da fé por parte dos seus filhos ou netos. Nunca é demasiado tarde para invocar o Senhor, pois Ele «está perto» (primeira leitura), sempre!



Fé celebrada com a comunidade

Em tempo de vindimas, o evangelho vai evocar, durante três domingos, a imagem bíblica da vinha. Símbolo fecundo do amor de Deus, a vinha está no centro da mensagem de Jesus Cristo para evocar certos aspetos do Reino dos Céus ou as exigências de quem quer entrar nele. Uma bela ocasião para, sem cair no ridículo, ornamentar o espaço litúrgico com alguns elementos que remetam para as videiras e as vinhas. Caso se trata de uma comunidade onde as vindimas são uma realidade muito presente pode-se, ainda, adaptar a Liturgia Eucarística para sublinhar a gratidão pelas uvas recolhidas e pelo vinho produzido, «fruto da videira e do trabalho do homem». Nesta situação, sugere-se o uso do «Prefácio dos Domingos do Tempo Comum V: A Criação» («Missal Romano», página 480).



© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo vigésimo quinto (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.9.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO QUINTO DE PÁSCOA

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



O serviço às mesas

O texto dos Atos dos Apóstolos proposto para primeira leitura do quinto domingo de Páscoa (Ano A) põe em destaque, no percurso da Igreja nascente, que o caminho das obras do amor não pode ficar esquecido, nem internamente, na própria comunidade, nem muito menos nem exteriormente. E não é apenas uma atitude pessoal (que também é), mas tem de ser também uma solicitude organizada na comunidade. Diz-nos o texto que é por isso que nascem os denominados «diáconos», embora quando os vemos a agir damos conta que também eles fazem o mesmo que os apóstolos tinham dito que não podiam deixar de fazer: o ministério da pregação da palavra e a oração. Este é o tríplice ministério da missão a Igreja, em todos os tempos. Sem estes dois, a caridade ficaria esvaziada de sentido. A Palavra e o Sacramento dão sentido à Caridade.



Tempo de Páscoa

No tempo de Páscoa, celebramos a ressurreição de Jesus Cristo e, em caminho para a Ascenção e o Pentecostes, comemoramos os primeiros tempos da Igreja, quando os Apóstolos começam a organizar a vida da primeira comunidade cristã. Cada comunidade, para responder à sua missão, precisa de estar estruturado com diferentes ministérios. Fundada sobre a «pedra viva» que é Jesus Cristo, a comunidade torna-se «sacerdócio real» para louvar a Deus e anunciar o Evangelho, para dar a conhecer aos homens e mulheres o amor do Pai. O próprio Jesus Cristo nos revela esse amor que nos conduz ao Pai.



Arte de celebrar

ORAÇÃO EUCARÍSTICA. A Oração Eucarística é o coração da celebração: do prefácio à doxologia, somos convidados a uma ação de graças à volta do relato da instituição, que é precedido pela epiclese, a invocação do Espírito Santo, e seguido da anamnese, em que fazemos memória da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Depois, o presidente pede ao Pai que envie o Espírito Santo sobre a assembleia. Segue-se o momento da intercessão, centrado na comunhão dos santos: rezamos pelos vivos, a Igreja aqui e agora, e por aqueles e aquelas que nos precederam no caminho da fé. O Missal propõe várias orações eucarísticas: a escolha deve ser feita em função do tempo litúrgico e das leituras de cada domingo.



Fé celebrada com a comunidade

  • Em elaboração....



Fé celebrada com a catequese

  • Em elaboração....

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo quinto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.5.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO QUARTO DE PÁSCOA

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Saiba com absoluta certeza

Assim se expressa Pedro, no dia de Pentecostes. Exprime a «certeza da fé», que lhe vem do facto de ter recebido o Espírito Santo e de estar imbuído do mesmo Espírito. Esta certeza não é imposta cegamente. É dialogante. Leva-o a dar razão daquilo em que acredita, a explicar como a fé o faz ser uma pessoa nova e, por isso — porque é tão grande o benefício —, sente necessidade de a propor aos outros. Resume, assim, a sua certeza: «Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». Sim! Jesus é o Messias salvador esperado e, portanto, é o único Senhor da vida e do mundo. Este é o «kerigma». Esta é a proposta da Igreja. Jesus Cristo ressuscitado é o Senhor. Vale a pena segui-lo! A reação das pessoas é imediata: «Que havemos de fazer, irmãos?». Uma reação muito humana (também é a nossa). É a preocupação em saber o que é preciso fazer para ter a certeza de estar a seguir Jesus Cristo. Mas Pedro, que o tinha aprendido na relação próxima e pessoal com Jesus Cristo, explica-lhes que não se trata de «fazer coisas», mas «ser» de uma maneira nova, trata-se de «conversão». Ora, isto só é possível através da ação do Espírito Santo. «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo». Abre-se o caminho à vida pascal da Igreja!



