Mostrar mensagens com a etiqueta Discípulo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Discípulo. Mostrar todas as mensagens

Anunciar a alegria da fé! [9]


O terceiro «aspeto fundamental» na formação do discípulo missionário é o discipulado. Como lembramos (cf. tema 6), também neste tópico a Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG) alimenta-se das ideias expressas no Documento de Aparecida (DAp).

Discipulado

Eis as palavras usadas pelos bispos da América Latina e do Caribe para explicitar este aspeto essencial na formação do discípulo missionário: «A pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre, se aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina. Para esse passo são de fundamental importância a catequese permanente e a vida sacramental, que fortalecem a conversão inicial e permitem que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão no meio do mundo que os desafia» (DAp 278).

Amadurecimento

A base do discipulado assenta num processo de amadurecimento que acompanha toda a vida. Não é uma etapa da vida tendo em vista a passagem a uma outra etapa. Trata-se de um estado permanente marcado pelo «conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre», que «se aprofunda» na sua pessoa, no seu exemplo e doutrina. Por isso, aqueles e aquelas que aceitam ser discípulos de Jesus Cristo entram numa escola permanente: são sempre aprendizes. «O próprio Senhor, na sua vida mortal, deu a entender várias vezes aos seus discípulos que havia coisas que ainda não podiam compreender e era necessário esperar o Espírito Santo (cf. João 16, 12-13)» (EG 225). Uma aprendizagem que conta sempre com a presença e a cooperação do Mestre. O discípulo «sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele» (EG 266).

Catequese

Na formação do discípulo missionário, em que o amadurecimento é um processo ao longo da vida, a «catequese permanente» ocupa um lugar fundamental. Como nos temas anteriores, «também na catequese tem um papel fundamental o primeiro anúncio ou ‘querigma’, que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial» (EG 164). «Nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio» (EG 165). Que anúncio é esse? «‘Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar’. Ao designar-se como ‘primeiro’ este anúncio, não significa que o mesmo se situa no início e que, em seguida, se esquece ou substitui por outros conteúdos que o superam; é o primeiro em sentido qualitativo, porque é o anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese, em todas as suas etapas e momentos» (EG 164). Outro aspeto importante na «catequese permanente» tendo em vista a formação do discípulo missionário consiste na «iniciação mistagógica». Esta «significa essencialmente duas coisas: a necessária progressividade da experiência formativa na qual intervém toda a comunidade e uma renovada valorização dos sinais litúrgicos da iniciação cristã» (EG 166).

Vida Sacramental

O Documento de Aparecida faz ainda referência à «vida sacramental» em articulação com a «catequese permanente». A Eucaristia constitui «a plenitude da vida sacramental» (EG 47). Infelizmente, «são muitos os cristãos que não participam na Eucaristia dominical nem recebem com regularidade os sacramentos, nem se inserem ativamente na comunidade eclesial. [...] Este fenómeno nos desafia profundamente a imaginar e organizar novas formas de nos aproximar deles para ajudá-los a valorizar o sentido da vida sacramental, da participação comunitária e do compromisso cidadão» (DAp 286). Neste sentido, urge promover a dinâmica catecumenal subjacente à iniciação cristã. «A iniciação cristã, que inclui o ‘querigma’, é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado. Dá-nos, também, a oportunidade de fortalecer a unidade dos três sacramentos da iniciação, e aprofundar o rico sentido deles. A iniciação cristã, propriamente falando, refere-se à primeira iniciação nos mistérios da fé, seja na forma do catecumenato batismal para os não batizados, seja na forma do catecumenato pós-batismal para os batizados não suficientemente catequizados» (DAp 288).

Reconheço que ser discípulo é um processo de amadurecimento ao longo de toda a vida? Para mim, que importância tem a catequese permanente e a vida sacramental?