Que havemos de fazer, irmãos?

A questão colocada a Pedro pelos seus ouvintes ressoa, com força, neste domingo que é também dia mundial de oração pelas vocações. Assistimos com algum fatalismo à diminuição do número de presbíteros, por exemplo. E o mesmo se pode dizer em relação àqueles que decidem constituir família, mas prescindem da celebração do sacramento do Matrimónio. «Que havemos de fazer?». Pedro convida à conversão (fé) e ao batismo. A Igreja convida-nos à oração, a viver melhor a nossa condição de batizado. A Liturgia da Palavra convida ainda a professar, com sinceridade, a nossa fé no Senhor que nos «guia por sendas direitas», a seguir o seu exemplo, principalmente no amor aos irmãos, a deixar-se conduzir pela sua voz, certos de ele que nos dá «a vida em abundância».



Arte de celebrar

VOCAÇÕES. O quarto domingo de Páscoa, «Domingo do Bom Pastor», é também o dia mundial de oração pelas vocações. Num tempo em que as vocações presbiterais e religiosas são cada vez mais raras, vale a pena recordar que Deus continua a chamar homens e mulheres para servir o Evangelho e a Igreja. A homilia, um breve testemunho, as intenções da Oração Universal, a oração proposta para este dia, a evocação de figuras da história local recente, uma informação sobre a questão das vocações atuais, os cânticos: tudo isto pode ajudar a comunidade a refletir sobre este assunto e a tomar decisões concretas.



Fé celebrada com a comunidade

  • Caminho do Batismo. Neste dia mundial de oração pelas vocações, recordemos que Jesus Cristo é o único pastor, a única porta que nos abre o caminho para o Pai. Ele é a fonte da água viva para os filhos e filhas de Deus... Como nos outros domingos de Páscoa, dar preferência ao rito de aspersão em vez do (habitual) momento penitencial no início da celebração.
  • Caminho de Conversão. Na primeira leitura, Pedro convida à conversão. O leitor pode começar a proclamação (com voz forte) no meio da assembleia (a primeira frase); depois percorre lentamente a assembleia até chegar ao ambão, onde continua a leitura do texto bíblico (a partir de «ouvindo isto»).
  • Caminho de Páscoa. Jesus Cristo diz que vem para que as suas «ovelhas tenham vida e a tenham em abundância». A Oração Eucarística para a assembleia com crianças III (com os textos próprios do tempo de Páscoa) recorda o que é a «vida em abundância» proposta por Jesus Cristo.



Fé celebrada com a catequese

  • O dia mundial de oração pelas vocações é uma oportunidade para ajudar os catequizandos a compreender que Jesus Cristo nos chama a viver uma vocação tendo por base o Batismo. Batizados, somos chamados a ser... Não se trata de uma mera realização profissional ou familiar; é um desafio a seguir Jesus Cristo num estado de vida concreto, a viver o amor à maneira de Jesus Cristo. O guião preparado pela Comissão Episcopal Vocações e Ministérios para a oração pelas vocações apresenta várias sugestões a propósito do tema deste ano: «Vocações: testemunho da verdade». Depois, na eucaristia, no final da primeira leitura, chama-se cada um: «N..., Jesus chama-te». A seguir, o salmo canta a confiança dos «chamados».

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo quarto de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Anónimo | 9.5.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO SEGUNDO DE PÁSCOA

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Na tarde daquele dia, o primeiro da semana

É dia de Páscoa, dia da Ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Naquele dia, o primeiro da semana, Jesus Cristo apresentou-se no meio dos discípulos e eles «ficaram cheios de alegria». Mais à frente, diz o texto evangélico: «Oito dias depois»... o mesmo Jesus Cristo volta a colocar-se no meio dos discípulos. Acaba de nascer o domingo. A partir desse dia, os discípulos sabem que a cada oito dias o Senhor Jesus Cristo apresenta-se no meio para lhes dar o Espírito saudando-os da mesma forma: «A paz esteja convosco». Cada domingo é Páscoa. Deixa de haver uma celebração pascal apenas uma vez no ano, como faziam os judeus. Agora, Páscoa é todos os domingos. Os discípulos reunem-se e o Senhor Ressuscitado apresenta-se no meio deles. E escutam a sua Palavra. E partem o Pão com alegria. Assim relatam os Atos dos Apóstolos: «Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. [...] Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. [...] Partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo». Desta forma, a comunidade cristã — com Jesus Cristo no centro — converte-se em sinal de um mundo novo, em sinal do Reino de Deus.



A alegria de acreditar

A Páscoa é o tempo da fé. O segundo domingo de Páscoa é, todos os anos, dominado pela figura de Tomé, que nos desafia à alegria de acreditar. Jesus Cristo declara «felizes os que acreditam sem terem visto», os que abrem o coração à vida nova oferecida pela ressurreição. Nascidos na Páscoa, batizados em Cristo, somos os crentes de hoje chamados a construir a Igreja, apoiados no sinal de Cristo Servo: a nossa comunidade é fiel à escuta da Palavra, à oração, à comunhão, ao serviço aos outros? A Eucaristia é fonte de caridade e de alegria para todos os seres humanos.



Arte de celebrar

CINQUENTA DIAS DE PÁSCOA. É sempre Páscoa! Os domingos seguintes ao «primeiro» não são domingos «após» ou «depois da» Páscoa. São domingos «de Páscoa». A Igreja celebra a ressurreição de Jesus Cristo ao longo de cinquenta dias. Ora, isto tem de estar visível e tem de ser proclamado. A decoração floral, o Círio Pascal, a aspersão com a água (em todos os domingos), a iluminação do altar, do ambão e da fonte batismal, e todos os sinais e símbolos presentes na Vigília Pascal têm de estar presentes e visíveis em todas as celebrações até ao dia de Pentecostes. Sem esquecer a parte musical: os cânticos escolhidos hão de ajudar a perceber o contexto pascal; tal como o «Aleluia», que há de ser cantado com solenidade antes e depois da proclamação do evangelho.



Fé celebrada com a comunidade

  • O Senhor esteja convosco. A Igreja está em Páscoa! Vive a alegria da Ressurreição. Os sinais e os símbolos relativos ao tempo de Páscoa precisam de estar bem presentes e bem cuidados: Círio Pascal; fonte batismal; arranjos florais; frase (lema) para o tempo pascal; limpeza e iluminação cuidada do espaço litúrgico. E, na celebração, as palavras e os gestos feitos com simplicidade e beleza, com destaque para a saudação («A paz esteja convosco!») e a bênção final («Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós»).
  • A alegria esteja convosco. A alegria, fruto do Espírito Santo, é capaz de nos transfigurar — afirma Pedro (na Primeira Carta, capítulo 1, versículos 3 a 9). Jesus Cristo também sublinha a alegria daqueles que acreditam sem terem visto e se tornam suas testemunhas. Esta alegria esteja presente em todos os membros da assembleia, com destaque para os leitores, quer aquando da proclamação, quer também aquando da deslocação para o ambão e do regresso aos seus lugares na assembleia. A mesma alegria há de ser «inefável e gloriosa» durante a profissão de fé com recurso à fórmula batismal (a mesma que foi usada na Vigília Pascal).
  • A paz esteja convosco. Como nos primeiros dias da jovem Igreja, também vamos partir o pão. Se for o caso, os neófitos (novos batizados na Vigília Pascal) são convidados a tomar parte na procissão dos dons, vinda do meio da assembleia, pelo menos com os elementos essenciais: pão e vinho. E, depois, não esquecer a simplicidade expressiva do gesto da paz.
  • A fé esteja convosco. No número 39 da Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei», o papa Francisco chama a atenção para algo que deveria ser «óbvio» (mas que anda meio esquecido): é impossível acreditar sozinhos porque a fé nunca é só uma opção individual. Ela abre-nos do «eu» ao «nós» e acontece sempre «dentro da comunhão da Igreja». O exemplo da primeira comunidade cristã (Atos 2, 42-47) serve, sobretudo, para nos lembrar os pilares importantes para a vivência da fé cristã: a escuta da Palavra, a oração, a Eucaristia, a caridade e a partilha, no serviço dos outros.