© Laboratório da fé, 2015 














Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.12.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [6]


«A evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus: ‘Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado’ (Mateus 28, 19-20)» (EG 19). Esta é a missão da Igreja (cf. tema 1). Por isso, «este mesmo mandato continua a ser confiado aos discípulos de hoje (e de sempre), a quem compete, em primeiro lugar, ‘viver a alegria do Evangelho’» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). Com este tema iniciamos a segunda parte desta proposta (cf. tema 1). Nesta parte dedicada à reflexão sobre os «discípulos missionários», sem deixar de ter como ponto de referência a Exortação Apostólica do papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG), não podemos ignorar o contributo essencial dado pelo Documento de Aparecida (DAp) para iluminar esta temática.

Discípulos

A EG afirma que a Igreja é constituída por comunidades de discípulos e discípulas, que têm de ser «sal da terra e luz do mundo»: «Precisamente nesta época, inclusive onde são um ‘pequenino rebanho’ (Lucas 12, 32), os discípulos do Senhor são chamados a viver como comunidade que seja sal da terra e luz do mundo (cf. Mateus 5, 13-16). São chamados a testemunhar, de forma sempre nova, uma pertença evangelizadora» (EG 92). O conteúdo da EG sobre o discipulado sintetiza o que se encontra no Documento de Aparecida sobre os «discípulos missionários de Jesus Cristo». Eles são enviados como comunidade e pela comunidade eclesial para «dar testemunho do amor» (DAp 386), anunciar a chegada do Reino, a dinâmica «transformadora do Reino de Deus que se faz presente em Jesus» (DAp 382) e assumir «as tarefas prioritárias» para o bem comum e a dignificação do ser humano (DAp 384).

Discípulos missionários

Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário» (EG 120). E por conseguinte todos os cristãos são sujeitos de evangelização, porque «em todos os batizados, desde o primeiro ao último, atua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar» (EG 119). Evangelizar não é uma tarefa de alguns; «seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas recetor das suas ações» (EG 120). Não se trata de uma opção, mas de uma característica essencial que brota do batismo. «O batismo não é um título que recebemos, mas um chamamento para o serviço ativo na vida da Igreja, dentro e fora de portas. O (cristão) batizado não pode não ser ‘discípulo missionário’. Na reflexão do Papa percebe-se claramente que não se trata duma opção, duma escolha entre ser ou não ser» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). Por isso, a missão dos «discípulos missionários» é universal: todos são enviados e todos são convidados. A missão é também universal quanto aos destinatários: é para todos, a começar pelos mais frágeis. «Todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (EG 20). Uma Igreja «em saída» é uma comunidade que caminha ao encontro dos mais necessitados para estar ao serviço: «Faz falta ajudar a reconhecer que o único caminho é aprender a encontrar os demais com a atitude adequada, que é valorizá-los e aceitá-los como companheiros de estrada, sem resistências interiores. Melhor ainda, trata-se de aprender a descobrir Jesus no rosto dos outros, na sua voz, nas suas reivindicações; e aprender também a sofrer, num abraço com Jesus crucificado» (EG 91). A comunidade dos discípulos é «uma fraternidade mística, contemplativa, que sabe ver a grandeza sagrada do próximo, que sabe descobrir Deus em cada ser humano» (EG 92). Ser discípulo missionário significa existir para estar ao serviço dos outros. «Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo» (EG 24). Não há outro caminho. «Trata-se de ‘cumprir’ aquilo que o Senhor nos indicou como resposta ao seu amor, sobressaindo, junto com todas as virtudes, aquele mandamento novo que é o primeiro, o maior, o que melhor nos identifica como discípulos: ‘É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei’ (João 15, 12)» (EG 161).

Vive-se o mandato de Jesus Cristo, quando os «paroquianos» se conformam em ficar sentados nos bancos da igreja e não se dispõem a ir, a servir a comunidade?

© Laboratório da fé, 2015 









Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.11.15 | Sem comentários

A porta da fé [13]


Estamos a três semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos.
Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, «autor e consumador da fé» (Hebreus 12, 2): n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e desejo do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação.
Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lucas 1, 38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lucas 1, 46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lucas 2, 6-7). Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes (cf. Mateus 2, 13-15). Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota (cf. João 19, 25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lucas 2, 19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. Atos 1, 14; 2, 1-4).
Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (cf. Marcos 10, 28). Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa (cf. Lucas 11, 20). Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele (cf. João 13, 34-35). Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura (cf. Marcos 16, 15) e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas.
Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos (cf. Atos 2, 42-47).
Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores.
Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma ação em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lucas 4, 18-19).
Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida (cf. Apocalipse 7, 9; 13, 8), confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados.
Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história.

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • Percorrer a história da nossa fé. Nela, entrecruzam-se a santidad e o pecado. A santidade estimula o compromisso de vida. Diante do pecado, temos de ter um sincero ato de conversão.
  • O olhar volta-se para Jesus Cristo, «autor e consumador da fé»: n'Ele encontra cumprimento todo o anseio do coração humano. Ele partilhou a nossa debilidade (Incarnação). E essa debilidade foi glorificada (Ressurreição).
  • A partir de Jesus Cristo são iluminados plenamente os exemplos de fé: — a fé de Maria, em todos os momentos do seu acompanhamento de Jesus e do nascimento da Igreja; — dos Apóstolos, chamados, seguidores, testemunhas, missionário; — dos Discípulos, construtores das primeiras comunidades cristãs, dando testemunho do amor e da comunhão de bens; — dos Mártires, testemunhas privilegiadas da verdade do Evangelho; — dos Consagrados(as), pela radicalidade da entrega; — de muitos cristãos comprometidos na promoção da justiça, levando a Palavra à vida, tornando-se, em Jesus, libertação para os oprimidos; — da multidão de homens e mulheres, com o testemunho da sua vida na família, na profissão, na vida pública e no desempenho dos carismas e ministérios que lhes foram confiados...
  • Nós: também vivemos pela fé, reconhecemos Jesus presente na nossa vida e na história. Somos, por graça, um elo dessa formosa cadeia de transmissão.

Interiorizando

  • Penso na minha diocese, na minha paróquia, no meu movimento, na minha comunidade, na minha associação... com o realismo de quem sabe descobrir a graça e o pecado. Agradecemos ao Senhor todo o bem e pedimos-lhe que nos ajude a «converter-nos» do mal, do pecado, que também penetra no coração das nossas instituições. Fazemos uma sã e cristã avaliação.

  • Repassamos a história da fé e sentimos um forte estímulo para continuar nas nossas vidas concretas a história das testemunhas. Temos e tivemos muitas; muitas delas chegaram ao martírio. Estimulam-nos a ser continuadores da fé que moveu as suas vidas.

  • Consideramos a importância que tem ser um elo dessa cadeia de testemunhas da fé. Importância e responsabilidade. Não podemos interromper, com a nossa preguiça ou falta de compromisso, a corrente da fé que é chamada sempre a crescer. Entristecemo-nos quando essa corrente, pela nossa falta de entusiasmo crente, se vai convertendo tantas vezes num fiozinho de água, que não rega nem fecunda a nossa história, ficando apenas no interior dos nossos templos.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Partilha connosco a tua reflexão!


Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.11.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo quarto domingo

7 DE JULHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 10, 1-12.17-20

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».



O evangelho segundo Lucas também é chamado evangelho do Espírito Santo. Este é, justamente, um dos aspetos mais característicos, não só do evangelho, mas de toda a obra de Lucas: evangelho e Atos dos Apóstolos. O Espírito Santo é citado cerca de sessenta vezes; e podemos afirmar, com razão, que está presente desde o início até ao fim da obra. No primeiro capítulo do evangelho, encontramos quatro referências. Cito as duas primeiras. No anúncio do nascimento do Batista diz: «será cheio do Espírito Santo desde o ventre materno» (cf. Lucas 1, 15). No anúncio do nascimento de Jesus, o anjo diz a Maria: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra» (cf. Lucas 1, 35).
O mesmo acontece no primeiro capítulo do Atos dos Apóstolos: também é citado por quatro vezes (cf. Atos 1, 2.5.8.16). No prólogo (cf. Atos 1, 8), Jesus, o Vivente, diz: «Quando o Espírito Santo descer sobre vós, recebereis a força para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria, e até aos confins do mundo». É o mesmo Espírito que conduz a Igreja, hoje se sempre.