Fé celebrada com a catequese

  • «Felizes os que acreditam sem terem visto». No momento da profissão de fé (Credo), dar às crianças a oportunidade de se expressarem. Este momento pode ser preparado antecipadamente, no encontro de catequese: um painel com a bem-aventurança escrita no centro («Felizes os que acreditam»). Cada criança aproxima-se e cola um desenho, uma imagem recortada de uma revista, ou escreve uma frase, para expressar o que significa acreditar em Jesus Cristo: o testemunho de alguém; o amor em família, alegria no rosto; partilha — são alguns exemplos exemplos.

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo segundo de Páscoa (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Anónimo | 23.4.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO TERCEIRO DA QUARESMA

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



O Senhor está ou não no meio de nós?

O terceiro domingo da Quaresma (Ano A) recorda-nos outro momento central da história da salvação: a saída do Egito e a passagem pelo deserto: «o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés». Também a samaritana vai ao poço de Jacob buscar água (evangelho). O povo de Israel e a samaritana são símbolos de todos nós e de toda a Humanidade, sempre inquietos à procura daquilo que desejamos e não temos: a realização, a vida, a felicidade. Mais ainda: a procura humana conduz-nos com frequência à deceção. O povo de Israel, marcado pelo sofrimento e pela deceção, diz uma frase impressionante: «O Senhor está ou não no meio de nós?». Também esta expressão nos representa a todos. Procuramos a vida, a justiça, a paz, a liberdade, pedimos ajuda a Deus, no meio do sofrimento e da deceção, questionamos porque é que Deus não intervém em nosso favor, pelo menos, em favor dos mais débeis, dos perseguidos injustamente, das vítimas de toda a espécie de opressão e violência. Como é possível que Deus fique calado perante tanto sofrimento?



A água da vida

O terceiro domingo da Quaresma (Ano A) é o domingo da água, o domingo onde a Palavra, verdadeira graça da Quaresma, é derramada «em nossos corações pelo Espírito Santo». Com efeito, para celebrar o primeiro escrutínio dos catecúmenos, a Igreja quer fazer-nos meditar no belo encontro de Jesus Cristo com a samaritana: junto ao poço de Jacob, Jesus Cristo revela-se como «uma nascente que jorra para a vida eterna». Melhor do que a água que brota do rochedo para saciar a sede do povo, Jesus Cristo dá-nos a beber uma água que nos sacia para sempre. A água do batismo que nos salva. A água da vida.



Arte de celebrar

AS ORAÇÕES. Em três momentos — abertura, apresentação dos dons, comunhão —, o presidente dirige-se a Deus, em nome da assembleia, convidando-a a unir-se em oração. O convite «Oremos» é seguido de um tempo de silêncio (infelizmente, muitas vezes esquecido), durante o qual todos se colocam em «atitude de oração». O presidente pode-se voltar para o altar ou para a cruz. Não se trata de dizer um texto, mas de rezar e de ajudar a entrar em oração. O tom de voz, a distância em relação ao microfone, a sua atitude interior e o seu gesto de estender ou elevar as mãos são elementos que podem favorecer a oração comunitária. A conclusão cantada também pode favorecer e suscitar a adesão mais unânime de toda a assembleia.



Fé celebrada com a comunidade

  • Os filhos de Israel, na travessia pelo deserto, não estão contentes. Deus salvou-os da escravidão do Egito, com a colaboração de Moisés. Mas parece não ter sido suficiente. Por isso, Deus vai matar a fome e saciar a sede do povo que caminha no deserto. Apesar da dureza do coração do povo, Deus aceita os seres humanos assim como são, ama-nos a todos. Deus sabe que, com a água viva do seu Espírito, até os corações mais endurecidos podem ser irrigados pelo seu amor. Há momentos em que nos sentamos como os peregrinos cansados ou perdidos no deserto. Temos sede de amor e de verdade. Deus está aí presente para nos guiar e saciar a nossa sede. Onde procuro a nascente para saciar a minha sede?
  • «Na fé de Israel, sobressai também a figura de Moisés, o mediador. O povo não pode ver o rosto de Deus; é Moisés que fala com Jahvé na montanha e comunica a todos a vontade do Senhor. Com esta presença do mediador, Israel aprendeu a caminhar unido» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei», 14). Ler ou reler os números 12 a 14 da Carta Encíclica sobre a fé.



Fé celebrada com a catequese

Ele está no meio de nós. É uma aclamação e afirmação que repetimos ao longo da eucaristia. Nela, reconhecemos que Jesus Cristo está presente na assembleia (Igreja) reunida, na Palavra proclamada, no Pão repartido... Ajudar as crianças a compreender esta presença de Deus através de Jesus Cristo, na celebração da eucaristia. E cada um poderá dizer, antes da bênção e do envio: O Senhor está no meio de nós!

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo terceiro da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.3.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO SEGUNDO DA QUARESMA

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Deixa a tua terra... e vai para a terra que Eu te indicar

Assim começa, no Génesis, a apresentação de Abraão e, com ele, de toda a humanidade salva. «Deixa a tua terra»... é muito doloroso, porque é sair da segurança da própria vida; é sinal da saída da maneira falsa e desumana de viver, a libertação da própria segurança na procura da vida verdadeira, da humanidade autêntica que Deus quer dar. Todos somos chamados, dia após dia, a abandonar os critérios que nos desorientam, para encontrar a pátria da vida verdadeira, para nos convertermos à verdade e à vida. Recorda as tentações de Jesus Cristo apresentadas no primeiro domingo da Quaresma. Ele recusou as seguranças mesquinhas que todos temos como evidentes, e inclusive atribuímos a Deus, mas não são a nossa vida verdadeira.



Da confiança... à luz da Ressurreição

A Quaresma é tempo para redescobrir a nossa vocação cristã, redescobrir a nossa identidade, tempo em que Deus nos chama e nos espera. Então, a liturgia coloca-nos perante o relato da vocação de Abraão: a sua disponibilidade ao chamamento de Deus não é, para nós, um modelo de fé, de confiança? Confiança que canta o salmista. Depois, Paulo, dirigindo-se a Timóteo, recorda a oportunidade da nossa salvação. E desafia-nos à perseverança. A transfiguração de Jesus Cristo — testemunha por Pedro, Tiago e João — fortalece a nossa fé, anunciando desde já a luz da Ressurreição. A nossa glória está prometida...



Arte de celebrar

MOMENTO PENITENCIAL. O tempo da Quaresma sugere uma atenção mais cuidada ao momento penitencial que acontece no início de cada eucaristia. A terceira fórmula, composta por três invocação dirigidas a Jesus Cristo (e não à Trindade), é uma possibilidade interessante. Atenção: são invocação e não um exame de consciência; não é este o momento para fazer um relatório dos nossos pecados, mas para rezar àquele que nos ensina e convida a amar. É, aliás, face ao seu amor que nos reconhecemos pecadores. Um pouco como o filho pródigo — que regressa à casa paterna e não tem necessidade de enumerar os seus pecados, porque de imediato é abraçado pelo amor — deixamo-nos envolver pela misericórdia de Deus e dispomos os nossos corações a encontrar Deus na Palavra e no Pão, na Eucaristia.



Fé celebrada com a comunidade

  • A alegria e a glória da Transfiguração, no segundo domingo da Quaresma, não são ainda, em plenitude, a alegria e a glória da Ressurreição... A Quaresma é o tempo que nos prepara para a Páscoa; portanto, não a antecipa. É para despertar, em nós, o desejo da alegria pascal que, na Quaresma, não se canta o Glória nem o Aleluia.
  • Abraão é uma referência incontornável para os crentes monoteístas (judeus, cristãos, muçulmanos). É o pai de todos os crentes. «A fé mostra-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história. Por isso, se quisermos compreender o que é a fé, temos de explanar o seu percurso, o caminho dos homens crentes» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei», 8), como Abraão. Ler ou reler os números 8 a 11 da Carta Encíclica sobre a fé.



Fé celebrada com a catequese

  • A primeira vez que se passa algum tempo sem os pais é dura. Basta recordar o primeiro dia no infantário, na escola, a primeira semana numa colónia de férias, o primeiro acampamento... Mas é também ocasião para sair da zona de conforto, do ambiente haitual: ganham-se novos amigos, aprendem-se novos jogos, contacta-se com novas situações... Foi bem duro para Abraão sair da sua terra e deixar a casa paterna. Mas teve confiança em Deus... e vai viver momentos fabulosos. Tudo o que Abraão vai descobrir, nesta nova etapa da sua vida, é já uma bênção.
  • Deus abençoa Abraão e faz dele uma bênção. O mesmo acontece com cada um de nós, quando colocamos em Deus a nossa confiança, a nossa fé. Ao terminar a celebração, as crianças são convidadas a aproximarem-se para receber a bênção (dizer bem e querer o bem para cada um!) e são enviadas a serem atores desse bem, ao longo da semana.