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 10, 1-12.17-20

A vossa paz repousará sobre eles


Situada no início do «caminho para Jerusalém» (Lucas 9, 51 — 19, 28), a página do evangelho referente ao décimo quarto domingo (Lucas 10, 1-20) oferece-nos uma síntese sobre a missão cristã. Nela, distinguem-se três partes: versículos 1-12 (várias instruções aos discípulos); versículos 13-16 — omitidos no texto litúrgico (ameaças contra os insubmissos); versículos 17-20 (o regresso dos discípulos).
Lucas apresenta Jesus a organizar uma missão para as povoações que vai visitar. Desta vez, envia 72 discípulos, para indicar que a missão não é exclusiva dos Doze, mas de toda a comunidade eclesial. O número escolhido é emblemático e indica tanto a fonte da missão (os 70 anciãos de Israel, antecipação da Igreja), como os destinatários, isto é, o número das nações pagãs enumeradas no «mapa das nações», no livro dos Génesis (capítulo 10), que indica a totalidade dos povos da terra. Assim, o horizonte da missão da Igreja é universal. Além disso, no primeiro versículo, encontramos uma bela definição de discípulo e missionário: vai «à frente» de Jesus, precede-o como precursor. Jesus envia-os «dois a dois», para que o seu testemunho tenha valor jurídico como exigia a lei (Deuteronómio 17, 6; 19, 15).
Os compromissos principais do missionário são três. Primeiro, a oração, «pedi», pois a fecundidade missionária nasce do contacto vivo e pessoal com Deus. Segundo, anunciar o Evangelho com paz, serenidade e valentia, mesmo perante a ameaça de perseguição («como cordeiros para o meio de lobos»). Propor, nunca impor ou forçar. Terceiro, ter uma vida sóbria e austera. Definitivamente, viver segundo o estilo de Jesus (cf. 9, 58).
Terminado o trabalho, os discípulos voltam para junto do Senhor. O mal afasta-se («obedeciam») perante a força avassaladora do Evangelho. O entusiasmo é inevitável, mas Jesus trava-o, para entenderem que a verdadeira alegria não está no poder ou no êxito, mas em ter os nomes «escritos nos Céus» (versículo 20).

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



  • Reflexão diária a partir do evangelho > > >

Décimo quarto domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.7.13 | Sem comentários

Quinta-feira da oitava semana


Evangelho segundo Marcos 10, 46-52

Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.

Seguiu Jesus pelo caminho

Alguns pormenores, que enriquecem o relato, são referidos pelo evangelista: à saída de Jericó, «estava um cego chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho». Certamente que se tratou de um episódio importante para os primeiros cristãos. Este texto está presente também nos evangelhos segundo Mateus e Lucas.
O cego dirige-se a Jesus, por duas vezes, utilizando o título de «Filho de David». Era a designação do Messias. Ao atribuí-lo a Jesus Cristo, o cego expressa o reconhecimento de que Jesus Cristo é o enviado de Deus, que vem para libertar o povo de todos os sofrimentos.
Este episódio tem um propósito pedagógico. O cego torna-se o modelo do discípulo. Bartimeu tem consciência que não vê. E, ao saber que Jesus Cristo ia a passar, não perde a oportunidade para abrir o coração e a vida. Jesus Cristo vai ajudá-lo a abrir também os «olhos». Mesmo sem ver, confia em Jesus Cristo, isto é, acredita que pode mudar a sua vida. Por isso, a capa, sinal da vida anterior, é atirado fora. Todas as suas esperanças estão depositadas em Jesus Cristo. Este é o milagre! É realizado pelo próprio cego: deita fora tudo o que lhe impede de seguir Jesus Cristo. Então, pode saltar, pode dar um salto (de alegria) para ir ao encontro da vida. 
Jesus Cristo apenas confirma o milagre já realizado: «A tua fé te salvou». E, agora, aquele homem que antes estava «à beira do caminho», segue Jesus «pelo caminho». O cristão tem de ser capaz de deitar fora (desprendimento) tudo o que impede de abrir o coração e a vida a Jesus Cristo. Quando acolhemos a passagem de Jesus Cristo pela nossa vida, a nossa «cegueira» desaparece; e tornamo-nos verdadeiros discípulos.