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo segundo da Quaresma (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.3.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO TERCEIRO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



A Boa Nova (Evangelho) do Reino

João Batista, o precursor, foi preso: a sua missão chegou ao fim. Começa a missão de Jesus Cristo: aquando do Batismo, foi investido pelo Pai e pelo Espírito para esta missão, que começa, agora, na Galileia. Jesus Cristo vai realizar o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías: a Boa Nova do Reino tem como primeiro destinatários os habitantes da Galileia, «terra de gentios». Entretanto, Jesus Cristo chama os (quatro) primeiros discípulos, para trabalhar com Ele no anúncio do Reino. Mais tarde, o apóstolo Paulo há de exortar os cristãos a não andarem divididos, pois é um péssimo testemunho do Evangelho.



Arte de celebrar

AMOR FRATERNO. «Não haja divisões entre vós» — exorta Paulo. Invejas e rivalidades podem aparecer nas nossas comunidades. As celebrações litúrgicas podem-se tornar num «lugar» de querelas entre uns e outros, na escolha de um cântico, na colocação de um arranjo floral! Estas tensões quase sempre são percebidas pelos membros da assembleia. Os atores da celebração precisam de refletir sobre as palavras do apóstolo Paulo e estar ao serviço da caridade que acompanha qualquer ação litúrgica. Um tempo de oração comum e de partilha da Palavra de Deus, vivido em equipa, contribuirá profundamente a fazer aumentar a mútua confiança e a tomada de consciência da importância de testemunhar o amor fraterno



Fé celebrada com a comunidade

«Uma luz se levantou». A temática da luz continua a preencher os textos bíblicos (cf. Tempo Comum: «vou fazer de ti a luz das nações»). No início da celebração, o espaço litúrgico pode ter o mínimo de luz necessário; à medida que a procissão de entrada progride por entre a assembleia, vão-se acendendo progressivamente as luzes. Seria também útil que o cântico de entrada acompanhasse esta temática (por exemplo: «Levanta-te Jerusalém» de F. Santos).




Fé celebrada com a catequese

O texto da primeira leitura (Isaías 8, 23b – 9, 3) e o texto do evangelho (Mateus 4, 12-23) fazem referência a cidades da Palestina e à região da Galileia. A maioria das edições da Bíblia possui, no final, um conjunto de mapas que podem ser úteis para a descoberta e localização dos lugares referenciados nos textos. Depois, pode-se preparar um «grande» mapa sem a indicação dos lugares e pedir às crianças para assinalarem esses lugares, bem como outros pontos: Jerusalém, Belém, Mar Mediterrâneo... O objetivo é ajudar as crianças a perceber que se tratam de lugares reais (como nas nossas freguesias e cidades). Esta proposta pode ser repetida ou realizada durante a Liturgia da Palavra (as crianças aproximam-se e «colam» no mapa os locais referenciados, na proclamação das leituras e/ou na homilia).

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.1.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO SEGUNDO

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



O Servo é o Cordeiro de Deus

Este segundo domingo (Ano A) dá continuidade ao anterior (Batismo de Jesus). Este deveria ser o domingo das Bodas de Caná, o primeiro milagre realizado por Jesus Cristo (no evangelho segundo João). No entanto, porque se pretende que a Escritura seja apresentada com a maior abundância possível nas celebrações dominicais, manteve-se o texto das Bodas de Caná no Ano C enquanto que para os outros anos (A e B) foram escolhidos textos anteriores a esse acontecimento (no evangelho segundo João). Hoje, a Escritura continua o retrato traçado no domingo passado: é novamente um Servo, enquanto João Batista o designa como «Cordeio de Deus que tira o pecado do mundo». Entretanto, inicia-se a leitura (contínua) da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, que se vai prolongar por sete domingos.



Arte de celebrar

FILMAR A CELEBRAÇÃO. Felizmente, há quem passe muito tempo a preparar (bem) a celebração dominical da eucaristia. Mas dá-se menos importância à avaliação da mesma, à análise da forma como decorreram os momentos previstos para a celebração. Num tempo em que o material de vídeo é cada vez mais acessível e discreto, seria interessante, de tempos a tempos, filmar a celebração para serem visualizados em equipa, com um olhar, ao mesmo tempo, benévolo e exigente. Isto permite tomar consciência da forma como decorreram os momentos da celebração (os gestos realizados e as palavras pronunciadas). E todos juntos podem interrogar-se: como podemos ajudar (mais e melhor) a assembleia a rezar e a interiorizar o significado profundo dos ritos que compõem a celebração?