© Laboratório da fé, 2013

Santíssima Trindade e oitava semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Anónimo | 30.5.13 | Sem comentários

Sexta-feira da sétima semana de Páscoa


Evangelho segundo João 21, 15-19

Quando Jesus Se manifestou aos seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, amas-Me tu mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».

Amas-Me tu mais do que estes?

Aquando da prisão e condenação de Jesus, os evangelistas relatam três negações de Pedro. Agora, em contexto pascal, o autor do evangelho segundo João relata três afirmações de Pedro. Estas afirmações não são apenas um restauro da amizade e da confiança (perdidas). São muito mais do que isso! 
«Amas-Me tu mais do que estes?». Jesus Cristo ressuscitado repete três vezes uma pergunta que antes nunca tinha feito a alguém: «amas-Me?». É importante notar que este relato surge nos últimos dias do tempo de Páscoa. Parece dizer-nos que esta questão, fundamental para o discípulo, não pode ser colocada logo no início, mas precisa de tempo, o tempo necessário para uma resposta assertiva e coerente. 
Pedro, que negou conhecer Jesus Cristo, é o mesmo que antes, seguro se si mesmo, tinha afirmado a dedicação total a Jesus Cristo. O Pedro, que agora afirma o seu amor por Jesus Cristo, é o mesmo que antes, consciência da sua fraqueza, sentiu a tristeza por ter negado o seu discipulado. Mas também foi este mesmo Pedro que seguiu definitivamente Jesus Cristo até dar a vida em seu nome. 
Após a resposta (afirmativa) de Pedro, Jesus Cristo confia-lhe uma missão: «Apascenta as minhas ovelhas». Pedro é constituído «pastor». Um pastor que tem a missão de continuar a ação do «Bom Pastor», Jesus Cristo. As «ovelhas» não são de Pedro. São de Jesus Cristo. Por isso, o «pastor» Pedro tem de continuar a ação do «Bom Pastor». Não pode ser um «pastor mercenário»! «O bispo e o padre devem ser pastores e não lobos» (Francisco).
A missão de Pedro, tal como é apresentado neste episódio, não pode ser entendida como autoridade e poder, mas como amor e serviço. O amor será sempre a marca da identidade cristã. E assim se constitui uma equipa unida, onde quem manda é quem mais ama. Só quem ama, quem aprende a amar e o pratica diariamente, está capacitado para «apascentar as ovelhas». A primeira coisa que temos de saber fazer é aprender a amar, treinar e praticar o amor, trabalhar com amor. Tal como o «Bom Pastor», Pedro (ou qualquer outro que prolongue esta  missão) tem de amar e proteger as «ovelhas». E nunca expulsá-las do redil!

© Laboratório da fé, 2013

O problema não é sermos pecadores mas não nos deixarmos transformar pelo amor de Cristo. O papa Francisco, na homilia da eucaristia deste dia, pôs em destaque a pergunta de Jesus a Pedro: «amas-Me?». Este diálogo entre Jesus e Pedro, diz o Papa, faz eco de todos os encontros entre os dois, desde o primeiro «vem e segue-me». Pedro deixou-se modelar por Jesus nos muitos encontros ao longo dos tempos, feitos de dor e alegria, de risos e de lágrimas e até de vergonha pelos erros cometidos. «Pedro era pecador, mas não era corrupto, ah? Pecadores sim, todos. Corruptos, não. Uma vez soube de um padre, um bom pároco que trabalhava bem; foi nomeado bispo, e ele tinha vergonha porque não se sentia digno, tinha um tormento espiritual. E foi ter com o confessor. O confessor ouviu-o e disse: Não te assustes. Se com todos aqueles pecados a Pedro fizeram-no Papa tu continua e vai em frente. É que o Senhor é assim. O Senhor é assim. O Senhor faz-nos amadurecer com os nossos encontros com Ele, mesmo com as nossas debilidades, quando as reconhecemos, com os nossos pecados» — explicitou o papa Francisco. [fonte: news.va]

João 20, 20 - www.laboratoriodafe.net
Postado por Anónimo | 17.5.13 | Sem comentários