Fé celebrada com a comunidade

  • Saudação. «A graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco» — é a fórmula usada por Paulo (retirada da segunda leitura), bem oportuna para este domingo. 
  • Cordeiro de Deus. «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo» — proclama João Batista, proclama o presidente da celebração, antes da comunhão. O destaque deste momento pode ser dado pelo cântico dessa aclamação (sem confundir com o momento da paz), com a realização cuidada do gesto da fração do pão (este foi a primeira expressão usada para designar a eucaristia), com a proclamação solene feita pelo presidente (acompanhada pela elevação da hóstia e do cálice).
  •  Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. «Estará Cristo dividido?» — questiona o tema proposto para este ano, uma frase retirada da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios (1, 13). Este domingo (dentro da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: 18 a 25 de janeiro) podem destacar-se as diversas confissões cristãs, com particular referência (se as houver) às que estão presentes no território da comunidade paroquial. Convém não esquecer esta intenção na oração universal dos fiéis, até porque para muitos é a única ocasião para rezar, em comunidade, por este tema.



Fé celebrada com a catequese

O contexto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos proporciona o aprofundamento da temática ecuménica: dar a conhecer as várias confissões cristãs (as crianças podem ser desafiadas a fazer uma pesquisa na internet ou na biblioteca), apresentar o contexto histórico e doutrinal das divisões entre os cristãos, destacar a importância da unidade (e da comunhão), rezar por todos os cristãos. Também pode ser útil valorizar o tema da «luz da fé», como testemunho da unidade da salvação em Jesus Cristo (seguindo os textos de Isaías e do evangelho segundo João).

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo segundo (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.1.14 | comentários

CELEBRAR O DOMINGO DO BATISMO DE JESUS

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



A identidade do Filho de Deus

A Escritura esboça o retrato do Salvador. Reconhecêmo-lo nos traços do «Servo» apresentado pelo profeta Isaías, dirigindo uma mensagem de consolação ao seu povo. Depois, o Salvador é-nos apresentado como «Senhor de todos», no discurso de Pedro, em Cesareia. Pedro faz referência ao batismo de Jesus no rio Jordão, quando se revela a identidade do Filho de Deus e a presença do Espírito Santo em Jesus Cristo. Verdadeira revelação trinitária, o Batismo inaugura o ministério público de Jesus Cristo.



Arte de celebrar

ÁGUA. Há celebrações que reclamam um gesto simbólico que faça lembrar o Sacramento do Batismo. É o caso da celebração litúrgica do Batismo de Jesus. O rito de aspersão pode ser um desses gestos. Em assembleias de pequenas dimensões, pode-se propor que cada um se desloque junto da fonte batismal para mergulhar a mão na água e traçar sobre si o sinal da cruz. Em qualquer caso, os objetos usados devem ser belos e o gesto realizado tem de ser significativo. Exemplo: colocar um grande e belo vaso com água entre o altar e o ambão ou noutro local de fácil visibilidade. Na celebração, retira-se a água para um recipiente mais pequeno, do qual se vai lançando água sobre a assembleia enquanto se entoa um cântico batismal. Outra hipótese será retirar a água para vários recipientes pequenos que serão distribuídos pela assembleia, para que cada um mergulhe a mão e trace sobre si o sinal da cruz.



Fé celebrada com a comunidade

  • Sinal da Cruz. Na celebração do Batismo, fomos assinalados com o Sinal da Cruz. Ao iniciarmos a oração, traçamos somos nós o Sinal da Cruz. Neste domingo, no início da celebração, uma breve frase pode ajudar a interiorizar melhor este gesto: «Tracemos sobre nós o Sinal da Cruz pensando no nosso Batismo».
  • Aspersão. Na celebração do Batismo, fomos «mergulhados» na vida nova de Jesus Cristo. «O domingo, com efeito, é o dia em que, mais do que qualquer outro, o cristão é chamado a lembrar a salvação que lhe foi oferecida no batismo e que o tornou homem novo em Cristo. [...] A liturgia põe em evidência esta dimensão batismal do domingo [...] sugerindo, como oportuno rito penitencial no início da Missa, a aspersão com a água benta, que evoca precisamente o evento batismal em que nasce toda a existência cristã» (João Paulo II, Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» [«Dies Domini»], 25).



Fé celebrada com a catequese

A leitura do evangelho e uma breve partilha a partir dos versículos finais — «Logo que Jesus foi baptizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência» — ajuda as crianças a descobrir Deus Pai (a voz), Deus Filho (Jesus), Deus Espírito Santo (pomba). Nós somos batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E, ao longo da vida, traçamos sobre nós o Sinal da Cruz para recordar o nosso Batismo.