Maria na vida pública e na paixão de Cristo


Maria na vida pública e na paixão de Cristo — Na vida pública de Jesus, Sua mãe aparece duma maneira bem marcada logo no princípio, quando, nas bodas de Caná, movida de compaixão, levou Jesus Messias a dar início aos Seus milagres. Durante a pregação de Seu Filho, acolheu as palavras com que Ele, pondo o reino acima de todas as relações de parentesco, proclamou bem-aventurados todos os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (cf. Marcos 3, 35 e paralelos; Lucas 11, 27-28); coisa que ela fazia fielmente (cf. Lucas 2, 19 e 51). Assim avançou a Virgem pelo caminho da fé, mantendo fielmente a. união com seu Filho até à cruz. Junto desta esteve, não sem desígnio de Deus (cf. João 19, 25), padecendo acerbamente com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima que d'Ela nascera; finalmente, Jesus Cristo, agonizante na cruz, deu-a por mãe ao discípulo, com estas palavras: mulher, eis aí o teu filho (cf. João 19, 26-27) (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 58).

Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: MARIA NAS BODAS DE CANÁ
No episódio das bodas de Caná, São João apresenta a primeira intervenção de Maria na vida pública de Jesus e põe em relevo a sua cooperação na missão do Filho. O significado e o papel que assume a presença da Virgem, manifestam-se quando falta o vinho. A opção de Maria manifesta a coragem da sua fé porque, até àquele momento, Jesus não tinha realizado algum milagre, nem em Nazaré, nem na vida pública (João Paulo II, Audiência Geral de 26 de fevereiro de 1997).

  • SEGUNDO MISTÉRIO: MARIA É A PRIMEIRA DISCÍPULA DE JESUS CRISTO
Maria é um exemplo para aqueles que acolhem a palavra de Cristo. Ela ensina-nos a pôr-nos em escuta confiante do Salvador, para descobrirmos n’Ele a Palavra divina que transforma e renova a nossa vida. A sua experiência encoraja-nos a aceitar as provas e os sofrimentos que derivam da fidelidade a Cristo, tendo o olhar fixo na bem-aventurança prometida por Jesus àqueles que escutam e guardam a Sua Palavra (João Paulo II, Audiência Geral de 12 de março de 1997).

  • TERCEIRO MISTÉRIO: MARIA AVANÇOU PELO CAMINHO DA FÉ
A Constituição do II Concílio do Vaticano sobre a Igreja afirma que Maria «avançou pelo caminho da fé». Estimados amigos, no Ano da Fé deixo-vos este ícone de Maria peregrina, que segue o seu Filho Jesus e precede todos nós no caminho da fé (Francisco, «Regina Coeli» de 5 de maio de 2013). Maria é sustentada pela fé, que se revigorou no decurso dos acontecimentos da sua existência e, sobretudo, durante a vida pública de Jesus (João Paulo II, Audiência Geral de 2 de abril de 1997).

  • QUARTO MISTÉRIO: MARIA SOFREU JUNTO À CRUZ
Maria «manteve fielmente a união com seu Filho até à cruz». O Concílio recorda-nos a «compaixão de Maria», em cujo coração se repercute tudo aquilo que Jesus sofre, sublinhando a sua vontade de participar no sacrifício redentor e de unir o próprio sofrimento materno à oferenda sacerdotal do Filho. A esperança de Maria aos pés da cruz encerra uma luz mais forte do que a obscuridade que reina em muitos corações: diante do Sacrifício redentor, nasce em Maria a esperança da Igreja e da humanidade (João Paulo II, Audiência Geral de 2 de abril de 1997).

  • QUINTO MISTÉRIO: MARIA É MÃE DO DISCÍPULO
Na Cruz, Jesus não proclamou de modo formal a maternidade universal de Maria, mas instaurou uma concreta relação materna entre Ela e o discípulo predileto. Nesta escolha do Senhor pode-se entender a preocupação de que essa maternidade não seja interpretada em sentido vago, mas indique a intensa e pessoal relação de Maria com cada um dos cristãos. Possa cada um de nós, precisamente devido a esta concretização da maternidade universal de Maria, reconhecer plenamente nela a própria Mãe, entregando-se com confiança ao seu amor materno (João Paulo II, Audiência Geral de 23 de abril de 1997).