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo do Batismo de Jesus (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.1.14 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA EPIFANIA 

UMA LITURGIA SIMPLES E BELA

Apresentamos algumas sugestões para concretizar o fruto esperado deste ano pastoral: «uma liturgia simples e bela, sinal da comunhão entre Deus e os seres humanos».



Chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor

Eis a grande solenidade da Epifania: celebração em que a alegria do Natal alcança todas as suas dimensões. A sua luz irradia o Universo: é a festa da manifestação e Deus a todos os seres humanos. Um Salvador nasceu para nós. É preciso que todos escutem esta notícia! É preciso dá-la a conhecer! Isaías já tinha anunciado a chegada desta luz a Jerusalém, a glória do Senhor: «chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor». E São Paulo dá ao mistério do Natal toda a amplitude: para ele, a salvação trazida por Jesus Cristo não está reservada a um único povo, mas é destinada a todos os povos. Assim, a visita dos Magos, em Belém, não tem nada de anedótico: eles representam todas as nações.



Arte de celebrar

INCENSO. Os Magos oferecem ouro, incenso e mirra. Hoje, o uso do incenso não se pode considerar acessório! Utilize-se de acordo com o que está previsto na liturgia. E não esquecer de incensar o Menino do presépio, quer no início da celebração, quer após a proclamação do evangelho. Também se pode queimar o incenso de uma forma extraordinária: através de um recipiente (resistente ao calor) colocado junto ao presépio. Antes da celebração coloca-se o carvão (ou outro material próprio) em brasa. No final da proclamação do evangelho, coloca-se os grãos de incenso. Esta maneira de fazer também se pode repetir durante a Liturgia Eucarística, colocando o incenso aquando da apresentação dos dons.



Fé celebrada com a comunidade

  • «Uma grande luz»! — é a temática proposta para acompanhar a celebração e vivência do tempo de Natal, apoiada nos textos bíblicos da primeira leitura (Isaías). Somos convidados a celebrar «uma grande luz» que nos visita, depois de termos caminhado «à luz do Senhor» (Advento). Para o início da celebração (procissão de entrada), seguimos a mesma proposta dos domingos de Advento: entrada em silêncio; breve paragem no meio da assembleia; proclamação da frase-chave («Chegou a tua luz»); cântico de entrada. 
  • Epifania: é Natal! O domingo da Epifania assinala o cume do Natal, manifesta o cumprimento do mistério da Incarnação: No Menino que nasce, Deus revela-se a todos os povos. Este acontecimento pode ser assinalado com uma estrela bem iluminada junto do presépio; e ainda nos seguintes momentos: na procissão de entrada com a presença de representantes das várias comunidades existentes; no entusiasmo dos cânticos; nas introduções à Liturgia da Palavra e à Liturgia Eucarística; no uso do incenso na reverência ao altar, ao evangeliário, à assembleia; na encenação do evangelho ou na colocação das imagens dos Magos no presépio.
  • Festas ao longo do ano. Depois do evangelho, anunciam-se as festas móveis (cf. Missal Romano, ágina. 1382: «No dia da Epifania, depois da leitura do evangelho ou após a oração depois da comunhão, o diácono ou o sacerdote ou mesmo um cantor, pode fazer o anúncio
    do dia da Páscoa»).
  • Oferenda. Adoração. A celebração da eucaristia seja marcada pela atitude dos Magos que se deixaram interpelar por um «sinal» e foram ao encontro do Salvador. Prepara-se uma bela procissão dos dons, concretizada no gesto da apresentação (participação das crianças, de pessoas de várias culturas), do uso do incenso, da oração silenciosa, da ação de graças.



Fé celebrada com a catequese

Infância Missionária. A Epifania foi associada ao Dia da Infância Missionária, promovido pelas Obras Missionárias Pontifícias. O tema deste ano é «encontrar Jesus com as crianças de África». Uma oportunidade para dar a conhecer os objetivos e as atividades da «Infância Misisonária». Podem ser úteis os recursos disponibilizados na internet em www.opf.pt/infancia. A revista «Audácia» referende a janeiro (número 514), nas páginas 21 a 23, põe em destaque um grupo paroquial da Infância Missionária, na paróquia de Pinheiro de Bemposta (diocese do Porto).

© Laboratório da fé, 2014

Celebrar o domingo da Epifania (Ano A), no Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.1.14 | Sem comentários
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