  • TRÊS AVE MARIAS FINAIS
Nesta semana da vida, peçamos a Maria que nos ajude a dar mais vida à nossa vida. Maria é a Mãe de todos os que renascem para a vida. Ela é verdadeiramente a Mãe da Vida que faz viver todos os homens; ao gerar a Vida, gerou de certo modo todos aqueles que haviam de viver dessa Vida (João Paulo II, Carta Encíclica «O Evangelho da Vida», 138).

  • ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS > > >
  • TEMA GERAL DO MÊS DE MARIA 2013 > > >
© Laboratório da fé, 2013

Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.5.13 | Sem comentários
— Segundo domingo —  20 de janeiro —
 
Terceira Epifania... — O que hoje nos apresenta o evangelista João é uma reflexão teológica, uma epifania. De facto, a Igreja durante muito tempo celebrava três acontecimentos na Epifania: a manifestação de Jesus aos Magos, isto é, a todos os povos; a manifestação de Jesus ao povo judeu, no Batismo; a manifestação aos discípulos, nas Bodas de Caná. Agora, esta lógica mantém-se com a proposta litúrgica a estender os três mistérios da Epifania por três domingos. Por isso, antes de começar a leitura contínua do evangelho segundo Lucas, somos convidados a saborear uma página do evangelho segundo João.
Jesus vem dar respostas diferentes, novas, às necessidades do povo. O vinho é sinal da Nova Aliança, que renova a Antiga. Pela presença e pela palavra de Jesus, a Antiga Aliança — a água da «purificação» — converte-se na Nova Aliança — o «vinho bom». A novidade é o encontro com Cristo, o encontro com o Deus da vida. Uma novidade que possibilita dar o sim à aliança — «boda» — que ele oferece a todas as pessoas. A Nova Aliança é com todos os povos. Cumprem-se as profecias. Todos os homens e mulheres são convidados a participar plenamente na vida de Deus.
A conclusão da passagem — «Manifestou a sua glória» — sublinha que Jesus vem para manifestar a sua glória, isto é, para revelar, na carne da humanidade, quem é Deus. Uma manifestação que espera ser acolhida. Acolher é «acreditar n'Ele». E dito ao contrário: acreditar tem um sentido muito preciso: acolher Jesus, acolher a sua palavra, a sua maneira de viver. Não é uma questão intelectual, mas de experiência pessoal. A fé dos discípulos, que nasce nesta boda, faz-nos valorizar a festa eclesial, a Igreja que se reúne para nascer e crescer na fé, para acolher e amar Jesus Cristo.

© Josep Maria Romaguera (Misa dominical)
© tradução e adaptação de Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.1.13 | Sem comentários
— palavra para sábado, cinco de janeiro —

— Evangelho segundo João 1, 43-51

Naquele tempo, Jesus resolveu partir para a Galileia. Encontrou Filipe e disse-lhe: «Segue-Me». Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos Aquele de quem está escrito na Lei de Moisés e nos Profetas. É Jesus de Nazaré, filho de José». Disse-lhe Natanael: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?» Filipe respondeu-lhe: «Vem ver». Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?» Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». Disse-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». Jesus respondeu: «Porque te disse: ‘Eu vi-te debaixo da figueira’, acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem». 

— Vem ver

«Vem ver» — diz André ao seu amigo Natanael. No evangelho segundo João, «ver» é um dos sinónimos de «acreditar». Digamos que, nesta perspetiva, a fé não entra pelo ouvido, mas pela vista. A fé não consiste em ouvir dizer coisas sobre Jesus, mas em ver Jesus, em estar pessoalmente com Jesus Cristo. O que conduz à fé não são as palavras que se ouvem, mas aquilo que se vê. São muitos os exemplos que confirmam esta «lógica» do quarto evangelho!
Infelizmente, a Igreja — e consequentemente a grande maioria dos cristãos — colocou e continua a colocar demasiada ênfase na doutrina, no que se ouve; mas é preciso realçar o que se vê, o comportamento humano. Temos de aprender a tomar os evangelhos para «ver» como Jesus fazia e vivia; e fazer o mesmo. Jesus ensina-me que o decisivo não é a doutrina (que também faz falta), mas a atitude de vida, o meu comportamento diante dos outros.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.1.13 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira, quatro de janeiro —

— Evangelho segundo João 1, 35-42

Naquele tempo, estava João Batista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi – que quer dizer ‘Mestre’ – onde moras?» Disse-lhes Jesus: «Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» – que quer dizer ‘Cristo’ – ; e levou-o a Jesus. Fitando nele os olhos, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’. 

— Era por volta das quatro horas da tarde

O quarto evangelho descreve o chamamento dos primeiros discípulos, na Judeia, no contexto da pregação de João Batista. Os outros três evangelhos referem o primeiro chamamento, na Galileia. Há contradição entre eles? Houve dois chamamentos? Bem sabemos que, na maioria dos textos evangélicos, o mais importante não é o contexto histórico, mas o ensinamento que o autor nos quer transmitir através do relato.
O evangelista João, através de um pormenor, revela-nos a importância daquele chamamento. «Era por volta das quatro horas da tarde» quando aconteceu o encontro com Jesus Cristo. Foi de tal modo marcante para a vida daqueles homens que nunca mais se esqueceram da hora! 
Neste relato destacam-se o verbo «seguir» e «ficar». Na verdade, o discipulado é um seguimento, um ficar com Jesus Cristo. A vida muda. Deixam tudo para seguir Jesus, para ficar com Jesus. O discípulo é aquele que aprende a viver com e como o Mestre. Não basta saber muitas coisas sobre Jesus! Se queres ser discípulo, se queres ser cristão, tens de deixar tudo para seguir Jesus, para ficar com Jesus, para viver com Jesus e para viver como Jesus.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.1.13 | comentários
— A Porta da Fé, 13 — 

— «Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos. Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, 'autor e consumador da fé': n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e desejo do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação. 
Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação. Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam. Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade. Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes. Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota. Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo, transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo. 
Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre. Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa. Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele. Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas. 
Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos. 
Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores. 
Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. 
Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma acção em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos. 
Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida, confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados. 
Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história».


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.11.12 | Sem comentários
— a Igreja alimenta-se da Palavra de Deus —

— Evangelho segundo Marcos 10, 46-52
Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.

— A tua fé te salvou
A cura do cego Bartimeu, narrada pelo evangelista, tem um propósito pedagógico. É um episódio central no evangelho segundo Marcos. Curiosamente, um cego torna-se no modelo do verdadeiro discípulo. Recordando os textos evangélicos dos domingos anteriores (passagens do evangelho segundo Marcos), percebemos que aqueles que até agora acompanharam Jesus ouvem as suas palavras, mas não entendem a proposta de vida feita por Jesus. Têm o coração fechado ao estilo de vida de Jesus Cristo. Ao contrário, o cego Bartimeu tem consciência que não vê. E, ao saber que Jesus ia a passar junto dele, não perde a oportunidade para abrir o coração. Perante os gritos insistentes, Jesus diz: «chamai-o». Então, «o cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus». Um cego tem de andar devagar e com cuidado. Mas agora há qualquer coisa que altera a normalidade. Ele dá «um salto»! O que muda é a confiança. Mesmo sem ver, aquele homem confia em Jesus Cristo, isto é, acredita que Jesus pode mudar a sua vida. Por isso, o manto, sinal da vida anterior, é atirado fora. Todas as suas esperanças fixam-se em Jesus. Este é o milagre, que é realizado pelo próprio cego: deita fora tudo o que lhe impede de abrir o coração a Jesus Cristo. Já nada o prende. Então, pode saltar, pode dar um salto (de alegria) para ir ao encontro da vida. Jesus apenas confirma o milagre já realizado: «A tua fé te salvou». Agora, aquele homem que antes estava «à beira do caminho», salta e segue Jesus «pelo caminho». Este caminho não é topográfico, mas é um caminho existencial.
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.10.12 | Sem comentários
  • Recentes
  • Arquivo